Ler No fim do inverno – Capítulo 22 Online

Noite Longa
Os lábios estavam firmemente fechados como uma concha. Ao ver isso, Johannes engoliu uma risada vazia por dentro.
Observando a mulher excessivamente nervosa, ele ficou profundamente preocupado sobre como lidar com aquilo.
A carta que havia desdobrado na noite anterior passou por sua mente. Algo que talvez fosse melhor não saber, mas que fazia sua cabeça arder só de imaginar não saber.
Apesar dos pensamentos complicados, um sorriso suave permanecia em seus lábios.
— Você está linda.
Como se a convidasse para beber, Johannes ergueu levemente sua taça num gesto de brinde. Eunice instintivamente seguiu o gesto e levantou sua taça dourada.
Quando ele a inclinou demonstrativamente aos lábios, ela o imitou. Durante todo o gole que tomou de uma vez, seus olhos permaneceram fixos em Eunice.
Após esvaziar a taça primeiro e colocá-la de lado, os olhos verdes de Eunice, presos aos dele como se estivessem cativos, desapareceram sob as pálpebras. Com os olhos fortemente fechados, ela apressou-se em esvaziar a sua.
‘Ela não parece lidar bem com bebida.’
O álcool nórdico é forte. Seu propósito principal era aquecer o corpo para superar ou esquecer o clima frio.
Normalmente, ele teria impedido que ela bebesse, mas…
[Para minha amada Eunice.]
Foi curiosidade ou uma intuição instintiva?
No momento em que viu o nome Kallian, Johannes abriu a carta enrolada sem que ninguém o impedisse. E descobriu algo que não queria saber.
[Eunice, sofro a sua ausência aqui no território de Pavlone.]
Eles estavam apaixonados? Mas, até onde sabia, Tranche já tinha uma princesa herdeira. Então talvez mantivessem um relacionamento secreto.
Diferente de sua cabeça, que queimava em preocupação, seus olhos azuis deslizaram lentamente dos lábios de Eunice tentando engolir a bebida forte, passando pelo decote, seus seios arredondados, a barriga plana abaixo e suas pernas brancas modestamente unidas.
Seu olhar, que desceu até os dedos dos pés, retornou subitamente ao rosto. Bem naquele instante, seus olhos se encontraram quando ela terminou de esvaziar a taça.
— Ah.
Ele pegou o objeto de sua mão e a jogou descuidadamente atrás de si. A taça dourada quicou no chão com um ruído alto. E antes que o som pudesse cessar, Johannes devorou seus lábios como se fosse saltar sobre ela.
O aroma doce misturado ao álcool forte fez sua cabeça girar.
Talvez fosse porque não dormira bem na noite passada. Ou talvez estivesse levemente embriagado por permanecer tão alerta.
Quando empurrou a língua para abrir seus lábios, Eunice não resistiu apesar de não saber o que fazer. Embora seu corpo tremesse delicadamente, ela permitiu voluntariamente que ele entrasse em sua boca.
Para impedi-la de escapar para qualquer lugar, ele apoiou sua nuca com uma das mãos e continuou a entrelaçar sua língua mais profundamente, explorando cada dente. Como se estivesse constantemente lembrando a si, que mesmo que o coração dela estivesse em Tranche, o corpo era seu.
— Haah…
Um gemido suave, capaz de interromper a razão, soou em seu ouvido através dos lábios brevemente separados.
Seu sangue esquentou instantaneamente. Quando pressionou o corpo contra o dela, o corpo esguio de Eunice desabou sobre a cama. Seus cabelos dourados, que lembravam a luz do sol, espalharam-se como ondas.
Olhos verdes tremiam perigosamente. Um corpo enrijecido pela tensão. Um rosto corado como se estivesse dominado. Lábios suculentos tremendo como um passarinho, cobertos com sua saliva.
A mulher deitada debaixo dele era terrivelmente linda.
Com aquele rostinho bonito, ela não estaria pensando em outro homem, estaria? Se estivesse, ele a levaria ao limite para que não pudesse pensar em mais nada.
Mesmo ao posicionar-se entre suas pernas, sua mente permanecia um caos por causa do conteúdo daquela carta sincera.
[Estou com uma saudade insuportável de você.
Não consigo acreditar que já não estamos sob o mesmo céu de Tranche. Você sempre esteve aqui quando eu vinha para St. Laurent, mas agora não consigo ver seu belo rosto quando venho.
Não consegui dormir direito nem por um único dia ultimamente.
Eunice, encontrarei uma maneira. Agora que a Terra da Morte foi desbravada, deve haver um jeito, seja você vindo me ver ou eu indo até aí.]
Falando em encontrar um jeito. Aquele maldito desgraçado.
Uma carta de amor para uma mulher que veio se sacrificar pela aliança entre dois países. E escrita tão descuidadamente.
O príncipe herdeiro não tinha cérebro? Ou estavam tão cegamente apaixonados que ignoravam todas as consequências?
De qualquer forma, um homem não conseguia dormir porque Eunice não estava ao seu lado, e outro não conseguia dormir porque Eunice estava ao seu lado.
Johannes, que havia começado a sofrer de insônia desde o dia anterior, não sabia como se livrar daquela sensação pegajosa de derrota que se agarrava ao seu coração. Embora mantivesse uma aparência externa com notável autocontrole, por dentro ele se debatia no fogo do inferno.
— Mmm…
Quando abaixou o corpo para buscar novamente os lábios dela, um gemido sensual escapou por entre seus lábios.
Depois de sugar levemente seu lábio inferior e então puxá-lo para si, ela moveu o corpo, sem saber o que fazer. Quando o homem pressionou suavemente o peso sobre o dela, seu tremor foi transmitido em detalhes.
Ela estaria suportando por um senso de dever, apesar de estar assustada? Mesmo assim, ele não queria parar.
Os lábios macios como mel eram viciantes. Sua pele lisa e sensível ainda mais. Quando enterrou o rosto em seu pescoço e respirou fundo, um aroma doce e inebriante invadiu profundamente seus pulmões.
— Huh!
O corpo de Eunice estremeceu e sua cintura arqueou.
‘Então esse lugar é sensível.’
Tendo aprendido uma informação íntima, Johannes explorou o corpo desconhecido, branco e sensível, em busca de outras descobertas.
Quando sua mão, que subia e descia pela coxa, deslizou para dentro, veio novamente a reação que desejava. Seus lábios desciam da clavícula em direção aos seios macios e abundantes.
— Majestade, espera. Só um momento…
Foi então que uma voz urgente soou em seu ouvido. Seu humor afundou instantaneamente.
‘Majestade…?’
Embora fosse um título ao qual ele estava acostumado a ouvir, naquele momento parecia definir o relacionamento entre ele e Eunice. Sentindo que sua expressão poderia se distorcer, Johannes abaixou ainda mais a cabeça.
Quando o homem que havia parado momentaneamente pressionou seus lábios novamente, Eunice agarrou seu ombro delicadamente. O corpo de Johannes estremeceu.
— Majestade, por favor… vá devagar.
— Por quê?
Ao ouvir aquele tom que questionava por que deveria fazê-lo, os olhos de Eunice se arregalaram. Um brilho úmido brotou em seus olhos verdes que tremiam delicadamente.
Isso era um desastre. Sua cabeça já estava manchada pelo ciúme há muito tempo, e seu pau estava duro, o que fazia o homem se sentir um lixo.
— Se você já está passando por dificuldade só com isso antes de uma noite longa, o que vai fazer depois?
— Não estou passando por dificuldade. É só que… é minha primeira vez…
Ele notou sua garganta fina engolindo em seco. Logo, Eunice respirou fundo silenciosamente como se reunisse coragem e envolveu seus braços em torno de seu pescoço. Seu peito subia e descia intensamente.
— …
Era uma sensação miserável. Depois de dizer para ela não agir como uma refém. E ficar absurdamente irritado porque Eunice obedecia às malditas ordens de Wilhelm II.
No fim, o fato de agir de maneira tão egoísta assim, mesmo chateado porque Eunice tratava a relação deles como um dever, significava que ele também estava explorando a posição desigual daquele casamento estratégico.
‘Sou um bastardo patético.’
Mesmo enquanto lançava insultos duros, Johannes zombou de si mesmo por saborear o toque desajeitado, mas sincero, de Eunice.
Ela exalou, trêmula, mordeu o lábio inferior com força e então o beijou. E no meio de tudo isso, o corpo do homem queimava de tesão.
Estava louco? Ou apenas inconsequente?
De repente, se perguntou o que o tornava diferente de Kallian. Pelo menos em termos de perder a cabeça por uma mulher, eles pareciam ter algo em comum.
Ele queria jogar todos os pensamentos aos cães e agir apenas por instinto, mas…
— Majestade?
Johannes ergueu a parte superior do corpo e tirou os braços que estavam ao redor de seu pescoço. Uma expressão de confusão cruzou o rosto de Eunice.
Será que ela percebeu que estava tremendo como uma oferenda sacrificial?
Na verdade, ele queria abraçá-la avidamente. Queria acalmá-la suavemente enquanto sentia medo, confortá-la enquanto sofria, enxugar as lágrimas em seus olhos com seus lábios e possuir a mulher chamada Eunice completamente em cada canto o quanto desejasse. Queria preenchê-la totalmente consigo mesmo.
Mas…
— Eu não gosto desse jeito.
Sem conseguir pensar numa desculpa adequada, ele simplesmente deixou escapar o que veio à mente. Seu pomo de adão pronunciado moveu-se intensamente como uma onda.
Ele ajeitou cuidadosamente sua saia que havia subido até a cintura, o rosto de Eunice agora estava tingido de vergonha e constrangimento. Observando novamente, seu corpo inteiro, incluindo braços e pernas, estava corado.
‘Um corpo tão honesto. Dá vontade de morder tudo.’
Mal havia parado, e pensamentos safados já emergiam novamente. Se permanecesse ali por mais tempo, sentia que perderia o autocontrole e se transformaria numa fera.
Evitando seu olhar confuso, Johannes levantou-se da cama.
Sentindo os olhos atordoados o seguirem, ele acariciou levemente sua cabeça com uma das mãos. Então, antes que pudesse mudar de ideia, saiu apressadamente do quarto.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler No fim do inverno Yaoi Mangá Online
— Tenha um filho de Johannes, Reinhardt, e solidifique a aliança.
Ela estava prestes a ser enviada como uma espécie de refém para o infame governante do Norte, conhecido por sua crueldade.
— Por favor… Que ele não seja tão aterrorizante quanto dizem os rumores.
Com o coração cheio de medo, Eunice parte rumo à terra desconhecida do inverno…
— Perdão, sinto muito, não quis te assustar.
— Você é bonita mesmo sem maquiagem. Sinceramente, não consigo ver diferença.
— Quando estivermos só nós dois, me chame pelo nome.
O afeto inexplicável do rei… Seria apenas um capricho, ou algo genuíno?
Johannes, se lembra da garota como um raio de sol, e Eunice, não reconhece o menino antes tão mal-humorado.
Um doce romance de inverno sobre cura e reencontros, entre Eunice, que viveu uma vida inteira lutando para ser amada, e Johannes, que a ama incondicionalmente pelo que ela é.
Uma das frases favoritas dessa tradutora aqui.
— Está tudo bem se você não provar a sua utilidade.