Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 126 Online


Modo Claro

Capítulo 126

O sol já começava a se deitar lentamente no horizonte. Contemplando o céu tingido em tons de dourado e laranja, Penélope soltou um suspiro entusiasmado. Huuuh. Finalmente havia chegado o grande momento.
Desde o instante em que recebera as ordens diretas de Cassian até agora, ela vinha incitando e liderando os funcionários sem um segundo de descanso, correndo contra o tempo apenas para que tudo estivesse perfeito a essa hora. Todas as velas da sala de jantar principal haviam sido acesas, uma quantidade de flores várias vezes maior que o habitual fora encomendada e distribuída pelos arranjos, e até mesmo as louças de porcelana fina — aquelas reservadas estritamente para ocasiões de gala — foram retiradas dos armários. O chefe de cozinha principal e o mestre confeiteiro haviam quebrado a cabeça para estruturar um menu impecável sob as diretrizes do patrão, e os ajudantes de cozinha andavam de um lado para o outro sem fôlego para garantir o sincronismo dos pratos.
E agora, finalmente, o ponteiro do relógio marcava a hora exata.
Penélope caminhava com passos leves e saltitantes na direção dos aposentos de Bliss. Enquanto os dois desfrutassem de um jantar calmo e intimista, o restante dos funcionários — sob as instruções prévias dela — estaria ocupado ornamentando e preparando o quarto de Cassian. A tão aguardada primeira noite de reconciliação estava prestes a acontecer…!
— Bliss, Blisss… — chamou ela com a voz mais doce e melodiosa que conseguia formular, desferindo batidas suaves contra a madeira. — Bliss, sou eu. A Penelope. Poderia abrir a porta só por um instante?
Ela colou a orelha levemente contra a superfície, mas o silêncio que vinha do lado de dentro era absoluto. Será que o garoto havia chorado até exaurir suas forças e acabado caindo no sono? Tomada por uma onda de profunda comiseração pelo jovem, Penélope levou a mão à maçaneta com delicadeza. Ela pretendia consolá-lo com palavras brandas e conduzi-lo sem pressa até o salão. Mesmo que se atrasassem um pouco, não haveria problema; o Conde com certeza seria compreensivo e, ponderando sobre o que o próprio Bliss havia aprontado com o noivo no jardim, aquele pequeno chá de cadeira no quarto servia como um castigo mais do que justo.
— Bliss, estou entrando, tudo bem?
Após pedir permissão formalmente, Penélope girou a maçaneta e empurrou a porta. Ela já havia mentalizado a cena de Bliss deitado de bruços na cama, ferrado no sono, mas a realidade que se revelou diante de seus olhos foi drasticamente oposta.
— Hum?
Deixando uma exclamação de surpresa escapar pelos lábios diante da porta aberta, Penélope piscou os olhos repetidas vezes, num sobressalto. Contudo, a imagem estática diante dela não se alterou. A cama encontrava-se perfeitamente vazia. Na verdade, não havia o menor sinal da presença de Bliss em nenhum canto daquele cômodo.
— B-Bliss? Por acaso você está brincando de esconde-esconde comigo?
Embora tenha tentado forçar uma risada descontraída enquanto verbalizava aquela suposição absurda, o único retorno que obteve foi o eco de seu próprio vazio. Tomada pelo pânico, Penélope passou a vasculhar freneticamente cada centímetro do quarto. Ela vistoriou inclusive o banheiro privativo — uma regalia instalada exclusivamente no quarto de Bliss, ao contrário dos aposentos dos demais criados —, mas o resultado foi o mesmo.
Não estava lá.
Com as feições completamente pálidas e desprovidas de sangue, ela levou as duas mãos à cabeça em um gesto de puro desespero.
Bliss havia sumido!
Uma melodia clássica e suave ecoava pelas paredes da sala de jantar principal. Cassian mantinha a postura perfeitamente ereta em sua cadeira, aguardando o retorno de Penelope. Embora o processo estivesse demandando mais tempo do que o estipulado, ele não se importava. Provavelmente a governanta estava empenhada em convencer o garoto, que devia estar fazendo birra e se recusando a colocar os pés para fora do quarto.
Imaginar Bliss cruzando aquela porta com os olhos inchados de choro e uma feição emburrada provocava em Cassian uma mistura de pena e um profundo sentimento de ternura. Ele recostou-se na cadeira de forma descontraída, cruzou os dedos de ambas as mãos e os acomodou sobre o abdômen.
“Hoje, não importa o tamanho do absurdo que aquele tampinha venha a falar, eu vou apenas escutar em silêncio.”
Ele cerrou os olhos e inspirou profundamente, buscando estabilizar seus pensamentos. Em sua mente, a imagem daquela capivara ensandecida correndo pelos quatro cantos da sala de jantar enquanto cantarolava por conta própria “O Conde Heringer é caaaído por mim, ele gosta de mim” surgiu de forma vívida, mas ele apenas sorriu internamente. Pelo menos no dia de hoje, ele estava disposto a abrir uma imensa concessão para qualquer que fosse a excentricidade do garoto.
No entanto, a lembrança repentina da feição desolada e decepcionada que Bliss exibira naquele fatídico dia atravessou sua mente como um raio, fazendo com que ele abrisse os olhos em um sobressalto. Huuu. Deixando um suspiro pesado escapar pelos lábios de forma involuntária, Cassian corrigiu a postura e forçou o relaxamento de seus ombros tensos.
“Sim, é infinitamente melhor aguentar as travessuras dele.”
Foi bem no instante em que firmava esse compromisso consigo mesmo que um som abafado de passos apressados começou a ecoar ao longe. O que era aquilo? Cassian franziu o cenho e fixou o olhar na direção da entrada. Se fosse o som de Penélope conduzindo Bliss, o ritmo jamais seria tão frenético e desordenado. Passos carregados daquela urgência raramente eram portadores de boas novas. Diante do pressentimento sombrio que começou a ganhar forma em seu peito, o som estancou abruptamente do outro lado da porta e, logo em seguida, a voz da governanta se fez ouvir:
— Conde, é a Penelope. Estou entrando.
Embora o tom de voz parecesse o habitual, havia um leve tremor camuflado sob as palavras. Sem conseguir decifrar se aquela oscilação era fruto de uma mera falta de ar pela corrida ou de algo muito mais grave, a porta se abriu e ela cruzou o umbral. Cassian correu os olhos de forma instintiva pelos arredores da mulher, e o vinco entre suas sobrancelhas tornou-se ainda mais profundo e severo. Bliss não a acompanhava. Quando ele redirecionou o foco para a fisionomia de Penelope, deparou-se com uma expressão cadavérica e um relatório devastador:
— O jovem Bliss desapareceu.
No exato milésimo de segundo em que aquelas palavras foram proferidas, Cassian experimentou, pela primeira vez na vida, a sensação de ver sua mente ser completamente esvaziada enquanto seus olhos permaneciam estáticos, fitando o nada.

36.

Bliss — ou melhor, Blair — havia desaparecido.
A residência do Condado de Heringer transformou-se instantaneamente em um verdadeiro cenário de guerra. O Conde esgoelava-se pelos corredores, disparando ordens coléricas para que encontrassem o garoto sem um segundo de atraso, e os funcionários, aterrorizados diante da fúria avassaladora do patrão, corriam desesperados vasculhando cada milímetro da propriedade.
— Não há o menor sinal dele, Conde. Em lugar nenhum — relatou Penélope ao retornar cerca de duas horas mais tarde, exibindo uma fisionomia completamente pálida.
Para Cassian, aquela declaração soou como se o próprio céu estivesse desabando sobre sua cabeça. Como aquilo era possível? Para onde diabos Bliss teria ido?
Aquilo simplesmente desafiava qualquer lógica. O garoto com certeza nutria sentimentos profundos por ele; por qual motivo resolveria sumir daquela forma tão repentina? E pior, sem se dar ao trabalho de deixar um bilhete de despedida ou um adeus informal? Sem sequer olhar em seus olhos uma última vez.
— Que inferno! — praguejou ele entre os dentes, passando os dedos entre os fios de cabelo de forma frenética e irritada. Será que o moleque estava novamente envolvido em algum encontro secreto com aquele sujeito? — E os jardins?!
— Perdão? — Penélope indagou, sobressaltada pela abordagem abrupta.
Cassian elevou o tom de voz de forma ríspida, repetindo a instrução com clara impaciência:
— Eu estou perguntando se vocês já vasculharam toda a extensão dos jardins! Os jardins!
— Ah, sim… Nós verificamos aquela área primeiro, com certeza…
— Pois verifiquem novamente!
Diante do grito categórico de Cassian, ela hesitou por um breve instante antes de murmurar um “sim, senhor” e retirar-se do cômodo mais uma vez. Tomado pelo impulso da raiva, Cassian teve de exercer um autocontrole monumental para não arremessar e despedaçar o primeiro objeto que visse pela frente; em vez disso, forçou-se a respirar fundo. Do lado de fora das vidraças, nuvens pesadas e escuras começavam a tomar conta do céu. A chuva intermitente que assolava a região parecia prestes a desabar em um novo temporal. O real problema era que, no presente momento, ele não fazia a menor ideia de onde Bliss se escondia.
“Se ele acabar pegando uma tempestade dessas e desenvolvendo uma pneumonia…”
Se isso acontecesse, ele faria questão de caçar aquele noivo bastardo e espancá-lo até a morte, sem se importar com linhagens ou títulos. Ousar promover encontros clandestinos com Bliss bem debaixo de seu nariz já era uma audácia sem tamanho, mas expor uma criatura tão pequena e frágil a ponto de fazê-la adoecer era imperdoável.
“Não posso ficar aqui parado.”
No exato momento em que um clarão cortou as nuvens e o estrondo violento de um trovão reverberou pelo cômodo, Cassian abandonou qualquer hesitação. Ele avançou em direção ao cabideiro e pegou seu sobretudo em um movimento brusco. Seria infinitamente melhor se ele próprio liderasse as buscas. Os funcionários poderiam facilmente deixar passar batido algum esconderijo que apenas ele seria capaz de cogitar.
— Penelope, que… — ele começou a chamar a governanta por puro hábito, mas estacou no meio da frase ao lembrar-se de que havia acabado de enxotá-la do quarto sob gritos. Soltou um suspiro de autocensura.
Não havia alternativa. Ele apressou os passos para deixar a residência, mas acabou paralisando o movimento de forma abrupta. Na extremidade oposta do corredor, o vislumbre de algumas sombras pareceu oscilar por um breve instante antes de sumir de vista. Seria o garoto? Movido por uma mistura violenta de esperança e ansiedade que fazia seu peito oscilar, ele abafou o som de seus passos e aproximou-se do local com extrema cautela.
Se realmente fosse ele…
Ao mesmo tempo em que ensaiava o sermão colérico que aplicaria no garoto por fazê-lo passar por aquele teste cardíaco, uma parte de seu coração implorava silenciosamente para que fosse de fato Bliss, sentindo-se genuinamente grato caso o visse ali sã e salvo. Foi nesse exato momento que um sussurro abafado chegou aos seus ouvidos:
— Eles ainda estão procurando por ele?
À indagação feita por uma voz masculina, uma voz feminina respondeu logo em seguida:
— Sei lá. A gente só tá fingindo que tá procurando mesmo, tanto faz.
Uma terceira voz apressou-se em pegar carona no assunto:
— Eu fui direto para o meu quarto tirar um cochilo e só saí de lá agora.
— Eu também, keke.
Após uma série de risadinhas abafadas, a primeira voz voltou a questionar:
— Mas afinal, qual é a desse garoto? Por que o Conde tá fazendo todo esse espetáculo atrás desse moleque?
— Não passa de pura formalidade, com certeza. A Penélope trabalha aqui há uma eternidade, então o patrão deve estar fazendo esse teatro todo só para não ficar chato para o lado dela.
— Ah, então é só para inglês ver?
— Exatamente. Por isso mesmo que ninguém precisa se matar de trabalhar nessa busca.
A voz masculina inicial retomou a palavra:
— Vamos só enrolar e matar o tempo por aí. Se a gente fingir por umas duas horas, já tá bom.
— É, até lá aquele moleque já deve ter tomado um choque de realidade.
— A essa hora ele já deve estar morrendo de medo e chorando as pitangas em algum canto, não acha?
— “Socorro, alguém me salva, por favor!”
— Será que os ianques também falam assim? Ou será que é mais tipo: “Mee salva, pelo amoor de Deuus!”?
Diante da imitação caricata feita por um deles, o grupo explodiu em uma gargalhada uníssona e estrondosa. Eles continuavam imersos naquele clima de total diversão e deboche… até que um dos integrantes do grupo girou o corpo de leve enquanto limpava uma lágrima de riso no canto do olho, e congelou instantaneamente.
— E-Ei… Olhem ali…
Diante do gaguejar assustado do companheiro, os demais funcionários redirecionaram seus olhares um a um para a mesma direção, e o efeito de paralisia se espalhou pelo grupo como uma epidemia. As expressões que até poucos segundos exibiam sorrisos escancarados empalideceram por completo, transformando-se em fisionomias petrificadas de puro terror. Somente quando o silêncio mortal se estabeleceu no corredor é que Cassian finalmente abriu a boca:
— Eu gostaria muito que alguém se desse ao trabalho de me explicar o que exatamente eu acabei de escutar aqui.

 

 

• Continua…

• Raws, Revisão & Tradução: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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