Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 94 Online

⚝ Capítulo 94
Perplexo com a situação inesperada, pisquei várias vezes. O gato em meus braços miava e se debatia; eu havia acordado, mas ainda estava atordoado. Quando meus braços relaxaram, Rikal saltou e saiu disparado, farejando e se enfiando entre a comida.
— Rikal, não. Você precisa ficar quieto.
Assim que o capturei às pressas e o abracei novamente, Rikal lutou para se soltar de novo. Minha boca também se encheu de saliva e meu coração disparou, mas eu não conseguia tocar em nada.
— Isso aqui… Sério, eu posso comer…?
Meisa sorriu com um toque de amargura diante da minha voz trêmula e assentiu.
— Claro. Tudo isso pertence a você, Yohan, então coma o quanto quiser.
Mas eu ainda não conseguia acreditar.
— Eu… Sua Majestade realmente… para mim?
— Sim.
Meisa assentiu novamente.
— Creio que ele deu a ordem antes de entrar na reunião. Ele deve ter pensado que cair da janela foi um erro causado por tontura.
Ela me olhou e perguntou:
— Foi isso mesmo, Yohan? Você fez aquilo por engano?
Meisa parecia preocupada que eu tivesse me jogado de propósito. Respondi com firmeza:
— Foi um erro.
Eu não precisava dizer que estava tentando fugir de Hayden. Meisa suspirou aliviada e sorriu.
— Então coma tudo o que quiser, Yohan. Você não tem conseguido se alimentar direito todo esse tempo, não é? Eu não tinha falado sobre isso antes.
— Como você soube…? Mas está tudo bem, porque a Zahara traz pão todos os dias.
— Está mesmo? Você está mais magro do que antes. — Meisa inclinou a cabeça e então se virou. — Coma antes que esfrie. Prefere ficar sozinho?
Ela primeiro dispensou os servos e depois se levantou.
— Então, Yohan, coma à vontade. Conversaremos depois do jantar.
Graças à saída intencional de Meisa, fiquei sozinho com Rikal. Ainda sem acreditar, pisquei e perguntei ao gato, como se falasse comigo mesmo:
— Isso é real, Rikal?
Fiz a pergunta em voz baixa, mas o pequeno corpo se agitando em meus braços era muito vívido. Peguei o cordeiro assado, coloquei diante dele e o soltei com cuidado; Rikal começou a comer rapidamente. Tirando os olhos dele, olhei novamente para a comida à minha frente. Quando vi o pão e a sopa que tanto desejei, não consegui mais me conter. Ao levantar o pão com cuidado, percebi que era tão macio que não se comparava a nada que eu já tivesse comido. O pão mergulhado na sopa literalmente derreteu em minha boca. Fiquei sem fala por um momento com o sabor que preencheu meu paladar. O pão estava delicioso. Eu havia me esquecido disso por todo esse tempo.
Depois, não me lembro de muito. Quando dei por mim, estava tão satisfeito. Arrependi-me de não ter tido tempo de saborear melhor a refeição, mas, estando de estômago cheio, teria bons sonhos hoje. Quando eu ia dizer que havia terminado, lembrei-me de algo e agi rápido. Ao abrir a porta cautelosamente, Meisa, que esperava do lado de fora, perguntou com o rosto surpreso:
— Já terminou? Oh, querido, você mal comeu. A comida estava ruim? Quer que eu peça para fazerem de novo?
Fiquei surpreso com as palavras dela e balancei a cabeça.
— Não, estava delicioso. Estou cheio.
— Sério? Parece que você nem tocou nos pratos.
Não podia ser. Não me lembrava exatamente do que comi, mas tinha certeza de que comi algo, pois estava com muita fome.
— Talvez seja porque tem tanta comida que nem parece que diminuiu… — falei timidamente.
Meisa apenas inclinou a cabeça e ordenou que retirassem a comida sem fazer mais perguntas. Em seguida, verificou meus ferimentos, disse que faria um exame detalhado amanhã e pegou Rikal.
— Vou cuidar dele durante a noite. Venha ao consultório amanhã, tudo bem?
— Sim… Obrigado.
Despedi-me de Rikal. Senti-me aliviado ao vê-lo esfregar a cabeça no peito de Meisa, como se estivesse de bom humor. Quando fiquei sozinho de novo, tudo parecia um sonho. Será que era verdade? Tudo isso realmente aconteceu?
Quando os servos abriram todas as janelas para ventilar, o ar fresco da noite tocou minha pele. Sentindo o calafrio, percebi que não era um sonho. Subi na cama com cuidado e me deitei. Logo peguei no sono, pois o remédio que Meisa me deu estava fazendo efeito. Talvez eu não visse o Camar hoje. Fiquei triste ao pensar nisso, mas não consegui raciocinar mais nada.
***
“Frio…”
Quando abri os olhos, o ar no quarto estava gélido. Com o nariz dolorido, olhei para cima e vi a janela ainda aberta. Não senti aquele calor corporal de costume ao meu lado. Reuni coragem para me virar e vi que o lugar estava vazio. Não sabia que horas eram, mas certamente ainda estava muito escuro.
“A reunião está demorando tanto assim?”
Senti pena dele, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Pensando que a sala deveria estar aquecida para quando Asgyle voltasse, levantei-me para fechar a janela.
— Atchim!
De repente, o ar frio atingiu meu corpo e não consegui parar de espirrar. Funguei e fechei a janela. Conforme fechava as janelas uma a uma, caminhando pelo quarto espaçoso, meu corpo esfriou rapidamente e comecei a tremer. Após fechar a última, meus dentes batiam e comecei a tossir. Meu estômago também doía.
“Ah, claro.”
Lembrei-me do que havia preparado para um momento como este. Rapidamente me agachei ao lado da cama e tateei o chão. Era perto dali. Senti a textura esperada na ponta dos dedos; eu o havia colocado propositalmente em um lugar fácil de encontrar. Peguei-o com alegria e o retirei. Ao desdobrar cuidadosamente o guardanapo, um aroma fragrante subiu. Era o pão que eu tinha escondido um pouco antes da refeição ser retirada.
A casca estava um pouco dura e não tão macia quanto antes, mas quando o parti com cuidado, o miolo ainda estava úmido.
— Hehe.
Incapaz de conter o riso, dei uma mordida no pão. Delicioso. Antes eu nem sabia o que estava comendo de tanta pressa, mas agora este pão estava maravilhoso. Eu tinha três escondidos. Comeria um agora, e dois durante o dia de amanhã. No momento em que pensei nisso, percebi que só restavam migalhas em minha mão. Lambendo os dedos com pesar, olhei para o pão restante, cuidadosamente embrulhado.
“Será que como mais um…?”
Foi quando peguei um dos pães restantes. Senti uma atmosfera incomum. Lentamente, virei a cabeça diante de uma sensação estranha.
Imediatamente, fiz contato visual com Asgyle, que estava encostado no batente da porta, olhando para mim com os braços cruzados.
Subitamente, o pão que eu segurava caiu. Mas eu nem consegui pegá-lo; fiquei paralisado.
“Desde quando ele está ali?”
Eu nem percebi que estava comendo. Quando ele entrou? O que ele viu? O que ele está pensando?
A expressão de Asgyle não era diferente da habitual — o que significava que eu não conseguia ler nada nele. Meu corpo começou a tremer por um motivo diferente de antes. Desabei no chão e recuei apressadamente. Asgyle franziu a testa. Junto com o medo, veio uma surpresa aterrorizante.
O olhar dele desceu e ele finalmente abriu a boca:
— … O que é isso? Você quer comer?
Como sempre, não havia emoção na voz calma. Ao menos isso me deu algum alívio de que ele não estava furioso, mas não impediu meus tremores. Após um momento de silêncio, Asgyle descruzou os braços e entrou no quarto. Ele começou a se aproximar passo a passo. Recuei assustado, mas logo fui bloqueado pela cama.
Asgyle caminhava lentamente em minha direção. A cada passo, a cada movimento mais perto, eu me sentia mais apavorado. Independentemente da minha vontade, meu corpo tremia e meus dentes batiam. Eu tinha medo de que Asgyle ficasse bravo. Tentei dizer que não estava fazendo aquilo de propósito, mas nenhum som saiu. Minha boca entreaberta tremia impotente.
— … Uh.
De repente, senti náuseas. Vi Asgyle parar onde estava, mas o mal-estar não cessou. Acabei devolvendo o pão que tinha acabado de comer ali mesmo. Ao me ver, Asgyle murmurou algo entre dentes. Antes que eu percebesse, ele gritou:
— Chamem a Meisa!
Fiquei pálido e arregalei os olhos.
Meisa, chamada no meio da noite, estava com o cabelo desgrenhado, como de costume. Estava claro que fora arrastada enquanto dormia. Ela verificou minha condição e relatou a Asgyle:
— Parece que ele comeu demais de repente. Seria bom começar com a medicação e controlar a alimentação.
— Você não disse que ele mal tocou na comida? — A voz de Asgyle estava cheia de incredulidade.
Meisa pareceu sem graça e olhou para mim.
— Talvez o estômago dele não tenha suportado porque ele não se alimentava direito há muito tempo. Se aumentarmos a quantidade aos poucos, ele vai melhorar.
Asgyle pareceu refletir por um momento e depois disse que ela podia se retirar. Meisa deu um tapinha no meu ombro e saiu do quarto, deixando-me sozinho com Asgyle novamente. O pão que eu segurava durante o exame já havia sido levado. Tentei esticar a mão rapidamente, mas foi em vão. Fiquei desanimado e baixei a cabeça.
— … Aquele pão. — Após um tempo, Asgyle falou. Ele ainda estava parado a alguns passos de mim. — O que era aquilo? Por que você o escondeu em um lugar daqueles?
Deve ter sido a primeira vez que ele me viu olhando debaixo da cama. Respondi com dificuldade:
— Para comer depois, quando tivesse fome.
Ao ouvir minha voz, Asgyle franziu a testa.
— Posso perguntar uma coisa?
— Sim?
“Ele não está bravo?”
Quando arregalei os olhos de surpresa, Asgyle fez uma expressão que eu nunca tinha visto antes. Seu rosto se iluminou com uma mistura de absurdo e espanto.
— Ah… e eu achando que você só tinha feito aquilo uma vez…
Enquanto falava em voz baixa, ele suspirou. Sentindo-me patético, vi Asgyle abrir a boca:
— O que você e Hayden conversaram mais cedo?
Fiquei confuso com o nome. Do que ele estava falando de repente?
— Não foi nada demais… O H apenas…
Enquanto eu murmurava, a voz de Asgyle subitamente tornou-se afiada:
— H?
Foi uma reação inesperada. Gaguejei envergonhado:
— Sim, ele pediu para eu chamá-lo assim.
Houve silêncio novamente e o ar frio tornou-se ainda mais imóvel.
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho