Modo Claro
Deep Pivot — Capítulo 124
✽ 13 de dezembro.
A vasta extensão de terra que deveria abrigar um marco monumental agora permanecia desolada, abrigando uma torre esquelética e um complexo estéril. A construção havia parado totalmente, deixando apenas materiais de construção espalhados, barras de aço e contêineres expostos ao vento cortante.
Na longa noite de inverno, com a alvorada ainda por romper, o local estava envolto em um crepúsculo opaco.
Seojoon sentou-se sozinho em meio ao turbilhão de estranhos que se movimentavam pelo local, tentando desesperadamente lembrar o rosto do amante que vira há apenas algumas horas.
Naquela manhã, ele havia endireitado cuidadosamente o uniforme escolar que Yeonwoo usaria pela última vez e arrumado a casa que logo ficaria sem vigilância por um tempo.
…Ele achou que tinha feito tudo o que podia antes de partir, mas o sentimento de roer persistia — que ele havia esquecido algo importante.
O calor de seu amante, deliciosamente adormecido sob as cobertas.
O suave subir e descer de suas respirações, o tremor ocasional de suas pálpebras, a mão descansando no travesseiro vazio… o anel naquela mão.
O anel.
Seojoon olhou para sua própria mão esquerda. A aliança de prata, desajeitadamente feita e gravada com letras irregulares pelas mãos cuidadosas de Yeonwoo, ainda repousava friamente contra seu dedo.
Pelo menos ele havia trazido isso. Pelo menos ele poderia levar isso consigo.
Em breve, a identidade de “Ji Seojoon” se espalharia com os ventos.
— …
Seojoon deslizou o anel para fora do dedo, colocou-o na boca e o engoliu.
Era um instinto primitivo — um desejo desesperado de preservar ao menos uma coisa da massa nojenta e fragmentada que seu corpo logo se tornaria.
Pelo menos não era uma morte sem sentido.
Conhecer Yeonwoo o fizera esquecer momentaneamente, mas sua vida sempre terminaria assim.
Queimar incontáveis infernos até as cinzas com sua morte — que conclusão extravagante para alguém tão insignificante.
Era um grande final muito além do que ele merecia.
Se ele suportasse este momento, Yeonwoo seria capaz de continuar vivendo em um mundo limpo e pacífico sem portais.
…Ele tinha que ser feliz. Ele absolutamente precisava ser.
Ele precisava realizar sonhos que nem sequer havia ousado tentar, conhecer inúmeras pessoas que o amariam e, algum dia, ao contrário de Seojoon, encontrar alguém que ficasse ao seu lado por muito, muito tempo — alguém que pudesse lhe dar uma família e uma vida sem dor.
— …
Ter tido até mesmo uma reivindicação passageira dos anos radiantes de Yeonwoo já era recompensa suficiente para Seojoon.
Então, estava tudo bem.
— Está tudo bem.
— Com licença.
Seojoon virou-se ao ouvir a voz que o chamava. Seu olhar frio pousou em caixas cheias de granadas e explosivos.
Entre eles estavam as granadas especializadas que outrora explodiram a parte inferior do corpo de Seojoon durante o ataque a Pasa. Essas armas foram projetadas para triturá-lo em pedaços, não deixando nenhuma chance para regeneração.
— Er… por favor, equipe estas e prossiga para o interior da torre principal…
A pessoa hesitante explicou no tom mais formal que conseguiu reunir. Seojoon seguiu as instruções calmamente, entrando na torre principal.
— Agnes. Recebi o rádio.
— Confirmado. Aguarde.
Segurando o rádio que lhe foi entregue, Seojoon esperou sozinho, ouvindo a confirmação cheia de chiados.
Não muito tempo depois, a contagem regressiva começou.
— A contagem regressiva começa em um minuto.
Está mesmo tudo bem.
— 10, 9, 8, 7, 6.
Tudo estava genuína e perfeitamente… bem.
— 5, 4, 3, 2, 1.
O único arrependimento era
que eu não pude me despedir de você.
E por isso, sinto muito, muito mesmo.
✽✽✽
— Você ainda é meu amigo depois disso?
— Líder de Equipe Jin, escute antes de ficar com raiva.
— Como você pôde dizer algo assim? Sem nem me consultar… como você pôde!
Cheong-oh expirou bruscamente ao sair do carro, sua respiração formando nuvens brancas no ar gelado. O vento cortante do inverno açoitava suas bochechas.
— Se eu tivesse lhe contado antes, teria aliviado sua dor?
Seu amigo, perpetuamente composto e enfurecedoramente racional em todas as situações, sempre tinha um jeito de dizer a coisa absolutamente certa — e às vezes isso o tornava insuportável.
— Eu sei como você está se sentindo agora. Por mais que seja apenas apego a emoções inúteis. Com o tempo, você perceberá que está melhor por causa da minha decisão. Acredite em mim, você vai.
No entanto, em todo o tempo em que se conheciam, Seojoon nunca havia parecido tão cruelmente distante quanto naquele momento.
— Então, por favor, faça-me este favor.
Cheong-oh lembrou-se das horas que Seojoon passara delegando tudo: flores para Yeonwoo, como lidar com sua herança e até as menores tarefas.
— Esta é a segurança privada que contratei. Mantenha contato com eles. Se Cha Kyung-soo sequer se aproximar de Yeonwoo, bloqueie-o imediatamente. E se algo acontecer com Cha Kyung-soo, não conte a Yeonwoo.
— Quanto aos seguros e fundos, Yeonwoo pode não saber muito sobre eles. Oriente-o nisso. Já informei os representantes legais sobre os impostos de herança — certifique-se de que tudo seja resolvido adequadamente.
Seojoon havia confiado tudo a Cheong-oh, desde tarefas cotidianas até seus desejos mais sensíveis. Ele estivera assustadoramente calmo, seu comportamento tão composto que dava a Cheong-oh vontade de lhe dar um soco.
Cheong-oh só conseguia pensar em si mesmo como um espectador covarde, exatamente como seu pai, o Coronel Jin, dissera. Faltavam-lhe tanto a coragem para parar o amigo quanto a força para aceitar a morte iminente de Seojoon. Agora, conforme Yeonwoo se aproximava, Cheong-oh foi dominado por uma sensação paralisante de culpa.
— Yeonwoo, parabéns pela formatura — disse Yeong-gyo com um sorriso, entregando um buquê. Nenhum deles percebeu que aquele era o momento em que tudo começava a sair do rumo.
Yeonwoo, segurando o diploma debaixo de um braço com as mãos enfiadas nos bolsos, hesitou antes de aceitar as flores com ambas as mãos, um pouco sem jeito. Ele claramente não esperava a visita deles.
— Oh… obrigado por virem.
— O Tenente Ji me pediu para vir em nome dele. Ele disse que não importa o quão ocupado estivesse, não poderia deixar você se formar sem flores — disse Yeong-gyo com uma risada sem graça.
— Ele está no centro agora? Não consegui falar com ele a manhã toda — ele deve estar muito ocupado.
— Uh… está frio. Vamos entrar no carro — disse Yeong-gyo, mudando rapidamente de assunto.
Cheong-oh e Yeong-gyo conduziram Yeonwoo para o banco de trás antes de eles próprios entrarem no carro.
— Vamos para o centro, Yeonwoo — disse Cheong-oh, dando partida no motor.
Nesse momento, os telefones de Cheong-oh e Yeong-gyo vibraram com uma mensagem. Um alerta de desastre apareceu no telefone de Cheong-oh, exibido no suporte do painel. Por hábito, Yeonwoo olhou para a tela a partir do banco de trás.
— …
Uma caixa vermelha familiar piscou na tela. Antes que Yeonwoo pudesse ler o conteúdo, Cheong-oh rapidamente arrancou o telefone do suporte.
Yeonwoo, confuso, puxou seu próprio telefone do bolso. Os alertas de desastre deveriam ser enviados para todos, mas por algum motivo, seu telefone permanecia estranhamente silencioso.
— …Algo parece errado hoje.
Foi muito tempo depois, após o carro já estar na estrada há algum tempo, que Yeonwoo falou novamente.
— O que você quer dizer?
— É só… estranho. Eu também não consigo falar com o Tenente Ji.
— …Todos devem estar ocupados — disse Yeong-gyo, com a voz tensa enquanto trocava um olhar rápido com Cheong-oh.
Cheong-oh pegou o reflexo de Yeonwoo no espelho retrovisor, forçando-se a falar.
— Você já comeu, Yeonwoo?
Yeonwoo inclinou a cabeça ligeiramente, claramente achando a pergunta estranha. Um breve silêncio preencheu o carro.
— Ainda não.
— Então que tal comer conosco? — perguntou Yeong-gyo, com a voz excessivamente alegre. Mas tanto ela quanto Cheong-oh estavam longe de ser atores profissionais, e a vivacidade forçada deles só tornava o desconforto mais aparente.
— Não, eu… — a voz baixa de Yeonwoo veio do banco de trás. Cheong-oh olhou para ele através do espelho novamente, sua inquietação crescendo.
— …Eu estava planejando comer com o Tenente.
✽✽✽
— A contagem regressiva oficial começará no Dia 26, disseram? Parece correto. Eles planejam anunciar o fim dos portais no centésimo dia.
O Major-General Park, radiante de excitação, caminhava rapidamente pelo corredor, falando com o Coronel Jin ao seu lado.
— Ha… Coronel Jin, você consegue acreditar que este dia chegou? Lembra como eram as coisas antes de os portais aparecerem? Achei que nunca mais voltaríamos àqueles tempos nesta vida.
— …
— Eu provavelmente deveria investir em algumas ações. Assim que os portais sumirem, o mercado certamente vai disparar.
Ao contrário do sorridente Major-General Park, o rosto do Coronel Jin estava desprovido de qualquer emoção, como os restos carbonizados de um fogo há muito extinto.
— Vamos começar fazendo o básico direito. Certifique-se de que o campo seja gerenciado adequadamente. Contenha as anomalias para que não explodam em outras regiões, entendeu?
— …
— E quanto ao Sem-Nome? Dizem que, se ele enlouquecer, fará os maiores portais parecerem uma piada, hein? Talvez devêssemos enviar um helicóptero e gravar isso. Isso é a história sendo feita — o portal final. Pena que ninguém vai saber disso.
Park riu sozinho, felizmente alheio ao fato de estar em um monólogo o tempo todo. Os passos sincronizados dos dois oficiais começaram a falhar quando um deles diminuiu o ritmo.
— …
O Coronel Jin parou abruptamente. Park virou-se para ele com uma expressão confusa, sua risada morrendo no meio da respiração. Então, suavemente, quase inaudível, Jin murmurou:
— …Não consigo mais fazer essa merda.
— O quê? — os olhos de Park se arregalaram em descrença.
Olhando para o chão, o Coronel Jin ergueu lentamente a cabeça para encontrar o olhar de Park. Então, com movimentos deliberados, ele estendeu a mão e rasgou a insígnia de seu uniforme, com os olhos cheios de desilusão.
Rasgo.
— Não consigo mais fazer essa merda — repetiu Jin, com o tom firme. A insígnia — sua patente, o trabalho de sua vida — caiu no chão com um baque surdo.
— O que… que porra você está dizendo? Hein? O que deu em você de repente? Ei! Coronel Jin! Onde você pensa que vai? Volte aqui! Pare bem aí, maldito!
— Jin Hyun-jung—! Seu bastardo, isso é insubordinação—!
Os gritos furiosos do Major-General Park ecoaram pelo corredor silencioso, mas Jin não olhou para trás. Seus passos o levaram para longe, deixando para trás sua patente, seu passado e um homem que havia perdido tudo, exceto a determinação de ir embora.
✽✽✽
Plim.
Todos os telefones na sala de estar do Centro de Despertados tocaram simultaneamente.
Yeonwoo seguiu silenciosamente Cheong-oh e Yeong-gyo para dentro do elevador, com o olhar fixo em seu telefone. Ele mexia no aparelho distraidamente, com os olhos ocasionalmente se voltando para Yeong-gyo, que rapidamente checou seu próprio telefone e o enfiou de volta no bolso.
— …
A mensagem que ele havia enviado para Seojoon naquela manhã ainda exibia o solitário “1” de uma notificação não lida. Enquanto isso, o alerta de emergência do Centro Central de Gerenciamento de Desastres — obrigatório para todos os cidadãos residentes na Coreia do Sul — estava visivelmente ausente de seu telefone.
— O Tenente Ji parece realmente ocupado hoje. …Parece que você terá que almoçar conosco — disse Yeong-gyo, quebrando o silêncio.
Alguém mais estava recebendo o contato que ele não estava.
— Yeonwoo, que tal pegarmos uma xícara de café?
Os membros mais velhos da SAU, que sempre se referiam a ele pelo codinome “Bebê”, agora usavam insistentemente seu nome, como se tentassem aliviar suas suspeitas.
— …Eu…
Tudo era muito estranho.
— Acho que devo ir ao quarto de hospital do meu irmão primeiro — disse Yeonwoo, com a voz firme.
— Oh, certo — respondeu Yeong-gyo rapidamente, balançando a cabeça com um sorriso fraco.
Enquanto Yeonwoo pressionava o botão para o andar onde ficava o quarto de Jeong-woo, Cheong-oh cancelou discretamente outro destino e soltou uma risada sem jeito.
— Tudo bem, nós esperaremos por você na sala ao lado. Tudo bem?
Havia algo não dito no comportamento deles, algo que enviou um calafrio pela espinha de Yeonwoo.
Plim.
As portas do elevador se abriram.
— …
Yeonwoo liderou o caminho pelo corredor silencioso, mas de repente parou. Os dois que o seguiam pararam também. Lentamente, Yeonwoo virou-se para encará-los. Os olhos de Yeong-gyo, injetados de sangue e cheios de ansiedade, moviam-se inquietos.
— Então — começou Yeonwoo, com a voz compassada.
— …
— Quando foi a última vez que vocês estiveram em contato com o Tenente Ji?
— O quê? — perguntou Cheong-oh, visivelmente pego de surpresa.
— Estou perguntando desde mais cedo. Por que vocês não me responderam?
— Bem, veja bem… Yeonwoo…
Yeong-gyo estendeu a mão para o braço de Yeonwoo, com os olhos úmidos de lágrimas reprimidas, como se implorasse silenciosamente.
— O Tenente Ji… ele nos pediu um favor.
Yeonwoo instintivamente puxou seu braço para longe do aperto dela, uma inquietação crescente roendo-o por dentro.
— Então, por favor… você poderia apenas nos ouvir por um momento?
Conforme Yeong-gyo avançava, desesperada para contê-lo, as lágrimas que ela vinha segurando finalmente transbordaram.
E naquele momento, Yeonwoo entendeu. Uma clareza arrepiante o dominou enquanto as memórias do rosto de Seojoon no dia anterior ressurgiam com uma vivacidade repentina.
— Onde está o Tenente Ji agora?
Sua voz estava calma, mas a corrente oculta de pavor era inconfundível.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna