Ler Lamba-me se puder – Capítulo 246 – Extra 20 Online


Modo Claro

Dia do Casamento (continuação)

 

— Espera, Koy. O que foi que você acabou de dizer? Quer ter quantos filhos?

— Doze.

Quem respondeu com um tom mais alto que o normal foi o médico. Por um instante, Ashley lançou um olhar assustador para ele, mas logo voltou a atenção para Koy ao ouvir a resposta dele.

— Quanto mais filhos, melhor, não? Achei que doze seria um número adequado. É pouco pra mim, mas não tem o que fazer.

Koy riu sem graça, até coçando a cabeça timidamente. Ao ver aquilo, Ashley ficou sem palavras mais uma vez.

— Koy… Koy…

Sem conseguir organizar os pensamentos, ele chamou o nome de Koy duas vezes seguidas antes de finalmente recuperar a compostura e perguntar:

— Doze? Do que você está falando? Você quer mesmo ter doze filhos? Sério?

Koy balaçou a cabeça obedientemente, e Ashley repetiu a pergunta com dificuldade:

— Mas por quê?

Enquanto o médico e Ashley o encaravam atentamente, Koy respondeu:

— Eu vi num documentário uma vez. Tinha um ômega que teve quinze filhos. No meio teve alguns gêmeos também, mas depois de ver aquilo eu pensei que talvez eu também conseguisse ter uns doze.

— A partir de hoje você está proibido de assistir documentários. (KKKKKKKKK)

Solicitando primeiro uma “providência divina”, Ashley olhou para o teto por um instante antes de voltar o olhar para Koy.

— Koy, você sabe que uma gravidez dura dez meses, certo?

Com uma voz calma e serena, ele começou a persuadi-lo. Quando Koy assentiu com um “uhum”, Ashley continuou:

— Então você também sabe que, arredondando para um ano por gravidez, doze filhos significam doze anos, não sabe?

Koy hesitou um pouco e balançou a cabeça. É mesmo. Ashley então o tranquilizou com uma voz ainda mais carinhosa.

— Você vai passar doze anos dando à luz. Vai aguentar?

 

Ao ouvir aquilo, Koy abaixou a cabeça imediatamente e não respondeu naquele momento. Ashley pensou que finalmente ele tinha entendido, mas a resposta que veio logo depois foi completamente diferente do que ele esperava.

— Se eu ficar grávido por tanto tempo… você vai acabar se cansando de mim?

— Não, Koy. Não é disso que eu estou falando.

Ashley soltou um longo suspiro.

O que eu faço com ele…?

No fim, ele voltou ao ponto inicial.

— Por que você precisa de doze filhos?

— Porque quanto mais, melhor.

Koy respondeu sem hesitar.

— Naquele documentário que eu falei, as crianças ficavam correndo todas juntas pela casa fazendo a maior bagunça… e elas eram tão fofas. A casa ficava um caos barulhento o dia inteiro, uma confusão enorme… e eu fiquei com tanta inveja disso…

Depois de uma breve pausa, ele murmurou com a voz abatida:

— Nem você nem eu temos irmãos. Então pensei que, pelo menos nós, poderíamos ter muitos filhos… para que nossa família pudesse crescer bastante…

Ashley observou Koy em silêncio por alguns segundos antes de fazer um sinal para o médico. Sem alternativa, ele se levantou e saiu da sala de consulta. Agora restavam apenas os dois.

— Koy… você se sente sozinho?

Foi só então que Ashley perguntou em voz baixa.

— Eu sozinho não sou suficiente? Não basta?

— Ah, não! Claro que não é isso!

Koy balançou a cabeça apressadamente.

— Eu só com você já sou feliz, mas filhos são outra coisa. Eu gostaria de ter muitos filhos… não podemos?

Koy ergueu os olhos para Ashley com um olhar tão suplicante que era impossível resistir. No fim, Ashley acabou cedendo.

— Dois. Só dois.

Ele soltou um longo suspiro ao apresentar sua proposta de acordo, mas para Koy aquilo nem chegava perto do suficiente.

— Dois é muito pouco… então dez…

— Não.

Dessa vez Ashley também não cedeu. O tom severo fez Koy murmurar baixinho:

— Mas…

— Dois, Koy.

Ashley praticamente rosnou entre os dentes cerrados. Koy se assustou e começou a observá-lo com cautela.

— Quantas vezes eu preciso repetir? Dois. Não vai passar disso.

A voz firme e cortante deixou claro que ele tinha chegado ao limite. Percebendo que batera numa parede, Koy encolheu os ombros e voltou a encará-lo com um olhar de lamento.

— Então… três?

Ashley não conseguiu suportar por mais tempo aquele olhar marejado de lágrimas. Engolindo o gemido que parecia subir do fundo do peito, ele acabou cedendo.

— Tá bom.

No mesmo instante, Koy tapou a boca com as duas mãos. Seu rosto se iluminou imediatamente, e Ashley soltou uma risada amarga ao vê-lo tão feliz.

— Como eu poderia te vencer, Koy?

— Obrigado, Ash!

Koy exclamou cheio de alegria e se jogou nos braços dele. Ashley o abraçou de volta com um sorriso cansado, mas logo Koy se afastou um pouco e ergueu os olhos para o rosto dele.

— Não pode reduzir mais, tá bom?

Com uma expressão extremamente séria, Ashley balançou a cabeça.

— Tudo bem.

Só o fato de ter conseguido recusar um pedido tão desesperado de Koy já era uma grande vitória. Três filhos ainda parecia demais, mas talvez, depois de terem um e começarem a criá-lo, Koy mudasse de ideia.

Depois eu tento convencê-lo de novo.

Ashley achou que, por enquanto, tinha conseguido escapar da crise, mas então congelou ao ouvir as palavras seguintes de Koy.

— E nem pense em fazer cirurgia escondido, senão eu vou ficar muito decepcionado com você~

Por que eu não pensei nisso antes?

Por um instante, Ashley quase soltou um suspiro de desespero, mas já era tarde demais. Koy o encarava com uma expressão séria, esperando uma resposta.

‘Nunca pensei que Koy pudesse pensar mais rápido que eu.’

Por outro motivo completamente diferente, Ashley ficou atordoado mais uma vez. O número doze devia mesmo ter sido um choque enorme.

— Tudo bem.

— Eu te amo, Ash.

Assim que ouviu a resposta, Koy abriu um sorriso aliviado e voltou a se jogar nos braços dele. Ashley o abraçou instintivamente, mas sua mente ainda estava uma completa confusão.

Pouco depois, terminaram a consulta com o médico e deixaram o hospital. Koy parecia transbordar de felicidade.

— Será que vai ser menino ou menina? Eu tô tão ansioso.

Com uma mão segurando o envelope e a outra envolta na cintura de Ashley, ele caminhava sorrindo radiante.

— Não importa se for menino ou menina.

Ash falou distraidamente para Koy. Pensando bem, o sexo não importava mesmo. Koy sorriu feliz ao pensar nisso, mas a cabeça de Ashley estava ocupada com algo completamente diferente.

Desde que não se manifeste… que diferença faz?

As chances de ser beta ou ômega também são grandes. Nem sempre a união de um alfa com um ômega resulta em outro alfa. Pensando assim, ter doze filhos parecia apenas um pequeno contratempo.

Mais tarde ele muda de ideia.

Como Koy estava feliz, Ashley decidiu que aquilo bastava por enquanto. Então o colocou no carro e saiu do estacionamento do hospital.

— Vamos comprar uma casa?

Ao encontrar Bernice, como de costume, Koy ficou surpreso com a notícia inesperada. Bernice, com sua expressão inexpressiva de sempre, balançou a cabeça e transmitiu fielmente as novas instruções que recebera.

— O Sr. Miller disse que o condomínio onde moram agora é muito apertado para criar três filhos, e pediu para eu procurar uma mansão. Um lugar com um terreno amplo.

Claro, isso era apenas uma desculpa. Depois de processar todos os moradores do condomínio, ele próprio decidiu não morar mais lá pelo simples motivo de não querer dividir o mesmo espaço com aqueles que insultaram Koy. Embora a cobertura tivesse uma entrada privativa, foi escolha de Koy usar a entrada comum. Ainda assim, Ashley continuava profundamente irritado.

Como ousaram deixar Koy constrangido?

Dar uma lição nos moradores do condomínio era uma questão separada. Ashley já vinha pensando em se mudar, e Koy, sem perceber, tinha acabado oferecendo a desculpa perfeita. Claro, Koy não fazia ideia disso.

Então Ash realmente concordou, de verdade…

Koy não conseguiu conter a alegria e abriu um enorme sorriso. No começo Ashley claramente pareceu assustado com a ideia, mas agora estava até procurando uma mansão tão grande assim. Aquilo emocionou Koy profundamente.

Então o Ash também percebeu que ter muitos filhos também é bom.

Sem conseguir esconder a empolgação, Koy começou a olhar os vários projetos e plantas que Bernice havia trazido.

Depois que tivermos e criarmos nossos filhos, o Ash também vai mudar de ideia.

Enquanto Koy observava as mansões e terrenos disponíveis, escolhendo entre os maiores e mais amplos, sua mente se enchia de imagens das crianças correndo e brincando, com ele e Ashley olhando para elas com um sorriso satisfeito.

Quando chegar esse momento, vou pedir pra gente ter ainda mais filhos.

— Senhor Miller?

No meio da reunião, um funcionário que apresentava animadamente o andamento do processo o chamou, confuso ao ver Ashley estremecer de repente. Sentindo um arrepio estranho percorrer sua espinha, Ashley apenas fez um gesto com a mão.

— Não é nada. Continue.

Mesmo ouvindo a continuação do relatório, seu rosto permanecia pálido.

O que foi essa sensação gelada…?

O clima estava ficando mais quente, e ele nunca pegava resfriados. Não fazia sentido sentir calafrios.

Deve ser impressão minha.

Ashley tentou se recompor e voltou a prestar atenção na reunião, mas, por algum motivo, os arrepios em seus braços não diminuíram por um bom tempo.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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