Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 187 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 187

Shinu apoiou-se no ombro de Taebaek, com sua respiração tornando-se cada vez mais rasa. Suas veias queimavam como se estivessem em chamas, e ele sentia uma coceira perturbadora, como se seus dentes estivessem crescendo.

Apesar de tudo, Shinu fingia estar calmo. Fazer alarde sobre sentir como se sua boca estivesse se rasgando, ou seus dentes estivessem crescendo, ou perguntar se suas orelhas ou olhos estavam mudando de cor — nada disso ajudaria. Apenas machucaria Taebaek.

Shinu passou a língua pelo interior da bochecha e mexeu em seu relógio de pulso. O relógio e a pulseira, agora encharcados com seu sangue, pareciam lamentáveis. O sangue havia infiltrado nas engrenagens, e nenhuma quantidade de limpeza o deixaria limpo. Ele não tinha muitos momentos restantes para checar as horas, mas separar-se dele ainda o deixava melancólico.

Segurando um lenço umedecido, Shinu tentou desajeitadamente limpar o relógio, mas Taebaek o impediu gentilmente, colocando sua mão sobre a de Shinu .

— Minha mãe costumava tossir muito sangue.

— ……

— No começo, eu não tinha coragem de jogar fora o relógio dela manchado de sangue. Eu pensava: ‘Quando ela se for, isso pode ser tudo o que me restará dela.’ Mas depois do segundo, terceiro, quinto… eu simplesmente não queria mais guardá-los.

— ……

Os lábios de Shinu se comprimiram firmemente. As palavras o lembraram de uma memória distante — lá na casa de Taebaek, quando a governanta os visitou. Ela havia se transformado em um monstro, e Taebaek a havia matado. O sangue dela havia encharcado o relógio dela, o mesmo relógio que Taebaek havia lhe entregado naquela época.

— Relógios encharcados de sangue… — Taebaek havia dito na ocasião. — A menos que você os desmonte e limpe cada peça, eles continuarão manchando suas mãos e punhos com sangue seco.

— Como você… sabe disso? — Shinu havia perguntado.

— Apenas… eu apenas sei.

Naquela época, parecera uma coisa estranha de se dizer. Mas agora, Shinu percebia que estava ligado às memórias da mãe de Taebaek. Mesmo enquanto Taebaek falava, Shinu não conseguia desviar os olhos do relógio. Apesar de seu cuidado, a vida havia deixado arranhões nele, trincado seu vidro e o encharcado de sangue. Seu peito doeu com a visão.

Taebaek percebeu e acariciou suavemente a mão de Shinu .

— Apenas desapegue. Uma vez que se vai, não é nada. Se você não puder ver, você esquecerá também.

— Sim.

— Não fique triste por causa disso. Eu compro um novo para você. Dez, cem se você quiser. É só o que precisa.

— Sim.

Apesar de suas palavras, Shinu não tirou o relógio. Taebaek tivera o luxo do tempo para colecionar seu segundo e terceiro relógio naquela época, mas Shinu não tinha. Este relógio, encharcado de sangue, era seu primeiro e último.

Felizmente, Taebaek não insistiu no assunto.

Os dois sentaram-se em silêncio, respirando em sincronia. Sentaram-se perto, de mãos dadas, trocando olhares ocasionais e sorrindo sem motivo.

O tempo passou. Shinu checou o relógio novamente. Eram 1h22 da manhã. Sua visão estava começando a embaçar, como se um véu branco estivesse caindo sobre seus olhos. Sua garganta permanecia seca, embora ele não soubesse dizer se tinha sede de água ou de sangue.

Uma coisa era clara: era hora de abrir mão dessa esperança fútil.

— Taebaek.

Shinu segurou a mão de Taebaek com força. Mãos grandes, robustas, quentes, mas macias. Mãos que haviam suportado este mundo brutal sem uma única cicatriz. Pensar em como ele não seria capaz de segurá-las novamente o deixava indescritivelmente triste.

— Hum? Devemos ir agora? Você perdeu muito sangue, hyung. Precisamos correr. Você pode receber uma transfusão assim que estivermos lá.

Taebaek começou a se levantar ansiosamente. O tempo parecia escasso, e cada tique-taque do relógio parecia desgastar a vida de Shinu . Embora o sangue ainda não tivesse atravessado o moletom dele, era óbvio que precisavam se mover rapidamente.

Enquanto Taebaek pegava sua mochila, pronto para partir, Shinu falou suavemente.

— Eu amo você.

— ……

— Eu amo tanto você.

— ……

— Obrigado por aparecer na minha vida rígida e comum.

A confissão sincera fez o rosto de Taebaek congelar.

— …Por que você está dizendo isso agora? É assustador.

Ele não conseguia aceitar a confissão de Shinu como algo alegre. Não nesta situação. Soava demais como uma despedida final, um testamento disfarçado. Taebaek não era ingênuo a ponto de perder o óbvio.

Ele virou a cabeça, recusando-se a ouvir, mas Shinu o puxou para mais perto, apoiando a cabeça no ombro de Taebaek. Mesmo um momento a mais juntos parecia precioso.

— Não é nada disso. Eu apenas acho que não disse o suficiente.

— ……

Um vinco apareceu entre as sobrancelhas de Taebaek. Por que agora? Por que não mais tarde? Quando ele estivesse curado, eles poderiam levar o tempo que quisessem — dez, vinte anos para dizer tudo, não podiam? Ele queria argumentar, mas não teve coragem.

Talvez porque, no fundo, ele quisesse ouvir a voz de Shinu .

Taebaek contraiu os lábios, segurando a mão de Shinu com mais força. Seu nariz ardeu e sua visão embaçou, alternando entre clara e nebulosa.

Embora Shinu tenha notado seu tumulto, ele não tocou no assunto, continuando a falar gentilmente.

— Eu odeio este mundo, mas, ao mesmo tempo, se não fosse por este mundo horrível, como alguém tão deslumbrante como você poderia amar alguém como eu?

— Não diga ‘alguém como eu’. Eu acho que você não percebe o quão incrível e sexy você é.

A voz de Taebaek estava carregada de uma mistura de afeto e frustração.

Shinu riu baixinho. Ele beijou a mão de Taebaek antes de falar novamente.

— Eu sou uma das poucas pessoas que ganharam algo neste mundo amaldiçoado.

— ……

— Eu pude passar um mês com você. Neste mundo, você estava ao meu lado. Você me amou. Eu amei você. Nós nos amamos.

— Isso não é suficiente. Não diga coisas assim até termos passado cinquenta anos juntos e estarmos enjoados um do outro.

— Ah…

— E este mundo não me fez amar você. Nós teríamos nos amado mesmo sem ele.

— ……

— Se estivéssemos em Seul agora, na Teheran-ro… Nós daríamos beijos escondidos no meu escritório durante o dia, iríamos embora juntos ao pôr do sol, comeríamos um jantar bom, tomaríamos drinks em um bar chique e passaríamos a noite em um hotel maravilhoso com vista para a cidade, fazendo amor até o amanhecer.

Shinu riu baixinho da visão romântica confusa de Taebaek. Talvez fosse verdade. Talvez o amor deles pudesse ter florescido em qualquer mundo. Se Taebaek acreditava nisso, Shinu queria acreditar também.

Ele entrelaçou seus dedos com os de Taebaek, com suas palmas pressionadas firmemente juntas.

— Deus é astuto. Ele costumava me atormentar tanto, mas então ele me deixou conhecer você. Neste momento, sou mais grato do que as palavras podem expressar.

— ……

— Eu passei a minha vida inteira imaginando a minha morte. Pensando em como ela seria.

— Imaginando?

— Sim… Nada de especial. Baleado, esfaqueado, explodido, torturado, morto por mísseis inimigos ou morrendo em treinamento — coisas assim.

Taebaek franziu o cenho. Nada daquilo soava como ‘nada de especial’.

— Depois de imaginar tudo isso, eu pensei que a minha morte seria sem sentido, solitária e sombria. Isso me assustava. Então eu desejava uma morte que viesse sem aviso, sem tempo para refletir.

— ……

— Mas agora, estando à beira da morte, não sinto solidão.

— Você não está morrendo—

— Espere. Apenas escute.

— ……

— Mesmo se você não estivesse aqui, acho que não me sentiria sozinho. As memórias que tenho com você… São tantas, e são tão lindas. Eu estaria feliz demais relembrando para me sentir sozinho.

— ……

— Taebaek, eu amo você.

— ……

— Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você.

Lágrimas rolaram pelas bochechas de Taebaek. Shinu gentilmente as limpou, sua mão descansando suavemente contra o rosto de Taebaek. Taebaek agarrou aquela mão, pressionando o rosto nela como que para extrair conforto de seu calor.

Seus ombros tremeram. Então ele olhou para cima abruptamente, seus olhos injetados de sangue, afiados e determinados.

Shinu não vai morrer.

Ele não pode.

Eu não vou deixar.

Não importa o que custe, eu vou salvá-lo.

— Vamos agora, hyung. Nós podemos conseguir antes do amanhecer. Se você não puder caminhar, eu levo você no colo.

Taebaek puxou a mão de Shinu , incitando-o a levantar. Shinu assentiu, levantando-se com esforço. Então, na metade do caminho, ele parou e olhou para Taebaek.

— Você não quer um My Chew? É a sua última chance.

— ……

Taebaek semicerrou os olhos desconfiado, pressentindo algo errado. Shinu acrescentou casualmente: — E pegue um doce de limão para mim também.

— ……

Taebaek moveu os lábios de um lado para o outro, com os olhos fixos em Shinu . Após um momento, ele ajoelhou-se em um joelho e começou a revirar sua mochila. Os pertences embalados às pressas estavam caoticamente amontoados lá dentro, tornando difícil encontrar as pequenas guloseimas. Franzindo a testa ligeiramente, ele mergulhou mais fundo na mochila, procurando como se pudesse desaparecer dentro dela.

Enquanto isso, Shinu calmamente colocou-se de pé. Agarrando o fuzil, ele aproximou-se de Taebaek por trás. Ele ficou ali por exatamente três segundos, nem mais, nem menos, observando-o. Então, sem hesitação, ele golpeou a parte de trás da cabeça de Taebaek com a coronha do fuzil.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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