Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 103 Online

Deep Pivot — Capítulo 103
Um alienígena caindo na Terra.
Parece algo saído de um filme de ficção científica dos anos 80 com efeitos especiais baratos. No entanto, Seojoon não achou nada estranho. Ele havia sido abandonado nas ruas, incapaz de identificar seus pais, e era alvo de piadas por causa de seus olhos cinzentos, chegando a ser chamado de monstro. Mesmo depois de ser declarado um Esper, ele não conseguia se encaixar completamente.
Para alguém que viveu a vida toda se sentindo um estranho, essa não era uma comparação tão absurda.
— Você se vê assim?
Em vez de responder diretamente, Seojoon desviou o assunto com uma pergunta. Em uma situação de informação limitada, revelar o que o outro queria poderia facilmente expor suas vulnerabilidades.
[Não, eu tenho um filho. Tenho uma esposa e uma boa família. Nunca me senti um estranho.]
A resposta de Eric foi firme, com um toque de agitação. Ele desviou o olhar ligeiramente para o rosto de Seojoon na tela, mas acabou fixando o olhar na câmera.
Seus olhares se encontraram através da tela. Seojoon olhou para os olhos cinzentos de Eric com uma sensação estranha, enquanto Eric também encarava os seus.
[Mas já existem dois precedentes — Sergei Onopko e Noel Cruz.]
Noel Cruz. Seojoon tentou se lembrar. Era um nome que ele vira nos documentos de Hee-min. Ele não era australiano? Ele não entendia nem metade do que Eric dizia.
— …Você está dizendo que Noel Cruz acabou como Sergei?
[Você ainda não sabe? Bem, ouvi dizer que o chefe do seu laboratório e o vice-diretor do IGTS têm tido desentendimentos ultimamente. Faz sentido que as informações demorem.]
Por que Hee-min foi mencionada de repente?
— Você está falando de Noel Cruz, o Sem Nome da Austrália?
Com os braços cruzados, Eric se inclinou para trás e balançou a cabeça.
[Já faz mais de um mês que começou na Austrália. Ao contrário da Rússia, a mídia deles não é controlada, então já está causando comoção. As pessoas estão especulando se os portais fecharam completamente.]
Seojoon não podia mais fingir ignorância ou tentar obter informações. Para se dar bem com alguém, é preciso saber de algo primeiro. Ele não sabia praticamente nada, então até mesmo manter uma conversa era desafiador.
— O que você quer dizer com “o fechamento do portal”?
O olhar de Eric mudou lentamente enquanto observava a expressão de Seojoon meticulosamente. Seus olhos, abalados pela confusão, escureceram em choque.
[…Você realmente não sabe de nada.]
Após uma longa pausa, Eric falou baixinho. A camaradagem que persistia em seus olhos agora se transformava em uma mistura complexa de inveja e ciúme. Ele soltou uma risada amarga e murmurou repetidamente:
[É incrível que você tenha permanecido tão alheio. Seu chefe de laboratório deve realmente te estimar. Qual é a sua relação com eles, família?]
— Gostaria que você explicasse para que eu possa entender.
Eric parecia pronto para dizer algo, mas acabou se calando. Após alguns segundos de silêncio, ele coçou a nuca, sem jeito.
[Bem, eu acho que… acabei de cometer um grande erro.]
— O que…
Seojoon se conteve. Instintivamente, encerrou a ligação e desligou o tablet.
— Tenente…
Um murmúrio sonolento se aproximava do quarto. Seojoon observava Yeonwoo, com os olhos entreabertos e cambaleantes.
— O que você está fazendo aqui fora…?
— Você está acordado? Desculpe, falei muito alto?
Seojoon largou o tablet e se aproximou. Será que Cha Yeonwoo ouviu a conversa?
— Não… Você não estava lá, então eu saí.
Parecia que ele não tinha ouvido nada. Afinal, a conversa era majoritariamente unilateral em inglês, então não havia muito que Yeonwoo pudesse deduzir.
— Só vim buscar água e verificar a internet.
Seojoon admirou o rosto sonolento de seu parceiro, suavizado pela névoa da sonolência.
A ansiedade começou a se enrolar como uma cobra em seu estômago, apertando-o com os pensamentos sobre Noel Cruz, Sergei Onopko e o fechamento do Portão, todos roendo suas entranhas.
Seojoon acariciou delicadamente os cabelos desgrenhados de Yeonwoo e beijou suas pálpebras, ainda meio sonhando. Yeonwoo apertou os dedos de Seojoon, colocou a palma da mão em sua bochecha e murmurou:
— Suas mãos estão frias…
Só quando sentiu o calor de Yeonwoo é que Seojoon percebeu o quão frias suas mãos estavam. Segurando Yeonwoo perto de si, ele estremeceu com o frio repentino.
— Vamos voltar para a cama.
Com Yeonwoo liderando o caminho para o quarto, o tablet de Seojoon permaneceu sobre a mesa, com a tela apagada. Embora a conversa tenha sido interrompida pela aparição de Yeonwoo, Seojoon não se arrependeu muito.
Ele já havia reunido as informações necessárias.
Capítulo 6: O Dilema do Bonde
Treze anos atrás, no verão.
Hee-min era um estudante universitário, e Seojoon, de dezesseis anos, estava no segundo ano do ensino médio. Como tutor e aluno, eles se encontravam duas vezes por semana.
— Ei, esse tipo de assunto realmente está sendo abordado nas tarefas de ética dos alunos do nono ano hoje em dia?
Sejoon recostou-se casualmente e deu de ombros. Hee-min deu um peteleco na testa com a caneta que segurava.
— Não importa o quão complicado seja, você deveria fazer isso sozinho. Quem te ensinou a entregar a lição de casa descaradamente para o seu tutor?
— Você não me disse para pedir ajuda com qualquer coisa que eu não entenda, não importa o assunto?
— O que você não entendeu? As perguntas são todas em coreano.
— Não consigo entender, então estou perguntando. Se não posso usar meu tutor agora, quando devo usar você?
— Seu punkzinho, melhore sua atitude.
Apesar da repreensão, Hee-min examinou a tarefa de Seojoon.
— Sua capacidade de compreensão é deficiente. Você não consegue entender isso?
— Não é que eu não entenda; eu enviei uma resposta, mas eles me disseram para fazer de novo.
O problema era familiar para Hee-min.
Um trem com freios defeituosos está correndo pelos trilhos. Há dois trilhos: um com cinco pessoas e outro com uma pessoa. O trem inevitavelmente atropelará alguém em um dos dois trilhos. A única coisa que você pode controlar é o interruptor para mudar de trilho. Você sacrificará um para salvar cinco, ou sacrificará cinco para salvar um?
Este problema ético é conhecido como o “Dilema do Bonde”.
Embora diferentes examinadores possam variar ligeiramente a situação, a questão central permanece a mesma: você sacrificará os poucos pelos muitos, ou os muitos pelos poucos? Isso requer uma análise ética profunda.
— O que você escreveu?
Hee-min largou o jornal e olhou para Seojoon, cuja altura imponente o fazia parecer um garoto magro com um rosto ainda jovem.
— Claro, eu escrevi que salvaria os cinco. Tem mais deles.
— E é só isso?
Seojoon assentiu com uma expressão descontente. Hee-min suspirou e cruzou os braços. Como professor, ele provavelmente teria dado outra chance a Seojoon se ele tivesse enviado uma resposta tão simples.
— Mesmo que você esteja salvando os cinco, você precisa dar uma justificativa mais bem pensada.
— Então você está dizendo que deveríamos matar cinco pessoas só para salvar uma? De que outra forma posso explicar essa coisa óbvia?
— Não é tão simples assim. É possível mesmo medir o valor da vida humana apenas por números e peso?
Seojoon respondeu confiantemente:
— Os cinco pesam mais que um.
Para Hee-min, isso era um absurdo vindo de uma cabeça vazia de raciocínio.
— Dilema do bonde
— Hee-min, se eu fosse você… você não deveria usar as redes sociais se pretende se tornar uma celebridade mais tarde.
Hee-min comentou brincando enquanto provocava Seojoon.
— Fique em silêncio e confie no seu rosto. Pelo que vi, essa é a sua melhor chance de ganhar a vida.
Ele balançou a cabeça e então assumiu um tom mais sério.
— Certo, pense assim. E se a única pessoa na pista fosse sua amiga? Você conseguiria matar seu amigo só para salvar cinco estranhos?
Seojoon olhou para Hee-min com uma expressão confusa, ponderando a questão.
— De que tipo de amigo estamos falando? Eu não tenho nenhum amigo tão próximo.
Sim… não era de se admirar que ele não tivesse amigos. Da perspectiva de Hee-min, Seojoon era um garoto reservado que raramente sorria. Quando se conheceram, foi difícil para Hee-min fazer amizade com ele, porque Seojoon era muito reservado, e devia ser ainda pior com seus colegas.
— Ok, e se fosse sua mãe ou um membro da família nos trilhos? Você ainda salvaria os cinco estranhos em vez da sua mãe?
Uma carranca franziu a testa impecável de Seojoon. Ele parecia imerso em pensamentos enquanto olhava fixamente para o nada por alguns segundos, depois balançou a cabeça.
— Não, eu não faria isso.
— Viu? Não dá para medir o valor da vida tão facilmente.
— Então qual é a resposta certa?
Hee-min jogou o documento de ética de volta para ele.
— Não sei. Você vai ter que descobrir sozinho.
— O quê? Como um estudante de medicina pode não saber disso?
— O que você disse? Cuidado com o que diz, hein?
Seojoon se esquivou da mão de Hee-min, brincando.
— Você tem sorte de eu ser seu tutor. Qualquer outro já teria te dado um tapa, garoto. Cuidado com o que você diz.
— Bem, é porque você é meu hyung. Você acha que eu seria assim com qualquer outra pessoa?
Em outras palavras, Seojoon sabia escolher suas batalhas. Inclinando a cabeça, ele encontrou o olhar de Hee-min e apertou sua mão gentilmente, sorrindo. Hee-min observou os olhos de Seojoon se curvarem com ternura. Mesmo que raramente sorrisse, quando sorria, demonstrava aquela inocência juvenil típica de sua idade.
Não importa o quão rude Seojoon fosse, Hee-min nunca realmente se ressentiu dele.
Ele observava Seojoon desde que fora adotado, aos treze anos. Devido à cor única dos seus olhos, Seojoon era frequentemente provocado e evitava contato visual. Ser jogado em um ambiente desconhecido o tornava tímido, uma lembrança que ainda permanecia em Hee-min.
Talvez tenha sido por isso que ele sempre teve uma queda por Seojoon.
E agora, 13 anos depois.
— Nossa, Ji Seojoon, por que você apareceu sem avisar?
Mesmo agora, aos vinte e nove anos, Seojoon continuava o mesmo.
— Por que você não deixa as luzes acesas? O que você está fazendo?
Hee-min olhou para a figura sentada no canto escuro do laboratório. Ultimamente, ele queria evitar encontrar Seojoon sempre que possível.
— Você me assustou esta manhã…
Quando Hee-min acendeu as luzes, parou de falar. Um documento aberto no computador de Seojoon lhe pareceu familiar. A expressão de Seojoon, enquanto o encarava, parecia quase sem emoção.
Quebrando o silêncio, Seojoon falou calmamente.
— Há um erro de digitação aqui. Eric Donovan. Falta o “a”.
Os olhos de Hee-min se arregalaram enquanto ele examinava os documentos sobre a mesa. Os arquivos que ele havia trancado cuidadosamente no dia anterior estavam agora espalhados em desordem, todos abertos e vasculhados por Seojoon.
— Seojoon, estes são documentos confidenciais.
— E eu sou o assunto dessa informação confidencial, então qual é o problema?
Hee-min respirou fundo e tentou falar, mas as palavras falharam.
— Hyung.
Ele estava exausto demais pela falta de sono e chocado com a situação inesperada para pensar em uma desculpa plausível. Seus olhos cinzentos estavam tomados por uma leve tristeza.
— Talvez eu tenha confiado demais em você todo esse tempo.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot