Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 216 Online

Mesmo aqueles que acreditavam que Cesare havia iniciado a rebelião por amor concordavam que essa não era sua única razão. Eles simplesmente a consideravam a mais convincente entre muitas, incapazes de imaginar que fosse sua única motivação. É claro, Cesare se importava pouco com tais fofocas, mas Eileen se viu consumida por elas.
[Aguardando a Coroação do Novo Imperador.]
Ao ler a manchete em negrito, Eileen soltou um leve suspiro. Ela sabia que era pouco digno, mas não pôde evitar. Desde a manhã, vinha devorando cada palavra dos jornais, examinando cuidadosamente todos os artigos relacionados a Cesare. Precisava entender como o público enxergava a rebelião. Nem todas as opiniões eram favoráveis.
Ainda assim, exceto os jornais pró-monarquia anterior, o sentimento geral era surpreendentemente positivo.
Uma grande sensação de alívio a envolveu. Uma calma nascida da longa provação pela qual havia passado. A ansiedade corrosiva que a acompanhara durante tanto tempo parecia finalmente ter desaparecido. Terminou de ler os artigos com uma serenidade recém-adquirida e deixou o jornal de lado.
Eileen finalmente havia emergido da fantasia nebulosa de seus sonhos e retornado à sua vida cotidiana. Mas era uma vida nova, diferente em todos os sentidos. Ela e tudo ao seu redor haviam mudado fundamentalmente.
Um pequeno artigo em um canto do jornal chamou sua atenção. Falava sobre o Duque Farbellini distribuindo medicamentos gratuitamente aos cidadãos do Império Traon.
Tal notícia no passado teria ocupado um lugar de destaque, mas agora era apenas uma nota de rodapé, uma fofoca trivial. Depois de testemunhar Cesare levando um tiro de Leone durante a rebelião e sobreviver a um acontecimento sobrenatural inexplicável, o espírito do duque havia sido completamente quebrado.
Ele havia sido detido por uma semana no Palácio Imperial e agora era uma sombra do homem que fora um dia. O fato de ainda distribuir medicamentos, uma imitação do trabalho de Aspiria, mostrava que não havia desistido completamente, mas sua velha arrogância havia desaparecido para sempre.
Enquanto refletia sobre o duque, alguém bateu à porta. Quando Eileen autorizou a entrada, seu mordomo, Sonio, entrou carregando uma carta. Seu rosto demonstrava um evidente desagrado
Isso era tão diferente de seu comportamento habitual e compostura que Eileen não pôde deixar de sentir um lampejo de curiosidade. Sonio colocou a bandeja com a carta sobre sua escrivaninha.
— O Barão Elrod enviou uma carta — anunciou, em um tom visivelmente tenso.
Um sorriso irônico surgiu nos lábios de Eileen. Conseguia imaginar perfeitamente a reação do barão ao ouvir sobre a vitória de Cesare. Provavelmente estava comemorando com um entusiasmo maior até mesmo que os apoiadores mais fervorosos. Sem dúvida tentara todos os meios possíveis para contatá-la. E finalmente conseguira entregar esta carta. A animosidade de Sonio em relação à correspondência era quase palpável. Parecia querer rasgá-la em pedaços.
Eileen encarou o envelope lacrado, mas não estendeu a mão para pegá-lo. Calmamente, virou o rosto e deu sua ordem.
— Jogue fora.
Os olhos de Sonio se arregalaram de surpresa.
— Pretendo cortar todos os laços com o barão — continuou ela, com voz firme. — Não aceite mais nenhuma correspondência ou solicitação dele. Por favor, cuide disso.
Agora que havia tomado sua decisão, sentia uma profunda paz. Não havia emoção, nem mesmo um leve tremor em suas mãos. Ela deixou a carta sobre a mesa e se levantou.
— Vou sair agora.
Ele já havia sido informado de seus planos. Sonio, ainda parecendo um pouco confuso, rapidamente substituiu a expressão surpresa por um sorriso alegre.
— Sim. Prepararei tudo imediatamente.
Sua guarda pessoal, Alessia, uma mulher que fora sua companheira fiel desde os tempos da residência do Arquiduque, dirigia o automóvel sem precisar de um motorista separado.
Eileen admirava secretamente sua habilidade ao volante.
‘Talvez eu também devesse aprender a dirigir?’
Mas a ideia de manobrar uma máquina tão grande e complexa era assustadora. Ela não conseguia se imaginar fazendo aquilo, e seu breve desejo de aprender logo desapareceu.
Eileen observou pela janela o lindo dia ensolarado. Após um curto trajeto de carro, o veículo desacelerou lentamente. Com a ajuda de Alessia, ela saiu e caminhou decididamente em direção ao seu destino.
Abriu o portão, entrou no jardim da pequena casa de tijolos. Parou por um instante para contemplar a paisagem familiar. Depois seguiu em direção à laranjeira.
Ficou sob seus galhos, olhando para o céu azul brilhante que aparecia entre as folhas verdes recém-brotadas. A luz do sol desenhava manchas douradas sobre seu rosto. E seus pensamentos vagaram para a pessoa que tantas vezes havia cochilado ali.
Na ilusão, Cesare encontrava conforto à sombra daquela mesma árvore. Era um prazer secreto observá-lo, dormindo pacificamente, perdido em um raro momento de completo relaxamento.
Mas aquilo agora era apenas uma lembrança. Ele era o Imperador. Não sentia tristeza, nem decepção. Naquele lugar, havia experimentado a vida simples de casada que sempre desejara. Uma ilusão tão real que parecia ter durado uma vida inteira.
‘A coroação…’
Ela repetiu a palavra em sua mente, ainda incapaz de compreender totalmente sua realidade. Claro que o homem estava destinado a se tornar Imperator. Mas a ideia de estar ao seu lado parecia uma fantasia. Ainda mais fantasiosa do que seu tempo vivido naquela ilusão.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Ela se sentia mais sonhando agora do que jamais estivera.
Após um longo tempo sob a árvore, caminhou em direção à casa de tijolos. Quando tirou a chave do bolso, o som de um motor de carro atrás dela a fez se virar.
Um veículo militar, com o emblema do Império Traon, parou em frente à casa. A porta se abriu, Alessia imediatamente prestou continência. Sua voz saiu firme e formal:
— Saudações, Imperador.
O homem que desceu do carro sorriu. Havia um leve divertimento em sua voz:
— Eu ainda nem fui coroado.
Sem saber como responder, Alessia apenas apresentou um pedido de desculpas sem graça.
— Peço perdão, senhor.
Assim como Eileen, ela não tinha muita habilidade para lidar com as provocações brincalhonas dele.
Cesare assentiu levemente. Então caminhou em direção a Eileen, uma bela visão passando pela laranjeira. Parou diante dela, sua sombra a envolveu, seu sorriso gentil e caloroso.
Eileen, que estava prendendo a respiração, finalmente pronunciou o nome dele como se fosse algo extremamente frágil.
— Cesare… — então as perguntas saíram em uma enxurrada: — Como veio parar aqui? Você deve estar tão ocupado, e me disseram que não conseguiria voltar para casa hoje.
Desde o dia em que desmaiou no salão do Palácio Imperial, ela não o vira. Ele a havia colocado em segurança na residência do Arquiduque, depois fora consumido pelo combate da rebelião que durou uma semana.
Agora, com a vitória assegurada, dedicava-se incansavelmente aos preparativos da coroação. Os dois não haviam tido um único momento a sós.
Eileen esperava passar o dia sozinha. Seu aparecimento súbito a encheu de uma onda de felicidade, mas também uma pontada de preocupação de que ele tivesse se esforçado demais por causa dela.
Enquanto tentava nervosamente encaixar a chave na fechadura, Cesare apenas a observava, um sorriso suave. Gentilmente, pegou sua mão e a virou.
— Um marido precisa de um motivo para ver a esposa? — sussurrou, apoiando o queixo sobre sua cabeça enquanto a abraçava por trás. — Vamos entrar e conversar.
As bochechas de Eileen ficaram imediatamente vermelhas. Envergonhada, tentou abrir a porta. Mas suas mãos tremiam. A chave errava a fechadura repetidas vezes.
Com toda a calma do mundo, Cesare colocou sua mão sobre a dela. Guiando a chave até o buraco. Com sua ajuda, a porta finalmente se abriu com um clique. Ele continuou abraçado, empurrando-a suavemente para dentro. Ele se inclinou e beijou sua bochecha, um toque suave de lábios.
— Diga olá — murmurou.
Eileen mordeu os lábios. As palavras pareciam agora íntimas demais. Ainda assim, por ele, sussurrou com uma voz quase inaudível:
— Bem-vindo ao lar…?
Ela sentiu uma pequena vibração contra suas costas. O tremor inconfundível do corpo dele enquanto ria.
— Sim, Eileen — ele respondeu, com a voz cheia de uma ternura feliz.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui