Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 11.2 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 11 – Parte 2

No final das contas, Lee Cha-young não conseguiu encontrar Kim Mo-ran naquele dia. Assim que retornou ao país, ele foi até as proximidades da empresa dela e esperou, esperou, até que, quando passou uma hora, ligou novamente. Felizmente, Kim Mo-ran atendeu logo, mas ele ouviu que ela estava indo às pressas para Changwon devido a um problema grave em um canteiro de obras. A ligação terminou com ela dizendo que ligaria quando voltasse e, desde então, não houve mais notícias.

Embora não fosse apenas por esse motivo, Lee Cha-young não conseguia sair de um humor deprimido há vários dias. Sentia que algo estava sutilmente errando suas previsões e andando em círculos.

— Então, por favor, enviem suas propostas por e-mail individualmente até esta sexta-feira. Encerraremos a reunião de hoje por aqui.

Com o comentário de encerramento do líder da equipe, a reunião finalmente acabou. Seguindo os membros da equipe que se levantaram como se estivessem esperando por isso, Lee Cha-young também voltou para o escritório segurando uma pasta de documentos.

Assim que se sentou, pegou o mouse. Como esteve fora por causa da viagem, inevitavelmente havia muito trabalho acumulado para processar. Enquanto organizava os dados com concentração, Kwak Min-seop, que estava sentado ao lado, chamou seu nome cautelosamente.

— Cha-young.

— Sim.

— Desculpe, mas você sabe o contato do Gerente Yoon, da Gyeongha Mulsan? Tenho certeza de que salvei, mas não estou encontrando.

— Só um momento.

Ligando o celular, Lee Cha-young encontrou o contato sem dificuldade. Ele abriu a gaveta para pegar um bloco de notas, mas hesitou e endureceu a expressão. Um momento depois, ao entregar o papel com o número para Kwak Min-seop, perguntou:

— Por acaso alguém veio ao meu lugar enquanto eu estive fora?

— Bem, não me lembro de nada em especial, aconteceu alguma coisa?

— …Não, não é nada.

Lee Cha-young voltou o olhar para o monitor. Sua expressão ao encarar a tela não era nada boa.

Quando abriu a gaveta da mesa agora há pouco para pegar o bloco de notas, percebeu que os objetos lá dentro estavam sutilmente bagunçados. Não era o tipo de movimento natural de abrir e fechar. Se fosse isso, um post-it colocado retamente no fundo não estaria virado.

Havia outros vestígios de que alguém tinha mexido. A caneta que deveria estar no porta-lápis também não estava lá.

O principal suspeito era óbvio. Clicando o mouse, Lee Cha-young acabou se levantando e caminhando até a mesa de Park Hong-jun.

Como esperado, ele não estava errado. Na mão de Park Hong-jun, que anotava algo manualmente, estava uma caneta muito familiar. Sem esconder seu incômodo, Lee Cha-young chamou seu nome.

— Sr. Hong-jun.

Park Hong-jun hesitou e ergueu a cabeça. Ao identificar quem estava à sua frente, respondeu com uma expressão de desdém:

— O que foi?

— Essa caneta que você está usando agora, não é minha?

O olhar de Park Hong-jun desceu para sua própria mão e subiu novamente. Uma expressão ainda mais irritada surgiu.

— Eu peguei emprestado rapidinho porque tinha algo para anotar. Aqui.

— …….

— Pode levar.

Diante da atitude desleixada de estender a caneta com uma das mãos, a expressão de Lee Cha-young finalmente mudou.

Se ele fosse um alfa comum, seria uma situação em que ele instintivamente exalaria feromônios para intimidar o oponente. Na verdade, ele sentiu esse impulso, mas lembrou-se do local e o conteve com a razão. No entanto, ele não conseguia suprimir completamente o seu desagrado.

— Você usa a cabeça apenas como enfeite?

— …O quê?

— Perguntei se você usa a cabeça apenas como enfeite. Já lhe disse claramente da outra vez que não gosto que outros mexam nas minhas coisas sem permissão; você é surdo ou sua capacidade de compreensão é limitada?

De repente, os olhares das pessoas ao redor estavam todos voltados para o mesmo lugar. Park Hong-jun ficou extremamente perplexo com o ataque verbal repentino. No entanto, esse tempo não foi longo, e seu rosto logo ficou vermelho de humilhação.

— Parece que vai me dar um soco a qualquer momento.

— …….

— Está aqui, então leve. …Merda, dizem que quem tem mais é quem é mais mesquinho.

Resmungando para que ele ouvisse, Park Hong-jun desviou o olhar primeiro. Ele fingiu estar ocupado desenhando uma tabela inútil e, um momento depois, o som de passos firmes se afastou junto com um “Desculpe pelo transtorno”.

“Ufa.”

Park Hong-jun, que estava com os sentidos em alerta total enquanto fingia o contrário, só então soltou o ar. Por causa do orgulho ele continuou provocando, mas internamente estava tenso, temendo que um soco realmente viesse.

Massageando a nuca tensa, Park Hong-jun imediatamente falou com o colega ao lado.

— Você viu a expressão dele agora? Parecia que ia me bater de verdade.

A resposta veio da boca de outra pessoa. O vice-líder da equipe, que estava conversando com um subordinado próximo, suspirou e repreendeu Park Hong-jun:

— Por que você continua fazendo o que ele disse que não gosta? Você não é uma criança do ensino fundamental.

Diante disso, Park Hong-jun fez uma expressão de injustiça.

— É tão errado assim pegar uma caneta emprestada?

— Você ouviu o que o Cha-young disse? O problema não é a caneta, é usar as coisas dele sem avisar quando ele disse que odeia isso. E mais…

Parando por um momento, o vice-líder continuou:

— Não sei de onde você tira coragem para agir assim com o Cha-young. Por acaso tem planos de mudar de emprego?

— Jamais. Sabe como foi difícil entrar nesta empresa. Mas por que mudar de emprego do nada…

— Se não é isso, não há motivo para agir assim com o futuro presidente. Não é uma estratégia de “dar um tapa para chamar atenção”.

Por um instante, Park Hong-jun hesitou. Uma pergunta escapou-lhe sem querer:

— Futuro presidente? Quem, não me diga que é o Lee Cha-young?

Com isso, o vice-líder ajustou os óculos e respondeu:

— Quem mais seria? Agir com convicção é bom, mas independente do cargo, você não deve prejudicar os outros. Pense um pouco no ambiente da equipe.

Deixando um conselho disfarçado de pedido, o vice-líder voltou para o seu lugar. Como alguém paralisado, Park Hong-jun ficou parado antes de agarrar apressadamente o braço do colega ao lado.

— Você entendeu o que o vice-líder acabou de dizer?

— Perdão?

— Aquilo sobre o Cha-young ser o futuro presidente.

— É exatamente o que ele disse. Como ele é filho do Presidente Lee Tae-han, ele vai seguir o caminho de elite e algum dia terá o título de presidente. Ouvi dizer que ele nem tem concorrentes.

Lee Cha-young era filho do presidente? Era uma informação totalmente nova. Suprimindo o impulso de arrancar os próprios cabelos, Park Hong-jun disse com voz irritada:

— Então por que não me avisaram? Merda, como é que todo mundo sabe…

A mão do colega ao lado parou. Em seguida, uma expressão de desprezo se voltou para Park Hong-jun.

— Você realmente gosta de culpar os outros, hein.

— O quê?

— Não se lembra de que o diretor tomou a iniciativa de avisar quando os novos funcionários chegaram no primeiro dia? Você esqueceu porque sua memória é uma droga, e agora está descontando em quem?

Com essas palavras, Park Hong-jun rapidamente pôs a cabeça para funcionar. “Quando os novos funcionários chegaram no primeiro dia?” “Por que eu não ouvi nada naquela época?”

— Ah.

Então ele se lembrou de um fato tardio. Naquele dia, Park Hong-jun tinha tirado uma folga e só viu os rostos dos novos funcionários que entraram no departamento de planejamento na segunda-feira, após o fim de semana.

— Ha… merda…

Ele sentia vontade de gritar. Se tivesse se aproximado bem, um caminho sólido poderia ter se aberto… Ele sentiu vontade de se matar por não ter reconhecido a corda de ouro bem ao seu lado e tê-la tratado como uma corda podre.

↫────☫────↬

— O que está fazendo? Não vai beber?

— Vou sim.

Com a insistência do amigo, Lee Cha-young levou o copo aos lábios. Ao contrário dos amigos que, como bebedores conhecidos, viravam bebidas fortes puras, Lee Cha-young apenas fingiu beber e pousou o copo novamente. Embora tivesse ido ao encontro por ser aniversário de um amigo próximo, não estava com humor para aproveitar a bebedeira.

Diferente dele, Kim Seong-han, o protagonista da festa, levantou-se com o rosto avermelhado por estar meio bêbado.

— Quem vai comigo dar uma olhada lá embaixo?

— É só chamar alguém, para que descer de novo.

— Hoje estou a fim de ver o pessoal comum. Ninguém quer descer?

— Vamos lá, vamos.

Algumas pessoas abriram a porta e saíram, deixando apenas dois no quarto. Yoon Jae-hyeok, que bebericava do outro lado, abriu a boca como se estivesse esperando por isso.

— Aconteceu alguma coisa? Você não parece bem.

— Nada.

— Pode falar. Eu te escuto.

— Realmente não é nada.

Mesmo se reunindo periodicamente para sair, o relacionamento deles não tinha um vínculo profundo o suficiente para compartilhar segredos; eram apenas pessoas que trocavam fofocas enquanto bebiam. Não era apenas ele; todos os membros eram assim.

Normalmente, haveria pelo menos a diversão de beber, mas hoje ele não sentia vontade alguma. O sintoma de sentir náuseas apenas com o cheiro da comida ainda persistia. Já estava com os nervos à flor da pele porque as coisas continuavam dando errado e, se bebesse de estômago vazio, sentia que não conseguiria aguentar.

— Quer que eu chame alguém?

— Faça como quiser.

— Duas pessoas?

— Me tire dessa. Vou embora logo.

— Você não ia virar a noite com a gente?

— Hoje não estou a fim.

Respondeu sem entusiasmo e pegou o celular. Então, ao descobrir um registro de chamada perdida inesperado, ele se levantou.

— Vou fazer uma ligação e já volto.

Assim que abriu a porta de isolamento acústico e saiu, a música alta da boate perfurou seus tímpanos a ponto de deixá-lo atordoado. Lee Cha-young caminhou rapidamente com o semblante fechado. Ao entrar na sala de fumantes, que servia como sala de descanso, ele fechou a porta e apertou rapidamente o botão de chamada.

— Ah, Cha-young.

Assim que ouviu a voz da pessoa do outro lado, Lee Cha-young foi direto ao ponto.

— Acabei de ver que a senhora ligou. Teve notícias do Gyu-ha?

— Eu liguei primeiro para saber se ele estava bem. Mas, não sei o que ele está pensando, ele disse que vai ficar mais um mês por lá.

— Ah…

Um suspiro profundo escapou de seus lábios secos. Mesmo agora, cada dia parecia um ano, e ouvir que ele ficaria mais um mês, não apenas um ou dois dias, o fez sentir como se sua visão estivesse escurecendo.

— Um mês… é?

Sentou-se pesadamente, encostando as costas na parede, e perguntou com voz desanimada, enquanto a voz de Jeong Eun-hee continuava:

— Eu disse para ele voltar logo, mas ele não escuta. E eu mencionei que você veio procurar por ele, e ele disse que entrará em contato separadamente quando retornar.

Um sorriso amargo e silencioso surgiu. Ele pensou que dificilmente Seo Gyu-ha teria dito algo assim.

— Entendido. Obrigado por ligar.

Ele disse algo apenas por cortesia e desligou. Bagunçando o próprio cabelo e com o cenho franzido, ele se virou, quando a porta da sala de descanso se abriu e alguém entrou.

— Oh, olá!

A imagem de alguém fazendo uma reverência de 90 graus subitamente entrou na visão de Lee Cha-young. Um momento depois de trocarem olhares, ele o reconheceu. Era aquele bottom, Jay ou algo assim, com quem costumava desfrutar de ménages com Seo Gyu-ha.

Em outro momento, ele teria pelo menos retribuído o cumprimento, mas agora não estava com disposição. Ao tentar passar sem responder, o sujeito atrevido bloqueou seu caminho e puxou conversa.

— Veio sozinho? Se não tiver parceiro…

— Saia da frente.

Cortando as palavras que ele despejava, Lee Cha-young voltou a caminhar. Mas seu caminho foi bloqueado mais uma vez.

Mesmo vendo a expressão de Cha-young se endurecer instantaneamente, Jay não recuou. Ele tinha entrado escondido querendo fumar um cigarro, e não sabia como ficara feliz ao ver o rosto do homem que se virava. Ele não podia deixar passar assim um cliente de elite, de um nível totalmente diferente dos “peixes pequenos”.

— Não seja assim, se não tiver parceiro, venha comigo. Você sabe que eu sou incrível nisso.

Ele tentou seduzir com um sorriso charmoso, mas o rosto perfeitamente esculpido do homem estava cheio apenas de desagrado. Por causa disso, Jay ficou ansioso.

“Se eu conseguir levá-lo para o quarto, ganho centenas de milhares em um instante… Como posso convencê-lo?”

Enquanto fritava o cérebro desesperadamente, uma ideia fantástica surgiu. Jay segurou apressadamente o braço do homem e continuou:

— Sabe, né? Aquele seu amigo ômega também ficou louco por mim e vivia me procurando. Eu não fiz nada hoje ainda, então…

— Amigo ômega?

Ele foi interrompido, mas não achou ruim. Pelo contrário, pensando “peguei ele”, Jay sorriu abertamente e assentiu vigorosamente.

— Sim. Aquele com quem às vezes fazíamos ménage. O que gosta de Glendronach e tem muitos piercings na orelha. Fiquei super surpreso ao saber que ele era ômega, mas enfim…

— …Espere.

— Sim?

— Cale a boca por um instante.

O homem à sua frente estava com o rosto extremamente rígido. Como alguém calejado neste meio, Jay fechou a boca prontamente.

“Será que os dois brigaram? Então eu pisei em uma mina terrestre.”

Enquanto observava ansioso por dentro, o rosto de Lee Cha-young não mostrava sinais de suavizar.

“Aquele com quem às vezes fazíamos ménage. O que gosta de Glendronach e tem muitos piercings na orelha.”

A pessoa mencionada pelo bottom à sua frente era Seo Gyu-ha. Só havia uma pessoa que participava de ménages com ele e que sempre bebia Glendronach quando ia à boate: Seo Gyu-ha. O problema era o que o bottom dissera em seguida.

“Sabe, né? Aquele seu amigo ômega também ficou louco por mim e vivia me procurando.”

“Fiquei super surpreso ao saber que ele era ômega.”

…Ômega? O Seo Gyu-ha?

Era algo que não fazia o menor sentido. Sem perceber, ele virou a cabeça e moveu os lábios.

— Que tipo de besteira é essa?

— Perdão?

O bottom, que mantinha as mãos unidas educadamente, sobressaltou-se e ergueu a cabeça antes de desviar o olhar rapidamente. Com os olhos fixos no topo da cabeça dele, Lee Cha-young falou novamente:

— …Você acabou de dizer com sua própria boca. Que o Seo Gyu-ha…

— …….

— É um ômega.

No momento em que proferiu as palavras que rondavam sua boca, ele sentiu como se seu coração tivesse despencado.

A partir de certo momento, seus batimentos cardíacos aceleraram de forma incontrolável. Ao mesmo tempo, sua mente estava entorpecida, como se estivesse congelada. Era como se sua cabeça e seu coração estivessem operando separadamente.

Como se implorasse por uma resposta, ele continuava olhando fixamente para o sujeito à sua frente, até que finalmente veio uma resposta cautelosa:

— Sim. Eu, acabei descobrindo por acaso, mas eu não tenho preconceito nenhum com isso. O que importa se é alfa ou beta…

— Descobriu por acaso?

— …Sim.

Ao responder, Jay estava em agonia. Ele não tinha saído espalhando por aí. Falando francamente, se eles eram os pervertidos que transavam com um beta no meio, seria um erro tão grande assim ele deixar escapar algo para tentar atrair um cliente?

O homem ainda mantinha a expressão rígida. Não, era mais do que rígida. Embora não fosse visível, havia uma aura fria e afiada que parecia sufocar Jay.

O motivo pelo qual Jay preferia dormir com o homem à sua frente não era apenas pela técnica e gorjetas incríveis, mas também pelo fato de ele não levantar a mão durante o ato. Mas, exatamente agora, ele pensou: “Pela primeira vez, isso pode mudar”. Percebendo por instinto que o homem exigia uma explicação mais detalhada, Jay abriu a boca com cuidado, tentando não irritá-lo.

— Há alguns dias eu fiz uma viagem com um amigo. E acabei encontrando ele lá por acaso e ouvi ele conversando com outra pessoa. Não é que eu quisesse ouvir, mas…

— Deixe as desculpas de lado e vá direto ao ponto.

Sentindo-se como um sapo diante de uma cobra, Jay continuou com o rosto pálido:

— Foi realmente por acaso que eu ouvi. Eu estava olhando porque parecia muito com a pessoa que eu conhecia e, bem, enfim, nos separamos logo depois disso.

— …….

O olhar de Lee Cha-young permanecia cravado no sujeito. Sua mente, momentaneamente congelada, só então começou a funcionar.

Qual seria a probabilidade de duas pessoas conhecidas se encontrarem por acaso em um destino turístico entre tantos outros? E ainda mais a probabilidade de ouvir secretamente uma conversa que a pessoa estava tendo com outra?

Embora pensasse que era algo absurdo, ele não conseguia ignorar a sensação incômoda.

Como já haviam se envolvido algumas vezes, ele conhecia razoavelmente bem o temperamento de Seo Gyu-ha… Alguém que parecia tão esperto quanto esse cara não inventaria uma mentira insustentável apenas para ganhar alguns trocados. Mesmo que fosse o caso, o fato de ele ter mencionado especificamente a “classe” o incomodava. Dizer que alguém que não estava ali, e que qualquer um veria como um beta, era um ômega, não era algo que se inventaria do nada.

Tendo organizado seus pensamentos minimamente, Lee Cha-young falou mais uma vez. O cara parecia achar que tinha se saído bem, mas havia uma parte que chamava a atenção visivelmente.

— Fale.

— Perdão?

— Você mudou de assunto de repente. Continue o que ia dizer originalmente.

— Não fiz isso. O que eu disse agora é tud— Argh!

Um gemido de dor escapou da boca de Jay. Em um piscar de olhos, ele foi empurrado contra a parede e sentiu uma dor aguda nas costas. Segurando o colarinho dele com tanta força que os calcanhares dele saíram do chão, Lee Cha-young repetiu as mesmas palavras:

— Fale.

— É-é sério, é só isso. Eu parei um pouco para engolir saliv— Ugh!

Finalmente, seus dois pés saíram completamente do chão. Sua respiração foi bloqueada e seu rosto ficou vermelho instantaneamente.

— So-socorro…!

Como se o colarinho não fosse suficiente, a força que apertava seu pescoço agora impedia até que qualquer som saísse.

Em comparação, Lee Cha-young estava assustadoramente calmo. Não havia nenhuma emoção em seus olhos enquanto observava Jay lutando para afastar sua mão. Um momento depois, Lee Cha-young falou novamente:

— Se pretende falar, balance a cabeça.

Mesmo com a garganta sufocada, Jay balançou a cabeça freneticamente. Finalmente, a força que o asfixiava desapareceu e seu pequeno corpo caiu desajeitadamente no chão.

— Cof, cof! Argh! Arf, arf…

Lágrimas, coriza e tosses se misturaram em uma explosão. Embora estivesse sofrendo como se fosse morrer, o instinto de sobrevivência era a prioridade. Abrindo bem a boca e repetindo o ato de inspirar e expirar, Jay se assustou novamente e bateu a nuca na parede. Viu o rosto do homem ajoelhado bem à sua frente.

Ele estava tão assustado que nem as lágrimas saíam mais. Seus dentes batiam involuntariamente, produzindo som. Ele queria sair dali imediatamente, mas era apenas um desejo. Longe de fugir, seu corpo congelado não permitia que movesse nem um dedo conforme sua vontade.

“Por que diabos…?”

Sua mente estava em total confusão. Ele era o alfa mais educado e gentil entre todos os clientes que atendia, e por isso tentara seduzi-lo hoje, mas não conseguia acreditar na situação que estava ocorrendo.

— Argh…!

Sentiu novamente a pressão sufocando sua garganta. Não, não era uma força física aplicada. Era verdade que a distância era curta o suficiente para ser tocado se o homem estendesse a mão, mas o homem não tocava nenhuma parte de seu corpo.

Enquanto ele tremia como uma folha, veio a ordem murmurada com a voz habitual:

— Fale.

— Eu, eu vou falar.

Não tinha escolha se quisesse viver. Pelo medo de que algo realmente grave pudesse acontecer, Jay, com os lábios arroxeados, despejou o que lhe veio à mente:

— Parecia que ele estava… grávido.

O homem reagiu após alguns segundos de silêncio.

— Grávido?

Desta vez, Jay realmente sentiu vontade de chorar. A imagem do homem, que o olhava com indiferença e de repente soltou um riso curto ao perguntar, era mais assustadora que qualquer filme de terror.

Arrependendo-se amargamente de ter puxado conversa minutos atrás, Jay confessou tudo o que pôde recordar daquele momento:

— Eu ouvi claramente ele dizendo que não sabia se conseguiria dar à luz e criar bem a criança. Disse também que queria ficar lá até o bebê nascer. Então ele se levantou e eu corri para cumprimentá-lo, e nos separamos logo em seguida.

— …….

— É-é sério, é só isso.

Mesmo se estivesse sentado em cima de uma camada fina de gelo, não estaria com tanto medo. Sem conseguir respirar direito e apenas observando as reações dele, ouviu-se a pergunta que se seguiu, com os olhares se cruzando novamente:

— …Seo Gyu-ha disse algo assim?

— Sim.

Esperando desesperadamente que ele acreditasse, Jay assentiu com a cabeça freneticamente.

— Existe a possibilidade de ser outra pessoa e você ter se enganado?

— Absolutamente nenhuma. O rosto, os piercings chamativos e, acima de tudo, ele me reconheceu e conversamos, não tem como ser outra pessoa.

— …….

— É-é verdade.

Naquele momento, ouviu-se o clique da porta da sala de descanso se abrindo. Jay virou a cabeça instintivamente e seu rosto se iluminou ao ver um homem entrando.

Gulp. Engoliu em seco e moveu apenas as pupilas para olhar para frente. O rosto do homem que o intimidara mortalmente agora parecia cheio de confusão. Pensando que aquela era a sua chance, Jay moveu-se sorrateiramente sentado em direção à porta. Quando garantiu uma distância segura, estendeu o braço apressadamente, abriu a porta e fugiu dali o mais rápido que pôde.

Independentemente disso, Lee Cha-young não se moveu. As palavras que ele forçara o acompanhante a cuspir vagavam bagunçando sua mente.

“Seo Gyu-ha é um ômega? …E ainda por cima está grávido?”

Não importa quantas vezes ele repensasse, não fazia sentido.

Lembrou-se claramente de quando era criança, entre as mães que tomavam chá e conversavam sobre classes, a mãe de Seo Gyu-ha dissera que “seu filho mais novo era um beta”. E apenas pela aparência externa, Seo Gyu-ha estava longe de ser um ômega. Sua altura acima da média e seu físico robusto jamais poderiam ser considerados de um ômega.

Havia outro motivo. Desde que se tornaram parceiros sexuais, houve várias vezes em que ele exalou feromônios inconscientemente durante o ato, e Seo Gyu-ha nunca demonstrou uma reação típica de ômega. O mesmo aconteceu até durante o ciclo de rut. Ele sentia que ele sofria durante todo o tempo em que transavam, mas era devido ao prazer excessivo, não aos feromônios. Inversamente, ele também nunca detectou os feromônios de Seo Gyu-ha.

Mesmo que se bloqueie com inibidores ou se controle, sempre há limites. Sendo ele um alfa lúpus, exalava feromônios naturalmente em espaços estritamente pessoais, mas quando entrou no quarto dele, tanto na casa dele quanto na casa da família dele, não sentiu nem um pouco de feromônio de ômega. Tinha certeza disso…

— …….

Em seguida, Lee Cha-young escancarou a porta brutalmente e saiu.

Caminhando com uma aura tão sinistra que as pessoas no corredor se assustaram, Lee Cha-young ligou urgentemente para algum lugar. Era alguém que poderia verificar a veracidade dos fatos imediatamente.

↫────☫────↬

O estacionamento subterrâneo estava silencioso. Entre carros que entravam e saíam ocasionalmente, Lee Cha-young esperava a ligação de alguém sentado no banco do motorista.

A espera não foi longa. Sentado com uma expressão totalmente rígida, o toque do celular quebrou o silêncio; ele olhou para a tela por um momento e atendeu.

— Verifiquei o que o senhor pediu.

— Relate.

Ele tentou falar com naturalidade, mas não havia como impedir os batimentos cardíacos que aceleravam sozinhos novamente. Enquanto ouvia com atenção, em silêncio, as palavras foram ditas de forma profissional:

— Seo Gyu-ha está legalmente registrado como ômega e há um registro de que ele passou por uma cirurgia de supressão de secreção de feromônios aos 17 anos. Se necessário, posso ir ao encontro do senhor agora mesmo.

— …Não é preciso.

Respondeu com dificuldade e desligou. Após encarar a frente com o rosto rígido por um tempo, ele fechou os olhos com força, pressionando a região do coração que batia como se estivesse quebrado.

Não havia necessidade de perguntar se era verdade. Considerando a capacidade de coleta de informações do Secretário-Chefe Jeong, cujas rotas abrangiam tanto meios legais quanto ilegais e alcançavam os altos escalões do governo, questionar a veracidade seria perda de tempo.

“Seo Gyu-ha está legalmente registrado como ômega e há um registro de que ele passou por uma cirurgia de supressão de secreção de feromônios aos 17 anos.”

— Ha…

Foi o momento em que sua mente ficou negra como tinta.

Até o momento em que ligou para o Secretário-Chefe Jeong, o pensamento de que “não era possível” predominava. Embora soubesse que um acompanhante, para quem os clientes eram como patrimônio, não teria motivo para inventar algo assim do nada, ele simplesmente não conseguia aceitar a notícia de imediato.

Seo Gyu-ha é um ômega? Aquele Seo Gyu-ha…?

Embora ainda fosse inacreditável, as evidências circunstanciais que corroboravam isso já estavam por toda parte. O fato de ele ficar surpreendentemente úmido atrás para um beta, as paredes internas que se agarravam a ele de forma extasiante toda vez que o penetrava, e o fato de ter aceitado um alfa em rut durante três dias seguidos.

Era algo que agora parecia ridiculamente óbvio, mas, preso ao preconceito de que ele era um beta, ele nem sequer pensou que fosse estranho.

Havia algo mais que ele agora percebia.

O dia em que Seo Gyu-ha se enfureceu dizendo para nunca mais ligar e começou a ignorar seus contatos foi a partir daquele dia. O dia exato em que ele respondeu que, se fosse ele, faria a criança ser tirada.

Assim que percebeu, sua visão escureceu. Se as palavras do acompanhante também fossem verdadeiras, se Seo Gyu-ha estivesse realmente grávido, a probabilidade de aquela criança ser dele era de cem por cento.

Como se conheciam há muito tempo, Lee Cha-young sabia muito sobre Seo Gyu-ha. Pela personalidade dele, ele teria pensado e repensado antes de tocar no assunto de forma indireta… O que ele, em troca, teria feito com ele?

Assim como sua visão escura, sua mente estava completamente negra. Ele não conseguia nem estimar o que ou por onde começar a consertar as coisas.

Enquanto engolia gemidos internamente, outra frase que ouvira hoje cruzou sua mente latejante como um raio.

“Ele disse que queria ficar lá até o bebê nascer.”

Seus olhos fechados se abriram bruscamente. De repente, seu coração começou a oscilar novamente. A frase “querer ficar até o bebê nascer” só poderia ser dita partindo do pressuposto de que ele “daria à luz ao bebê”.

“…Mantenha a calma. Por favor.”

Embora fosse uma situação em que manter a calma era impossível, ele suprimiu as emoções que queriam explodir e forçou a mente a trabalhar. Seus pensamentos, que voltavam e voltavam no tempo, finalmente pararam em um ponto.

Primeiro, encontrar Seo Gyu-ha era a prioridade máxima.

Antes que ele mudasse de ideia, antes que fizesse uma escolha irreversível, agora mesmo.

Lee Cha-young pegou o celular imediatamente e ligou para algum lugar. Após o que pareceu um tempo infinitamente longo, a outra pessoa finalmente atendeu. A interlocutora era a mãe de Seo Gyu-ha.

— Alô?

— Tia, é o Cha-young. Desculpe ligar novamente a esta hora tardia.

— Tardia nada. Ainda nem são 22h. Mas por que ligou?

Assim que ouviu a pergunta, respondeu como se estivesse esperando:

— Por acaso eu poderia lhe pedir um favor?

— Um favor? Para mim?

— Sim. …Gostaria de saber onde o Gyu-ha está agora. Recebi férias antecipadas e achei que seria bom encontrá-lo, aproveitando a oportunidade, antes que ficasse mais tarde.

Uma mentira fluiu de forma tão natural que ele mesmo se surpreendeu. Na verdade, em vez dessa mentira, as palavras “acabei de saber que o Gyu-ha está grávido e o filho é certamente meu” rondavam a ponta de sua língua, mas ele conseguiu se conter com a pouca força de razão que lhe restava. Se Jeong Eun-hee soubesse da gravidez do filho, as coisas seriam mais fáceis, mas se por acaso ela não soubesse, poderia sofrer um choque e desmaiar.

De qualquer forma, a prioridade número um a ser feita agora estava decidida. Ele queria encontrar Seo Gyu-ha o mais rápido possível para ver seu rosto, pedir desculpas pelo seu erro e estar com ele.

— Eu não sei exatamente onde ele está hospedado… Espere um pouco. Vou ligar para o Seong-yeol e perguntar.

— Sim. Ah, e eu preferia que a senhora não dissesse que eu vou procurá-lo. Quero fazer uma surpresa e deixá-lo espantado.

— Entendi. …Mas escute.

— Sim.

— Lembrei de repente que você disse que tinham discutido. Por acaso o nosso Gyu-ha fez algo de errado com você?

— De jeito nenhum. Foi cem por cento culpa minha… Vou lá pedir desculpas e voltarei com o Gyu-ha.

Eram palavras que continham seu desejo de que assim fosse. Ele não sabia se Seo Gyu-ha voltaria docilmente com ele mesmo que conseguissem se encontrar, mas isso era algo para se pensar na hora.

— Tudo bem. Então eu fico agradecida. …Na verdade, o Gyu-ha não está bem de saúde e precisa ter cuidado. Mesmo que ele aja com grosseria, por favor, entenda o lado dele. Eu lhe peço isso.

A pergunta se era por causa da gravidez quase surgiu, mas Lee Cha-young conseguiu se conter novamente e respondeu em seguida:

— Sim. Então, por favor, faça isso por mim agora.

— Está bem. Até logo.

Assim que desligou com tom educado, seu olhar mudou. Lee Cha-young deu a partida no carro e saiu imediatamente do estacionamento, girando o volante. Seu plano era pegar o passaporte e ir direto para o aeroporto.

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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