Ler A Batalha pelo Divórcio – Capítulo 47 Online

A expressão de Maxim ficou sombria na mesma hora. Ele trocara apenas algumas palavras com o homem à sua frente.
‘O que eu faço é romance lendário, o que os outros fazem é escândalo,’ — pensou Daisy.
Esse ditado se encaixa perfeitamente. Por que começar outra briga? Só de olhar pro marido, ela já se sentia cansada.
— Não, nem um pouco — respondeu.
— Então por que um estranho viria falar com você?
— Ele só comentou que gostou do brinde mais cedo. Parabenizou meu marido pela vitória.
Daisy escolheu minimizar a conversa. Não queria piorar a situação.
— Sério? Foi só isso?
— Foi. Somos estranhos. Sobre o que mais conversaríamos?
Mesmo respondendo de forma casual, os olhos de Maxim continuavam cheios de suspeita.
Isso é ridículo.
Olha quem fala.
Quem exatamente tá acusando quem aqui?
Daisy queria rebater, mas havia gente demais observando e ela não queria fazer cena, então conteve a língua.
— Obrigada pelos parabéns — disse ao cavalheiro. — Agora que o principal interessado chegou, acho melhor parabenizar ele diretamente.
Antes que Maxim pudesse insistir no interrogatório, Daisy já havia desfeito a situação. Maxim encarou o cavalheiro, que, visivelmente perturbado, fez uma reverência rígida.
— Parabéns pela grande vitória, Vossa Graça — disse, tenso.
— Obrigado — respondeu Maxim, seco. — Agora que os parabéns terminaram, poderia nos dar licença? Tenho assuntos urgentes com minha esposa.
A dispensa educadamente grosseira de Maxim veio impecável.
‘Esse homem é completamente surtado. Vai embora enquanto dá tempo, seu pobre coitado.’
Daisy lançou um olhar quase suplicante ao cavalheiro, implorando em silêncio para ele sair dali sem problemas. Percebendo que havia algo estranho no ar, ele fez outra reverência educada e desapareceu rapidinho.
— Que assunto urgente você tem? Não está ocupado?
— Estou. — respondeu ele
— Então vai cuidar disso. Estou perfeitamente bem aqui.
— Por que você está tentando se livrar de mim a noite toda?
Ele não parecia ter nenhum propósito específico e parecia estar ali apenas para atormentá-la. Daisy suspirou pesadamente, querendo evitar conversa. Maxim estendeu a mão educadamente.
— Estou entediado. Vamos dançar?
— Eu não danço — respondeu ela, surpresa com o convite repentino.
Daisy recusou da mesma forma que rejeitara o cavalheiro sem nome.
— Por quê?
— Como sabe… eu venho de origens humildes.
— Ah, então pessoas de origens humildes não dançam?
— A menos que seja briga ou outro tipo de dança. Mas valsa mesmo, não. É chato demais.
— Mas você disse que não sabe dançar. Como sabe que isso é uma valsa?
Daisy ficou em silêncio.
Droga, ele é observador.
— E então?
— É… conhecimento comum — gaguejou ela. — Meu pai me ensinou o básico pra eu não passar vergonha por causa da minha origem.
— Ah, entendi. Você é esperta mesmo — disse Maxim, sorrindo.
Ele parecia genuinamente se divertir provocando Daisy, como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo. Ela queria outra taça de champanhe, mas sabia que ele não deixaria.
— Bom, você pode não saber valsa, mas esquece isso então. Que tal outro tipo de dança?
— O quê? — perguntou Daisy, confusa.
— Aquela que você mencionou. Fiquei muito curioso sobre isso.
Claro que ficou. Os olhos azul-acinzentados dele, antes vazios, finalmente se iluminaram de interesse.
Tudo por causa do comentário infeliz de Daisy sobre outro tipo de dança.
— Você nem sabe o que envolve isso. Como vai dançar?
— É só improvisar com entusiasmo, certo? — respondeu Maxim, dando um sorrisinho de canto.
— Errado. Há técnica adequada envolvida. Você acha que o povo comum é idiota? Há regras para tudo. Não zombe dessas tradições.
‘Por que deixei isso escapar? Que bagunça eu criei.’
Enquanto falava, Daisy só conseguia se repreender mentalmente.
Era por isso que conversar com Maxim era tão cansativo.
Já que as coisas tinham chegado tão longe, Daisy começou a dizer o que viesse à mente. Ela sabia que seus argumentos eram bobagens, mas esperava que, se divagasse com confiança, como se soubesse do que estava falando, pudesse escapar como antes.
Só que Maxim não largava o assunto.
— Você não pode me ensinar? Não se preocupe, eu aprendo rapidinho quando envolve habilidade física.
— Desculpa, mas essa não é minha especialidade. Posso te ensinar esgrima, se quiser.
— Não daria certo. Tem gente demais olhando.
‘Maluco! Então dança suspeita pode na frente de todo mundo, mas esgrima não?’
Daisy sentiu a paciência explodir diante daquela sugestão sem sentido.
— Ou talvez só uma bebida…
Maxim sorriu, os olhos se estreitando levemente.
— Aquele cavalheiro mais cedo pareceu usar essa abordagem. Estou errado?
Então ele tava observando o tempo todo. E ainda fingiu que não sabia de nada, agindo todo desconfiado?
Daisy ficou irritada e perplexa.
— Você não viu ele levando um fora? Tô te dando um também.
— Bom, precisamos escolher alguma coisa. Então você prefere aquele outro tipo de dança afinal?
‘Pelo amor de Deus, não pode largar disso?’
Ele tinha se agarrado nessa piada e agora a atormentava sem parar. Daisy suspirou fundo.
— Vamos só dançar.
— Mas você disse que veio de origem humilde e não sabe dançar.
— Então me ensina. Eu aprendo rápido coisas físicas.
— Perfeito. Você terá muitas coisas físicas para aprender em breve.
— Tanto faz. Vamos logo.
Daisy resolveu ignorar as insinuações de Maxim, pegou sua mão estendida e entrou na pista de dança.
— Você dança muito bem — observou Maxim.
Muito bem era um eufemismo. As habilidades de Daisy superavam em muito as de dançarinos sociais típicos.
— Ou tudo aquilo que você falou antes era invenção?
— Sim. A nobreza sempre fala de forma indireta. Foi uma rejeição educada. Eu não queria dançar com você.
— Obrigado por reconsiderar.
Não era exatamente reconsiderar, apenas escolher o menor dos dois males. Afinal, ela dificilmente poderia executar aquela dança alternativa, né? Ela soltara aquelas palavras sem nem entender o significado.
Daisy desviou o olhar do marido e focou nos passos da valsa.
— Você está brava comigo?
— O quê? Por que perguntou isso de repente?
— Sei lá… parece.
Maxim estava especulando imprudentemente sobre seu humor.
‘Por que eu estaria brava?’
‘Quer dizer… por que eu ficaria?’
Existe algum motivo pra isso?
Ficar chateada com a infidelidade de um cônjuge só fazia sentido para casais de verdade que estavam realmente apaixonados.
— E então?
Mas Maxim parecia decidido a persistir até obter uma resposta.
— Não estou brava. Então para de me incomodar e vai cuidar da sua vida.
— Se não é isso, então por que tá dançando toda dura?
— Eu sempre me movi assim. Sou de origem humilde, lembra? — Daisy estreitou os olhos, defensivamente. Ela já estava além de irritada.
Maxim riu baixinho, como se estivesse vendo a birra de uma criança. O jeito descaradamente divertido dele só a irritou ainda mais.
— Você dança maravilhosamente bem, mas mente muito mal.
— Mentir? Do que você tá falando?
— É simples. Você não consegue mentir com esses olhos.
— O quê?
— Tá tudo escrito aí. Que é invenção. Que você tá irritada e não quer que eu te incomode agora.
Como ele sabe disso?
Daisy fez uma careta ao sentir as orelhas esquentarem de culpa.
— E além disso…
Maxim baixou a cabeça e pressionou um beijo suave em seu lóbulo.
Suas orelhas já eram sensíveis. Daisy estremeceu quando um arrepio percorreu sua nuca.
— Dá pra perceber pelas suas orelhas. Elas ficam vermelhas.
— O que você tá fazendo…
— Então me fala a verdade. O que está te incomodando tanto?
— …
Daisy manteve os lábios firmemente fechados, e Maxim a girou com suavidade, seu olhar nunca deixando os olhos dela.
— Vou continuar perguntando até você responder.
— …
— Hmm?
Ele estava absurdamente insistente.
— Você deve ter estado muito ocupado ultimamente.
— Estive.
— Muito ocupado.
— Exatamente. Mas por que isso importa?
Ela queria perguntar por que ele não voltava pra casa, mas tinha medo de que ele interpretasse errado, como se ela estivesse chateada pela falta de intimidade entre eles.
Os lábios de Daisy se abriram levemente, mas logo se fecharam de novo. Talvez fosse melhor perguntar outra coisa.
— Sobre… por que você me deu aqueles sapatos?
— Eu expliquei. Você não leu a carta?
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler A Batalha pelo Divórcio Yaoi Mangá Online
Protagonista Masculino: Maxim von Waldeck (26)
Ex-mercenário infame e cruel que espalhou sua má fama pelo continente. Um homem exímio com armas de fogo e tem talento para tortura. Filho ilegítimo da princesa, é herdeiro direto da linhagem real, mantido em segredo. Quando criança, jurou vingança contra os revolucionários que mataram seus pais e o sequestraram, e por isso se tornou o cão de caça da monarquia. Embora tenha sido enviado para uma guerra em que estava fadado a morrer, retornou como herói vitorioso, sem um único arranhão.
Frio e impiedoso por fora, mas surpreendentemente devotado à esposa. Faz de tudo para impedir Daisy de pedir o divórcio: chantagens, seduções, jogos de manipulação, nada está fora dos seus planos. Um estrategista carismático e articulado. Impossível saber o que realmente se passa por trás de seus olhos enigmáticos.
Protagonista Feminina: Daisy von Waldeck (23) Codinome “Easy”. Assassina de elite da organização secreta revolucionária “Clean”. Inteligente, ágil e calculista, mas surpreende por sua ingenuidade e doçura inesperadas, características que destoam de sua profissão implacável. Tem um ponto fraco por tudo o que é fofo e frágil: bebês, animais, flores… e Maxim. Uma típica durona com coração mole.
Após quase morrer em uma missão, é salva pela freira Sophia, que a leva a se batizar e buscar redenção. Decide se aposentar prometendo jamais matar de novo. Mas, o líder dos revolucionários a chantageia forçando a mulher a cumprir uma última missão.
Seu objetivo, se casar com um homem condenado à morte na guerra, e desaparecer assim que ele morrer. O nome? Maxim von Waldeck.
Mas o que não esperava… era que o marido “de fachada” voltaria vivo.
O pior que este homem seria o mais perigoso que ela já conheceu.
Quando quiser ler:
Uma batalha conjugal entre uma protagonista determinada a se divorciar e sair com os bolsos cheios, e um marido perturbado, pervertido e boca suja que fará de tudo para impedir esse divórcio.
Frase que define a história:
— Quem em sã consciência exterminaria todo o exército inimigo só para transar?
Trecho da Novel:
[Torne-se a esposa de fachada, de Sua Graça, o Grão-Duque Maxim von Waldeck.]
Esse era o único e último trabalho de Daisy, agente secreta da revolução.
Maxim von Waldeck, bastardo da realeza e cão de caça da monarquia, foi enviado para a morte como um peão descartável.
Ninguém queria aquele posto de viúva antes mesmo do casamento.
O plano era simples: Se casar, aguardar o fim da guerra e, quando a derrota fosse declarada, desaparecer antes que o ducado fosse tomado.
Após a missão cumprida = Uma aposentadoria gorda a esperava.
— Até logo, querida esposa.
‘Sim, foi um prazer te conhecer. Já estou rezando pelo seu descanso eterno.’
— Teremos nossa noite de núpcias quando eu voltar.
‘Que sonhador. Espero que sua morte seja pacífica.’
Ela pensou que era apenas um sonho tolo de um homem com ilusões cor-de-rosa.
… Mas.
[Maxim von Waldeck obtém uma vitória sem precedentes!]
A realidade virou de cabeça para baixo.
[Grão-Duque Waldeck, herói da nação! O que deseja fazer primeiro ao retornar?]
— Abraçar minha adorável esposa, Daisy.
Impossível, isso é mentira, só podia ser. Uma distorção da imprensa.
Mas Maxim von Waldeck era um homem que levava promessas muito a sério.
— Voltei, querida esposa.
E com um abraço apertado, a envolveu.
O olhar de Daisy vacilou. Aquilo era loucura.
— Vamos para o quarto agora?
— Desculpa, o quê?
Ele sorriu languidamente e sussurrou em seu ouvido:
— Me perdoe, mas estou com um pouco de… pressa.
Seu corpo queimava de desejo, seu membro parecia prestes a explodir.
‘Esse cara é louco, um… pervertido completo, não é?’
Será que Daisy conseguirá se divorciar em segurança antes que ele descubra quem ela realmente é?
Nome alternativo: The Battle Of Divorce