Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 178 Online

↫─Capítulo 178
— …De repente?
Diante da pergunta inesperada, Shinu ergueu uma sobrancelha e olhou para Taebaek. Taebaek deu de ombros e perguntou:
— Na época do colégio, você devia ser bem popular, não era?
— Não, nem um pouco. Eu estudei em uma escola só de rapazes.
— …Isso é ainda mais irritante — Taebaek murmurou, franzindo as sobrancelhas brevemente. O comentário despretensioso dele fez Shinu rir baixo.
— Eu nunca tive o que se pode chamar de ‘popularidade’ na minha vida. Naquela época, meu uniforme era grande demais, eu não tinha músculos — basicamente, eu era um espeto de virar frango. Minhas bochechas eram fundas assim.
Shinu encolheu as bochechas para dentro, imitando uma expressão magra. Ao fazer isso, seus lábios se projetaram de forma adorável, parecendo estranhamente carnudos. Taebaek, sentindo uma tensão desconfortável mais abaixo, cerrou os punhos por um instante antes de relaxá-los. “Não agora, não é o momento”, pensou, acalmando-se em silêncio.
— O Taebaek, por outro lado, com certeza devia ser muito popular.
Agora era a vez de Shinu perguntar.
— Uh…
Taebaek estalou a língua e desviou o olhar, murmurando para si mesmo: — Eu deveria terminar de pintar a capa de chuva — enquanto sacudia a lata de spray. Shinu soltou uma risada ironica diante da evasão descarada.
— Sem resposta?
— Não é que eu esteja me recusando a responder, mas revirar o passado assim — é meio deselegante, não acha?
— É mesmo?
Shinu riu baixinho. Ele não ficou particularmente ofendido com o fato de Taebaek esquivar-se da pergunta. Na verdade, apenas imaginar o Taebaek no colégio parecia o suficiente. Mesmo sem pensar muito, Shinu conseguia visualizá-lo facilmente sendo extremamente popular. Talvez até ao ponto de a escola inteira o adorar.
Alto, com uma aparência marcante, ombros largos e masculinos, e um histórico familiar impecável para completar — ele era praticamente o protagonista ideal de um drama. Contudo, tanta perfeição parecia clichê, quase de revirar os olhos. Mas saber que alguém assim realmente existia era impressionante. Certamente, não apenas as garotas, mas talvez até alguns garotos questionavam seus sentimentos perto dele.
Imaginando isso, Shinu sentiu uma estranha sensação de orgulho. “O meu homem.” Ele devia ser ainda mais deslumbrante em seus dias de juventude.
— Conversar assim logo antes de irmos para a guerra parece um pouco insano, não parece? — Taebaek disse enquanto sacudia e desdobrava a capa de chuva.
— Mesmo antes das batalhas, as pessoas conversam sobre todo tipo de bobagem. Sentados em um transporte militar com armas, os soldados tagarelam sobre novas lan houses abrindo perto da base, ou como estão desejando carne de porco picante grelhada, ou até mesmo querendo que o líder de esquadrão — um tremendo babaca da velha guarda — caia duro de uma vez…
Shinu riu baixo, relembrando memórias distantes de camaradas do campo de batalha. Taebaek riu junto. Fazia bem perceber que eles não eram os únicos que agiam daquela forma. Mas havia uma ponta de amargura também — um lembrete cruel de quão familiarizados haviam se tornado com a vida no campo de batalha.
Enquanto trocavam essas observações triviais, ouviu-se uma batida na porta. Tanto Shinu quanto Taebaek voltaram a atenção bruscamente para a entrada. Uma figura no traje de proteção abriu-a cautelosamente, espiando para dentro. Atrás dela, outro indivíduo, maior, no mesmo traje, permanecia em silêncio.
— Um… Senhores…
Shinu levantou-se, erguendo sua arma, enquanto Taebaek instintivamente ajustou o coldre de sua pistola. Contudo, os indivíduos nos trajes de proteção não demonstraram medo e entraram na sala de aula. Um deles trazia uma nuvem escura na expressão — estava claro que algo sério havia acontecido.
A primeira figura engoliu em seco várias vezes antes de falar com o rosto sombrio.
— Hoje à noite… um helicóptero está vindo.
Dez minutos antes, houve uma transmissão de rádio vinda do Porto de Mokpo. O último helicóptero iria decolar, e ele deveria recolher os sobreviventes. Todos os abrigos foram contatados, mas apenas três — incluindo o deles — haviam respondido.
Era sem dúvida uma boa notícia, mas quem trazia a informação parecia tudo, menos feliz. Desabado em uma cadeira pequena, o homem soltou um suspiro pesado.
Shinu agachou-se na frente dele, inclinando a cabeça enquanto perguntava:
— Então, qual é o problema?
— Há apenas um helicóptero… e ele só pode fazer uma viagem.
As sobrancelhas de Shinu tremeram. E daí? Fosse qual fosse o tipo de helicóptero, uma aeronave de resgate normalmente podia carregar de 10 a 14 passageiros. Considerando que havia crianças ali, eles poderiam acomodar todos daquele abrigo se espremendo um pouco.
Por que, então, a pessoa que trazia a notícia parecia que o mundo estava acabando? Enquanto Shinu inclinava a cabeça em confusão, uma súbita percepção o atingiu. Ele inspirou abruptamente.
— …Você está dizendo que esse único helicóptero tem que atender a todos os três abrigos?
— Sim.
Shinu passou a mão pelo rosto em sinal de exasperação. O helicóptero — a única esperança imediata e tangível para aquelas pessoas — não seria suficiente para todos. Entendendo agora o motivo de o homem no traje de proteção parecer tão desanimado, Shinu conteve sua frustração.
— O exército nos ordenou dividir os passageiros entre os três abrigos. Nós entramos em contato uns com os outros e decidimos… priorizar as crianças. Se nos acomodarmos bem apertados, talvez 16 ou 17 crianças consigam entrar.
— …
— O primeiro abrigo, na cidade de Jinju, província de Gyeongnam, tem cinco crianças, incluindo um bebê de colo. O segundo abrigo, na cidade de Suncheon, província de Jeonnam, tem seis crianças abaixo da idade do ensino fundamental II. E nós… como vocês viram, temos duas crianças e um adolescente de 14 anos. Para abrir espaço, Jinju decidiu enviar a mãe do bebê também. Todos concordaram com esse arranjo.
— …Esse acordo foi alcançado entre os funcionários ou incluiu todos os refugiados?
A voz de Shinu era calma, mas firme. Diante de sua pergunta, o homem hesitou antes de responder.
— Apenas os funcionários.
— …
— Ainda assim, Jinju e Jeonnam provavelmente vão concordar com isso. O plano de Jinju é embarcar as crianças e qualquer pessoa frágil ou idosa, e depois deixar todos, exceto as crianças, mais perto do Porto de Mokpo, em Jeonnam. De lá, os refugiados de Jeonnam podem seguir caminho por conta própria, por estarem relativamente perto de Mokpo.
— E o problema somos nós — Taebaek suspirou, falando pela primeira vez. O homem assentiu vigorosamente.
— Sim. Este abrigo é o mais próximo do Porto de Mokpo. As pessoas que ficaram aqui estão aterrorizadas com os Devoradores e têm aguentado firmes unicamente pelo helicóptero. Elas provavelmente vão resistir fortemente à ideia.
— …
— E se as coisas ficarem caóticas — se as pessoas se recusarem a desembarcar ou tentarem embarcar no helicóptero na frente das crianças… Oh, Deus…
O homem apertou a testa como se imaginar o pior fosse o suficiente para fazer sua cabeça explodir. Até a figura maior apoiou-se na mesa do professor com uma expressão melancólica.
O silêncio desceu sobre a sala de aula. Nenhum deles falou por um momento. Então, Shinu levantou-se lentamente, segurando sua arma com uma expressão assustadoramente calma enquanto olhava para o homem de cima.
— Se nós decidíssemos abandonar as crianças e pegar aquele helicóptero para nós mesmos, o que exatamente vocês planejavam fazer?
Ambas as figuras nos trajes de proteção arfaram audivelmente. Taebaek, porém, permaneceu imperturbável, com a expressão neutra. Parecia que ele não estava particularmente surpreso com a pergunta provocativa de Shinu. Talvez ele entendesse o significado por trás do comentário aparentemente egoísta de Shinu.
O homem piscou nervosamente, mas logo abriu um sorriso fraco.
— Eu estou neste abrigo desde o dia em que ele foi estabelecido — mesmo antes de a transmissão de emergência ordenar que todos fossem para o Porto de Mokpo. Desde que o vírus se espalhou e este lugar substituiu clínicas quebradas, hospitais e delegacias de polícia, eu conheci inúmeras pessoas aqui.
— …
— E eu aprendi a ler as pessoas.
O tom confiante do homem fez as sobrancelhas de Shinu se erguerem ligeiramente antes de se acomodarem de novo. O cano de sua arma abaixou um pouco, um sinal de que a resposta havia tocado em um ponto importante.
O homem aceitou aquilo como uma deixa, puxando sua cadeira para mais perto com um som estridente.
— Então, nós temos um favor a pedir.
— …
— Nós não estamos pedindo para vocês nos levarem. Francamente, a única razão pela qual cogitamos envolver vocês foi para garantir que as crianças pudessem sobreviver apoiando-se na força de vocês.
— …
— Apenas até o helicóptero chegar… até as crianças embarcarem em segurança. Vocês poderiam ficar conosco até lá?
— …
— Com as suas armas, o seu tamanho, a sua presença e o seu jeito com as palavras… Vocês poderiam persuadir ou conter qualquer um que tente impedir as crianças de embarcar.
— …
— Por favor.
O homem curvou-se profundamente, seguido por seu companheiro maior. Shinu olhou para Taebaek, que deu um breve aceno com a cabeça. O pedido não era irracional — garantir que as crianças embarcassem no helicóptero em segurança era algo que eles podiam fazer facilmente. Além disso, eles tinham que esperar o anoitecer para se mover de qualquer forma.
Tendo recebido o consentimento de Taebaek, Shinu voltou-se para o homem.
— Tudo bem.
Como esperado, o anúncio da chegada do helicóptero — mas com capacidade limitada — provocou indignação entre os refugiados. As crianças antes adoráveis foram de repente rotuladas como pequenos demônios egoístas que estavam roubando a chance deles de sobrevivência. As mães apressadamente puxaram seus filhos para a segurança das barracas, incluindo o adolescente a quem foi concedida uma vaga. Cabeças se curvaram em um pedido silencioso de desculpas.
Enquanto isso, a multidão avançou furiosa na direção dos funcionários.
— Que tipo de bobagem é essa?
— Quem deu a vocês o direito de decidir sem nos consultar? Isso por acaso é comunismo?
— Eu sou o que está aqui há mais tempo. Não deveria ser por ordem de chegada?
— Em um mundo como este, de que servem as crianças? Eu também sou fraco. Eu também estou assustado!
— Isso não está certo. Todos deveriam ter uma chance igual! Nós deveríamos fazer um sorteio ou algo assim!
— Fazer um sorteio? Não, não é isso. Aqueles que merecem viver deveriam viver. As pessoas importantes. Aquelas que podem sobreviver e contribuir para o mundo.
O último comentário veio de Jingyeom. Seu interesse próprio transparente fez Taebaek e Shinu simultaneamente franzirem as sobrancelhas em desagrado.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive