Ler Alphega (Novel) – Capítulo 72 Online

- Capítulo 72 –
“Ele com certeza disse que hoje voltaria cedo e ainda me conta uma lorota?”
Se fosse a agenda de hoje de Baek Kanghyeon, ele já a conhecia. Que o único dia entre os dias úteis desta semana sem compromisso noturno era hoje, fora o próprio Baek Kanghyeon que dissera isso.
Por isso, excepcionalmente, estava até preparando um prato revigorante de visual enigmático, com tudo o que dizem fazer bem ao corpo e ao vigor enfiado dentro, mas quem diria que levaria um fora tão impiedoso assim.
Mas a emoção que lhe subira até a garganta durou pouco.
Haeil murmurou enquanto largava a concha, de cabo levemente entortado:
— Compromisso à noite…
Kanghyeon, quando marcava uma agenda de jantar com pessoas ligadas ao trabalho, costumava mencionar como “reunião”. Ter escrito simplesmente “compromisso à noite” significava que era uma agenda extremamente particular dele.
“Será que vai se encontrar com os hyungs? Ou outra pessoa?”
Se fosse o primeiro caso, tudo bem, mas, se fosse o segundo, era algo bastante suspeito.
Porque Baek Kanghyeon dissera com a própria boca que não tinha amigos.
Aos olhos de Kwon Haeil, que vinha o assediando até então, isso era, de fato, a mais pura verdade.
— Que ansiedade à toa.
Haeil, lembrando-se de Baek Kanghyeon, que logo estaria batendo o ponto de saída, encarou em silêncio o prato revigorante que ele mesmo cozinhara.
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Seong Taerim, que Baek Kanghyeon reencontrava depois de muito tempo, continuava o mesmo tanto meio ano atrás quanto agora.
Os cabelos loiros que saltavam aos olhos, o rosto bonito e esculpido que atraía o olhar ainda mais que isso, e ainda o sorriso atraente que combinava tão bem.
Era uma imagem um tanto contrastante com a de Baek Kanghyeon, um belo homem contido e cheio de distinção.
Num restaurante caríssimo de onde se avistava o rio Han de relance, na sala silenciosa desse lugar, Kanghyeon, sentado de frente para Taerim, trazia no canto dos lábios um sorriso sereno.
— Fiquei um pouco surpreso quando você disse de repente que estava perto da empresa. É que eu achava que você ainda estava no exterior.
— Fez agora dez dias que voltei. Não pretendo mais sair para o exterior daqui em diante.
— Por quê? Você gostava mais do exterior do que da Coreia.
Taerim sorriu, contemplando o largo rio Han para além da janela.
— Só… é que eu não aguentava de tanta vontade de comer kimchi jjigae.
Kimchi jjigae, com aquele rosto vistoso.
“Será que o paladar dele mudou nesse meio-tempo.”
Ele o guardava na memória com um gosto por comida ocidental; se soubesse que o paladar dele mudara, teria antes reservado num restaurante de comida tradicional coreana.
— Na verdade eu gosto de comida coreana.
— Da próxima quer que eu faça kimchi jjigae pra você? Eu sei fazer de um jeito porra de gostoso, botando carne.
Por que será que numa hora dessas me vem à mente o que Kwon Haeil disse.
Tanto Kwon Haeil quanto Seong Taerim eram belos homens de ares deslumbrantes, e, como os dois falavam de kimchi jjigae, parece que sem querer me ocorreu uma sensação de semelhança.
Enquanto Kanghyeon, sem intenção, se pusera a lembrar de Kwon Haeil, Taerim abriu a boca:
— E, além disso, é que meu pai me convocou à força. Por um tempo, mesmo que eu queira sair para o exterior, não posso.
— Convocado à força?
Taerim, diante da pergunta de Kanghyeon, pegou a faca de bife com o rosto sorridente.
— É que o hyung finalmente foi anunciado como sucessor, né.
A ponta da faca que Taerim segurava tocou a superfície do bife. A lâmina foi se enterrando com vagar bife adentro, e, daquela fresta, junto com um pouco de suco da carne, escorreu sangue.
— Já que não falta muito para o dia em que o hyung vai chegar até a presidência, parece que o meu pai também aos poucos está ficando ansioso.
Taerim, que contemplava o sangue que escorria do bife, ergueu os olhos e olhou para Kanghyeon.
— Segundo ele, está preocupado que outro ômega dominante fisgue o lugar ao lado do hyung.
Kanghyeon, que ouvia a fala de Taerim, sentiu o peito ficar apertado.
A aversão do presidente Baek Jungman por ômegas era a tal ponto que não se podia sequer colocar em palavras. Por isso, desde a infância, ele vinha sendo extremamente cauteloso para que ômegas não pudessem se aproximar de Kanghyeon de forma imprudente. Ainda que fosse um evento onde se reuniam figuras dos meios político e econômico, ele era do tipo que ficava aflito com receio de que, por acaso, feromônio de ômega indiscriminado grudasse em Kanghyeon.
Mesmo esse presidente Baek Jungman tinha momentos em que permitia a aproximação de um ômega, e isso se restringia a quando o outro era “dominante”.
Kanghyeon sabia o motivo pelo qual seu pai, mesmo abominando ômegas, era tão tolerante com ômegas dominantes.
Porque a probabilidade de gerar um alfa dominante era alta.
O fato de que, unicamente por esse motivo, se discriminava mais uma vez o ômega dentre os ômegas deixava Kanghyeon ainda mais enojado.
Fosse qual fosse o motivo, graças a isso, o ômega dominante Seong Taerim podia se aproximar de Baek Kanghyeon à vontade a qualquer momento. Isso, claro, era também porque o próprio Baek Kanghyeon abrira o coração até certo ponto.
Porque Seong Taerim era a pessoa que primeiro percebera o “segredo” de Baek Kanghyeon e a pessoa que, até então, guardara rigorosamente esse “segredo”.
Mas nem por isso os dois nutriam um pelo outro sentimentos amorosos.
Mesmo agora, os dois pensavam um no outro apenas como uma espécie de colaborador de cada um.
Na verdade, Seong Taerim vinha recebendo até então, sem saber ao certo, muita ajuda por parte de Baek Kanghyeon, que detestava ficar devendo.
Talvez por isso, Taerim, sempre que se encontrava com Kanghyeon, costumava checar antes de mais nada o feromônio dele. Como Baek Kanghyeon não conseguia sequer reconhecer o próprio “feromônio de ômega” nem percebia qualquer anomalia, ele achava que ele mesmo, o único capaz de detectá-lo, tinha de ficar atento.
E o instinto de Taerim sussurrava.
Que Baek Kanghyeon havia mudado.
— Mas, aliás, hyung.
Diante do chamado de Taerim, Kanghyeon ergueu os olhos e cruzou o olhar. Os olhos castanho-claros examinaram Kanghyeon detidamente.
— Ultimamente o seu corpo não anda meio estranho?
— Não, nada em particular.
Diante da pergunta de Taerim, Kanghyeon balançou a cabeça sem grande hesitação.
Se fosse mesmo para apontar, a frequência com que o baixo-ventre passara a doer de repente aumentara, sim. Depois do contrato com o clube WAVE, a agenda ficara ainda mais ocupada e o estresse vinha se acumulando à beça, então, na verdade, nem havia motivo para achar estranho.
Mas os olhos perspicazes de Taerim não se abrandaram facilmente.
“Alguma coisa mudou…”
Fora havia bastante tempo que Seong Taerim capturara o feromônio de ômega que se escondia dentro do feromônio de alfa de Baek Kanghyeon. Aquele feromônio sempre escorria em estado cru, sem ser contido, mas hoje, naquela nuance, havia uma sensação bastante amadurecida.
Taerim, que se pusera a meditar cutucando o inocente bife com a ponta da faca, perguntou de forma dissimulada:
— Hyung, por acaso tem algum ômega que você anda vendo?
— Não.
— Então e beta?
— Não tem.
— E alfa?
— …Por que você está perguntando uma coisa dessas?
Taerim, que viu a reação de Kanghyeon, estreitou os olhos.
— Aha, parece que ultimamente o hyung anda vendo um alfa, né.
Será que não ter negado de imediato virou a raiz do problema.
Kanghyeon, esquivando-se do olhar penetrante de Taerim, deu uma resposta vaga:
— Não tem nada disso. Só estamos enredados por causa do trabalho.
— É mesmo por causa do trabalho?
— …E também mora num lugar perto.
Como não tinha coragem de mentir, respondeu por alto, enrolando.
Só com aquilo, Taerim pareceu achar que não era coisa comum.
— Se você sabe até onde ele mora, parece que não é uma relação de simples conhecidos.
— É só que de vez em quando a gente se encontra pra comer ou tomar uma bebida, é só isso.
Além disso, também faço coisas indecentes a pretexto de aliviar o estresse.
Kanghyeon, sentindo o rosto esquentar um pouco, pegou a taça de vinho. O aromático vinho tinto escorreu suavemente ao longo de seus lábios vermelhos.
Taerim observava atentamente aquele Kanghyeon.
“Não é à toa que achei que o clima dele estava mais macio que antes.”
O perspicaz Taerim previu que o alfa que estava ao lado de Kanghyeon devia ter exercido uma influência considerável sobre ele. Não só no feromônio, mas sobre o próprio Baek Kanghyeon.
Taerim, vendo Kanghyeon esvaziar de sobra uma taça de vinho, sentiu na pele o clima descontraído dele. A cada encontro, havia muitas vezes em que ele parecia tão precário que não seria estranho desmoronar a qualquer momento, mas agora, com certeza, havia uma sensação de estabilidade.
Taerim pôs-se a ruminar em silêncio o tênue feromônio de ômega que se sentia por entre o elegante tomilho.
“Isso aqui é 100% que ele transou. Transou.”
Taerim teve a certeza de que Kanghyeon com certeza chegara a partilhar até a cama com aquele alfa.
Se não fosse isso, não haveria como surgir mudança no feromônio de ômega, que se mantinha calmo por mais que se fizesse. Ainda que a mudança não passasse de um nível extremamente ínfimo, fora por ser Seong Taerim, que vinha sentindo o feromônio de ômega de Kanghyeon havia oito anos, que ele conseguira capturá-la.
“Será que devo contar a ele.”
Que o feromônio do hyung ficou indecente.
Taerim, sendo ômega, não conseguia saber até que tipo de aroma havia no feromônio de ômega dos outros. Só que, graças ao sentido apurado, conseguia ao menos supor que tipo de sensação o feromônio de ômega que escorria de Kanghyeon trazia consigo.
“Que frustrante eu não ser alfa.”
Se ele fosse alfa, não teria conseguido identificar de forma um pouco mais nítida que tipo de sensação era o feromônio de ômega de Baek Kanghyeon?
Esse pesar virou pergunta e saltou para fora da boca.
— Essa pessoa sabe? Que o hyung tem feromônio de ômega.
Mesmo enquanto perguntava, achou que com certeza voltaria como resposta um “não”. Nunca vira, em toda a vida, uma pessoa tão sensível a feromônios quanto ele mesmo. E Baek Kanghyeon jamais falaria sobre o próprio feromônio duplo.
Mas a previsão de Taerim errou feio.
— Sabe.
Taerim, surpreso, fez uma expressão perplexa.
— Não me diga que vocês são íntimos a ponto de você contar até uma coisa dessas?
— Não. Parece que essa pessoa também é sensível tanto quanto você.
Kanghyeon tocou de leve com a mão a própria nuca, de onde até a marca da mordida sumira por completo.
— Assim que a gente se encontrou, ele enfiou o nariz na minha nuca antes de mais nada.
— É um doido varrido.
Um alfa enfiar o nariz na nuca de um alfa dominante?
A menos que fosse um pancada de bom tamanho, era algo que ninguém sequer cogitaria tentar.
Taerim, que deu uma risadinha como quem acha absurdo, curvou o canto dos olhos de forma agradável.
— Fiquei curioso, que tipo de pessoa é.
Um alfa a ponto de sentir o feromônio de ômega de Kanghyeon e fazer sexo com ele.
Acima de tudo, o próprio fato de ter conquistado Baek Kanghyeon era interessante.
— Você me conta um pouco mais em detalhes sobre essa pessoa?
Taerim mostrou um olhar cheio de expectativa, como uma criança que se depara com um brinquedo divertido depois de muito tempo.
˚˚˚
— Você nem precisava me trazer até aqui, sabe.
— Como assim.
Kanghyeon, que chegou em frente ao apartamento-escritório onde Taerim morava sozinho, desceu do carro junto com ele. Talvez com a intenção de confirmar até Taerim subir com segurança no elevador, caminhou seguindo-o até a entrada do prédio.
Diante daquele jeito imutável, Taerim caiu na risada.
— Só o hyung mesmo pra me escoltar a esse ponto.
Taerim não desgostava da consideração de Kanghyeon. Talvez por ser a consideração sem segundas intenções de um alfa firme que não se deixava seduzir pelo próprio feromônio de ômega, ela chegava até a ser reconfortante.
“Não sei quem é o outro, mas é meio um desperdício.”
Taerim não gostou muito do alfa de rosto desconhecido de quem ouvira falar por Kanghyeon. Uma pessoa como Baek Kanghyeon merecia formar par com o melhor dos ômegas mais que ninguém, e pensar que outro alfa estava de olho naquele lugar ao lado dele.
Quanto mais repetia o pensamento, mais lhe parecia uma insolência.
Taerim, que estava parado em frente ao elevador, de repente virou-se para Kanghyeon e perguntou com o rosto malicioso:
— Hyung, posso fazer uma brincadeira?
— Brincadeira?
— Pode considerar como a manha de um irmão mais novo fofo, se quiser.
Manha, é.
Kanghyeon, que sem se dar conta acabou se lembrando de Kwon Haeil, assentiu sem pensar muito.
Então, Seong Taerim de repente abraçou Kanghyeon de supetão.
Era só isso.
Para algo que se chamasse de brincadeira ou manha, não passara de um abraço rápido que logo foi desfeito, então, para Kanghyeon, não havia como não achar estranho.
Taerim, que soltou Kanghyeon, sorriu de forma enigmática com o rosto travesso.
— Espero que você não se force demais, hyung.
As palavras que deixou também foram enigmáticas.
Enquanto Kanghyeon achava aquilo estranho, Taerim subiu depressa no elevador que justamente chegara. A figura que desaparecia acenando a mão com o rosto revigorado era suspeita, mas Kanghyeon não deu grande importância e virou-se para ir.
Mas que devia ter dado importância àquele gesto foi algo que ele só veio a perceber depois de chegar em casa.
— O nosso senhor Baek Kanghyeon tinha talento pra deixar as pessoas com o humor uma bosta, hein?
Kwon Haeil, com quem acabou topando no corredor assim que chegou ao último andar, estava, por algum motivo, transbordando de sede de sangue.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.