Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 01 Online

↫─Capítulo 01
—Eu gosto de você, hyung.
A confissão engasgada que explodiu e me fez chorar foi completamente involuntária. Era um inverno frio entre meus dezesseis e dezessete anos. Minhas memórias daquele dia estavam todas embaçadas pelas lágrimas.
Meu hyung e eu éramos as únicas pessoas no parquinho extremamente frio, sob um céu noturno todo preto, com tanta neblina que não conseguíamos ver estrelas. Apesar do frio intenso que fazia as cordas do balanço enrijecerem, os tendões da minha mão se destacavam enquanto eu agarrava as correntes de metal.
Meu hyung não disse nada. O único som que eu conseguia ouvir era o pequeno rangido de metal esfregando contra metal devido ao arrastar dos seus pés. Seguiu-se um silêncio aterrorizante.
Uma avalanche de arrependimentos me invadiu tardiamente, mas a água já tinha sido derramada. Eu esperava que meu hyung não ouvisse minha confissão, mas ao mesmo tempo, contraditoriamente, queria que ele soubesse meus sentimentos.
Nem tive coragem de olhar na direção do hyung. O vento frio de inverno que fazia a ponta do meu nariz formigar atingia meu corpo fortemente agasalhado, mas eu não sentia o frio. Meus ombros, que começaram a tremer naturalmente, passaram a tremer ainda mais violentamente, misturados com lágrimas sem sentido.
Saheon não disse nada por um bom tempo. Quanto mais o silêncio durava, mais minhas emoções cresciam, tornando difícil conter os soluços. Eu tentava ao máximo conter o som do meu choro mordendo a carne delicada dentro da boca, mas acabei chorando alto quando uma voz falou meu nome com carinho.
—Cheongmyeong.
A voz de Saheon era tão suave quanto sempre. Tremi e abaixei a cabeça como se estivesse cansado disso. Palavras que estavam entaladas há muito tempo, uma vez que explodiam, saíam involuntáriamente dos meus lábios como um rádio quebrado.
—Eu gosto de você… Hyung, eu te amo muito…
—Hmm… O hyung também gosta do Cheongmyeong.
Saheon falou um pouco sem jeito, mas meu coração já havia afundado. A forma como meu hyung disse que gostava de mim era parecida com dizer que eu gosto de gatos, gosto de sushi ou gosto do mar.
Era claro que Saheon havia entendido corretamente minhas palavras. Mas não importava quem ouvisse, a intensidade dos sentimentos dele era fria… diferente da minha.
—Tudo bem… essas coisas acontecem.
Meu hyung era gentil, mas julgava cruelmente meus sentimentos como queria. Como crescemos juntos desde pequenos, ele devia achar que gostamos um do outro como família. Acreditava que eram emoções passageiras, que um dia eu encontraria alguém que realmente me amasse e valorizasse, e que eu era precioso demais para ele gostar de mim daquele jeito.
No fim, não aguentei mais e comecei a chorar. Vou ser estudante do ensino médio depois dessas férias de inverno, mas mesmo tendo idade o suficiente, não aguentei sem chorar feito criança. Uma mão calorosa pousou no meu cabelo.
O tapinha suave era realmente gentil, mas ao mesmo tempo cruel. O toque daquela mão calma, desprovida de qualquer segunda intenção, me forçou a engolir as palavras que estavam prestes a explodir da minha garganta.
Meu coração não está enganado. Ele sabe quem ama há muito, muito tempo. A única pessoa de quem eu gostava era do meu hyung.
No entanto, o medo de nunca mais ver o rosto de Saheon me impedia que eu revelasse meus verdadeiros sentimentos. Embora eu tenha reunido coragem para admitir em meu interior o que vinha sentindo há muito tempo, não tive escolha a não ser me esconder como um covarde.
—Não chore. Eu te levo pra casa. Está frio.
Saheon parecia incomodado, mas me tratou como se nada tivesse acontecido. Meu hyung foi muito gentil. Apesar do vento frio que fazia a pele doer, ele me tranquilizou baixinho e também limpou os cantos inchados dos meus olhos, enquanto eu não conseguia parar de chorar,
Depois de confirmar que minhas mãos congeladas estavam nos bolsos, o hyung não disse nada enquanto íamos para casa.
Ele não me criticou por gostar dele, nem me desprezava por tê-lo olhado assim por tanto tempo. Pelo contrário, ele foi atencioso comigo, mesmo naquela situação constrangedora que eu criei, agiu como se nada tivesse acontecido.
O caminho do parquinho até nossa casa foi curto. Embora tenha sido uma caminhada de menos de 15 minutos, hoje pareceu especialmente rápido, como se alguém estivesse forçando os ponteiros do relógio a girar mais depressa.
Como já era tarde da noite, não houve nenhuma conversa entre nós ao entrarmos no elevador. Foi quando chegamos ao destino, o 12º andar, que Saheon abriu a boca novamente. Saí do elevador e fiquei olhando para o chão como um criminoso. Ouvi uma voz amigável atrás de mim.
—Entre. Me liga antes de dormir.
Em vez de responder, assenti instintivamente. Quando finalmente criei coragem para olhar para trás, Saheon ergueu de leve os cantos da boca em um sorriso suave. Meu hyung parecia absurdamente bonito naquele momento. Senti que as lágrimas iam voltar a qualquer segundo. Então entrei em casa como se estivesse fugindo.
Assim que a porta da frente se fechou, deslizei para baixo e sentei. A temperatura da porta fria subiu pela minha espinha. Agora que finalmente estava sozinho, tive que segurar as lágrimas que saíram com medo de que meu hyung, do lado de fora da porta, me ouvisse.
O som dos passos de Saheon, que parecia estar andando do lado de fora por um tempo, ficaram cada vez mais distantes. Cobri a minha boca com a mão para abafar os soluços insistentes e fechei os olhos. Logo ouvi o barulho da porta se abrindo e depois fechando.
Mesmo depois que meu hyung se foi, chorei sentado por muito tempo. Algo me fazia sentir como se eu tivesse engolido uma bola de fogo quente, que estava enchendo minha garganta e meu coração.
Senti como se meu coração estivesse sendo despedaçado. Quanto mais eu chorava, mais a dor aumentava; e quanto mais tentava sufocá-la, mais insuportável ela se tornava. Cerrei os dentes e suportei aquela dor esmagadora, com medo de que meus pais me ouvissem. Chorei até ficar completamente exausto. Encostado na porta da frente, acabei perdendo a consciência como se tivesse desmaiado ali mesmo.
Ainda era cedo na manhã seguinte quando abri os olhos novamente. Foi meu pai quem me acordou, surpreso ao me encontrar cochilando sentado na entrada enquanto tentava pegar o jornal.
— Lee Cheongmyeong! Por que você está dormindo aqui?
Meu pai, surpreso, falou quase gritando, mas mesmo no meio do meu espanto, eu tateei o chão da entrada atrás do meu celular. Embora minha cabeça atordoada não conseguisse pensar direito, minhas mãos pareciam saber o que fazer.
Meu celular, que estava com bateria fraca, marcava 6h30 da manhã. Depois de olhar para a hora com a visão turva, sem conseguir lembrar direito o quanto chorei e quando adormeci, abaixei a cabeça. Senti como se o meu corpo tivesse perdido toda a força por causa do desespero.
Novamente, lágrimas quentes escorreram dos olhos que eu achava já terem secado de tanto chorar inutilmente.
—Cheongmyeong, você está chorando?
Meu pai perguntou em tom preocupado, mas eu nem tive forças para responder.
Era o dia em que meu hyung partiria para os Estados Unidos. O voo era às sete da manhã, e ele disse que sairia de casa às quatro para se preparar com calma. Como um tolo, perdi até a chance de me despedir direito e acabei confessando tudo às pressas, sem nem conseguir aceitar que não veria meu irmão pelos próximos três anos.
“É um desastre completo.”
Só então pude lamentar livremente o fim do meu primeiro amor. Esse foi o desfecho do meu amor não correspondido por um homem tão doce quanto o açúcar. Era inverno. E os flocos de neve caíam silenciosamente do céu.
***
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar