Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 04.11 Online

Capítulo 4.11 Vínculo
Jung Heeyeon pousou a xícara de chá e, por hábito, começou a mexer nas unhas distraidamente. As unhas rosadas ficaram pálidas sob a pressão de seus dedos. Ele se perguntou: o diretor não gostaria se ele parasse de tomar os supressores por um tempo? Talvez, como Lee Haejin sugeriu, fosse melhor ficar longe do diretor por enquanto.
Embora não gostasse da ideia, ele também não queria fazer nada que pudesse desagradar Yeon Woobeom. Com cautela, ele perguntou.
— Então, posso perguntar ao diretor e decidir depois disso?
— Claro. Você não precisa necessariamente ficar comigo. Tire um tempo para pensar a respeito.
— Sim.
Lee Haejin olhou para o cardigã que Jung Heeyeon estava usando. O casaco dele teria sido recolhido e guardado pela equipe ao entrar, então ele claramente não estava vestindo apenas aquilo quando chegou. O cardigã era enorme — grande o suficiente para fazer Jung Heeyeon parecer estar enrolado nele como em um casulo. Eram, sem dúvida, as roupas de Yeon Woobeom .
Embora os feromônios de alfa não fossem detectáveis de forma óbvia, se alguém chegasse perto o suficiente, provavelmente sentiria um rastro de seu aroma natural. Naquele momento, Lee Haejin percebeu que Jung Heeyeon jamais acabaria ficando com ele. Uma forte intuição lhe dizia que Yeon Woobeom não deixaria Jung Heeyeon fora de seus cuidados.
Eles estavam naquele tipo de relacionamento? Não parecia provável; não havia nenhum sinal de feromônios vindos de Jung Heeyeon que sugerissem um vínculo íntimo. Yeon Woobeom também não era o tipo de homem que sobrecarregava alguém com um banho de feromônios. No entanto, se estivessem naquela relação, Yeon Woobeom não o teria deixado tão indefeso. Ele fez o ômega usar suas roupas e, ainda assim, não lhe deu um banho de feromônios?
— Heeyeon, você gosta do Yeon Woobeom ?
Lee Haejin fez a pergunta casualmente, sem pensar muito.
— Sim, eu gosto do diretor.
Jung Heeyeon respondeu honestamente, com uma resposta tão inofensiva que fez Lee Haejin parar para considerar se eles queriam dizer a mesma coisa com a palavra gostar. Afinal, gostar de alguém poderia assumir muitas formas, e se aquilo continha uma conotação sexual ou não era uma diferença significativa.
— Nesse sentido?
Lee Haejin bebericou seu chá, agora morno, mantendo o tom leve.
— Em que sentido?
Jung Heeyeon piscou, imaginando se havia outro sentido em gostar de alguém. Sua expressão suave tornou-se ainda mais gentil com o leve arregalar de seus olhos.
— Você quer dormir com ele?
Jung Heeyeon piscou lentamente, como se processasse a pergunta. A frase dormir com ele parecia carregar um significado que ele ainda não havia compreendido totalmente. A lembrança de um sonho que tivera não faz muito tempo passou por sua mente, fazendo seu peito palpitar como se um soluço estivesse prestes a sair.
— Como se faz para parar de ter sonhos estranhos?
Ele soltou a pergunta aleatória.
— Sonhos?
Lee Haejin, que bebia seu chá, inclinou a cabeça diante da mudança inesperada de assunto. Por que sonhos, de repente?
— Sim. Eu tive um sonho onde o diretor aparecia… e, bem, ele não estava usando nenhuma roupa…
Os dedos pálidos de Jung Heeyeon mexiam-se com mais inquietude do que antes. Mas, em contraste com suas mãos trêmulas de nervosismo, o rosto de Jung Heeyeon parecia calmo, quase sereno.
Foi Lee Haejin quem pareceu pego de surpresa. Jung Heeyeon, de 20 anos, falava como se aquela fosse a primeira vez que tinha um sonho assim, mas considerando sua criação isolada, poderia ser verdade. Se ele nunca fora estimulado sexualmente ou nunca estivera ciente de alguém dessa forma, fazia sentido que estivesse tendo seu primeiro sonho erótico apenas agora.
Algo definitivamente aconteceu entre ele e o diretor, pensou Lee Haejin. Jung Heeyeon não parecia o tipo de pessoa que teria tais sonhos puramente por curiosidade sexual.
— Então, você gosta do Yeon Woobeom .
— Eu já disse que gosto…
Ele gosta daquele homem? Lee Haejin tomou um gole de chá, tentando organizar os pensamentos. Ele se sentia ressecado só de se preocupar com esse ômega inocente sendo atraído por Yeon Woobeom , entre todos os alfas que existem. Ele não sabia o que dizer a Jung Heeyeon. Lee Haejin nem precisava de seu próprio desdém por alfas para ver que Yeon Woobeom era uma figura arriscada.
— O Yeon Woobeom sabe disso?
— Ele sabe. Eu contei para ele…
Lee Haejin se perguntou se Yeon Woobeom havia interpretado os sentimentos dele como algo romântico ou sexual entre um alfa e um ômega.
— Não, o que quero dizer é — ele sabe que você quer dormir com ele?
— Dormir com ele…? Isso tem outro significado?
— Sim, sexo.
Ah, então havia outro significado. Os lábios de Jung Heeyeon se abriram ligeiramente. Ele não era ingênuo a ponto de não saber o que era sexo.
— Quando você gosta de alguém, é natural querer isso.
As primeiras horas do dia de Ano Novo passaram pela mente de Jung Heeyeon.
A neve caindo, os fogos de artifício explodindo, o aroma amargo da fumaça de cigarro que roçara seus lábios, agitando seus sentidos. Quando ouviu o nome Yeon Woobeom, ele se tornara plenamente consciente de suas emoções. Talvez seus sentimentos de admiração fossem a verdadeira razão pela qual tivera aquele sonho culpado, não apenas por causa do beijo.
— Quando você gosta de alguém, começa a ter sonhos assim?
— Nem sempre, mas pode acontecer.
Lee Haejin tentou explicar de uma forma que Jung Heeyeon pudesse entender facilmente.
— Eu achei que havia algo de errado comigo. Imaginei que apenas alfas ou betas tivessem esse tipo de experiência…
— Não há nada de errado com você. Ômegas passam pela mesma coisa.
Lee Haejin soltou uma risada amarga diante da afirmação inocente de Jung Heeyeon. Sentado à frente de outro ômega que crescera em um ambiente similar, Lee Haejin sentiu subitamente sede de álcool. Enquanto pressionava o botão de chamada para pedir algo a um funcionário, Jung Heeyeon ficou sentado em silêncio, perdido em seus próprios pensamentos.
Foi somente depois que o funcionário saiu que Jung Heeyeon respondeu à pergunta anterior de Lee Haejin.
— Eu nunca disse ao diretor que gosto dele desse jeito…
— Por quê?
— Ele nunca me perguntou sobre isso…
— E se ele perguntar?
— Perdão? Sim, eu diria a ele. Não é para dizer?
Lee Haejin sentiu-se um pouco conflituoso. Ele duvidava que Yeon Woobeom avançaria imediatamente sobre Jung Heeyeon apenas por causa de uma confissão, mas a inocência deste último tornava difícil saber como aconselhá-lo.
Eventualmente, Lee Haejin decidiu responder com base no que era comum.
— Bem, as pessoas geralmente não dizem esse tipo de coisa abertamente. Na maioria das vezes, as pessoas escondem o desejo sexual para estar com alguém. Esse tipo de conversa costuma acontecer depois de se tornarem um casal.
— Ah, entendi.
Então, ele não deveria mencionar isso descuidadamente ao diretor. Enquanto Jung Heeyeon processava essa nova informação, organizando-a mentalmente, um funcionário abriu a porta e entrou com uma bandeja. A bandeja continha petiscos leves e o soju que Lee Haejin pedira. Jung Heeyeon olhou fixamente para as garrafas de soju e para os pratinhos fofos que agora enchiam a mesa.
— Para aprender a gerenciar seus feromônios, precisaremos alinhar nossos horários, então você deve discutir isso com o Yeon Woobeom mais tarde. Se você ficar comigo por enquanto, não haverá necessidade de ajustar horários. Caso contrário, teremos que resolver isso.
O homem elegante, que parecia só beber vinho, abriu a garrafa de soju com facilidade prática e reiterou o propósito do encontro.
— Sim.
Jung Heeyeon assentiu enquanto olhava com curiosidade para as garrafas desconhecidas. Quer Lee Haejin tivesse notado a curiosidade ou não, ele olhou para as horas e murmurou para si mesmo.
— Provavelmente levará algum tempo para o Yeon Woobeom chegar.
Afinal, aquela não era uma tarefa simples.
— Você já bebeu álcool antes?
Lee Haejin serviu soju em uma caneca e perguntou casualmente.
A bebida que ele entregou a Jung Heeyeon era uma cerveja com sabor de limão. Ele pretendia beber sozinho se Jung Heeyeon recusasse, mas o mais jovem não negou de imediato. Embora estivesse preocupado em levar uma bronca do diretor se bebesse álcool, ele foi facilmente convencido a experimentar quando Lee Haejin comparou a bebida a um refrigerante.
— É bom…
Jung Heeyeon bebericou a cerveja de limão, achando-a agradável apesar de um leve amargor. Lembrava um refrigerante de limão o suficiente para que ele bebesse com facilidade. Ele racionalizou que deveria estar tudo bem beber mais, já que o diretor nunca o repreendera por comer ou beber nada antes. Enquanto mordiscava as frutas lindamente arrumadas, convenceu-se de que não havia problema. Embora sua cabeça estivesse levemente tonta, a sensação era prazerosa.
— Por que você gosta do Yeon Woobeom ?
Lee Haejin quebrou o silêncio, bebendo seu soju como se fosse água. Sua expressão permanecia calma, inalterada.
— O diretor é bonito.
A sinceridade na resposta de Jung Heeyeon fez Lee Haejin franzir a testa sem perceber. Ele finalmente parecia alguém que realmente estivesse bebendo soju.
Yeon Woobeom , bonito? Embora o homem fosse inegavelmente atraente, descrevê-lo como “bonito” — num sentido delicado — parecia muito longe da realidade. Com seu físico imponente e sua aura, ele parecia mais intimidador do que qualquer outra coisa.
Na verdade, Yeon Woobeom sempre fora um homem perigoso. Como um cão de briga bem treinado, ele estivera envolvido com o crime organizado desde o final da adolescência. Quando a organização fez a transição para uma empresa de segurança na época em que Yeon Woobeom foi vendido, ele continuou trabalhando sob esse rótulo, embora a natureza de seu trabalho não tivesse mudado muito.
Cerca de cinco anos atrás, Yeon Woobeom matara seu antigo chefe, cortara todos os laços com a gangue e transformara o grupo na atual empresa, Jiwoo. Embora operasse publicamente como uma firma de segurança, seu negócio principal era o tráfico de armas — um trabalho perigoso, não importa por qual ângulo se olhasse.
— O Yeon Woobeom é… bonito?
Lee Haejin nunca achara que o soju fosse amargo, mas, pela primeira vez, sentiu o amargor enquanto a bebida descia por sua garganta.
— Sim, o diretor é bonito…
Lee Haejin continuou bebendo sem dar nenhuma resposta.
— E ele é gentil.
Talvez pelo álcool, as bochechas de Jung Heeyeon ficaram levemente vermelhas. Os lábios fechados finalmente formaram um sorriso suave e relaxado pela primeira vez.
Aquele homem era gentil?
Lee Haejin pensou em Yeon Woobeom . Não importava o quanto considerasse, gentil era a última palavra que ele usaria para descrevê-lo. Chamá-lo de bonito talvez fosse mais fácil de acreditar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola