Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 100 Online

⚝ Capítulo 100
Najima, alheia à minha reação, continuou conversando com Meisa.
— Ainda sobre Al Fatih, é lá que Raihan Al Hamed vivia? — Najima assentiu à pergunta de Meisa.
— Sim. Ele faleceu, e seu irmão mais novo, Jarwal, está encarregado das terras. Ouvi dizer que Raihan Al Hamed tem um filho, mas ninguém o vê há bastante tempo porque ele sofre de uma condição médica.
Foi o que ela disse. Engoli em seco e continuei escutando. Meisa prosseguiu:
— A propósito, Jarwal não diz que o filho dele tem estado doente ultimamente? É uma infelicidade que o sucessor oficial, o filho do responsável interino e as pessoas que deveriam assumir o trono estejam sofrendo com problemas de saúde.
— Oh, não, Meisa. Ela disse que o filho não estava doente, mas que ele sofreu um acidente.
— Um acidente?
A enfermeira também arregalou os olhos e olhou para elas. Eu as encarava com pavor enquanto meu coração afundava. Najima pareceu hesitar por um momento e então abriu a boca:
— Ouvi dizer que havia um monstro na mansão. Dizem que ele matou mais de dez pessoas, não apenas o filho, mas também amigos e criados. Foi dito que o filho da casa ficou gravemente ferido na época e não conseguia nem sair da cama, mas acabou não resistindo.
— Nossa…
Meisa cobriu a boca com a mão e soltou um breve suspiro enquanto baixava ainda mais a voz. Najima balançou a cabeça e suspirou.
— Não fui a única a ficar surpresa, não apenas Jarwal, mas a esposa dele também. Sério, há quantos meses aquela pessoa que tanto gostava da cidade está vivendo lá?
— Meu Deus, quem é o culpado? Como ele é? Quantos eram?
Quando a enfermeira perguntou, Meisa olhou para ela e fez um sinal para que parasse. Mas Najima balançou a cabeça, indicando que estava tudo bem, e sorriu amargamente.
— O culpado ainda não foi pego. Na verdade, eu soube disso pela Shadia ontem. O Primeiro-Ministro parece ter se encontrado com Jarwal. Shadia descobriu sobre ele e me contou.
— Que coisa…
Meisa estalou a língua e perguntou:
— O sr. Jarwal vai herdar tudo? Ele só tinha um filho, certo?
— Sim. — Najima sorriu e encerrou o assunto. — Chega, eu só sei até aqui. De alguma forma, falei demais.
Ela levantou a mão e olhou para mim, como se percebesse tardiamente a minha presença, e se surpreendeu.
— Yohan? O que houve?
Najima perguntou curiosa. Meisa também olhou para o meu rosto. Abri a boca com dificuldade, mas as palavras não saíam facilmente.
— Eu? O quê?
Quando mal consegui perguntar, Najima ainda assentiu com uma expressão confusa.
— Sim, há algo errado?
Despertei tardiamente para a pergunta misturada com curiosidade e preocupação. Pisquei apressadamente e olhei ao redor; até a enfermeira estava me encarando. Bem na hora, Rikal subiu no meu colo e eu rapidamente olhei para baixo, fingindo observar o gato.
— Não é nada. Só estou um pouco cansado. Não se preocupem.
A mão que acariciava Rikal tremia levemente. As palavras que eu acabara de ouvir enchiam minha mente. Após forçar a garganta seca e engolir em seco, abri a boca com dificuldade.
— É… aliás. Se alguém matar uma pessoa, o que acontece?
De repente, houve um silêncio gelado. Meisa arregalou os olhos surpreendida, Najima franziu a testa e a enfermeira me olhou com as pálpebras tremendo.
— Por que você pergunta isso?
Najima perguntou com uma voz mais suave do que o habitual. Eu não sabia se ela estava pensando em mim ou tentando me confortar, mas tentei me recompor e falei com esforço. Eu precisava ser cuidadoso. Minha boca queimava com o pensamento de que teria que inventar uma desculpa de alguma forma.
— É que… você acabou de dizer que o assassino matou mais de dez pessoas. Então, o que acontece nesses casos? É pena de morte?
— Coitadinho…
Najima sorriu amargamente como se compreendesse, e a expressão de Meisa também relaxou.
— Yohan não precisaria saber disso.
A voz de Meisa foi doce, mas não me tranquilizou. Najima assentiu como se concordasse com ela, mas me deu a resposta que eu procurava.
— É claro que sim. Assassinato é um pecado imperdoável.
Ao vê-la balançar a cabeça e repetir “são mais de dez pessoas”, perguntei novamente, tentando suprimir minha voz trêmula:
— Mesmo se for alguém da realeza…?
Meisa me repreendeu asperamente pela voz fraca:
— Yohan, essa é uma pergunta ruim.
Por um momento, fiquei chocado e meus ombros se encolheram. Minha mente ficou em branco ao notar que eu tinha passado dos limites sem perceber. Eu ia me ajoelhar imediatamente no chão para pedir perdão, mas Najima se aproximou e me impediu.
— Está tudo bem. Sabemos que isso não significa nada vindo do Yohan. Mas, de agora em diante, é melhor você ter cuidado ao falar sobre a realeza.
Ela levou o dedo indicador aos lábios como se contasse um segredo e eu rapidamente baixei a cabeça diante do aviso.
— Sinto muito, fiz algo rude. Por favor, me perdoe.
— Está perdoado, Yohan. Só desta vez — ela acrescentou generosamente para mim. — Para te dar a resposta: mesmo sendo um membro da família real, a punição por assassinato não pode ser evitada. De acordo com a lei, os nobres perdem seu status e são punidos quando matam três ou mais pessoas. Na verdade, nenhum foi executado, mas é porque a família real nunca matou mais de três pessoas com as próprias mãos.
— Há muitas pessoas que podem matar no lugar deles, e há casos em que ordenam o suicídio.
Quando ela falou contra a vontade, Meisa imediatamente fechou a boca. Najima também assentiu e então mudou de assunto.
— Então, vamos parar de falar de coisas pesadas aqui? Eu ia convidá-los para almoçar, mas falei bobagens demais. Que Deus perdoe estes lábios imprudentes.
Najima, que acrescentou essa curta frase, olhou para Meisa.
— Tenho algo para te dizer, pode ser?
Com isso, a enfermeira rapidamente se despediu e saiu, e eu a segui. Enquanto Meisa considerava que Rikal poderia ficar ali, eu estava prestes a agradecer e sair, mas Meisa me chamou:
— Yohan, vá para o jardim tomar um pouco de sol. Faz bem para a sua saúde.
— Ah, sim.
Depois que respondi e fechei a porta, a enfermeira que saiu pelo corredor primeiro pegou o novo celular e estava enviando uma mensagem para algum lugar. Fiquei parado, hesitando por um momento, então me movi como se estivesse possuído e caminhei pelo corredor. O palácio real estava silencioso. Quase não havia sombras de pessoas passando. Era o fim da estação chuvosa e o céu estava tão límpido e azul.
Segui o conselho de Meisa e entrei no jardim. No jardim no meio do palácio real, uma enorme fonte jorrava água. De repente, lembrei-me de uma noite em que Asgyle estava parado aqui, perdido em pensamentos. Fui até onde ele costumava ficar e parei, mas tudo o que eu conseguia ver era a fachada do palácio do outro lado da rua.
“O que ele estaria pensando aqui?”
Depois de ficar parado ali com os braços cruzados por um momento, cambaleei e me sentei no chão, encostado na fonte. O som da água caindo e a temperatura fresca da fonte eram muito agradáveis. “Haha”, soltei um suspiro. Senti uma tontura, fechei os olhos e permaneci ali por um tempo.
“Ninguém o vê há bastante tempo porque ele sofre de uma condição médica.”
As palavras de Najima vieram à mente. Então me lembrei do que Camar havia dito.
“Alguém deu uma dica e meu tio me contou? Como o tio saberia?”
Foi há tanto tempo que não consigo me lembrar exatamente. Mas lembro-me do meu tio me dizendo para fugir. Descobriu-se que eu era um Ômega, então as pessoas estavam vindo atrás de mim.
“Todos sabem que não posso aparecer na frente das pessoas porque estou doente.”
E agora, é claro, meu tio é o assistente do senhor.
“…Eu poderia ter lidado com todos eles desde o início.”
Um canto do meu peito doía. Se meu tio tivesse se oferecido para cuidar da família, eu teria aceitado de bom grado. Eu era muito jovem na época e não tinha como arcar com isso. Eu não teria precisado fazer aquilo.
Minha mente estava confusa e meu coração ainda doía. Ainda assim, pensei em Camar, que tentou me proteger até o fim, e senti que ia chorar.
“Se você matar três ou mais membros da família real, você será punido.”
Relembrei o que Najima dissera e minha mente estalou. O Príncipe Herdeiro não é exceção. Se ele não tivesse perdido a memória, ele nunca teria matado ninguém com as próprias mãos. Mas agora já foi.
“Você disse que mais de dez pessoas morreram?”
“Quantas pessoas morreram por terem visto o rosto de Camar? Quantas estarão vivas? Se descobrirem que Camar matou mais de dez pessoas, então Camar… será sentenciado à morte.”
Pensando nisso, perdido em devaneios, uma sombra de repente caiu sobre a minha cabeça. Inadvertidamente, levantei a cabeça e me assustei. Um homem alto e enorme, vestido com um terno preto, estava me encarando.
— O que você está fazendo aqui?
Uma voz baixa e abafada chegou até mim. Encarei o rosto de Asgyle com os olhos arregalados. Meu corpo tremeu e nenhum som saiu. Vendo-me agachado e piscando, Asgyle franziu a testa. Em um momento de medo, ele subitamente se inclinou.
— …!
Suspirei de surpresa e fechei os olhos. No momento seguinte, senti uma sensação de flutuação no meu corpo. Então, ouvi um estalar de língua.
Eu estava tão paralisado que mal conseguia abrir os olhos e, para minha surpresa, Asgyle estava me segurando com um braço só. Como se eu estivesse sentado em seu braço, como se ele tivesse colhido uma fruta qualquer, encarei-o com os olhos arregalados de espanto, e Asgyle murmurou:
— Acho que até as folhas são mais pesadas que você…
Não ouvi o resto. Ele imediatamente deu um passo largo e entrou no palácio. Sem saber o que estava acontecendo, sentei-me em seu braço e prendi a respiração. O lugar para onde Asgyle se dirigiu imediatamente depois foi o salão espaçoso.
Os servos que guardavam a porta apressaram-se a abri-la, e Asgyle não hesitou por um momento; ele seguiu em frente e entrou. Logo a porta se fechou e eu pisquei, confuso. Em pouco tempo, o lugar onde Asgyle parou já estava repleto de comida.
Asgyle me colocou no chão, ainda confuso e sem saber o que estava acontecendo. Olhando para ele, ele se sentou ao meu lado e abriu a boca:
— Coma tudo.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho