Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 09 Online

↫─Capítulo 9
O tempo de Heeyeon ↫─Parte 02
Jung Heeyeon caiu em uma reflexão profunda.
— Eu estou dizendo que isso é gostoso.
Abaixo da ponta do dedo de Shim Sucheon, sob a foto da bebida, estava escrito em letras pequenas: Frappuccino de Menta com Chocolate.
— Líder de equipe. Eu vou querer apenas o Latte de Morango.
— Acredite em mim só desta vez.
— Eu provei da última vez e tinha gosto de pasta de dente.
— Ah, imagina.
Shim Sucheon inclinou o corpo com uma conversa fiada. Ele moveu o corpo de forma calculada para cobrir Jung Heeyeon e impedir que ele fosse observado de fora. Parecia que a Sunha havia enviado alguém, e descobrir esse nível de presença não era nada difícil. O fato de ele, que ostentava o cache mais alto da Jiwoo, ter recusado todos os trabalhos para ficar colado a Jung Heeyeon também se devia a isso.
— É sério. Tem gosto de pasta de dente.
— Está bem. Então Heeyeon fica com o Latte de Morango. Eu fico com o Americano.
— …Por que o senhor não bebe aquele?
— Quem trabalha precisa beber café.
Shim Sucheon não relaxou a vigilância até que as bebidas pedidas ficassem prontas. Como estavam perto da empresa, era quase impossível algo acontecer, mas Shim Sucheon era do tipo meticuloso no trabalho, por mais que parecesse relaxado.
Ao saírem com as bebidas, um som fluiu pelo rádio em seu ouvido.
* Líder de equipe. Pegamos ele.
Não se sabia qual era o número daquele peixe pequeno capturado. Ao baixar a cabeça lateralmente, viu o rosto sereno bebendo o Latte de Morango. Sentindo o olhar, seus olhos logo se encontraram.
— Líder de equipe. O senhor quer beber?
Jung Heeyeon perguntou, estendendo o Latte de Morango. Diante da pergunta inocente, Shim Sucheon respondeu com um rosto sorridente:
— Oh, não precisa. Se o Diretor souber, eu morro.
Diante da resposta imediata, Jung Heeyeon recolheu o Latte de Morango. Ele não sabia o que significava morrer nas mãos do Diretor, mas era certamente uma recusa. Jung Heeyeon mordeu o canudo e franziu levemente o cenho. Os Líderes de equipe estavam estranhos nestes últimos dias. Pelo visto, o Presidente Jung havia chegado à Coreia.
Ao chegarem na frente da sala do Diretor, Kim Cheolwoo estava justamente saindo. Jung Heeyeon mexeu os dedos que seguravam o copo descartável e perguntou cautelosamente:
— Secretário Kim Cheolwoo. Posso entrar?
Kim Cheolwoo, que o notou tardiamente, assentiu.
— Sim.
Ele chegou a abrir a porta pessoalmente. Jung Heeyeon agradeceu e entrou na sala. Yeon Woobeom estava sentado, raramente, não na mesa de trabalho, mas no sofá da recepção. Era evidente que ele estivera conversando com Kim Cheolwoo até um momento atrás.
— Diretor.
O homem, que estava inclinado com o cotovelo apoiado e a cabeça encostada na mão, corrigiu a postura lentamente. Um sorriso carinhoso surgiu em seu rosto outrora frio.
— Venha aqui.
Yeon Woobeom disse brevemente, dando um tapinha em sua própria coxa. Jung Heeyeon hesitou, pensando se não seria melhor sentar ao lado do homem, mas quando a mão dele tocou a coxa novamente, ele sentou-se ali. Achou que não era algo maduro, mas ainda assim gostava de ser abraçado pelo Diretor.
— O nosso Heeyeon só come coisas que parecem com ele mesmo.
O olhar de Yeon Woobeom voltou-se para o Latte de Morango. O leite misturado com a cor rosa era segurado pela mão branca. As unhas nas pontas dos dedos tinham exatamente aquela cor.
— É gostoso. O senhor quer provar?
O homem, que não olharia para aquilo nem que alguém implorasse, encostou os lábios no canudo que Jung Heeyeon ofereceu, com o rosto impassível.
— É gostoso, não é?
— Sim, é doce.
Yeon Woobeom curvou os lábios enquanto encarava fixamente o Ômega em seus braços. A doçura pairava na ponta de sua língua.
— Diretor.
— Sim, Heeyeon.
— O Presidente Jung chegou à Coreia?
As sobrancelhas bem desenhadas se franziram diante da pergunta inesperada. Ninguém da Jiwoo teria deixado escapar a informação.
Como ele não pretendia contar a Jung Heeyeon, mas também não pretendia mentir, Yeon Woobeom admitiu prontamente.
— Como você soube?
— Achei que já estava na hora. Ele disse antes que viria quando eu me tornasse adulto. E os Líderes de equipe têm ficado grudados em mim toda vez que eu saio ultimamente.
— Ficou evidente?
Yeon Woobeom abraçou Jung Heeyeon um pouco mais forte e soltou um riso curto. Ele achou que o rapaz não perceberia por ser tão dócil, mas ele era rápido em ler o ambiente.
— Heeyeon. Você está preocupado?
— Não. Não estou preocupado.
Diante da resposta firme, os olhos do homem se estreitaram.
— Eu tenho o senhor comigo.
A ponta do dedo que abraçava o pequeno corpo deu um leve movimento.
“Eu estou aqui, quem bateria em você?”
Yeon Woobeom pensou que eles deviam estar lembrando do mesmo momento.
* * *
O som de uma mão grossa cortando o ar foi acompanhado pelo balanço do corpo. Jung Heeyeon cambaleou um pouco, mas conseguiu manter o equilíbrio e ficar de pé. Suas mãos caídas não tocaram a bochecha; apenas mexiam no casaco que descia até o meio das coxas.
Até o ano passado, ele costumava cair com apenas um tapa, mas ao completar quinze anos, adquiriu certa técnica e conseguia aguentar sem cair.
Temendo ofender ainda mais, Jung Heeyeon baixou o olhar apressadamente. No entanto, aquilo não parecia ser suficiente para aplacar a fúria do ancião.
— Seu vira-lata.
Com outro som seco e violento, desta vez seu corpo foi arremessado. A bochecha que começava a inchar doía, mas um de seus tornozelos pulsava, talvez por ter caído de mau jeito. Jung Heeyeon, em vez de gemer de dor, ajoelhou-se por hábito com o rosto inexpressivo. Era certo que seria castigado novamente se permanecesse caído.
— Se o seu pai fugitivo não tivesse se envolvido com aquele Alfa imundo…!
Jung Heeyeon sabia, em termos gerais, o motivo pelo qual o Presidente Jung o chamava de vira-lata. Era porque seu pai Alfa era alguém sem importância.
Ele manteve a cabeça baixa, suportando a enxurrada de insultos enquanto mexia os dedos das mãos. Mesmo sendo punido pelo Presidente, a lembrança de que seu pai era uma boa pessoa lhe subia à mente, deixando seu coração apertado. Como aconteceu quando ele era muito pequeno, não havia memórias detalhadas, mas sempre que pensava nos dois, seu peito se aquecia.
O que Lee Yoootae não conseguiu corrigir em dez anos foram as memórias de Jung Heeyeon sobre seu pai. Jung Heeyeon não sabia que esse era o motivo da fúria atual do Presidente Jung.
— Sinto muito.
O ancião, que ia erguer a mão mais uma vez, estalou a língua e escolheu parar. Se tocasse demais no rosto, o valor da mercadoria cairia. Ele deveria ter sido cuidadoso, mas sempre que via o filho no rosto do neto, sua mão agia involuntariamente.
Toda vez que se lembrava do filho morto, seu estômago revirava. Era um sujeito que, após ser criado sem que lhe faltasse nada, fugiu assim que se tornou adulto, dizendo: — Meu pai é nojento. — Ao encontrar o bilhete, o Presidente Jung percebeu imediatamente o que ele considerava nojento. Provavelmente era o seu método de negócios.
— Estúpido.
O Presidente Jung era um agiota. Se havia algo que o diferenciava dos outros agiotas, era o fato de que ele não aceitava objetos com valor monetário como garantia, mas sim Alfas e Ômegas. O velho não achava que esse método de negócios fosse errado. Embora tivesse parado há muito tempo, pelas leis da época, era um negócio que não apresentava problema algum.
Aqueles que eram vendidos como garantia deveriam ser gratos a ele. Afinal, não fora ele quem educara e arranjara empregos adequados para Alfas e Ômegas que eram negligenciados pela sociedade? Se não fosse por ele, haveria dezenas que teriam morrido de fome sob pais incompetentes.
Alguns rostos memoráveis passaram por sua mente. Ele lhes dera de comer, de vestir e os enviara para bons mestres, e agora eles se preparavam para mordê-lo. Como ele não se importava com o que acontecia após serem vendidos, não prestara muita atenção, mas agora aqueles bastardos avançavam contra ele sem conhecer a gratidão.
— Tsc.
O velho Alfa estalou a língua novamente. Ao abaixar o queixo, viu que as pequenas costas de quem estava ajoelhado ficaram rígidas. O Presidente Jung sorriu com ganância enquanto olhava para o presente que seu filho deixara antes de morrer.
Com a mudança dos tempos, o negócio do velho também declinou. Junto a isso, ele já estava aposentado há muito tempo, mas precisava de uma quantia enorme de dinheiro para escapar dos cães que apertavam seu pescoço. Eram cinco anos. Se aguentasse por cinco anos, o Ômega lúpus diante dele se tornaria adulto e, assim, poderia ser vendido por um preço alto.
Para o neto, Jung Heeyeon, também não seria exatamente um prejuízo. Pois, se ele se casasse com um Alfa lúpus de uma família de elite e lhe desse um filho, poderia viver luxuosamente. Como haveria olhos observando, ele não seria descartado após dar à luz. O velho pensava que era uma vida muito melhor do que a do filho, que se enfiara nas montanhas para viver com um Alfa absolutamente comum.
— Você errou, então reflita.
— Sim. Sinto muito.
Jung Heeyeon só levantou a cabeça muito depois que os pés do Presidente Jung desapareceram de sua vista. Ele não sabia exatamente o que fizera de errado, mas, como o Presidente mandara refletir, certamente ele estava errado.
— Ah…
Ao se levantar lentamente, seu tornozelo latejou, como esperado. Parecia até sentir o gosto de sangue na ponta da língua. Mesmo com o corpo em frangalhos, Jung Heeyeon começou a caminhar mancando, com o rosto indiferente. Era melhor voltar logo para o quarto do que ficar ali sentado. Se encontrasse o Presidente do lado de fora, poderia ser castigado novamente.
Retornando ao quarto com passos lentos, ele mal conseguiu se sentar na cama. Ao levantar um pouco a perna para olhar o tornozelo, algo caiu sobre sua coxa.
— Oh…
O que manchava sua calça de vermelho era nada menos que sangue. Não era exatamente algo surpreendente. Afinal, já tivera sangramentos nasais antes por ser atingido de forma errada. Pensou que deveria pegar um lenço, mas não queria se mexer porque o tornozelo doía. Jung Heeyeon levantou a mão e limpou o sangue de qualquer jeito. Ao olhar para a palma da mão, o sangue vermelho começou a ser diluído pelo líquido transparente que caía de cima.
— Ah.
O Ômega, deixado sozinho, soltou um gemido baixo. Lágrimas caíram de seus olhos sem expressão. Sem sequer pensar em limpá-las, ele olhava impotente para o sangue e as lágrimas acumulados na palma da mão, quando, de repente, seu corpo foi sacudido.
Foi simultâneo ao momento em que era puxado de um sono profundo.
— Jung Heeyeon.
Jung Heeyeon piscou os olhos turvos. Certamente havia dormido sozinho, mas um rosto familiar estava diante dele.
— Yeon Woobeom …
Somente após a mão do homem dar tapinhas em suas costas é que Jung Heeyeon percebeu que estava nos braços de Yeon Woobeom . O calor do contato era reconfortante.
— Sim.
Yeon Woobeom estava sentado encostado na cabeceira da cama, dando tapinhas incessantes nas pequenas costas. Assim que percebeu que o outro estava tendo um pesadelo, ele sacudira o corpo, mas Jung Heeyeon não acordara facilmente. Somente após ser pego nos braços é que os longos cílios se abriram, revelando os olhos familiares.
— Teve um pesadelo?
Ele perguntou com ternura, encostando os lábios no canto dos olhos de Jung Heeyeon. Tanto os longos cílios quanto o canto dos olhos estavam úmidos de lágrimas, mas ele parecia não se importar com isso.
Jung Heeyeon ofegou, permitindo que o homem lambesse suas lágrimas. Só então veio a consciência de que havia acordado. Seu corpo estava relaxado por ter acabado de despertar, mas sentia-se seguro graças ao braço grosso em sua cintura e à palma grande da mão que envolvia sua bochecha.
— Yeon Woobeom…
Jung Heeyeon chamou o homem que o confortava. Ele precisava confirmar sua presença.
— Sim, Jung Heeyeon.
A resposta que veio foi terna, como sempre. Jung Heeyeon colocou a mão no peito do homem, como se quisesse segurá-lo, e o som rítmico do coração subiu pela sua palma. Ao expirar seguindo a pulsação calma, sua respiração, que estava ofegante e descontrolada, foi se acalmando lentamente. O braço que envolvia sua cintura subiu pelas costas para sustentar o corpo de Jung Heeyeon. A mão grande começou a dar tapinhas novamente no corpo que estava em seus braços.
— Eu tive um sonho. — murmurou Jung Heeyeon.
Só agora ele se lembrava da pergunta do homem sobre o pesadelo. Já ouvira uma pergunta semelhante de Yeon Woobeom antes. Como fazia muito tempo, a memória estava turva, mas parecia que, no sonho, ele tomava uma injeção.
Naquela época, Yeon Woobeom também perguntara se ele tivera um pesadelo, e Jung Heeyeon negara com a cabeça. Não era um pesadelo. Pois não aparecera fantasma nem monstro. Como algo que sempre acontecia poderia ser um pesadelo?
Portanto, o correto seria responder que não era um pesadelo desta vez também. Pois eram apenas memórias antigas do passado surgindo através de um sonho. Jung Heeyeon hesitou por um longo tempo, mas, diante do toque carinhoso que acariciava seus olhos, seus lábios se moveram involuntariamente.
— Antes, eu não sabia o que era um pesadelo.
Ele achava que o sonho apenas engolira fragmentos do passado e que não havia significado além disso. Por ser uma experiência passada, ele não considerava um pesadelo.
— Mas… — Jung Heeyeon organizou as palavras lentamente. — Vivendo com Yeon Woobeom , acho que agora sei que aquilo é um sonho ruim.
Antes, ele não percebia. Mas, olhando para trás, tanto o sonho de hoje quanto os de muito tempo atrás pareciam ser pesadelos. Jung Heeyeon gostava de estar com Yeon Woobeom agora. Estava feliz. Ele não queria voltar para o passado no sonho. Portanto, todas aquelas ilusões seriam, como o homem dissera, pesadelos.
— Com o que você sonhou?
O homem, que leu exatamente o que Jung Heeyeon queria dizer em meio às palavras desconexas, perguntou suavemente para esconder sua aura feroz.
— O Presidente apareceu e me deu um tapa na cara.
A mão que acariciava a bochecha macia parou instantaneamente. Yeon Woobeom endureceu os lábios para engolir um palavrão enquanto examinava o rosto de Jung Heeyeon. Onde havia espaço para bater naquele rosto para que ele tivesse colocado a mão nele? Graças a ter lambido tudo, as lágrimas que pendiam no canto dos olhos desapareceram, mas ele não conseguiu apagar completamente os rastros do pesadelo.
— Doeu? — Yeon Woobeom perguntou, retirando a mão da bochecha branca e encostando os lábios ali com cuidado.
Cada vez que o Ômega em seus braços movia os lábios, ele sentia aquele leve vestígio.
— Não sei bem. Como já fui muito espancado em outros lugares, tudo bem, mas não estou acostumado a levar tapas no rosto… Mesmo assim, não chorei.
Dizer que não chorou deixou o homem com um humor ainda pior. Não era que ele não chorou, ele provavelmente não conseguiu chorar. Deve ter começado por não conseguir chorar e, assim, o ato de não chorar se tornou um hábito. Yeon Woobeom mal conteve os palavrões que queriam escapar por entre os dentes e continuou encostando os lábios na bochecha de Jung Heeyeon.
— Por que está me beijando tanto? — Jung Heeyeon perguntou com um sorriso leve, encolhendo o corpo como se sentisse cócegas. Era uma atitude de quem deixava passar o pesadelo que o consumia há pouco como se não fosse nada.
— Jung Heeyeon. Você não gosta que eu te beije?
— Não. Eu gosto.
Yeon Woobeom beijou a bochecha branca novamente com um som de estalo. Embora dissesse que não estava com medo, parecia que a notícia de que o Presidente Jung chegara à Coreia viera como estresse. Ultimamente, Jung Heeyeon não sofria com pesadelos. Pelo menos não desde que começara a dormir com ele.
O homem era sensível a presenças. Ficava com os nervos à flor da pele apenas com alguém entrando no quarto, então, se quem dormia ao seu lado tivesse um pesadelo, era impossível ele não perceber. Além disso, Jung Heeyeon costumava dormir em seus braços. Se ele tivesse um sonho ruim, se reviraria, e era impossível Yeon Woobeom não notar o movimento.
Seria melhor ter escondido o retorno do Presidente Jung, mesmo que fosse mentindo? Pensamentos inúteis passaram pela cabeça do homem.
— Onde mais você apanhou?
— Não apanhei mais… Ah, torci o tornozelo ao cair.
— Hmm. Foi mesmo?
A mão que se afastou da bochecha massageou lentamente o tornozelo frágil. Jung Heeyeon mexeu os dedos dos pés por causa da sensação de cócegas. Não era como se estivesse doendo de verdade. Era apenas um sonho. Mesmo assim, o toque de Yeon Woobeom era suave e delicado, como se estivesse acariciando um osso enfraquecido por uma lesão.
Só então Jung Heeyeon percebeu o motivo de Yeon Woobeom ter beijado sua bochecha. Era para consolá-lo. Fosse o eu do sonho ou o eu que quase fora consumido pelo pesadelo. O calor do outro em seu tornozelo provocava um formigamento.
— Yeon Woobeom .
— Sim.
Jung Heeyeon hesitou por um momento antes de começar a falar lentamente.
— Também tive sangramento nasal por causa do tapa.
Yeon Woobeom caiu de bom grado no truque óbvio. Ele soltou uma risada baixa e beijou a ponta do nariz de Jung Heeyeon. Parecia que, após declarar que iria seduzi-lo, o outro estava se esforçando na sedução.
O homem abraçou o Ômega aquecido, engolindo a sede de sangue direcionada ao Presidente Jung. Fazia muito tempo que ele não sentia vontade de matar alguém.
Houve um tempo em que ele achava que até tirar o fôlego do velho seria monótono. Foi por isso que ele não fez nada em particular até Nam Su-hyeon se mover. Participar do plano dela também fora, acima de tudo, por causa da promessa feita a ela.
Não havia sentimentos pessoais na vingança contra o Presidente Jung. Para ser exato, era correto dizer que eles haviam desaparecido. Foi por ter brincado com ele por alguns anos que tudo se tornara tedioso. Como não era divertido, o entusiasmo naturalmente desapareceu. No entanto, no momento em que Jung Heeyeon entrou na vingança, a história mudou. De repente, uma sede de sangue pessoal contra o velho Alfa fervilhou.
— Eu vou te abraçar, então volte a dormir.
Yeon Woobeom pressionou levemente a nuca de Jung Heeyeon para que ele se apoiasse totalmente em si. Era também para esconder sua expressão feroz.
O Ômega, que cabia em um abraço, naturalmente encostou a cabeça no peito dele. O homem abraçou a cintura de Jung Heeyeon com um braço enquanto usava a outra mão para dar tapinhas suaves nas costas.
— Da próxima vez, se Yeon Woobeom tiver um pesadelo, eu também vou te dar tapinhas.
— Hmm. Vai me dar tapinhas? Então vou ter que ter um pesadelo de propósito.
— O quê? Isso não pode. Yeon Woobeom , não tenha sonhos ruins.
Ao lançar a piada leve, o Ômega que estava relaxado levantou a cabeça de repente.
— Quem é você para dizer para quem não ter sonhos ruins?
Yeon Woobeom deu uma risadinha e abraçou Jung Heeyeon novamente. O cabelo macio ficou totalmente enterrado no peito do homem.
— Como Yeon Woobeom está me abraçando, acho que não vou ter mais.
Jung Heeyeon lançou o olhar pela janela enquanto sentia os feromônios do Alfa. A escuridão estava recuando, como se o sol estivesse prestes a nascer. Seria por ter tido um sonho antigo ou por estar enfrentando o momento do nascer do sol com Yeon Woobeom ? De repente, uma memória muito antiga surgiu.
— Tem uma história que o mordomo me contou quando o conheci.
Ao ouvir a palavra “mordomo” saindo dos pequenos lábios, Yeon Woobeom franziu as sobrancelhas. Ele não conseguia entender Jung Heeyeon, que usava honoríficos sistematicamente para o Presidente Jung e para as pessoas que o maltrataram. Seria porque o garoto era bondoso demais?
Yeon Woobeom bagunçou o cabelo de quem estava em seus braços sem dizer nada. Estava tudo bem, mesmo que Jung Heeyeon agisse de forma um pouco diferente dos padrões comuns. Bastava ele mesmo ensiná-lo daqui para frente. Qualquer tipo de comportamento ou qualquer tipo de fala, nada disso importava.
— Como eu era muito pequeno, não lembro detalhadamente, mas meu nome é Heeyeon, não é?
Achar engraçado ele mencionar o próprio nome fez Yeon Woobeom soltar uma risada nasal.
— Sim, Jung Heeyeon.
Ao ouvir seu nome ressoar suavemente, Jung Heeyeon se enfiou ainda mais no peito de Yeon Woobeom , sem motivo. Seu olhar continuava fixo na janela. Raios de luz branca adornavam o céu da madrugada, como se o dia estivesse amanhecendo.
— Dizem que em um dialeto de alguma região existe a palavra “heeyeon-hada”. Não lembro bem a palavra exata, mas…
— Heeyeon-hada?
— Sim. Significa que, ao amanhecer, a luz branca do sol brilha e o céu se torna radiante.
Yeon Woobeom parou o movimento de acariciar o cabelo. Por estar consolando Jung Heeyeon, ele não percebera que era hora de o sol nascer.
Ao baixar o olhar, a mão que estava submersa na luz azul da madrugada começou a revelar gradualmente sua cor natural.
— ……
Yeon Woobeom inspirou silenciosamente. Se estivesse ocupando o quarto sozinho, como sempre, seria um momento que ele nunca conheceria. Pois, ao contrário de Jung Heeyeon, ele costumava buscar o sono na escuridão. Ao virar o olhar para o lado, viu o céu se tornando cada vez mais radiante.
O momento em que a escuridão se dissipa e tudo se torna radiante.
Yeon Woobeom pensou que era um nome que combinava absurdamente bem com Jung Heeyeon.
— Lembrei disso porque estou vendo o sol nascer com Yeon Woobeom . É bonito, não é?
Seria o nome que era bonito ou seria esse momento em que o sol nascia? Qualquer que fosse o significado, não era importante para ele.
Yeon Woobeom sussurrou baixinho enquanto encostava os lábios no cabelo de Jung Heeyeon.
— Sim, é bonito.
De repente, teve uma intuição. Uma intuição próxima de uma verdade absoluta de que ele jamais esqueceria esse momento.
Tum. Um ruído frio pousou sobre o ar silencioso. No papel sob os dedos longos, algumas fotos estavam impressas. Tum. O homem moveu os dedos sem muito significado, girando os olhos com indiferença. O objeto capturado ali era o próprio Yeon Woobeom . Unhas curtas e dedos longos, a mão grande com veias saltadas movia-se com flexibilidade seguindo o hábito do homem.
Tum. O som de tocar o papel envolveu o espaço silencioso mais uma vez.
Yeon Woobeom mantinha uma expressão impessoal, mesmo diante da situação que corria conforme o planejado. Após calcular algo mentalmente por alguns minutos, os olhos do homem giraram em direção ao sofá da sala de recepção, afastado da mesa. Simultaneamente, um calor leve surgiu no canto frio de seus lábios. Em seguida, Yeon Woobeom levantou-se sem pressa.
Ao se aproximar do sofá, Jung Heeyeon estava cochilando. A luz quente do sol de pleno inverno atravessava a parede de vidro e caía inteiramente sobre o pequeno corpo. Parecia um cachorrinho minúsculo, que caberia em uma mão, deitado e dormindo sob o sol.
Por não ter dormido direito a noite toda por causa do pesadelo, parecia estar com sono à tarde. Yeon Woobeom estendeu a mão e tocou o cabelo banhado pela luz solar. O calor quente envolveu os dedos que carregavam frieza.
Jung Heeyeon continuava sem acordar. Apenas soltava uma respiração lenta e ruidosa, como se estivesse em sono profundo. Por estar sentado apoiando a bochecha na palma da mão, a bochecha com gordura de bebê estava saliente. O homem, que bagunçara o cabelo apenas o suficiente para não acordá-lo, acabou baixando a mão e pressionando a bochecha levemente saliente. Era uma bochecha macia, tal como quando se conheceram.
Só então, talvez por sentir o toque alheio, os cílios que estavam pesadamente fechados subiram lentamente.
— Jung Heeyeon.
Yeon Woobeom sorriu baixo ao chamar o nome de Jung Heeyeon. O Ômega que acabara de acordar sob a luz do sol parecia que exalaria um cheiro fresco de luz solar. Embora isso fosse impossível, já que ele estava coberto pelo feromônio Alfa denso e pesado.
— Está com sono?
Jung Heeyeon sorriu levemente enquanto fechava os olhos. Sua mente ainda estava turva, pois cochilara sem perceber, mas, estranhamente, sentia-se bem. A luz quente do sol sentida na pele, o rosto do homem visto assim que abriu os olhos e a voz terna chamando seu nome, tudo era bom. Ele tivera o sono interrompido pelo pesadelo na madrugada, mas, curiosamente, sentia que acabara de ter um sonho ensolarado.
A mão grande e de aparência feroz subiu lentamente pelo queixo. O destino da mão do homem era a bochecha saliente por apoiar a cabeça. Diante do toque que se infiltrava ali, Jung Heeyeon levantou levemente a cabeça e esfregou o rosto na palma da mão do homem.
— Parece até um cachorrinho. — sussurrou Yeon Woobeom .
O rosto manso que se esfregava na bochecha era a própria imagem de um cachorrinho. Mesmo sendo um monólogo sem muito significado, Jung Heeyeon franziu levemente as sobrancelhas.
— Isso é uma palavra ruim. — disse ele em um tom severo.
— Uma palavra ruim?
— Sim. Os líderes de equipe vivem se xingando de filho da puta o tempo todo. O professor Kim Jiwoo disse que é uma palavra ruim e me disse para não ouvir.
Entre Alfas de boca suja, aquele era um xingamento que sequer contava como baixo calão. Yeon Woobeom percebeu novamente que o ambiente ao seu redor não era bom para a educação de Jung Heeyeon e falou calmamente.
— Dizer que parece um cachorrinho não é xingamento, Jung Heeyeon. Mas se incluir “filho da puta”, aí é xingamento.
Ah, entendi. Jung Heeyeon sentiu uma leve confusão, mas aceitou, pensando que, se Yeon Woobeom dizia, devia ser verdade. Embora não entendesse a diferença sutil entre “cachorrinho” e “filho da puta”, de qualquer forma, era mais um significado de palavra usada entre as pessoas que ele aprendia.
— Se estiver com sono, deite e durma.
Jung Heeyeon balançou levemente a cabeça. Além de ter despertado, achava que, se dormisse agora, não conseguiria dormir direito à noite.
— Então que tal sair um pouco com Yeon Woobeom ? — Yeon Woobeom fez uma proposta inesperada.
— Mas Yeon Woobeom está ocupado.
— Tenho tempo para dedicar ao meu bebê. — Yeon Woobeom respondeu com naturalidade, mesmo sabendo muito bem de sua agenda lotada.
Na foto que ele estava olhando até agora, estava seu rosto capturado em um porto em Busan. Eram materiais que Kang Seohyo conseguira e enviara, não importava os meios usados. Como ele visitara Busan em plena luz do dia para que as informações chegassem ao Sunhwa e ao Presidente Jung, não importava que as fotos estivessem circulando.
Se Jung Heeyeon também tivesse sido fotografado, ele se preocuparia, mas, como se tivesse selecionado apenas fotos dele entrando em containers, não havia fotos em que o rosto de Jung Heeyeon estivesse exposto. Isso significava que as fotos que chegaram ao Sunhwa não irritariam Yeon Woobeom . Afinal, tudo fora planejado por ele.
O jogo deles era óbvio. Logo subornariam a imprensa e despejariam artigos com manchetes sensacionalistas do tipo “Captura de transação ilegal de armas”. A guerra de opinião pública já fora preparada há muito tempo, mas, como significava que o Sunhwa e o Presidente Jung se moveriam em breve, o trabalho inevitavelmente se tornaria corrido.
O Presidente Jung planejava usar este incidente para abalar a Jiwon e aproveitar a oportunidade para levar Jung Heeyeon.
“Inaceitável.” O homem ergueu o canto dos lábios de forma fria.
— Yeon Woobeom . — A voz mansa atraiu o olhar de Yeon Woobeom . — Posso sair para beber café?
Jung Heeyeon, que hesitava pensando se estaria tirando o tempo de Yeon Woobeom , moveu os lábios com cautela ao olhar para a luz do sol do lado de fora.
— Sim. Pode beber.
Como se nunca tivesse tido uma expressão fria, Yeon Woobeom baixou a cabeça com uma risada curta. Logo, lábios macios se tocaram. O sol que pousava nos lábios carnudos era quente.
O lugar onde pararam brevemente foi uma cafeteria particular perto da empresa. Yeon Woobeom acabou rindo ao olhar para o Ômega com expressão pensativa. Como era uma cafeteria que visitavam quase todos os dias, ele já devia ter provado quase todas as bebidas dali, mas, vendo-o hesitar, parecia que a definição de seu gosto ainda estava incompleta.
A reclamação de Kim Cheolwoo para ele voltar logo porque estava ocupado veio à mente, mas, em vez de apressá-lo, ele esperou por Jung Heeyeon sem pressa.
— Vou querer um americano.
Jung Heeyeon escolheu o americano com uma expressão um tanto resoluta. Diante da escolha de bebida inesperada, uma risada baixa escapou por entre os lábios do homem.
— Você não gosta porque é amargo.
— Não é que eu não goste, eu só não prefiro… Mas quero beber o mesmo que Yeon Woobeom .
— Está bem.
Yeon Woobeom pediu para tirar um shot do café de Jung Heeyeon. Ao desviar o olhar, viu o rosto de quem fora hipnotizado pela vitrine de doces.
— Jung Heeyeon. Quer comer?
— Hein? Ah, eu já comi um lanche de manhã. — Jung Heeyeon respondeu mexendo os dedos. Ele queria comer, mas achava que não devia, pois já lanchara de manhã. Como os líderes de equipe e outras pessoas viviam comprando comida para ele, ele prometera a Yeon Woobeom comer lanche apenas uma vez por dia.
— Mas não fui eu quem deu aquele.
— Posso comer mais se for Yeon Woobeom quem der?
— Sim. — Yeon Woobeom respondeu descaradamente enquanto pedia também a sobremesa que Jung Heeyeon estava olhando. Se ele quisesse comer algo, não tinha intenção de impedi-lo. A restrição aos lanches fora dita apenas para controlar os Alfas da Jiwon, não para controlar Jung Heeyeon. Embora tivesse deixado estar, já que era fofo vê-lo cumprindo a promessa rigorosamente.
Ele fazia questão de deixar Jung Heeyeon fazer tudo o que queria. Com exceção de sexo. Como era óbvio que ele o faria chorar se fizesse o banquete completo, era melhor nem começar.
— Então eu vou comer. Obrigado. — Como esperado, veio uma resposta dócil.
— Você não me perguntou por que pode comer mais se for eu quem der.
— Hein? Sim. Yeon Woobeom é uma exceção total para mim, então está tudo bem. — Jung Heeyeon começou a responder seriamente, sem saber que Yeon Woobeom dissera aquilo para provocá-lo. — Beijo só com Yeon Woobeom , beijo de língua só com Yeon Woobeom …
O interior da cafeteria estava vazio. O funcionário que anotara o pedido também estava afastado, tirando os shots. Mesmo assim, Jung Heeyeon ficou na ponta dos pés para sussurrar no ouvido de Yeon Woobeom . A voz sussurrada provocava arrepios.
— Sexo também só com Yeon Woobeom .
— ……
— Por isso Yeon Woobeom é uma exceção total para mim. E eu vou ouvir bem o que Yeon Woobeom disser…?
Yeon Woobeom puxou a cintura de quem estava na ponta dos pés. O homem, que o abraçou firme para que o tornozelo fraco não o fizesse cair, em seguida enterrou o nariz no pescoço branco. Era extremamente problemático toda vez que Jung Heeyeon soltava essas palavras como se não fossem nada. Se houvesse segundas intenções, ele levaria na brincadeira, mas era mais problemático por saber que eram palavras ditas sem nenhuma intenção.
O pescoço branco exalava um leve cheiro de gardênia. Yeon Woobeom acalmou as emoções fervilhantes enquanto inalava o feromônio que apenas ele podia sentir.
— Aqui estão os dois americanos pedidos. — Felizmente, o café saiu bem na hora.
Jung Heeyeon deu uma mordida no pão que tinha em mãos. O café parecia mais amargo do que o esperado, mas, como o pão era doce e macio, dava para beber razoavelmente se comidos juntos. Ele tinha que beber um pouco de café e dar uma mordida grande no pão.
— Yeon Woobeom .
— Sim. — Yeon Woobeom lançou o olhar para Jung Heeyeon. Toda vez que ele mastigava, a bochecha branca subia e descia repetidamente. Pedaços de pão estavam grudados perto dos lábios que se moviam diligentemente.
— Acho que estou comendo demais ultimamente. Se eu comer muito, vou ser castigado…
Jung Heeyeon só percebeu que estava comendo como uma criança, com o rosto todo sujo, quando a mão do homem tocou perto de seus lábios. Antes que pudesse limpar as migalhas, Yeon Woobeom agiu primeiro. Seu olhar grudou naturalmente na mão do homem.
O homem, que limpou com o dedo o pedaço de pão grudado no lábio de Jung Heeyeon, colocou as migalhas na própria boca com um rosto indiferente. A língua vermelha limpou o dedo e desapareceu. Jung Heeyeon baixou as pálpebras involuntariamente. Não era nada demais, mas sentiu uma sensação estranha.
— Quem está comendo muito? Meu bebê pode comer mais. — Yeon Woobeom riu ao ver a mão que segurava firme o pão. Jung Heeyeon dizia que estava comendo muito, mas, para ele, ainda era uma quantidade pequena. Embora a quantidade que ele comia tivesse aumentado consideravelmente em comparação a antes, ainda não era um nível satisfatório. — Coma o quanto quiser. Não há ninguém que vá reclamar.
— Simmm.
Enquanto caminhavam lado a lado, como um passeio, uma figura familiar apareceu ao longe. A pessoa que acenava o braço com vigor era Kim Jiwon. “Ele disse que não viria à empresa hoje, por que está aqui?” No momento em que pensava isso com estranheza, Jung Heeyeon descobriu um tufo de pelos agitado aos pés de Kim Jiwon. O tufo de pelos branco roubou instantaneamente o olhar de Jung Heeyeon.
— Yeon Woobeom . O que faz por aqui a esta hora? Não está ocupado ultimamente? O secretário Kim Cheolwoo vai chorar. — Kim Jiwon, que se aproximou com passos rápidos, cumprimentou.
— Não acho que seja algo para quem tirou folga hoje dizer.
— É que fui levar este aqui ao veterinário.
Jung Heeyeon agachou-se no chão. Ao estender a mão para o tufo de pelos, o cachorro, que cheirava a mão, começou a lamber sua palma. A sensação morna e úmida era desconhecida. Jung Heeyeon, que encolhera as costas involuntariamente, relaxou quando o cachorro continuou lambendo sua palma e levantou a cabeça para Kim Jiwon.
— Professor Kim Jiwon. Qual é o nome dele?
— Seolgi.
— Seolgi?
— Baekseolgi. Porque o pelo é branco. E ele é pequeno. Não é fofo?
— Sim. Todos os cachorros são fofos. Posso tocar nele?
— Claro. Ele adora que mexam na cabeça.
Jung Heeyeon acariciou a cabeça do cachorro com cuidado. O pelo que deslizava em sua palma era extremamente macio. Ele já vira fotos e vídeos no celular de Kim Jiwon, mas era a primeira vez que o via pessoalmente. Pensando bem, era a primeira vez que tocava em um cachorro. Seu coração ficou formigando como a palma de sua mão.
— Quer pegá-lo no colo? Ele é manso.
— Não. Tenho medo de deixá-lo cair.
Yeon Woobeom observava fixamente a pequena mão que acariciava o cachorro. Sentindo o olhar, Jung Heeyeon olhou para ele e sorriu levemente.
— Yeon Woobeom . Não é fofo? É a primeira vez que toco em um cachorro.
— Hmm. Primeira vez?
— Sim. É muito fofo mesmo. Eu vi em algum lugar que originalmente todos os filhotes são fofos. Dizem que é uma estratégia de sobrevivência.
“Quem está chamando quem de fofo?” Yeon Woobeom riu com um sopro de ar.
— Vendo o nosso Jung Heeyeon, não é uma mentira.
— Hein? Eu não sou um bebê…? Eu já cresci todo.
Como esperado, Jung Heeyeon levou a piada a sério. O rosto que dizia que já crescera era tão severo quanto no momento em que dissera que beberia café.
— Heeyeon-ssi. O Seolgi também já cresceu todo. Ele tem cinco anos, afinal.
— Ele tem cinco anos. Por ser pequeno, achei que ainda fosse um filhote.
Yeon Woobeom baixou o olhar pensativo. A imagem dele acariciando o cachorrinho branco e pequeno combinava muito bem. Quando o sol de inverno brilhou forte, Jung Heeyeon franziu levemente o cenho por causa da claridade.
Enquanto olhava para os lábios que falavam sem parar, sem notar que o casaco arrastava no chão, o celular tocou. Era Kim Cheolwoo. Yeon Woobeom deu um passo à frente para bloquear o sol e atendeu a ligação.
— Sim.
— Yeon Woobeom . — A voz de Kim Cheolwoo era extremamente rígida. — Dizem que querem ver Yeon Woobeom . O que devo fazer?
Não foi difícil perceber o sujeito omitido. Mesmo com a voz tensa e endurecida de Kim Cheolwoo, o olhar de Yeon Woobeom não se desviava de Jung Heeyeon.
— Dizem que querem me ver… — O homem sorriu de forma enviesada, apesar da notícia desagradável. Os olhos do Alfa se aprofundaram lentamente e um sorriso gélido se infiltrou no canto dos lábios curvados. — Devemos tratar o convidado, não é?
Como se sentisse a frieza acumulada no tom de voz, Kim Jiwon virou levemente a cabeça para Yeon Woobeom . Jung Heeyeon continuava agachado, acariciando a cabeça do cachorro. Graças às costas do homem criando uma sombra, o sol ofuscante desviou-se do rosto branco.
— É o secretário Kim Cheolwoo? — Kim Jiwon escolheu as palavras com cuidado. Era para entender o conteúdo da ligação sem atrair a atenção de Jung Heeyeon. Ele não ouvira a voz do outro lado do celular, mas a frase “tratar o convidado” o preocupou.
— Dizem que um convidado veio. — No rosto de Yeon Woobeom , não se via nenhum sinal particular de desconforto. Quem ficou com a expressão endurecida foi Kim Jiwon. Era porque eram raras as pessoas que o homem chamaria de convidado.
Pelo fato de ter aparecido subitamente na empresa, a possibilidade de ser um mero cliente era extremamente baixa. Ainda mais se fosse um visitante que não pudesse ser resolvido por Kim Cheolwoo. Significava que era alguém que mantinha uma relação próxima com Yeon Woobeom , mas aquelas figuras ocupadas não apareceriam na empresa sem marcar hora. A menos que houvesse algum problema relacionado a armas, mas o mundo estava girando em paz.
Isso significava que era alguém relacionado ao Grupo Sunhwa ou o Presidente Jung. Kim Jiwon apostou na segunda opção e baixou o olhar de relance. Viu os longos cílios de Jung Heeyeon, voltados para baixo enquanto ele olhava para o cachorro.
Se o convidado fosse o Presidente Jung, Yeon Woobeom não criaria uma situação em que o velho Alfa se encontrasse com Jung Heeyeon.
— Heeyeon-ssi. Ele é tão fofo assim?
— Sim. O pelo também é macio. Mas parece que o nariz dele está escorrendo… O nariz é naturalmente úmido assim?
— Estar úmido é bom. Pelo que vejo, o Seolgi parece querer passear com Heeyeon-ssi. — Kim Jiwon persuadiu Jung Heeyeon agilmente.
— Passear?
— Sim. Esse carinha adora passear. Quer ir junto?
— Ah… — Jung Heeyeon hesitou, deixando a frase morrer, e levantou-se lentamente. Ele olhou fixamente para o cachorro que abanava o rabo e balançou a cabeça. Uma sobrancelha de Yeon Woobeom subiu levemente. — Acho que não vai dar, pois saí com Yeon Woobeom . Se eu for sozinho, Yeon Woobeom vai ficar solitário.
Diante da resposta que se seguiu, Yeon Woobeom acabou rindo. Mesmo sabendo muito bem que um visitante o esperava, não havia nenhum sinal de pressa.
— Tudo bem. Você disse que é a primeira vez que toca em um cachorro. Vá passear um pouco.
O “tudo bem” levou Jung Heeyeon a um dilema. Vendo que o secretário ligara, parecia ser uma situação em que Yeon Woobeom precisava voltar logo para a empresa. Estar com Yeon Woobeom era muito melhor, mas era difícil resistir à tentação de passear com Seolgi, já que ele era tão fofo.
— Heeyeon-ssi vai ficar entediado se for para a empresa agora. Se Yeon Woobeom encontrar o convidado, você vai ter que ficar sozinho. — Kim Jiwon começou a seduzi-lo com uma voz sutil. Ao baixar o olhar para os pés dele, viu o pequeno tufo de pelos branco ofegando e olhando fixamente para si. Jung Heeyeon apertou os lábios e falou com cautela. — Posso ir na direção da empresa? Assim posso me despedir de Yeon Woobeom também.
— Quer ir junto com Yeon Woobeom ? — Yeon Woobeom perguntou com uma risada baixa.
— Sim. Assim o Seolgi passeia e Yeon Woobeom também não vai solitário.
— Com certeza. Vamos na direção da empresa. — Diante da resposta pronta de Kim Jiwon, Jung Heeyeon virou-se para voltar na direção da empresa. Ao caminhar com Yeon Woobeom , Seolgi seguiu ao lado aos saltinhos.
Caminhar olhando para o rabo do cachorro que ia à frente em passos rápidos fez com que chegassem à frente da empresa num instante. Yeon Woobeom tocou levemente a bochecha dele.
— Chegamos. Brinque com o cachorro o quanto quiser e depois volte.
— Sim. Ah, Yeon Woobeom .
— Sim.
— Quero me despedir.
O homem, que entendeu o significado, ergueu o canto dos lábios e inclinou levemente o corpo. Logo, lábios macios tocaram perto da bochecha. “Smack”, junto com o som do beijo.
— Já vou. Entre logo. Acho que o secretário Kim Cheolwoo está esperando.
Yeon Woobeom tocou novamente a bochecha branca de Jung Heeyeon e virou-se para entrar na empresa. Jung Heeyeon só se aproximou de Kim Jiwon depois que as costas do homem desapareceram completamente. Kim Jiwon, que estava com o rosto todo franzido como se tivesse visto algo desagradável, assustou-se com a aproximação e fingiu estar distraído.
“Por que ele está assim?” Jung Heeyeon ficou curioso, mas achou que poderia ser falta de educação e não perguntou.
— Haha, ha… Sempre sinto que Yeon Woobeom é realmente terno com Heeyeon-ssi. Hum, vamos agora?
— Sim. Podemos ir por este caminho? Se originalmente forem por outro caminho, podemos voltar. — Jung Heeyeon perguntou cautelosamente, preocupado com o fato de ter pedido para virem na direção da empresa. Diante da pergunta bondosa e mansa, Kim Jiwon arregalou os olhos e caiu na gargalhada. Estava claro o motivo de Yeon Woobeom proteger tanto Jung Heeyeon.
— Tudo bem. Ele gosta de passear em qualquer lugar. Ah, quer segurar a guia?
— Não. Tenho medo de soltar, prefiro apenas caminhar junto.
— Está bem, então.
Kim Jiwon caminhou lentamente. Não era apenas Yeon Woobeom quem protegia Jung Heeyeon. O próprio Kim Jiwon também costumava tratá-lo com carinho, como a uma criança. Em sua idade, um Ômega que acabou de fazer vinte anos naturalmente parece ter nascido ontem, mas não parecia que o afeto humano vinha apenas da idade.
“Provavelmente é por causa dessa personalidade.” Kim Jiwon remoeu o pensamento. Com um círculo social extremamente restrito e sem conhecer a sociedade, além de sua personalidade inerentemente mansa, Jung Heeyeon despertava o instinto de proteção. Não era à toa que os Alfas da Jiwon o achavam fofo como uma criança.
Em uma empresa onde palavrões grosseiros circulavam, ele só dizia coisas bonitas com um rosto manso, então era impossível não achá-lo adorável. Parecia que eles davam mais afeto por terem vivido em ambientes rudes. Afinal, o ser humano é atraído por aquilo que não possui.
Bastava olhar para o número de seguranças designados para Jung Heeyeon. Eram Alfas que Yeon Woobeom colocara para se prevenir contra os movimentos do Presidente Jung, mas muitos se voluntariavam para a tarefa. Pareciam considerar Jung Heeyeon como um Hyung mais novo ou sobrinho.
— Professor Kim Jiwon. O Seolgi parece animado.
— Cachorros naturalmente gostam de passear. Não quer mesmo segurar a guia? Ele costuma passear de forma bem calma, então está tudo bem.
— Se eu soltar a guia, ele pode se perder.
— Não vai. O retorno dele é bom, não precisa se preocupar. — Kim Jiwon sugeriu, entregando sutilmente a guia. Jung Heeyeon olhou fixamente para a guia estendida diante de si e estendeu a mão hesitante. Ao segurar firme a guia, sentiu a força com que Seolgi puxava. Felizmente, parecia uma força fraca o suficiente para ele não soltar.
— E então? Está tudo bem?
— Sim. Vou segurar bem para não soltar.
— Haha, está bem. Tem um lugar que vende petiscos caseiros no caminho, vamos parar lá e comprar um para ele.
— Sim.
Kim Jiwon pensou no homem que a esta altura já devia ter encontrado o convidado enquanto caminhava com Jung Heeyeon. “Bem, ele deve se virar bem sozinho.”
O homem, que olhava para a ponta dos pés com expressão gelada, levantou a cabeça lentamente assim que a porta do elevador se abriu. Kim Cheolwoo estava diante da massa de metal aberta. Pela forma como estava parado, parecia ter esperado ali até ele chegar.
— O Presidente Jung veio por conta própria, e você aguentou bravamente. Achei que fosse virar tudo de cabeça para baixo.
— Com todo o esforço que tive, não vou botar tudo a perder tão facilmente, não é? — Kim Cheolwoo respondeu em um tom um tanto ranzinza, sentindo o riso misturado na voz. Yeon Woobeom caminhou mantendo aquele riso leve. O terno que envolvia o corpo do homem esticava e se movia seguindo seus movimentos.
— Ele é corajoso, não? Achei que fosse ficar quieto com medo dos cães, mas ele veio até aqui.
— Como está na idade de morrer, a cabeça dele deve estar ficando louca.
— É improvável que ele tenha sido descartado pelo Sunhwa… Entre em contato com o Diretor Kang Seohui e peça para ele relatar os movimentos do Presidente Kang.
— Entendido.
A visita do Presidente Jung foi inesperada. O que aquele velho estava pensando para se arrastar até aqui? Yeon Woobeom caminhava sem pressa, avaliando as intenções do velho Alfa. Ficou curioso se ele pretendia mostrar as presas abertamente ou se viera tentar um acordo antes que as coisas piorassem. De qualquer forma, ele não tinha intenção de dançar conforme a música dele.
— Traga algo para beber.
— Com aquele desgraçado na frente, a bebida vai descer pela garganta? — Kim Cheolwoo franziu o cenho abertamente, lembrando-se de memórias ruins.
— Jamais. — Yeon Woobeom sorriu, mostrando os dentes. Era um sorriso feroz para quem ouvira uma piada sem graça. — Se um convidado veio, devemos tratá-lo, não é?
A mão grande do homem abriu pessoalmente a porta da sala da presidência. Uma leve ironia o acompanhava.
O que saudou Yeon Woobeom primeiro ao entrar foi a cabeça grisalha do velho. Era a visão das costas daquele que pontuara sua infância com violência e abuso, mas não se via medo ou desconforto no rosto de Yeon Woobeom .
— Faz tempo, Presidente Jung.
O Presidente Jung fixou o olhar no homem que se sentava à sua frente.
— De fato. — A voz estridente típica de idosos ecoou. “Faz tempo.” Não era uma relação em que se trocaria cumprimentos tão amigáveis, mas também não era mentira. Afinal, já fazia mais de 15 anos que ele vendera o jovem Alfa diante dele.
Como esperado, o cão de briga criado com esmero crescera de forma esplêndida. Os olhos turvos do velho escanearam Yeon Woobeom da cabeça aos pés. Ombros largos, peitorais que nem o terno conseguia esconder, corpo robusto e pernas longas. Era um corpo perfeitamente equilibrado, raro até entre Alfas. “Deveria tê-lo vendido por um preço um pouco maior.” Pensamentos inúteis surgiram.
— Eu… — A voz do jovem Alfa despertou-o de seus pensamentos. O Presidente Jung só então confirmou devidamente o rosto de Yeon Woobeom . Ao contrário de outros Alfas, que ficavam rígidos assim que confirmavam o rosto do Presidente Jung, o que havia no olhar alongado, diferente do canto dos lábios que subia preguiçosamente, era tédio. — Não estou em posição de ser avaliado pelo Presidente, estou?
O Presidente Jung permaneceu em silêncio com o rosto inexpressivo em vez de abrir a boca. O punho fechado sobre a coxa ganhou força involuntariamente. A atitude extremamente leve, como se lançasse uma piada, dizia apenas uma coisa.
Desprezo. Era um desprezo vindo do pensamento de que ele era uma criatura insignificante que não merecia nenhuma atenção.
Se ele fosse alguns anos mais novo, não seria subjugado? Uma suposição inútil passou pela cabeça do Presidente Jung por um instante, mas ele balançou a cabeça internamente. O motivo de ter vendido o homem à sua frente tão cedo veio à tona tardiamente. Ao confrontar Yeon Woobeom , as memórias envelhecidas pelo tempo começaram a surgir aos poucos.
O Alfa à sua frente nunca tivera medo do Presidente Jung. Ele podia odiá-lo, mas nunca baixara a cabeça rendido ao pânico. Foi por isso que ele o vendera rapidamente, embora pudesse conseguir um preço maior se esperasse ele se tornar adulto. Pois pensava que ele era alguém que um dia morderia seu pescoço. Quanto mais esmero se punha em criar um cão de briga, mais perigoso ele era para o dono.
Como ele fora vendido para a máfia que controlava a Coreia na época, esperava que ele morresse cedo. Embora tivesse muitos talentos natos, ele mal tinha idade de um estudante de ensino médio. No entanto, ele sobrevivera naquele lamaçal e subira até aqui. Já era tarde demais para arrependimentos.
— Como você olhou de forma tão óbvia… Acho que já passou da hora de perder o hábito de colocar preço nas pessoas. — Yeon Woobeom alongou as palavras enquanto erguia o canto dos lábios. O olhar de serpente do velho tinha uma intenção clara. Era um olhar que não perdia o hábito de calcular o valor em dinheiro.
Embora tivessem se confrontado devidamente há mais de dez anos, o rosto do Presidente Jung era o mesmo. Nem o cabelo branco, nem as rugas pelo corpo conseguiam esconder o olhar ganancioso do velho.
Yeon Woobeom vasculhou minuciosamente o rosto do velho Alfa.
Em Jung Heeyeon, não se via nem um vestígio daquele velho.
— …Eu cometi um erro. — O Presidente Jung respondeu em um tom calmo, como se o momento em que seus lábios tremeram de humilhação nunca tivesse existido.
— Parece que o Presidente envelheceu mesmo… — Yeon Woobeom inclinou a cabeça lateralmente, apoiando o cotovelo. Diante do ato de apoiar a cabeça como se estivesse entediado, o velho franziu levemente as sobrancelhas. As pernas cruzadas e o dedo na têmpora mostravam claramente o tipo de tratamento que o homem dava ao Presidente Jung.
O termo Presidente “Jung” também o incomodava. O tom não era sarcástico, mas aquele chamado calmo parecia, ao contrário, um deboche. O velho sentiu uma vergonha inexplicável e endureceu o pescoço com rigidez. Masturbando-se mentalmente com a ideia de que ele era apenas um dos cães de briga que ele vendera.
— Vendo que sua cara de pau aumentou a ponto de vir à minha empresa. — Yeon Woobeom estreitou o canto dos olhos preguiçosamente. O Presidente Jung estava sentado com uma postura impecável, mas apenas seu corpo físico estava ereto. Não foi difícil perceber que o ímpeto do velho estava abalado.
— Sua empresa? Que piada. — O Presidente Jung respondeu ferozmente, estalando a língua. — Não é uma empresa que você ergueu com suas próprias forças. Você deve ter chegado até aqui matando o benfeitor que o acolheu e usando o sangue dele como adubo. Deve falar as coisas corretamente.
Era um insulto que não funcionaria com Yeon Woobeom . O ato de comprar com dinheiro poderia ser chamado de acolhimento? Mesmo que ele o tivesse acolhido, Yeon Woobeom não sentia culpa pelo fato de ter matado o benfeitor para chegar até aqui. Ele não tivera uma vida tão fácil a ponto de se arrepender de algo desse tipo.
Pelo contrário, o velho que falava em benfeitor era apenas ridículo.
— Por que está agindo de forma tão nobre? Você e eu somos a mesma coisa, sujeitos que se arrastaram no lamaçal… Parece que o nosso Presidente ouviu tanto o título de Presidente que esqueceu o passado. — Yeon Woobeom expôs o passado do Presidente Jung sem cerimônia. — Um vendedor de cães que vendia bastardos não vira Presidente só por fazer uma lavagem de reputação, não é?
O Presidente Jung encarou Yeon Woobeom com olhos ferozes. Ele era aquele que andava de cabeça erguida diante dos devedores, mas se curvava ao vender os cães que criara. Agiotas eram originalmente seres assim.
Como odiava se curvar, ele acumulou dinheiro obstinadamente para viver sendo chamado de Presidente com esse dinheiro. Embora agora estivesse fugindo do Alfa diante dele, até o sucessor do Sunhwa o chamava sistematicamente de Presidente. Ele sabia que era apenas por causa do neto que o velho criara, mas não era nada mau ser chamado de Presidente pelo sucessor de um conglomerado renomado.
Yeon Woobeom leu a psicologia do velho perfeitamente e entortou a boca em um deboche.
— E se eu matei ou deixei o benfeitor vivo, não acho que seja assunto do Presidente. Vocês dois tinham um caso?
— Sujeito vulgar.
— Sou um bastardo da máfia que se arrastou no lamaçal, então a origem não pode ser evitada. Não acho que eu precise ter cortesia com o Presidente. — O tédio transparecia no tom de voz prolongado. Yeon Woobeom começou a ficar cansado da conversa com o velho.
De repente, teve vontade de abraçar Jung Heeyeon. A esta altura, ele devia estar passeando com o cachorro junto com Kim Jiwon. Estaria segurando o copo de americano com uma mão, sem conseguir beber nem jogar fora.
— Vamos ser breves. Estou curioso para saber por que alguém que deveria estar escondido e prostrado para evitar meu olhar se arrastou até aqui.
— Meu neto. Você o tem, não? Agora, devolva-o.
Uma risada que vibrava o pescoço escapou por entre os lábios estreitos de Yeon Woobeom . Era uma resposta óbvia, mas ouvi-la o deixou com um humor péssimo.
“Neto.” Yeon Woobeom endireitou o corpo que estava inclinado enquanto remoía o termo proferido pelo Presidente Jung. Ao baixar o cotovelo lentamente, sentiu o olhar seguindo a ponta de seus dedos.
O Presidente Jung parecia apreensivo, temendo ter o pescoço apertado a qualquer momento. No entanto, se ele pretendesse colocar as mãos naquele velho agora mesmo, não teria perdido tempo com uma conversa. O pânico instintivo que fugia da razão era extremamente ridículo.
Yeon Woobeom tocou o braço da poltrona com o dedo e respondeu sem dar importância: — Todos os parentes de sangue morreram, não?
— Está fingindo não saber? — A raiva transpareceu na voz áspera do velho. O Presidente Jung não ignorava o fato de que a pessoa que estendeu a mão para Lee Yoothae, que atuara fielmente como mordomo por mais de dez anos, fora Yeon Woobeom . Mesmo que o Alfa não tivesse agido pessoalmente, era óbvio que a figura que se aliara a ele estava envolvida. A cena dele se fingindo de desentendido, dizendo que os parentes de sangue haviam morrido, era abominável e despertou sua fúria. — Eu sei que meu neto caiu nas suas mãos. O desaparecimento de Lee Yoothae também deve ser por sua causa. Ele ainda está vivo?
Ele soube do desaparecimento há apenas um mês. Foi um dia em que as coisas que deveriam ser relatadas rotineiramente não foram relatadas de forma alguma. Foi também o dia em que o velho sentiu a primeira dúvida.
No momento em que percebeu que os Alfas e Ômegas que vendera haviam se unido para mordê-lo, o Presidente Jung partira para o exterior como se estivesse fugindo. Ele não esqueceu de deixar o neto, criado cuidadosamente entre muros, e alguém para ser seus olhos e ouvidos na Coreia. Um deles era Lee Yoothae.
Lee Yoothae também era quem enviava as imagens das câmeras de segurança instaladas em casa sistematicamente. O Presidente Jung não se dava ao trabalho de verificar cada uma delas. Não era por confiança, mas por calcular que Jung Heeyeon não teria comportamentos inesperados. Ele achava que nada aconteceria com um neto manso que só aprendera a obedecer.
No entanto, em um dado momento, o contato de Lee Yoothae cessou. O velho, para quem os canais de comunicação com a Coreia se tornaram precários, entrou em contato com o Alfa do Sunhwa que decidira comprar o neto. Foi por essa época que ele soube do boato de que “Yeon Woobeom anda acompanhado de um Ômega que ninguém nunca viu”. Para o Presidente Jung, que partira para o exterior para evitar Yeon Woobeom , era um boato que ele não podia ignorar.
Não demorou muito para ter a confirmação de que o Ômega do boato era o neto.
— Suas mãos? — Uma respiração ambígua, que não se sabia se era riso ou suspiro, acumulou-se na voz do jovem Alfa.
— Cuidado com as palavras, Presidente Jung. Já deixei claro que não estou em posição de ser avaliado. — O humor e a calma na voz provocaram ainda mais o velho, mas o Presidente Jung esforçou-se para manter a compostura. Conforme as palavras do homem, o Alfa diante dele não estava em posição de ser avaliado. Afinal, avaliar era um ato de quem estava em uma posição superior medindo o valor de um subordinado.
Lamentavelmente, o Presidente Jung atual não estava em posição de avaliar o homem. “Um cão com o rabo entre as pernas.” O velho engoliu o gosto amargo e observou o homem sentado em uma postura relaxada. De repente, sentiu um cheiro fraco de feromônio. O rosto do velho, que mantinha a compostura, distorceu-se horrivelmente.
— Esse feromônio. — Um dos boatos famosos era que Yeon Woobeom não revelava seu feromônio. Como o próprio Presidente Jung o fizera assim, era natural. Com o passar do tempo, o cheiro do feromônio daquele bastardo fora esquecido há muito tempo, mas ele podia afirmar com certeza que o aroma fraco e sutil sentido agora não era o feromônio daquele Alfa.
Era um aroma doce demais para ser o feromônio de Yeon Woobeom . Como o cheiro de flores que florescem no início do verão.
— É um cheiro familiar. — O Presidente Jung percebeu que o rastro leve e sutil era o feromônio do neto que ele criara por anos.
— Familiar? — Yeon Woobeom repetiu a palavra de forma enviesada, como se não gostasse dela. Ele já sabia há muito tempo que o feromônio de Jung Heeyeon estava grudado nele. Pois fora o cheiro que transbordara no momento em que ele o beijara para se despedir.
Embora pudesse encobrir aquele rastro, ele não o fez intencionalmente. Não podia negar que a reação do Presidente Jung o interessava, mas era mais próximo de um instinto Alfa de demonstrar posse descaradamente.
— De fato, deve ser familiar. A criança não sabe controlar o feromônio. — Yeon Woobeom sorriu suavemente ao ver o rosto do velho ficar completamente rígido. A figura do Presidente Jung tremendo era algo digno de se ver.
— Não me diga que você tocou nele.
— Haha. — Não parecia ser uma preocupação de que Yeon Woobeom , de trinta e poucos anos e sem consciência, tivesse tocado no neto muito mais novo. Provavelmente era a preocupação com o feromônio acumulado forçadamente para o primeiro Cio e com o outro Alfa que precisava desse feromônio. Yeon Woobeom piscou um olho até que o canto do olho ficasse estreito. — Não é uma preocupação que alguém que pretendia vendê-lo para um Alfa totalmente velho deveria ter, não é?
— Como você ousa…!
Yeon Woobeom cortou as palavras facilmente: — Quem deve decidir com quem quer dormir deve ser o próprio interessado. A ideia de que o Cio não importa por ser o período de Cio é o que estupradores desgraçados dizem. Se correr o boato de que o Presidente do Grupo Sunhwa estuprou um Ômega, ele ficará bem encrencado.
Instantes antes do velho, incapaz de conter a raiva, se levantar bruscamente, o som de batidas na porta interrompeu a conversa dos dois.
— Entre. — Pelo comando curto de Yeon Woobeom , a porta se abriu imediatamente.
Quem entrou foi Kim Cheolwoo. A garrafa de água mineral em sua mão grande parecia muito pequena e insignificante. Tratar o convidado apenas com uma garrafa de água mineral, Yeon Woobeom acabou rindo da escolha de seu assistente.
— Yeon Woobeom . Precisa de mais alguma coisa?
— Pode sair. — Ele sentiu o olhar do velho direcionado a Kim Cheolwoo. No entanto, Kim Cheolwoo virou as costas sem sequer olhar para o lado do Presidente Jung. Parecia que ele estava mal contendo a vontade de matá-lo agora mesmo. Ao sentir a sede de sangue oculta e afiada, o corpo envelhecido ficou rígido de tensão. A imagem do Presidente Jung tentando não demonstrar era patética. Yeon Woobeom só abriu a boca depois que Kim Cheolwoo saiu completamente da sala.
— Se era para ficar com tanto medo assim, não deveria ter vindo aqui. — Era um tom de voz leve demais para ser chamado de deboche. — Não é como um cão com o rabo entre as pernas diante de um tigre?
Yeon Woobeom não sabia se o julgamento dele falhara por causa da idade ou se ele viera confirmar a presença de Jung Heeyeon por excesso de cautela. Talvez ele tivesse vindo com uma intenção obscura. No entanto, qualquer que fosse o propósito do Presidente Jung, para Yeon Woobeom seria um problema trivial que não merecia nenhuma atenção.
— Parece que o nosso secretário só quer dar isso ao Presidente Jung. Beba a água. Vendo-o engolir seco, sua garganta deve estar seca.
— Não preciso. — Diante da recusa categórica, Yeon Woobeom deu de ombros levemente.
— E então? Veio até aqui pedir para eu devolver Jung Heeyeon? Que pena, não tenho intenção de devolvê-lo. A criança também não vai querer ir.
— Ele é o noivo do Presidente Kang Seohyo. Não será bom se indispor com o Grupo Sunhwa.
Mesmo diante da ameaça grandiosa, Yeon Woobeom apenas mexeu a ponta do pé. Ele via claramente o motivo de alguém que deveria estar prendendo a respiração ter se arrastado até aqui.
— Quem não terá vantagem se indispor não sou eu, é o Presidente.
— O quê?
— Tenha em mente que o seu apoio não é o Grupo Sunhwa, mas o Presidente Kang. Se se envolver comigo, o lado do Sunhwa é que ficará cansado. Quer que eu cutuque a colmeia?
Quem o Presidente Jung usara para negociar Jung Heeyeon fora o sucessor do Sunhwa, Kang Seohyo, não o Grupo Sunhwa em si. Embora o Presidente do Sunhwa estivesse apoiando Kang Seohyo, ele não gostaria de criar problemas a ponto de cutucar Yeon Woobeom .
— Parece que o Presidente Kang disse que daria menos dinheiro em troca de ele mesmo se mover. Como Jung Heeyeon caiu em minhas mãos, você também arranjou um problema incômodo, não? Deve ser por isso que o Presidente veio me procurar na empresa sem discernimento.
— ……
— Ah, se não for isso, veio confirmar se eu já toquei na criança? — Yeon Woobeom soltou um riso seco. Era típico de um velho possuído pelo demônio do dinheiro que vendia as pessoas. O quão cego por dinheiro ele devia estar para vir aqui sem pensar? Ele parecia ter me achado bem fácil.
— Só vim porque não queria tornar as coisas grandes. — O Presidente Jung falou com um certo atraso. — Era algo que terminaria facilmente, mas por sua causa, não, por causa de você, tudo se arruinou.
— Terminaria facilmente? — Yeon Woobeom estendeu o braço em direção à garrafa de água mineral deixada por Kim Cheolwoo. Ao inclinar o tronco para frente, o corpo do Presidente Jung ficou visivelmente rígido. Yeon Woobeom riu e segurou a garrafa. Era o momento em que o motivo de ter deixado o Presidente Jung vivo transparecia inteiramente. O Presidente Jung ficava tenso diante de cada ação de Yeon Woobeom , mesmo as sem intenção. — Terminaria facilmente… Seria mais fácil do que eu acabar com o Presidente Jung aqui mesmo?
Com um movimento leve, a tampa fez um som de estalo ao abrir. Diante do ruído sinistro, o Presidente Jung estremeceu. Não parecia o som de uma tampa de garrafa, mas sim de um osso do pescoço quebrando.
— Não seja monótono.
— Monótono?
— Por que você acha que eu o deixei vivo durante todo esse tempo? — Yeon Woobeom empurrou lentamente a garrafa aberta em direção ao Presidente Jung. — Se quiser usar o Sunhwa para me pressionar, tente.
— Quer se arrepender? Se alguém que se arrastou no lamaçal chegou até aqui, deveria saber se satisfazer.
Não eram palavras que um velho que, por não estar satisfeito, pretendia vender o próprio neto deveria dizer. Ele não sabia que agir assim o tornava ainda mais ridículo? Yeon Woobeom sorriu relaxado e tocou na garrafa que o Presidente Jung acabou não aceitando.
— Alguém que se arrastou no lamaçal não tem nada a temer.
A água jorrou da garrafa derrubada. A água que transbordou da mesa encharcou completamente os sapatos do velho.
— Confirmei o itinerário. Parece que ele pretende entrar em contato com o Presidente Kang.
— Continue vigiando-o.
— Transmitirei. …Parece que ele nos subestima. Não imaginei que ele viria à empresa pedir para devolver Jung Heeyeon-ssi. — Kim Cheolwoo acrescentou, massageando o espaço entre as sobrancelhas.
— Parece que ainda pareço aquele moleque daquela época para ele. — Um sorriso gélido apareceu momentaneamente nos lábios de Yeon Woobeom . O homem passou a mão pelo cabelo e soltou um palavrão curto. — Fazia tempo que eu não me sentia tão mal.
O Presidente Jung saiu da empresa às pressas, como se estivesse fugindo, completamente subjugado pela aura do outro. O que se viu no rosto envelhecido foi o erro de cálculo. O erro de cálculo de ter subestimado Yeon Woobeom mais do que devia.
Mesmo assim, não podia evitar o mau humor. Era por causa das memórias de cachorro da infância que surgiram. Era o sentimento que costumava ter ao confrontar algo abominável.
— Achei que Yeon Woobeom ficaria furioso. — Yeon Woobeom tirou um cigarro e encarou Kim Cheolwoo como quem pergunta o que ele queria dizer. — Não é? Eu mesmo tive vontade de matá-lo a pancadas agora mesmo.
Foi uma declaração sem filtros. Só então o homem percebeu o que Kim Cheolwoo queria dizer e abriu os lábios preguiçosamente. Um cigarro já estava entre seus dedos longos.
— Secretário Kim Cheolwoo. Não gaste energia com coisas inúteis. — O cigarro branco penetrou entre os lábios abertos do homem. — Ninguém fica furioso ao matar um inseto, não é?
— Vou me conter. — Kim Cheolwoo baixou a cabeça ao verificar uma mensagem. — Jung Heeyeon-ssi chegou ao saguão há alguns minutos. Ele deve estar em frente à sala da presidência agora.
— Ao sair, mande-o entrar. — Yeon Woobeom , que ia acender o cigarro, jogou-o no lixo sem hesitar e deu a ordem.
— Entendido. — Sentindo que acabara de vislumbrar a paciência de seu superior, Kim Cheolwoo virou as costas imediatamente. Ele não notara até agora, mas a frequência com que Yeon Woobeom fumava parecia ter diminuído sutilmente desde a entrada de Jung Heeyeon. Como assistente que observava Yeon Woobeom há muito tempo, não era algo ruim. Era uma sorte que a pessoa capaz de aliviar o mau humor de seu superior estivesse ali na frente.
Ao abrir a porta, viu o pequeno Ômega se aproximando da sala da presidência bem na hora.
— Secretário Kim Cheolwoo. Olá.
— Sim. Yeon Woobeom disse que você pode entrar.
— Ah, o convidado já foi? Obrigado por avisar.
Jung Heeyeon cumprimentou Kim Cheolwoo primeiro com uma reverência e entrou na sala.
— Yeon Woobeom . Voltei.
Assim que deu o passo, viu Yeon Woobeom . O homem estreitou o canto dos olhos, como se nunca tivesse tido uma expressão de mau humor. Como ele previra, Jung Heeyeon ainda segurava o copo de café em sua mão esquerda.
— Jung Heeyeon. Ainda não terminou de beber?
— Sim.
O homem pegou o copo naturalmente. Estava bem pesado. Como esperado, ao abrir a tampa para verificar, o café estava mais da metade cheio. Parecia que ele bebera apenas o equivalente ao bico de um pássaro, nem parecia ter diminuído. Ao olhar para ele com um riso provador, Jung Heeyeon confessou em voz baixa, mexendo os dedos vazios.
— Na verdade, estava amargo demais e não consegui terminar.
— Hmm. Foi mesmo? — Yeon Woobeom deu um gole no café deixado por Jung Heeyeon com naturalidade. O desejo de fumar ainda fervilhava.
Jung Heeyeon observou fixamente o homem bebendo o café. O rosto era terno como de costume, mas parecia que ele não estava de muito bom humor. As sobrancelhas levemente franzidas e a cicatriz que tremia seguindo o olhar eram perceptíveis. “Ele disse que encontraria um convidado, talvez tenha havido uma discussão com essa pessoa.” Jung Heeyeon sentiu-se um pouco culpado por ter tido um passeio divertido com Seolgi enquanto Yeon Woobeom parecia ter tido apenas momentos desagradáveis.
— Yeon Woobeom .
— Sim, Jung Heeyeon.
— Quer que eu te dê um beijo? — Jung Heeyeon perguntou após hesitar por um momento. Ele achou que o outro gostaria de receber um beijo. Pois ele sempre se sentia bem ao beijar Yeon Woobeom . Ele ficou em dúvida se estava sendo simplista demais, mas achou que, se ele gostava, Yeon Woobeom também gostaria. Acima de tudo, ele era alguém que o beijava primeiro a qualquer momento.
— Jung Heeyeon. Você está dando carinho ao Yeon Woobeom ? — Yeon Woobeom , que ia perguntar se o passeio fora bom, mudou as palavras imediatamente diante da proposta inesperada. O rosto que perguntava se ele estava dando carinho era extremamente descarado.
— Hein? Sim.
Como Yeon Woobeom não recusou, Jung Heeyeon estendeu os braços e colocou as mãos cuidadosamente sobre as bochechas do homem. E encostou os lábios brevemente nos lábios familiares antes de afastá-los. Havia um aroma fraco de café nos lábios do Alfa. Era um café que certamente só tinha gosto amargo, mas o aroma que emanava dos lábios de Yeon Woobeom parecia apenas doce.
— Aconteceu algo desagradável?
— Não precisa se preocupar com o meu humor. Não precisa ficar medindo meu humor.
— Não estou medindo. Só vi que Yeon Woobeom não parecia bem e quis te animar…?
— Vai fazer mais coisas fofas?
— …Quer me abraçar? Eu me sinto bem quando Yeon Woobeom me abraça, mas como Yeon Woobeom é mais alto que eu, acho que eu não consigo te abraçar.
Yeon Woobeom imediatamente abaixou a cintura e pegou Jung Heeyeon nos braços. O corpo que ele desejara abraçar desde o momento em que confrontara o Presidente Jung encostou-se docilmente. A pele em contato parecia fresca por ele ter acabado de vir do vento frio.
— Jung Heeyeon. Você quer abraçar o Yeon Woobeom ?
— Sim. Mas acho que não consigo abraçar como Yeon Woobeom está me abraçando agora. Yeon Woobeom é grande demais.
— Pode me abraçar quando for dormir. Abraçar a cintura também é abraçar. — Quando ele sussurrou com riso na voz, Jung Heeyeon murmurou um “ah”, como se não tivesse pensado nisso.
— Então eu já te abraço para dormir todo dia…? Hoje também vou te abraçar.
Ao enterrar os lábios no pescoço branco, o cheiro do feromônio misturado ao vento frio fluiu para dentro. Yeon Woobeom inspirou lentamente. Foi uma respiração longa, como se quisesse gravar Jung Heeyeon em seus pulmões junto com o aroma do feromônio.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola