Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 101 Online

⚝ Capítulo 101
— O quê?
Acabei me perguntar sem perceber. Cobri rapidamente a boca com as duas mãos, mas era tarde demais. Meu coração disparou e meu corpo tremeu. Encarei o Príncipe Herdeiro com os olhos arregalados; ele franziu a testa e olhou para mim. Naquele momento, tirei as mãos da boca, prostrei-me e recuei de joelhos.
— Ag-agora… per-perdão, eu… perdoe-me, senhor, por favor.
Uma voz que tremia tanto quanto meu corpo escapou da minha boca. O silêncio caiu e Asgyle me observou sem dizer uma palavra. Senti minha boca secar e continuei a tremer.
— …
Por um longo tempo, ele não falou nada. Mas o olhar que ele lançou sobre mim era muito claro. Um silêncio pesado persistiu. Quando Asgyle finalmente falou, eu dei um sobressalto, como se tivesse levado um choque.
— Você…
Mordi o lábio apressadamente para suprimir o som da minha respiração, que mais parecia um grito. Quando fechei os olhos com força, ouvi a voz indiferente de Asgyle, completamente diferente do habitual.
— Você é surdo ou não entende o que eu digo?
Meus olhos se arregalaram de surpresa, mas Asgyle continuou falando.
— Eu disse para comer, não que seja sua culpa. Não consegue entender?
Sua voz soava um tanto cansada. Hesitei e olhei para cima com cautela. Assim que levantei a cabeça, meus olhos encontraram os do Príncipe Herdeiro, que me observava. No mesmo instante, meu corpo endureceu, mas Asgyle ainda falou com uma voz fria:
— Não me faça repetir a mesma coisa várias vezes, é irritante.
Com essas últimas palavras, minha mente deu um branco. Tremi e disse que sim, mas parei de gaguejar. No entanto, ainda era impossível me levantar. Em vez de comer, eu não conseguia nem levantar a cabeça, ficando prostrado e pensando por um momento. Eu estava com muito, muito medo, mas precisava falar.
Após engolir em seco, abri a boca.
— Me-meu senhor. Oh, obrigado pela graça, sinto muito por não ser digno, mas a princesa me disse… “Vamos almoçar juntas”.
Eu tremia e tropeçava nas palavras. Gaguejei tanto que tive vontade de morder a própria língua. Eu nem tinha certeza se minhas palavras estavam sendo transmitidas corretamente. No entanto, achei que deveria me desculpar com Najima, que havia me convidado primeiro, já que essa situação aconteceu de repente. Caso contrário, ela poderia ficar preocupada, e como havíamos marcado antes, era natural que eu falasse com ela.
Pensando assim, reuni coragem para falar de novo, mas de repente o Príncipe Herdeiro abriu a boca.
— Eu falo com a Najima.
Por algum motivo, ele perguntou em uma voz mais baixa que o normal. Surpreso, eu ia dizer que eu mesmo iria, mas de repente uma brisa fresca soprou. Assustei-me e paralisei, percebendo que Asgyle se levantou devido à presença arrepiante que se seguiu. Ao fechar os olhos com força, senti um movimento passando inesperadamente por mim.
Abri os olhos sem perceber, mas não tive coragem de conferir por conta própria. Enquanto ouvia em silêncio, escutei o som de passos comedidos. Passo a passo, o som das passadas largas se afastou rapidamente. Pouco depois, ouvi a porta abrir e ele disse subitamente:
— Certo, coma.
Após essas palavras, a porta se fechou e o silêncio caiu instantaneamente.
“… Oh?”
Fiquei atônito por um momento, parado no lugar. Por mais que o tempo passasse, não havia sinal de que ele voltaria. Depois de ficar agachado, meu corpo tremeu e levantei a cabeça cuidadosamente.
Naturalmente, eu era o único naquela sala de estar espaçosa. A comida que eu via pela primeira vez estava disposta diante dos meus olhos; uma brisa fresca soprava ocasionalmente pela janela e o silêncio continuava, mas, na verdade, tudo isso acalmou meu coração.
*Gulp.*
A saliva desceu pela minha garganta. Agora que estava sozinho, a comida entrou em foco. Mesmo que estivessem cobertos, o aroma pairava por toda parte. Abri cuidadosamente a tampa do prato mais próximo.
“Uau…”
Senti uma tontura no momento em que vi o prato com o cordeiro assado crocante, arrumado perfeitamente. Ao lado, havia sopas ainda quentes, saladas frescas, pães macios e ensopados fartos; todos os tipos de comida. Abri algumas tampas e bati no peito com uma mão. Senti meu estômago doer e apertar, então fiz uma careta involuntária e olhei para trás.
A porta ainda estava firmemente fechada. Não havia sinal de que abriria novamente. Parei meu olhar por um instante e depois voltei a atenção para a mesa. Após lavar as mãos no recipiente preparado, simplesmente tentei me acalmar e olhei em volta. Foi só depois de verificar mais uma vez que bebi cuidadosamente a sopa, que ainda estava fumegante. Assim que o líquido quente tocou minha boca, uma eletricidade percorreu meu corpo.
Delicioso.
O Príncipe Herdeiro foi falar com a Najima pessoalmente? Eu não conseguia entender o motivo, mas estava com muita fome enquanto esperava. Além disso, Asgyle me disse várias vezes para comer. Eu não devia desobedecer a uma ordem, então pensei nisso enquanto partia o pão com cuidado e o mergulhava na sopa. Comi sem pensar muito. Devorei dois pães. Comi alguns pedaços de cordeiro, saladas e ensopados, e também provei pratos de carne que nunca tinha visto antes, com frango e arroz salteado.
Foi a primeira vez que enchi o estômago provando tantos tipos diferentes de comida. Nada faltava, desde chá quente até todos os tipos de sucos de frutas. Também bebi uma pequena quantidade de cada tipo de suco.
— Ha…
Foi só depois que meu estômago estava cheio que suspirei de satisfação. Achei que tinha comido bastante, mas a comida à minha frente não diminuiu tanto assim. Era muita coisa desde o início. Depois de satisfeito, tive outra preocupação.
“Ele não queria que eu comesse tudo isso, queria?” Era muita coisa. Poderia ser uma simples ameaça, mas eu não me sentia confortável. Quanto a Asgyle, eu não ousava prever nada. E se aquela fosse uma ordem literal?
Depois de pensar um pouco, uma solução me veio à mente.
“Jantar hoje e almoço amanhã, certo?”
Parecia uma boa ideia. Sim, assenti e meu coração ficou mais leve. Ainda assim, o Príncipe Herdeiro não dava sinais de retorno. Ele estava com um traje incomum, então talvez estivesse recebendo convidados estrangeiros. Com isso em mente, recostei-me em uma almofada grande e me sentei.
“Ele falou com a Najima? Talvez eu deva sair e verificar agora?” Mas eu não sabia quando o Príncipe Herdeiro voltaria.
O tempo passou devagar enquanto eu estava preso nessa indecisão. Uma brisa fresca soprava de fora e os arredores estavam calmos. O torpor do sol entrando pela janela fez meus nervos relaxarem ainda mais. Após ficar sentado ociosamente ao vento por um tempo, acabei dormindo sem perceber.
***
Estremeci com o calafrio repentino que senti. O ar frio penetrou em todo o meu corpo, buscando instintivamente calor. Fui atraído por algo quente que tocou minha bochecha e, ao baixar a cabeça, alguém imediatamente me abraçou.
“…Quente.”
A temperatura daquele corpo, que quase cobria o meu, me aqueceu depois de eu ter ficado tão gelado. Soltei um suspiro de alívio e me aconcheguei mais. Ao passar a mão suavemente, senti algo duro e irregular. …O quê? Enquanto eu tateava de forma confusa, algo rígido subia e descia sob a palma da minha mão.
Quando estendi os braços e o abracei apertado, o outro parou. Eu o apertei ainda mais. Tudo o que eu precisava fazer era envolver o físico enorme daquela pessoa com meus braços, mas me senti meio carente, então apoiei o rosto e o esfreguei ali. Pareceu haver um som abafado e baixo. Quando aproximei meus ouvidos, o batimento estava inesperadamente rápido. Enquanto ouvia em silêncio aquele “tum-tum” forte, senti algo estranho, mas relaxante.
— Ha… — suspirei baixinho e o abracei com força. Imaginei se o braço da outra pessoa, que pareceu hesitar por um momento, estava me segurando de volta, e de repente senti uma força sobre mim. Minha testa franziu involuntariamente com a sensação do corpo dele se tensionando.
— Dói, Camar.
Foi quando sussurrei um pequeno murmúrio e esfreguei meu rosto como se estivesse ressentido. De repente, um aroma doce se espalhou pela ponta do meu nariz e parte da minha consciência despertou.
“… Oh?”
Então, como dominós, minha mente acordou e percebi as coisas uma a uma. Eu estava encostado no peito rígido de alguém, este cheiro era o perfume dos feromônios e o som no meu ouvido era o som de um coração. E a coisa mais importante me veio à mente por último.
“Camar não está aqui.”
Naquele momento, minha mente estalou e levantei a cabeça sem perceber. Então, no instante seguinte, meus olhos encontraram os de Asgyle, que me encarava fixamente.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho