Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 185 Online

↫─Capítulo 185
The Last Lemon Candy
Conforme a camisa social manchada de carmesim ficou à vista e Taebaek a desabotoou ainda mais, ele respirou fundo. Encarar o ferimento de Shinu diretamente o enchia de pavor.
Sua cabeça latejava, seu estômago revirava. Mesmo sabendo que não havia para onde correr, ele se pegou desejando desesperadamente uma fuga. Mas precisava manter-se firme. Forçando os olhos a se abrirem bem, Taebaek removeu cuidadosamente a camisa de Shinu. O ferimento por baixo logo foi revelado.
— ……
Apesar de dizer a si mesmo repetidas vezes para agir como se não fosse nada, para manter-se composto, Taebaek involuntariamente prendeu a respiração e congelou.
O ferimento de Shinu… era ruim. Não, era horrível.
Não havia como ser diferente. Um monstro havia cravado seus dentes enormes nele. Da clavícula esquerda, cruzando a parte superior do peito até o braço esquerdo, havia perfurações irregulares e de um vermelho escuro, formando um semicírculo sombrio. Mesmo num relance, havia mais de dez delas. Ferimentos semelhantes podiam ser vistos em suas costas.
O sangue jorrava das feridas em ondas. Sua clavícula perfeita e amada estava cheia de sangue acumulado. Ele escorria pelos músculos bem definidos do peito, encharcando não apenas suas plaquetas de identificação militar, mas também os vãos de seu abdômen.
Os olhos de Taebaek tremeram violentamente. Por que ele? Por que agora? Como isso aconteceu? Perguntas dispersas e sem resposta ricocheteavam em sua mente. Parecia que todo o sangue havia sumido de seu corpo. Seu couro cabeludo doía, como se alguém estivesse arrancando seus cabelos.
Então, um calor ardente subiu, atingindo a ponta de seu nariz. Suas pálpebras tremeram enquanto lágrimas brotavam em seus olhos cor de mel, sutilmente visíveis mesmo na escuridão.
Naquele momento, Shinu acariciou gentilmente a bochecha de Taebaek.
— Me desculpe.
— ……
— Me desculpe, Taebaek-ah.
— ……
— Eu fui descuidado… baixei a guarda.
— Não é sua culpa, hyung.
Taebaek fechou os olhos com força antes de reabri-los. Lágrimas pesadas e persistentes caíram sobre a coxa de Shinu. Shinu observou em silêncio enquanto as lágrimas encharcavam sua perna.
Taebaek revirou a mochila freneticamente, retirando o pouco que restava: bandagens, uma toalha e um kit de primeiros socorros. Não era o suficiente para tratar adequadamente os ferimentos de Shinu, mas ainda restava um curativo impermeável. Ele pensou que poderia usá-lo para estancar o pior do sangramento.
Eles estavam perto do Porto de Mokpo agora. Se ele conseguisse apenas parar o sangramento por enquanto, um tratamento adequado ainda seria possível assim que chegassem.
Taebaek limpou cuidadosamente o sangue com uma toalha, depois aplicou generosamente desinfetante e pó hemostático.
Suas mãos destreinadas atrapalhavam-se ocasionalmente, mas Shinu não ofereceu nenhuma correção. Aquele era um ferimento para o qual o tratamento não tinha sentido de qualquer forma. Em vez disso, Shinu simplesmente sorriu de leve ao ver Taebaek cuidando dele de forma desajeitada, mas fervorosa. Mesmo agora, ele não conseguia evitar achá-lo adorável. Isso o lembrava daquela vez no chalé do Pastor Sung, quando Taebaek o havia enrolado em bandagens da cabeça aos pés.
Tantas pequenas lembranças vieram à tona. Olhando para trás, os dois meses que passou com Taebaek desde o surto do vírus haviam sido os mais felizes de sua vida. Eles comeram juntos, fugiram do perigo juntos, lutaram juntos, riram das piadas um do outro, sentaram-se lado a lado dividindo chocolate em um carro, sussurraram confidências doces e se beijaram.
Tantas memórias felizes. E pensar que meus momentos finais estão repletos de recordações tão brilhantes. Eu sou um homem de muita sorte.
Enquanto Shinu fitava atentamente o rosto de Taebaek, perdido em reminiscências sobre o tempo que passaram juntos, Taebaek puxou o curativo impermeável. Shinu rapidamente segurou a mão dele para impedi-lo.
— Não faça isso.
— O quê?
— Esse é para a sua coxa. É o último.
Taebaek piscou devagar. Então soltou uma risada suave.
— Do que você está falando? Seus ferimentos são muito piores. Eu não vou morrer só porque vou ficar um ou dois dias sem um curativo.
— Usar isso em mim seria um desperdício.
— Não é um desperdício.
— Escute-me. Já que estamos nisso, deixe-me verificar sua coxa. Você bateu nela mais cedo; o ferimento pode ter reaberto.
Shinu tentou empurrar Taebaek para trás, mas Taebaek resistiu com pura força. Com Shinu incapaz de usar o braço esquerdo ferido adequadamente, ele não conseguiu superá-lo. Mantendo um contato visual inabalável, Taebaek abriu desafiadoramente a embalagem do curativo com um rasgo alto.
— Você…
Shinu cerrou os dentes, fechando os punhos como se estivesse prestes a bater em Taebaek. Mas Taebaek não se importou. Ele colocou o curativo sobre o ferimento de Shinu. Mesmo assim, não foi capaz de cobrir todas as feridas abertas. Ele usou gaze, fita adesiva e os suprimentos restantes para remendar o resto, e então envolveu o ombro e as costas de Shinu firmemente com bandagens.
Finalmente, Taebaek usou lenços umedecidos para limpar com cuidado o sangue seco ao redor dos ferimentos.
Enquanto isso, Shinu olhou discretamente para o relógio. Ele não havia feito muita coisa, mas meia hora já havia se passado. O tique-taque implacável do relógio parecia cruel, como se zombasse dele.
Ele lambeu os lábios secos e olhou para o próprio peito. A pele ao redor das feridas já estava ficando preta, um sinal claro de que o vírus estava se espalhando. Ele engoliu em seco e falou baixinho.
— Taebaek.
— Sim?
— Você precisa ir.
— Certo. Vamos apenas trocar suas roupas primeiro.
— Você precisa ir sozinho.
Diante daquelas palavras, Taebaek congelou. Então, como se não tivesse ouvido nada, retomou a limpeza do corpo de Shinu. Nem as plaquetas de identificação militar manchadas de sangue no peito de Shinu escaparam de sua atenção.
Enquanto Taebaek trabalhava, Shinu continuou falando em seu tom gentil habitual. Ele acariciou o cabelo macio de Taebaek, traçou o contorno de suas orelhas e passou a mão ao longo de sua mandíbula forte — tocando-o mais do que o habitual porque sabia que aquele era o último momento deles juntos.
— Faltam menos de 7 quilômetros para o Porto de Mokpo. Mesmo se caminhar devagar, você chegará lá pela manhã.
— ……
— Se o sol nascer, encontre um lugar para se esconder. Continue após o pôr do sol. Um atraso de meio dia não tem problema.
— ……
— Quanto mais perto chegar do porto, mais infectados encontrará. Tenha cuidado. Quando chegar, tire o traje de proteção. Eles podem atirar se confundirem você com um dos infectados.
A cada palavra, a cada respiração, o sangue escorria dos ferimentos de Shinu. As bandagens e a gaze que Taebaek havia aplicado com tanto cuidado já estavam ficando encharcadas.
— Pare de falar — Taebaek implorou. — Você está piorando o sangramento….
Mas as palavras de Shinu fluíram mais rápido.
— Se encontrar soldados, esconda sua pistola e descarte o fuzil. Quem quer que esteja no Porto de Mokpo, não crie atrito. Siga as ordens deles, não importa o quão desconfortável ou irritante seja. Apenas chegue a Jeju. Isso é tudo o que importa.
— Pare de falar.
— Há informações confidenciais de Gyeryongdae na minha mochila. Fique com elas. Você saberá quando forem úteis — você é inteligente para essas coisas.
— Hyung.
— Não nos restam muitas balas. Não economize. É o suficiente para durar dois dias.
A testa de Taebaek se franziu, com as veias saltando de frustração. Sua cabeça latejava enquanto a raiva surgia por seu corpo. Se Shinu não calasse a boca, ele poderia ser forçado a impedi-lo fisicamente. Sua mão instintivamente moveu-se em direção à boca de Shinu.
— Cale a boca, você pod—
— Escute!
— ……
— Escute e lembre-se!
A voz de Shinu elevou-se em um grito raro. Taebaek sobressaltou-se em choque. Shinu nunca aumentava o tom de voz. Vê-lo tão abalado e emotivo era totalmente desconcertante.
— Isso é realmente muito ruim — Taebaek percebeu. — Se até o Shinu não consegue manter o controle, isso deve estar além de qualquer salvação.
Aquela constatação o atingiu como uma onda gigante. Embora ele já soubesse que a situação era terrível, um medo avassalador agora o engolia.
Seu peito arfava enquanto sua respiração acelerava. Suas orelhas pareciam entupidas e sua mente ficou nublada.
Percebendo o pânico de Taebaek, Shinu segurou seu rosto com as mãos e implorou: — Taebaek, por favor. Por favor, viva. Não faça nenhuma tolice. Por favor… tudo bem? Por favor….
— ……
— Você tem que ir sozinho. Você consegue ir sozinho. Essa é a única maneira de sobreviver.
As palavras eram ao mesmo tempo fervorosas e cruéis. Eram também absurdas. O medo que dominava Taebaek afrouxou enquanto ele tremia de raiva, recompondo-se novamente.
— Como posso ir sozinho? — ele exigiu.
— ……
— Como posso ir sozinho?
— ……
— Como posso deixar você para trás?!
— Isso não é abandono.
— Então o que é, se não abandono?
— ……
Shinu uniu os lábios firmemente, incapaz de encontrar as palavras para refutar. Ele não era particularmente eloquente e nenhuma resposta inteligente lhe vinha à mente. Ainda assim, descrever aquilo como ‘abandono’ parecia errado — pintava Taebaek como se ele estivesse fazendo algo cruel. Enquanto Shinu ponderava sobre suas palavras, ele balançou a cabeça. Não havia tempo para aquela discussão sem sentido.
Ele lentamente fechou os olhos e depois os abriu novamente, agora firme e composto ao encontrar o olhar de Taebaek.
— Se você não for… o quê, nós vamos morrer juntos?
— Por que não? É tão difícil assim?
Taebaek sorriu de leve com deboche. Ele não tinha medo da morte. O que ele temia era perder Shinu — perdê-lo e ser deixado para trás, sozinho. Nada mais importava. Desde que pudesse estar com Shinu, nada mais — nem o estado de Shinu, nem o seu próprio — era motivo de preocupação.
— ……
Shinu podia facilmente dizer o que Taebaek estava pensando, lendo isso claramente na expressão inflexível em seu rosto.
Soltando um longo suspiro, Shinu olhou distraidamente para o teto escurecido acima deles. Cada respiração que dava enviava uma dor lancinante por seu peito e o sangue continuava a fluir a um ritmo alarmante. Pelo menos seus pulmões e coração não haviam sido perfurados. Se tivessem sido, ele nem teria tido tempo de se despedir.
Após um breve momento de quietude, Shinu esticou o braço em direção à lateral de Taebaek — especificamente, para o coldre preso sobre seu moletom. Sua mão agarrou o peso frio de uma pistola.
Em um movimento fluido mas deliberado, Shinu sacou a arma e a apontou para Taebaek. O cano pressionou diretamente contra o lado esquerdo do peito de Taebaek, a distância entre eles sendo inexistente.
Taebaek baixou a cabeça, seu olhar caindo para a arma. Shinu destravou a segurança com o polegar, sua voz calma e firme.
— Fique de pé.
— ……
— Fique de pé e vá embora.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive