Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 95 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 95

Jo Yeon-oh é inerentemente doce. Sua boca suja e sua atitude atroz poderiam obliterar qualquer boa vontade que ele conquistasse, mas, em seu cerne, ele era um bastardo profundamente afetuoso. Se o afeto que ele mostrava a Gi-hyeon agora era idêntico em magnitude aos sentimentos que ele guardava quando inclinou um guarda-chuva para sua namorada durante aquele verão quando tinham dezoito anos — e se era isso o que ele estava oferecendo como “amor” —, então as emoções de Jo Yeon-oh jamais poderiam se alinhar com as de So Gi-hyeon.

Para Gi-hyeon, o amor era aterrorizantemente frágil.

Ele o tratava como uma tigela de vidro antiga acumulando poeira em uma prateleira, aterrorizado de que ela se estilhaçasse se ele a deixasse cair, aterrorizado de que ela se desmanchasse se ele a segurasse com muita força, em última análise nunca ousando usá-la para o seu propósito pretendido. Se Jo Yeon-oh genuinamente o amava, os sentimentos dele não deveriam carregar um peso semelhante e incapacitante? No entanto, algo parecia fundamentalmente diferente. Gi-hyeon concluiu que era uma severa discrepância no peso puro de suas emoções.

Se isso fosse verdade, o final já estava escrito. O relacionamento deles, construído sobre sentimentos inteiramente assimétricos, já não havia encontrado um fim catastrófico exatamente assim uma vez antes? Mesmo que Jo Yeon-oh tivesse rotulado novamente seus sentimentos como “amor”, o volume desse amor ainda parecia vastamente desproporcional ao de Gi-hyeon. Ele não precisava jogar esse jogo de novo para saber que terminaria em tragédia. Não havia sentido em caminhar por uma trilha condenada duas vezes.

Perdido em seus pensamentos, Gi-hyeon notou Jo Yeon-oh entrando em uma discussão aos gritos com alguém do lado de fora do carro. Abrindo a janela um pouco, ele entendeu que o outro motorista havia estacionado tão absurdamente perto da linha que Jo Yeon-oh não conseguia nem abrir sua porta.

— Ei, ajeossi, ter olhos pequenos arruína naturalmente a sua visão? Qual é a sua desculpa — olhos pequenos e cego? Essa é uma vaga exclusiva para mulheres. Você perdeu a pintura rosa gigante? Você estacionou em uma clínica de obstetrícia e mirou especificamente na vaga das mulheres? Você é uma vergonha do caralho para os homens em todos os lugares, porra.

Gi-hyeon nem se deu ao trabalho de sair do carro, apenas soltando um suspiro cansado. Tendo claramente perdido a vontade de lutar após ser aniquilado por Jo Yeon-oh — um homem que devolvia cem xingamentos para cada palavra dita a ele —, o outro motorista resmungou baixinho, subiu de volta em seu carro e deu marcha ré para sair da vaga. Jo Yeon-oh permaneceu com os braços cruzados, supervisionando a manobra agressivamente.

— Estacione em outro lugar. Em outro lugar! Pare de destruir a ordem pública. Todo mundo está tolerando educadamente a sua cara feia, então por que você não pode mostrar um pouco de educação básica para a sociedade?

Quando o motorista pesadamente insultado abriu a janela para protestar contra o ataque verbal gratuito, Jo Yeon-oh declarou com hostilidade impassível.

— Fecha isso. Fechar a janela não vai consertar a sua vida, ajeossi.

Cômico como era, o homem obedeceu ao comando e fechou a janela de volta. Assistindo àquela exibição totalmente absurda, Gi-hyeon balançou a cabeça e encostou-se de volta no encosto de cabeça.

Assim que o carro infrator se esgueirou para outra vaga, Jo Yeon-oh finalmente deslizou para o banco do motorista, com o tom de voz milagrosamente se suavizando enquanto perguntava: — Já que já estamos fora, quer comer alguma coisa antes de voltar? Eu encontrei um restaurante vegano.

O efeito chicote entre ele berrando como uma alma penada por causa de uma vaga de estacionamento e imediatamente falando de forma tão gentil era desconcertante. No entanto, sem oferecer uma resposta verbal, Gi-hyeon simplesmente assentiu. Fosse o que fosse aquela ligação telefônica, claramente havia deixado Jo Yeon-oh de um humor bizarramente bom.

As únicas pessoas com quem Jo Yeon-oh já havia se preocupado ativamente em termos de saúde eram sua mãe, Yoon Yeongwon, e Gi-hyeon. Gi-hyeon considerou brevemente perguntar se Yoon Yeongwon havia visitado um hospital, mas a julgar pelo humor relativamente leve de Jo Yeon-oh, claramente não eram notícias ruins. Optando por não bisbilhotar, Gi-hyeon comeu silenciosamente o curry de sopa no restaurante vegano para onde Jo Yeon-oh os havia levado. O prato estava repleto de vegetais assados e, enquanto comia, ele notou Jo Yeon-oh encarando-o intensamente.

— O que você está olhando.

— …Você percebe que o que está comendo agora é um pimentão assado, certo?

Quem come algo sem saber o que é? Gi-hyeon ofereceu um aceno indiferente e continuou mastigando. Estreitando os olhos ligeiramente, Jo Yeon-oh soltou uma risada suave e falou.

— Você não acredita em mim, não é.

— Acreditar em quê.

“Então esse é o gosto de raiz de lótus assada”. Aproveitando a textura crocante, Gi-hyeon deu um gole em sua limonada de ameixa enquanto esperava por esclarecimentos. Brincando com sua colher com uma expressão de forçada indiferença, Jo Yeon-oh finalmente deu voz ao pensamento.

— Quando eu disse que te amo.

— …

Gi-hyeon permaneceu em silêncio, agudamente consciente de que a atenção de todo o restaurante havia subitamente se concentrado na mesa deles. Considerando quão esmagadoramente pesada a atmosfera estivera quando Jo Yeon-oh confessou pela primeira vez, um restaurante vegano lotado dificilmente parecia o local apropriado para reviver aquilo. Soltando um suspiro suave, Gi-hyeon encostou-se em sua cadeira.

Ele olhou fixamente para fora da janela por um momento antes de voltar o olhar. Jo Yeon-oh não estava olhando para ele. Sua colher estava submersa na tigela, mas as pontas de seus dedos estavam tremendo de forma tão minuciosa que ondas fracas e ondulantes perturbavam a superfície da sopa.

— …

— …

Um silêncio pesado desceu sobre a mesa. Gi-hyeon soltou um suspiro curto e silencioso. Jo Yeon-oh falou, com a voz notavelmente calma.

— Acredite em mim. Eu vou fazer melhor.

Diante daquele apelo, Gi-hyeon apertou os olhos fechados, pressionando os polegares contra o osso da testa como um homem sofrendo de uma exaustão profunda e incurável. Quando ele finalmente falou, as palavras foram difíceis de forçar para fora.

— Você sempre me tratou bem.

— …

— Jo Yeon-oh, realmente importa se eu acredito em você ou não?

A comida estava incrível. Jo Yeon-oh não o teria trazido aqui sem pesquisar extensivamente primeiro. Ele sempre fora assim. Como poderia Gi-hyeon, de todas as pessoas, não saber disso?

— Como você poderia me tratar melhor do que isso? Eu nem quero isso.

— …Então, o que exatamente eu devo fazer.

Encarando intensamente Jo Yeon-oh, Gi-hyeon soltou o lábio que mordia e desferiu o golpe mortal.

— Não faça mais nada. Vamos apenas parar por aqui. Vamos apenas parar.

Diante daquelas palavras, Jo Yeon-oh, que estivera encarando a mesa, finalmente ergueu a cabeça. As bordas de seus olhos estavam de um vermelho brutal e ardente. Olhar para ele fez o peito de Gi-hyeon doer fisicamente. Ele honestamente não sabia que grande propósito exigia que ambos sofressem tanto assim.

— …Você e eu vivemos assim por anos, tentando desesperadamente ficar colados ao lado um do outro. Você fez um esforço, e eu tentei o meu máximo também. Mas você não está exausto disso agora.

Entregando a pergunta com um suspiro cansado, Gi-hyeon estendeu a mão para o seu copo de limonada de ameixa, mas em vez de pegá-lo, ele apenas tocou a condensação que se formava na superfície. Incapaz de suportar o toque leve, as gotículas de água se renderam à gravidade, deslizando pelo copo para se acumularem no descanso de plástico.

Mesmo sem ter terminado sua refeição, sua mente parecia estranhamente desatrelada, flutuando em uma letargia suave e nebulosa. Talvez os estágios iniciais da gravidez estivessem exigindo mais sono, deixando-o perpetuamente disperso. O noticiário havia previsto um tufão massivo atingindo as províncias do sul, e tufões que atacavam após o início do outono eram notoriamente destrutivos. Olhando fixamente pelas imensas janelas de vidro do restaurante, Gi-hyeon se perguntou vagamente como edifícios com janelas tão grandes sobreviveriam à tempestade. Perdido em seus pensamentos desconexos, a voz de Jo Yeon-oh o puxou de volta.

— Eu não estou exausto.

Gi-hyeon virou a cabeça para olhar para ele. Ele havia esquecido brevemente o que estavam discutindo, mas a realidade desabou de volta, lembrando-o de que a dissecação brutal do relacionamento deles ainda estava sentada na mesa entre eles.

Ele estava prestes a esclarecer que não se tratava de Jo Yeon-oh estar cansado, mas sim de que Gi-hyeon estava oficialmente pedindo para acabar com as coisas, quando Jo Yeon-oh abruptamente esticou o braço pela mesa e agarrou sua mão direita. A colher que vibrava parou, e a superfície ondulante da sopa finalmente se acalmou.

— Eu posso fazer isso por cem, duzentos anos. Eu não vou ficar exausto, e não vou me cansar disso.

— …

— Então nunca pense que você e eu somos iguais.

A voz devastadoramente plana e inabalável atingiu Gi-hyeon diretamente no peito, ecoando alto no silêncio. Gi-hyeon recolheu os lábios para dentro, molhando-os nervosamente com a língua, mas como Jo Yeon-oh retomou a comer casualmente como se nada de monumental tivesse acabado de ocorrer, Gi-hyeon viu-se completamente incapaz de proferir uma única palavra em resposta.

Debaixo do vidro, a pequena poça de água permaneceu perfeitamente imóvel. Como se nunca fosse evaporar, congelada na eternidade.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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