Ler Alphega (Novel) – Capítulo 71 Online

- Capítulo 71 –
Mas Kanghyeon não despejou aquela sede de sangue às claras.
Em vez de aplacar as emoções com calma, articulou palavras contidas e ao mesmo tempo frias, pronunciando-as com nitidez.
— Por acaso os senhores seriam “omegafóbicos”?
Alfafobia, que abomina alfas.
Omegafobia, que abomina ômegas.
Eram termos que designavam os discriminadores de característica.
A aversão dos discriminadores de característica chegava ao nível de menosprezar alfas ou ômegas chamando-os de “bestas” e não os considerar seres humanos iguais. Como os problemas sociais que eles provocavam eram deveras variados, até o público em geral costumava condenar ferozmente os discriminadores de característica.
Os quatro entrevistadores, tremendamente surpresos com a fala de Kanghyeon, afirmaram com veemência que de forma alguma eram omegafóbicos.
— Não, imagina, não teria como.
— De forma alguma!
— Omegafóbicos? Que coisa é essa que o senhor está dizendo.
Kanghyeon encarou friamente, um a um, aqueles que negavam.
— Para quem diz que não é isso, os senhores fazem perguntas consideravelmente injustas.
Todos os entrevistadores fizeram uma expressão de quem se encolheu.
O homem de idade avançada, que parecia o mais experiente entre os entrevistadores, esforçou-se para rir.
— Haha…, nós, em última análise, apenas quisemos abordar as partes que poderiam se tornar um problema.
Sobre o rosto contido de Kanghyeon pairou um frio ainda mais intenso.
— As partes que poderiam se tornar um problema, é…
Kanghyeon, que murmurou parte da fala do entrevistador, ao contrário, deu um risinho como que zombando deles. Em seguida, ele começou a refutar, um a um, os apontamentos injustos que os entrevistadores haviam feito.
— Alfas também tiram folga conforme o ciclo. Fazer contato físico de forma indiscriminada, levado pelo feromônio, é sem dúvida um problema, mas isso não deveria ser uma questão restrita aos ômegas. E dizer que ômegas são frágeis também não é um preconceito evidente?
Sem que se percebesse, o candidato erguera a cabeça e estava concentrado na fala de Kanghyeon.
Kanghyeon, que refutou ponto por ponto as falas dos entrevistadores, encarou de volta o candidato, que o fitava aturdido.
— Seja alfa, seja ômega, é óbvio que ambos precisam ter cautela. Ainda assim, que só o ômega receba um tratamento desarrazoado de forma unilateral é consideravelmente anacrônico.
Os entrevistadores, que levaram a admoestação, cada um desviava o olhar de Kanghyeon, sem jeito. Ainda que quisessem reagir, pensando no título de “sucessor do Grupo Baekcheong” que Kanghyeon detinha, de jeito nenhum conseguiam.
No fim, os entrevistadores admitiram que suas falas haviam sido excessivas e, ainda que de forma constrangida, pediram desculpas ao candidato.
Só então, do rosto do candidato, a indignação e a mágoa foram se dissipando.
Depois que a entrevista toda terminou.
Lee Doon, o ômega que fora o último candidato, ao sair da BC Holdings, acabou reencontrando Baek Kanghyeon no saguão.
— Senhor Lee Doon.
— Ah, sim!
Doon, que reconheceu a voz de Kanghyeon e de repente respondeu antes de mais nada, virou-se para trás com o rosto tenso.
Kanghyeon, que se aproximou a passos largos, olhou com pesar para Doon, de estatura cerca de uma cabeça mais baixa que a dele.
— Vou pedir desculpas em nome dos outros entrevistadores. Sinto muito, de verdade.
Doon acenou as mãos e balançou a cabeça.
— O senhor diretor-geral não tem por que se desculpar. É porque eu sou ômega, ora.
Assim que ouviu a fala de Doon, Kanghyeon apontou com o rosto frio:
— Não aceite como algo óbvio a injustiça que você sofreu. Se por causa do feromônio se tivesse de sofrer injustiça, com o alfa seria igual.
— …Sim.
Doon respondeu a custo, com o rosto sem graça.
Alfas costumavam receber tratamento especial em geral também por causa de suas capacidades físicas inatas e de seu cérebro excepcional.
Especialmente, o Baek Kanghyeon diante dele era o sucessor do Grupo Baekcheong, que aparecera até na mídia, e um alfa dominante.
Vendo um homem desses sinceramente irritar-se em favor de um ômega, não havia como evitar que a sensação ficasse estranha.
Kanghyeon disse com firmeza a Lee Doon, que sorria de leve e coçava a bochecha:
— A entrevista de hoje será julgada rigorosamente com foco na capacidade individual e na adequação à função. Não há chance de você receber uma avaliação baixa pelo motivo de ser ômega, então não se preocupe.
Ao ouvir aquilo, Doon sentiu a ansiedade que ainda não conseguira afastar sumir como neve derretendo. A base de quem dizia tais palavras, Baek Kanghyeon, era uma coisa, mas, talvez por causa da voz sem o menor vacilo, ele confiou plenamente.
Acima de tudo, ele era o único alfa que olhara sem preconceito algum para ele, um “ômega recessivo”, tratado como o mais inferior até mesmo entre os ômegas.
— Sim! Muito obrigado!
A Doon, que respondia com o rosto radiante, Kanghyeon também sorriu com suavidade.
— O agradecimento não é tarde se você fizer depois de ser aprovado.
— Sim!
Doon, que respondia mais uma vez, estava radiante, como se já tivesse esquecido por completo o que acontecera na entrevista.
Depois que Doon saiu da BC Holdings, Kanghyeon subiu no elevador para se dirigir à própria sala.
“Espero que ele não tenha se magoado demais.”
Kanghyeon torcia para que suas pouquíssimas palavras tivessem acalentado ainda que um pouco a mágoa de Doon. A julgar pelo rosto radiante na hora de ir embora, parecia que a mágoa já sarara o suficiente, mas a lembrança de ter tido violado um fundamento imutável não era algo que se pudesse esquecer assim tão fácil.
Com um sentimento perturbado, chegou ao 15º andar, onde ficava a sala do diretor-geral.
Neste lugar, além da sala do diretor-geral, havia a sala de gestão financeira e a sala de planejamento estratégico, que se poderia dizer serem o núcleo do Departamento de Gestão Financeira, e ainda diversas salas de reunião e três salas de descanso.
Kanghyeon, que se dirigia à sala do diretor-geral, situada na parte mais interna do 15º andar, olhava lentamente para cada escritório. Para além do vidro contínuo que formava a estrutura dos escritórios, muitas pessoas se moviam atarefadas.
Não só as pessoas que trabalhavam no 15º andar, mas, se fosse funcionário do Departamento de Gestão Financeira, ele os tinha todos decorados.
Assim que confirmava o rosto, parte dos dados pessoais básicos deles surgia reflexa e sucessivamente na cabeça de Kanghyeon.
Beta, beta, alfa, beta, beta, beta, alfa, beta…
Dentre aquela multidão de pessoas, não havia sequer um único ômega.
Kanghyeon, mais do que qualquer outra coisa, era esse o fato que mais o desagradava.
Não era que pensasse que, por ser ômega, se devesse dar tratamento diferenciado. Não era que tivesse a benévola intenção de que se tivesse de protegê-los e ajudá-los, nem tampouco compadecer-se deles de forma precipitada.
Simplesmente, não queria que ninguém fosse discriminado.
“Está errado.”
Kanghyeon detestava enormemente o fato de que todas as empresas do Grupo Baekcheong evitavam ômegas. E o fato de que o motivo dessa evitação era por causa de seu próprio pai também era terrível.
Kanghyeon cerrou os dois punhos com força, a ponto de as palmas das mãos arderem.
“Eu vou mudar tudo.”
Não faltava muito.
Para impedir que os executivos do grupo e os acionistas reagissem contra quando ele assumisse o posto de presidente, ele vinha acumulando resultados sem descanso até então.
Movera-se de modo a ser perfeito, sem ponto em que pudesse ser criticado, e, mesmo em meio ao arranjo explícito do pai, produzira desesperadamente resultados acima daquilo. Tornara-se rotina cobrar-se sem fim para ouvir a frase “Se for esta pessoa, não faz feio nem se tornar presidente do Grupo Baekcheong”.
Como resultado, agora qualquer um o reconhecia como “próximo presidente do Grupo Baekcheong”.
Se prosseguisse tranquilamente como agora, conseguiria se sentar no posto de presidente rapidamente. Isso também era algo que os três amados irmãos ômegas não desejavam senão de todo o coração.
Kanghyeon passou impassível pelos escritórios repletos apenas de alfas e betas. Seu andar carregava um peso tão denso quanto a determinação que trazia por dentro.
˚˚˚
— Lee Doon.
Doon, que se dirigira a um café tranquilo das redondezas assim que a entrevista terminara, virou a cabeça diante da voz que o chamava.
O dono da voz era Seong Taerim, seu colega de faculdade e o amigo que se poderia dizer ser seu único melhor amigo.
Doon, que fazia um rosto contente ao ver Taerim, deu uma olhadela ao redor. Viu que alguns dentre os clientes que ocupavam esparsamente as mesas relanceavam Taerim. Dentre eles, havia até quem, vendo-o cumprimentar Taerim, cochichasse algo entre si.
A esse ponto a aparência esculpida de Seong Taerim atraía as atenções de forma quase excessiva.
Sobrancelhas delicadamente curvadas, olhos castanhos de pigmentação tão clara a ponto de se suspeitar que fosse mestiço, um nariz suave e nítido e, abaixo dele, lábios vermelhos primorosos, uma linha do maxilar graciosa e ao mesmo tempo afiada.
As feições esculturais e inatas formavam a melhor das harmonias em conjunto com seu corpo esguio, de músculos definidos. E, ainda por cima, com os cabelos loiros tingidos de forma vistosa acrescentados, era impossível desgrudar os olhos por mais que se quisesse.
Doon, vendo as pessoas que cochichavam olhando alternadamente para Taerim e para ele mesmo, resignou-se com amargura.
“Eu sei. Eu sei, sim. Que, comparado ao Seong Taerim, eu sou um bagre.”
Já estava mais que acostumado com a bela aparência de Seong Taerim.
Os portadores de característica a que se acrescentava o qualificativo de “dominante” eram, todos sem exceção, homens e mulheres tão belos a ponto de esbofetear a cara de artista. Isso era quase como uma fórmula, então sabia que era algo que ele não tinha como fazer nada a respeito. Ainda assim, não havia como evitar que doesse.
“Agora que penso nisso, aquela pessoa também era incrivelmente bonita.”
Doon, lembrando-se do diretor-geral Baek Kanghyeon, que lhe dirigira palavras afetuosas, sentou-se de frente para Taerim.
Seong Taerim, que sorveu com o canudo, com um sonoro gole, um café mocha gelado com chantili por cima, perguntou com o rosto sorridente:
— Como foi a entrevista?
— Fiz com empenho, pelo menos. Não sei se vai dar certo, mas.
Doon, que dava um suspiro, de repente ficou com os olhos brilhando.
— Ei, ei, eu vi aquela pessoa que você mencionou, sabia?
— Quem?
— O diretor-geral Baek Kanghyeon!
Taerim, que estava com a boca no canudo, estancou.
— O entrevistador era o hyung Kanghyeon?
— Sim!
Doon, que assentiu com jovialidade, corou levemente as bochechas e sorriu envergonhado.
— Ele é uma pessoa superlegal. Mesmo eu sendo ômega recessivo, ele me tratou sem discriminação e só me disse coisas de verdade boas…
Doon contou a Taerim também o que acontecera durante a entrevista e a conversa que tivera com Kanghyeon depois. Enquanto dava sequência à fala, Doon fazia uma expressão sinceramente contente.
Taerim, que ouvia com calma a fala de Doon, fez uma expressão interessada.
— O hyung continua o mesmo.
Taerim relembrou a última vez em que se encontrara com Baek Kanghyeon.
“Já se passou meio ano, hein.”
A última vez que vira Baek Kanghyeon fora no local de uma conferência internacional organizada pelo Grupo Baekcheong. Taerim não tinha o menor interesse por negócios, mas fora um evento em que acabou tendo de participar, sem alternativa, porque o pai o arrastara à força.
O motivo pelo qual Seong Taerim fora arrastado era simples.
Fora uma manobra do pai, que já sabia de antemão que Baek Kanghyeon era o verdadeiro sucessor do Grupo Baekcheong, para de algum modo criar um ponto de contato com ele. De qualquer forma, com Baek Kanghyeon ele já vinha se comunicando de vez em quando desde muito antes, por causa do “segredo” dele, mas o pai não sabia disso.
“Ultimamente andamos ambos ocupados demais e acabamos não conseguindo nos comunicar direito, é verdade.”
Taerim, que se pusera a lembrar de Baek Kanghyeon, pegou o celular.
— Lee Doon, vamos adiar o compromisso de hoje à noite para outra hora.
— Quê? Por quê? Você disse que, se eu fosse bem na entrevista, ia me pagar algo gostoso!
— Eu pago amanhã, amanhã.
Taerim, ignorando Doon, que ficou emburrado, deixou uma mensagem para o número do celular pessoal de Baek Kanghyeon.
Estou agora perto da empresa do hyung
Não dá pra me pagar uma comida, faz tempo que não nos vemos?
Apesar de ser um contato depois de meio ano, Taerim deixou uma mensagem à vontade, sem sequer um cumprimento arrastado e prolixo. Nesse meio-tempo, Doon encarava com o rosto tremendamente insatisfeito.
— Ei! Você vai fazer isso mesmo?!
— Uhum, vou fazer isso mesmo.
Taerim, que respondeu com desinteresse, logo em seguida, vendo a resposta breve “Tudo bem” que o outro enviara, sorriu de canto como quem já sabia que seria assim.
Doon, que viu o sorriso suspeito de Taerim, suspirou como quem desistiu e perguntou:
— Vai me deixar aqui e ir aonde?
Taerim sorveu de uma vez até o fundo o pouco que restava do café mocha. Ele, que deixou no copo apenas gelo e um pouco de chantili, respondeu enquanto se levantava do lugar:
— Um encontro.
Diante da palavra inesperada, Lee Doon fez uma expressão sinceramente surpresa.
˚˚˚
No mesmo horário.
Kwon Haeil, que aguardava apenas a hora de Baek Kanghyeon sair do trabalho, foi transmitida uma mensagem que soou como um raio em céu azul.
Hoje tenho compromisso à noite, então não me espere
Haeil, que preparava um ambicioso prato revigorante para dar de comer a Baek Kanghyeon, contorceu o rosto friamente. A fina concha de cozinha que ele segurava emitiu um ruído bizarro, como se fosse quebrar a qualquer instante.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.