Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 209 Online

Tudo ao redor de Eileen se despedaçou, o mundo colapsando como um espelho. A visão dele se partindo em fragmentos era surreal, quase bonita. Os estilhaços afiados caíam sobre ela e, embora as pontas estivessem voltadas em sua direção, não hesitou. Em vez disso, estendeu a mão, sentindo uma dor aguda como a de um espinho perfurando seu dedo ao tocar um fragmento do mundo em ruínas.
No mesmo instante, um novo mundo surgiu.
Eileen encarou a cena, incapaz de compreender o que seus olhos viam. Um campo de lírios, exuberante e perfumado, se estendia diante dela. No meio dele, uma versão jovem de si mesma, não passando de uma criança, caminhava com o rosto trêmulo. O olhar de Eileen se desviou da garotinha para o homem por quem ansiava, aquele que procurara em seus sonhos.
— Cesare… — murmurou, seu nome um sussurro em seu coração.
A cena do passado distante se repetia. Mas, desta vez, era diferente. Em sua memória, ela estivera sozinha. Agora, porém, Cesare estava ali. Ele correu em direção à garotinha, puxando-a para seus braços, suas mãos tremendo enquanto a segurava junto a si. A pequena Eileen, surpresa por um momento, caiu em lágrimas e o abraçou de volta. Ele a apertou com força, sua respiração ofegante enquanto a confortava, suas palavras suaves e gentis.
Eileen observava de lado, um fantasma em sua própria memória. Nem o Cesare de dezessete anos nem a Eileen de dez percebiam sua presença.
Após um longo momento, Cesare levantou a cabeça.
“Vamos fechar os olhos por um instante?” — sussurrou, sua voz doce como mel.
A jovem Eileen obedeceu, apertando os olhos com força. E Cesare tirou uma arma do casaco e atirou na própria cabeça.
O disparo ecoou, e o mundo se despedaçou.
Eileen, que estivera paralisada, finalmente soltou um grito agudo. Não queria vê-lo morrer, nem mesmo em uma ilusão.
‘Por que estou sendo forçada a assistir isso?’
Nenhuma resposta veio. Em vez disso, o mundo lhe mostrou outro cenário.
Novos mundos surgiam e eram destruídos em um ciclo de repetição infinita. Os acontecimentos eram sempre os mesmos: Cesare, em diferentes idades, dizia a uma versão igualmente variada de Eileen para fechar os olhos, e então tirava a própria vida. Às vezes com uma arma, às vezes com uma faca.
Eileen o viu morrer repetidas vezes, gritando e lutando, mas sem poder interferir. Neste mundo, ela era apenas uma observadora, forçada a testemunhar suas mortes sem fim. Cada uma delas era uma nova onda de dor. Ela sequer tinha tempo de se recuperar de uma morte antes de outra lhe ser imposta. Implorava para morrer em seu lugar, mas os mundos eram um espelho cruel e implacável.
A mudança veio após incontáveis mortes.
“Por favor… Sinto muito, mas poderia me emprestar algum dinheiro? Eu pago de volta, eu juro.”
A cena era ela, implorando por dinheiro para pagar o funeral de sua mãe.
Cesare agarrou-a pelo pescoço e, com um movimento rápido, o quebrou.
A primeira emoção que sentiu ao assistir à própria morte foi uma alegria pura e genuína. Finalmente era ela quem estava morrendo, não ele.
Mas a reação de Cesare foi estranha. Ele simplesmente segurou seu corpo morto, seu rosto vazio, sua respiração irregular, como se algo dentro dele tivesse se partido.
Enquanto observava, um novo mundo apareceu, um que não lembrava. Era um lugar mergulhado em escuridão, e nele, Cesare segurava o relógio de bolso que ela lhe dera. Os ponteiros, que estavam nas doze horas, se moveram para uma hora.
Eileen finalmente entendeu.
Ela estava testemunhando a provação que o deus impusera a Cesare, a ilusão infernal que ele suportara.
Felizmente, Cesare havia percebido o truque e mudado sua abordagem. Começou a matá-la em vez de a si mesmo, sempre com as próprias mãos, como se quisesse garantir que mais nada a tocasse. Eileen sentiu uma onda de alívio. Se a matasse sete vezes, escaparia da ilusão. Ela rezou desesperadamente para que ele tivesse sucesso.
Mas por que o homem parecia sofrer mais agora do que quando tirava a própria vida?
Uma sombra escura recaía sobre seus olhos carmesim, olhos que jamais haviam demonstrado medo ou hesitação. A mão que quebrara seu pescoço com tanta facilidade agora se movia lentamente, carregada de hesitação palpável.
A quarta, quinta, sexta morte… ele ficava cada vez mais angustiado. Hesitava em matá-la e começou a agir de maneiras que ela não reconhecia.
Eileen não conseguia entender por que o homem estava vacilando. Ele sabia que tudo era falso. Era mais racional do que qualquer outra pessoa. O medo de que ele fizesse a escolha errada a consumia.
Ele tinha continuar matando-a. Precisava.
E então veio a última vez, a sétima.
Algo estava errado.
Era uma cena que ela não lembrava. Uma guilhotina estava na praça da cidade. E a multidão imensa vibrava, suas vozes cheias de uma alegria louca enquanto a prisioneira condenada era trazida. Eileen estremeceu, o rugido da multidão a esmagando.
Era ela.
Uma versão de si mesma, pálida como um fantasma, caminhando em direção à morte.
Eileen recuou, estremecendo sob o rugido da multidão.
Ela olhou para a condenada e perdeu o fôlego.
Isso não era uma memória. Mas não havia tempo para questionar. Ela olhou ao redor, seus olhos arregalados de terror.
‘Por favor. Por favor, não deixe que seja isso. Por favor, que minhas suspeitas estejam erradas.’
Mas nunca estavam.
Ela o encontrou.
Cesare estava ali, observando sua versão ilusória caminhar em direção à guilhotina.
— É falso! — Eileen gritou. — Cesare, isso é apenas uma ilusão! Não sou eu de verdade!
Mas sua voz não o alcançou.
Ela gritou em seu ouvido, bloqueou seu caminho, agarrou seu braço. Tudo foi inútil.
Seu olhar estava fixo na guilhotina.
Aquela era sua última provação. Se apenas suportasse aquilo, tudo acabaria. Ele estaria livre.
Ele sabia disso melhor do que ninguém. Ele sabia que era o truque do deus.
— Não! Cesare!
O homem deu um passo à frente, atravessando-a como se ela fosse um fantasma, e correu em direção à guilhotina.
Ele escolheu salvar a ilusão.
Escolheu aprisionar a si mesmo dentro dela.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui