Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 87 Online

Capítulo 87
Mesmo assim, ele estava longe de ser um casanova. Na adolescência e no início dos vinte anos, ele teve apenas três namoradas no total.
É claro que Cassian, que sempre viveu como um estudante modelo e dedicado, teve uma única experiência de uma noite na época em que sonhou em se desviar da rotina. No entanto, o único resultado daquela libertinagem foi um soco pesado e impiedoso dado pelo “amendoim” na manhã seguinte, enquanto ele ainda nem tinha acordado para o mundo.
Sim, aquele moleque maldito. Aquele punho pequeno era surpreendentemente dolorido.
*Ranger.* No instante em que rangeu os dentes, a lembrança de Bliss golpeando seu pau, que acabara de despertar do sono, reviveu instantaneamente.
— …Argh.
A sensação de frio na espinha veio assim que a memória terrível e enterrada ressurgiu vívida. Cassian inspirou bruscamente e olhou apressado para baixo. Felizmente, tudo estava intacto. O que era óbvio, claro.
— Haah.
Soltando um suspiro pesado e complexo, ele voltou a olhar pela janela com uma expressão séria. O que ele costumava fazer com as namoradas naquela época? Não era fácil desenterrar memórias de mais de dez anos atrás. Além disso, um encontro para agradar aquele “farelo de amendoim” imaturo? Ele não conseguia sequer imaginar o que diabos deveria fazer.
Seria melhor pedir para Penelope montar um plano?
Ele não se importava mais com a dignidade. Para escapar da crise que enfrentava, faria qualquer coisa. Ele tentava ignorar a realidade miserável de ter que bajular um “amendoim”.
Antes que desistisse de tudo por causa da autoconfiança abalada, Cassian ligou rapidamente para Penelope.
— Sim, conde. É a Penelope. Devo mandar o Bliss sair agora?
A voz da governanta, que atendeu imediatamente após apenas dois toques, parecia quase flutuar de alegria. Como se ela não desse a mínima para o fato de não ter passado nem uma hora desde que Cassian deixara o castelo.
— Não, Penelope. Não é isso.
Engolindo a custo um gemido que fervia no fundo da garganta, ele se esforçou para responder com uma voz indiferente.
— Eu não sei qual é o gosto do Amendo… não, do Bliss, então descubra o que seria bom fazer. Não seria má ideia você mesma dar algumas sugestões.
— Ah, faça como o de costume, como sempre faz.
“O problema é justamente o que diabos é esse ‘de costume’.”
Embora a governanta desse risadinhas e desconversasse, a decisão de Cassian não mudou.
— Me ligue de volta em uma hora. Vou desligar.
Ele desligou antes que a governanta pudesse irritá-lo ainda mais. Bem, agora restava esperar pela resposta de Penelope. Respirando fundo e encostando o corpo profundamente no assento, algo entrou no campo de visão de Cassian.
…Falando nisso.
Observando distraidamente um bando de pássaros levantando voo, ele se lembrou vagamente. Quando foi a última vez que observou pássaros?
Parecia tão distante quanto seu último encontro.
Mesmo que os pássaros já tivessem sumido de vista, Cassian continuava imerso em pensamentos, incapaz de desviar o olhar do vazio.
***
Ao terminar a ligação, Penelope olhou para o celular com os olhos arregalados. Ela estava atordoada, incapaz de acreditar no que seu patrão acabara de dizer.
“O conde pedindo conselhos para mim?”
Não fazia o menor sentido. Como fã de longa data de romances, Penelope conhecia bem todos os homens “cobiçados” da alta sociedade de Londres. Entre eles, Cassian Strickland, o atual Conde de Heringer, era literalmente um cisne em meio a um bando de gansos.
Porte elegante, estatura alta, beleza fria e, além disso, uma riqueza e prestígio imensos. Sendo um “homem que tem tudo”, o conde certamente deveria ter inúmeras experiências amorosas.
Claro, nos últimos anos — bem, não era exatamente “recente”, já fazia um tempo — mas, enfim, com a experiência acumulada, seduzir o Bliss deveria ser mais fácil do que sentar e respirar.
“E esse conde me pedindo conselhos?”
— O que será que está acontecendo? — Penelope murmurou sozinha, andando de um lado para o outro. Não era possível que o conde não soubesse nada sobre encontros…
— Ah, é isso!
Percebendo subitamente, Penelope bateu as palmas das mãos. Mesmo um homem experiente tende a se perder e cometer erros diante da primeira pessoa por quem sente amor de verdade. Sim, o conde entrou nessa fase. Até agora, ele deve ter conquistado o coração dos outros sem esforço, mas com alguém por quem ele se tornou “sério”, as coisas não funcionam assim, então é natural que a cabeça dele fique em branco.
Sendo assim…
— Não se preocupe, conde! Pode confiar nesta Penelope!
Ela declarou com confiança, virada para a direção onde Cassian provavelmente estaria. Bem, o próximo passo…
— Blis… não, Blair. Blaaiiir!
Gritando pelo nome de Bliss, que deveria estar em algum lugar do vasto castelo, Penelope correu pelo corredor com passos leves, quase voando.
***
— Ick, ick.
Esfregando com força a poeira antiga presa no batente da janela, Bliss franziu a testa o máximo que pôde. Por que isso não sai? Será que isso é apenas a estampa da madeira?
— O que foi, Blair? Aconteceu algum problema? — perguntou Dorothy, que limpava a janela ao lado, ao ver Bliss analisando o batente com os olhos semicerrados.
Bliss respondeu sem desviar o olhar sério da madeira:
— Não sai de jeito nenhum, então estava pensando se ele é assim mesmo originalmente.
— Deixe-me ver. Ah, isso aqui.
Aproximando-se prontamente para verificar o local que Bliss estava esfregando, ela soltou uma risadinha, pegou um dos produtos de limpeza deixados no chão e borrifou ali.
— Pronto. É só deixar assim por uns 5 minutos e depois limpar.
— Uau, entendi.
Ele se perguntava por que havia tantos tipos de produtos de limpeza, mas parece que todos tinham uma utilidade específica.
Bliss assentiu admirado, e a empregada guardou o produto de volta no balde e disse:
— É algo bem simples. Talvez os americanos não saibam disso.
Ela arqueou as sobrancelhas e forçou um sorriso gentil, mas com um tom de voz que fez Bliss rir e responder:
— É que eu nunca fiz esse tipo de coisa. Obrigado por me ensinar.
Por um instante, o rosto de Dorothy ficou rígido. Mas logo ela recuperou a expressão indiferente e apontou para o outro lado.
— Agora limpe aquela parte. Consegue fazer?
— Sim, eu consigo!
Respondendo animado, Bliss cantarolou enquanto borrifava o produto no batente. “Certo, 5 minutos a partir de agora”. Pensando nisso, ele ia guardar o produto no balde, mas Dorothy, que observava a cena, deu um sorriso estranho e pegou a garrafa que estava ao lado da que Bliss havia usado.
— É esta aqui.
— Ah.
Ela borrifou o produto de forma exibida, sorriu abertamente e acrescentou:
— Não é tão fácil quanto parece, não é? Eu entendo. Os americanos parecem que só sabem falar alto e que a cabeça não funciona muito bem, mas fico feliz que você, Bliss, não seja barulhento.
Bliss hesitou e virou a cabeça, deparando-se com o sorriso radiante de Dorothy. Diante daquele rosto que sorria de forma aparentemente pura, ele também abriu um sorriso largo e respondeu:
— É que eu sou um pouco reservado por natureza.
— É mesmo?
Quando Dorothy desviou o olhar com uma risadinha debochada, Bliss acrescentou mais uma frase:
— Ouvi dizer que os britânicos são todos mal-humorados e só sabem falar pelas costas, mas que bom que a Dorothy é gentil!
O rosto de Dorothy congelou instantaneamente. Sob o olhar dela, Bliss elevou os cantos da boca em um sorriso doce. “Elogio se retribui com elogio. Afinal, eu sou uma pessoa educada”. No momento em que ele estufou o peito com toda a confiança, o toque do celular ecoou de seu bolso.
Inclinando a cabeça e verificando quem ligava, Bliss franziu as sobrancelhas e encarou a tela por um momento. Em seguida, após um suspiro profundo, atendeu o telefone e a voz familiar soou imediatamente.
— Bliss? É o Bliss?
— Sim, Penelope. Sim. Sim. …Agora?
Após repetir a mesma resposta algumas vezes, ele pareceu surpereso e logo soltou um pequeno suspiro.
— Entendi, sim.
Assim que desligou, Bliss olhou para a empregada, que perguntou com um tom carregado de sarcasmo:
— A Penelope está te chamando, é?
— Sim, ela disse para eu ir agora mesmo.
Diante da resposta sincera de Bliss, ela jogou o pano no balde com um “Splash” sonoro, torceu os lábios e zombou:
— Então você deve ir. Não se preocupe com isso aqui. Esse tipo de coisa é para pessoas como nós fazermos. Você é diferente de nós, não é, Blair?
Embora ela tivesse falado com total sarcasmo, a reação de Bliss foi completamente diferente do esperado.
— Pois é, então.
Bliss também jogou o pano que segurava no balde com um “Tchibum” e sorriu radiante para Dorothy, que estava com os olhos arregalados.
— Já vou indo. Ah, tem uma mancha enorme ali daquele lado. Não se esqueça de limpar também. Tchau, Dorothy. A gente se vê depois. Tchauzinho!
— Espere…
Dorothy tentou segurá-lo, confusa, mas Bliss virou as costas imediatamente e saiu correndo. Observando o rastro dele desaparecer, a empregada, com o rosto fervendo de raiva tardia, acabou gritando:
— Que droga! O que é que há de errado com aquele garoto?!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.