Ler Autobahn Romance (Novel) – Capítulo 03 Online

Autobahn Romance Vol 1 — P3
Primeiro dia das provas semestrais, a última matéria era sociologia.
O rosto de Shin Saebyeok flutuava sobre a folha de questões da prova.
Gong Pyeonghwa relembrou o que aconteceu ontem no terraço.
A situação de Shin Saebyeok segurando-o e chorando foi um pouco, só um pouquinho, eletrizante.
Foi mais eletrizante do que quando ele venceu Shin Saebyeok pela primeira vez.
— Será que eu quero ver aquele desgraçado chorando? —
Gong Pyeonghwa, que resolvia as questões sem nenhuma dificuldade enquanto refletia sobre seu próprio sadismo, só voltou a pensar em Shin Saebyeok depois de terminar de escrever todas as respostas discursivas com tranquilidade.
— Eu não tinha combinado de perder para ele? Mas como eu perco de propósito? —
Para começar, a relação deles não era uma em que a expressão “perder de propósito” fizesse sentido.
A vitória ou derrota era decidida por uma diferença de apenas uma ou duas questões. Ele dizia que ia perder, mas mesmo se fizesse um esforço desesperado para vencer, ele ainda poderia perder.
— Ah! Mas aqueles olhos dele. —
O problema era que os olhos castanhos marejados de lágrimas não saíam de sua cabeça.
— Já que vou perder de propósito, que seja de forma óbvia e bem radical. —
Faltando cinco minutos para o término da prova, Gong Pyeonghwa ergueu a mão abruptamente.
— Pro-fessor! Eu! Quero trocar meu gabarito! —
— Apenas levante a mão em silêncio. Em silêncio. —
Gong Pyeonghwa sorriu sem graça e refez a marcação. Ele pulou uma linha de propósito em cada questão ao marcar o gabarito.
Ele continuou fazendo aquela palhaçada nos três dias restantes.
De fato, não dava para saber quem era o mais terrível entre Shin Saebyeok e Gong Pyeonghwa, mas, de qualquer forma, foi assim que terminaram as provas semestrais do primeiro semestre do primeiro ano do ensino médio.
Os passos de Gong Pyeonghwa em direção a casa após a saída eram leves, enquanto os passos de Shin Saebyeok estavam muito pesados.
— Pelo que vi, parece que ele acertou tudo… Eu errei uma questão por descuido… —
O pensamento de que havia perdido novamente o invadiu.
Gong Pyeonghwa aproximou-se de Saebyeok com um sorriso bobo no rosto, parecendo ter ido bem na prova. E então, estendeu sua folha de prova de repente.
Saebyeok recebeu a prova de Gong Pyeonghwa com olhos desconfiados e a checou.
Gong Pyeonghwa havia acertado exatamente as questões que ele errou.
Saebyeok devolveu a prova para Gong Pyeonghwa com as mãos trêmulas.
Gong Pyeonghwa guardou a prova em sua bolsa transversal e deu um sorriso largo de propósito.
— Ei. —
— …O que foi. —
Gong Pyeonghwa arrastou seus chinelos e escolheu as palavras.
Se ele ia se gabar de ter vencido ou se ia zombar perguntando se Saebyeok realmente achou que ele perderia de propósito. De qualquer forma, Saebyeok não queria ver o rosto de Gong Pyeonghwa agora.
— Para onde você acha que eu estou indo agora? —
Ele fez uma pergunta estranha do nada, sem que desse para entender onde ele queria chegar com aquilo.
— Vai para casa, ué. —
Saebyeok respondeu secamente.
— Êêêê. Errou. —
Gong Pyeonghwa não podia ser mais irritante falando daquele jeito infantil e provocativo.
Mesmo sem Saebyeok perguntar de propósito para onde ele ia, Gong Pyeonghwa falou por conta própria.
— Estou indo para a sala dos professores agora. —
Deve estar indo para receber elogios por ter ido bem na prova, não é? Um sentimento de amargura cresceu em um canto do coração de Saebyeok.
— Porque eu pulei as linhas e errei o gabarito da prova. —
— … —
— De todas as matérias. —
— … —
— Estou indo levar uma bronca do caralho. Vá para casa sozinho e feliz, beleza? Que inveja da porra. —
Gong Pyeonghwa falou enquanto sacudia os pulsos de forma chamativa.
— Pulei tudo por causa do tremor nas mãos. Ah. Esse tremor de merda. —
Apesar de ele falar palavras que mostravam claramente seu hábito linguístico diário vulgar e inadequado, hoje, estranhamente, Gong Pyeonghwa parecia um pouco legal.
O som de seus chinelos arrastando ecoou pelo corredor.
— Acho que ele não é um garoto tão detestável assim. —
Saebyeok mudou um pouco sua opinião sobre Gong Pyeonghwa, a qual nunca havia sido atualizada em doze anos.
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Uma semana se passou.
Nesse meio-tempo, o boletim saiu, e Gong Pyeonghwa levou uma surra nas costas de sua preciosa mãe e foi desprezado com o olhar por seu benevolente pai.
Sinceramente, ele não ajudou esperando algo em troca, mas ele passou de segundo filho querido da família Gong para um tonto desajeitado da noite para o dia, e Shin Saebyeok não disse absolutamente nada por mais de uma semana.
— Ele só fica me encarando e não abre a boca para falar nada. —
Ele achou que o outro saberia pelo menos dizer um obrigado, mas Shin Saebyeok não mencionou nem a primeira letra da palavra obrigado e apenas o encarava de vez em quando.
— Quem está pedindo para ele trazer uma cesta de frutas? Bastava dizer um simples obrigado. Só por garantia, eu joguei na cara dele o tempo todo. Você sabe o quanto eu apanhei quando cheguei em casa naquele dia? —
Gong Pyeonghwa ainda sentia suas costas arderem só de pensar naquilo.
— Isso são notas? Isso são notas? Você está se rebelando? Hein? —
— Ah, por que isso? Já que nossa família é rica, mesmo se eu não estudar bem, você pode mandar colocar grama na faculdade e me mandar para lá! —
— Isso é hora de falar um negócio desses? Hein? Hein? Hein? —
— Ai! Ai! Ai! Está doendo! —
— É para doer mesmo, por isso estou batendo! É para doer mesmo! —
Pensando que sua mãe talvez fosse a reencarnação de Guanyin de Mil Mãos, Gong Pyeonghwa cutucou Seon Woojeong.
— Kimman? —
— Rapaz, esse cara… Só agora ele descobriu o sabor do bolinho de kimchi. —
— O que você está falando. Estamos indo comer pão de pizza. —
Seon Woojeong estalou a língua. No gesto de Seon Woojeong estalando a língua, dava para ver o rosto de seu pai. Sentindo a sensação de que suas costas iam arder novamente, Gong Pyeonghwa puxou Seon Woojeong e foi para a lanchonete.
Ele achou que deveria curar aquela dor pelo menos com um pão de pizza.
Cinco minutos na fila, um minuto para comer, dois minutos para subir de volta. Gong Pyeonghwa, que aproveitou bem os dez minutos do intervalo, sentou-se preguiçosamente em seu lugar.
Valeu a pena ter aberto o livro da próxima aula com antecedência prevendo aquilo.
No entanto, nesse curto intervalo, um bilhete havia sido deixado em cima do livro.
[ Você poderia ir ao terraço depois da aula? ]
A caligrafia do bilhete era exatamente a mesma da semana passada.
Isso significava que Shin Saebyeok havia mandado outro bilhete…
— Esse desgraçado não sabe mandar mensagem? —
Por que ele deixava rastros de forma tão analógica? Fazendo o coração dos outros palpitar?
Gong Pyeonghwa, que havia ficado animado achando que o bilhete da semana passada era uma carta de confissão, agora achava tudo ruim.
Ele achava que não seria nada de bom, e ficou pensando que tipo de baboseira Saebyeok ia tagarelar no terraço hoje para deixar um bilhete.
Gong Pyeonghwa guardou o bilhete amassado no bolso de qualquer jeito, pensando que esmagaria Shin Saebyeok no segundo semestre.
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Shin Saebyeok observou Gong Pyeonghwa com olhos de águia a cada intervalo.
E então, registrou todas as falas e ações de Gong Pyeonghwa em formato numérico.
Frequência de ida à lanchonete: média de 4 vezes ao dia – antes da chamada, no segundo período, no horário de almoço e no sexto período.
Alimentos consumidos além da merenda escolar em uma semana (lanchonete): 26 pães de pizza, 11 pacotes de batata frita, 12 latas de bebida isotônica, 5 latas de refrigerante, 20 pacotes de gelatina, 2 chocolates, 22 sorvetes e 7 copos de macarrão instantâneo.
Alimentos consumidos além da merenda escolar em uma semana (delivery): frango (desossado), pizza, porco agridoce, intestinos fritos, bolinho de arroz apimentado, raspadinha de gelo, macarrão de arroz e bolo de macaron.
Como resultado da análise dos hábitos alimentares de Gong Pyeonghwa, Shin Saebyeok chegou a uma conclusão.
— Como ele consegue comer tanto? —
Gong Pyeonghwa era como um cachorrinho curioso: se você se distraísse por um segundo, ele já estava colocando algo na boca.
Além disso, ele era tão cauteloso que, mesmo sendo do primeiro ano, pedia delivery na sala do terceiro ano para escapar dos olhos dos professores, demonstrando grande inteligência.
A operação diversionista do frango frito no horário de estudo autônomo fazia suas mãos suarem só de lembrar.
— A ousadia de pedir até sobremesa extra mesmo correndo o risco de ser pego… —
Observando Gong Pyeonghwa por uma semana, Saebyeok frequentemente ficava de boca aberta com suas excentricidades.
Ele sentia espanto pelo fato de o outro fazer coisas que ele mesmo nunca ousaria imaginar, como se estivesse apenas respirando no dia a dia. Por outro lado, ele também sentia um alívio. Era uma espécie de satisfação vicária.
Surgira a dúvida: será que ele não havia visto Gong Pyeonghwa de forma superficial demais devido a mal-entendidos e preconceitos no passado? Esse foi o motivo pelo qual o período de observação, que havia começado para decidir que tipo de presente dar para expressar sua gratidão, acabou se estendendo.
Gong Pyeonghwa era divertido.
Aquele Gong Pyeonghwa que o perturbava de repente quando eram crianças era apenas travesso por natureza.
Ele se sentia culpado por tê-lo visto apenas com maus olhos sem motivo. Ele estava tão ansioso pensando que precisava se desculpar adequadamente.
Claro, Saebyeok não tinha a intenção de se desculpar de mãos vazias, apenas com palavras.
Saebyeok dirigiu-se imponentemente à lanchonete assim que a escola acabou.
Os restaurantes de delivery mudavam o tempo todo, mas as coisas que ele comprava e comia na lanchonete eram sempre os mesmos produtos. De qualquer forma, parecia que as comidas da lanchonete seriam presentes com menor chance de rejeição.
— É a primeira vez que vejo o Shin Saebyeok vir à lanchonete. —
Na verdade, Saebyeok estava visitando a lanchonete pela primeira vez.
Como Saebyeok costumava controlar rigorosamente sua dieta, ele não costumava comer besteiras.
— Não dá curiosidade de saber o que ele vai comprar? —
— Não, não fiquem cochichando… —
Saebyeok hesitou por um momento, meio desajeitado, e entrou na lanchonete.
— O que vai querer? —
O atendente com cara de poucos amigos falou com uma voz que parecia sorrir. A voz era a mais gentil do mundo, mas a agressividade emanava de seu rosto.
— Pã, pão de pizza e… —
— O pão de pizza acabou tudo. Considere que não dá mais para comer isso depois que o horário de almoço termina. —
O que você disse.
— En, então bolinho de kimchi… —
— O assassino daquilo já levou tudo. —
Seon Woojeong, foi você? Shin Saebyeok permaneceu calmo por fora, mas por dentro seus olhos giravam de tontura.
Shin Saebyeok, hesitante, pegava cada besteira que via pela frente e que Gong Pyeonghwa já tivesse comido pelo menos uma vez.
— Por que você não compra a lanchonete inteira de uma vez? —
Dizendo que era a primeira vez que via um cliente de tanto porte, o atendente da lanchonete apertou a calculadora com uma expressão cansada.
— É a primeira vez que vejo um garoto gastar 120 mil won na lanchonete. —
Shin Saebyeok, que havia enchido uma sacola de presentes que faria até o Papai Noel chorar, pagou friamente em dinheiro vivo e subiu os degraus da escada.
— Olha só para aquele cara. —
— É o ladrão da lanchonete. O ladrão da lanchonete. —
Ladrão da lanchonete, aquela era a primeira vez nos 17 anos de vida de Shin Saebyeok que ele recebia um apelido tão desonroso.
Com o rosto queimando de calor, Saebyeok acelerou o passo e subiu as escadas.
E finalmente, chegou ao terraço. Ele viu Gong Pyeonghwa deitado no banco do jardim do terraço, balançando os pés.
Saebyeok abriu a boca para dizer as palavras que havia preparado durante toda a noite passada.
— Eu entendi muito errado sobre você… —
— Caramba. O que é tudo isso aí? —
Gong Pyeonghwa falou olhando para as sacolas ao redor de Saebyeok, as quais estavam tão cheias que pareciam prestes a estourar.
— …É, é um presente. —
Gong Pyeonghwa nunca dava tempo para ele se preparar. Saebyeok inverteu a ordem e, em vez de expressar sua gratidão e depois entregar o presente, decidiu entregar o presente primeiro.
— Presente? Para quem? —
— Sim! —
Gong Pyeonghwa virou a sacola de cabeça para baixo e a esvaziou no chão ao ouvir que era o seu presente. Não dava para ver nem um pingo de delicadeza nele.
— Ah, caraca. Batata frita. Sabor sal. Sabor sal. —
— Como achei que você gostava… —
Infelizmente ele não conseguiu comprar o pão de pizza, mas conseguiu trazer todas as outras coisas.
Gong Pyeonghwa abriu a batata frita e começou a comer imediatamente. Enquanto mastigava a batata frita fazendo barulho, ele abriu uma lata de bebida com a outra mão e a bebeu em grandes goles.
Como se estivesse pregando no deserto, Saebyeok decidiu transmitir seus sentimentos sinceros.
— Co, coma enquanto escuta. Quero dizer, o, obrigado… —
Ele se sentiu tão culpado depois de ter feito aquela cena ridícula com Gong Pyeonghwa. Sinceramente, ele não esperava de forma alguma que Gong Pyeonghwa fosse realmente perder de propósito.
Porque mesmo se fosse ele, se Gong Pyeonghwa o chamasse de repente um dia chorando as pitangas e pedindo para perder só uma vez, ele jamais perderia de propósito.
— Pelo contrário, eu teria estudado com ainda mais entusiasmo. —
Mas Gong Pyeonghwa não fez isso. Ele realmente perdeu de propósito sem nem perguntar o motivo exato. Ele não errou apenas uma ou duas questões de bobeira, ele errou o gabarito de todas as matérias de propósito.
— Des, desculpe. Eu estava sob um estresse muito forte…, estava sofrendo tanto que acabei descontando em você sem perceber… Foi ridículo, né? Desculpe. —
— Sinceramente, um pouco? Muito? Foi bem ridículo sim. —
Ele achou que ele não estaria escutando por estar concentrado em comer, mas, surpreendentemente, Gong Pyeonghwa era um cara multitarefa.
— Desculpe. —
— Tudo bem, eu que sou uma boa pessoa vou te perdoar. —
— O, obrigado. —
Saebyeok estava suando frio enquanto espremia as palavras para continuar.
— Acho que eu estava entendendo você errado. Desculpe. E você não precisa perder de propósito na próxima prova. O, obrigado. —
— Entendendo errado? Que mal-entendido? —
— Como você me odeia, achei que obviamente venceria e me desprezaria de forma ostensiva, mas parece que não é bem assim. —
A mão que comia a batata frita parou.
A avaliação sobre Gong Pyeonghwa era mais cruel do que ele imaginava.
Gong Pyeonghwa falou erguendo as sobrancelhas como se achasse aquilo um absurdo.
— Não fale bobagem. Você que me odiou primeiro. Que absurdo. —
— O quê? Claro que não. Você que me odiou primeiro. —
Saebyeok pensou que parecia ficar infantil de alguma forma sempre que conversava com Gong Pyeonghwa. No entanto, ele não podia deixar de corrigir uma história que não era verdadeira e estava sendo contada como se fosse fato.
— Olha só para ele mentindo na cara dura que eu sou bonzinho? Estou sem palavras. —
— Que tipo de gíria é essa? Que absurdo… —
— Você é bom nisso, hein? —
O que, bom em quê. Foi apenas a agilidade de alguém com o nível dois de ideogramas chineses brilhando, mas para Gong Pyeonghwa, um viciado em internet, pareceu apenas o estilo de quem devolve uma piada com outra piada.
— Desde a primeira vez que nos conhecemos, você me ignorou mesmo quando eu tentei falar com você. Eu me lembro disso com muita clareza, sabia? —
Gong Pyeonghwa, que guardava rancor por uma eternidade, acabou trazendo à tona de forma infantil uma lembrança de quando tinha 5 anos de idade.
— Quando foi que eu fiz isso! —
— Aos 5 anos! Naquela reunião! Eu ainda me lembro até do sabor do pudim que comi naquele dia, e você vem negar! —
No entanto, se o assunto era se sentir injustiçado, Saebyeok também não ficava atrás.
— Você! —
Shin Saebyeok gritou reunindo forças do fundo do estômago. Gong Pyeonghwa gaguejou diante daquela projeção vocal inesperada baseada na respiração abdominal.
— Eu, eu! O que, o que eu fiz! —
— Aquilo… você que agiu de forma agressiva primeiro. —
O que de tão terrível eu fiz!
Gong Pyeonghwa cruzou os braços e encarou Saebyeok enquanto mastigava uma gelatina.
Diante daquela atitude confiante, Saebyeok parou para refletir. Não havia nada que se pudesse dizer que Gong Pyeonghwa fez de errado. Exceto pelo fato de se aproximar sem respeitar o espaço pessoal, não havia nada que pudesse ser considerado um grande erro.
— Des, desculpe. Pensando bem, acho que desde aquela época eu já estava tendo pensamentos muito preconceituosos. —
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Saebyeok sofria muito com doenças desde pequeno. Ele tinha dermatite atópica e também asma.
Além disso, ele tinha alergias severas, por isso estava substituindo a creche pelo ensino doméstico após passar por um incidente desagradável, mas justamente aquela reunião acabou acontecendo.
— Saebyeok, está vendo aquele menino ali? Aquele de roupa azul. —
A mãe de Saebyeok apontou para Gong Pyeonghwa. Dava para ver logo de cara que ele tinha pinta de líder da vizinhança.
Todo o corpo de Saebyeok ficou tenso. Seus dedos do pé se curvaram para dentro, como se estivessem agarrando o chão.
— Especialmente hoje, você nunca deve mostrar nenhuma fraqueza para ele. Não mostre seu lado fraco, entendeu? —
Até o pai, que costumava falar pouco, segurou Saebyeok com firmeza e fez a recomendação. Saebyeok engoliu em seco e olhou de relance para Gong Pyeonghwa, que vestia um short azul-marinho.
— Por favor, tomara que ele não fale comigo… —
No entanto, frustrando o desejo de Saebyeok, Gong Pyeonghwa avançou em linha reta segurando um pudim.
— Não vem. —
E não era um pudim qualquer. Era um pudim de manga.
— Ei. Você gosta de pudim? Quer comer pudim? —
— …Nã, não quero! —
Saebyeok tinha uma alergia severa a manga.
Na creche da qual havia saído, a manga havia sido servida como sobremesa.
Como Saebyeok não comeu o pudim de manga, as crianças da mesma turma perguntaram por que ele não comia, e Saebyeok respondeu que tinha alergia a manga.
Então as crianças disseram que aquilo não existia e acusaram Saebyeok de ser mentiroso, chegando ao ponto de cercá-lo e intimidá-lo para que comesse a manga.
Incapaz de resistir à insistência, Saebyeok comeu a manga e desmaiou ali mesmo.
Um menino da mesma idade que parecia o líder do bando, e o pudim com cheiro de manga que ele segurava. Diante do short azul-marinho que se aproximava sem hesitação, Saebyeok gritou internamente.
— Não arrume confusão hoje, não mostre fraqueza para ele, de jeito nenhum, de jeito nenhum… —
Quando ele recusou o pudim, Gong Pyeonghwa não insistiu mais e, em vez disso, perguntou outra coisa.
— É mesmo? Então do que você gosta? Ei. Você gosta de dinossauros? —
— Di, dinossauros do nada? —
Se eu disser que gosto de dinossauros aqui, isso vai virar uma fraqueza? Saebyeok pensou freneticamente.
Antes mesmo de ele responder, Gong Pyeonghwa já foi avançando. Era como se ele tivesse certeza de que era impossível alguém odiar dinossauros.
— Se o Espinossauro e o Tiranossauro Rex lutarem, você sabe quem vence? —
Saebyeok puxou o fôlego de repente.
— Se os dois lutarem, quem vence?! —
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— Pois é, porra! Eu não disse nada para não parecer mesquinho, mas por que você me ignorou quando tínhamos 5 anos? —
Para quem dizia que não tinha falado nada para não parecer mesquinho, Gong Pyeonghwa, que há apenas cinco minutos estava amargurado por algo de doze anos atrás, perguntou com uma expressão de injustiçado.
Saebyeok respondeu suando frio.
— Meus pais me recomendaram tanto para não deixar transparecer nenhuma fraqueza… e você me perguntou quem venceria em uma luta entre o Espinossauro e o Tiranossauro Rex. —
Gong Pyeonghwa ficou chocado.
— Quão boa é a memória desse desgraçado? —
Para Gong Pyeonghwa, que guardava rancor apenas da memória mesquinha de ter sido ignorado ao tentar conversar, a chegada repentina do Espinossauro e do Tiranossauro Rex foi bastante estranha.
— Eu perguntei uma idiotice dessas? —
Então, quem vencia? Gong Pyeonghwa, que teve todo o seu conhecimento sobre dinossauros apagado na transição dos 5 para os 6 anos, ficou com a cabeça zonza com aquela discussão tardia sobre dinossauros.
— Fiquei com medo de você me chamar de burro se eu dissesse que não sabia, e fiquei na dúvida sobre o que fazer se errasse a resposta correta mesmo sabendo… mas você foi embora primeiro dizendo “Hunf. Não brinco com você. Garoto insuportável.” —
Eu cheguei a dizer tudo aquilo antes de ir embora? Dizem que as memórias tendem a ser distorcidas, e Gong Pyeonghwa foi levado a refletir sobre seu próprio caráter na infância.
— …Você ainda se lembra disso? —
— Sim… Fui pesquisar sobre isso quando cheguei em casa naquele dia. —
Por que uma criança de 5 anos foi se sentar para pesquisar sobre isso. Gong Pyeonghwa resmungou baixo. Ficou sem graça.
— Era só chutar. Afinal, as chances eram de meio a meio. —
— Naquela época, achei que a probabilidade era de 25%, e fiquei com muito medo dos 75% de chance de errar. —
Como se chega a 25% em uma questão de quem vence uma luta? A confusão de Gong Pyeonghwa aumentou com aquele método de cálculo milagroso.
— Como surgem 25% nessa situação? —
— O Espinossauro poderia vencer, o Tiranossauro Rex poderia vencer, poderia dar empate, ou eles poderiam viver em regiões ou épocas diferentes impossibilitando a luta, mas você poderia estar me testando… —
Ele pensou tudo aquilo naquela idade? Uma criança de 5 anos tinha uma mente tão brilhante assim?
— Como foi que eu venci esse desgraçado? —
Gong Pyeonghwa, que venceu duas vezes por pura sorte devido a uma educação intensiva rígida, aulas particulares caras e o abalo mental de Shin Saebyeok, passou a ver o mundo de outra forma.
— Você pensou tudo aquilo naquela idade? —
— Naquela época, meus pensamentos eram um pouco superficiais. —
A frase “O que tem de superficial nisso? Se aquilo é superficial, o que eu sou?” quase saiu de forma automática, mas Gong Pyeonghwa mal conseguiu se conter.
Não havia necessidade de expor suas próprias falhas, bastava elogiar o oponente.
— Caramba, porra, você é um supergênio de verdade. Achei que quem estivesse em um dia melhor vencia. —
— Não, não é isso. —
Saebyeok ficou sem jeito com o elogio repentino, mas não se sentiu mal.
— Como não é. É um gênio do caralho. —
Saebyeok coçou a bochecha, sem graça. Suas bochechas estavam vermelhas.
Como ele parecia alguém em quem dava vontade de dar um cutucão sem motivo, as mãos de Gong Pyeonghwa coçaram.
— Não é nada disso… —
E se ele fizesse de conta que não era nada disso e desse só um cutucão? Só um toque de leve. Será que não podia?
Saebyeok, alheio à curiosidade de Gong Pyeonghwa, mexeu nos dedos e deu um sorriso sem jeito.
— De qualquer forma… acho que eu estava entendendo você um pouco errado. Desculpe… —
— Acho que eu estava na mesma situação que você. —
Gong Pyeonghwa decidiu fazer valer o seu nome pela primeira vez.
Sim, decidiram viver em paz. Só porque a relação entre os pais era ruim, os filhos precisavam ter uma relação ruim também?
— Como a relação entre as famílias é um pouco ruim, acabei tendo preconceitos sem perceber. —
— Não é que a relação seja ruim, seu pai que é massacrado unilateralmente pelo meu pai. —
— O que você disse, seu moleque? —
Oops.
A rivalidade mesquinha profundamente enraizada contra a família de Shin Saebyeok acabou escapando inconscientemente.
— Sabe como é, as palavras saíram errado. —
— Mas eu ouvi com muita clareza? E agora? —
— Ei, vamos esquecer o passado como homens. Beleza? —
Gong Pyeonghwa falou o que era conveniente para si e cutucou a costela de Saebyeok. E então, chegou a enfiar disfarçadamente uma gelatina e uma barra de chocolate no bolso de Saebyeok.
No final das contas, eram os lanches que o próprio Shin Saebyeok havia dado.
Saebyeok ficou sem palavras diante daquela conduta desprezível de devolver o presente como se fosse um suborno, mas, de qualquer forma, no momento em que desfaziam um mal-entendido de doze anos, ele não queria criar ressentimentos.
Gong Pyeonghwa parecia pensar o mesmo que Saebyeok e mudou de assunto.
— Não, eu não sabia que você tinha alergia a manga. Achei que as pessoas só tinham alergia a pêssego ou amendoim. —
Pensando bem agora, ele parecia ter ficado assustado quando ele se aproximou segurando o pudim de manga. Fazia muito tempo e ele não se lembrava bem, mas parecia ter sido isso.
E pensar que ele estava refletindo considerando até as probabilidades com aquela cabeça pequena, Gong Pyeonghwa passou a ver Shin Saebyeok de outra forma.
Ele achou que ele era um moleque sem educação, mas ele era apenas um garoto que pensava demais.
— Originalmente existem muitos tipos de alergia. E no meu caso não é só com manga… —
Ele preferiu não acrescentar que ainda existiam alergias de causas desconhecidas e que precisava tomar cuidado com a comida o tempo todo. Porque pareceu que estaria falando bobagem sem necessidade.
Saebyeok deixou a frase incompleta.
— Pois é, garoto. Você é delicado. —
Gong Pyeonghwa gabou-se colocando o braço sobre o ombro de Saebyeok.
— Agora que desfazemos o mal-entendido, vamos nos dar bem, beleza? —
— Si, sim! —
— Esse é um dos motivos pelos quais eu parei de comer manga. —
Gong Pyeonghwa gostava de frutas tropicais desde a época em que era um feto, mas cortou drasticamente as frutas tropicais ao iniciar um relacionamento amoroso com Saebyeok.
— Nosso querido Saebyeok não pode se machucar enquanto nos beijamos, né. —
— Existe algum motivo para eu precisar saber até os detalhes dos beijos de vocês? —
Seon Woojeong só queria ir para casa.
— Entendi. Vocês desfizeram os mal-entendidos da infância e começaram a namorar a partir dali. O sentimento de traição é indescritível, mas no final o amor deu frutos, então parabéns e agora eu vou para ca… —
— Claro que não, claro que não. Naquela época era só um clima, tá sabendo? —
Seon Woojeong, que só buscava o momento certo para ir para casa, falhou mais uma vez.
— Foi uma espécie de prólogo onde nossa história começou a ser escrita de verdade. —
— Que tipo de louco escreve 50 mil palavras em um prólogo. —
— Nosso amor é, como posso dizer, uma peça de grande epopeia, história, lenda, mito, algo desse tipo. —
— Não estou interessado. —
Só por garantia, Seon Woojeong deixou claro seus sentimentos sinceros.
— Muitas coisas aconteceram. —
Obviamente não funcionou.
— Romeu e Julieta? —
Gong Pyeonghwa soltou uma risada debochada como se achasse aquilo ridículo.
— Garotos fofos. Nós éramos como Hong Gildong, que não podia chamar o pai de pai nem o irmão de irmão, era o amor entre um espião norte-coreano e o Serviço Nacional de Inteligência do Sul. —
— Não estou interes… —
— Cada momento era uma operação secreta. Era assim naquela época. —
Que poder teria um jovem estudante? A palavra dos pais era como uma lei divina.
Gong Pyeonghwa, que conhecia a soberania da mesada, e Shin Saebyeok, que por natureza ouvia bem os adultos e nunca havia se rebelado na vida, queriam se dar um pouco bem já que haviam desfeito os mal-entendidos.
Os dois fizeram uma demonstração passiva após a aula, sondando sutilmente os pais sobre a possibilidade de se darem bem com o outro.
E a resposta que receberam de volta foi…
— Nem por cima do meu cadáver! —
Foi congelante.
— Nunca achei que ouviria ao vivo uma fala que só se ouve em dramas de terceira categoria, e ainda por cima com a dublagem do meu pai. —
— Eu entendi bem o amor dramático de vocês, mas eu vou para ca… —
— Você sabia disso? O fato de que uma criança criada sob pais opressores se torna uma mentirosa perfeita? —
Seon Woojeong ficou perplexo.
Deixando Shin Saebyeok de lado, será que o adjetivo opressão fazia algum sentido aplicado aos seus pais?
— Foi assim que nosso clima secreto começou. —
Ah, que droga.
— O terraço se tornou nosso local de encontros secretos. —
Não estou interessado.
Depois que o mal-entendido foi desfeito, os dois se encontravam ocasionalmente no terraço.
Saebyeok vinha checar o jardim do terraço uma vez por dia, e Gong Pyeonghwa vinha brincar sempre que estava entediado.
— Ei. Mas por que você tem a chave do terraço? Você alugou este lugar? —
— Sim. —
— Sério? O terraço da escola pode ser comprado? —
— Claro que é mentira. —
Os dois já estavam bastante confortáveis um com o outro a ponto de fazer esse tipo de brincadeira. Parecia que haviam se tornado algo parecido com amigos.
No entanto.
— Sondei meu pai de relance, e ele disse para não me dar bem com você. —
— Eu também… —
— Eles não são exagerados demais para a idade que têm? —
Nossa, como ele podia dizer uma coisa dessas. Dizer uma, uma coisa dessas sobre os pais? Saebyeok ficou chocado e com os lábios trêmulos, mas no fundo também sentiu uma ponta de excitação.
No entanto, em vez de concordar abertamente, apenas acenou com a cabeça timidamente.
Parecia estar fazendo algo errado.
Não, não era apenas parecer algo errado, era algo errado de verdade? Falar mal dos pais pelas costas! No entanto, parecia que uma sensação de libertação chegava ao seu coração que antes estava sufocado.
— Mas vamos nos dar bem mesmo assim? —
— …Sim! —
Aquela era a primeira rebeldia nos 17 anos de vida de Shin Saebyeok!
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— Ei, mas por que você me manda bilhetes todo dia? Mande uma mensagem de texto ou no bate-papo. —
— Eu não sei o seu número… —
— Que falta de consideração. Quantos anos faz que nos conhecemos. —
Gong Pyeonghwa, que falava aquilo, também não tinha o número de Saebyeok.
— Você também não tem consideração nenhuma. —
— … —
Os dois trocaram números pela primeira vez em doze anos. Gong Pyeonghwa perguntou a Saebyeok com uma ponta de expectativa.
— Ei, como você me salvou aí? —
— Gong Pyeonghwa do Primeiro Ano, Turma Um. —
— Cara, você é um falso inteligente mesmo. —
Saebyeok, que nunca tinha ouvido a expressão “falso inteligente” em toda a sua vida, ficou de boca aberta com o choque.
— Família, amigos ou conhecidos podem ver por acaso, como você salva de forma tão óbvia. —
Isso é ser óbvio? Saebyeok, por mais que espremesse o cérebro, não conseguia pensar em outra forma de salvar que não fosse salvar Gong Pyeonghwa como Gong Pyeonghwa.
— Vou te cadastrar como Frango Gênio. Porque você é um gênio. —
— O quê? —
Ele entendeu a parte do gênio, mas de onde vinha o frango? Quando Saebyeok apenas piscou os olhos, Gong Pyeonghwa soltou um longo suspiro.
— É só dar a desculpa de que é a loja de frango de onde você sempre pede. Você poderia me salvar como Frango Lindo ou Frango Atraente. —
— Eu não peço frango frito. —
— Você vive uma vida bem amarga… —
Não come frango frito? Na Coreia do Sul, o império do frango frito? Que cara terrível. Gong Pyeonghwa mudou discretamente de Frango Gênio para Frango Terrível.
— Do jeito que as coisas vão, mais tarde vão acabar escolhendo até a pessoa com quem vou me casar. —
— Com certeza vai ser assim. —
Saebyeok já havia percebido sua posição desde cedo.
Ele não poderia se casar com a pessoa amada de forma normal como os outros.
Ele teria que herdar a empresa, e o casamento seria o maior negócio de sua vida.
Além disso, Saebyeok era um ômega.
Talvez ele tivesse que esconder o fato de ser ômega até de sua esposa, então a probabilidade de ser uma mulher beta era alta.
— Ei. O que tem de óbvio nisso. O casamento deve ser feito com a pessoa amada. Hoje em dia as pessoas se divorciam se não derem certo mesmo casando com quem amam. —
Gong Pyeonghwa era mais romântico do que parecia.
— Eu vou me casar com a pessoa que eu amar. —
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Por serem de empresas rivais, suas famílias tinham uma relação ruim desde a infância.
Por isso, eles mantêm um relacionamento secreto há 10 anos, escondendo-se dos pais e dos amigos.
Mas eles não podem esconder seu amor para sempre.
Agora, com um filho, já não conseguem mais manter isso em segredo!
— Nossa princesa vai comemorar seu primeiro aniversário esta semana. Esperamos que você venha celebrar conosco.
É por isso que eles estão, sem medo, entregando convites para a festa de 1 ano da filha a colegas de classe que não veem há 10 anos.
Também chegou a hora de revelar tudo para os pais!
Não há obstáculos para o nosso amor! Nosso amor é uma autobahn!
— Só nos deixem amar um ao outro… Ai! Isso dói!
O romance caótico, mas sem engarrafamentos, de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok!
Romance na Autobahn!
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