Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 188 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 188

Com um baque surdo, Taebaek desabou para a frente. Shinu jogou o fuzil para o lado e o amparou antes que ele atingisse o chão, deitando-o cuidadosamente no piso.

— ……

Shinu ajeitou gentilmente os braços e as pernas de Taebaek , alinhando-os de forma organizada, como se o outro estivesse apenas descansando. Por um momento, ele fitou o homem desacordado. Mesmo agora, com os olhos fechados pela inconsciência, o rosto de Taebaek mantinha sua beleza. O polegar de Shinu roçou de leve a testa de Taebaek , depois as maçãs do rosto suaves, descendo pelo nariz afilado. Sem pensar, ele pressionou os lábios firmemente contra os lábios macios de Taebaek antes de se afastar.

Uma única lágrima quente escorreu pela bochecha de Shinu e caiu na testa de Taebaek . Ele a enxugou rapidamente, inclinou-se mais perto e sussurrou baixinho no ouvido de Taebaek .

— Me desculpe.

— ……

— Me desculpe por deixar você sozinho.

Eu prometi que nunca mais deixaria você sozinho. Me desculpe por não conseguir cumprir essa promessa.

Me desculpe por não estar lá por você. Desculpe por morrer sozinho e deixar você para trás. Desculpe por não poder honrar seu desejo de morrermos juntos. Desculpe por não conseguir amar você tanto quanto você me amou. Me desculpe por forçar essa despedida unilateral sobre você.

E me desculpe por não conseguir dizer para você me esquecer e ser feliz. Me desculpe por deixar uma cicatriz no seu coração. Me desculpe por não proteger você até o fim. Como amante, como seu protetor, eu falhei com você em todos os sentidos.

— Mas mesmo assim, viva. Por favor, viva. Nunca morra. Nunca, jamais morra.

Shinu falou devagar, com clareza, como se lançasse um feitiço de hipnose sobre a mente inconsciente de Taebaek . Ele repetiu as palavras, de novo e de novo, até que sua garganta pareceu seca e arranhada. Quando finalmente parou, enterrou o rosto no peito de Taebaek .

— Eu amo você.

O moletom de Taebaek ficou úmido com as lágrimas de Shinu.

DEUS SALVE A TODOS NÓS

— …18 de outubro, 5h00 da manhã. O 67º navio de resgate do Porto de Mokpo para a Ilha de Jeju partiu com sucesso.

— Os ataques com mísseis originalmente agendados para 30 de outubro foram antecipados para 23 de outubro.

— As forças coreanas e da ONU estão estacionadas em Mokpo. Por favor, venham rapidamente e fiquem nas zonas de segurança designadas.

— Indivíduos infectados estão estritamente proibidos de embarcar.

— Cidadãos, vamos sobreviver e nos reencontrar.

O zumbido de um rádio ecoou surdo nos ouvidos de Taebaek . Suas sobrancelhas se franziram enquanto ele despertava, com a cabeça latejando de dor. Doía tanto que parecia que seu crânio havia afundado. Ele tinha ficado bêbado na noite anterior? Mas por que o rádio estava berrando tão alto logo cedo…? Então, de repente, as memórias o atingiram, e ele sentou-se num solavanco.

Um teto pálido e rachado surgiu acima dele. Uma única lanterna estava caída de lado, com o feixe apontado para cima. O rádio continuava com o anúncio.

— …18 de outubro, 5h00 da manhã. O 67º navio de resgate do Porto de Mokpo para a Ilha de Jeju partiu com sucesso.

Taebaek levantou-se num salto, imediatamente levando a mão à parte de trás de sua cabeça latejante e soltando um gemido baixo. Mas a dor não foi suficiente para detê-lo. Seus olhos varreram o lugar, assimilando os arredores.

Uma jaqueta jeans o cobria. Uma mochila arrumada estava apoiada contra a parede. Pilhas de carregadores totalmente cheios jaziam ordenadas ao lado de um fuzil e de uma pistola recém-polidos. Cadeiras de metal dispostas como armadilhas rudimentares cercavam a área, e um rádio estava perto de onde ele estivera deitado.

Mas não havia sinal de Shinu.

— …Hyung?

Taebaek chamou o espaço vazio, com a voz hesitante. O silêncio o recebeu. Ele puxou o ar em respirações curtas e em pânico, prendendo-as, aterrorizado.

— Hyung? Shinu hyung?

Ele chamou novamente, mais alto dessa vez, mas o mesmo silêncio respondeu. Sombras escuras invadiram sua visão. Parecia que ele estava afundando em um poço profundo e escuro. O mundo se estreitou e as sombras ao redor se aproximaram.

Com as mãos trêmulas, Taebaek desligou o rádio, pensando que talvez Shinu não tivesse ouvido seus chamados por causa dele. A voz do locutor cortou-se abruptamente, deixando a sala em um silêncio misterioso.

Ele tentou chamar de novo, mas parou no meio do movimento quando seus dedos tocaram algo incomum — algo fino, como uma corrente. Lentamente, Taebaek abriu a palma da mão para olhar o que havia pegado. Seu peito expandiu-se com uma inspiração profunda e pesada.

— ……

[Forças Especiais do Exército da República da Coreia

10-506053

Capitão Lee Shinu

O]

Era a plaqueta de identificação militar de Shinu — aquela que ele nunca havia tirado do pescoço.

Enrolado firmemente ao redor da corrente estava um pedaço pequeno de papel dobrado. Com as mãos trêmulas, Taebaek o desdobrou com cuidado. Escrita nele estava uma mensagem absurdamente breve. Tão curta que era quase cruel em sua simplicidade.

Taebaek -ah. Feliz aniversário.

— Ugh…

Taebaek bateu com a mão sobre a boca, abafando um soluço engasgado. Se não o fizesse, poderia ter gritado alto o suficiente para despedaçar o mundo. Lágrimas caíram livremente de seus olhos arregalados, cascateando como chuva. Metade escorria por suas bochechas, enquanto a outra metade pingava na plaqueta em sua palma.

Ele chorou em silêncio, com os ombros tremendo violentamente. Então, como se não pudesse aceitar a realidade, ergueu o rosto manchado de lágrimas para o ar vazio.

— Hyung… você não está aqui?

Você foi embora? Você realmente me deixou? Depois de prometer nunca mais me deixar sozinho? Depois de jurar que sempre ficaria comigo? Você simplesmente partiu, sem nem dizer adeus? Você me deu esse pedaço de metal e algumas palavras, e depois foi embora?

Não. Isso não pode ser real. Isso é cruel demais. Você não pode me machucar assim. Se era assim que ia terminar, você deveria ter ficado comigo. Se você ia me nocautear, deveria ter atirado em mim em vez disso. Deveria ter garantido que eu não acordasse mais.

Rangendo os dentes, Taebaek ergueu a plaqueta. Ele queria jogá-la fora. Queria gritar que não precisava daquilo, que sem Shinu aquilo não tinha valor. Mas, no fim, não conseguiu se induzir a soltá-la.

Como ele poderia jogar a preciosa lembrança de Shinu no chão imundo?

Taebaek bateu com a testa no chão frio e soluçou descontroladamente. Ele segurou a plaqueta com tanta força que ela cravou em sua pele, deixando sulcos profundos e avermelhados. E ainda assim, ele chorou e chorou.

Nada disso parecia real. No entanto, era vívido demais, doloroso demais para não ser. A angústia que dilacerava seu corpo parecia estar partindo-o ao meio, não deixando espaço para dúvidas.

— Você disse que estava tudo bem. Disse que, contanto que você não me deixasse sozinho, tudo ficaria bem. Que nada mais importava…

Taebaek sussurrou palavras que outrora havia dito a Shinu, quando eles haviam se separado brevemente e se reencontrado na ponte.

E agora, você me deixou de novo. Desapareceu antes mesmo que eu pudesse tentar impedi-lo.

Suas costas largas tremeram. Seus ombros arfaram. Soluços roucos forçaram a saída entre os dentes cerrados. Então, abruptamente, Taebaek ergueu a cabeça. Alcançando o fuzil que Shinu havia preparado, pressionou o cano sob o queixo.

O aço frio parecia afiado, embora não fosse. O polegar de Taebaek pairou sobre o gatilho.

Ele não sentia vontade de viver. Nenhuma coragem para cambalear em direção ao Porto de Mokpo sem Shinu ao seu lado. Mesmo se de alguma forma sobrevivesse e embarcasse no navio de resgate para Jeju, qual seria o sentido? Não havia restado nada para ele.

Naquele momento, ele entendeu o desespero absoluto da mulher que haviam conhecido no shopping — a mãe que havia perdido tudo. Ele odiava admitir, mas finalmente, verdadeiramente entendeu o desespero dela. A falta de esperança sufocante. A tragédia insuportável.

Justo quando Taebaek fechou os olhos e se preparou para puxar o gatilho, um som metálico fraco rompeu seus pensamentos. Seus olhos abriram-se num estalo para encontrar a fonte.

A plaqueta. A corrente enrolada em sua mão tilintou suavemente ao roçar no fuzil.

— ……

Taebaek encarou-a, com a luz fraca capturando o nome gravado: Lee Shinu.

Por um longo momento, ele não se moveu. Permaneceu ali, ajoelhado com o fuzil sob o queixo, encarando o nome trêmulo na plaqueta. O feixe fraco da lanterna acima lançava um brilho suave e artificial sobre ele.

Finalmente, seu aperto no fuzil afrouxou.

Não podia ser assim que terminava. Ele não podia perder Shinu desse jeito. Não sem tentar. Não sem lutar por ele. Ele não havia feito nada ainda — não havia esgotado todas as opções para salvá-lo. Não podia desistir. Não ainda.

As lágrimas que queimavam nos olhos de Taebaek transformaram-se em determinação.

Se ele ia morrer de qualquer forma, então veria Shinu uma última vez antes disso. Se Shinu tivesse se transformado em um monstro, então ele se ofereceria de bom grado. E se Shinu já estivesse morto… então ele seguraria seu corpo bem perto, mesmo que fosse apenas uma casca sem vida.

Segurando o fuzil com firmeza, Taebaek colocou-se de pé. Ele passou a plaqueta pelo pescoço. Ela ficou pendurada sobre seu peito, com seu peso frio queimando em sua pele.

Taebaek não teve dificuldade em rastrear o caminho de Shinu. Embora tivesse saído cambaleante dos correios em meio a um torpor, sua busca frenética rapidamente o levou a um cadáver — um Devorador com uma marca de tiro bem no meio da cabeça. Ocorreu-lhe então que Shinu havia partido com uma única arma e um número limitado de balas.

As ruas estavam surpreendentemente vazias de Devoradores. Mesmo sem a capa de chuva de proteção, nada avançou contra ele como havia acontecido antes. Os números haviam diminuído drasticamente em comparação a algumas horas atrás. Shinu devia ter atraído todos eles para longe, garantindo que Taebaek pudesse alcançar o Porto de Mokpo em segurança.

— ……

Taebaek apertou o cabo de sua espada longa. Ele começou a caminhar, seguindo a trilha de monstros com ferimentos na cabeça. Em pouco tempo, começou a correr.

O ar afiado e azul da manhã açoitava suas orelhas, frio o suficiente para arder. Ele não vestia nada além de suas roupas finas, tendo saído às pressas apenas com sua mochila, deixando sua jaqueta para trás. Seus braços e cintura pareciam congelados até os ossos, mas ele ignorou isso e continuou correndo.

Em sua mente, ele traçava o mapa que Shinu estivera estudando incessantemente. A rota que Shinu havia esboçado com uma caneta, revisando repetidamente cada curva e desvio possível. Taebaek tinha certeza de que Shinu não se desviaria daquele caminho. Ele teria confiado que Taebaek se manteria fiel a ele também.

Taebaek não parou de correr. Ele passou por estruturas esqueléticas de edifícios, carros capotados, postes de energia inclinados, árvores arrancadas, hidrantes marcados por cicatrizes de mordidas, ruas escorregadias de sangue, cadáveres retorcidos e pedaços de carne espalhados.

Ele já tinha visto tudo isso antes — inúmeras vezes. Mas encarar isso agora, sem Shinu ao seu lado, parecia totalmente diferente. O medo apegava-se a ele como uma mortalha pesada. Era como estar em um jogo cooperativo onde seu parceiro havia caído e você fora deixado para enfrentar o chefe final sozinho. O tipo de jogo que você não conseguiria vencer sem dois jogadores, onde tudo o que podia fazer era esperar pelo inevitável Game Over.

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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