Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 142 Online


Modo Claro

Capítulo 142

— Como assim o que eu estou fazendo?
Bliss piscou os cílios de propósito, lançando-lhe um olhar provocante e malicioso.
— Estou fazendo aquilo que você sabe muito bem.
Ele esticou a mão de mansinho mais uma vez, mas falhou novamente. Cassian, ainda com uma expressão severa, repeliu a mão de Bliss quase arrancando-a de perto. Tendo sido rejeitado por duas vezes, Bliss já não podia mais negar a realidade. Só então, encarando-o com uma cara de puro espanto, viu Cassian trincar os dentes antes de abrir a boca com a voz grave e contida:
— Você tem vergonha de mim?
— O quê?
Diante daquelas palavras totalmente inesperadas, Bliss acabou arregalando os olhos. Ele não fazia a menor ideia do que aquilo significava de repente, mas de uma coisa tinha certeza:
Cassian estava absurdamente furioso.
E mais.
Aquela definitivamente não era a situação ideal para colocar em prática a simulação que ele havia preparado com tanto empenho.
— Ter vergonha de você? Do que você está falando? Por que eu teria?!
Só agora percebendo o clima tenso, ele apressou-se em negar enquanto suava frio, mas a expressão de Cassian não mudou. Pelo contrário, seu rosto ficou ainda mais rígido enquanto encarava Bliss, rangendo os dentes.
— Você… por que diabos veio até aqui, afinal?
Para conseguir conter a turbulência que fervilhava em seu peito, Cassian estava enfrentando mais estresse do que quando participava das sessões no Parlamento. Afinal, ele estava morrendo de curiosidade para entender o que aquela capivara estava aprontando em segredo. É claro que o cérebro pequeno e inocente de Bliss não conseguia decifrar a gravidade da situação.
— Eu vim para ver você, claro. É óbvio.
Diante da resposta sincera, Cassian soltou um longo e fervoroso suspiro, passando os dedos de forma irritada pelos cabelos que estavam perfeitamente penteados. Ao ver aquela cena, Bliss sentiu um estalo de medo.
— S-Sabe… você ficou bravo porque eu apareci sem avisar?
Ao vê-lo tentar sondar seu humor com uma postura totalmente acuada, o coração de Cassian amoleceu um pouco.
— Não é por isso.
Pelo contrário, a presença do garoto havia sido um novo sopro de energia para ele, que estava exausto das atividades políticas. No instante em que vira o rosto de Bliss, todo o cansaço havia desaparecido, fazendo-o pensar que a felicidade devia ser exatamente aquilo.
Porém, no mesmo instante, a lembrança do motivo de ter ficado tão furioso veio logo em seguida, fazendo a raiva que ameaçava esfriar ferver novamente.
— O motivo de você ter vindo não importa.
Ele continuou, reprimindo o tom de voz ao máximo:
— Tudo bem, você queria me ver surpreso. Ótimo, eu entendo. Mas o que foi aquilo que você disse antes? Primo? Eu? Eu sou seu primo? Meu Deus, então eu era um idiota pervertido que ficava berrando por aí que ia beijar e se casar com o próprio primo!
Sua voz foi se tornando cada vez mais ríspida. Diante das palavras disparadas com rapidez, Bliss finalmente compreendeu a situação.
— Não fique tão bravo assim…
Falando com cautela enquanto avaliava a reação do outro, viu Cassian levar uma das mãos à testa e soltar um suspiro profundo. Bliss encolheu-se ainda mais com o gesto, mas isso não significava que ele não tinha argumentos.
— Da outra vez, você também me apresentou para outra pessoa como se eu fosse um parente.
“Essa capivara…”
Cassian encarou Bliss, completamente boquiaberto. “Então ele está se vingando de mim agora? A situação de quando eu disse aquilo por acaso é a mesma de agora? Naquela época você era uma capivara minúscula e agora não é mais. O que diabos se passa na sua cabeça para…”
Inúmeras frases surgiram em sua mente, mas, no fim, ele não exteriorizou nenhuma. Após apenas observar Bliss por um breve momento, Cassian fechou os olhos e controlou suas emoções. Enquanto ele mantinha o silêncio, como se contasse números mentalmente, Bliss limitava-se a ficar estático, vigiando cada reação sua. Após finalmente reter os sentimentos até certo ponto, Cassian abriu os olhos novamente.
— Eu errei daquela vez. Me desculpe.
Diante do tom de voz que ecoou de forma serena, Bliss assustou-se e balançou a cabeça depressa:
— A-Ah, não, a situação exigia aquilo na época. Está tudo bem, eu já tinha até esquecido. É sério.
Ao vê-lo emendar as frases enquanto gesticulava com as mãos, Cassian limitou-se a responder com um curto “entendi”. “Não era uma vingança, então.” Pensando bem, a mente pequena de Bliss não seria capaz de articular algo tão complexo. Claro que ele resolveu deixar de lado o pensamento de que Bliss era infantil o suficiente para fazer uma vingança daquelas e muito mais. Em vez disso, outra dúvida surgiu em sua mente.
— Então por que se deu ao trabalho de inventar uma mentira dessas? — perguntou Cassian, franzindo o cenho novamente. — Por que insistir em esconder? O nosso relacionamento. O que você tem na cabeça?
— É que…
Diante da reação hesitante e vacilante de Bliss, o semblante de Cassian obscureceu-se.
— No fim das contas… você tem vergonha de que saibam que nós temos esse tipo de envolvimento?
“Por eu ser um beta.”
Como ele guardou o complemento da frase para si, Bliss reagiu imediatamente ao questionamento:
— Não, não é isso! Claro que não! O que você está pensando? Com certeza não é isso!
Tendo demonstrado uma reação veemente, balançando não apenas as duas mãos mas também a cabeça, ele acabou desviando o olhar a contragosto e murmurou:
— É que não tinha necessidade de ficarem sabendo… Nós ainda não nos casamos.
— Quanto a isso, Bliss, eu já não te disse para irmos ao encontro dos seus pais para obtermos a permissão primeiro?
Cassian esforçava-se para reprimir o temperamento que insistia em aflorar, mas o acúmulo de estresse era inevitável. Enquanto respondia massageando a testa com uma das mãos, a voz de Bliss ecoou em seus ouvidos.
— …Não tem necessidade.
Foi uma queixa que escapou em um tom de voz totalmente desanimado. Cassian levou alguns segundos para decifrar o real significado daquilo.
*“Eu já disse que você não precisa ir à minha casa.”*
Ele afastou a mão da testa e encarou Bliss.
— …Você está falando sério?
Diante da pergunta que ecoou em um tom muito mais grave do que o habitual, Bliss sobressaltou-se, mas logo virou o rosto.
— Claro que estou falando sério. Para que se dar ao trabalho de ver o Papa e o Daddy? Por acaso você vai se separar de mim se eles não permitirem? Não vai! Já que não vamos nos separar de qualquer forma, vamos resolver isso de uma vez. Tanto o casamento quanto o sexo!
— Bliss, diga algo que faça sentido.
— Por que não faz sentido?
Assim que Cassian rebateu como se estivesse exausto daquilo, Bliss arregalou os olhos e confrontou-o de imediato:
— Você é quem fica querendo dar voltas quando existe um caminho mais fácil! Para que insistir em conseguir permissão se eu já estou dizendo que quero? Eu estou dizendo que quero transar com você, então por que você insiste em dizer que não pode? Por acaso você é impotente?
— O que você disse?
Cassian ficou tão perplexo que até a sua indignação desapareceu por completo. Ao ver aquela reação, Bliss percebeu tardiamente que havia se exaltado demais, mas era tarde para recuar. Em vez disso, ele mudou o tom de voz em uma tentativa de reverter o clima e partiu para a ofensiva novamente:
— É claro que não é. Então vamos fazer. Pode ser aqui no carro mesmo, não pode? Quer que eu suba em você?
— Bliss, não.
Mesmo diante da investida ativa de Bliss, a postura de Cassian permaneceu irredutível. Segurando a cabeça de Bliss que tentava avançar em direção ao seu colo, ele o empurrou para longe e o repreendeu com firmeza:
— Eu não posso deixar que a sua primeira vez aconteça de qualquer jeito dentro de um carro. Não posso tratar você de forma tão barata assim.
“Esse desgraçado realmente…!”
Faíscas saltaram dos olhos de Bliss. O topo do castelo já podia ser avistado logo adiante. Se continuasse daquele jeito, era certo que tudo terminaria sem que ele conseguisse experimentar absolutamente nada. Tomado pelo desespero, Bliss gritou sem medir as consequências:
— Não é a minha primeira vez! Eu já fiz isso antes!
Diante da declaração disparada sem pensar, Cassian estancou pela primeira vez.
— …O que você disse?
A voz que ecoou após uma breve pausa parecia de alguém que havia perdido os sentidos. Com uma expressão de choque inédita e exibindo uma feição completamente pálida, Cassian abriu a boca:
— …Quando? Com quem você está dizendo que fez isso?
Bliss sentiu um sobressalto momentâneo diante da pergunta feita de forma pausada, mas não podia confessar agora com um “não, era mentira”. Afinal, um homem deve sempre seguir em frente com as suas decisões!
— P-Perguntar sobre o passado é golpe baixo! Você também disse que tem experiência, não disse? Então está tudo bem. Vamos fazer logo!
“É agora!” Pensando em aproveitar a brecha, ele avançou ao ataque, mas foi bloqueado novamente por uma fração de segundo.
— Não pode.
Segurando a cabeça de Bliss mais uma vez para afastá-lo, Cassian pronunciou com teimosia:
— Como é a primeira vez comigo, não quero que seja dessa forma. Aqui não.
— Então vamos para a cama? O meu quarto? O seu quarto? Para mim tanto faz, vamos fazer!
Bliss sugeriu a alternativa com pressa, mas, como esperado, Cassian não cedeu dessa vez também.
— …Mais tarde — murmurou Cassian com a voz exausta. — Conversamos sobre isso mais tarde.
Bliss piscou os olhos, completamente boquiaberto. A velocidade do carro diminuiu até parar por completo. Agora havia acabado. Todas as chances haviam sido desperdiçadas.
— Seja bem-vindo, Conde. Bliss.
O grito estridente de Bliss ecoou com força total nos ouvidos de Penelope, que abrira a porta do veículo exibindo bochechas infladas por conta de suas imaginações adocicadas.
— Seu velho, rabugento! Velho turrão e tapado! Você é impotente!
— Hiiaak!
Enquanto uma assustada Penelope recuava tentando recuperar o fôlego, Bliss aproveitou a brecha e saiu correndo de dentro do carro.
— Bliss! Bliss?
Deixando para trás a voz que o chamava com urgência, ele correu direto para o interior do castelo sem olhar para trás. Penelope limitou-se a encarar a silhueta dele se distanciando com uma feição totalmente em pânico, antes de virar a cabeça tardiamente. Cassian, que ainda estava no veículo, soltou um suspiro e saiu do carro. Penelope hesitou por um momento antes de puxar assunto com cautela:
— Bem, Conde… aconteceu algo de errado…?
— Estou cansado, quero descansar.
Deixando apenas aquela frase flutuando no ar, o Conde também entrou no castelo, seguindo o mesmo caminho de Bliss. No entanto, em total contraste com o garoto, seus passos eram lentos, silenciosos e imersos em pensamentos profundos e reflexivos.

 

 

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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