Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 149 Online

Capítulo 149
— Bliss?
Cassian aproximou-se dele às pressas, tomado pelo pânico. No entanto, Bliss sobressaltou-se em total espanto e prensou o corpo ainda mais contra a cabeceira da cama. Diante daquela figura deplorável e completamente encolhida de puro pavor, foi a vez de Cassian se ver sem saber como reagir.
— Bliss, o que foi? O que aconteceu?
Tendo questionado de forma apressada, ele só se deu conta da situação instantes depois.
— É por minha causa? Eu te assustei?
Assim que ele modulou a fonação para que saísse em um tom muito mais brando e suave, Bliss assentiu levemente com a cabeça após uma breve hesitação. *Haa…* Sentindo uma profunda autocomiseração, Cassian soltou um suspiro lamentoso. Deixar-se cegar pela fúria a ponto de fazer Bliss tremer de puro pavor… Para onde diacho havia escoado todo o seu autocontrole?
— Bliss, me desculpe.
Cassian desculpou-se com total sinceridade. Desfazendo a tensão entre as sobrancelhas, ele fixou o olhar nas pupilas azuis do outro.
— Não sinta medo, eu não estou zangado com você. Portanto, pare de chorar.
Ponderando sobre qual seria a melhor forma de estruturar uma explicação, Cassian limitou-se, em primeiro lugar, a enxugar as lágrimas que vertiam pelas bochechas de Bliss.
— Bliss, você não deve proferir esse tipo de palavra na cama.
Diante do conselho terno, Bliss hesitou por um instante antes de questionar timidamente:
— Por quê?
Suas pupilas, ainda marejadas e brilhantes, fixaram-se inteiramente em Cassian.
— Eu… imaginei que você fosse gostar…
— Eu não gosto. Pelo contrário, eu abomino.
Cassian rebatou a declaração hesitante com total veemência. E, temendo que sua resposta tivesse soado excessivamente fria, tratou de suavizar o tom de voz logo em seguida:
— Certamente deve haver quem aprecie. Contudo, eu repudio. Para ser inteiramente franco, considero que qualquer indivíduo que induza a pessoa amada a verbalizar esse tipo de baixaria seja alguém inferior a um animal selvagem.
*Hic.* Todo o sangue sumiu do rosto de Bliss instantaneamente. No entanto, Cassian seguiu com a fonação sem se dar conta daquela reação drástica:
— Além do mais, Bliss… Aquele homem foi o seu primeiro parceiro, não foi?
— Hã? Ah… S-sim, exatamente.
Diante da confirmação que escapou por puro reflexo, o outro soltou um breve suspiro e deu sequência ao raciocínio:
— Indivíduos que ensinam esse tipo de conduta a alguém que está tendo sua primeira experiência não são dignos de qualquer convívio. Entendeu?
— S-sim…
Como a fisionomia de Stacy teimava em flutuar diante de seus olhos, a resposta não fluiu com facilidade. Vendo-o assentir contra a vontade com uma fonação quase imperceptível, Cassian franziu o cenho. Por algum motivo, a reação dele parecia morna demais. Concluindo que seus argumentos não haviam tocado o coração de Bliss de forma eficaz, ele optou por reformular a estratégia.
— Bliss, eu não estou lhe atribuindo qualquer culpa.
— Eu sei.
— Você não cometeu erro algum. O único culpado de tudo é aquele lixo desgraçado de uma figa.
Diante daquela enxurrada implacável de críticas, Bliss acabou sendo acometido por uma pontada severa de remorso. Embora tivesse demonstrado desinteresse no início, a verdade era que Stacy havia se empenhado bastante para lhe transmitir aqueles ensinamentos.
— Você não precisa falar dele de forma tão drástica…
— Bliss.
Assim que ele esboçou uma pequena objeção de forma acuada, Cassian questionou com um semblante extremamente grave:
— Seja inteiramente franco comigo: você ainda nutre algum sentimento de afeto por aquele sujeito?
— O quê? Não, absolutamente não!
Bliss balançou a cabeça freneticamente em negação.
— É a mais pura verdade, acredite em mim! Você é o único para mim! A única pessoa de quem eu gosto é você!
Diante daquele clamor desesperado com o qual Bliss exteriorizava sua sinceridade, Cassian guardou um breve silêncio antes de assentir com um semblante amargo:
— Tudo bem, eu acredito em você.
— Tem que acreditar mesmo. Sem falta.
Mesmo após obter a confirmação consecutiva, Bliss continuava a lançar olhares de soslaio em direção a Cassian, tomado por uma nítida insegurança.
— Mas… Será que não tinha pelo menos uma ou duas expressões minimamente úteis ali no meio…?
Cedendo ao último resquício de sua consciência na tentativa de tecer uma defesa em prol de Stacy, Bliss acabou sendo repreendido por um semblante severo:
— Bliss, você…
Hesitando por um instante diante da total incapacidade de verbalizar aquele vocábulo de cunho tão vulgar, Cassian reformulou a sentença recorrendo a um eufemismo:
— …Não possui a genitália feminina.
E aquilo não era tudo.
— Além disso, não se deve fazer referências displicentes a certas… partes da anatomia de outrem dessa maneira. É recomendável abster-se de tais menções sempre que possível e, em caso de extrema necessidade, deve-se buscar a expressão mais polida e suave disponível…
Bliss limitou-se a encará-lo com a feição inteiramente contraída. O que diacho aquele homem estava tentando dizer, afinal?
Deparando-se com a reação de um Bliss que claramente não assimilava sequer metade de sua explanação, Cassian acabou por desistir do sermão moralista e concentrou-se em um alerta prático:
— Bliss, escute com atenção. Você jamais deve se submeter a atos dessa natureza com alguém que não o valorize de forma genuína e profunda. E qualquer indivíduo que nutra um zelo real por você jamais cogitaria rebaixá-lo a uma condição tão vulgar. Consegue compreender o teor das minhas palavras?
— …Compreendo.
Não, para ser inteiramente franco, ele não compreendia nada. Não estava convencido e tampouco havia assimilado a lógica do outro. Contudo, duas certezas haviam se consolidado em sua mente: o fato de que Cassian classificava Stacy como um completo lixo humano e a convicção absoluta de que ele jamais deveria apresentar Stacy a Cassian pelo resto da vida.
“Embora os meus outros irmãos também não sejam lá muito confiáveis…”
Recordando-se da fisionomia de cada um de seus consanguíneos, ele acabou por mudar de ideia. Seria muito mais prudente simplesmente não apresentar nenhum deles. Embora a introdução do papai e do daddy fosse um passo inevitável, os demais não faziam a menor necessidade de travar contato. Afinal, nenhum deles demonstraria real interesse em saber com quem ele resolveu coabitar mesmo.
Fitando o Bliss que se encontrava inteiramente imerso em suas reflexões, Cassian exibia um semblante compenetrado.
“Será que ele realmente assimilou o que eu disse?”
Ter que despender tanto esforço na busca por termos decorosos para estruturar o sermão o deixava com uma incômoda sensação de vacuidade. Por um instante, foi acometido pelo impulso de simplesmente abdicar de tudo, mas, de forma simultânea, a feição tristonha de Bliss adentrou seu campo de visão. E a cólera que ameaçava se dissipar voltou a inflamar-se de uma só vez, multiplicada por várias vezes.
Pensar que haviam induzido aquela boca tão adorável — que deveria ser preenchida exclusivamente por bolos doces e finos — a verbalizar vocábulos de tamanha baixeza o enchia de repulsa.
Quanto mais ponderava a respeito, mais o desejo homicida aflorava em seu íntimo. Definitivamente, ele precisava eliminar aquele desgraçado.
Embora reiterasse o propósito internamente, ele cuidou para que sua voz soasse o mais mansa possível para não intimidar Bliss:
— Bliss, há mais um detalhe que gostaria que me esclarecesse.
— S-sim…
Bliss ergueu a cabeça com a fonação debilitada. Deparando-se com aquele rosto que se encontrava avermelhado e febril por algum motivo, Cassian deu-se conta de uma realidade que havia negligenciado. Pensando bem, a governanta havia alertado que o estado de saúde do garoto não era dos melhores. Era preciso fazer com que Bliss repousasse o quanto antes. Firmando a convicção de que invocaria o médico da família no dia seguinte independentemente de qualquer protesto, ele abriu a boca:
— Qual é a real identidade daquele sujeito peludo? Como você travou conhecimento com ele?
Tratava-se de um assunto que precisava ser devidamente liquidado hoje. Caso deixasse aquela oportunidade escapar, Bliss com certeza voltaria a recorrer a evasivas ou a arquitetar novas mentiras.
Como já era de se esperar, Bliss sobressaltou-se e desviou o olhar com total hesitação. Concentrando cada um de seus sentidos na expectativa de detectar mais uma farsa, Cassian aguardou até que o garoto abaixasse complemente a cabeça e murmurasse com a voz quase imperceptível:
— É… é o homem que tinha sido encarregado da minha segurança…
— É a expressão da verdade?
Diante do questionamento que buscava reiterar a veracidade do fato, Bliss assentiu com a cabeça. A julgar pela feição impregnada de culpa, tratava-se da mais pura realidade.
“Não será difícil localizá-lo.”
Mesmo que o garoto estivesse mentindo, aquilo não faria diferença. Bastaria capturar o indivíduo em questão e extrair a confirmação diretamente dele.
— Mas… a gente já não tem mais vínculo nenhum, então… — ponderou Bliss com dificuldade.
Era evidente que ele tentava salvaguardar a integridade do sujeito, mas tal atitude serviu apenas para inflamar ainda mais a indignação de Cassian. O decurso do tempo não alterava o fato factual de que aquele canalha havia perpetrado um ato de tamanha improbidade contra Bliss quando este ainda era menor de idade. Além disso, violar a integridade do próprio indivíduo sob sua custódia constituía um crime de gravidade intolerável. Contudo, ocultando suas reais intenções, Cassian esboçou um sorriso terno em direção a Bliss:
— Sim, eu compreendo. Não há motivo para inquietações, Bliss.
Diante do tom confortador e gentil, o alívio no semblante de Bliss foi nítido. Observando aquela reação, Cassian consolidou sua convicção interna: “Seu segurança peludo de uma figa… Você está morto pelas minhas próprias mãos.”
Por ora, a prioridade máxima consistia em fazer com que Bliss dormisse. Cassian tratou de redirecionar o foco do diálogo:
— Sendo assim, é hora de retornar e se recolher. Eu farei questão de acompanhá-lo até o seu quarto.
No momento exato em que inclinou o corpo com o intuito de tomá-lo nos braços, Cassian deu-se conta da precariedade de sua própria indumentária. Pensar que havia conduzido a totalidade daquele debate vestindo apenas um roupão de banho frouxo… Uma onda de autocrítica e perplexidade o acometeu, mas já era tarde demais para lamentações. Abandonando as reflexões, ele estendeu os braços:
— Vamos, Bliss. Chega de…
Ele tencionava pronunciar um “vamos”, mas Bliss simplesmente recusou-se a ouvir o desfecho da sentença. Esquivando-se de forma abrupta dos braços que se estendiam em sua direção, o garoto ergueu o queixo com um semblante desafiador e disparou:
— O que você quer dizer com “retornar ao quarto”? Eu vou dormir exatamente aqui!
Diante daquela declaração imponente e categórica, Cassian estancou no lugar. Aproveitando-se daquele breve instante de paralisia do outro, Bliss esbravejou sem qualquer hesitação:
— Desta vez as coisas não vão sair do seu jeito. Eu não vou recuar sob hipótese alguma!
E aquilo não era tudo. Levantando-se da cama num salto, Bliss posicionou-se de forma a fitar Cassian de cima pela primeira vez em sua vida, apontando o dedo indicador diretamente contra a face do outro:
— Suba nesta cama na mesma hora. Hoje eu vou me deitar com você de qualquer jeito, Cassian Strickland!
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.