Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 146 Online


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Capítulo 146

Diante do nome do filho surgindo de forma tão abrupta, Ashley Miller franziu o cenho. Mesmo sob aquele olhar que parecia questionar de onde vinha tamanha imprevisibilidade, Cassian deu sequência à fonação de maneira fluida e natural:
— É que me veio à memória ao ver o senhor depois de tanto tempo. O Bliss também deve estar bem crescido a essa altura.
Mentindo descaradamente, já que o garoto estava muito bem protegido em seu próprio castelo, Cassian manteve a pose. Ashley Miller guardou um breve intervalo antes de responder:
— Ele tem passado bem. Agradeço por perguntar.
Diante daquela resposta puramente protocolar, Cassian manteve o sorriso intocado e limitou-se a dizer um “compreendo”.
— A essa altura o Bliss já deve ter alcançado a maioridade, eu gostaria muito de encontrá-lo uma vez. Também tenho curiosidade em saber que tipo de pessoa é o noivo dele.
Embora tivesse acrescentado o comentário em tom de brincadeira, Ashley não sorriu. Pelo contrário, aprofundou ainda mais o vinco entre as sobrancelhas enquanto fixava os olhos no rosto de Cassian, abrindo a boca de forma lenta, muito compassada:
— …Como assim, noivo?
Uuung.
Bliss soltou um resmungo manhoso, feito um cachorrinho doente, e virou-se para o outro lado da cama. Desde que Cassian tivera a ousadia de fugir, ele vinha aguardando incansavelmente pelo retorno daquele cafajeste covarde. No fundo, temia não conseguir suportar esse longo período de tempo sem saber quando terminaria, mas, surpreendentemente, a espera não se mostrou tão difícil. O motivo era simples: o sono o havia dominado por completo.
“…Estou com sono de novo.”
Faziam apenas poucos instantes desde que havia despertado, mas seus olhos já insistiam em se fechar. Tanto ontem quanto hoje, sua rotina resumia-se a um ciclo repetitivo de comer, esmurrar o travesseiro, dormir, comer de novo, chutar o travesseiro, voltar a dormir e comer mais uma vez.
“Acho que peguei um resfriado.”
A julgar pela febre persistente e por essa moleza constante no corpo, com certeza era um resfriado. Embora não soubesse o que era ficar doente desde a infância, ele não tinha dúvidas.
— Quer que eu chame um médico? Ou pelo menos um medicamento? — perguntou Penelope demonstrando profunda preocupação, mas Bliss recusou de forma categórica.
Ele não podia se curar agora. Tinha que fazer questão de mostrar a Cassian o quanto estava sofrendo e debilitado. É claro que tudo aquilo poderia ser uma tremenda bobagem. A febre branda talvez fosse apenas uma impressão de sua cabeça e o sono excessivo, mera preguiça.
“Se não for um resfriado, eu farei virar um.”
Bliss firmou o propósito com severidade. Ele faria Cassian se arrepender amargamente. Aquele homem teria que pagar um preço alto por ousar deixá-lo para trás e fugir.
“Para isso, a minha temperatura precisa subir mais…”
Pegando no sono repetidas vezes enquanto cochilava de forma persistente, uma dúvida de repente cruzou sua mente. Qual era mesmo a temperatura do corpo humano? A quantos graus a água fervia?
— Zepeto, a quantos graus a água ferve?
Diante da pergunta feita com a voz totalmente debilitada, a inteligência artificial respondeu com sua fonação mecânica:
— A água ferve a 100°C, mestre.
“Então a temperatura de uma pessoa deve ser de uns 50°C.” Chegando a essa conclusão por conta própria, Bliss voltou a questionar:
— E o que eu preciso fazer para elevar a temperatura do meu corpo até os 70°C?
A IA respondeu de forma imediata e cristalina:
— Basta passar pelo processo de cremação, mestre. A temperatura interna de um crematório costuma variar entre 800°C e 1.000°C, portanto, no instante em que adentrar o recinto, será possível elevar a sua temperatura corporal até a meta de 70°C…
“Esse infeliz enlouqueceu?!” Tomado por uma onda súbita de indignação, Bliss levantou o corpo num salto na mesma hora.
— Mas aí eu morro, sua IA estúpida!
— Mas de qualquer forma atingiria os 70°C, não atingiria?
— Cale a boca! Fique em silêncio a partir de agora!
— Sim, mestre.
— Eu disse para não falar nada!
Bliss esbravejou alto, oprimindo a inteligência artificial. Encarando o celular que finalmente havia emudecido enquanto bufava de raiva, ele logo perdeu as forças, soltou um suspiro exausto e desabou de costas na cama. Ao fechar os olhos, a feição de Cassian surgiu em sua mente.
“Quando é que aquele desgraçado vai voltar?”
Bliss franziu o cenho imerso em pensamentos.
“Espere só até você colocar os pés aqui, vou cravar este punho bem no meio da sua cara…!”
Ele cerrou o punho com força mesmo mantendo os olhos fechados. No entanto, o sono voltou a golpear sua mente com tanta intensidade que seus pensamentos começaram a se fragmentar.
“Não me diga que… ele está com tanto medo de mim que resolveu não voltar mais…?”
A tensão em seus dedos foi se esvaindo lentamente e, tendo formulado aquela última conjectura, Bliss capotou completamente em um sono pesado.
— Seja bem-vindo, Conde.
No semblante da governanta que recepcionava o mestre tarde da noite, não havia o menor vestígio de cansaço. Mantendo a postura impecável e ereta em suas vestes perfeitamente alinhadas como de costume, Penelope curvou-se levemente diante de Cassian assim que ele desembarcou do veículo, antes de restabelecer o contato visual.
— O senhor deve estar exausto. Conseguiu concluir os seus afazeres com êxito?
— Mais ou menos.
Diante da saudação habitual, Cassian respondeu de forma quase displicente, enquanto erguia os olhos com uma expressão ansiosa em direção à janela do quarto de Bliss.
— E o Bliss?
— Está dormindo.
— Entendi.
Cassian começou a caminhar em direção ao interior do castelo enquanto mergulhava em um breve dilema. Ele havia ponderado sobre inúmeros fatores durante todo o trajeto de volta, mas não tinha parado para refletir de forma profunda sobre aquela situação prática em específico. Decidir se deveria ou não despertar o adormecido Bliss para conversar era um detalhe insignificante se comparado aos assuntos de grande escala que precisavam ser debatidos a partir de agora, mas colocar aquilo em execução era outra história. No momento em que se deparava com a ação real, todas as palavras que havia planejado pareciam perder o sentido.
“Já passou tanto da hora assim?”
Ao checar o relógio, constatou que a meia-noite já se aproximava. Parado exatamente em frente aos aposentos de Bliss, ele soltou um suspiro profundo e sufocado, quando Penelope, que vinha seguindo seus passos de forma diligente, avaliou o semblante do mestre e abriu a boca com cautela:
— Bem… Conde. O estado de saúde do Bliss não parece muito bom ultimamente.
A mão que massageava a testa estancou no mesmo instante.
— O que quer dizer com isso? O Bliss está doente?
Ouvindo o tom de voz subitamente ríspido, Penelope assentiu com uma feição preocupada:
— Sim. Desde o dia seguinte à partida do senhor para a viagem de negócios, ele vem apresentando uma febre branda constante. Ele cai no sono a qualquer momento; hoje mesmo, passou o dia inteiro comendo e dormindo, comia um pouco e, quando eu ia checar o quarto instantes depois, ele já tinha pegado no sono novamente…
— E o médico? Por que não chamou o médico da família?
Como Cassian a interrompeu de forma intempestiva, Penelope abaixou a cabeça demonstrando embaraço:
— O problema é que o Bliss demonstrou uma resistência implacável, recusando terminantemente tanto a presença do médico quanto qualquer tipo de medicação…
“Você deveria ter ignorado as birras de uma criança e agido com firmeza”, Cassian sentiu vontade de retrucar, mas logo abandonou a ideia. Afinal, quem no mundo seria capaz de conter as vontades de Bliss?
Tratava-se do mesmo garoto que vinha vivendo escondido ali, sendo perfeitamente capaz de enganar até mesmo Ashley Miller.
Com esse pensamento, as ponderações que vinham martelando sua mente voltaram a preencher cada espaço de seu cérebro. Tendo segurado a maçaneta da porta de forma impulsiva, ele hesitou e não chegou a abri-la.
“É tarde demais.”
Cassian recorreu à paciência para acalmar os próprios impulsos. Havia tempo de sobra. Seria perfeitamente viável tratar de tudo assim que o dia amanhecesse.
“…É verdade, não há necessidade de despertar o garoto no meio de seu sono para ter esse tipo de conversa.”
Assim que conseguiu firmar essa convicção, a força em seus dedos se esvaiu naturalmente. Deixando o braço pender ao longo do corpo, ele fitou a porta fechada do quarto de Bliss e pronunciou:
— Bom trabalho, Penelope. Não precisa se dar ao trabalho de me servir mais nada, pode recolher-se aos seus aposentos e descansar.
— …Sim, Conde.
Penelope hesitou por um breve instante, mas não prolongou a situação e acatou a ordem do mestre. Após dispensar a leal governanta, Cassian também girou o corpo e seguiu em direção aos seus próprios aposentos. Aquela noite também prometia ser extremamente longa. Como de costume, ele seria incapaz de conciliar o sono. “Mas está tudo bem”, ponderou ele ao abrir a porta do quarto.
“Amanhã tudo estará devidamente resolvido.”
Deslocando-se a passos pesados e exaustos pelo quarto, ele retirou o sobretudo e o acomodou sobre o encosto da cadeira. Em seguida, desfez-se do paletó do terno e da gravata, depositando-os no mesmo local, e rumou em direção ao banheiro. Embora tenha se submetido a uma ducha de água fria, a turbulência em sua mente não apresentou melhora significativa.
“Como assim, noivo?”
A feição contraída de Ashley Miller ressurgiu com total nitidez em sua memória. O homem o havia encarado como se estivesse diante da maior absurdidade do mundo. Diante daquela reação de Ashley Miller, Cassian agira de imediato com total jogo de cintura para contornar o imprevisto:
“Imaginei que houvesse alguém que o senhor já tivesse em vista para ser o par de Bliss. Peço desculpas caso eu tenha me precipitado em minhas suposições.”
“Esse tipo de conduta é restrito a aristocratas de mentalidade retrógrada. Meus filhos têm total autonomia para escolher os próprios parceiros.”
Ashley Miller desferira uma alfinetada óbvia e sarcástica contra Cassian. Mesmo diante daquela atmosfera que beirava o desagradável, Cassian mantivera o sorriso intacto ao rebater:
“Comungo da mesma opinião. Passar a vida inteira ao lado de alguém selecionado pelos pais com base puramente em interesses dinásticos e familiares é um conceito totalmente arcaico.”
Em seguida, ele acrescentara com total sinceridade:
“É uma grata satisfação constatar que o Sr. Miller e eu compartilhamos do mesmo alinhamento de pensamento.”
Aquilo resumia a totalidade do diálogo que haviam mantido. Aquele encontro com Ashley Miller havia sido extremamente proveitoso. Ele havia obtido vantagens não apenas no âmbito das negociações políticas, mas também informações cruciais a respeito de Bliss.
“O fato de o Bliss ter um noivo era apenas uma mentira.”
A constatação de suas suspeitas trouxe consigo uma pontada de alívio. No entanto, aquilo não significava o desaparecimento de todas as suas incógnitas. “Se esse é o caso, quem diacho era aquele sujeito peludo?”
Considerando que ele não era o noivo, o fato de ter se dado ao trabalho de vir até aqui tornava a situação ainda mais bizarra. Além disso, a conduta de Bliss também se mostrava totalmente incompreensível.
“Como esperado, a resposta para todas as incógnitas está com a capivara.”
Cassian soltou um suspiro amargo, fechou o registro do chuveiro e vestiu o roupão de banho. Sem o menor ânimo para secar os cabelos molhados, ele retornou diretamente para o quarto e seguiu em direção à cama com o intuito de repousar o corpo exausto. Embora soubesse que o sono não viria, pelo menos o físico poderia desfrutar de um descanso.
Contudo, Cassian foi incapaz de se deitar. O motivo era simples: já havia alguém ocupando o leito antes dele.
Rrrr-póóó… Rrrr-póóó… Rrrr-póóó…
Diante da silhueta daquela capivara que roncava de forma estridente, totalmente espalhada na cama com os braços e pernas abertos ocupando todo o espaço, Cassian emedeceu por completo e limitou-se a estancar no lugar, totalmente paralisado.

 

 

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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