Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 127 Online

Capítulo 127
— É?
— Espera, eu só…
De repente, Cheol-jin sentou-se abruptamente. Assustado, Gi-hyeon deu um passo rápido para trás, com os olhos arregalados ao notar o rosto corado e febril de Cheol-jin encarando-o desesperadamente de baixo para cima.
— O que deu em você?
— Ah, Doutor…
Cheol-jin soltou um gemido agonizante, totalmente incapaz de formar uma frase coerente. Ele estava claramente em imenso sofrimento, balbuciando repetidamente o cargo de Gi-hyeon como uma tábua de salvação. Estendendo a mão para colocar um toque de apoio em seu ombro, Gi-hyeon deu um passo à frente.
— Ugh—!
O instinto assumiu o controle. Quando seu pulso foi agarrado em um aperto esmagador, Gi-hyeon se preparou para torcer violentamente e quebrar o bloqueio, apenas para forçar seus músculos a relaxarem instantaneamente. Ele foi puxado para frente com uma força aterrorizante, batendo com força contra a maca de tratamento sob o volume esmagador de Cheol-jin.
— Doutor, Doutor… Eu me sinto tão estranho…
A superfície de vinil da maca queimando contra as costas de Gi-hyeon estava assustadoramente quente, retendo todo o calor febril que o corpo de Cheol-jin acabara de expelir. A mão que prendia seu pulso parecia um ferro em brasa.
E então, a ficha caiu. Pela primeira vez, Gi-hyeon compreendeu de verdade o que Yeon-oh vinha alertando. O peso opressor e sufocante dos feromônios de um alfa desconhecido desabou sobre ele, suprimindo violentamente seus sentidos. Era uma sensação profunda e visceralmente violadora.
— Ugh…
Gi-hyeon perdeu a conta de quantas vezes teve que se conter ativamente para não empurrar brutalmente o atleta para fora de cima dele. Um fisioterapeuta nunca punha as mãos em um atleta com raiva. Contorcendo o rosto em um desconforto severo, Gi-hyeon foi forçado a ver Cheol-jin agarrar fracamente o tecido de sua camiseta com o punho. O ar na sala tornou-se espesso e agressivo com feromônios instáveis.
— O, o treinador… Ele disse que esses supressores não acusariam em um teste de doping…
Se Cheol-jin, um atleta nacional registrado e um alfa, tivesse mudado seu regime de supressores, isso deveria ter sido estritamente consultado com seu médico assistente na Reabilitação Haeseong. Esse protocolo naturalmente ditava que quaisquer mudanças passassem pela mesa de Gi-hyeon como o elo de ligação enviado. Mas Gi-hyeon não sabia de nada disso. Claramente, o treinador assistente — aquele que preferia abertamente um hospital rival — havia burlado o protocolo e obtido supressores paralelos que agora estavam provocando uma reação adversa grave. Gi-hyeon estalou a língua em uma irritação aguda.
— Park Cheol-jin, cai na real.
— Doutor, tem algo errado comigo… Doutor, So Ssaem…
Cheol-jin balbuciava como um homem que estava perdendo o juízo. Ele enterrou a testa úmida na curva do pescoço de Gi-hyeon, com o cabelo molhado roçando na pele sensível. Um estremecimento violento de repulsa rasgou Gi-hyeon. Yeon-oh estava absolutamente certo. Ele havia sido perigosamente complacente.
— Park Cheol-jin. Eu disse para cair na real.
Se Gi-hyeon tentasse forçá-lo fisicamente a sair e o alfa resistisse, ambos sofreriam ferimentos graves. Gi-hyeon não se importava em se machucar, mas Cheol-jin era um atleta de elite. As Olimpíadas seriam no ano que vem; esta temporada era o período mais crítico de sua vida. Forçando sua voz a permanecer calma e firme, Gi-hyeon chamou seu nome mais uma vez.
— Cheol-jin-ah. Acorde. Está tudo bem.
— Doutor, por que você se casou? Hein? Por que… Você cheira como outro alfa. E é um cheiro tão nojento—
O falatório desconexo e irracional era perturbador. Incapaz de suportar ser pressionado por mais tempo, Gi-hyeon habilidosamente torceu o pulso e quebrou o aperto. Ele se preparou para uma retaliação violenta, mas felizmente, Cheol-jin deixou o braço cair.
Lutando contra a onda nauseante de feromônios hostis de outro alfa, Gi-hyeon ergueu a mão e desferiu um tapa estalado e certeiro na nuca de Cheol-jin. Rezando para que sua voz não tremesse, ele falou com autoridade absoluta e gélida.
— Controle-se. Se o treinador principal, o treinador assistente ou até mesmo outro atleta entrar aqui agora e te vir assim, o que você acha que acontece com a sua carreira?
— …
— Eu te disse que me manifestei como um ômega. Você acha que o que está fazendo agora é aceitável?
A reprimenda severa sobressaltou Cheol-jin. Seu porte massivo ficou rigidamente imóvel.
— Se você tem algum respeito por mim, recomponha-se.
Com uma lufada de ar acentuada, Cheol-jin atirou-se violentamente para trás, sentando-se tão rápido que o ar se moveu ao redor deles. Finalmente livre do peso físico e químico esmagador, Gi-hyeon arquejou, com os pulmões ardendo. Antes que Cheol-jin pudesse cair para trás da maca em seu estado atordoado, Gi-hyeon estendeu a mão e firmou o pulso dele.
— Doutor, não foi isso que eu quis dizer, eu não estava—
— Cheol-jin. Você precisa dar uma olhada longa e séria no que acabou de acontecer.
— …
Cheol-jin fechou a boca. As toalhas limpas que haviam caído no chão estavam agora irremediavelmente pisoteadas e esmagadas. Soltando um suspiro pesado, Gi-hyeon deu seu veredito final.
— Eu sou um ômega casado. Mas mesmo se eu fosse solteiro e descompromissado, o que você acabou de fazer cruza absolutamente todos os limites. Não me importa o quão confuso esses supressores tenham te deixado.
— …Sim. Sim, senhor…
Balançando a cabeça tonta, Cheol-jin tentava desesperadamente se concentrar. Lágrimas grossas começaram a rolar por suas bochechas, um sinal claro de que a realidade devastadora de suas ações estava finalmente desabando sobre ele. Exalando suavemente, Gi-hyeon não estendeu a mão para bagunçar afetuosamente o cabelo do garoto como normalmente faria. Em vez disso, ele simplesmente se levantou.
— Vou arrumar as coisas aqui. Vá direto ao treinador assistente e diga a ele que esses supressores estão causando uma reação adversa.
— Sim… Doutor, me desculpa tanto… — Cheol-jin soluçou, com o corpo inteiro tremendo.
Era uma cena lamentável, mas Gi-hyeon sabia que oferecer perdão agora só diminuiria a gravidade da lição. Ele permaneceu em silêncio. Cheol-jin olhou de volta para ele várias vezes enquanto cambaleava em direção à saída, mas Gi-hyeon manteve as costas viradas, alisando agressivamente os vincos profundos de sua camisa.
A porta se fechou com um clique. Na realidade, Gi-hyeon deveria ter ido imediatamente atrás dele para relatar os efeitos colaterais graves ao treinador principal, mas toda a adrenalina despencou abruptamente de seu sistema, deixando suas pernas pesadas como chumbo.
Havia sido tão repentino, tão aterrorizantemente fora de seu controle. Graças a Deus Cheol-jin conseguira recobrar os sentidos; mais alguns segundos, e teria escalado para um desastre horrível. Se o alfa não tivesse recuado quando ordenado, Gi-hyeon não teria tido outra escolha a não ser agarrar seu pulso e deslocar permanentemente seu ombro.
— Hah…
Suspiros baixos e trêmulos continuavam saindo de seus lábios. Ele apertou as mãos em punhos, tentando desesperadamente ignorar o tremor leve que castigava a ponta de seus dedos. Tendo se aclimatado completamente ao aroma protetor de Yeon-oh, ele não havia percebido totalmente que Cheol-jin estava emitindo feromônios até que fosse tarde demais. Percebendo que a pequena e fechada sala de tratamento estava agora absolutamente saturada com o cheiro de Cheol-jin, Gi-hyeon abriu as janelas às pressas para ventilar o espaço, apavorado com a possibilidade de que até mesmo o boato de um alfa perdendo o controle em uma sala fechada com um ômega desencadeasse um escândalo devastador.
Ele decidiu se dar apenas alguns minutos para acalmar o coração acelerado antes de procurar o treinador principal para explicar a situação e exigir uma mudança imediata de medicamento. Enfiando as mãos trêmulas entre as coxas e a borda da maca, ele sentou-se em silêncio. Em algum lugar no chão, a tela de seu celular caído acendeu.
— Querido, o que está aprontando? Venha para casa cedo hoje. No segundo em que você passar pela porta, vou te presentear com um evento estilo “Você quer jantar? Ou eu primeiro?”.
— Você acabou de dar um sorriso de canto, não deu? Eu sei disso. Não precisa esconder do seu hyung, Gi-hyeon. 15:31
— …
Incapaz de se mover, Gi-hyeon simplesmente mordeu o lábio. Uma onda de culpa bizarra e sufocante cravou as garras em seu interior, e ele não teve escolha senão sentar ali e suportá-la.
O resto do dia foi um borrão exaustivo e caótico.
Ele teve que intervir fisicamente quando o treinador principal furioso agarrou o treinador assistente pelo colarinho por causa da mudança de medicamento não autorizada. Paranoico com a possibilidade de o cheiro impregnar em suas roupas, Gi-hyeon se esfregou freneticamente no chuveiro e vestiu um conjunto reserva de roupas cirúrgicas. Ele passou mais de uma hora ao telefone com Beom-hee, coordenando uma prescrição de supressor segura e em conformidade com a WADA para substituir o lote contaminado.
As horas evaporaram.
Quando foi finalmente liberado para ir embora, ele havia pulado o almoço inteiramente. Já passava incrivelmente da hora quando ele saiu do centro de treinamento. Ele não tinha nada a dizer a Yeon-oh; ele havia prometido estar em casa cedo, mas a crise sem precedentes consumira sua noite inteira. A incapacidade de sequer enviar uma mensagem rápida com atualizações só fazia o pavor pesado assentado em seu estômago afundar ainda mais.
Assim que terminou de guardar as coisas no carro, Cheol-jin o abordou no estacionamento.
— Doutor, me desculpa tanto, eu realmente…
Os olhos do jovem atleta estavam inchados e avermelhados nas bordas. Sabendo que fora inteiramente uma reação química induzida por supressores ruins, Gi-hyeon conseguia racionalizar o comportamento até certo ponto. Mesmo lamentando o tempo precioso que escapava enquanto ficava ali parado, ele não suportava deixar o jovem atleta esmagado sob o peso de sua própria culpa.
— Se você refletiu sobre isso, é o bastante. Se sente que precisa refletir mais, faça isso. Se sente que aprendeu a lição, deixe para lá. Eu confio em você, Cheol-jin. Você é um atleta que entende perfeitamente os próprios limites e nunca passa do ritmo. Eu sei que você sabe o que é certo.
— Doutor… — Cheol-jin murmurou, com um alívio profundo lavando seu rosto. Ele se curvou profundamente, com a voz finalmente firme ao oferecer uma última e clara desculpa.
Aceitar as desculpas de Cheol-jin foi a única resolução limpa que ele conseguira o dia todo. Sem mais uma palavra, Gi-hyeon subiu em seu carro.
Sabendo que seu celular provavelmente estava inundado de chamadas perdidas, ele decidiu que pisar no acelerador era um uso melhor de seu tempo do que checar a tela. Apesar de sua velocidade imprudente, passava bem da meia-noite quando ele finalmente entrou na garagem deles.
No momento em que o carro foi estacionado em segurança na garagem, a tensão firmemente esticada que o mantinha de pé arrebentou violentamente. Com uma mão que tremia violentamente, Gi-hyeon pressionou o botão de partida para desligar o motor. Ele estivera completamente bem — estoico, profissional, eficiente — enquanto gerenciava a crise, mas no segundo em que alcançou o santuário de sua casa, seu corpo começou a tremer incontrolavelmente. Encostando a cabeça para trás no apoio de cabeça, ele deu vários suspiros profundos e descompassados, mas os tremores leves que arrepiavam seus músculos se recusavam a parar.
Com um suspiro pesado, ele apoiou a testa contra o volante por um longo momento antes de finalmente se forçar a sair do carro. Cada passo em direção à porta da frente parecia arrastar pesos de chumbo. Ele esfregou o rosto desesperadamente, tentando forçar seus músculos faciais enrijecidos a relaxar.
A verdade era que ele já havia passado por investidas agressivas e não consensuais de homens durante o serviço militar. Ele havia rejeitado categoricamente exigências absurdas de favores sexuais de oficiais superiores. Mas aqueles incidentes haviam apenas gerado uma irritação intensa e repulsa; nunca o haviam reduzido a tremores incontroláveis.
Só agora Gi-hyeon compreendia de verdade o que significava ser um ômega. Ele finalmente entendia exatamente do que Yeon-oh tinha tanto pavor. Se o agressor tivesse sido qualquer outra pessoa que não Cheol-jin — alguém cuja carreira não estivesse em jogo —, Gi-hyeon não teria hesitado por uma fração de segundo em quebrar seu braço na articulação. Mas hoje, ele fora forçado a se conter. Talvez o terror remanescente estivesse enraizado na vulnerabilidade horrível daquela hesitação forçada.
— Yeon-oh-ya. Surim-ah.
Dando um passo para dentro da casa escura, ele chamou os nomes deles no silêncio. De repente, ele entendeu por que pais exaustos e bêbados sempre cambaleavam pela porta da frente chamando por suas famílias. Era um apelo desesperado por uma âncora.
Mas a sala de estar estava em um silêncio mortal, mais escura do que na noite anterior. Gi-hyeon ficou sem rumo na entrada, olhando ao redor atordoado. Ele só queria tomar um banho escaldante, rastejar para a cama ao lado de seu marido, envolver seus braços firmemente ao redor da cintura de Yeon-oh e dormir sem dizer uma única palavra.
Ele soltou um longo suspiro — em parte alívio pelo silêncio, em parte decepção — e virou-se em direção ao corredor que levava ao banheiro.
— …Você está atrasado.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.