Ler Cachorro e Pássaro (Novel) – Capítulo ↫─☫ Extra 28 Online

Dog And Bird. AU — 02
#02
O tempo voava quando se estava empenhado em algo. Daí em diante, Seo Gyuha teve que cumprir uma agenda de gravações apertada e lutar arduamente contra os roteiros, cujo intervalo de entrega diminuía. O personagem que ele interpretava, Lee Seung-eon, não era apenas um vadio. Com a ajuda do pai, ele entrava para o *Gamgeonbu*, um órgão semelhante à Agência Central de Inteligência de hoje, e sua vida se complicava ao reencontrar ali Choi Je-yoon, seu superior e herdeiro de uma família rival… ou melhor, os incidentes começavam de verdade.
Foi a partir dessa época que os diálogos tornaram-se visivelmente difíceis. Seo Gyuha, às vezes batendo na própria cabeça por frustração e raiva, enfiava à força em sua mente frases repletas de termos desconhecidos.
A provação que o atingiu não foi apenas a dificuldade das falas. Conforme o tempo passava e o clima de paquera entre os protagonistas começava a surgir, ocorreu um problema imprevisto.
— Você jantará comigo hoje?
— Com… comigo, o senhor diz?
— Pois quem mais está aqui além de nós?
Dentro do *Gamgeonbu*, onde a lamparina brilhava fracamente. Lee Chayoung, vestindo um traje militar impecável, disse sua fala com um sorriso malicioso no rosto. Sua mão segurava delicadamente a mão de Seo Gyuha, que tinha um pequeno ferimento.
— Bem.
Seo Gyuha, que estava em uma postura respeitosa diante de seu superior, sentiu a premonição de um desastre total assim que soltou sua fala.
— Ah, droga.
Como esperado, o grito de comando veio da boca do diretor:
— Corta!
Assim que ouviu o “corta”, Seo Gyuha curvou-se imediatamente para a equipe de produção.
— Sinto muito. Vou fazer de novo.
Internamente, ele se repreendeu. A fala que ele deveria ter dito era: “Não há mais ninguém”. Ele sabia disso, mas acabou falando bobagem como se estivesse enfeitiçado e, após passar por falas longas e difíceis, cometeu um erro absurdo em apenas uma palavra, resultando em um NG.
O problema era que aquele já era o quinto NG bobo daquele tipo só hoje. Felizmente, o clima no set continuava relativamente bom até agora, e estavam deixando passar com tolerância, mas errar em lugares onde não se deveria errar era enlouquecedor.
No final, após cometer mais um NG e gravar mais uma vez de perfil e por trás, a cena terminou. Como a gravação com o traje militar terminava ali, decidiram retomar as gravações uma hora depois para que pudessem trocar de roupa e jantar.
O tempo continuava terrivelmente frio. Seo Gyuha caminhava a passos largos, encolhido como uma tartaruga, quando ouviu uma voz chamando seu nome por trás:
— Gyuha.
Ao se virar, viu o assistente de direção. Ele já tinha uma aparência de viciado em trabalho desgastado pela vida, mas as rugas em sua testa estavam cada vez mais profundas e ele parecia desleixado com a barba crescendo ao redor do queixo. Ele caminhou ao lado de Seo Gyuha e foi direto ao ponto:
— Por acaso você brigou com o Chayoung?
— Hein?
Seo Gyuha perguntou involuntariamente pela pergunta repentina e logo respondeu:
— Não, imagina.
— Mas por que está assim? Hoje você parece especialmente tenso e não consegue se concentrar.
Como ele próprio sentia isso, não tinha argumentos para refutar.
— Sinto muito. Vou me concentrar ao máximo à tarde.
— Certo. Vamos fazer um bom trabalho.
Após dar um tapinha leve em seu ombro, o assistente de direção voltou para onde a equipe estava reunida. Seo Gyuha continuou caminhando em direção ao camarim e soltou um longo suspiro. Yoon Byeongcheol, que estava ao seu lado como um figurante, falou com cautela:
— Tudo bem? Não está doente, né?
— Estou ótimo.
Ao contrário do que dizia, a expressão tensa de Seo Gyuha não relaxava. Diferente do normal, ele comeu em silêncio, recusou o Latte que Yoon Byeongcheol se ofereceu para comprar e ficou plantado em seu lugar. No espelho, via-se uma ruga profunda em sua testa, não menos que a do assistente de direção.
— Haaa….
Em seguida, soltou um longo suspiro e jogou o corpo para trás. Kim Moran disse que ele teria uma indigestão se fizesse aquilo, mas ele nem ouviu. Logo, as palavras que ouvira do assistente de direção vieram à mente:
“Por acaso você brigou com o Chayoung?”
Não era o caso. Pelo contrário, Lee Chayoung continuava gentil e atencioso, e graças a isso, sua afinidade humana por ele subira muito. O problema estava no gênero dele, ou melhor, em seu próprio gênero.
Não havia problema em ser amigos ou colegas, mas ao pensar em “paquerar” um Alfa, fosse na atuação ou em qualquer coisa, uma repulsa inexplicável surgia em seu coração. Não, não era sem motivo. Ele ouvira que Lee Chayoung era um Alfa lúpus, um dos gêneros mais raros e superiores.
Talvez pelo medo de que seu próprio gênero fosse descoberto se baixasse a guarda, toda vez que via Lee Chayoung tentando flertar sutilmente seguindo o roteiro, sua língua travava e sua expressão ficava rígida. Jamais imaginou que algo assim aconteceria.
— …Vou enlouquecer.
— Enlouquecer onde?
— Quê?
— Você disse que ia enlouquecer. Tem alguma loucura específica? Eu quero participar.
“……”
Mandando um “va se ferrar” mentalmente para o Kim Moran que estava dando risadinhas, Seo Gyuha apenas continuava soltando suspiros profundos. Suas pernas, que tocavam o chão de qualquer jeito, não paravam de tremer como se estivesse com ansiedade.
***
— Corta!
— Sinto muito.
Mesmo tendo identificado o problema e a causa, uma hora era pouco tempo para encontrar a solução.
Na gravação retomada à tarde. Naquela hora também, Seo Gyuha cometia NGs infalivelmente quando estava com Lee Chayoung, especialmente em climas românticos. No final, ele conseguiu o “OK” pensando no rosto à sua frente como uma pedra, e não como uma pessoa, mas não ficou nada satisfeito com sua própria atuação.
Se a equipe técnica percebeu, não havia como Lee Chayoung, que atuava bem na frente dele, não saber. Naquela noite, Seo Gyuha acabou tendo um tempo de conversa com Lee Chayoung. Ele recebeu a ligação quando estava prestes a se deitar na cama após chegar em casa.
— Oi.
— Quer dar uma saída rapidinho? Eu te pago uma bebida.
Com gravação marcada para o dia seguinte, a bebida era claramente uma desculpa. Como já estava inquieto, Seo Gyuha ia recusar, mas Lee Chayoung se antecipou com uma brincadeira:
— Venha à vontade. Não vou te dar bronca.
— …Hunf, francamente.
Mesmo resmungando, ele não tinha o que dizer. Era um fato evidente que toda vez que cometia um NG, tornava-se um fardo para Lee Chayoung, que era seu parceiro de cena. No final, Seo Gyuha saiu de casa vestindo o capuz do casaco.
O local do encontro era o bar exclusivo para membros que visitaram anteriormente. O funcionário lançou um olhar suspeito para suas roupas suspeitas, mas assim que ele disse o nome de Lee Chayoung, ele o guiou para a sala imediatamente, como se nada tivesse acontecido. Lee Chayoung já havia chegado.
Talvez por ter tido outro compromisso à noite, Lee Chayoung vestia uma camisa cor de vinho. Era uma cor que poderia facilmente parecer exagerada, mas ao vesti-la, seu rosto pálido destacava-se, exalando uma aura sensual.
Por outro lado, Seo Gyuha vestia roupas comuns, sem dúvida. Inclusive, se ele abrisse o zíper do casaco, apareceria um desenho grande de um porquinho — não, um filhote de porco — em sua blusa de moletom.
“Acho que já estivemos nessa situação antes…”
“Sou um idiota completo. Ufa.” Para proteger seu parco orgulho, Seo Gyuha decidiu não tirar o casaco. Mesmo que uma pessoa tire ou não a roupa, o normal seria fingir que não viu, mas Lee Chayoung não parecia disposto a isso.
— Não vai tirar o casaco?
— …Está frio.
Embora o ar quente do aquecedor estivesse tão forte que chegava a ressecar a pele, Lee Chayoung não o questionou e demonstrou empatia:
— Vi durante as gravações que você parece sentir muito frio. Você é sensível ao frio por natureza?
— Sim.
— Então deve ser forte no verão.
— Detesto o verão também. Odeio ainda mais.
— Dá para ver só pela sua expressão.
Mesmo sem saber do humor inquieto do outro, Lee Chayoung sorria de forma radiante. Em seguida, Seo Gyuha bebericou o uísque Bourbon que pedira para si. Considerando a gravação de amanhã, o ideal seria pedir algo com baixo teor alcoólico ou sem álcool, mas achou que não conseguiria falar nada se estivesse totalmente sóbrio.
Lee Chayoung também tomou um gole da bebida e entrou no assunto principal em silêncio:
— Está acontecendo algo ultimamente? O diretor estava preocupado.
“O quê? O diretor foi fazer fofoca para ele?”
Seja qual fosse o motivo, isso não era importante. O problema era que ele conseguia ficar ali sentado com a mesa entre eles sem problemas, mas pensar que ficaria estranho novamente no set amanhã o deixava estressado. O maior problema era que os sentimentos dos dois personagens apenas se aprofundariam e dariam frutos daqui para frente, sem retroceder. Em suma, se ele não resolvesse esse sintoma (?) rapidamente, era óbvio o quão árduas seriam as gravações futuras.
Seo Gyuha, com o rosto tenso, tomou mais um gole da bebida. Por ter pedido uma bebida desconhecida por curiosidade inútil, sentiu a garganta arder especialmente.
Enquanto se preparava para sair após desligar o telefone, Seo Gyuha pensou até que ponto falaria diante de Lee Chayoung. O cerne da questão, sem os detalhes irrelevantes, podia ser resumido em uma frase:
“É porque sou um Ômega e sinto repulsa por Alfas masculinos.”
Seo Gyuha também era homem, então, normalmente, seria de se esperar que ele se manifestasse como um Alfa. No entanto, essa normalidade não lhe foi permitida. Talvez por falta de autoconfiança, por ter nascido como um Ômega masculino — que outrora era tratado como uma mutação —, ou talvez por inveja e complexo de inferioridade em relação aos Alfas masculinos, ele sentia um distanciamento até mesmo das Alfas femininas.
Ele tinha uma vaga consciência de que possuía esse tipo de problema psicológico, mas jamais imaginou que isso transpareceria de forma tão evidente, mesmo sendo apenas uma atuação e não a realidade.
Sendo assim, até que ponto ele deveria contar a Lee Chayoung?
Para começar, ele não tinha a menor intenção de revelar sua natureza original, nem que morresse. Por mais que vivesse em uma era onde as pessoas não se interessavam pela vida alheia, Ômegas masculinos ou “Alfas femininas” ainda eram o prato cheio para fofocas e desprezo. Expor a própria fraqueza em uma situação dessas seria coisa de idiota.
Por isso, Seo Gyuha preparou uma desculpa que fosse minimamente convincente e que também preservasse sua dignidade. Como Lee Chayoung provavelmente acreditava que ele era um Beta, a desculpa deveria funcionar sem problemas.
Apesar do silêncio prolongado, Lee Chayoung não o apressou. Graças a isso, após organizar seus pensamentos mais uma vez, Seo Gyuha abriu a boca lentamente.
— Eu não tenho muita experiência com namoro.
…Hã? Espera aí.
— ……!
Nossa, que droga.
Seo Gyuha percebeu seu erro e corrigiu a fala rapidamente.
— Quero dizer que não tenho experiência com homens.
Ah, cacete, isso também soou estranho. Ele detestava ser subestimado.
Sentindo a garganta seca, ele virou a bebida de uma vez e voltou a falar.
— Como você sabe, eu sou Beta. Por isso, nunca senti esse tipo de sentimento por um homem. Eu estava ciente e me preparei quando recebi a sinopse, mas acho que, na hora do vamos ver, me senti estranho. Eu sou do tipo que demora um pouco para se acostumar com coisas desconhecidas… Vai melhorar com o tempo.
Seo Gyuha sabia melhor do que ninguém que, se ficasse de braços cruzados, a coisa poderia realmente feder. Pelo menos amanhã não teria cenas de gravação com Lee Chayoung, então não haveria problema, e ele já havia combinado com o Diretor Yang de fazer uma consulta psicológica com um especialista, nem que fosse tarde da noite.
— Hmmm.
Após ouvir tudo, Lee Chayoung soltou um gemido enigmático. Contudo, o leve sorriso em seu rosto permanecia inalterado.
— Isso era algo que exigia até preparação?
— ……!
— É brincadeira. Se você é um homem Beta, pode ser que sinta repulsa pelo mesmo sexo.
“Não sou Beta, sou Ômega, seu Alfa metido.”
— Hmmm, então…
Com uma expressão de quem estava convencido, Lee Chayoung continuou a falar para Seo Gyuha.
— Quer praticar um pouco?
— Praticar? Praticar o quê?
— Praticar o “clima” comigo.
Diante de um tipo de treino que nunca ouvira antes na vida, Seo Gyuha arqueou uma sobrancelha sem perceber.
— Do que você está falando?
— Você acabou de dizer. Que demora para se acostumar com coisas desconhecidas. Então, não seria melhor se aumentássemos nossa intimidade desde já?
— …E você acha que isso melhora com prática?
— Melhor do que não fazer nada.
Aquele rosto que parecia esculpido à perfeição emanava uma confiança inexplicável. Sua voz, adequadamente grave e suave, adicionava persuasão ao seu argumento. Olhando agora, Lee Chayoung teria ganhado rios de dinheiro se tivesse escolhido ser conselheiro em vez de ator.
Em seguida, palavras mais sérias saíram da boca de Lee Chayoung.
— Este trabalho é uma oportunidade muito importante para mim também. A agência tem grandes expectativas.
Normalmente, Seo Gyuha teria dado um fora brincalhão dizendo que ele era ambicioso demais, mas o clima agora não era para isso. Como dito antes, Seo Gyuha sabia melhor do que ninguém que seria um problemão se aquele estado continuasse.
— Não é o mesmo para você?
— …Nem precisa perguntar.
O rosto do bondoso Diretor Yang flutuou em sua mente. Sabendo o quanto ele cuidou dele como um filho e o apoiou, Seo Gyuha não queria decepcioná-lo.
— Por isso, estou dizendo para tentarmos qualquer coisa que pudermos.
— E o que vamos fazer? Você tem um método?
— Você disse que é porque se sente estranho no “clima” com um homem. Se fizermos algo mais pesado que isso, um simples clima não será nada, não acha?
Embora não tivesse cabeça para os estudos, ele tinha inteligência para esse tipo de coisa. Logo, uma expressão de horror e descrença se espalhou pelo rosto de Seo Gyuha.
— …Você está sugerindo que a gente tenha contato físico?
Na verdade, a palavra que surgiu imediatamente em sua mente foi “sexo”, mas ele não teve coragem de dizer. E vejam só, ele errou o alvo por completo. Diante da menção a contato físico, Lee Chayoung hesitou por um instante e logo deu um sorriso travesso.
— Não, o que eu pensei foi um encontro.
— ……!
— Que ousado você, hein?
O rosto de Seo Gyuha ardeu de vergonha e constrangimento. Em seguida, como alguém que grita para disfarçar o erro, ele elevou o tom de voz.
— Então por que caralhos você diz que é algo pesado, deixando a pessoa confusa? Um encontro é algo pesado?
— Para alguém sem imunidade à homossexualidade, é pesado, sim.
Ai, se ele não fosse tão bom de lábia.
Para acalmar o coração sobressaltado, ele agarrou o copo, mas só ouviu o tilintar do gelo — já tinha bebido tudo. Na falta de outra coisa, ele entornou água pura, enquanto Lee Chayoung, observando a cena, voltou a falar.
— Mas acho que isso também é uma boa ideia. Não, parece até melhor.
— O quê?
— O contato físico.
O cenho de Seo Gyuha se franziu profundamente mais uma vez.
— Para de me zoar.
— Não estou zoando. Tem aquela cena em breve, na taverna, onde eu envolvo seu rosto com as mãos. Você vai conseguir fazer bem, sem cometer erros?
A resposta não saiu facilmente. Só de pensar na mão de um Alfa tocando sua bochecha, ele sentia arrepios.
— Tá vendo? Por isso é melhor aumentar sua imunidade agora.
A confiança emanada por seu rosto e voz permanecia a mesma. Claramente parecia um sofisma, mas, devido ao tom persuasivo, Seo Gyuha foi sendo levado aos poucos. A realidade de não ter outro método imediato também contribuiu.
“Cai na real. É melhor sair enquanto ainda estão aplaudindo.” Para se recompor, ele aplicou um método de choque em si mesmo. E se ele fosse cortado agora? E se o motivo fosse má atuação? Era certo que seu sustento acabaria, e, como ator, não haveria humilhação maior.
Por fim, Seo Gyuha terminou de pensar e ergueu a cabeça com uma expressão solene.
Certo, que seja.
— Vamos tentar.
***
Diferente do que esperava, o “grande evento” não aconteceu de imediato.
Para Seo Gyuha, que disse “vamos tentar” com um rosto solene como se estivesse indo para a guerra, Lee Chayoung avisou sobre a existência de câmeras de segurança no teto e reservou um hotel em nome do empresário.
Sentado no banco de trás do carro, Seo Gyuha estava quieto. Lee Chayoung pensou que ele pudesse mudar de ideia no caminho, mas ele parecia decidido, pois não disse nada. Em vez disso, Lee Chayoung fingiu não ver as mãos dele, que se mexiam incessantemente de ansiedade.
Durante o trajeto, enquanto Lee Chayoung fazia o check-in e até mesmo ao subirem no elevador, Seo Gyuha permaneceu em silêncio. Ao entrarem no quarto, Lee Chayoung foi o primeiro a falar.
— Quer tomar banho?
Seo Gyuha deu um pulo com a voz súbita.
— Não, eu já tomei antes de sair.
— Entendi.
Com um leve sorriso, Lee Chayoung desabotoou o casaco, um por um. Como não queria parecer intimidado, Seo Gyuha também tirou sua jaqueta térmica para não ficar atrás. Ao mesmo tempo, o porquinho estampado em tamanho gigante em seu moletom — do qual ele havia se esquecido momentaneamente — revelou seu rosto sorridente e radiante.
Naquele momento, ele pensou “droga”, mas Lee Chayoung já tinha visto. Lee Chayoung, que acabou fazendo contato visual involuntário com o personagem de porco, soltou uma risadinha.
— Foi por isso que não tirou a jaqueta?
— …Eu não tirei porque estava com frio.
— Ah, é mesmo. Verdade.
Ele não sabia se devia agradecer por ele ter entrado na onda ou não… Depois de jogar a jaqueta no sofá de qualquer jeito, Seo Gyuha finalmente olhou ao redor do quarto. Ao ver que só havia o sofá e móveis antigos, percebeu que o quarto de dormir devia ser separado.
Ele pensou que aquilo era um desperdício de dinheiro, mas logo aceitou ao concluir que, se tratando de Lee Chayoung, ele pegaria um quarto desses mesmo se viesse sozinho. Em seguida, Lee Chayoung sentou-se pesadamente no sofá e fez uma proposta bem-vinda.
— Quer beber mais uma dose?
— Seria bom.
Pedir o serviço de quarto também ficou por conta de Lee Chayoung. Quando ele voltou e se sentou no sofá, o silêncio pairou entre os dois. Talvez por ser um andar alto ou pelo isolamento acústico ser diferenciado, não se ouvia nem o som comum dos carros do lado de fora.
Como detestava situações constrangedoras, desta vez Seo Gyuha tomou a iniciativa. Ele puxou conversas banais, perguntando a que horas seria a gravação de Lee Chayoung amanhã, comentando que as gravações externas continuariam, e assim por diante. Pouco depois, a campainha do quarto tocou.
— Eu vou lá. Fique no banheiro ou em algum lugar.
Lee Chayoung entendeu perfeitamente, deu um sorriso de canto e se levantou. Após confirmar que ele havia desaparecido, Seo Gyuha abriu a porta do quarto. O funcionário, que entrou com uma mesa de rodinhas, organizou as cadeiras pessoalmente e partiu tranquilamente, deixando a mesa.
— Pode sair.
Olhando de novo, não havia apenas bebida. Em uma bandeja de festa de dois andares, havia petiscos que pareciam bem apetitosos, mas Seo Gyuha pegou apenas o copo e foi se sentar no sofá. Lee Chayoung ocupou o lugar ao lado dele.
Logo, Seo Gyuha inclinou o copo que levara à boca. Como havia pedido a bebida pura de propósito, sentia a garganta arder a cada gole.
O efeito da bebida adicional apareceu rápido. Não demorou muito para a embriaguez começar a se espalhar, deixando-o meio zonzo. No momento em que ia tomar mais um gole, a voz de Lee Chayoung soou calmamente.
— Que tal tentarmos enquanto praticamos as falas?
— Pode ser.
Parecia muito melhor do que um contato físico sem contexto. “Espera um pouco”, pensou Seo Gyuha, soltando um suspiro pesado.
Enquanto mudavam do bar para cá, o fato de estar em silêncio não significava que ele estava sem pensamentos. Pelo contrário, ele estava ocupado se autossugestionando de todas as formas.
“Eu sou Beta. Eu preciso ter sucesso. Isso é atuação. Nós somos… pessoas em um clima romântico.”
Depois de se decidir mais uma vez, Seo Gyuha lançou um olhar solene.
— Vamos fazer.
Lee Chayoung, que assentiu levemente, mudou de expressão em um instante, mergulhando no personagem. A situação era uma cena em que os dois compartilhavam uma bebida após terminarem um trabalho secreto de inspeção.
— — Você está bem?
Ao ouvir a fala, Seo Gyuha hesitou por um momento. Eles tinham que trocar várias falas relacionadas ao trabalho, e ele ia pular tudo e ir direto para lá?
Mas, como um ator de 15 anos de carreira, incluindo o período como ator mirim, ele rapidamente capturou a emoção e devolveu a fala seguinte.
— — Sim, estou bem.
— — Temo que fique uma cicatriz em seu rosto.
O rosto de Lee Chayoung, carregado de lamentação, refletiu-se claramente em sua retina. Por outro lado, a atenção de Seo Gyuha estava totalmente voltada para outra coisa.
“A-Aí vem. Porra.”
Seu coração, que já batia um pouco rápido, começou a bombear sangue freneticamente. Como esperado, no momento em que viu a mão se aproximar de seu rosto, Seo Gyuha, sem perceber, estremeceu e recuou o corpo.
Ih, caramba.
— Desculpe.
Como foi um erro óbvio dele, o pedido de desculpas saiu rápido. Ao mesmo tempo, ele sentiu um alívio por ter aceitado a proposta de Lee Chayoung. Só de pensar em quantos erros (NGs) ele teria cometido se isso não fosse um treino entre os dois, mas sim no set, ele sentia calafrios.
Felizmente, Lee Chayoung disse carinhosamente, com uma voz que não demonstrava nada de anormal:
— Quer ir de novo?
Seo Gyuha o encarou por um momento e balançou a cabeça negativamente.
— Não.
A atuação era apenas um pretexto para o contato físico; o ato em si era o que importava agora. Mesmo que recitasse as falas novamente, ele conseguia prever claramente sua própria hesitação.
Seo Gyuha aplicou a autossugestão novamente, como se estivesse recebendo uma transfusão de emergência.
“Eu sou Beta. Estou em um clima romântico com Lee Chayoung.”
Depois de repetir isso mentalmente três vezes, decidiu encarar a situação de forma mais direta.
— Posso segurar sua mão?
— Quando quiser.
“Você nem se assusta? …Bem, você já deve ter feito de tudo, segurar a mão não deve ser nada.”
Por outro lado, Seo Gyuha precisou de uma coragem considerável. “Ufa”, ele virou o rosto para o outro lado, soltou um suspiro e, com o sentimento de “seja o que Deus quiser”, agarrou a mão de Lee Chayoung.
O fato de ele mesmo ter segurado e gritado “aaaaa” internamente foi um bônus.
No entanto…
“…O quê? Até que está tudo bem.”
Ele só se assustou no primeiro momento do toque; não sentiu o desprazer ou os arrepios que imaginara. Talvez por não estarem com as mãos dadas palma com palma, mas sim por ele ter coberto levemente o dorso da mão de Lee Chayoung, não sentiu aquela sensação pegajosa de suor. Pelo contrário, sentiu um calor adequado e uma textura seca.
— Tudo bem?
— …É.
— Que bom. Fiquei preocupado que você fosse gritar assim que eu encostasse.
Ele já pensava isso antes, mas Lee Chayoung tinha o talento de dar cutucadas sutis com um rosto sorridente. Na verdade, ele soltou um balde de gritos internos, mas, como não havia como ser descoberto, ele negou.
— Não é para tanto.
— É. Ainda bem.
O sorriso de Lee Chayoung permaneceu em seu rosto. Só então Seo Gyuha retirou a mão discretamente e voltou a bebericar o copo.
Seu coração batia forte, mas por um motivo diferente do anterior. Era porque o rosto dele estava gravado em sua visão de forma intensamente nítida.
— Posso tocar seu rosto?
— O quê?
Por um momento, ele se assustou achando que seus pensamentos tinham sido descobertos, mas, claro, isso era impossível.
— Sendo fiel ao roteiro.
— Ah…
E eu pensando que era outra coisa.
Como ele disse, no roteiro estava escrito: “Choi Je-yoon envolve a bochecha de Lee Seung-eon, onde resta uma ferida”. Seo Gyuha pensou por um instante e respondeu:
— Eu faço.
Ainda era um pouco estranho a mão do Alfa tocá-lo primeiro. Seo Gyuha molhou os lábios secos com a língua uma vez, estendeu a mão primeiro e envolveu uma das mãos de Lee Chayoung. Desta vez também, surpreendentemente, não sentiu repulsa ou aversão.
Em seguida, ele levantou aquela mão lentamente em direção ao seu próprio rosto. Ele hesitou um pouco antes de tocar a bochecha, mas acabou conseguindo encostá-la.
— E então?
— …Acho que está tudo bem.
— Então solte minha mão.
Um questionamento torto quase surgiu por hábito, mas, lembrando-se repetidamente do roteiro, ele soltou a mão que segurava o pulso dele. Então, Lee Chayoung moveu levemente a mão e envolveu a bochecha de Seo Gyuha de forma mais natural.
Não havia desconforto, mas, por algum motivo, a sensação era estranha. Pensando bem, apenas pincéis de maquiagem costumavam passar por seu rosto; ele não se lembrava de quando fora a última vez que o toque de outra pessoa estivera em seu rosto por qualquer outro motivo. No momento em que ia dizer para parar, sentiu Lee Chayoung passar o polegar levemente pelo seu lábio inferior. Surpreso, Seo Gyuha afastou a mão dele com um tapa.
— O que você está fazendo?
— Parecia macio.
— O quê?
— Desculpe se te assustei. Enfim, parece que está tudo bem eu te tocar, agora que tal tentarmos com as falas também?
A confusão se espalhou pelos olhos de Seo Gyuha. Como havia uma mistura de tom brincalhão e modo sério, ele não sabia em qual ritmo deveria entrar. Ou será que esse cara está tão bêbado quanto eu? O rosto dele parece limpo…
— Você está falando sério?
— Sim.
— …Tá bom. Começa.
Assim que obteve a concordância, Lee Chayoung mudou o olhar instantaneamente. O imprevisível Lee Chayoung desapareceu, e diante dele estava Choi Je-yoon, com os olhos carregados de preocupação.
— — Você está bem?
— — Sim, estou bem.
— — Temo que fique uma cicatriz em seu rosto.
Em seguida, a mão dele envolveu novamente a bochecha de Seo Gyuha com suavidade. Seo Gyuha hesitou levemente, mas era uma ação que fazia parte da atuação. Lee Chayoung continuou com as falas.
— — Vendo assim, seus olhos são mais claros que os de um peixe. Até carpas poderiam nadar neles.
— — Se fosse o caso, eu já as teria pescado e comido cozidas. Aham.
De acordo com o roteiro, Choi Je-yoon deveria soltar uma risada vigorosa ao ouvir aquilo. No entanto, em vez de rir, ele repetiu a mesma ação de antes. Passando o polegar lentamente pelos lábios de Seo Gyuha, ele voltou a ser o seu eu real e disse algo inesperado.
— Você sabe, né? Que tem uma cena de beijo no final.
— O quê? Isso é verdade?
— Sim. Não garanto que vão manter, mas ouvi dizer que vão filmar, pelo menos.
Aquilo era novidade total para Seo Gyuha.
— Tem certeza? Quando ouviu isso?
— Na primeira reunião, quando explicaram a obra.
— …Tsc.
Sendo assim, fazia sentido. Como o diretor dizia abertamente que tinha escolhido Lee Chayoung para o papel de Choi Je-yoon desde o início, parecia que conversas profundas tinham ocorrido na reunião.
— Quer praticar isso também?
— O quê?
— A cena de beijo. Não seria mais complicado se a gente ficasse cometendo erros (NGs) nisso também?
Até que fazia sentido, mas…
O motivo de a resposta não sair facilmente era o acionamento de um mecanismo de autodefesa instintivo. Mas, antes mesmo de perceber o que era, Lee Chayoung continuou:
— Não precisa pensar muito. É literalmente um treino, só isso.
— ……
— Se não estiver a fim, deixa para lá.
Seo Gyuha ficou irritado com o comentário adicional. Talvez por causa do canto da boca levemente arqueado, ele sentiu como se estivesse sendo provocado. Além disso, sentiu-se um pouco ferido em seu orgulho por parecer que apenas ele estava consciente da situação, enquanto o outro lado agia como se não fosse nada.
“Se você consegue fazer, eu também consigo.”
A razão nublada pela embriaguez, somada a uma teimosia desnecessária e onipresente, era algo assustador. Logo, Seo Gyuha gritou com um rosto feroz, como se lançasse um desafio.
— Vamos fazer. Vamos.
— Sério?
— Sim.
— Ótimo. Mas relaxa essa expressão. Quem visse pensaria que somos inimigos, não um casal.
— Quem é casal?
— É treino de atuação.
…Ah, é verdade. Ai, cacete.
“É por isso que as pessoas e a vida devem ser vistas de longe.” Claramente não era assim no começo, mas por que parecia que, quanto mais se encontravam, mais situações de autossabotagem surgiam…?
A voz de Lee Chayoung soou novamente, atravessando sua mente perturbada.
— Vou começar.
Pois venha, vamos ver no que dá.
Desta vez, a mão de Lee Chayoung tocou a nuca de Seo Gyuha, não a bochecha. Observando o rosto dele se aproximar cada vez mais, Seo Gyuha fechou os olhos com força.
Por outro lado, Lee Chayoung não hesitou nem um pouco. Inclinando levemente a cabeça, ele sobrepôs os lábios naturalmente e, logo em seguida, puxou o pescoço de Seo Gyuha um pouco mais, movendo os lábios de forma sensual.
Ele abriu os olhos de relance e os fechou novamente, agindo desta vez com um pouco mais de ousadia. Ele abriu levemente os lábios e abocanhou o lábio inferior de Seo Gyuha.
— ……!
Ele sentiu o corpo em seus braços estremecer, mas não o empurrou. No momento em que os lábios de Seo Gyuha se abriram levemente por causa da respiração, Lee Chayoung não perdeu a oportunidade e introduziu a língua lentamente.
— Es-espera um pouco.
— Só mais um pouco.
Os lábios que se afastaram voltaram a se tocar repetidamente. Segurando firmemente a nuca de Seo Gyuha, Lee Chayoung explorou os lábios dele para valer.
Por outro lado, Seo Gyuha se perguntava se aquela situação era um sonho. Por mais que houvesse uma cena de beijo, não seria possível incluir esse nível de intensidade em uma produção para maiores de 15 anos.
Ele tentou empurrar Lee Chayoung tateando, mas, ao contrário de seu pensamento, suas mãos não tinham força. Enquanto isso, Lee Chayoung continuava com o beijo profundo, como um peixe na água.
Então… era por isso.
Lee Chayoung não era apenas bom em atuar. Por algum motivo, ele provocou Seo Gyuha para treinar a cena de beijo e, no fim, ele beijava maravilhosamente bem. Ele esfregava a língua de forma sensual, acariciava as mucosas sensíveis e fazia a pessoa perder o juízo apenas com um beijo. Graças a isso, Seo Gyuha descobriu pela primeira vez que era possível sentir um prazer tão eletrizante apenas beijando.
Talvez por as defesas terem caído facilmente devido à embriaguez persistente. O prazer, que começou com uma pequena faísca e cresceu em um instante, manifestou uma reação física explícita. Quando Lee Chayoung ergueu a cabeça após terminar o beijo profundo — a ponto de os cantos da boca estarem bem molhados —, a parte central de Seo Gyuha estava visivelmente ereta. Lee Chayoung percebeu o fato antes mesmo dele.
— Você ficou excitado.
— ……!
Em seguida, uma proposta ainda mais íntima chegou aos seus ouvidos como uma tentação diabólica.
— Queremos gozar uma vez?
— O que…
Antes mesmo de conseguir responder direito, Lee Chayoung se moveu primeiro. Ele estendeu a mão sem hesitar, colocou-a no centro de Seo Gyuha, abriu o zíper e deslizou a mão por ali.
— Ah!
Um som de exclamação escapou da boca de Seo Gyuha diante do toque direto em seu lugar sensível. Como se aquilo fosse o ponto de partida, Lee Chayoung massageou ousadamente o centro de Seo Gyuha e acabou tirando-o para fora da calça. Indo além, ele segurou a mão dele e a guiou para entre suas próprias pernas.
— Você também, me toque.
— Haa, porra….
Para dizer que não queria e recusar, o prazer que ele proporcionava era grande demais. A teimosia desnecessária de sempre também contribuiu para a perda de julgamento. “Certo, se você faz, por que eu não faria?”
Em seguida, Seo Gyuha também baixou ousadamente o zíper da calça de Lee Chayoung. No momento em que enfiou a mão ali, por pouco não registrou um momento histórico de vergonha em voz alta.
“O quê? Por que é tão grande?”
Ao tentar segurar o membro, a espessura era impressionante. Seo Gyuha tinha confiança em seu tamanho, achando apenas que não tivera muitas chances de mostrar sua imponência por ter tido parceiros errados, mas o de Lee Chayoung era ainda mais formidável.
Enquanto o acariciava como se estivesse enfeitiçado, um momento de lucidez súbita o atingiu. “Eu estou fazendo isso com um homem, e ainda por cima com um Alfa de merda….”
Como achou que sentiria arrepios se ficasse consciente disso por muito tempo, ele apagou rapidamente esse último pensamento da mente. Naquele momento, Lee Chayoung sobrepôs os lábios novamente. Sentindo o pedaço de carne invadir sua boca como se fosse natural, Seo Gyuha também retribuiu com a língua, mesmo que desajeitadamente.
O preconceito gerado pela aparência jamais deveria ser ignorado. Talvez por causa de seu rosto com um ar um pouco rebelde, ele costumava ouvir pelas costas, mesmo após parar de atuar na adolescência, coisas como “ele parece que seduz bem as mulheres” ou “parece que vai brincar com os sentimentos”. No entanto, isso era um mal-entendido injusto.
Ao contrário de sua aparência de quem sabe se divertir, Seo Gyuha, surpreendentemente, estava longe de ter uma vida promíscua. Isso se devia ao fato de ele se tratar como um estranho por ter sido diagnosticado como um “Ômega masculino”; ele não tinha problemas em ser amigo de homens ou mulheres, mas sentia uma repulsa imediata se alguém se declarasse para ele. Por outro lado, ele sentia habilidade em Lee Chayoung. Enquanto movia as mãos e a língua e tinha um pensamento passageiro, Seo Gyuha ficou pasmo ao perceber que, de repente, suas costas estavam encostadas no sofá.
Mas o que ainda o impedia de recusar era a expressão de Lee Chayoung. Olhar para baixo com aquele olhar de desejo fazia o coração doer e bater forte ao mesmo tempo; até um monge ficaria balançado.
O fim de quem cede à tentação era óbvio. Calças e roupas íntimas foram retiradas, o moletom do porquinho também deixou o corpo, e ambos, nus, continuaram o ato sexual simulado, encostando as partes inferiores.
Enquanto Seo Gyuha soltava gemidos agarrado ao braço firme de Lee Chayoung, este segurava ambos os membros simultaneamente e os masturbava. Graças a isso, uma pergunta tardia escapou da boca de Seo Gyuha.
— …Você tem experiência com homens?
— Vejamos. Isso é importante?
Lee Chayoung deu um sorriso largo enquanto passava a mão pelo cabelo. Naquele momento, o formigamento na pele ficou ainda mais forte. Ele quase pensou que aquele rosto fizera algum truque, mas o instinto que precede a razão capturou a verdade. Pelo visto, feromônios estavam emanando do corpo de Lee Chayoung agora.
Sentindo arrepios por um motivo diferente, Seo Gyuha apressou-se em continuar:
— Não deixe os feromônios grudarem em mim.
Lee Chayoung respondeu calmamente, sem se surpreender:
— Você não é incapaz de senti-los de qualquer maneira?
Era verdade que ele não conseguia sentir agora. Mas não era porque ele era um Beta, como Lee Chayoung supunha, mas sim graças ao bloqueador de detecção de feromônios. Pensando que fora bom ter tomado mais um comprimido antes de sair, Seo Gyuha respondeu de forma vaga:
— É. Mas mesmo assim, é meio…
— Entendi. Vou tentar me controlar.
Parecendo realmente se esforçar para se conter, Seo Gyuha logo sentiu que respirar ficara um pouco mais fácil. Por outro lado, ele ficou impressionado sem querer. Não devia ser nada fácil controlar os feromônios em uma situação dessas; aquele cara era incrível em vários sentidos.
— Ah, a sensação é muito boa. Por que sua pele é tão lisa?
Pelo que parecia, Lee Chayoung era do tipo que se esforçava para cumprir o que dizia, mas ele quebrou uma regra. Depois de dizer para gozarem apenas uma vez, ele fez Seo Gyuha segurar novamente o membro que continuava turgidamente ereto após a ejaculação. Ele mesmo também deslizou os lábios por várias partes do corpo de Seo Gyuha enquanto estimulava o membro dele.
Assim, o ato íntimo iniciado com uma masturbação manual continuou por mais de uma hora.
***
Pi-pi-pi-pi — Pi-pi-pi-pi —
O som do alarme vindo de longe despertou sua consciência. Franzindo o rosto de todas as formas, Seo Gyuha abriu os olhos frestados, e a luz fraca perto da cama atingiu sua visão.
— Ahhhhh….
Ele esticou os dois braços em um longo espreguiçamento. Ao ouvir o som, Lee Chayoung, que estava afivelando o cinto da calça, olhou em direção à cama.
— Acordou?
— Sim. Que horas são?
— 6 horas. Esqueci de desligar o alarme que configurei ontem e acabei te acordando sem querer.
— Por que acordou tão cedo?
— A gravação começa às 9h. Você disse que a sua era à tarde, certo?
— Sim.
— Então descanse mais um pouco.
Ao vestir o casaco por último, Lee Chayoung estava pronto para sair. Mas, antes disso, ele mudou o caminho e foi em direção a Seo Gyuha, que ainda se enrolava na cama.
— Me dê sua mão.
— Mão? Para quê?
— Rápido.
Mesmo com uma expressão de desconfiança, Seo Gyuha estendeu uma das mãos de qualquer jeito. Lee Chayoung a segurou levemente.
“O que é isso? Tão cedo de manhã.”
Mesmo vendo o rosto ainda franzido por causa da luz, Lee Chayoung não se intimidou. Pelo contrário, sentou-se na beira da cama, envolveu a bochecha de Seo Gyuha e deu um sorriso discreto.
Pontos de interrogação surgiram na mente de Seo Gyuha, que de repente se viu entregando até a bochecha.
— O que foi isso?
— Você não desviou. Parece que o treino intenso de ontem surtiu efeito.
Hã? Pensando bem…
— Vamos fazer assim durante a gravação também. Então, vou indo primeiro.
Lee Chayoung levantou-se e saiu do quarto primeiro. Com o clique da porta se fechando, Seo Gyuha ficou sozinho.
Ele levantou levemente o tronco com atraso e olhou para a porta, depois deitou-se de novo pesadamente e soltou um suspiro leve. As palavras que acabara de ouvir flutuavam em sua mente.
“Você não desviou. Parece que o treino intenso de ontem surtiu efeito.”
Era verdade, o que era ridículo. Quando Lee Chayoung envolveu sua bochecha com a mão de repente, ele apenas pensou “O que há com esse cara?”, mas nem sequer percebeu sentimentos como o corpo paralisando ou repulsa, como acontecera ontem.
— …Quer dizer que isso pode ser superado com treino?
Ao se virar e deitar de bruços, sentiu um aroma desconhecido de forma sutil. Era uma sensação que parecia ser sentida pela pele, não pelo olfato.
Seo Gyuha percebeu instintivamente o que era aquilo. Pareciam ser os feromônios de Lee Chayoung que permaneciam no quarto como um perfume residual. Por mais que o controle fosse excelente, era impossível controlar os feromônios liberados inconscientemente durante o sono. Além disso, o efeito do bloqueador de detecção de feromônios já devia estar passando.
Graças a isso, ele foi tomado por um sentimento peculiar. Como nunca tinha deixado de tomar o bloqueador por um único dia, fazia muito tempo que não sentia o feromônio de um Alfa específico, por mais fraco que fosse. E, como esperado, o feromônio de Lee Chayoung parecia ter uma densidade como a de madeira de cedro, ao mesmo tempo que passava uma sensação de aconchego.
“Se ele liberasse com mais intensidade… Não, o que eu estou pensando?”
Depois de dar um tapa em sua própria bochecha para recobrar o juízo, Seo Gyuha abraçou o travesseiro e encontrou uma posição confortável. Como ainda tinha tempo, ele achou que seria bom fechar os olhos mais um pouco antes de sair, como Lee Chayoung sugerira.
***
Três dias depois.
— Hum~ Hum~
Yoon Byeong-cheol, que estava ao volante hoje também, cantarolava desafinadamente acompanhando a música que tocava no rádio. Era um hábito antigo dele: quando tocava uma música que conhecia enquanto dirigia, ele cantava junto como se estivesse incorporando o cantor em seu coração.
Quando a música acabou, seu cantarolar também cessou bruscamente. Com o fim do foco, seus sentidos voltaram a se concentrar mais na cena à sua frente.
— Continua nublado. Será que dá para gravar assim?
Foi um resmungo que soou quase como falar sozinho, mas essas palavras chegaram nitidamente aos ouvidos de Seo Gyuha, sentado atrás. A expressão de Seo Gyuha refletida na janela do carro era de claro descontentamento. Hoje, ele teria que gravar uma cena de perseguição no meio de uma montanha.
Gravação externa, tudo bem. Mas o tempo continuava frio e o céu estava coberto de nuvens carregadas. Além disso, por ser uma cena bastante importante na obra, ele não tinha ideia de quanto teria que correr e se cansar pelas trilhas da montanha hoje.
A possibilidade de a gravação ser cancelada era nula. O diretor dissera que, se nevasse muito, o clima ficaria mais intenso e resultaria em imagens ainda mais bonitas; e, na verdade, Seo Gyuha pensava o mesmo. Como um subordinado querido morreria, ele achava que um tempo escuro e sombrio combinaria melhor do que um dia ensolarado.
“Vou sofrer para caramba.”
Seo Gyuha soltou um longo suspiro e encostou a cabeça no encosto. Independentemente do que ele sentia, a van que o levava percorria a estrada sem hesitar em direção ao local de gravação.
Pouco depois, Seo Gyuha percebeu que até aquela estrada era algo a se agradecer. Quando surgiu uma estrada de terra, coisa difícil de se ver na Coreia hoje em dia, o chassi do carro balançou ruidosamente. No momento em que finalmente desceu do carro, ele sentia até um enjoo.
— Bom dia.
O extrovertido Yoon Byeong-cheol cumprimentou a equipe de produção primeiro. Os funcionários diligentes já haviam chegado cedo e terminado os preparativos para a gravação. Havia até equipamentos de drone que pareciam bem caros, talvez para captar tomadas aéreas.
Um dos funcionários se aproximou e disse a Seo Gyuha:
— O ator Gyeong-tae ainda não chegou. Está frio, por favor, entre no carro.
Ao ouvir aquela notícia bem-vinda, Seo Gyuha subiu rapidamente no carro de novo. Embora tivesse ficado de pé por apenas um ou dois minutos, já sentia um calafrio que chegava até os ossos.
— Cara, tá frio pra cacete, né?
— Pois é. Hoje você vai sofrer um pouco.
— Ufa….
Rugas surgiram novamente no cenho de Seo Gyuha. Enquanto isso, Yoon Byeong-cheol checou o celular, que havia deixado de lado por um momento devido à direção.
Depois de olhar várias coisas, seus olhos logo se arregalaram como se fossem pular para fora. Em seguida, ele olhou para trás e falou com Seo Gyuha.
— Ei, ei. Você conhece o Yoon Tae-seong?
— Não conheço. Quem é?
— É um idol masculino que está ficando famoso aos poucos, e parece que ele vai ser convocado para depor por suspeita de uso de drogas. Caramba, se for verdade, vai ser um escândalo, hein?
Era uma fofoca picante, mas a reação de Seo Gyuha foi indiferente. Isso porque ele não tinha interesse especial por estranhos que nunca vira pessoalmente.
Por outro lado, Yoon Byeong-cheol estava visivelmente animado. Enquanto movia as mãos rapidamente no chat em grupo onde recebera a notícia, um pensamento lhe passou pela cabeça e ele olhou para trás novamente.
— Hum, Gyuha, você não, né? Você é “limpo”, certo?
— O quê?
Ao ver a expressão de questionamento, Yoon Byeong-cheol percebeu o erro. Ele ia se desculpar por sua falta de consideração, mas Seo Gyuha falou primeiro. E com uma expressão cínica de bônus.
— Se eu não for limpo, você vai me denunciar na delegacia?
Yoon Byeong-cheol deu um pulo e até abanou as mãos.
— Do que você está falando? Eu enlouqueci?
— Eu pensei que estivesse perguntando por isso.
— De jeito nenhum. Eu deveria medir minhas palavras, acabei errando sem querer sem pensar. Me desculpe.
— Por que está pedindo desculpas por isso agora? Como se alguém não soubesse que você não pensa antes de falar.
— Ei….
Como bons amigos de dez anos, eles trocaram farpas amigáveis, e o incidente foi encerrado. Seo Gyuha, com os braços cruzados frouxamente, ainda estalou a língua para aquele sujeito que nem sabia quem era.
“Se for verdade, acabou com a própria vida.”
Na verdade, ele mesmo já tivera uma experiência em que quase acabara com a própria vida. Claro, não foram drogas, mas ele cometeu um erro financeiro grave no início dos seus 20 anos. Como dito antes, ele caiu na conversa de um golpista disfarçado de conhecido, apostou tudo em criptomoedas e ficou sem um tostão em um instante.
Naquela época, Seo Gyuha estava muito perdido devido à sua própria natureza mutante e passava os dias bebendo com pessoas de baixo nível. Tendo vivido desde a infância como uma celebridade na TV com um senso de superioridade involuntário, ele não conseguia aceitar facilmente a realidade de ter caído na posição de ser influenciado pelos feromônios de Alfas, que eram homens como ele.
Os pais de Seo Gyuha foram pacientes com o filho por muito tempo. Especialmente o pai, que era teimoso a ponto de não perder para ninguém, mas, pelo amor ao filho e pela crença de que “um dia ele cairá na real”, aguentou firme e esperou o filho mais novo se reerguer. No entanto, vendo que ele não apenas desperdiçara vários anos, mas que no fim ainda estava tentando pedir dinheiro aos pais, ele não aguentou mais e expulsou o filho de casa. Ele tomou essa decisão drástica temendo que o filho vivesse o resto da vida sem nunca cair na real.
Como resultado, a escolha do pai foi excelente. Com o dinheiro acabando, a diversão tornou-se impossível, e as relações humanas, que eram finas como gelo, desmoronaram instantaneamente. Pelo menos a mãe providenciara um lugar para morar escondida do pai, então ele escapou de morar na rua, mas enfrentou a crise de não conseguir sobreviver se não ganhasse dinheiro por conta própria. Isso porque a mãe também tomara uma decisão firme e quase cortara o apoio financeiro direto.
A partir daí, a vida entrou no modo difícil, e Seo Gyuha sentiu o gosto amargo da sociedade. Sem formação acadêmica ou habilidades técnicas, o único trabalho que podia fazer era braçal e, mesmo trabalhando o dia todo suando em bica, o dinheiro que recebia era uma mixaria.
Ele aguentou assim por dois anos. Para os padrões de Seo Gyuha, ele realmente dera o seu melhor. No entanto, como não podia viver assim para sempre, ele bateu novamente na porta de uma agência de talentos após oito anos. Sabendo que era embaraçoso, ele dizia aos outros que voltou porque sentia falta de atuar, mas a realidade era que ele reestreou como ator após passar por tais provações.
Ele detestava até pensar naquele período que fora rigoroso à sua maneira, mas houve lições que aprendeu na prática. Embora fosse verdade que voltou a atuar como um meio de subsistência, ele passou a sentir gratidão pela carreira de ator, que serviu como base para sua recuperação.
Dizem que não existe trabalho fácil no mundo, mas, comparado ao tempo passado em que estava exausto fisicamente e no fundo do poço mentalmente, atuar era como estar no céu. Por isso, embora vivesse reclamando do clima ou das condições do set, ele se esforçava para não perder a essência e dar o seu melhor.
Hoje foi o mesmo. No meio da gravação, acabou caindo uma neve pesada, e Seo Gyuha estava se sentindo péssimo. Mesmo assim, a cada tomada, ele corria e rolava pelas trilhas da montanha com os dentes cerrados, completando a cena que o diretor exigia.
— Corta!
Assim que o sinal de “corta” do diretor foi dado, os funcionários correram para envolver Seo Gyuha e o outro ator com cobertores. Colocaram aquecedores de mãos em suas palmas e os sentaram em cadeiras preparadas ao lado de um aquecedor portátil próximo. Yoon Byeong-cheol também estava ocupado. Ele colocou um gorro de inverno na cabeça de Seo Gyuha e entregou-lhe o café que enchera na tampa da garrafa térmica.
— Beba logo. Aqueça as mãos também.
Estava tão frio que seus dentes batiam involuntariamente. Seo Gyuha aqueceu as mãos no aquecedor primeiro e depois tomou o café que Yoon Byeong-cheol lhe deu. Internamente, ele pensava:
“Puta que pariu. Se eu tiver que gravar na montanha de novo no meio do inverno, eu mudo meu nome.”
Pelo menos Seo Gyuha ainda estava em uma situação melhor. De relance, ele olhou para a frente. O ator com quem contracenava, também enrolado em um cobertor e tremendo de frio, parecia pálido até para um observador casual. Isso porque ele teve que rolar mais do que Seo Gyuha, ser atingido por uma flecha e atuar ficando largado na neve.
Ainda faltava uma cena de flashback para ser gravada no mesmo local, mas acabou saindo uma ordem de interrupção temporária. Graças a isso, Seo Gyuha pôde ir para o carro e se aquecer.
Depois de ligar o aquecedor no máximo, Yoon Byeong-cheol olhou para trás e perguntou:
— Você está bem?
— Não. Sinto que vou morrer.
O rosto dele estava péssimo. Ele passara quase uma hora em uma perseguição sob condições climáticas adversas e, no final, derramara lágrimas e tudo mais, descarregando emoções, o que deixara uma espécie de sequela.
No entanto, o descanso não foi longo. Kim Moran, em vez de fazer as piadas cínicas de sempre, abriu silenciosamente sua caixa de maquiagem e removeu perfeitamente a vermelhidão que ainda restava ao redor dos olhos dele. Mais do que remover, ela o transformou em alguém cheio de vida, como se estivesse prestes a ir ver as flores na primavera.
— Uau. Ficou perfeito.
Diante da admiração sincera de Yoon Byeong-cheol, Kim Moran deu de ombros.
— Isso aqui é moleza.
Em seguida, perguntou a Seo Gyuha:
— Quer que eu cole novos aquecedores de corpo?
— Sim.
Seo Gyuha respondeu prontamente enquanto descolava os que havia colocado antes da gravação. Em um dia como hoje, ao ar livre, eles são praticamente inúteis, mas ele costumava usá-los pela satisfação psicológica de “pelo menos ter isso”.
Enquanto colava os novos e trocava conversas banais com Kim Moran, ouviu-se uma batida leve na janela do carro. Do lado de fora não dava para ver o interior, mas de dentro era possível ver muito bem o rosto da pessoa parada lá fora. Era um dos funcionários da equipe.
Ao baixar o vidro, como era de se esperar, saiu da boca dele uma frase que não divergia nem um milímetro das expectativas.
— Disseram que vão retomar a gravação.
— Certo. Já vou sair…. Ai, caralho.
Ao mesmo tempo que subia o vidro, sua voz interior escapou involuntariamente. Mas não havia para onde fugir. Já que tinha que ser feito, Seo Gyuha abriu a porta do carro decidido a se concentrar e acabar com aquilo o mais rápido possível.
***
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Desire BL`s
Ler Cachorro e Pássaro (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…
Nome alternativo: Perros Y Pajaros Cachorro E Pssaro Dog And Bird