Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 04.1 Online


Modo Claro

Capítulo 4.1 Vinculo

1

Um cheiro fraco de metal enferrujado pairava no ar. Jung Heeyeon permaneceu sentado com os joelhos puxados rente ao peito, descansando o rosto contra a parede — ou melhor, a aparência de uma. Não era exato chamá-la de parede, já que fios soltos de seu cabelo cutucavam através da malha de aço frouxamente entrelaçada. As barras rústicas e esparsas da gaiola dificilmente poderiam ser descritas como uma parede adequada.

Dentro da gaiola suspensa, o ômega agarrava os joelhos com força, seu olhar vago direcionado aos pés. A exposição ao frio havia deixado sua pele nua em um tom vermelho vivo, assim como suas bochechas. Ele se moveu levemente, enfiando a mão esquerda na manga direita e a mão direita na manga esquerda. Embora o frio cortante persistisse, cobrir a pele proporcionava um pequeno conforto em comparação a deixá-la exposta.

Fungando levemente, Jung Heeyeon mexeu os dedos dos pés. O peito de seus pés expostos ardia com o vento frio e cortante, e sua pele começou a ficar sensível, com uma leve sensação de dor se instalando com o passar do tempo. Estar descalço sobre as barras de metal geladas da gaiola ampliava o desconforto.

— Tão frio…

Ele se encolheu ainda mais, mas não fez tentativas de lutar ou resistir ao seu confinamento. A porta da gaiola à sua frente estava trancada com um cadeado ostensivamente grande. Se quisesse sair, teria que esperar até que alguém viesse abri-lo.

O ômega, acostumado à punição, não chorava mais. Ele simplesmente esperava. Esperava que alguém viesse e abrisse a fechadura.

A primeira vez que Jung Heeyeon foi colocado em uma gaiola suspensa foi quando tinha doze anos. Ele chorou naquela época? Não conseguia se lembrar. A instabilidade causada pelas barras de ferro tornava difícil aguentar sem abraçar a si mesmo. Sua figura, já esguia, parecia ainda menor como resultado.

A gaiola em que estava confinado era exatamente o que o nome sugeria — uma gaiola suspensa no ar. Como o fundo não tocava o chão, ela balançava levemente sempre que o vento soprava. Embora não estivesse longe do solo, a falta de estabilidade criava um mal-estar psicológico.

Uma parede sólida poderia ter proporcionado uma sensação de segurança, mas a gaiola, com seus buracos escancarados até no chão, não oferecia nenhuma. Era um espaço excruciantemente desconfortável onde não se podia sentar nem se encostar adequadamente.

Jung Heeyeon começou a contar o tempo lentamente. Como era apenas o início do outono, ele suspeitava que hoje poderia ser mantido ali dentro por mais tempo. Durante o auge do inverno ou do verão, o tempo que passava no confinamento costumava ser mais curto, mas na primavera ou no outono, as horas se arrastavam. No final das contas, tudo dependia dos caprichos do Presidente Jung, seu avô.

— Devo ter feito algo errado de novo.

Culpando a si mesmo por estar preso na gaiola, Jung Heeyeon levantou lentamente a cabeça, que estivera descansando fracamente contra as barras. Ele olhou fixamente para os dedos dos pés por um momento antes de deixar a testa cair sobre os joelhos, como se não tivesse forças sequer para manter a cabeça erguida. Ele sabia que apoiar a testa nos joelhos só tornaria seu equilíbrio mais instável, mas, agora, era disso que ele precisava. Ele ansiava pelo calor de uma pessoa — mesmo que esse calor fosse apenas o seu próprio.

Enquanto suportava o vento cortante e a solidão pungente, o ômega inocente tentava se arrepender de seus supostos erros. Ele não conseguia se lembrar do que havia feito de errado, mas a punição confirmava que a culpa era sua. Se não tivesse feito nada de errado, não teria sido trancado na gaiola em primeiro lugar.

Se Jung Heeyeon estava sendo punido, então Jung Heeyeon devia ser o culpado.

— …

Ele mexeu os dedos dos pés agora dormentes e relembrou o dia que antecedeu seu confinamento.

Havia acordado no horário de costume, tomado café da manhã, estudado, almoçado… Então, por acaso, cruzou o caminho do Presidente Jung. O velho o escrutinou, como se avaliasse seu valor, antes de estalar a língua e golpeá-lo com força no rosto. O zumbido em seus ouvidos tornou impossível entender completamente a bronca que se seguiu, mas, em retrospecto, parecia ser sobre seus pais.

Um tapa foi tudo o que bastou para derrubá-lo e, a partir dali, Lee Yootae o arrastou para a gaiola e o deixou lá.

— O presidente estava chateado… eu devo ter feito algo errado.

Jung Heeyeon encontrou consolo na ideia de que sua punição era justificada. Mais uma vez, sua mera existência devia ter irritado o presidente. Essa era a totalidade de seu erro.

Ele virou o rosto levemente para descansar a bochecha contra o joelho. Aconteceu de ser sua bochecha inchada. A carne inflamada doía sob a pressão, mas ainda era suportável. Em vez de mudar de posição, ele olhou silenciosamente para a paisagem à sua frente.

Através da névoa do entorpecimento causado pelo frio, sua visão embaçada captou o jardim deslumbrantemente vasto que se estendia diante dele. A casa em que viveu a vida toda era ampla, mas o jardim era ainda mais. Apesar de estar confinado entre seus muros até os dezenove anos, ele suspeitava que a beleza do jardim fosse o que o impedia de enlouquecer.

O jardim elegante era um contraste gritante com a gaiola rústica e primitiva, mas Jung Heeyeon nunca achou a justaposição estranha. A gaiola fora um acessório em um canto do jardim desde que ele conseguia se lembrar, desde que começou a receber punições.

O chão sob o jardim estava coberto de folhas de outono, como se sinalizasse a chegada da estação.

Baque.

Jung Heeyeon olhou fixamente para as folhas de outono que caíam. Uma folha amarela de ginkgo flutuou e pousou em seu pé descalço. Ele mexeu o pé levemente, tentando sacudi-la. Embora seu movimento fosse um tanto inquieto, a folha amarela de alguma forma conseguiu permanecer no lugar.

Eventualmente, ele tirou a mão da manga e pegou a folha. Seus movimentos eram cuidadosos, quase reverentes, mas a folha delicada se esfarelou ao menor toque.

Assustado, ele instintivamente moveu a mão, fazendo seu equilíbrio vacilar. Jung Heeyeon tombou para frente no chão da gaiola. O cheiro metálico e enferrujado subiu ao seu rosto.

— …!

Ele se levantou alarmado, apenas para perceber que o espaço ao seu redor havia mudado. Momentos atrás, ele estava dentro da gaiola aberta com vãos no chão, mas agora, estava em uma área fechada.

— Uh…

O cheiro penetrante de ferrugem ainda picava suas narinas, agora misturado com o odor salgado de sal endurecido.

Era o cheiro do mar.

Jung Heeyeon passou os dedos pela parede. A superfície fria e irregular pressionava as pontas de seus dedos, seu gelo se espalhando por sua mão. Depois de um tempo tateando os arredores no escuro, ele olhou para baixo e notou algo diferente. Agora, seus pés descalços estavam cobertos por tênis. Meias brancas também.

— Ah.

Ele percebeu vagamente que estava sonhando. Também reconheceu o espaço em que estava agora. Não era a gaiola suspensa — era um contêiner de carga. Mais uma vez confinado no contêiner, o ômega absteve-se de bater nas paredes e, em vez disso, agachou-se no canto. Como na gaiola suspensa, puxou os joelhos para perto do peito.

Normalmente, ele simplesmente esperaria que a punição terminasse, fingindo que não o incomodava. Mas hoje, por algum motivo, sentia um pouco de medo.

— Diretor Yeon… Yeon Woobeom.

Jung Heeyeon murmurou o nome do Diretor Yeon baixinho, deixando-o rolar pela língua. Em vez de lutar inutilmente para acordar do sonho, chamar o nome do homem parecia uma opção melhor. Sonhos não eram algo de que se pudesse libertar apenas pela força de vontade. Pensar no Diretor Yeon Woobeom ao pronunciar seu nome lhe trazia uma pequena medida de conforto.

A espera foi longa e, à medida que o tempo se arrastava, o mal-estar começou a inchar dentro dele, tornando-se maior e mais pesado. Embora estivesse acostumado a esperar, esperar pelo Diretor Yeon era uma experiência inteiramente diferente.

Raaaaang-.

Um som agudo e estridente perfurou o silêncio, e a porta no limite de sua visão começou a se abrir. O luar pálido derramou-se para dentro, trazendo o aroma salgado do mar na brisa. O som de passos se aproximava firmemente. A luz súbita era ofuscante, mas Jung Heeyeon não baixou o olhar. Em vez disso, olhou para cima imediatamente.

O som de sapatos pesados pisando ousadamente no espaço seguiu-se, e uma figura excessivamente familiar emergiu do borrão de sua visão.

— Diretor.

Jung Heeyeon o chamou. Ao som de sua voz, o homem inclinou a cabeça levemente e abriu a boca.

E se ele não me reconhecer? O pensamento o atingiu subitamente, fazendo com que Jung Heeyeon agarrasse os joelhos com força e mordesse os lábios com dureza.

— Sim, Heeyeon.

A voz suave do homem respondeu, chamando seu nome. Aliviado, Jung Heeyeon liberou a tensão nos lábios e se levantou. Seus dedos dos pés formigaram, embora não houvesse cãibra.

— Venha aqui.

Um braço forte envolveu sua cintura, puxando-o para um abraço firme. Por hábito, Jung Heeyeon inclinou-se contra o peito do Diretor Yeon. Pressionando o nariz contra o casaco do homem, inalou o aroma familiar — um traço fraco de tabaco.

— Vamos para casa.

As palavras — Vamos para casa — soaram tão reconfortantes. Antes que percebesse, estavam parados em frente a um carro familiar. Em vez de deixá-lo sozinho ou fechar a porta, o Diretor Yeon entrou no carro imediatamente, e não demorou muito para o veículo começar a se mover. Olhando para o rosto do alfa que viera buscá-lo, Jung Heeyeon mexeu os dedos inquietamente.

NT: No Manhwa o nome do Diretor é Yeon Daepyo, mas optamos por seguir com o nome da novel que é Yeon Woobeon 虞犯, que significa *Risco de cometer um crime ou delinquente* que remete ao título dos primeiros capítulos da obra.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.

Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola

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