Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 132 Online


Modo Claro

Capítulo 132

 

O coração começou a palpitar como um louco de repente.
*Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum.*
Em toda a sua existência, ele só havia experimentado uma agitação tão violenta no pulso em três ocasiões. A primeira, quando Bliss declarou que se casaria com Cassian.
A segunda, um ano mais tarde, quando Bliss surgiu nos domínios da casa ducal à procura de Cassian. E agora.
As três vezes haviam sido por culpa exclusiva de Bliss.
Ao se dar conta daquela nova constante, os cantos de seus lábios terminaram por se desmanchar em um sorriso sutil.
“Sim. Quem mais se atreveria a fazer meu coração se agitar desta maneira?”
Bem naquele instante, o eco de passos aproximando-se quebrou o silêncio.
Cassian, que havia erguido a cabeça por puro instinto, estancou os movimentos e mostrou-se incapaz de desviar as pupilas. Bliss encontrava-se parado na entrada do salão, fitando-o diretamente nos olhos. No milésimo de segundo em que contemplou a fisionomia do garoto, Cassian simplesmente se esqueceu de como respirar.
“Além de você, absolutamente ninguém.”
Seria pelo fato de finalmente ter tomado consciência de seus sentimentos? O garoto parecia ostentar uma radiância especial. Suas bochechas exibiam um rubor rosado sutil, a tez mantinha-se alva, as sobrancelhas desenhavam um leve vinco por alguma razão misteriosa, e até mesmo seus lábios pequenos e carnosos pareciam realçados.
Ele emanava um magnetismo tão adorável que a vontade de Cassian foi a de enlaçá-lo em seus braços de imediato e cobri-lo de beijos sem cessar.
Para refrear aquele impulso primitivo, Cassian cerrou os punhos com força e pressionou o lábio inferior. Como consequência dessa contenção, suas feições terminaram por se contrair de forma natural em uma expressão tensa, fazendo com que Bliss expandisse os olhos ao limite.
“O que há de errado com esse sujeito? Franzir o cenho dessa maneira quando mal põe os olhos em alguém. Que tipo de encrenca ele está tentando arrumar agora?”
Ao constatar que o Conde havia providenciado a mudança de seus aposentos e o convidado para o jantar, Bliss cogitou que ele estivesse experimentando algum remorso pelo equívoco da criadagem e que pretendia formalizar um pedido de desculpas ou oferecer alguma espécie de compensação.
“Não me diga que ele me convocou para passar um sermão…”
Sim, aquela era a única explicação lógica.
Bliss desvendou a charada.
Quando ele era mais jovem, a dinâmica funcionava exatamente da mesma forma. Se Bliss se envolvia em algum acidente, se machucava ou desencadeava um problema, seu pai primeiro inspecionava se ele havia sofrido alguma lesão corporal. Após certificar-se de que ele se alimentasse adequadamente, aplicava-lhe uma reprimenda severa. Exigia que ele enumerasse seus erros, questionava os motivos de sua conduta, indagava a razão de não ter sido mais cauteloso, ordenava que levantasse os braços e permanecesse de pé encarando a parede, ou determinava o recolhimento imediato ao quarto sem direito a sair. Mesmo agora, ao rememorar tais episódios, ele era tomado por calafrios.
“Esse sujeito sem dúvida pretende replicar com exatidão o protocolo do meu pai.”
Naquela conjuntura específica, Bliss figurava como uma vítima unilateral, mas se Cassian estivesse inclinado a repreendê-lo, pretextos não lhe faltariam. Quando seu pai o censurava, na maioria das vezes Bliss também experimentava um sentimento de profunda injustiça.
Ele era a parte prejudicada e, mesmo assim, acabava sentenciado sob o questionamento: *”Por que você não teve mais cuidado?”*.
Sob essa ótica, seu pai e Cassian guardavam semelhanças assustadoras.
Afinal de contas, tiranos sempre arquitetavam justificativas absurdas para flagelar indivíduos inocentes.
“Hunf, ele por acaso imagina que vou me intimidar com isso?”
— Seja bem-vindo, Bliss. Eu o estava aguardando.
Cassian ergueu-se de sua cadeira e dirigiu-lhe a palavra. Em um piscar de olhos, seu semblante já se encontrava preenchido por um sorriso largo.
“Com certeza trata-se de um estratagema para fazer com que eu baixe a guarda. Não vou me deixar ludibriar.”
Bliss projetou o queixo para cima e avançou com passos resolutos em direção ao seu assento.
Penelope, que já se encontrava no recinto, afastou a cadeira destinada a ele e aguardou o posicionamento, desferindo um sorriso terno.
— Meus agradecimentos, Penelope.
Após manifestar sua gratidão com cortesia e acomodar-se, Cassian também tomou assento. Pouco tempo depois, um funcionário conduziu um carrinho de serviço até a mesa, e Penelope distribuiu porções de pão nos pratos de cada um. Em seguida, ela retirou-se do salão escoltando o colaborador.
O aroma robusto de pão recém-saído do forno espalhou-se pelo ar, fazendo com que Bliss salivasse instantaneamente. Por uma fração de segundo, ele se desligou da realidade e, de forma apressada, apanhou uma unidade, espalhou uma camada de manteiga e preparava-se para levá-lo à boca quando Cassian quebrou o silêncio repentino:
— Modere o apetite. Se o seu estômago ficar sobrecarregado, as consequências podem ser graves.
Ah.
Naquele exato milésimo de segundo, Bliss recordou o cenário.
O seu personagem.
Ele vinha sustentando a farsa de que permanecera um longo período em privação alimentar.
“O passado sempre cobra o seu preço.” Era uma máxima que Nathaniel costumava verbalizar ocasionalmente. Pela primeira vez na vida, Bliss decodificou o real significado daquelas palavras. Com lágrimas ameaçando transbordar de seus olhos, ele depositou o pão de volta ao prato. Ao flagrá-lo com os ombros totalmente caídos, Cassian inspecionou as opções da cesta antes de efetuar uma escolha. Ele mesmo removeu a crosta mais rígida da extremidade do pão, adicionou uma pitada de sal ao recipiente com azeite de oliva e, em seguida, umedeceu o miolo macio ali.
— Pegue, experimente este.
Ao testemunhar aquela cena, Bliss ficou completamente estupefacto.
“Por que…? Por qual razão ele está agindo assim? Será que ele misturou alguma substância venenosa a esse azeite?”
— Não há problema, pode provar. Este pedaço está macio, portanto, sua mastigação será facilitada.
Mais uma vez, ele direcionou o pedaço de pão rumo ao rosto do garoto. Bliss hesitou por um instante antes de projetar a mão para a frente. Sua intenção era receber o alimento e apenas simular o consumo, mas Cassian afastou gentilmente os dedos do jovem e conduziu o pão diretamente contra os lábios dele.
— Vamos, abra a boca.
Bliss piscou as pálpebras de forma frenética, expandindo as pupilas.
“O que significa isso? O que está acontecendo aqui?”
O desconcerto era total, mas a margem de manobra era nula. Embora considerasse a situação inacreditável, Bliss entreabriu os lábios de forma lenta.
“Não pode ser…”
Contudo.
No instante em que a textura macia do pão ingressou em sua cavidade bucal, Bliss foi absorvido por um estado de absoluto torpor. Ao registrar aquela fisionomia atônita, Cassian, de forma surpreendente, soltou uma risada baixa.
— Você precisa mastigar, Bliss.
Cassian pressionou sutilmente o queixo do garoto para cima com o auxílio de um dos dedos para induzi-lo a fechar a boca, passando a monitorá-lo com um semblante sorridente. Ele sustentou o olhar enquanto Bliss, após um breve hiato de hesitação, começou a executar os movimentos de mastigação de forma lenta.
Somente quando Bliss completou o processo de deglutição foi que Cassian voltou a pronunciar-se:
— E então? O sabor está do seu agrado?
— …Está aceitável.
Bliss replicou de forma vacilante.
“Que tipo de pane mental acometeu esse sujeito?”
Ele continuava sem processar a dinâmica dos fatos, mas Cassian limitou-se a esboçar um sorriso brando e ergueu uma das mãos. Sem que se pudesse precisar o momento de sua entrada, Penelope materializou-se no recinto e posicionou uma travessa diante de Bliss.
— Trata-se de uma sopa aveludada à base de batatas amassadas. O seu trato digestivo não encontrará dificuldades para processá-la.
A governanta teceu uma breve elucidação técnica e retirou-se de pronto. Mais uma vez, Cassian acompanhou com uma fisionomia de pura satisfação a cena de Bliss conduzindo a sopa à boca com extrema cautela.
E o protocolo não se encerrou naquele estágio.
Quando a salada foi introduzida, o Conde encarregou-se de alocar uma porção calculada no prato do garoto. No momento em que o canto dos lábios de Bliss acabou salpicado por um vestígio de molho durante o consumo das vieiras, Cassian apanhou uma fita de tecido e removeu o excesso pessoalmente. Posteriormente, ele chegou ao extremo de trichar todo o filé em fragmentos perfeitamente dimensionados para uma única mordida.
Bliss atingiu um nível de inquietação tal que se julgava prestes a perder a sanidade.
“O que diabos você está tentando extrair de mim?!”
No momento em que o serviço de sobremesa foi iniciado, para Bliss, o mero ato de permanecer confinado àquela cadeira já se configurava como uma autêntica sessão de tortura. Aquele indivíduo que merecia ser atingido por um raio não havia feito outra coisa senão ostentar um semblante risonho durante todo o banquete, agindo como se estivesse extraindo um prazer monumental daquela situação.
Em contrapartida, ele, sendo incapaz de decifrar o que orbitava nos pensamentos alheios, experimentava a nítida sensação de que sua caixa torácica estava prestes a colapsar.
— Esta é a última etapa, a sobremesa.
Bliss operava no limite de suas forças para não arrancar os próprios cabelos quando Penelope pronunciou-se em sua tonalidade suave, acomodando um prato diante de sua linha de visão.
Exaurido, ele direcionou o olhar para a porcelana e, por puro reflexo, petrificou-se.
Sobre um prato de tom rosa-claro com design em formato de meia-lua, repousava uma pequena torta de mousse de chocolate. No topo da estrutura, destacava-se um coração de proporções generosas esculpido em uma espiral de chocolate. Circundando aquela peça de confeitaria de estética tão sofisticada e adorável, havia uma camada generosa de açúcar de confeiteiro e, sobre ela, destacava-se uma inscrição executada em uma caligrafia elegante de chocolate.
*Para o meu precioso Bliss.*
Sem articular um único som, Bliss realizou a leitura daquelas letras gravadas na porcelana repetidas vezes.
Embora estivesse forçando suas conexões neurais a trabalharem em velocidade máxima — a ponto de julgar que fumaça emanaria de sua cabeça —, ele se provou incapaz de extrair o real significado daquela mensagem.
“O que significa essa bizarrice?”
— Bliss.
Ao registrar aquela tonalidade pacífica, Bliss ergueu o rosto de forma desanimada. Ao deparar-se com aquelas pupilas vazias e desprovidas de foco, Cassian soltou uma risada curta antes de pigarrear às pressas para recuperar a postura.
— Eu possuo uma declaração a fazer.
Apesar da solenidade na voz do Conde, Bliss manteve o semblante atônito. Cassian estendeu a mão com cautela e enlaçou os dedos de Bliss, que repousavam de forma desleixada sobre a superfície da mesa.
— Bliss.
Cassian aplicou uma pressão firme, retendo a mão alheia entre as suas. Ele experimentava a nítida sensação de que suas palmas estavam sendo cobertas por um suor frio, mas negligenciou o desconforto e verbalizou seu intuito.
Fixando as pupilas diretamente nos olhos desorientados de Bliss, ele pronunciou-se com uma tonalidade que finalmente denunciava uma resolução definitiva:
— Eu sou apaixonado por você. Case-se comigo.
A barreira finalmente havia sido rompida.
Naquele exato milésimo de segundo, seu coração disparou em um ritmo alucinante e sua cavidade bucal secou por completo.
Qual seria o veredito de Bliss?
Ele havia esquadrinhado aquele cenário exaustivamente em sua mente, mas todas as projeções que sua mente arquitetava flertavam com o pessimismo. Naturalmente, o garoto seria tomado pelo elemento surpresa.
Ele não alimentava a expectativa de obter uma validação imediata. Contudo, agora que havia capitulado perante os sentimentos que nutria por Bliss, ele não se daria ao luxo de continuar desperdiçando tempo calculando variáveis consecutivas.
O que aconteceria se, por força de uma hesitação inútil de sua parte, Bliss terminasse por efetivar sua partida rumo aos Estados Unidos? Jamais seria capaz de suportar a visão de vê-lo consorciado àquele sujeito que ostentava a fisionomia de um salteador. Cassian reprimia a duras penas o fluxo de ansiedade que ascendia em seu íntimo enquanto aguardava o posicionamento de Bliss.
“Se eu formalizar o pedido de matrimônio, Bliss certamente manifestará choque. Todavia, como ele nutre afeto por mim, ele hesitará. Sob essa perspectiva, passarei a dispor de um argumento legítimo para exigir que ele permaneça na propriedade por um intervalo de tempo. Se eu solicitar que ele me conceda uma oportunidade para convencê-lo, muito provavelmente ele validará ao menos essa concessão.”
A grande questão residia em precisar o momento exato de verbalizar que…
— Perfeitamente, eu aceito.
— Sim, com certeza. Eu presumia que sua reação orbitaria por esse… O que você disse?
Cassian, que vinha movendo a cabeça em termos afirmativos enquanto se preparava para dar vazão ao discurso que havia estruturado mentalmente, estancou a fala de solavanco.
Suas pupilas expandiram-se ao limite, sabotadas pela incredulidade, e direcionaram-se rumo a Bliss.
Sustentando aquele contato visual de forma categórica, Bliss replicou sem qualquer vestígio de hesitação:
— Eu disse que sim. A proposta está de bom tamanho para mim também. Vamos nos casar, Conde.

 

•Continua…

 

•Raws, Revisão & Tradução: Othello.

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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