Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 90 Online

. Capítulo 90
Até onde nós estamos indo?
Bliss esfregou os olhos pesados de sono e balançou a cabeça, irritado. Depois de descer do avião, agora estavam em um carro. Estava tudo um breu lá fora e ele não tinha a menor ideia de quanto tempo faltava para chegarem.
— Eu vou poder dormir quando chegarmos? — perguntou ele em tom de reclamação.
Cassian, sentado ao seu lado, lançou-lhe um olhar de soslaio. Em vez de perguntar o que diabos ele estivera fazendo no avião até agora, apenas desviou o olhar e respondeu com indiferença:
— Digamos que é um lugar onde as pessoas dormem.
“O que ele está dizendo? Esse cara é mau.”
Enquanto ele resmungava mentalmente…
— Ei, acorde. Ei.
Alguém chamou Bliss, balançando seu corpo suavemente. Ele percebeu, com atraso, que tinha caído no sono novamente em algum momento.
— Uuuung.
Esfregando os olhos, ele se levantou a contragosto. Foi quando Cassian, que estivera o tempo todo de olhos bem abertos ao seu lado, falou:
— Chegamos. Desça.
“Hã? Finalmente?”
— Uuuuugh.
Assim que desceu, Bliss se espreguiçou com vontade e olhou ao redor com o rosto mais descansado. Onde era aquilo? Um hotel? Alguma casa de campo? Ele não sabia o local exato, mas a essa hora da noite, o destino parecia óbvio.
“Vou tomar um banho e me jogar na cama.”
Até aquele momento, Bliss não tinha a menor ideia de onde estava.
— O quê?
Conforme seus olhos se acostumavam com a escuridão, ele viu algo ainda mais escuro em meio ao breu. Uma enorme parede bloqueando o caminho, coberta por trepadeiras que pareciam garras, e um vento gelado que soprava de forma sinistra. Diante daquela atmosfera sombria, Bliss congelou no lugar.
“Hotel? Sério que esse lugar é um hotel?”
— Hiiiik!
*Flap, flap!* De repente, um pássaro levantou voo. Ao ver o vulto negro cortando a escuridão e se afastando, Bliss não aguentou e soltou um grito. O que era aquilo! Onde eles estavam, afinal!
No entanto, Bliss era o único em pânico. Tanto Cassian quanto seu secretário e os seguranças permaneciam parados com rostos inexpressivos, como se estivessem à espera de alguém. Ao notar aquilo, Bliss sentiu um calafrio percorrer o corpo inteiro.
“Será que vão me usar como sacrifício?”
Nisso, algo brilhou ao longe. Ele piscou, assustado; o brilho pareceu oscilar por um momento e, de repente, começou a se aproximar deles em alta velocidade. No instante em que percebeu que aquilo era uma pessoa, Bliss ficou pálido e berrou:
— Socorro! Alguém me ajude!
Transtornado, ele se escondeu atrás de Cassian, gritando desesperadamente:
— Me poupem! Eu não sou gostoso! Comam esse homem aqui! Ele é muito maior e deve ser mais saboroso! Aaaai, Papai, Daddy! Eu vou morrer!
Cassian olhou para trás, incrédulo. Mesmo naquela situação, Bliss continuava empurrando as costas de Cassian com força, gritando repetidamente: — Comam este aqui primeiro! —.
— Escuta aqui…
Ele tentou dizer algo, mas logo desistiu e voltou a olhar para frente. O funcionário, que chegara correndo e arquejando, o cumprimentou:
— O senhor chegou, estávamos à sua espera. Eu me ausentei por um instante e não imaginei que chegaria tão rápido…
Ouvindo a voz que pedia desculpas repetidamente, Bliss, que ainda empurrava Cassian com toda a força, parou.
“Tem algo estranho.”
Ele hesitou por um momento, mas criou coragem e colocou apenas os olhos para fora do corpo de Cassian. Então, soltou um “Ah” e relaxou os ombros.
A origem do “brilho” que vinha correndo em direção a eles era, na verdade, a careca do homem. Ao ver a careca lustrosa refletindo os faróis do carro, Bliss sentiu um vazio por ter gritado e chorado tanto sozinho. Para ser sincero, sentiu tanta vergonha que teve vontade de fugir para os Estados Unidos e ficar entocado na cama para o resto da vida.
— Hum, aham, pois é.
Ele fingiu que nada tinha acontecido, limpando a garganta e olhando para o lado, mas, para sua sorte, ninguém parecia interessado nele. Ao perceber que todos apenas observavam a conversa entre Cassian e o homem careca, Bliss respirou aliviado e aguçou os ouvidos para entender a situação.
— Sim, farei como o senhor disse. Então, como deseja? Quer que eu os guie ou…?
Diante da pergunta do careca, Cassian balançou a cabeça negativamente.
— Não precisa. Iremos apenas nós dois.
— Ah, sim. Entendido.
Bliss continuava confuso, até que o careca tirou uma chave do bolso e abriu o portão de ferro que estava trancado.
— Por favor, entrem.
“Hã? Entrar? Onde?”
A resposta veio logo em seguida. No momento em que viu o parque mergulhado em trevas além do portão aberto, Bliss soltou um novo suspiro de pavor. Olhando de soslaio para Cassian, ele começou a recuar de fininho, sussurrando:
— Eu… eu vou ficar por aqui.
— Ei.
Cassian, cortando impiedosamente a frase “vou ficar esperando”, olhou para ele e disse:
— Agora é a sua vez de trabalhar. Venha aqui.
— Não, eu só… a água… eu só dou a água.
— Eu mandei vir.
Cassian rangeu os dentes, ameaçando o outro que balançava a cabeça em negação absoluta. “Por causa de quem eu estou passando por tudo isso, e ele ainda tenta fugir?”. Sob o olhar aterrorizante de Cassian, Bliss rapidamente grudou ao seu lado. Vendo a cena, o homem careca olhou para os dois e comentou:
— É realmente curioso, um passeio no cemitério a esta hora da noite. Ah, não, quero dizer… que hobby peculiar o senhor tem, haha.
“Hã? Cemitério?”
A palavra o fez arregalar os olhos, mas não houve tempo para perguntas. O careca apontou para dentro e se despediu:
— Então, aproveitem o passeio. Estarei aguardando.
— Não, eu estou bem…
Bliss tentou recusar desesperadamente, mas foi imediatamente agarrado pelo colarinho por Cassian.
— Siga-me.
— Não estou nada beeeem…!
O grito lamurioso desapareceu na escuridão e, para os que ficaram para trás, restou apenas um silêncio absoluto.
***
No meio da noite, tudo estava em silêncio. Cada vez que a brisa noturna roçava suas costas, Bliss dava um pulo e grudava nas costas de Cassian. Cassian caminhava em silêncio pelo caminho deserto, carregando apenas uma lanterna. Caminhar entre a escuridão densa e as estátuas de pedra espalhadas faria qualquer um tremer de medo, mas Cassian não conseguia se concentrar nisso.
— Hiik!
— Hiiik!
— Argh!
— Daddy!
— Aaaaa!
Isso porque, sem aguentar nem um minuto de silêncio, Bliss soltava gritos estridentes logo atrás dele.
“Mas que droga.”
Cassian conteve um xingamento. O medo já tinha dado lugar ao cansaço extremo. Como alguém tão medroso pôde dar a ideia de “um passeio no cemitério a sós no meio da noite”? O que ele tinha na cabeça? Ao chegar nesse pensamento, Cassian soltou uma risada sarcástica. “É óbvio que aquelas poucas células cerebrais não são capazes de produzir um pensamento real.”
Atrás dele, os gritos de Bliss continuavam ecoando. Embora estivessem tecnicamente sozinhos, Cassian sentia como se tivesse uns dez alunos de jardim de infância pendurados em suas costas. E eram daqueles de seis anos, bem barulhentos, correndo em pânico.
Apesar da confusão, Cassian não esqueceu seu objetivo. “Onde está? O túmulo de Mozart. Este não, aquele também não. Droga, onde fica?”.
Enquanto ele movia a lanterna para conferir os nomes nas lápides, os gritos de Bliss serviam de trilha sonora constante. Quando finalmente chegou ao destino, Cassian parou, sentindo-se exausto como se não dormisse há dias.
… Achei.
Após confirmar o nome na lápide com a lanterna, ele finalmente falou:
— Blis… Blair.
— Aaaah! Socorro! Hiiiiiik!
Ao chamar o nome em voz baixa, a resposta foi, como sempre, um grito exagerado. Cassian suspirou e disse para o peso morto grudado em suas costas:
— Saia e olhe. Pare de gritar e saia logo.
Havia irritação em sua voz. Tremendo e olhando para todos os lados, Bliss não teve escolha senão colocar o rosto para fora diante da insistência. Aproveitando o momento, Cassian apontou:
— Olhe, aquele é o túmulo de Mozart.
O feixe de luz da lanterna iluminou a lápide. No instante em que ouviu a palavra “túmulo”, Bliss congelou de pavor. Sem se importar com a reação dele, Cassian continuou a explicação:
— Não é o túmulo real. É apenas simbólico. O corpo de Mozart…
Túmulo! Corpo!
Eram apenas palavras aterrorizantes. E não parou por aí. Cassian continuava falando enquanto movia a lanterna pela lápide. A cada movimento da luz, sombras escuras oscilavam atrás dela. Isso fazia parecer que as estátuas estavam se mexendo.
“Não pode ser. Eu vi errado.”
Ele esfregou os olhos com os punhos e voltou a encarar a estátua. Foi exatamente nesse momento que Bliss viu claramente: a estátua que estava com a cabeça virada abriu os olhos bruscamente. Ao mesmo tempo, um pássaro levantou voo atrás deles e um som arrepiante, que pareceu sacudir a floresta inteira, ecoou pelo ar.
— AAAAAAAAAAAAAAAA!
Naquele instante, Bliss soltou um grito colossal, como se estivesse arrancando os próprios pulmões.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.