Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 130 Online

⚝ Capítulo 130
Não havia sequer uma pequena lâmpada acesa no quarto. Em uma situação onde eu tinha que enxergar apenas com o brilho que entrava pela janela, não tive escolha a não ser franzir a testa. Eu sabia que ele estava sentado na cama, uma silhueta borrada com os braços sobre os joelhos e o tronco inclinado, olhando para mim, mas não conseguia reconhecer sua expressão.
“Com que tipo de feição Asgyle estava me encarando?”
Pisquei hesitante e ele abriu a boca:
— Aproxime-se.
Era difícil captar emoções em sua voz baixa. Hesitei e dei um passo em direção ao Príncipe Herdeiro. Por um momento, pareceu que ele fez uma careta, mas não tive certeza. Enquanto eu permanecia parado diante dele, nervoso, Asgyle estendeu a mão.
— Ah!
Subitamente, ele agarrou meu pulso e me puxou. Assustei-me e caí no chão, soltando um grito sem perceber. Caí exatamente onde estava, mas felizmente não foi tão doloroso por causa do tapete macio. No entanto, devido à vertigem, fechei e abri os olhos por um tempo. Quando olhei para cima, Asgyle ainda segurava meu pulso e me observava. Ele, que não havia falado até então, olhou para baixo ansiosamente e abriu a boca.
— Você…
Ele resmungou como se quisesse dizer algo, mas ficou quieto novamente. Senti como se ele estivesse escolhendo as palavras. Mas não deveria ser assim. Olhando para a situação antes de eu deixar este quarto, havia várias coisas a serem questionadas. Nesse caso, seria mais apropriado que Asgyle pensasse no que exigir primeiro, em vez de escolher palavras calmas. Eu havia pensado nisso antes de vir, mas quando a situação se desenrola na minha frente, muitas vezes mudo de ideia ou fico confuso.
Era surpreendente, por um lado, ser capaz de analisar a situação com tanta calma. Não é que esse homem não desse mais medo. Eu temia que até o Doutor pudesse se ferir, e o aroma doce que pairava no ar ainda fazia meu coração doer.
Ainda assim, talvez por não conseguir enxergar direito, meu coração estava em paz. Surpreendi-me e me envergonhei pela tranquilidade que me sobreveio, mas também pensei que seria melhor se o resultado não mudasse de qualquer forma. Afinal, a decisão seria tomada por Asgyle. Eu apenas teria que aceitá-la.
“Ele provavelmente perguntará o que causou o cio. Vai tentar adivinhar. Ficará indignado por sua consciência estar sendo abalada.”
— … É do médico? — Finalmente, Asgyle me fez uma pergunta. Escutei atentamente, mas por um momento não entendi.
“É o quê?”, pensei. Pisquei perplexo, baixei a cabeça e olhei para o meu corpo, e só então percebi o que ele estava encarando.
— … As roupas?
Quando saí dali, estava apenas com um lençol, então quando entrei no quarto de Steward, estava nu. Ele gentilmente me deu uma camisa; tudo o que eu vestia era a roupa íntima dele e sua camisa. Por sorte, ele era mais alto e robusto que eu, então a camisa chegava ao meio das minhas coxas e eu tive que dobrar as mangas várias vezes, mas era muito melhor do que estar nu.
“Mas por que perguntar logo isso?”
Há tantas outras perguntas a serem feitas. Assenti, confuso.
— Sim, o Doutor me emprestou.
O aroma dos feromônios, que exalava sutilmente até então, subitamente tornou-se mais forte. Eu podia sentir mesmo sem ver. Ele estava furioso. Assim que meu corpo enrijeceu por reflexo, Asgyle falou:
— Tire isso agora mesmo.
Era uma voz como se estivesse rangendo os dentes. Fiquei perplexo, mas logo entendi. Só há uma razão pela qual ele precisa de mim, o ômega. Acho que ele só quer me usar para o propósito pretendido desta vez. Asgyle soltou minha mão e quase desabei em um instante, mas me concentrei em abrir os botões um por um, conforme instruído.
Após remover a camisa e as roupas íntimas, dobrei-as ordenadamente, coloquei-as de lado e olhei para ele. O brilho do luar atravessava o quarto agora completamente escuro. O rosto do Príncipe, marcado por sombras nítidas, estava estranho de alguma forma. Sua face estava inexpressiva como de costume, mas por alguma razão parecia muito distorcida. Talvez fosse porque a imagem estava borrada e o foco não estava claro.
Enquanto eu esperava em silêncio por suas próximas palavras, Asgyle falou:
— Você corre para a cama de outro homem assim que sai da minha.
Ele disse algo que eu novamente não conseguia entender. Corrigi suas palavras com perplexidade, mas com calma.
— O Doutor é um amigo.
Parece que já tivemos essa conversa antes. Talvez eu esteja em uma situação agora onde não deva ter relacionamento com mais ninguém por ser o “Ômega usado pelo Príncipe Herdeiro”. É claro, não era verdade que eu e Steward tivéssemos tal tipo de relação, mas, se fosse o caso, o fato de ser algo incorreto precisava ser corrigido. Era um assunto importante à sua maneira, mas Asgyle não me ouviu.
— Por que você foi procurá-lo?
“Por que está perguntando sobre isso?” Deve haver muitas outras perguntas mais importantes que esta. Eu ainda não entendia, mas respondi educadamente.
— Remédio…
— Um remédio? — Antes que eu pudesse terminar, ele me interrompeu. Desta vez, havia definitivamente um vinco em sua testa. Assenti. — Vossa Alteza, a situação estava além do seu controle.
Olhei para o rosto dele, tentando escolher as palavras com cuidado.
— Tomei o remédio, então não precisa se preocupar.
Uma das razões para Asgyle estar tão sensível era essa. Tentei tranquilizá-lo, mas a reação dele foi completamente inesperada.
— … Preocupar-me?
Vendo que o Príncipe repetia minhas palavras, fui mais claro:
— Não tenho intenção de engravidar.
Asgyle não repetiu mais nada e manteve a boca fechada. Adicionei cautelosamente ao silêncio constrangedor:
— Um Ômega não deve ter filhos com Vossa Alteza.
Com essas palavras, pude ver Asgyle paralisar na escuridão. Então ele rangeu os dentes e cuspiu as palavras:
— Você era quem estava implorando por isso de forma vulgar.
— O quê? Esse olhar…
Como está a minha expressão? Não sei, mas respondi honestamente:
— … Vossa Alteza também perde o juízo quando o rut chega.
O silêncio foi mais pesado do que nunca. Asgyle, que nem sequer se movera, abriu a boca bem devagar.
— … Você e eu somos iguais agora, Ômega? Você ousa me comparar?
— Sinto muito.
Pedi desculpas rapidamente por minha voz ter saído mais alta que o normal. Ele tem razão. Como ousei dizer aquilo sem conhecer o meu lugar? Meu coração batia forte e abaixei a cabeça. Este seria o começo. Um interrogatório terrível poderia vir a seguir… Enquanto eu esperava com determinação, ouvi Asgyle respirar fundo. Foi o momento em que tentei me acalmar um pouco, apesar de nervoso com a reação dele, que parecia tentar recuperar a compostura.
— … Quem é Camar? É um gato também?
Por um momento, perguntei-me o quanto ele se lembrava. Obviamente não de tudo, mas quando foi a última vez que chamei por Camar? Foi antes do cio?
— Diga-me a verdade. Não o perdoarei se mentir.
Ele deu o aviso antes que eu falasse. Engoli em seco e olhei para ele.
— … Camar.
Apenas colocar o nome dele em minha boca tornava difícil respirar. Respirei fundo antes de responder.
— Era meu amante.
Ele ficou sem palavras novamente. Enquanto eu encarava os olhos que me fitavam em silêncio, continuei:
— Eu o amava de verdade… achava que não poderia viver sem ele… Um dia, de repente, ele desapareceu. “Eu te amo, Yohan”. Nós nos beijávamos, nos abraçávamos e dormíamos juntos. Ele até me pediu para ter um bebê.
Nenhuma palavra mais saiu. Parei de inclinar a cabeça. Ele ainda estava em silêncio, respirando fundo, engolindo sua respiração trêmula. Após mal conseguir conter o fôlego, Asgyle falou:
— Eu disse que não o perdoaria se mentisse.
Quando ele olhou para cima, havia um cinismo claro em seu rosto. Asgyle cuspiu as palavras com uma voz ríspida:
— Você não me disse isso também? Que éramos amantes e que eu lhe pedi para ter um filho?
– …
— Você não sabe que, para mentir, é preciso ser inteligente.
Havia um estranho escárnio nas palavras que riam de mim. Ele parecia convencido de que eu estava mentindo. Estava me ordenando a dizer a verdade agora. Umedeci os lábios lentamente.
— Vossa Alteza e ele são muito parecidos.
Uma voz surpreendentemente calma saiu. Quando encontrei o olhar de Asgyle, continuei:
— Eu cometi um erro e fui rude com Vossa Alteza. Por favor, perdoe-me.
Asgyle não falou. O silêncio foi tão longo que meu corpo inteiro pareceu dormente. Mas esperei que ele abrisse a boca. Após esperar o que pareceu uma eternidade, Asgyle abriu a boca, mas não emitiu som de imediato.
— … Então, você…
Inesperadamente, sua voz tremeu pesadamente. Isso me fez imaginar se meus ouvidos estavam enganados. No entanto, o tom saiu tão trêmulo que não pude duvidar.
— Está dizendo que eu fui um substituto?
Sua voz, que até então estava baixa e não muito diferente do habitual, oscilou e subiu levemente. Abaixei a cabeça e pedi desculpas.
— Sinto muito.
*Ha… ha…* O som de uma respiração pesada vinha de cima.
— … Você me disse que queria que eu fosse feliz — Asgyle perguntou novamente. — Responda-me! Você me disse isso! Você me disse ali mesmo, durante a caminhada a cavalo!
Ergui a cabeça com esforço e olhei para ele ao ouvir os gritos misturados à respiração entrecortada. Asgyle imediatamente se levantou e tensionou o corpo todo como se fosse me atacar. Falei a verdade conforme ordenado.
— Camar é agora… alguém que não posso mais encontrar.
Os olhos de Asgyle se arregalaram. Encarando-o, paralisado em choque, respondi:
— Eu quero que o Príncipe Herdeiro seja feliz.
O silêncio desta vez foi mais curto. Como se tivesse enrijecido, Asgyle, que nem sequer se movera, estendeu a mão. Eu apenas o observei se aproximar, como se visse uma tela em câmera lenta. A mão estendida entrou em minha visão, os dedos agarraram meu pescoço, e meu corpo caiu no chão impotente como um pedaço de madeira. No momento em que Asgyle subiu sobre mim, a força do aperto tornou impossível respirar.
Subitamente, lágrimas encheram meus olhos. Fechei-os e estiquei o corpo.
“Entendi agora. É assim que a morte chega.”
E, naquele instante, minha consciência se apagou por completo.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho