Ler Desire Box (Novel) – Capítulo 01 Online

Caixa de Desejos
1ª Parte
[1. Abrindo a caixa]
A mansão de verão da família Conde Felisto, onde chegou após três dias de viagem de carruagem, era deslumbrantemente bela.
As grandes pedras espalhadas ao redor da mansão estavam cobertas de musgo azulado como um tapete, e trepadeiras de rosas pendiam como decoração sobre o muro construído com grandes tijolos cinza escuro. Como uma tapeçaria esplêndida pendurada em um antigo castelo, as cores da natureza que davam vida à pedra de cor sombria eram radiantes.
Na entrada da mansão havia um portão alto que teria o dobro da altura de um adulto. O portão prateado, polido até brilhar, refletia um suave tom avermelhado sob o sol que começava a se inclinar. Um servo que havia recebido aviso prévio e esperava destrancou a corrente do portão, e o cocheiro desceu da carruagem e, junto com o servo, abriu o grande portão.
A paisagem da mansão, que tinha às costas uma floresta densa de árvores frondosas de folhagem escura, era bela. Era agradável ver o jardim de um estilo que havia sido popular tempos atrás se estender verdejante desde o portão até a entrada da mansão. Ao longo de trilhas compactadas com areia fina, arbustos baixos foram plantados, e entre eles, canteiros com flores de cores vivas chamavam a atenção. Havia bancos dispostos ao redor de uma fonte de pedra, e ao redor de um pequeno lago, gramíneas altas haviam sido plantadas.
Os jardins mais recentes, que enfatizavam a beleza plástica com árvores podadas em ângulos precisos como navalha, também eram bonitos, mas para Tenen, este jardim com sua sensação natural, como se estivesse entrando em uma floresta tranquila, lhe agradava mais.
Diferente do lado de fora, que florescia em verde claro acolhendo o verão, as árvores da mansão tinham cores um pouco mais escuras por alguma razão, e o ar era fresco e úmido. Parecia mentira que ele tinha sofrido com um calor sufocante, como se a energia vital se esvaísse a cada respiração.
Isso não significava que não fosse veranesco. O sol que brilhava era intenso, e o vento que soprava entre as árvores era revigorante. Fazendo uma comparação, era como ter chegado às margens de um pequeno riacho de água limpa. A sensação lânguida de desfrutar uma soneca sob uma sombra transparente enquanto se ouvia o som da água correndo.
Era como se tivesse caído em um mundo diferente. Inalando o aroma fresco que fazia cócegas na ponta do nariz, Tenen sorriu levemente.
A mansão construída em branco frio fazia sentir uma sensação de frescor só de olhar. A entrada da mansão também tinha uma enorme porta com decorações de estilo antigo. A porta, que preservava os veios da madeira natural, havia absorvido os anos e os contornos dos motivos decorativos em relevo haviam se desgastado suavemente. Aquela porta pesada, que parecia firmemente fechada e imóvel, mesmo assim se abriu suave e silenciosamente.
O interior da mansão tinha poucos adornos. O espaço era amplo, mas era diferente das mansões aristocráticas comuns, repletas de tapeçarias, obras de arte e esculturas. Em vez disso, havia uma tranquilidade serena. A luz do sol da tarde jorrava pelas janelas abertas no segundo andar do salão central, tingindo o interior da mansão com tons quentes.
Não foi necessário muito tempo para examinar o salão do lugar onde estava. Ao entrar no interior, a visão de Tenen, que havia ficado levemente escurecida por um momento, recuperou sua função e ele deu um passo. Ele precisava estar nessa mansão para cumprir o testamento de seu avô.
Tenen atravessou o salão central em direção à escadaria coberta com um tapete de tom vermelho turvo. E em vez de subir a escada, virou para a esquerda e se aproximou da lateral da escada.
Com passos lentos, percorrendo a lateral da escada com o olhar, uma porta de tom marrom escuro, um pouco menor do que sua própria altura, entrou em seu campo de visão. Era uma porta de aparência um tanto tosca, com a maçaneta achatada para não ficar exposta para fora.
“Então está aqui.”
Tenen engoliu em seco e colocou a mão na maçaneta. Sua mão direita, que levantava a lanterna preparada pelo servo, estava tremendo levemente.
Abaixo da larga escadaria que cruzava o salão central.
Lá havia um depósito maior do que parecia. Esse depósito, inclinado diagonalmente de acordo com a inclinação da escada como um sótão sob o telhado, era o lugar onde se empurravam os objetos desnecessários da mansão. Era um lugar raramente tocado por mãos humanas, e cada objeto estava coberto por uma camada de poeira cinzenta, e o ar parado tinha o cheiro do tempo que passou.
Landif estava exatamente ali.
No início, ele pensou que fosse apenas uma escultura. Como um móvel ou peça decorativa que havia ido parar no depósito por não estar mais na moda, ele também estava coberto de poeira; portanto, não era de se estranhar confundi-lo com um objeto inanimado, parado sem se mover, sentado abraçando os joelhos.
Tenen se aproximou cautelosamente daquilo que parecia uma escultura. Quando levantou a lanterna, uma luz amarela pousou sobre os cabelos brancos. Os cabelos eram tão longos que se espalhavam pelo chão, e pareciam de textura tão boa que nem uma leve camada de poeira conseguia ocultá-los.
Como ele estava com o rosto enterrado abraçando os joelhos, só se via o topo da cabeça, mas pelos braços e pernas compridos, pela pele branca e pela atmosfera estranha e enigmática que não parecia humana, parecia ser o “Landif” mencionado no testamento.
“Por que diabos o avô…”
Depois que o avô, com quem não havia sequer tido contato por vários anos, faleceu, Tenen recebeu dele uma herança especial.
A mansão de verão da família Conde Felisto e um sombrio segredo da família abandonado nessa mansão.
O fantasma da mansão que a avó xingava com arrepios e odiava com todas as suas forças.
O homem parecido com uma escultura, encolhido à frente de Tenen, era exatamente aquela herança “especial”.
— …Ei.
Será que estava realmente vivo? Era uma presença que havia ficado abandonada no depósito por tempo suficiente para acumular poeira, encolhida na mesma posição. Mesmo tendo-o à frente com uma forma definida, Tenen tinha dificuldade de acreditar no que seus próprios olhos viam.
Como a última vez que Tenen visitara esta mansão tinha sido aos quatro anos, suas memórias de Landif eram vagas. Ele sequer tinha certeza se havia o visto com os próprios olhos. Como se tivesse ouvido as histórias de Landif que os adultos sussurravam e adicionado fantasias por conta própria, mesmo em suas memórias difusas, ele era misterioso e arrepiante.
Hmm. Talvez a voz tivesse sido baixa demais. Clareando levemente a garganta, Tenen estendeu a mão com cuidado. Pousou levemente a mão no ombro do homem parecido com uma escultura e o chamou mais uma vez.
— Ei. …Landif.
Um sobressalto. O ombro encolhido do homem reagiu levemente. Tenen se assustou e, sem perceber, retirou a mão, depois escondeu a mão que havia tocado o ombro dele atrás das costas e pronunciou a palavra-chave escrita no testamento do avô.
— Desejo receber de volta o que foi guardado na caixa. Abra a caixa.
— …A caixa.
Era uma voz tão tênue quanto o som de uma respiração. Tenen prendeu a respiração e se concentrou nos sinais de Landif. Como se um ovo duro quebrasse e a vida presa dentro dele nascesse, Landif começou a se transformar gradualmente em algo “vivo”.
As bochechas pálidas ganharam um leve rubor, e o corpo que estava rígido como uma estátua de gesso se moveu suavemente. Os lindos cabelos que pareciam de boneco deslizaram suavemente. E finalmente, os olhos vermelhos de Landif, que não perdiam seu brilho mesmo na sombra, foram revelados.
Landif olhou para Tenen como alguém que nunca havia piscado os olhos sequer uma vez.
— Schnievel. O dono da caixa.
— Sim. Era meu avô.
— A caixa é transferida para Tenen Skyler.
— Foi isso que o testamento do meu avô dizia.
— …O conteúdo pode ser descartado, transferido para outra pessoa, ou o novo dono pode retirá-lo e usá-lo.
— Afinal, o que é o conteúdo?
Já era difícil entender a própria expressão do avô ao chamar Landif de “caixa”, mas o que era ainda mais incompreensível era o tesouro do avô. O avô havia dito que lhe deixaria o tesouro guardado na caixa.
Certamente não seria uma ordem para abrir o ventre de Landif e retirar as joias de dentro. Seria que o próprio corpo de Landif, com sua beleza que não parecia humana, era tão valioso quanto um tesouro?
Tenen franziu levemente a testa e fitou Landif. Landif piscou os olhos uma vez, lançando uma sombra suave ao redor deles com seus longos cílios.
— A coisa mais preciosa de Schnievel Felisto. E a coisa mais repugnante.
— Não estou entendendo o que você está dizendo.
— Você deseja receber o conteúdo de volta?
— Não é possível ver antes?
Landif balançou levemente a cabeça. A cada vez que o fazia, seus cabelos que pareciam ter sido mergulhados e retirados da luz pálida da lua ondulavam como água. O que ele havia pensado ser branco, após seus olhos se acostumarem com a escuridão, revelou-se um brilho prateado nos cabelos. Os olhos vermelhos como um rubi lapidado por um artesão fitavam Tenen como se aguardassem uma resposta.
“Com certeza o avô não teria me deixado algo que me prejudicasse.”
Ele não havia visto muito o avô em vida, mas apesar de não expressar emoções, não era uma pessoa terrível. Pelo contrário, era difícil entender o ódio extremo que o pai, os tios e a avó demonstravam em relação ao avô.
“Aquele homem era uma boneca. Uma boneca repulsiva que apenas imitava ser humano.”
As palavras que a avó, ainda ereta apesar da idade, havia murmurado no funeral do avô vieram à mente. O Conde Felisto e os membros diretos da família não derramaram uma única lágrima no funeral do avô. Tampouco conversaram entre si, como estranhos reunidos ali por acaso. Para os de fora, deve ter sido uma cena muito estranha.
Tenen sempre teve dificuldade de se adaptar àquele ambiente da residência principal.
A família Skyler, que havia saído da residência principal e se estabelecido em uma propriedade tranquila, era uma família harmoniosa a ponto de merecer o rótulo de “não muito aristocrática”. Por isso, cada vez que ia à residência principal, Tenen achava estranho ver o pai com uma expressão fria como gelo, e costumava especular internamente que talvez o avô tivesse cometido um grande erro na juventude.
No entanto, não havia nenhum problema. O avô jamais havia sorrido, mas fora dedicado à família. Havia cumprido seus deveres como pai, como marido, como aristocrata e como ser humano, sem discriminar ninguém.
Mesmo assim, havia de alguma forma uma atmosfera em que toda a família considerava o avô algo perturbador. Tenen achava isso muito estranho, e não detestava o avô.
Talvez o avô tivesse lhe deixado esta mansão de verão e Landif porque havia percebido esses sentimentos. Tenen pensou no avô em vida e ergueu os ombros uma vez.
“Não consigo entender de jeito nenhum.”
Era impossível compreender, após a morte, os pensamentos internos do avô que ele não conseguia entender nem quando estava vivo. Além disso, o que havia herdado junto com a mansão era justamente aquele “Landif”.
O maior mistério da família Conde Felisto. Landif, que se dizia que o avô havia trazido de algum lugar na juventude, não havia envelhecido nem um pouco nas dezenas de anos seguintes — calculando por cima, mais de cinquenta anos.
A dúvida de “isso é possível?” costumava perder força no momento em que se deparava com a beleza não humana de Landif. Pois ao pensar em sua beleza, era o fato de ele ser um humano comum que parecia questionável.
Como Landif ficava apenas nesta mansão, sua existência não era amplamente conhecida no mundo. Porém, sua existência circulou de boca em boca entre os membros da família, tornando-se um segredo íntimo e uma vergonha da família Felisto.
— Por ora, vou receber e, se de fato não servir, descarto depois.
Tenen desistiu de pensar mais e tomou uma decisão. Também estava curioso para saber o que o avô, que em vida não tinha a mínima humanidade, havia guardado com tanto cuidado.
— Então recebo o que era do meu avô.
— Confirmação do receptor. Executarei a transferência como administrador até que o conteúdo seja esgotado.
Landif falou com seu rosto e voz de boneco. O que diabos iria surgir. Tenen, que esperava que Landif tirasse algo do interior de suas roupas ou o conduzisse a algum cofre secreto escondido em algum lugar da mansão, franziu as sobrancelhas ao ver Landif imóvel em seu lugar.
— Você disse que ia me dar. Onde está?
— No momento apropriado.
Com essa única frase atirada assim, Landif fechou a boca.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Desire Box (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Como herança de seu avô, Tennen recebeu uma mansão silenciosa e um homem. Landiff, um espírito amaldiçoado que habitava a mansão sem dono. O homem, que jamais envelhecia e cuja beleza nunca desbotava, chamava a si mesmo de “Caixa”.
“A caixa é transferida para Tennen Skyler.”
O que foi herdado por Tennen, ao aceitar o bizarro testamento de seu avô, era a vergonha secreta do velho que não podia ser mostrada a ninguém. Era o próprio desejo impuro, preservado em seu estado mais cru. Até que o fundo da caixa fique completamente vazio, a herança, uma vez iniciada, não irá parar.
“Você já teve relações com um homem antes?”
O desejo trazido à tona pelo homem apático submerge completamente o jovem mestre nobre e puro.
“Seu talento é impressionante, meu mestre.”
Em meio a dias de luxúria que experimentava pela primeira vez, o desejo de Tennen se torna ainda mais profundo.
“Lembre-se bem de sensações como esta, meu mestre.” “Isso é o que chamam de desejo.”
Na terra de musgo azul, na vila de verão de Blue Moss, começa o verão mais quente de sua vida.
Nome alternativo: Desire Box Caixa Dos Desejos