Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 145 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 145

Ele estava vestido com uma regata simples, tipicamente usada em casa, e cuecas pretas por baixo. Seu cabelo era surpreendentemente espesso para sua idade, e seus olhos semifechados encaravam o vácuo.

Parecia que ele estava morto há algum tempo. Metade de seu corpo estava submerso na água, e o lado exposto de seu rosto e ombro estavam inchados a um ponto grotesco. Seu corpo, inchado ao ponto de que pressioná-lo poderia fazê-lo explodir, era irreconhecível em termos de seu tamanho original.

Um dos braços do homem repousava diagonalmente contra a borda da banheira. Um ferimento grande era visível em seu pulso. Julgando pelo contorno pálido de uma faca de cozinha sob a água, parecia que ele havia cortado o próprio pulso com ela. Em outras palavras, ele não havia morrido como um Devorador, mas como um humano.

A causa da morte: perda excessiva de sangue. Para ser mais específico… suicídio.

Shinu cambaleou para trás. Fora o cadáver que sangrara, mas o rosto de Shinu ficara pálido, desprovido de qualquer cor.

Sangue. Pulso cortado. Cadáver inchado. Homem. Homem. Homem.

Algo que ele não deveria lembrar começou a emergir em sua mente. Shinu fechou os olhos com força e balançou a cabeça. Então, uma fumaça preta começou a borbulhar da banheira. Não, não era fumaça — era uma memória deteriorada, tão antiga que havia apodrecido.

A fumaça escura que se acumulava na banheira logo começou a transbordar.

Um fedor fétido emanava da fumaça preta, um odor pútrido e acre de carne podre. A fumaça que jorrava da banheira tornava-se mais espessa e escura, preenchendo o cômodo e logo alcançando os pés de Shinu.

Shinu continuou recuando da fumaça. Ele poderia simplesmente abrir a porta do banheiro e sair, mas estupidamente continuava hesitando. Ele não conseguia tirar os olhos da fumaça.

A fumaça engrossou até se tornar viscosa, eventualmente transformando-se em um líquido que se agitava. Parecia asfalto antes de solidificar. Um cheiro agudo e sufocante encheu o ar, fazendo seu nariz arder.

Finalmente, o líquido preto envolveu os pés de Shinu. Ele inspirou profundamente, como se estivesse se preparando antes de mergulhar na água. Seu peito se expandiu, preenchido até o limite.

O líquido continuou engolindo as pernas de Shinu, como uma inundação, imobilizando-o. Parecia estar preso em um pântano. Um movimento errado, e parecia que ele seria sugado para um poço profundo.

O líquido subiu, atingindo logo abaixo do abdômen de Shinu. Então, abruptamente, parou. O silêncio caiu, como se tudo tivesse terminado.

Mas Shinu não baixou a guarda. Em vez disso, ele arquejou, quase entrando em convulsão, como se soubesse exatamente o que estava prestes a acontecer.

E, como esperado, o líquido preto começou a se agitar. Ele ondulava como se alguém lá dentro estivesse tentando emergir. Tremendo, Shinu observava o líquido, seus olhos sem piscar agora vermelhos pelo esforço.

Então, em meio às ondas, algo redondo surgiu. Era um formato oval, menor que uma bola de futebol, inicialmente liso e sem traços. Mas conforme borbulhava como mingau fervente, as órbitas oculares se cavaram, um nariz se formou e uma boca escancarada se abriu.

Abaixo dela, um pescoço grosso, ombros estreitos e uma barriga saliente apareceram, surgindo como se flutuassem no líquido.

As feições da figura eram difíceis de distinguir. O líquido preto espesso pingava de seu queixo, tornando apenas os olhos, nariz e boca perceptíveis. Parecia um manequim encharcado de tinta preta. Mas Shinu sabia exatamente quem era.

A figura aproximou-se de Shinu.

— Shinu.

A voz, rouca e borbulhante, ecoou não da figura, mas acima de sua cabeça, como um anúncio reverberando de um alto-falante.

A voz revoltante fez Shinu estremecer. Ele apertou os olhos para fechar, depois os abriu, levantando sua arma. Ele a apontou para a figura preta.

Mas ele não conseguia puxar o gatilho.

Ele sabia que aquilo era uma ilusão. Sabia que não era real, que não passava de uma alucinação que ele havia conjurado.

No entanto, a figura tornou-se mais distinta, suas feições se aguçando até que mesmo suas sobrancelhas, maçãs do rosto pronunciadas e lóbulos das orelhas fossem visíveis. Roupas materializaram-se sobre o corpo antes borrado.

— Shinu!

— Lee Shinu!

A figura, vestida com uma regata esfarrapada e cuecas samba-canção listradas que expunham sua barriga, avançou com passos tortos. Suas mãos grossas e grandes, unhas compridas sem cortar, as costas curvadas — tudo perturbadoramente realista — fizeram Shinu esquecer como respirar, mergulhando-o em uma escuridão sufocante.

— Filho!

A arma oscilou, incapaz de encontrar seu alvo. Seu corpo inteiro gelou de medo, lágrimas nublando sua visão. Seus músculos estavam tão tensos que até ficar parado era um sacrifício. Shinu tropeçou, perdendo o equilíbrio.

Sentindo sua vulnerabilidade, a figura balançou a mão em direção ao rosto de Shinu.

— Seu moleque desgraçado!

Shinu se esquivou, caindo sobre a pia. O impacto o fez soltar um gemido enquanto seu cóccix colidia com a porcelana dura. A pia rachou com um estalo, e Shinu caiu no chão.

O conteúdo da pia — colheres, hashis e estilhaços — caiu com um barulho metálico, alguns roçando as bochechas pálidas de Shinu.

Mas ele não estava em seu juízo perfeito para sentir dor. A figura preta pairava sobre ele, sorrindo enquanto observava Shinu desmoronar. Ela avançava, chapinhando, aproximando-se cada vez mais.

A figura curvou-se, abrindo bem a boca. Sua bocarra escancarada era maior que a de qualquer Devorador, capaz de devorar não apenas Shinu, mas seu mundo inteiro.

Shinu olhou para a garganta escura como breu com olhos desfocados. Ele não tinha vontade de resistir ou força para fugir. Sua mente ficou em branco. Tudo o que restava em seus pensamentos vazios era um desejo antigo e abandonado pela morte.

Ah, eu quero morrer.

Assim que a boca aberta se aproximou, Shinu fechou lentamente os olhos.

— Hyung!

Uma voz excessivamente familiar ecoou de longe. Shinu abriu ligeiramente os olhos e virou a cabeça em direção à voz.

Cabelos castanhos balançando suavemente, um rosto bonito, ombros largos e olhos cheios de amor e preocupação. Vendo aquele rosto, seu corpo relaxou inteiramente.

Naquele momento, a figura que estava prestes a devorá-lo desapareceu. A fumaça escura e o líquido que preenchiam o cômodo sumiram também, junto com o fedor pútrido que se prendera ao seu nariz.

Taebaek correu, ajoelhando-se na frente de Shinu e amparando-o.

— Hyung, você está bem? Se machucou?

— …

— Hyung, o que aconteceu?

— …

— Por que você não está respondendo? Tente se levantar. Ei, levanta… Por que está me assustando assim?

A voz preocupada de Taebaek fez cócegas nos ouvidos de Shinu. Shinu se aconchegou mais perto, aninhando-se no abraço de Taebaek. Taebaek o segurou com força, seu calor suavizando o corpo frio de Shinu, gelado pelo azulejo.

Um sorriso tênue apareceu no rosto de Shinu enquanto ele piscava lentamente. Não era mais o piscar do desespero, mas o da paz.

Ele apertou a mão de Taebaek com firmeza e, com um suspiro, perdeu a consciência.

— Hyung. Hyung!

Taebaek o sacudiu, mas Shinu apenas balançou fracamente, sem acordar. Suas pálpebras fechadas pareciam especialmente pálidas e tristes hoje. Em pânico, Taebaek olhou ao redor. A pia estilhaçada. Os utensílios espalhados. E o cadáver do homem deitado à vista de todos.

Era uma cena típica. Não havia Devorador, nenhuma outra pessoa. Não havia nada ali que devesse ter chocado ou ameaçado Shinu. Ele já vira cadáveres muito piores do que este, inúmeras vezes. Não havia como um mero corpo assustá-lo.

Então por que ele havia caído? O que o havia prendido a este chão frio? Taebaek não conseguia entender de forma alguma.

Poderiam ser sequelas do acidente de carro? Talvez o ferimento na cabeça que eu pensei ser apenas um pequeno corte fosse na verdade algo mais sério. O pensamento fez meu coração afundar.

Se for esse o caso, o que eu deveria fazer? O que devo fazer? Com pouco conhecimento médico, eu não conseguia nem adivinhar o que precisava ser feito.

Naquele momento, notei subitamente o quão frias as mãos de Shinu estavam. Taebaek tocou Shinu gentilmente, sentindo suas mãos, braços e bochechas. Ele estava gelado como gelo, como se não houvesse uma gota de sangue em seu corpo. Taebaek carregou Shinu rapidamente para o quarto.

Taebaek deitou-o cuidadosamente no colchão, colocou um travesseiro sob sua cabeça e estendeu um saco de dormir sobre ele como um cobertor. Mas a temperatura corporal de Shinu não subia facilmente.

Ansioso, Taebaek vasculhou sua mochila e tirou uma bolsa térmica. Ele a tinha levado pensando que, embora fosse outono, Shinu poderia sentir frio se dormissem ao relento.

Taebaek sacudiu a bolsa térmica em cada mão. A embalagem dizia: “Uma bolsa térmica para aquecer seu coração!”, mas por algum motivo, não parecia aquecer de jeito nenhum. Com olhos preocupados em Shinu, Taebaek sacudiu as mãos ainda mais rápido.

Somente após dois minutos inteiros de agitação é que a bolsa térmica finalmente começou a esquentar. Ele a colocou rapidamente contra o lado de Shinu, depois a enrolou em uma toalha para que não ficasse quente demais antes de colocá-la de volta.

Com a outra bolsa térmica na mão, ele a esfregou por todo o corpo de Shinu — massageando seus braços, passando-a pelo pescoço, acariciando gentilmente suas pernas estendidas. Ele até removeu cuidadosamente seus sapatos para massagear seus pés.

Esta foi a primeira vez em sua vida, fora sua mãe, que ele massageou os pés de alguém. Mas não pareceu nada desagradável. Se fosse Shinu, ele poderia ter tirado suas meias e o aquecido completamente.

Tudo o que Taebaek sentia agora era medo. Ele estava apavorado que algo pudesse acontecer com Shinu. Que ele pudesse não acordar dessa forma. Seu peito parecia arrepiantemente frio. Arrepios subiam e desciam por suas bochechas e, de vez em quando, ele se via prendendo a respiração, assustado enquanto soltava um suspiro trêmulo.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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