Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 119 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 119

Fiquei com o coração apertado ao deixar Rikal sozinho no laboratório, então decidi voltar. Levantar o colchão foi uma tarefa exaustiva, apesar de ter resmungado eu fiz mesmo assim. Com um colchão pesado daqueles, ninguém pensaria em levantá-lo. Massageei meus braços trêmulos, tentando recuperar a firmeza.
— Vamos lá, Rikal.
Depois de alimentá-lo o máximo possível e garantir que ele bebesse bastante água, peguei o gato no colo. Rikal soltou um miado baixo e se acomodou confortavelmente em meus braços. Ver o gato assim me trouxe um certo consolo em meio à culpa que eu sentia. Eu nem consigo cuidar dele direito; gostaria que ele tivesse encontrado um dono melhor.
— Sinto muito… — sussurrei baixinho e beijei a cabeça do gato, sem saber se ele me entendia.
Caminhei com cuidado até a sala de tratamento para que Rikal não ficasse desconfortável. Assim que eu pegasse o pó, analisaria a situação e contaria a alguém de confiança. No momento, Asgyle era a pessoa mais influente, mas havia algo que me incomodava. O maior problema era o fato de eu ter roubado o pó que o rei consumia por conta própria, e havia também aquela conversa entre o rei e Asgyle.
“Não acho que esses dois se dão bem…” — ponderei amargamente.
Se fosse a mesma droga, ajudaria a encontrar o culpado que tentou matar Asgyle, mas, caso contrário, seria inútil. Se for esse o caso, terei feito algo sem sentido.
“Como descobrir…”
Enquanto caminhava perdido em pensamentos, cheguei à frente da sala de tratamento. Bati e abri a porta, mas o interior estava vazio. Após um momento de hesitação, entrei. Eu pretendia esperar alguém aparecer para deixar o Rikal. Enquanto isso, queria abraçar o gato um pouco mais, mas ele não entendeu meu sentimento e subitamente pulou dos meus braços.
— Ah, Rikal!
Exclamei sem graça, mas ele imediatamente correu pela sala e pulou em cima de uma maca. Fingi estar chateado, lançando-lhe um olhar severo, e então me aproximei e sentei ao lado dele. Enquanto eu dava tapinhas carinhosos nele, Rikal se encolheu e ronronou.
Naquela posição, enquanto acariciava o Rikal, o computador sobre a mesa subitamente entrou no meu campo de visão.
“Pensando bem…”
Lembrei-me de algo que havia esquecido. Na época em que Asgyle foi envenenado, o Doutor havia analisado os ingredientes e os armazenado no computador. Ele levou a maior parte do material e não sobrou muita coisa, mas talvez ainda restasse algo. Não havia motivo para apagar, já que o Doutor não pesquisou isso do zero e provavelmente toda a equipe médica tinha acesso.
Mesmo que não tivesse. Fixei o olhar no computador desligado. Tenho certeza de que a Meisa também deve ter alguns dados…!
De repente, a porta se abriu com um clique. A enfermeira que entrou me viu e soltou um “Meu Deus!”, assustada. Levantei-me apressadamente da maca e a cumprimentei.
— Olá… sinto muito, mas é que deixar o Rikal sozinho é tão… eu queria saber se poderia cuidar dele para mim.
— Ahhh! — ela sorriu com compreensão e assentiu. — Claro, não tem problema. À noite eu o levo para o meu dormitório para dormir ou peço para a Meisa fazer isso. Tudo bem?
— Oh, claro. Se for assim, muito obrigado… de verdade.
Curvei a cabeça, agradecendo repetidamente. Acariciei Rikal uma última vez; ele soltou um som agudo e fechou os olhos, feliz. Vê-lo assim me fez sentir estranho de novo.
“Por que o Camar e o Rikal se odeiam tanto?”
O Asgyle nem se lembra do Rikal. Embora o Rikal tenha atacado primeiro…
Pensando nisso, subitamente recuperei uma memória esquecida.
“Foi ele quem começou?”
Na época não pareceu grande coisa, mas agora a causa parecia óbvia. Olhei para o gato com seriedade. Está claro que o Rikal odiou o Camar desde o início. Mas, obviamente, deve haver uma razão. Não parecia ser por causa do cheiro de feromônio. Se eu soubesse o motivo, poderia dar um jeito, mas agora que o Asgyle não se lembra de nada, descobrir a causa parece impossível. Relutantemente, desisti e escolhi apenas evitar que o Rikal e o Asgyle se encontrassem. Afinal, é só enquanto eu estiver aqui, então vai ficar tudo bem.
— Rikal, te vejo amanhã.
Beijei a cabeça do Rikal, despedi-me da enfermeira e saí do consultório. Pensei que deveria agradecer à Princesa Najima também, mas a hora do jantar já se aproximava. Havia também a ordem especial do Príncipe Herdeiro, então eu precisava voltar ao quarto e esperá-lo.
“Camar.”
De repente, a lembrança voltou e minhas bochechas coraram. Quando me lembrei dele me abraçando e beijando como antes, meu coração disparou e senti como se meus pés flutuassem.
“Naquela época, ele não mordia com tanta frequência.”
Meus pés tocaram o chão novamente. Encolhi os ombros e continuei caminhando. Mesmo assim, pensei: “Está tudo bem porque nos beijamos muito…!”
Caminhei lentamente pelo corredor, planejando o futuro. Irei ao laboratório durante o dia e verificarei se restou algum dado. Depois disso, descobrirei os ingredientes do pó. Antes de tudo, é importante ter dados para comparar. Se não estiverem no laboratório, irei ao consultório médico examinar os arquivos. Parece haver um momento em que o local fica vazio, então preciso aproveitar essa brecha.
Falarei com Asgyle quando tiver mais certeza. Sim, farei isso. Assim que tomei a decisão, senti-me muito mais aliviado. Conseguir analisar essa droga já seria cumprir minha missão.
E então.
Enquanto arrastava meus passos que pareciam cada vez mais pesados, o fim do corredor se aproximou e os aposentos do Príncipe Herdeiro surgiram. Os servos que guardavam a porta não eram os mesmos de antes. Um havia tido o pulso amputado e o outro não fora mais visto desde aquele dia.
Ao me verem, os novos atendentes abriram a porta sem mudar a expressão. Nem sequer disseram nada. Mais uma vez, conforme eu me aproximava, a porta se abriu silenciosamente para eu entrar.
— Com licença, obrigado…
Sem esquecer de cumprimentá-los, passei por eles e entrei. A porta se fechou atrás de mim, deixando-me sozinho no quarto de Asgyle. Um leve rastro de feromônio flutuou até meu nariz.
Hesitando no meio do quarto, parei ao notar a cesta. Ficou claro que Dive a trouxera. Fui até a mesa e verifiquei os itens. Lá dentro, as bandagens estavam acompanhadas de antissépticos, algodão, curativos e outros remédios para tratar a ferida de forma simples. Contei meticulosamente os tipos e as quantidades. Amanhã, depois que Asgyle sair, pedirei para repor o que foi usado. Feito isso, realmente não restaria mais nada a fazer.
*Ufa!* Com um suspiro, sentei-me cuidadosamente na cadeira e esperei o tempo passar. Ele pediu para jantarmos juntos. Teria sido melhor se eu tivesse ficado com o Rikal até o jantar, pensei depois, mas decidi confiar na enfermeira e na Meisa. Em compensação, amanhã eu comeria tudo com ele.
Enquanto eu assentia para mim mesmo, senti uma presença sutil do lado de fora. Apurei os ouvidos; a porta se abriu de repente e um cheiro mais forte de feromônios invadiu o quarto.
“Asgyle.”
Rapidamente endireitei a postura, repetindo o nome em pensamento. Enquanto minhas mãos se uniam em um cumprimento respeitoso, meu coração batia descontroladamente. “Hoje estou com sorte”, pensei. Eu já havia encontrado o Asgyle várias vezes desde a manhã. E nos beijamos muito também. Quando levantei a cabeça, antecipando cautelosamente o momento doce que viria, congelei.
Asgyle me encarava com o rosto endurecido.
— … Você.
A porta se fechou atrás dele e senti o medo de estar completamente isolado. Seus olhos se estreitaram e sua testa franziu enquanto eu recuava sem perceber. Asgyle, que estendeu a mão em minha direção enquanto eu recuava mais uma vez, parou. A tensão sufocante diminuiu um pouco. Ele abriu a boca e, inesperadamente, saiu uma voz um pouco mais suave:
— Não tenha medo, tenho uma pergunta para você.
Prendi a respiração e esperei. Eu não conseguia controlar o tremor do meu corpo; podia ouvir o som dos meus dentes batendo uns nos outros. Asgyle parou e continuou:
— Sobre a Cerimônia Sagrada de Sua Majestade, o Rei.
Por um momento, senti meu coração cair.
“Será que ele descobriu que roubei as drogas? Ele quer que eu implore perdão agora? Ele vai me perdoar? Ou o quê?”
Minha boca estava seca e minha língua travada. Enquanto eu forçava as cordas vocais para dizer algo, Asgyle falou:
— É verdade que você se jogou na frente de Sua Majestade para salvar o ômega que ele estava tentando matar?
“… Oh?”
Pisquei, atônito, diante da pergunta inesperada.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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