Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 128 Online

Capítulo 128
A voz sombria e totalmente sem emoção flutuou das sombras atrás dele. Gi-hyeon sobressaltou-se, embora tenha conseguido engolir o ganido patético que ameaçava escapar de sua garganta. Jo Yeon-oh deu um passo em direção à luz fraca, vestido com sua costumeira camiseta gasta e calça de moletom, com o rosto transformado em uma máscara impassível e ilegível. Atordoado, Gi-hyeon soltou a primeira coisa banal que lhe veio à mente.
— …Uh, você comeu?
— Olha a hora. Obviamente eu comi. E você?
Era uma pergunta simples, mas toda a força sumiu abruptamente das pernas de Gi-hyeon. Eu estava ocupado demais para comer. Muitas coisas terríveis aconteceram hoje. Ele queria desabafar tudo de uma vez. Mas seria certo contar a Yeon-oh sobre o avanço de Cheol-jin? Ele havia ignorado abertamente os avisos desesperados de Yeon-oh para ter cuidado, e sua complacência quase resultara em um desastre. Fora um acidente imprevisto, sim, mas ele não suportava a ideia de ver o coração de Yeon-oh se partir de preocupação.
Apavorado com o interrogatório iminente, Gi-hyeon buscou cautelosamente o rosto de Yeon-oh.
— …
Mas Yeon-oh apenas o encarou em completo silêncio.
Já havia se passado tempo suficiente para que os feromônios de Cheol-jin sem dúvida tivessem se dissipado. Ele havia se esfregado minuciosamente no chuveiro do centro e se trocado com roupas cirúrgicas limpas, então deveria estar completamente limpo.
A amarga ironia de agir como um cônjuge infiel que esfrega desesperadamente o corpo para apagar o cheiro de um caso amoroso tinha gosto de cinzas em sua boca, mas sabendo o quão descontrolado Yeon-oh ficaria, ele se recusou a sobrecarregá-lo com a verdade.
— …Sim. Eu comi também.
Temendo que uma confissão de ter pulado o jantar despertasse suspeitas, Gi-hyeon forçou a mentira. Mesmo que seu estômago estivesse dolorosamente vazio, praticamente colado às suas costas, ele não tinha outra escolha.
Após estudar Gi-hyeon em um silêncio sufocante pelo que pareceu uma eternidade, Yeon-oh finalmente falou.
— Que bom. Vá logo se lavar. Você deve estar exausto.
Uma onda massiva de alívio desabou sobre Gi-hyeon. Ele estivera apavorado com a possibilidade de Yeon-oh enxergar através de sua fachada, mas milagrosamente havia escapado do perigo. No exato momento em que ia passar pelo marido em direção ao banheiro, ele congelou.
O fôlego de Gi-hyeon ficou preso na garganta em um arquejo abrupto. As luzes da sala de estar estavam fracas demais para ver claramente à distância, mas no instante em que se aproximou de Yeon-oh, a realidade aterrorizante do estado físico do alfa tornou-se impossível de ignorar. Veias grossas e escuras saltavam violentamente na testa de Yeon-oh. Seus olhos estavam injetados de sangue e avermelhados nas bordas, e sua expressão perfeitamente vazia era uma máscara assustadora que escondia uma fúria pura e homicida.
E o olhar dele estava fixo diretamente no peito de Gi-hyeon.
Uma mancha enorme e escura de leite materno vazado havia encharcado completamente a frente da camiseta escura de Gi-hyeon. Tomado pelo pânico, Gi-hyeon apressou-se a cruzar os braços sobre o peito. A sensação de peso doloroso e cheio em seus seios contava a história: no momento em que pisara na casa e inalara os feromônios de Yeon-oh, seu corpo traumatizado havia relaxado violentamente, desencadeando um reflexo de ejeção incontrolável em resposta à segurança repentina de seu parceiro.
— Ah, eu não sei por que isso de repente…
— …
Apesar da desculpa desajeitada e gaguejada de Gi-hyeon, Yeon-oh permaneceu completamente sem responder. Seu rosto era uma máscara de uma imobilidade aterrorizante, mas as veias saltadas e os olhos injetados de sangue gritavam o que ele se recusava a dizer. Uma tempestade invisível dos feromônios de Yeon-oh começou a cobrir Gi-hyeon como uma chuva pesada e sufocante. A fúria não verbal e apocalíptica que irradiava do alfa era inconfundível.
— Você…
— …
A ficha caiu para Gi-hyeon como um trem de carga. Yeon-oh não havia acreditado em sua mentira por um único segundo. Ele nunca acreditara que Gi-hyeon tivera um dia “normal”. Ele já sabia exatamente o que havia acontecido. Ele sabia que Gi-hyeon fora exposto a outro alfa.
— Yeon-oh-ya.
— …
Mas Jo Yeon-oh manteve a boca firmemente fechada. Ao contrário da expectativa aterrorizada de Gi-hyeon de que ele explodiria, o alfa simplesmente ficou ali parado, suportando a fúria que o despedaçava de dentro para fora.
— …Vá logo se lavar. Você deve estar exausto. Quer uma massagem?
As palavras casuais e de conversa foram proferidas em uma voz tão sombria e pesada que parecia ter sido arrastada do fundo do oceano. Gi-hyeon sabia em definitivo que Yeon-oh sabia de tudo. No entanto, apesar de saber que seu ômega fora encurralado por outro alfa, Yeon-oh estava enterrando sua fúria à força, escolhendo desesperadamente o silêncio.
Presenciar aquele controle agonizante partiu o coração de Gi-hyeon. Ele foi tomado por um remorso doloroso por causar aquela dor desnecessária, por forçar o homem que amava a engolir uma fúria tão tóxica e corrosiva.
— Me desculpa.
O pedido de desculpas rasgou sua garganta. Gi-hyeon reduziu a distância entre eles.
— Me desculpa mesmo. De verdade. O Cheol-jin tomou um supressor novo hoje que supostamente passaria nos testes de doping, mas causou uma reação adversa grave e…
— …
Yeon-oh não disse uma palavra.
Ele sequer olhou para ele.
Uma pontada fria de medo genuíno perfurou o peito de Gi-hyeon. Jo Yeon-oh era um homem que sempre vomitava seus pensamentos mais sombrios e violentos por meio de palavras duras e ações agressivas. Vê-lo internalizar tudo aquilo, assistindo-o suportar em silêncio, era infinitamente mais aterrorizante do que qualquer discussão aos gritos.
De repente, Yeon-oh ergueu lentamente a mão que Gi-hyeon estivera segurando e envolveu seu braço com firmeza ao redor da cintura de Gi-hyeon, puxando-o até que ficasse colado contra o seu corpo. Inundado por um alívio avassalador, Gi-hyeon entregou-se ao abraço sem o menor indício de resistência.
— Tudo bem.
— …
— …Na verdade, não está tudo bem, mas estou fingindo que está, então apenas colabore.
Um suspiro trêmulo escapou dos lábios de Gi-hyeon. Parecia uma piada seca, mas a sinceridade crua e sangrenta por trás das palavras de Yeon-oh era impossível de não notar. Apesar do caos, Gi-hyeon deu-se conta de que estava maravilhado com o quão descontroladamente seu próprio coração estava batendo.
— …O que você vai fazer se algo assim acontecer de novo? — Gi-hyeon sussurrou. — Você tem todo o direito de me odiar se acontecer.
— Por que caralho eu odiaria você? Eu só mataria o porra do desgraçado que ousasse rondar você.
A fala veio com uma calma de gelar o sangue. O braço apertado ao redor de sua cintura estreitou-se de forma possessiva, tirando o ar de seus pulmões. A pura intensidade daquilo deixou Gi-hyeon tonto. Esmagada contra o peito sólido de Yeon-oh, a camisa manchada de leite de Gi-hyeon espalhou-se entre os dois.
— Você realmente não me odeia?
Diante da pergunta repetida e vulnerável, Yeon-oh empurrou Gi-hyeon de leve para trás, o suficiente apenas para olhar para ele. Sentindo o peso intenso daquele olhar, Gi-hyeon ergueu a cabeça. Os olhos que o encaravam de cima eram uma tempestade caótica de ruído violento e uma calma absoluta e inabalável.
— Você é um desgraçado notoriamente descuidado e problemático, mas eu sei que você não se jogaria de bom grado em uma situação daquelas sabendo exatamente o quão psicótico eu ficaria. Eu imaginei que ou tinha entendido mal a situação, ou havia uma peça do quebra-cabeça que você não estava me contando. Se algo assim acontecer, você só precisa me dizer a verdade.
Yeon-oh fez uma pausa, respirando deliberadamente. Seu pomo de Adão saliente moveu-se com força antes de ele continuar, com a voz áspera como lixa.
— Eu estou tão cansado para caralho de a gente se entender mal. E a menos que tenha sido um acidente literal, eu sei que você não é o tipo de homem que voltaria para casa empesteado com os feromônios de outro alfa quando tem um bebê e um marido esperando por você.
— …
Os tremores violentos e invisíveis que vinham castigando o corpo de Gi-hyeon de dentro para fora finalmente cessaram por completo.
Naquele momento de clareza avassaladora, Gi-hyeon percebeu que o tremor não fora, de forma alguma, uma reação fisiológica aos feromônios hostis de outro alfa. Ele estivera apavorado com o peso pesado e sufocante de Yeon-oh entendê-lo mal. Ele estivera petrificado com a possibilidade de que o ressentimento profundo e tóxico que costumava definir o passado deles ressuscitasse e os despedaçasse novamente.
Ele sabia agora, com absoluta certeza, que mesmo se uma crise semelhante ocorresse, Yeon-oh nunca explodiria com ele da forma como costumava fazer. Mas isso não importava. Gi-hyeon nunca, jamais queria ver aquela expressão devastadoramente solitária e dolorosamente contida no rosto de Yeon-oh novamente. Ele só precisava ser mais cuidadoso. Ele se recusava a jogar fora a bênção milagrosa de ter um marido que o amava o suficiente para engolir a própria sanidade.
A escolha de Yeon-oh de suportar o ciúme e a fúria era a declaração de amor mais profunda que ele já recebera. Ele sem dúvida teria que suportar aquilo inúmeras vezes no futuro; hoje fora apenas o primeiro teste. Envolvendo os braços firmemente ao redor do pescoço de Yeon-oh, Gi-hyeon prometeu silenciosamente fazer tudo ao seu alcance para garantir que a paciência incrível de seu marido nunca fosse tomada como garantida.
— Me desculpa —, Gi-hyeon murmurou, com sua confissão escapando como um suspiro. — Sinto que só faço coisas que te deixam bravo. — Ele nunca mais queria ser a causa daquele olhar estraçalhado nos olhos de Yeon-oh.
— Contanto que você saiba. Eu tenho o pressentimento de que você vai fazer de novo, mas vou deixar passar.
As palavras tinham a intenção de ser provocativas, mas a voz de Yeon-oh ainda era assustadoramente sombria e contida. O coração de Gi-hyeon doeu por ele. Ele estava imensamente grato por Yeon-oh estar lutando tanto para suprimir seus instintos e evitar uma briga, mas igualmente arrasado pela culpa de ser quem o forçara àquele canto.
— …Você quer me bater? — Gi-hyeon ofereceu suavemente.
Ele sentiu Yeon-oh soltar uma risada curta e incrédula contra seu peito.
— Não. Você é precioso demais para mim. Eu não conseguiria me forçar a encostar um dedo em você. De qualquer forma, você é sempre quem me enche de porrada, não é?
Sabendo que concordar o classificaria literalmente como um cônjuge que agride o parceiro, Gi-hyeon escolheu sabiamente o silêncio, apenas abraçando Yeon-oh com mais força.
— …O fedor do Park Cheol-jin está me deixando enjoado. Vamos entrar e nos lavar.
Gi-hyeon conseguia tolerar facilmente a reclamação, mas sentiu o corpo de Yeon-oh ficar rigidamente tenso logo após dizer aquilo.
Ele assentiu com entusiasmo.
Ele queria dar a Jo Yeon-oh absolutamente tudo o que ele queria agora. Beliscando o lóbulo da orelha de Yeon-oh gentilmente entre o polegar e o indicador, Gi-hyeon inclinou-se e sussurrou uma promessa sórdida e altamente explícita sobre como exatamente pretendia “servi-lo” no chuveiro.
— …É bom você cumprir a porra dessa promessa —, Yeon-oh rosnou, com os olhos escurecendo.
— Eu aposto a casa nisso.
— Está de brincadeira comigo? Eu comecei as obras dessa casa com as minhas próprias mãos! Você é quem queria comprar algum barraco caindo aos pedaços e viver como camponeses.
Yeon-oh amarrou a cara, com sua arrogância característica ganhando vida novamente. Ver seu marido retornar ao seu eu habitual e insuportável preencheu Gi-hyeon com pura alegria. Em vez de rebater, Gi-hyeon segurou a nuca de Yeon-oh, puxou-o para baixo e pressionou um beijo firme bem no meio de suas sobrancelhas franzidas.
Sem perder o ritmo, ele agarrou o pulso de Yeon-oh e começou a arrastá-lo pelo quarto principal em direção ao banheiro da suíte.
— Você projetou intencionalmente este lugar para ser irritantemente extravagante especificamente para banhos pós-sexo, não foi? É muito mais espalhafatoso do que qualquer um dos outros banheiros.
Enquanto Gi-hyeon lançava a acusação por cima do ombro, Yeon-oh puxou a porta do banheiro, fechando-a atrás deles.
— Obviamente. Eu quase instalei uma namoradeira aqui dentro, mas me contive.
A explosão de risada brilhante e ecoante de Gi-hyeon foi abruptamente cortada pelo baque pesado da porta de carvalho maciço.
Um segundo depois, o som nítido e torrencial da água inundou o cômodo.
—
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.