Ler Alphega (Novel) – Capítulo 69 Online


Modo Claro

- Capítulo 69 –

Foi por volta de quando a aurora começava a clarear que Baek Kanghyeon abriu os olhos, ainda sentado apoiado em Kwon Haeil.

Ainda assim, o interior estava consideravelmente escuro. Como uma grossa cortina blackout cobria por inteiro a janela da sala, tudo o que havia de luz não passava de um único feixe que mal se infiltrava por uma fresta.

“Está escuro.”

Kanghyeon piscava os olhos aturdidos, olhando para o feixe de luz que se estendia longo por entre a cortina.

Mesmo sem verificar as horas, teve a certeza de que com certeza deviam ser por volta das seis da manhã. Um hábito uma vez incorporado ao corpo é algo assustador; ainda que o ambiente mudasse e a forma de adormecer fosse diferente, ele costumava abrir os olhos por volta do mesmo horário.

“Agora que penso nisso…”

Kanghyeon baixou o olhar para a cintura, em que ainda sentia um peso.

Como esperado, o braço de Kwon Haeil envolvia sua cintura. Uma das mãos estava ainda de dedos suavemente entrelaçados, segurando-a.

“Será que adormeci nesta posição.”

Kanghyeon estava, mais uma vez, surpreso com a própria imperturbabilidade de ter dormido profundamente sentado e, ainda por cima, apoiado no corpo de outra pessoa. Por causa da posição, havia uma leve rigidez, mas talvez graças à almofada que sustentara tão bem o corpo, o que lhe ocorreu primeiro foi que dormira bem.

Kanghyeon ergueu a cabeça que estava apoiada e olhou para o homem que caíra no sono junto com ele.

“Eu tudo bem, mas por que esse cara dormiu assim mesmo?”

Kwon Haeil, que se autoproclamara almofada, também estava num sono da melhor qualidade.

Sendo a própria casa dele, bastaria acordá-lo na medida certa, mandá-lo de volta e dormir confortavelmente.

Kanghyeon, com a ideia de que devia fazê-lo dormir confortavelmente ainda que agora, começou por soltar a mão que estava levemente presa. Quando ia também desfazer o braço que envolvia sua cintura, ainda que ele estivesse claramente dormindo, a força era considerável.

— Hmm…

Parece que a sensação de ter o braço afastado não lhe agradou nem um pouco.

Haeil, que deixou escapar um pequeno gemido, de repente fez força no braço que envolvia a cintura de Kanghyeon. Em seguida, entrelaçou as duas mãos e o envolveu com firmeza, para que não se desfizesse de jeito nenhum.

O quão forte era o entrelaçar de dedos desse cara ele já sabia bem, pois tinha o histórico de já ter sido preso por ele.

Kanghyeon deu leves batidinhas no braço de Haeil, que segurava sua cintura a ponto de sufocar.

— Se já acordou, solte isto e vá dormir lá dentro.

— Não quero…

Haeil, emitindo uma voz profundamente embargada, esfregou o rosto no ombro de Kanghyeon.

— Durma mais… Ainda está escuro…

— É que está escuro porque a cortina está fechada. Já é de manhã.

— Manhã é, no fim, o horário perfeitinho pra dormir…

— Pra mim não…!

Kanghyeon, que ia retrucar, de repente sentiu o corpo inclinar-se de lado. Sem tempo sequer para resistir, acabou deitado de lado no sofá, na exata posição em que estava sendo abraçado por Kwon Haeil.

Estando os dois deitados lado a lado, o espaço não podia deixar de ser bem apertado em comparação com estar sentado. Como Haeil também sabia disso, puxou Kanghyeon mais para o peito e o colou por completo.

— Da próxima vez eu faço travesseiro… de braço pra você… Falta um braço…

Parece que não conseguia soltar os dois braços que seguravam a cintura, com receio de que Kanghyeon fugisse. Embora, para começar, Kanghyeon nem parecesse ter pensado em algo como um travesseiro de braço.

Haeil, com o rosto enterrado na cabeça de Kanghyeon, falou como quem faz cócegas.

— Vamos dormir só mais… dez minutos…

— Você vai dormir assim mesmo?

— …Uhum…

— Senhor Kwon Haeil?

— …

Haeil, em vez de responder, apenas emitia um som de respiração regular.

Kanghyeon deu um pequeno suspiro dentro dos braços de Haeil, que afinal acabara adormecendo.

“Não tem jeito.”

Kanghyeon, que ia desistir, de repente percebeu que havia algo por cima da cabeça. Ao erguer a cabeça, viu que, justamente na parte logo acima de onde encostavam as cabeças, e na extremidade do sofá, estava a pasta de documentos de Kanghyeon.

O workaholic Baek Kanghyeon não deixou isso passar.

˚˚˚

Kwon Haeil, que era noturno, só despertou do sono por volta de quando a luz que se infiltrava por entre o blackout já ardia bastante.

“O quê, por que na sala…”

Haeil, que piscava os olhos ainda enevoados adaptando-se à visão, recordou lentamente a situação de pouco antes de adormecer.

“Ah, é verdade. Fiquei esfregando o rosto na cabeça do senhor Baek adormecido e apaguei assim mesmo.”

Ao recordar, aquele aroma que vinha sentindo até antes de adormecer ainda cutucava de leve seu nariz. Bastava esse aroma para que parecesse conseguir mergulhar mais uma vez num sono agradável.

— Se já acordou, será que dá pra me soltar agora?

— Hã…?

Haeil, que estava aturdido por ainda não ter despertado direito, só então conseguiu perceber onde estava deitado agora e quem estava abraçando.

Haeil descobriu Baek Kanghyeon, que, deitado em seu peito, olhava para um tablet qualquer. Sobre a mesinha do sofá, disposta à distância do alcance da mão, estavam, sem que percebesse, os mais variados documentos, presumivelmente os que Baek Kanghyeon vinha examinando.

— O que você está fazendo?

— Não é óbvio olhando? Estou trabalhando.

Kanghyeon respondeu a Haeil despreocupadamente enquanto examinava a planta de um edifício exibida no tablet. Com a caneta eletrônica exclusiva do tablet, ora escrevia anotações caprichadas por vários pontos da tela, ora estendia a mão para pegar documentos e comparar isto e aquilo.

Haeil, que viu a figura dele trabalhando imperturbável mesmo aprisionado em seu peito, ficou tão perplexo que o sono espantou-se de vez.

— Uau… Como é que dá pra trabalhar até deitado desse jeito?

— Não tive alternativa por causa de um certo alguém que não me solta.

Baek Kanghyeon, que retrucava, continuava concentrado apenas no trabalho. Como ele nem lhe dava atenção com o rosto, Haeil resmungou em desaprovação.

— É fim de semana e você não consegue simplesmente não trabalhar e descansar bastante?

— Descansar, ter dormido direito por si só já basta.

— Você é louco, sério…

— Essa é uma fala que, ao menos do senhor Kwon Haeil, eu não gostaria de ouvir.

Haeil fez beicinho de propósito, de forma ostensiva, e apoiou o queixo no ombro de Kanghyeon. Os conteúdos confusos que Kanghyeon examinava logo embaralharam a visão de Haeil.

— Não está se esforçando demais? Vá com calma.

Mesmo diante da fala entremeada de suspiro de Haeil, Kanghyeon continuava teimoso.

— Por mais que não pareça, eu estou indo com calma.

Onde, exatamente?

Haeil, aguentando a vontade de perguntar de volta, apoiou o rosto em Kanghyeon.

Haeil, que ficara de boca calada por um instante, perguntou de forma insinuante.

— Por que o senhor Baek Kanghyeon é tão severo consigo mesmo?

— Do que você está falando?

Ao mesmo tempo que retrucava, ouviu-se o som de Kanghyeon virando um documento.

— De vez em quando é preciso agir de forma relaxada e ter certa folga também. Vivendo todo dia só se cobrando desse jeito, você não vai viver o que lhe é destinado.

— Ainda assim, é um trabalho que tem de ser feito.

Que vida tão difícil ele leva, francamente.

Do ponto de vista de Haeil, ele continuava sem conseguir entender Baek Kanghyeon.

Baek Kanghyeon tinha uma base que lhe permitia realizar tudo, bastando desejar, e ele mesmo era uma pessoa com capacidade à altura.

Não deveria haver necessidade de se esforçar como alguém encurralado à beira de um precipício, mas ele não entendia por que ele parecia estar em perigo todo dia.

“Por que será que ele vive se matando desse jeito?”

Se o ser humano chamado Baek Kanghyeon não fosse alfa, se ele não soubesse que tipo de lugar era a família dele, talvez apenas o considerasse como “o espernear do caçula de uma família de magnatas”.

Até onde Haeil sabia, era algo comum nas famílias de magnatas presas a costumes anacrônicos.

O primeiro a ser mencionado como sucessor era sempre o primogênito. Como no direito de sucessão ao trono, podia-se entrar na fila pelo posto de sucessor na ordem de quem nascia primeiro, e, dentre eles, o caçula costumava ser colocado na posição mais baixa de todas. O caçula, em uma posição em que sequer podia ousar sonhar com o posto de sucessor, sempre recebia os negócios que sobravam depois de os irmãos repartirem entre si, ou assumia o papel de auxiliá-los.

Mas, na verdade, os lugares chamados de os três grandes grupos do país não seguiam tais costumes.

Bastava ver que o caçula, Baek Kanghyeon, fora escolhido como sucessor do Grupo Baekcheong.

Por isso é ainda mais estranho.

Mesmo que vivesse como um desregrado, o Grupo Baekcheong é dele, então haveria necessidade de ser tão desesperado com o trabalho como agora? Nem é que tivesse de brigar por méritos com os hyungs ômegas, que há tempos desistiram da sucessão.

Parece que o olhar de Haeil, mergulhado em pensamentos sem dizer nada, ardia bastante.

Kanghyeon, largando na mesa os documentos e o tablet que segurava, disse:

— Se tem algo a dizer, diga.

— E você sabe o que eu vou dizer?

— Não sei. É por isso que estou mandando você dizer.

Kanghyeon, que afastou o braço de Haeil, ergueu o corpo e sentou-se. Atrás de Kanghyeon, que girava o braço um tanto rígido fazendo um leve alongamento, Haeil também se levantou abruptamente atrás dele.

Haeil, massageando o ombro de Kanghyeon sem machucar, perguntou:

— E você tem intenção de responder?

— Deve depender da pergunta.

Diante da resposta de Kanghyeon, Haeil teve de escolher as palavras não sei quantas vezes dentro da boca.

Circularam variadamente desde perguntas minuciosas até perguntas capazes de arranhar o orgulho. Ainda que tudo aquilo fossem perguntas para entender Baek Kanghyeon, por mais que fosse, ele não queria ser odiado.

No fim, Haeil lançou a pergunta mais banal e que qualquer um faria.

— Por que você vive se esforçando tanto?

Foi uma reação pequena, mas Haeil, que massageava o ombro de Kanghyeon, conseguiu sentir que ele se sobressaltou.

No instante em que pensou se não teria perguntado à toa e ia mudar de assunto, Kanghyeon respondeu:

— É porque há algo que quero mudar.

Haeil espiou de esguelha os olhos de Kanghyeon, que fitavam a frente. A julgar por estarem sérios e resolutos, não parecia ser algo que ele soltara para enrolar por alto. E ele nem era do tipo que faria isso.

Haeil, que leu algo no olhar de Kanghyeon, disse:

— Mas isso não é para o bem do senhor Baek Kanghyeon, não é?

Só então Kanghyeon olhou para Haeil, que enfiara a cabeça espichada ao seu lado. Nos olhos de Haeil, com que se deparou, não havia malícia alguma.

— …De vez em quando, esses seus olhos me desagradam bastante, senhor Kwon Haeil.

Kanghyeon falava a sério.

Kwon Haeil, apesar de sempre agir de forma leviana, com frequência cutucava assim tão bem o que havia de pesado dentro dele. Toda vez, ora lhe dizia as palavras que ele desejava, ora, como agora, havia momentos em que reagia com uma perspicácia desnecessária, o que também o deixava sem jeito.

Sabendo ou não o pensamento de Kanghyeon, o rosto de Haeil voltou a se tornar travesso.

— Ora, aame esses olhos também.

Ergueu os olhos de propósito, deixando-os brilhantes e cintilantes, e riu de forma cômica. Com isso, a desconfiança que brotava espetada afrouxou-se.

— E além disso… o senhor Kwon Haeil se enganou.

Kanghyeon, que falou com firmeza, fixou o olhar no tablet e nos documentos que estivera examinando.

— É, em última análise, para mudar por mim mesmo.

Haeil, acompanhando o olhar de Kanghyeon, envolveu-lhe a cintura com os dois braços. A Kanghyeon, que cerrou bem os lábios como quem não pode dizer mais nada, Haeil deixou escapar um riso leve.

— Isso. Vamos mudar tudo o que o nosso senhor Baek Kanghyeon quiser.

Foi uma declaração leviana, bem típica de Kwon Haeil. Mas, dentro dela, havia com certeza uma forte convicção de que Baek Kanghyeon seria capaz de conseguir.

“É justamente uma pessoa que vive se esforçando assim que deve fazer tudo o que quer; senão, quem vai fazer?”

Haeil, que assentiu sozinho com a cabeça, esfregou a bochecha na cabeça de Kanghyeon e perguntou:

— Não tem nada que eu possa fazer pra ajudar?

— Soltar este braço é ajudar. E pare de esfregar.

— Hum, isto é uma coisa instintiva, então nem eu consigo evitar. É culpa do senhor Baek Kanghyeon, então deixe por isso mesmo.

Então por que perguntou.

Kanghyeon virou-se friamente para Haeil, que parecia estar brincando com ele.

Então, os olhos incomparavelmente afetuosos de Haeil se depararam com Kanghyeon.

— Se tiver algo em que eu possa ajudar, diga a qualquer momento. Pode até me usar, se quiser.

Kanghyeon franziu de leve o cenho diante da palavra “usar”.

Haeil, mesmo diante da reação insatisfeita de Kanghyeon, riu com o rosto radiante.

— Só não esqueça que eu estou sempre do lado do senhor Baek Kanghyeon.

Kanghyeon sentiu o peito fazer cócegas diante da boa vontade reta e do afeto dirigidos a ele.

Por algum motivo, teve o pressentimento de que acabaria profundamente viciado nessa sensação.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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