Ler Things That Can’t Be Done (Novel) – Capítulo 02ª Parte Online


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02ª Parte

— Vamos para o lado de fora do prédio.
Seojae falou com calma e empurrou o homem em direção às escadas. O homem, mesmo com um cigarro na boca, conseguiu mostrar um rosto sorridente.
Será que era apenas o seu rosto? Enquanto desciam as escadas, ele até riu alto como se algo fosse engraçado.
— Como você chegou aqui?
Empinar o queixo parecia ser um hábito do homem. Depois de saírem da vila, o homem gesticulou em direção ao prédio com o queixo e deu uma longa tragada em seu cigarro.
— … Eu só consegui o endereço.
— De quem?
— …
— Não quer falar sobre isso?
Apenas palavras suspeitas continuavam a sair da boca do homem. O que ele faria com essa informação de qualquer maneira? Tendo recuperado o fôlego, Seojae abriu a boca como se quisesse dizer que aquela era a última vez.
— … De qualquer forma, não venha mais aqui, e…
— Quem disse?
O homem olhou para Seojae, com os olhos semicerrados. Seu tom era como se estivesse perguntando casualmente algo como “você já comeu?”.
— Então você acha que causar um escândalo como esse é normal? Antes que eu te denuncie…
O homem que estava fumando o cigarro encurtou a distância em um instante. “Estou te dando um aviso final antes de te denunciar”, era o que Seojae deveria ter dito, mas ele perdeu o momento. Sua boca se fechou abruptamente.
— Você claramente não viu o que é verdadeiramente anormal, gracinha.
O homem deu um peteleco no cigarro com uma das mãos e riu. Uma longa trilha de fumaça subiu da bituca que caiu no chão.
— Hã? Você não viu, viu?
Enquanto o homem se aproximava perguntando isso, Seojae deu um passo para trás. O homem pareceu compassar seus passos ao ritmo de recuo de Seojae, então, de repente, estendeu a mão.
— Ah, ugh!
Foi um movimento rápido. Seojae não conseguiu nem mostrar uma reação reflexa ao braço que disparou de repente. O homem agarrou um punhado do cabelo de Seojae de uma vez só. Seu rosto foi erguido para cima, e a luz do sol caiu em fragmentos sobre a face de Seojae. O homem trouxe seu rosto, que parecia estar ficando com raiva, bem na frente de Seojae. Então, em um instante, suas bocas se chocaram.
Sons como “oowp, oop” desciam pelo fundo de sua garganta. A língua do homem, que havia entrado, varreu impiedosamente a membrana mucosa dentro de sua boca. A carne dentro de sua boca foi pressionada contra seus dentes, e uma dor pungente surgiu em seu pescoço, que estava dobrado para trás. Lábios tocavam lábios e línguas se misturavam, mas não parecia algo que pudesse ser chamado de beijo. Seojae sentiu gosto de sangue, porque a carne havia sido rasgada. Os cantos de seus olhos ficaram pálidos de dor.
— Haeuk!
Quando seus lábios se separaram brevemente, dois fios de sangue escorreram dos cantos da boca de Seojae. A saliva do homem que havia preenchido sua boca pingou logo em seguida.
— Você está sangrando.
“ Como ele havia chegado em casa era um borrão.”
Por um tempo, Seojae teve que pressionar um maço de lenços de papel contra os lábios. Foi o homem quem lhe disse para fazer isso, rasgando vários lenços e entregando-os a ele. Aquilo foi mais próximo de um acidente do que de um beijo, e mais próximo de uma agressão unilateral do que de um acidente. Seojae não conseguia parar as lágrimas que continuavam a fluir. Não era porque algo fosse desesperadamente triste, mas simplesmente porque ele estava com muito medo. A única coisa que sentiu enquanto era beijado foi a percepção perfeita de que não conseguia escapar.
O homem que havia dito “você está sangrando” erguera imediatamente a mão para examinar a mandíbula de Seojae e o interior de sua boca. Cada uma de suas articulações era áspera e grande. Mesmo sangrando, Seojae teve arrepios com a sensação daqueles dedos. As lágrimas haviam começado a cair a partir daquele momento. Ele não emitiu som, apenas enxugou rudemente as lágrimas incontroláveis. O homem perguntou calmamente se ele tinha lenços de papel em casa e, como se não precisasse de uma resposta, tomou a iniciativa e dirigiu-se ao segundo andar.
— Por que você continua chorando?
Mesmo quando um pedaço do lenço que ele segurava na boca grudou no interior de seu lábio, ele não teve tempo para se preocupar com tais coisas. Seojae segurou o lenço firmemente em sua mão e balançou a cabeça. As lágrimas continuavam a cair.
Já fazia mais de 30 minutos que o homem havia entrado novamente na casa. O homem olhou ao redor da sala de estar e até deu uma olhada pela janela, mas não se dirigiu para o quarto. Em meio ao seu torpor, Seojae parou em frente à porta do quarto. Seus olhos estavam vermelhos, mas ele não fazia barulho alto.
— Ainda está sangrando? Já deveria ter parado a essa altura.
— Deixa eu ver… — o homem que se aproximou afastou facilmente a mão de Seojae, que estava firmemente fechada. O maço de lenços que estava em sua boca também foi puxado pela mão do homem.
— Parou. Tsc… quer dizer, merda, por que você teve que dar a porra de um chilique?
O homem deliberadamente arreganhou os dentes enquanto continuava a falar. Seojae havia parado de falar em algum momento. A área ao redor de sua boca estava latejando e dolorida. Importava que o sangramento tivesse parado? Por causa do medo, ele sentia que teria um ataque de pânico apenas por estar no mesmo espaço que o homem. O homem, como se tivesse a intenção de fazer isso desde o início, deitou-se de costas no meio da sala de estar. Ao fazê-lo, ele preguiçosamente trouxe os dois braços para trás da cabeça.
— Eu disse que sinto muito.
Seojae não queria provocar o homem. Embora sua boca ainda doesse, ele murmurou que entendia e, quando pareceu que suas palavras não haviam chegado ao homem, ele deu alguns passos em direção à sala de estar e disse novamente. — Eu entendo — disse ele de maneira rígida.
A casa, que tinha um leve aroma floral, agora tinha um cheiro amargo e forte pairando no ar por causa do homem. Sua garganta e seu nariz doíam por respirar de forma errada, e o interior rasgado de sua boca e seus lábios também ardiam.
— … Vem cá. Vamos conversar. Com que idade você teve o moleque?
O homem disse isso enquanto dava tapinhas no chão. — Vem cá. — Diante das palavras repetidas do homem, os pés de Seojae se moveram. Seojae caminhou, quase arrastando os pés, e cruzou a soleira que servia de limite entre a sala de estar e a cozinha. Ele foi para perto do homem deitado e curvou a cabeça.
— Trinta…
— Você tem mais de trinta? — O homem que estava deitado apoiou a cabeça com uma das mãos e virou-se de lado, como se estivesse intrigado. Seojae moveu os lábios por um momento, mas não deu uma resposta separada para aquela afirmação.
— Achei que você tivesse a minha idade. Você é bem mais velho, um hyung-nim.
— …
— Qual é o seu nome?
— … Min… Seojae.
— Ei, larga as formalidades.
O homem pareceu que diria mais alguma coisa, mas apenas encarou Seojae em silêncio. Seojae, que estava meio aéreo, olhou nos olhos do homem e, instintivamente, acenou com a cabeça.
— Senta aí.
Mais uns tapinhas no chão. Seojae, que estava paralisado por causa da tensão, lentamente dobrou o corpo. Por enquanto, o único pensamento em sua cabeça era que precisava obedecer ao homem. Independentemente daquela face indiferente, ele não sabia que tipo de comportamento impulsivo o outro poderia demonstrar a seguir.
— Nossa, hyung-nim. Você ficou tão chateado assim?
Uma lágrima caiu enquanto ele se sentava de forma desajeitada, e foi isso o que o homem disse ao vê-la. O rosto do homem estava, mais uma vez, cheio de deboche.
Na verdade, ao longo de sua vida, Seojae não havia encontrado muitos alfas. Até completar vinte anos, ele teve que se mudar entre um abrigo e a casa de um voluntário e, como frequentou uma escola comum, estava cercado apenas por pessoas que também não tinham familiaridade com dinâmicas de subgêneros. Quando ainda não se sabia que ele era um ômega, ele costumava receber confissões de garotas, mas depois que o boato se espalhou, ninguém mais lhe prestou atenção.
Uma vida entediante. Seojae outrora definira os dias que vivera dessa forma. Uma vida silenciosa, sem som. Seojae considerava suas circunstâncias — ter que manter tudo em segredo mesmo depois de se apaixonar por uma pessoa e dar à luz seu filho — como algo natural. Ser parabenizado ou amar alguém abertamente às vezes, como as outras pessoas faziam, era algo distante demais dos dias que ele havia vivido.
— Chega mais perto. Doeu?
— …
— Foi só uma brincadeirinha.
— …
— Desde que você não me enfureça, eu sou um cara decente…
— Eu…
— Já mandei largar as formalidades.
O homem franziu as sobrancelhas e ergueu os olhos. Foi como se uma faísca brilhasse em suas pupilas calmas. Seojae olhou para aqueles olhos e então balançou a cabeça.
— E o bastardo que te deu esta casa.
— …
— Você tem o número dele, não tem? Me dá.
— Não tenho…
A voz de Seojae, enquanto se forçava a falar de forma informal, soou artificial. Ao ouvi-la, o homem soltou uma risada entre os dentes. — Se for para fazer, faz direito. Qualquer um vai pensar que você está sendo obrigado.
— …
— Você está sendo obrigado?
Talvez por não haver inflexão em sua fala, aquilo soou incrivelmente ameaçador. Seojae, que ergueu a cabeça ereta, engoliu em seco e falou.
— Não.
— Né?
— É.
Seus lábios rasgados eram uma coisa, mas uma sensação latejante permanecia na parte de trás de sua cabeça também. Seojae respondeu quase mecanicamente. As lágrimas não saíam mais.
— Hyung-nim, você sabe cozinhar?
— Sei.
— Posso vir aqui para comer, não posso? Mais ou menos a esta hora.
Seojae levou a mão aos lábios terrivelmente inchados. Uma resposta mecânica não saiu para aquela pergunta.
— Por que…
— Como assim por que? Estou te falando para alimentar o seu irmãozinho.
O homem, que continuava falando calmamente, sentou-se de onde estava deitado e apontou para a televisão pendurada na parede da sala de estar.
— Essa TV é para decoração?
Era uma televisão que já estava pendurada ali desde antes de ele se mudar. Seojae realmente não assistia à televisão de qualquer forma, então não tinha prestado atenção nela. Tirá-la dali ou jogá-la fora não seria uma tarefa fácil. Mas ele também não tinha vontade de assistir o suficiente para assinar um serviço.
— Eu ainda não terminei… de organizar tudo…
— Não parece que você tem nenhuma bagagem além do moleque.
— …
— … Uau. Toda vez que o moleque é mencionado.
— …
— Você me olha como se eu fosse a porra de um bastardo.
— …
— O quê? É mais ou menos isso?
— …
— Eu não sou a porra de um bastardo, sou Choi Beomjin.
Seojae apenas encarou fixamente o rosto sorridente do homem. Ele não sabia o que seria bom dizer. Não queria estragar o humor aparentemente bom do homem. Diante do homem que agia como se estivesse brincando o tempo todo, Seojae apenas acenou com a cabeça. Era em parte porque sua boca estava arrebentada, mas também porque ele vinha sentindo o aroma do homem há algum tempo, e sua garganta doía como se estivesse sendo espetada por uma agulha. Apenas emitir um som era doloroso.
Beomjin até pediu para ser acordado. — Me acorda em 30 minutos. — Depois de dizer isso, ele realmente pegou no sono em 10 segundos. Ele é simplesmente… uma pessoa fora do comum. Seojae pensou isso enquanto limpava lentamente a umidade, os resíduos de lenço e o sangue seco de seu rosto.
Ainda assim, era uma sorte que ele tivesse pegado no sono. Seojae correu para a pia da cozinha para lavar as mãos, depois olhou uma vez para o rosto do Beomjin adormecido. Seu torso grande inflava e desinflava profundamente a cada respiração. Em termos de tempo, não havia passado muito. No momento, o tempo estava passando de forma terrivelmente lenta. Sacudindo as mãos para secá-las, Seojae abriu silenciosamente a porta do quarto e caminhou na ponta dos pés até o lado de Junhee, que havia capotado em seu sono.
Ele se sentia mal, perguntando-se se a criança teria ouvido algum daquele barulho. Seojae habilidosamente levantou o filho e o deitou sobre uma manta macia de soneca. Ele poderia se assustar se abrisse os olhos e visse o seu rosto. Com os lábios todos arrebentados, quão ridículo ele deveria parecer? Ah, Seojae tocou a própria boca e depois removeu a mão rapidamente. Havia dor mesmo com um leve toque.
Seojae cuidou de Junhee por alguns minutos e então, preocupado que Beomjin pudesse acordar nesse meio-tempo, saiu rapidamente do quarto. Não era um apartamento grande, então as pessoas apareciam e desapareciam de vista rapidamente. A pessoa chamada Beomjin parecia do tipo que nunca saberia se o que fazia era um incômodo ou outra coisa. No mínimo, se ele tivesse a consciência de que era um incômodo, não conseguiria dormir de forma tão confortável. Seojae parou em frente à soleira e encarou fixamente o rosto adormecido de Beomjin.
Quando deu cerca de 30 minutos, Seojae começou a falar, dizendo:
— Com licença.
Beomjin continuou em um sono profundo, como se não tivesse ouvido nada.
— Com licença.
— … Merda.
Vendo o rosto de Beomjin se contorcer, Seojae fechou a boca como se estivesse assustado.
— …
— Que horas são?
Beomjin ergueu uma das mãos grandes e esfregou o rosto com força.
— Já se passaram… 30 minutos.
— O quê?
Seojae, que mal havia limpado a garganta e aberto a boca, parou antes de conseguir falar mais. Mais cedo, Beomjin dissera furiosamente para ele largar as formalidades. Naquele momento, ele parecia ter falado de forma informal em meio ao torpor, mas agora estava um pouco mais composto. Sentia que enlouqueceria com o desconforto de falar informalmente com um homem que parecia um vagabundo marginal e que ele sequer conhecia direito.
Sem saber que tipo de coisa bizarra poderia sofrer a seguir, Seojae acordou Beomjin usando a fala informal.
— Falei que já se passaram 30 minutos…
Por causa de seus lábios inchados e da boca dolorida, sua pronúncia estava muito arrastada. Sua mão foi instintivamente até a bochecha.
— Merda… estou cansado para caralho.
Ele não conseguia responder a tais palavras. Seojae, que estava parado, desviou deliberadamente os olhos para outra direção.
— Vem cá.
Beomjin, que havia se sentado, gesticulou com os olhos para Seojae, que estava olhando para a janela.
— Já mandei vir aqui.
Beomjin detestava situações em que tinha que dizer as coisas duas ou três vezes. Esse sentimento se revelava em seu rosto, que se contraía gradualmente.
— Uh…
Como respondeu com a boca quase fechada, a voz de Seojae saiu trêmula.
Beomjin olhou para Seojae, que havia dado alguns passos para mais perto, e então se virou de volta para olhar para a parede. Revelando seus ombros largos e as costas, ele segurou a nuca com a mão.
— Me dá uma massagem.
— Hã?
— Falei para me dar uma massagem, porra. Vai continuar me fazendo falar a mesma coisa de novo?
Diante da voz que se ergueu de repente, Seojae estendeu primeiro as duas mãos. Ele encurtou a distância com Beomjin, que havia começado a estalar o pescoço de um lado para o outro, e colocou ambas as mãos em seus ombros.
— É. Aí mesmo.
Conforme ele começou a amassar a região de forma desajeitada, Beomjin rapidamente demonstrou uma reação de satisfação. Seojae respirou fundo e expirou o mais devagar possível. Ele colocou o máximo de força que pôde nas mãos e massageou os músculos rígidos do trapézio de Beomjin.
Toda vez que tocava os ombros com as mãos, a tatuagem escondida por dentro da gola da camisa se revelava um pouco de cada vez.
Como Beomjin havia desabotoado três ou quatro botões, Seojae tocava mais a pele nua. Suas omoplatas também estavam cheias de desenhos pretos. Provavelmente não era uma sensação muito boa, mas Beomjin agia como se fosse, soltando um “nimi”.
— A habilidade com as mãos é mais ou menos, mas é bom.
— …
Beomjin, tendo dito isso, ergueu a mão e a acenou levemente. Era provavelmente um sinal para parar agora. Seojae, que estava massageando os ombros dele, rapidamente afastou as mãos diante daquele gesto. Beomjin, que se virou uma vez para olhar para Seojae, deu outro sorriso indecifrável. Ele riu consigo mesmo, depois se levantou e checou o telefone.
Beomjin, que abotoou os botões da camisa que haviam sido desfeitos o suficiente para revelar a tatuagem em seu peito, passou a mão pelo cabelo curto.
— Me passa um espelho. — E ele fez Seojae segurar o espelho na sua frente.
Como Beomjin estava olhando para si mesmo no espelho, Seojae não teve escolha a não ser olhar silenciosamente para aquele rosto também.
O que mais chamava a atenção era a cicatriz, e parecia que uma faca comum não seria capaz de deixar uma marca tão irregular.
Seojae olhou sem propósito para a testa fria de Beomjin, o nariz alto e os lábios moderadamente finos. As sobrancelhas acima de seu osso frontal particularmente proeminente pareciam ter uma textura grossa.
— Você é obediente.
— …
— Agora vai guardar isso.
Ele devia estar se referindo a guardar o espelho. Por causa do dialeto e do sotaque peculiar de Beomjin, Seojae vinha compreendendo suas palavras com um tempo de atraso desde um tempo atrás. Havia um aspecto estranho naquilo que tornava difícil dizer exatamente de qual região era aquele dialeto. Ele usava uma forma de falar que parecia ser uma mistura de vários lugares.
— Mas hyung-nim.
— …
— Talvez seja porque os seus lábios estão inchados. Você parece um pato.
Seojae ficou sem saber se ria ou se chorava. Ele ficou parado segurando o espelho, então, de forma desajeitada, ergueu os cantos da boca.
— Existem, sabe, aqueles patos bonitinhos.
Beomjin disse isso e riu como se fosse engraçado.
Seojae não achou graça e apenas as pontas de seus lábios tremeram. Por causa do ferimento dentro de sua boca, ele não conseguia mover a boca como queria.
Beomjin, que ligou o telefone dizendo que encontraria aquele pato, mudou de expressão em menos de alguns segundos.
— Caramba… esse filho da puta — disse ele.
Seojae, que estava parado na soleira, ouviu aquilo e engoliu a saliva. Beomjin, que estava até arrumando o cabelo como se estivesse prestes a sair, agora agia como se algo tivesse acontecido; como aquilo poderia ser um bom sinal? Preocupado que pudesse ser pego no fogo cruzado, Seojae não conseguiu esconder seu coração tenso. A força sumiu de suas mãos e ele acabou deixando cair o espelho que segurava. Conforme o som de “estlaque” ecoou, os olhos de Beomjin pousaram instantaneamente nele. Era um rosto feroz.
— Tsc… que barulheira.
— Desculpa.
Seojae pediu desculpas e juntou o espelho. Ele foi para a cozinha para colocar o espelho recolhido sobre a mesa de jantar.
Naquele intervalo, Beomjin, que havia se levantado, cruzou a sala de estar, projetando uma grande sombra.
Ele pausou por um momento na cozinha e, quando Seojae olhou para trás, ele disse:
— Estou indo.
Seojae, que respondeu um “tá” em um tom informal que nem sequer era familiar para sua boca, observou silenciosamente Beomjin enquanto ele abria a boca na porta da frente.
— Não tenho tempo hoje.
— …
— Vou brincar bastante com você amanhã.
Ele não podia nem afirmar nem negar aquela declaração. Beomjin não parecia ter a menor intenção de ouvir uma resposta, para começo de conversa. Ele enfiou os pés em seus sapatos sociais como se os estivesse forçando a entrar e bateu as pontas dos pés contra a parede algumas vezes, como se estivesse calçando tênis. Pareciam sapatos sociais novos que ainda não haviam sido amaciados.

* Beomjin veio à casa onde Seojae morava no dia seguinte também.
Preocupado que ele causasse outro escândalo, Seojae abriu a porta e os dois fizeram uma refeição juntos. Eles dividiram duas marmitas que Beomjin havia comprado.
A criança no quarto já havia comido, e Seojae também não estava com fome, pois tinha comido junto com o filho.
No entanto, ele não podia dizer que não comeria com Beomjin ali na sua frente, então apenas comeu.
Depois que Beomjin foi embora, ele teve uma indigestão. Por volta da noite, seu estômago ficou tão ruim que ele suspeitou que algo tivesse sido colocado na comida. Nada estava saindo, pois já havia sido digerido, mas ele continuava sentindo náuseas. Seojae acendeu a luz do banheiro e ficou se segurando no vaso sanitário. Ele havia ouvido várias histórias enquanto comia com Beomjin, e o que se lembrava mesmo naquele momento era a idade dele. Mesmo enquanto tinha ânsias de vômito secas, Seojae sentiu uma onda de indignação. Beomjin tinha apenas vinte e quatro anos. Ele não era uma pessoa sensível em relação à idade, mas, mesmo assim, estava com raiva da idade de Beomjin, que agia como se estivesse brincando com ele.
Ele se perguntou se algo estranho teria sido colocado na marmita.
Seojae sentiu nojo até mesmo dos palavrões que ouvira de Beomjin, e agarrou o vaso sanitário novamente.
Apenas um tempo assim se passou.

— Originalmente, eu não sei bem a diferença entre um ômega ou qualquer outra coisa.
— … É.
— Mas hyung-nim, eu soube assim que te vi.
— É.
Seojae, que segurava os palitinhos, acenou com a cabeça. Por vários dias, Beomjin vinha e voltava daquela casa para fazer uma refeição. Como ele não estava mais comprando aquelas marmitas estranhas, Seojae pensou que era um alívio comer daquele jeito. Com suas habilidades culinárias inexistentes, ele preparava o que estivesse na geladeira e punha a mesa. O que estava na mesa hoje era uma sopa de broto de feijão insossa, um ovo frito que estava quase completamente queimado de um lado e presunto grelhado. Beomjin parecia não se importar com o quão terrível a comida estava.
— Hyung-nim.
— O quê?
— Estou perguntando se você já viu alfas com frequência.
— Não vi muitos.
— Ainda assim, você conseguiu ter um filho e fazer tudo o que precisava fazer.
Beomjin gostava de direcionar a conversa para um rumo estranho, arrumando briga ou o importunando de forma infantil. Seojae, que sabia desde o início que terminaria daquele jeito, não respondeu e pegou uma colherada de arroz.
— E o pai do moleque, vocês são casados?
Parecia uma pergunta casual, mas Beomjin o encarava fixamente.
— … Não. Não somos casados.
— Então é algo que o pai do moleque nem sabe?
Seojae pôde ver a expressão de Beomjin se tornando sinistra.
— … Nós apenas não registramos.
Beomjin, que acenou com a cabeça e soltou um estalo com a língua, não estava perguntando aquelas coisas por curiosidade, para começo de conversa.
Ele estava lançando aquelas perguntas puramente para provocar a vergonha do outro.
Não é sempre que as pessoas dizem coisas como “ômega” ou “alfa” na cara de alguém.
Se não são próximas, é mais comum que as pessoas falem com mais cortesia. Seojae naturalmente sentia uma sensação de repulsa por ter que manter aquele tipo de conversa enquanto comia sozinho com um homem tão desconfortável e relutante. Ele não queria responder, mas era agonizante ver o rosto insidioso de Beomjin toda vez que o fazia.
— O que você está pensando?
— Hã?
— O quê? É porque eu disse ômega ou algo assim para o hyung-nim?
— … Não.
— É uma merda porque eu continuo perguntando sobre você ter um filho?
Beomjin, que de repente endureceu a expressão, até abaixou a voz enquanto falava.
— … Não.
— Então não estraga o meu apetite…
Mesmo que as palavras tivessem sido ditas como se não fossem nada, algo como uma faísca brilhou em seus olhos. Aquilo era um olhar mortal? Seojae ficou tão perplexo que apenas pensamentos absurdos lhe vinham à mente.
Beomjin frequentemente ria e brincava sozinho, mas então, de repente, assumia uma expressão assassina. O interior de sua boca que fora ferido há poucos dias estava quase curado, mas sua mente ainda não estava calma. A ansiedade tomava conta, preocupado com o que Beomjin poderia fazer.
Enquanto apenas fingia comer daquela forma, seus pensamentos estavam constantemente em outro lugar.
Por que ele continuava vindo àquela casa? Se fosse uma ou duas vezes, ele deixaria passar, mas já fazia vários dias. Seojae, enlouquecido por tais pensamentos, firmou sua resolução de procurar um abrigo para onde pudesse ir com Junhee. Deve ter sido um erro desde o início decidir vir para aquele bairro onde não tinha conexões e apenas tentar viver. Ele tinha vindo porque havia uma casa onde poderia morar imediatamente. Mas mesmo que houvesse uma casa, não podia ser aquela. Seria muito mais seguro morar no meio da Estação de Seul.
Um bairro sombrio. Ele ainda não vira nenhuma pessoa. O supermercado mais próximo estava prestes a fechar e, se quisesse ir a qualquer lugar e tentasse chamar um táxi, tinha que esperar do lado de fora por dezenas de minutos. Curioso sobre essas coisas, ele queria perguntar a Beomjin, que parecia ser um morador local, mas eles não eram próximos o suficiente para fazer uma pergunta tão natural.
Depois de terminar a refeição, Beomjin foi ao banheiro e escovou os sapatos — não, escovou os dentes.
Ontem, Beomjin, que perguntara se ele tinha uma escova de dentes extra, abrira uma nova e começara a escovar os dentes também.
Mesmo pensando que ele realmente estava fazendo todo tipo de coisa abusiva, Seojae não conseguia nem abrir a boca para dizer. Era porque a força do aperto do dia em que seu cabelo fora agarrado permanecia como um pós-imagem e não saía de sua mente. Além disso, ele também tinha medo de ser espancado.
Ele chegava a sentir que, se pudesse terminar tudo com apenas um golpe, preferiria ser agredido. Seojae olhou para as costas do homem de físico enorme e imaginou qual parte de seu corpo seria reduzida a pó. Era o quanto ele odiava o homem estar naquela casa. O homem certamente faria alguma idiotice com a criança também se a situação surgisse.
Embora não o conhecesse há muito tempo, ele tinha essa convicção. No início, pensou que o homem arrumaria algumas brigas e depois pararia. Mesmo que ele gritasse “ei, ei”, assobiasse e xingasse o quanto quisesse perto da vila. Pensou que ele faria aquilo e pararia. No entanto, ele veio até a casa e, quando disse que não podia, de repente o beijou, e até pediu para dormir ali. Desde então, ele visitava consistentemente a casa por volta da hora do almoço e, ontem e hoje, estava até escovando os dentes.
Seojae, enquanto se sentava em uma cadeira de jantar, pensou que a influência de Beomjin não devia chegar a Junhee.
Uma coisa dessas nunca deve acontecer…
— O que… o que você está fazendo?!
Seojae, que erguera a cabeça após ouvir o som de Beomjin saindo com passos pesados depois de escovar os dentes, alterou a voz quase pela primeira vez.
— Por quê?
— Me dá… Me dá ele aqui… Não faz isso.
— O que eu fiz? Não é verdade?
Junhee estava sendo segurado em seus braços grandes. Os olhos de Beomjin, olhando para Seojae que se aproximava rapidamente, ficaram gélidos em um instante. Então, como se para provocá-lo, ele abraçou a criança ainda mais forte. Inclinar a cabeça e perguntar “não é verdade?” foi um bônus adicionado.
— Me dá ele aqui… Não faz isso.
— Não. Hyung-nim. O que foi que eu fiz?
Beomjin, com um dos cantos da boca erguido, perguntou com uma risada vazia.
— Fazer isso com um bebê é…
— Não, eu já te falei que não fiz nada.
Seojae estendeu a mão com o rosto pálido. Quanto mais Beomjin erguia Junhee no alto, mais pálidos seus lábios ficavam. Apesar disso, Seojae não conseguia erguer a voz e advertia Beomjin quase em um murmúrio. Se ele aumentasse o tom desnecessariamente, a criança só ficaria com mais medo. Seojae, que falara calmamente várias vezes, forçou um sorriso em direção a Junhee, que subia como se sua cabeça fosse tocar o teto e depois descia.
— Para. Já chega disso agora. Me dá ele aqui.
— O moleque está gostando. Por quê?
— … Não. Ele tem medo de coisas assim. Não levanta ele, não alto.
— Você está ficando bem falador.
Seojae, que finalmente estendeu a mão profundamente em direção a Beomjin, pegou Junhee em seus braços. Fora um curto período de tempo, mas gotículas de suor haviam se formado em sua testa. Seojae, segurando Junhee com o pescoço corado, afastou-se rapidamente de Beomjin. Feliz ou infelizmente, Junhee mostrava um rosto sorridente em direção a Beomjin.
— Ele gosta — Beomjin disse, olhando para o rosto de Junhee. Seojae também pensou que era um alívio que Junhee não estivesse assustado. Dos três, o que mais havia tremido de medo era ele mesmo.
Beomjin, que se aproximara com passos largos, inclinou o tronco e abriu a boca.
— Então eu não deveria fazer isso?
— Não faça. Nunca faça.
— Então você tem que me dar algo também.
— …
— Eu nunca mais encosto no moleque.
— …
— Que tal você me dar um beijo?
Seojae olhou para o lado enquanto segurava Junhee nos braços. Beomjin, que chegara até a frente da sapateira, sorria enquanto balançava o tronco.
— Se não for fazer, então eu também não vou te escutar, hyung-nim.
— …
Beomjin parecia achar divertido infligir vergonha daquela maneira. Seojae, que olhou para frente novamente, pressionou a cabeça da criança mais fundo em seus braços. Com a porta da frente logo ali, o pensamento “não seria bom se Beomjin abrisse aquela porta e fosse embora?” cruzou sua mente brevemente. Quem tem os bolinhos de arroz nem está pensando em dá-los. Seojae suspirou, olhando para Beomjin lambendo os lábios com a língua. A mão que estava na cabeça da criança se apertou.
— Então, deixa o bebê no quarto…
— O quê? Podemos fazer isso agora mesmo.
— …
— Você não vai fazer?
— … Não. Eu entendo.
Conforme Seojae demonstrou seu consentimento, Beomjin aproximou o rosto como se estivesse esperando. Ele sentiu uma massa espessa empurrando através de seus lábios que logo se tocariam. Seojae franziu o cenho por causa de Beomjin, que apenas empurrou a língua para dentro e permaneceu imóvel. Ele olhou nos olhos de Beomjin enquanto segurava a criança. Beomjin também não fechou os olhos e olhava para Seojae de cima. Beomjin, que apenas abaixara a cabeça e esticara a língua, estava esperando que Seojae o beijasse. Seojae relembrou o que Beomjin dissera no início. Ele estava frustrado pelo desejo luxurioso de Beomjin de esperar que ele fizesse a ação, mas, no fim, o pensamento de que precisava terminar aquela situação rapidamente tomou conta. Seojae moveu a língua, tocando a língua de Beomjin e vários lugares dentro de sua boca. O som de massas de carne, cobertas de saliva, tocando-se e separando-se espalhou-se pelo ar. A nuca de Seojae, que beijava apenas com a cabeça virada para o lado, ficou vermelha.
Daquele jeito.
Muito mais tempo se passou do que ele esperava. Seojae não conseguiu esconder seu constrangimento diante do fato de que estivera beijando por vários minutos, um beijo que ele pensou que duraria dez segundos no máximo. Ele tentara afastar a boca várias vezes mesmo enquanto beijava. No entanto, Beomjin segurava sua cintura e não o soltava, e ele não conseguia resistir ferozmente por medo de que, se não beijasse novamente, tudo o que fizera até ali seria em vão. Ele também não conseguia se mover por causa da criança em seus braços.
Como fora Beomjin quem apenas colocara a língua para dentro e ficara parado, Seojae liderara no início, mas, com o passar do tempo, ele acabou sendo jogado de um lado para o outro pela língua de Beomjin. A língua quente e poderosa lambia cada canto de sua boca impiedosamente; a expressão “revirar” parecia perfeita. Claro que não era tão bruto quanto o beijo em frente à vila, mas… Pensando até ali, Seojae fechou os olhos com força. Se era bruto ou não, não era da sua conta.
— Você é ruim pra caralho nisso.
Beomjin é exatamente esse tipo de pessoa. Assim que o beijo terminou, ele falou asperamente e caminhou até a sala de estar. Seojae, que segurava Junhee, virou-se completamente e lançou seu olhar em direção à porta da frente. “Você viveu sua vida completamente em vão.” Ele ouviu tais palavras também. Se olhasse para a sala de estar, veria o outro olhando e tocando vários lugares dentro da casa como se estivesse vagando por seu próprio lar novamente. Seojae não queria se virar. Ele apenas limpou os lábios brilhantes com uma das mangas.
— Hyung-nim, o que você está fazendo aí parado?

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello

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SINOPSE:
Conheci aquele homem em um bairro sombrio e deprimente.
Um homem que vivia despejando palavrões a qualquer hora do dia e que até invadia a minha casa.
Após a morte do meu companheiro, tudo o que me restou foi o filho que tivemos juntos. Foi por causa dessa criança que acabei indo para um lugar desconhecido, mas a minha vida, que já era instável, virou completamente de cabeça para baixo depois que conheci aquele homem.
— Quero que você chupe isso para mim.
Aquele homem não tinha vergonha, nem consciência, nem sequer o mínimo de decência.
O que se pode fazer com um homem assim?
Há coisas que simplesmente não podem ser feitas.
E, com esse homem, existem coisas demais que não podem ser feitas.
Nome alternativo: Something I Couldnt Do Things I Cant Do Cosas Que No Puedo Hacer

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