Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 145 Online


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Capítulo 145

Haaak. Haaak. Haaak. Haaak.
Bliss estava parado em frente à porta de comunicação, inspirando e expirando profundamente. O sol já havia se posto e a escuridão tinha tomado conta do mundo há um bom tempo. Mas não havia problema. Cassian com certeza estaria acordado.
“Logo ele, que nem consegue dormir sem mim.”
Embora seus olhos tivessem se estreitado em fúria por um instante, ele logo mudou de atitude e respirou fundo mais uma vez. Pensando bem, aquilo era até positivo. Se ele não vinha dormindo bem nesses últimos dias, devia estar ainda mais sensível e vulnerável.
“Vou pegá-lo de surpresa de uma vez.”
— Uuuf.
Após soltar o ar mais uma vez, ele finalmente tomou coragem, firmou o propósito e segurou a maçaneta da porta. “Espere, Cassian. Estou indo!”
Era preciso agir antes que o coração vacilasse. Bliss escancarou a porta num baque e correu, atravessando a sala de estar a passos largos e barulhentos. Por fim, ele agarrou a porta que dava para o quarto de Cassian, abrindo-a com força enquanto gritava:
— Cassian! Vamos dormir!
Acompanhando o grito retumbante, ele saltou em direção à cama sem hesitar. Ele havia imaginado a cena de Cassian sobressaltando-se e levantando-se da cama assustado com a visita abrupta, mas…
“Ué?”
Havia algo estranho. Ele havia se preparado psicologicamente para o impacto, sabendo que colidir contra o corpo rígido de Cassian seria consideravelmente doloroso, mas a realidade foi totalmente diferente. “Está macio demais…?” Confuso, Bliss ergueu a cabeça e seus olhos se arregalaram. Não havia ninguém sobre a cama.
— O que significa isso?
Tomado pelo pânico, Bliss levantou-se num salto e gritou. Ele correu os olhos ao redor, mas a silhueta de Cassian não podia ser vista em lugar nenhum. “Será que está tomando banho?” Ele pulou da cama num piscar de olhos e correu em direção ao banheiro. “Ótimo, vamos começar tomando banho juntos.”
— Cassian, eu também vou banh…
Abrindo a porta num baque cheio de certeza, ele acabou estancando no lugar mais uma vez. Diante do espaço completamente vazio, Bliss piscou os olhos algumas vezes antes de balançar a cabeça freneticamente. Ele checou novamente, mas a realidade permanecia inalterada.
— Cassian? Cassian, onde você está escondido?
Incapaz de acreditar naquela situação, ele começou a vasculhar cada canto enquanto chamava pelo nome do outro insistentemente. Ele procurou na sala de banho, na sauna, dentro da banheira e chegou ao ponto de abrir até o armário de toalhas antes de finalmente aceitar a difícil realidade.
O fato de que Cassian não estava em lugar nenhum.
Havia apenas uma pessoa capaz de lhe dar uma resposta sobre aquilo. E Bliss não hesitou em berrar o nome dela a plenos pulmões:
— Penelopeee!
— O Conde saiu em viagem de negócios.
No meio da noite, ver Bliss invadir repentinamente os aposentos da governanta com a respiração arfante deixou Penélope completamente atônita. Assim que ela finalmente conseguiu dar a resposta, Bliss soltou um grito ainda mais estridente de pura indignação:
— Viiaageeem de negóóóciooos?! Quando?!
Proferindo aquela palavra inacreditável de forma arrastada, ele emendou o questionamento. Como a feição do garoto denunciava claramente que ele estava furioso, Penélope limitou-se a ajustar sua touca de dormir antes de responder:
— Foi hoje à tarde. Ele mencionou que a viagem levaria cerca de dois ou três dias.
“Aquele desgraçado… me rejeitou e resolveu fugir?!”
Arf, arf. Vendo-o bufar e respirar de forma pesada, Penélope perguntou novamente com um semblante preocupado:
— Bliss, você está bem? O que aconteceu, afinal?
Como ela não fazia a menor ideia do contexto, limitou-se a lançar a pergunta, mas Bliss devolveu com outro questionamento em vez de responder:
— Para onde ele foi?
Penelope exibiu uma expressão embaraçada e hesitou antes de falar:
— Bem… ele não chegou a me dar detalhes sobre isso…
“Ele fugiu, aquele maldito!”
Penélope lançou um olhar rápido para os dois punhos de Bliss, que estavam cerrados com força devido à raiva, antes de fixar os olhos no rosto do garoto novamente.
— Bliss, o que houve? Me conte, quem sabe eu não posso te ajudar.
Ao se deparar com aquele rosto idoso e marcado por rugas de pura preocupação, o coração de Bliss balançou. Penelope não tinha culpa de nada. Ela estava apenas cumprindo o seu papel como uma governanta leal, não era?
“O errado é aquele sujeito.”
Ufa. Bliss respirou fundo e começou a falar com um tom de voz muito mais brando:
— Eu tinha um assunto para tratar com aquele sujeito… quer dizer, com o Conde, mas não tem jeito. Converso com ele quando ele voltar. Desculpe pelo horário incômodo, Penelope.
Diante do pedido de desculpas cortês, Penélope apressou-se em confortá-lo:
— Não se preocupe com isso, está tudo bem. Quer que eu peça para te trazerem um chá de ervas para te ajudar a ter um sono tranquilo?
Tratava-se de uma proposta gentil, mas Bliss balançou a cabeça recusando:
— Não, obrigado pela gentileza. Descanse bem, eu já vou subir também.
Desejando boa noite mais uma vez, Bliss retirou-se do quarto de forma silenciosa, em total contraste com a forma como havia entrado. Penelope permaneceu encarando a porta fechada com o olhar vago por um bom tempo antes de finalmente voltar a si.
“Tive a impressão de que o rosto do Bliss estava um pouco avermelhado…”
Ela chegou a inclinar a cabeça cogitando a possibilidade de ele estar com febre, mas logo afastou o pensamento. Afinal, depois de ter ficado tão furioso daquele jeito, era natural que o rosto ficasse quente.
Deitando-se na cama, Penelope colocou as duas mãos sobre o peito e tentou pegar no sono, mas sua mente já começava a planejar as tarefas do dia seguinte. “Vou dar ordens para prepararem um bolo bem doce para alegrar o coração do Bliss.”
— Canalha!
Ao retornar para o seu quarto, Bliss começou a esmurrar o travesseiro sem dó. Ele jamais imaginou que o outro fugiria daquela forma. Sabia que ele era um desgraçado, mas não achava que chegaria a ser tão covarde. “Para onde diacho aquele homem foi?”
Tomado pela frustração, ele chegou a morder a fronha do travesseiro por um instante, mas o ato não durou muito. Talvez por ter se exaltado excessivamente, o cansaço acabou batendo com força. Soltando um suspiro curto, ele jogou o corpo pesado sobre a cama.
“Espere só até você voltar. Vou te pegar de surpresa na mesma hora e fazer aquilo, aquilo e aquilo…”
O pensamento não chegou a ser concluído. Logo em seguida, Bliss ressonava baixinho, imerso em um sono profundo.

43.

O gabinete do Senador Ashley Miller ficava localizado no último andar de um arranha-céu bem no coração do centro financeiro. Para conseguir uma audiência com ele, o procedimento padrão exigia agendar um horário com cerca de três a seis meses de antecedência. Conseguir uma oportunidade para encontrá-lo com um aviso de apenas dois dias era o equivalente a tirar a sorte grande na vida.
“Se não fosse para tratar a respeito daquele projeto de lei, eu jamais estaria sentado aqui hoje.”
Cassian ponderou consigo mesmo enquanto fitava Ashley Miller, que ocupava o assento principal. Havia um bom tempo que não o via, e o homem parecia um pouco mais velho do que em suas lembranças. Embora achasse aquilo natural, ao recordar a real idade de Ashley Miller, a sua aparência ainda exibia um vigor impressionante e jovial que desafiava a realidade.
“Dizem que os Alphas Dominantes têm uma expectativa de vida mais longa e um processo de envelhecimento tardio.”
Aquilo também se devia aos feromônios especiais que eles possuíam, mas considerando que o preço a pagar por isso era uma lesão em uma parte do cérebro, não era uma condição que merecesse total inveja. Sob a influência dessa alteração, dizia-se que os Alphas Dominantes eram capazes de cometer atos cruéis e antiéticos que seriam impensáveis para pessoas normais sem demonstrar o menor remorso…
— Faz tempo que não nos vemos. Já se passaram dez anos? — iniciou Ashley Miller.
Cassian respondeu com total polidez:
— Onze anos, Sr. Miller. Fico feliz em ver que o senhor continua gozando de plena saúde.
— E você cresceu de forma impressionante.
Diante do comentário de Ashley Miller, Cassian limitou-se a esboçar um sorriso discreto. Desde o último encontro deles, ele havia crescido cerca de dez centímetros. “Será que devo considerar uma sorte o fato de não ficar atrás em termos de estatura mesmo diante da linhagem de Alphas Dominantes da família Miller?” Nutrindo um escarnecimento interno, ele abriu a boca:
— Agradeço por ter me recebido mesmo diante de uma visita tão abrupta. Como sei que o seu tempo é escasso, serei breve nas minhas palavras.
Na realidade, o tempo concedido a ele limitava-se a meros trinta minutos. E aquela brecha só havia sido aberta porque Ashley Miller optou por pular o horário de almoço. Sem intenção de prolongar a situação desnecessariamente, Cassian deu sequência à fonação compenetrada:
— Tenho ciência de que o senhor ainda não manifestou o seu parecer a respeito daquele tratado. Poderia me esclarecer qual é o seu posicionamento atual? É claro que todo o conteúdo debatido neste recinto será mantido sob total sigilo.
Diante do questionamento, Ashley Miller repuxou um dos cantos da boca em um meio sorriso e pronunciou:
— Se deseja ouvir o posicionamento da outra parte, deve primeiro expor a sua própria opinião.
Era um argumento justo, sem dúvida. Cassian revelou os seus pensamentos de forma aberta e transparente. Durante o desenvolvimento da explicação, Ashley Miller praticamente não abriu a boca. Assim que Cassian concluiu a explanação, Ashley pareceu refletir por um breve instante antes de soltar uma risada anasalada e responder:
— Interessante. Foi uma boa explanação. Agradeço por ter vindo de tão longe, da Inglaterra até aqui, apenas para me fazer sorrir.
O tom era puramente sarcástico. Como já havia previsto aquele desfecho, Cassian complementou de forma impassível:
— Caso o senhor insista em revogar esse tratado, empenharei todos os meus esforços para impedir que isso aconteça. Reunindo o apoio de todo o Parlamento.
Os olhos de Ashley Miller se estreitaram. Uma voz lenta e pausada fluiu de seus lábios:
— Um Parlamento que se deixa influenciar e manipular pelas palavras de um parlamentar novato… Realmente muito confiável.
Em contraste com a postura cínica de Ashley Miller, Cassian exibiu um sorriso sereno ao rebater:
— Não se preocupe, farei questão de demonstrar isso na prática.
Ashley Miller levantou-se da cadeira sem emitir nenhuma resposta. Era o sinal claro de que a audiência havia chegado ao fim. Levantando-se em seguida, Cassian despediu-se:
— Agradeço pela audiência, Senador.
Lançando um olhar de soslaio para Cassian, Ashley Miller estendeu uma das mãos. Após trocarem um aperto de mãos leve, Cassian abriu a boca, como se tivesse se lembrado de algo de repente:
— Pensando bem… Como o Bliss tem passado ultimamente?

 

 

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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