Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 186 Online

↫─Capítulo 186
Era uma ameaça totalmente sem emoção, tanto que não chegava a ser assustadora. Taebaek agiu como se não tivesse ouvido e começou a revirar sua mochila. Shinu precisava de roupas. Não havia como deixá-lo andar por aí despido no frio, e vesti-lo novamente com seu terno esfarrapado estava fora de cogitação.
Devia haver um moletom guardado em algum lugar para dormir. Os dedos de Taebaek tocaram o tecido grosso, e seu rosto se iluminou por um momento. Mas então — estrondo! Uma bala afiada de raspão passou por sua orelha. Uma mudança de fração de grau na mira, e sua orelha teria sido arrancada.
— ……
Taebaek virou-se para olhar para Shinu. Dessa vez, Shinu ajustou a mira da arma, apontando-a diretamente para o peito de Taebaek, como se prometesse que atiraria em seu coração. Taebaek soltou um deboche seco e, segurando a mão de Shinu que empunhava a arma, moveu o cano para a própria testa.
— Não desperdice balas. Atire direito.
Pego de surpresa, a mão de Shinu tremeu. Ele rapidamente afastou o dedo do gatilho, e Taebaek olhou fixamente para ele como se não esperasse menos. Afastando a arma com um toque de mão, Taebaek pegou o moletom e tentou passá-lo pela cabeça de Shinu.
Dessa vez, Shinu virou a arma contra si mesmo, apontando-a abaixo do próprio queixo. A ameaça agora parecia mais séria. As pupilas de Taebaek oscilaram violentamente enquanto Shinu colocava o dedo no gatilho, pronto para puxá-lo e acabar com tudo. O olhar de Taebaek, cheio de ressentimento, cravou-se nele.
— ……
— ……
O impasse se arrastou, com o silêncio pesado por uma sensação de futilidade. O sangue continuava a escorrer dos ferimentos de Shinu. O tempo avançava implacavelmente, enquanto pessoas morriam e monstros nasciam em outros lugares do mundo.
Taebaek soltou um longo suspiro. Então, alcançando um fuzil próximo, virou-o de cabeça para baixo e apoiou o queixo no cano.
As pestanas de Shinu agitaram-se para cima em surpresa. Taebaek sorriu com desdém diante da reação dele.
— Vá em frente, atire.
— ……
— Morra na minha frente. Deixe-me ver.
— ……
— Se você morrer, eu vou atrás. Três segundos depois. Então apenas espere por mim.
— ……
Shinu não tinha contestação. O rosto de Taebaek não demonstrava falsidade, nenhum exagero — apenas uma surpreendente sensação de calma, quase como se estivesse livre de fardos. Shinu não conseguia vencer uma determinação tão inabalável.
Seu braço caiu, com o cano da arma batendo contra o chão. Só então Taebaek baixou seu fuzil. Sem hesitação, ele retomou o ato de vestir Shinu, guiando cuidadosamente os braços dele pelas mangas e cobrindo seu abdômen e costas expostos contra o frio.
Um aquecedor de mãos teria sido o ideal, mas não restava nenhum. Taebaek esfregou as mãos agora gélidas de Shinu para aquecê-las, com os olhos varrendo a sala.
Caixas espalhadas. O cadáver de um monstro morto. Encomendas reviradas. O cheiro de poeira. Aquele lugar… era simples demais. Indigno demais para ser o local do descanso final de Shinu.
Taebaek entrelaçou as mãos de Shinu firmemente, fixando os olhos nos dele, e falou com uma sinceridade desesperada.
— Vamos juntos.
— Para onde?
— Para o Porto de Mokpo.
— ……
As sobrancelhas de Shinu ergueram-se brevemente antes de se franzirem. Ele afastou as mãos do aperto de Taebaek, soltando-as mesmo enquanto Taebaek tentava segurá-las. Em vez disso, o próprio Shinu segurou as mãos de Taebaek e falou devagar, deliberadamente.
Ele expôs a realidade deles. O futuro que os aguardava. O destino inevitável que os esperava.
— Taebaek, eu estou infectado. Vou me transformar em um deles logo. Seja aqui ou no Porto de Mokpo, isso é inevitável.
— ……
— Meus olhos vão ficar brancos, minhas orelhas vão ficar vermelhas e minha boca vai se rasgar como a de um jacaré. E então eu vou atrás de você, Taebaek. Depois que eu tiver devorado você, irei avançar para consumir os outros sobreviventes no Porto de Mokpo. Gritos vão encher o ar. Soldados virão correndo. Um deles vai atirar na minha cabeça, e meu crânio vai se despedaçar, com meu cérebro podre espirrando por toda parte. As pessoas vão gritar sobre o quão nojento é e vão fugir.
— ……
— É isso o que você quer ver?
As sobrancelhas de Taebaek uniram-se em angústia, seu rosto se contorcendo em uma mistura de irritação, ressentimento, tristeza e raiva. Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos novamente.
É isso o que eu quero ver? Sério? Por que dizer algo tão cruel? Por que se dar ao trabalho de me machucar assim? Por quê?
Lágrimas escorreram livremente pelas bochechas de Taebaek.
— Por que… por que você tem que falar desse jeito…?
— É a verdade—
Taebaek de repente inclinou-se, capturando os lábios de Shinu com os seus. Shinu tentou recuar, mas suas costas já estavam pressionadas contra a parede, não deixando espaço para retirada. Seus lábios se encontraram, com o beijo sendo menos um ato de afeto e mais uma forma de calá-lo.
— ……
Shinu não teve coragem de empurrar Taebaek. Os lábios de Taebaek eram tão quentes e, egoisticamente, Shinu queria prolongar aquele beijo o máximo possível. Aquele poderia ser o último que compartilhariam.
Mas o beijo não durou muito. Incapaz de conter suas emoções, Taebaek jogou os braços ao redor de Shinu, abraçando-o com força. Envolvido por aquele calor, Shinu fechou os olhos com força. Lágrimas brotaram, seu nariz ardendo enquanto ele o enrugava reflexivamente.
Ele sentia uma profunda tristeza — não por si mesmo, mas por Taebaek, que seria deixado para trás. O pensamento da solidão de Taebaek era insuportável, e o fato de Shinu não poder fazer nada para amenizá-la o enchia de pesar.
Shinu envolveu os braços ao redor das costas de Taebaek, como se para pedir desculpas, para expressar gratidão, para dizer o quão feliz havia sido. Para admitir que, apesar de sua própria felicidade, tudo o que havia deixado para Taebaek foram cicatrizes.
Ele queria dizer tanta coisa, mas não conseguia. Quaisquer palavras que proferisse apenas deixariam feridas mais profundas no coração de Taebaek.
Enquanto Shinu enterrava o rosto contra o ombro de Taebaek, engolindo sua tristeza, Taebaek se afastou. Mas sua expressão era diferente dessa vez — conflituosa, como se estivesse escondendo algo. Ele se mexeu desconfortavelmente e lançou olhares cautelosos para Shinu, como uma criança pega fazendo algo errado.
O olhar de Shinu endureceu. A inquietação borbulhou dentro dele, perguntando-se que ideia tola Taebaek poderia estar alimentando.
Taebaek limpou as lágrimas com as costas da mão, expirando profundamente antes de se sentar na frente de Shinu.
— Hyung… eu estive me contendo porque parecia estúpido demais, mas…
— ……
— E se… e se você não se transformar?
Shinu relaxou visivelmente, com o absurdo da afirmação sendo quase risível. Uma risada seca escapou dele enquanto olhava para Taebaek com olhos cheios de amor.
— Por quê? Porque você me ama? Porque no seu mundo eu sou especial demais?
— Não, não é isso.
Taebaek pressionou um beijo nas costas da mão de Shinu, depois na ponta de seus dedos. Apoiando a bochecha contra a palma de Shinu, ele murmurou.
— Não havia nenhum soldado nas fotos.
— ……Fotos?
— As fotos do rio de monstros que o sujeito do traje de proteção nos mostrou na escola primária. Não havia nenhum soldado.
— O que isso tem a ver—
— Pense bem. No nosso caminho até aqui, nós nunca vimos um único soldado infectado. Houve um confronto entre o exército e os Devoradores — alguns soldados devem ter sido infectados. Mas nós nunca vimos nenhum. Nem em Seul, nem em Yongin onde tudo começou, nem aqui em Mokpo também. É como se alguém tivesse retirado especificamente todos os soldados.
— ……
— E lembra do que o homem no traje de proteção disse? Que os soldados haviam sido convocados de volta? E se eles já soubessem que os soldados não podem ser infectados? E se estivessem tentando desenvolver uma vacina?
As sobrancelhas de Shinu se franziram ligeiramente. Ele mordeu o lábio e firmou seu corpo trêmulo. Taebaek rapidamente ajustou a postura de Shinu, acomodando sua própria jaqueta encharcada de sangue atrás das costas dele para dar apoio.
Conforme a conversa passava pela mente de Shinu, ele se lembrou de seu diálogo anterior com o funcionário do traje de proteção.
— Vocês são os únicos funcionários aqui?
— Sim, somos apenas nós dois.
— Nenhum soldado? Eu pensei que os centros de evacuação fossem obrigados a ter soldados ou policiais para controle de multidões e segurança.
— Eles foram convocados de volta para o Porto de Mokpo.
— …Apenas os soldados?
— Sim, apenas os soldados. As ordens vieram há duas semanas. Era urgente. No começo, eles procuravam por soldados de 2016, depois de 2017, depois de 2018, 2020, 2021… eles os têm convocado gradualmente.
Sim, foi isso o que disseram.
Era estranho, mas não podia levar conclusivamente à ideia de que ‘os soldados são imunes’. Shinu engoliu em seco. Havia perdido tanto sangue que sua garganta parecia seca. Mesmo assim, ele se absteve de beber água — seria um desperdício. Estava tudo reservado para Taebaek.
— Pode haver simplesmente uma falta de soldados no Porto de Mokpo.
Shinu passou a mão pela testa. Sua pele parecia quente. O aumento da temperatura corporal era um sinal de infecção.
O rosto de Taebaek caiu diante da resposta excessivamente indiferente de Shinu.
— Você está certo. Mas… é que… eu não sei. É apenas um pressentimento que eu tenho.
— ……
— Então vamos verificar. Nunca se sabe. Realmente, nunca se sabe.
A garganta de Shinu moveu-se enquanto ele engolia em seco. Claro, não era impossível. Mas a probabilidade de um ‘talvez’ desses era infinitesimal. Não era apenas uma esperança tola — era uma fantasia. Um milagre.
— E se eu não for imune?
— Então eu deixo você me devorar. Não me importo com o que aconteça com os outros. Eles que sejam devorados por você, não me importo.
— Isso é completamente ridículo—
— Você disse a mesma coisa, não disse? Quando minha coxa se machucou. Você disse que me deixaria devorar você.
— ……
Shinu fechou os olhos com força, exasperado. Ele não pretendia que aquelas palavras fossem usadas dessa forma. Ele não havia previsto tal situação quando abriu seu coração. Ele quebrou a cabeça em busca de uma solução, mas não encontrou maneira de vencer a teimosia de Taebaek.
No final, havia apenas uma opção.
Shinu virou-se para Taebaek com um sorriso tênue.
— Tudo bem, então…
— ……
— Vamos descansar um pouco antes de ir.
Diante daquelas palavras, a expressão tempestuosa no rosto de Taebaek dissipou-se, iluminando-se consideravelmente.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive