Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 128 Online

. Capítulo 128
— Ai, que saco. Que tédio.
Bliss arremessou para longe a esponja com a qual vinha esfregando um dos bancos compridos de madeira com certa energia. A resolução pomposa de *”já que eu fiquei vadiando esse tempo todo, é melhor eu limpar isso aqui direito”* que ele havia formulado cheio de brio não durou sequer trinta minutos antes de desmoronar por completo. Após dar uma geral em um único banco e sentir suas forças se esgotarem, Bliss declarou sua total desistência diante do segundo assento, sem o menor pingo de remorso.
O lugar já estava coberto de poeira mesmo, quem se importa?
— Ah, cansei. Deixa para lá.
Chutando os utensílios de limpeza para qualquer canto, ele se jogou de costas e esparramou-se bem no banco que havia acabado de polir com tanto esmero. O santuário estava imerso em um silêncio absoluto. Ele já tinha ouvido falar que Cassian costumava se refugiar ali de vez em quando para ficar sozinho, e agora entendia perfeitamente o motivo. Aquele isolamento era o cenário perfeito para tirar uma soneca sem ser incomodado por ninguém.
*Hum…* Movendo a cabeça em aprovação, Bliss sentiu uma leve pontada de fome. Ele tateou os bolsos, pescou uma barra de cereal que havia trazido de precaução e ficou ali de bobeira, mastigando-a ruidosamente enquanto rolava de um lado para o outro. O tempo parecia passar em câmera lenta. Será que ainda faltava muito para virem buscá-lo? De barriga cheia e sem nada para fazer, o sono começou a rastejar de mansinho.
— *Uaaah…*
Após devorar duas barras de cereal — sendo que a embalagem jurava que apenas uma era suficiente por dia — e soltar um bocejo prolongado, Bliss começou a pescar. Ao longe, o som dos trovões misturava-se ao ruído constante da chuva que desabava. Era o clima perfeito para um sono pesado. Certamente alguém viria acordá-lo quando o prazo terminasse.
Fechando os olhos com total desleixo, ele se deixou levar pelo cansaço. Bliss mergulhou em um sono profundo em questão de segundos, mas, ao tentar mudar de posição no meio do descanso, acabou rolando direto para fora do assento estreito.
— Aaaah!
Soltando um grito reflexo com a queda, ele se sentou no chão e massageou as nádegas doloridas enquanto examinava os arredores. Os bancos eram estreitos demais para acomodá-lo com segurança. Sendo assim, o local ideal seria…
Bem naquele instante, seus olhos pousaram na estrutura do altar principal. Sem hesitar por um único segundo, Bliss rastejou para o vão sob o móvel e acomodou-se ali dentro. Um trovão estrondoso ecoou do lado de fora, mas o espaço sob o altar permanecia perfeitamente escuro, imune aos clarões dos relâmpagos. Bliss assentiu para si mesmo, plenamente satisfeito com a escolha.
“Perfeito.”
E, fechando as pálpebras novamente, ele adormeceu com total conforto.
* * * E agora, no presente momento.
Bliss mantinha os olhos semicerrados, movendo as pupilas freneticamente de um lado para o outro sob as frestas das pálpebras. Ele se lembrava perfeitamente de ter pegado no sono encolhido sob o altar, então como diabos havia parado ali? Diante da total incapacidade de processar o que havia acontecido no intervalo entre o sono e o despertar, ele limitou-se a revirar os olhos discretamente, até que Penelope de repente se inclinou na direção dele. Bliss forçou as pálpebras a se fecharem com força no mesmo milésimo de segundo.
— O choque psicológico deve ter sido severo demais — Penelope comentou, fitando a imobilidade do garoto. — Pensar que ele ainda não recuperou a consciência até agora…
Após uma breve pausa, a voz de Cassian cortou o silêncio:
— Eu realmente não deveria ter permitido que aqueles infelizes deixassem esta propriedade inteiros.
A entonação dele carregava um nítido ranger de dentes. De quem exatamente ele estava falando? Enquanto Bliss quebrava a cabeça tentando decifrar o enigma, Penelope interveio com um tom brando, buscando acalmar o patrão:
— Colocá-los para fora debaixo de um temporal daqueles já foi uma punição bastante severa, Conde. E o mais importante de tudo é que o jovem Bliss está salvo e sem nenhum ferimento.
“Hunf, vejam só… pelas minhas costas os dois me chamam de Bliss com total naturalidade.”
Bem no momento em que saboreava a confirmação de suas suspeitas intelectuais, Bliss foi pego de surpresa por um suspiro pesado vindo de Cassian. O Conde liberou o fôlego acumulado em uma lufada trêmula e murmurou:
— Se algo tivesse acontecido ao Bliss… eu realmente…
Diante daquela tonalidade de voz inédita, Bliss acabou abrindo as pálpebras milimetricamente por puro reflexo. Movendo os olhos com cautela para espiar o ambiente, ele vislumbrou Cassian sentado em uma cadeira ao lado da cama, com o tronco inclinado para a frente e o rosto completamente sepultado entre as palmas das mãos. Ele exibia uma fisionomia de pura agonia e, utilizando uma voz trêmula que Bliss jamais o ouvira adotar, deu sequência ao desabafo:
— O quão gélido aquele lugar devia estar? Os trovões ecoavam com tanta violência… O quão aterrorizado ele precisou ficar para sentir a necessidade de se esconder e se espremer debaixo daquele altar?
“Não, na verdade eu só entrei ali porque ia acabar caindo do banco de novo se continuasse dormindo nele. E o vão do altar tinha um ótimo apoio para as costas…”
— Mas o senhor mesmo mencionou que o jovem Bliss estava dormindo quando o encontrou — Penelope pontuou com sensatez.
Cassian rebateu instantaneamente, com a voz carregada de uma severidade defensiva:
— Ele com certeza desmaiou de exaustão após chorar copiosamente!
“Não, eu só estava com sono mesmo…”
— Olhe para o rosto dele, está completamente inchado. Isso é uma prova clara de que ele chorou até perder as forças.
“Não, isso é só o resultado de ter devorado duas barras de cereal e capotado logo em seguida…”
As conclusões de Cassian passavam quilômetros longe da realidade dos fatos, mas o timing para corrigi-lo já havia estourado há muito tempo. Seria um completo suicídio social abrir os olhos agora e anunciar: *”Ei, eu estava acordado o tempo todo, tá?”*. Sem outra alternativa, Bliss manteve a farsa do sono profundo com os olhos bem fechados enquanto Cassian continuava a ditar as ordens:
— Instrua o chefe de cozinha a manter uma refeição de prontidão para o exato momento em que ele acordar. Como ele passou horas sem receber nenhum alimento, deve estar faminto. Peça algo de fácil digestão e exija agilidade absoluta. Não sabemos a que momento o Bliss irá despertar.
“Na verdade, eu não estou com a menor pontada de fome. Eu já disse que comi duas barras de cereal inteiras…!”
Ele cogitou por uma fração de segundo se não seria melhor levantar de uma vez e interromper aquele mal-entendido, mas isso exigiria confessar o contrabando e o consumo das barras de cereal no santuário. Optando estrategicamente por manter o silêncio e a imobilidade, Bliss escutou a resposta de Penelope:
— Perfeitamente, Conde. Vou solicitar também uma ampla variedade de sobremesas. Como o estômago dele está vazio há muito tempo, opções mais leves e cremosas serão ideais. Já tenho alguns pratos em mente e vou transmitir as coordenadas imediatamente.
Dito isso de forma célere, a governanta retirou-se dos aposentos às pressas. Após o som de passos apressados e o ruído da porta se fechando, o silêncio finalmente reinou no recinto.
Ele estava oficialmente a sós com Cassian.
Bliss engoliu em seco, tensionando ainda mais as pálpebras fechadas para garantir o disfarce.
37. A atmosfera no quarto era de uma quietude absoluta. Cassian permanecia estático em sua cadeira, com os olhos fixos na figura de Bliss, que continuava entregue a um suposto sono profundo sem esboçar o menor sinal de despertar.
*Haaah…*
Mais um suspiro denso e carregado de frustração escapou por seus lábios. “Seu imbecil desgraçado”, ele praguejou mentalmente, direcionando a ofensa a si mesmo. “Tudo isso é culpa sua, seu verme. Você já quase causou a morte do Bliss duas vezes. Está satisfeito agora? É isso o que você queria?”
— Seu bosta de merda… — sussurrou ele, desferindo o pior insulto que conseguiu formular contra si próprio.
*— Haaah! —* No exato milésimo de segundo em que aquela blasfêmia ecoou, um sobressalto audível quebrou o silêncio.
Girando a cabeça de forma reflexa na direção do som, Cassian deparou-se com os olhos de Bliss escancarados, fitando-o diretamente.
Bliss havia acordado?
Cassian piscou os olhos repetidas vezes, completamente em choque. Uma mistura violenta de alívio, surpresa e culpa fluiu por seu peito, fazendo sua mente nublar por um instante, mas uma dúvida logo ganhou espaço: por qual motivo o garoto o encarava com aquela expressão específica?
“Meu Deus, ele está completamente furioso!”
Por outro lado, Bliss — que havia se assustado tanto com aquele palavreado de baixo calão inédito a ponto de esquecer completamente o personagem do “belo adormecido” e deixar um suspiro ruidoso escapar — agarrou o lençol da cama com força, tremendo da cabeça aos pés. Será que o Conde estava irado porque precisou ir buscá-lo debaixo da tempestade enquanto ele estava lá, dormindo de pernas para o ar? Ou será que ele havia descoberto que Bliss estava apenas fingindo? Mas precisava mesmo apelar para um xingamento tão pesado assim?!
— Bliss.
Cassian pronunciou o nome do garoto com doçura e ergueu-se da cadeira de forma lenta. Bliss engoliu em seco mais uma vez antes de finalmente forçar as cordas vocais a trabalharem:
— S-Sim… *Cof, cof.*
Ele tentou responder de forma firme, mas sua garganta encontrava-se tão seca que o som saiu completamente rachado e falho, sendo interrompido por uma sequência de tosses secas. Diante disso, Cassian moveu-se com agilidade para buscar um copo de água.
— Aqui, beba um pouco.
Deslizando o braço por trás dos ombros de Bliss para amparar suas costas e elevando o copo delicadamente contra os lábios do garoto, a conduta de Cassian transbordava uma gentileza extrema. “Por que ele está agindo de forma tão dócil se estava me xingando com termos tão pesados há poucos segundos?”, Bliss questionou-se, tomado por uma mistura de perplexidade e desconfiança. Ele lançou um olhar semicerrado para o Conde, e seus olhos acabaram se cruzando no processo.
— Você está se sentindo bem?
A tonalidade da voz continuava perfeitamente mansa. Ainda atordoado com o contraste, Bliss limitou-se a assentir com a cabeça.
— Sim, estou bem agora… Obrigado.
— Que bom.
Exibindo um sorriso brando diante daquela resposta dócil, Cassian acomodou Bliss de volta contra o travesseiro com o máximo de cuidado. Ele fez questão de puxar o lençol até a altura do queixo do garoto e desferiu alguns tapinhas leves sobre a região do peito, adotando logo em seguida uma fisionomia absorta em pensamentos. Ele parecia mergulhado em um dilema de extrema gravidade até que, parecendo tomar uma resolução definitiva, quebrou o silêncio:
— Sobre o que aconteceu mais cedo no santuário…
— S-Sim?
Bliss tencionou os músculos do corpo, concentrando toda a sua atenção no que viria a seguir. Cassian hesitou por uma fração de segundo, escolhendo as palavras com clara dificuldade antes de prosseguir:
— Meus funcionários agiram de má-fé com você. Hum… Parece que a intenção deles era… pregar uma peça em você, por assim dizer.
“Qual seria a melhor forma de explicar isso sem ferir os sentimentos dele?” Cassian pensou, preocupado. Descobrir que havia sido alvo de uma armadilha maldosa sem qualquer justificativa plausível certamente seria um golpe duro para a estabilidade emocional do garoto. Buscando monitorar cada microexpressão de Bliss, ele continuou:
— Você não tem a menor parcela de culpa nisso. Apenas deu o azar de cruzar o caminho de indivíduos de índole questionável. Foi uma mera infelicidade…
Contemplando os esforços monumentais do homem para suavizar a realidade e poupá-lo do impacto, Bliss limitou-se a piscar os olhos de forma estática por alguns instantes, até que a ficha finalmente caiu em sua mente.
— Pregar uma peça? Eles tentaram fazer bullying comigo?
Eu nem tinha reparado!
Diante da reação genuinamente sobressaltada de Bliss, foi a vez de Cassian exibir uma feição de surpresa.
— Você não tinha se dado conta disso?
— Nem de longe.
Admitindo o fato com total honestidade, Bliss levou a mão ao queixo e começou a massageá-lo enquanto murmurava para si mesmo:
— Entendi… Então este é o famoso bullying britânico… Quer dizer que eu fui a vítima da vez.
Cassian fixou o olhar nas feições do garoto de forma obstinada e questionou com extrema cautela:
— Isso não deixou você magoado?
Em resposta, Bliss inclinou a cabeça para o lado, exibindo uma genuína expressão de dúvida:
— Magoado? Eu? Por qual motivo?
— Bem… porque… — Desta vez, foi Cassian quem perdeu o rebolado. — O fato de eles terem arquitetado isso de propósito significa, bem… que eles não nutriam muita simpatia por você.
Ao ver o Conde buscar uma rota alternativa para não ser tão direto, Bliss assentiu com a cabeça, demonstrando ter compreendido a lógica.
— Bom, é matematicamente impossível agradar a todo mundo, não é?
Para a total surpresa de Cassian, a postura do garoto era de absoluta indiferença. “Será que ele está apenas sustentando uma fachada de fortaleza para não desabar?”, o Conde questionou-se, mantendo os olhos atentos à fisionomia alheia enquanto insistia no ponto:
— Mas eles deliberadamente trancaram você lá dentro para sofrer.
“Aquilo era para ser um sofrimento?” Bliss semcerrou os olhos, achando graça da situação. Fazê-lo limpar um punhado de bancos de madeira era o ápice da maldade britânica? Aqueles criados realmente possuíam um repertório de vilania muito limitado.
— Está tudo bem — Bliss respondeu, projetando o queixo para a frente com uma clara conotação de superioridade. — Indivíduos que ostentam um brilho próprio estão fadados a despertar a inveja e o despeito dos medíocres. Afinal de contas, esse é o fardo inevitável que todo protagonista precisa carregar, não acha?
Cassian arregalou os olhos sutilmente, encarando a figura esparramada na cama. Ele jamais, em toda a sua vida, seria capaz de prever uma linha de raciocínio daquela natureza. Como ele havia deixado aquele detalhe passar batido? A resposta esteve diante de seus olhos o tempo todo.
— *Pfft… Ahaha!*
De forma abrupta, uma gargalhada genuína e sonora escapou pelos lábios de Cassian. Embora Bliss o encarasse com uma expressão completamente confusa e desorientada, o Conde simplesmente não conseguia conter o riso.
Sim, não havia a menor dúvida. Aquele era, em sua essência mais pura, o legítimo Bliss Miller.
• Continua…
• Raws, Revisão & Tradução: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.