Ler My Perfect Omega (Novel) – Capítulo 9.3 Online

ꕥ Capítulo 9 – O Ômega Perfeito, Parte 03
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— {De jeito nenhum. Na verdade, ok, eu admito. Temos seguido muito o Presidente Owen. Ele é tão bonito, não é?}
— {Exatamente. Ele poderia ser um ator sem problema nenhum.}
— {É injusto que Deus tenha dado tudo a ele.}
Toda vez que reportagens sensacionalistas surgiam, eram seguidas por declarações sugerindo que a atenção vinha da inveja, por ele parecer ter tudo, pedindo que as pessoas fossem compreensivas. Como se seguisse um roteiro, no dia seguinte, postagens online apareciam desdenhando que ele não tinha tudo, zombando dele como um ômega defeituoso com expressões rudes. Esse era o padrão.
— {Exatamente. Desta vez, ele realmente tem tudo. Gravidez, casamento, tudo.}
Mas desta vez foi diferente. Menos de um dia após o anúncio do casamento, o número de tabloides sensacionalistas caiu significativamente. Os apresentadores de TV também estavam visivelmente mais cautelosos em seus comentários em comparação a duas semanas atrás, quando as fotos de paparazzi foram publicadas.
— {Ele está se casando com um diretor da própria empresa, nada menos. Ele é conhecido por ser um trabalhador ávido, mas isso é outra coisa. Ele realmente conquistou tanto a carreira quanto o amor no local de trabalho.}
— {Aquele dia no Centro Ômega, ele estava acompanhado por um alfa alto, certo?}
— {De acordo com o informante, inicialmente pensaram que ele era um guarda-costas, mas quando o viram entrar na clínica com um braço em volta do ombro dele, perceberam, oh, aquele é o parceiro dele. Mas pessoal, este é o ponto em que estamos focando.}
O apresentador inclinou-se para frente. A câmera deu um zoom no rosto do apresentador antes de mudar o foco para o monitor.
No monitor, duas fotos eram exibidas lado a lado. Embora os cenários e as roupas fossem diferentes, ambas mostravam Nick com um braço sobre o ombro de Owen.
— {A foto à esquerda é de setembro passado, durante o incidente do ataque no heliporto, tirada enquanto ele saía da delegacia após prestar depoimento. A foto à direita é, bem, agora mundialmente famosa.}
— {É a mesma pessoa?}
Um painelista perguntou em nome do público.
— {Sim, parece ser a mesma pessoa. Mas sou só eu que sinto isso? Olhando para a foto da esquerda, o comportamento ou a vibração dele não faz parecer que ele é apenas uma das pessoas escoltando o Presidente Owen para fora da delegacia?}
— {Se for o caso, o boato de que ele era um ex-guarda-costas pode ser verdade. O porte físico dele sugere isso. Acima de tudo, olhem para a postura dele — é diferente. Não é algo que uma pessoa comum consegue fazer apenas decidindo proteger ou escoltar alguém.}
— {Pareceria desajeitado se nós tentássemos.}
Outro painelista assentiu em concordância.
— {Há uma vibração profissional nisso. É nítido, preciso.}
— {Então, isso significa que o amor floresceu depois disso, levando a momentos como este?}
Referindo-se a “momentos como este”, o apresentador apontou especificamente para Nick de roupão na foto à direita.
— {É o que parece, não é? Mas há mais uma notícia. Nossa investigação revelou uma mudança significativa no registro de acionistas da Rose Pharmaceuticals recentemente.}
— {Que tipo de mudança?}
— {Victor Rose, um grande acionista, transferiu suas ações e, surpreendentemente, o destinatário não foi o Presidente Owen Rose.}
— {Oh, uau, isso geralmente não causa problemas para defender o controle da gestão?}
— {Se fosse esse o caso, você teria ouvido isso no jornal das 8, não no nosso programa.}
O apresentador de TV, com um rosto sorridente, esclareceu que aquela não era uma notícia corporativa maçante.
— {Mas Victor Rose não é o pai de Locke W. Rose, que faleceu recentemente em um acidente infeliz?}
— {Correto. De acordo com fontes, em vez de seu falecido filho, ele transferiu as ações para seu sobrinho por afinidade e anunciou sua aposentadoria. Para quem não sabe, deixe-me apresentar brevemente: o filho de Victor Rose, Locke W. Rose, era um jovem cientista que publicava artigos ativamente. Ele construiu um laboratório de pesquisa em uma ilha de propriedade da família, onde conduziu anos de pesquisa sobre catalisadores e feromônios alfa. Colegas da comunidade científica expressaram pesar pela morte do jovem cientista, dizendo que esperavam mais conquistas.}
— {Foi um acidente?}
— {Sim, um pequeno incêndio começou no laboratório mencionado, e um obituário foi publicado no Manhattan Times pouco antes.}
— {Ele era filho único?}
— {Sim.}
— {Então é por isso que estão dizendo que o parceiro de casamento é um diretor da empresa. Porque ele recebeu as ações.}
— {Então o artigo estava correto.}
— {A propósito, Victor Rose é impressionante. Isso é a dignidade da elite?}
— {Trouxemos muitos relatos relacionados à Rose recentemente, mas estamos felizes em compartilhar notícias tão reconfortantes também. E, embora com atraso, oferecemos nossas condolências pelo falecido.}
Estava longe da verdade, mas foi um encerramento satisfatório. Nick pegou o controle remoto e desligou a TV, discretamente embutida como um porta-retrato em um canto do quarto.
— Eu disse à equipe jurídica para garantir que suas informações pessoais não vazem. Mas seu rosto já está por aí… o que podemos fazer?
— Está tudo bem. Eu uso uma máscara ou creme de camuflagem quando trabalho, então não vai interferir.
Além disso, a foto da delegacia estava superexposta pelo flash, reconhecível apenas por quem conhecia Nick, e a segunda foto, com barba e vestimenta ousada, atraía mais atenção para o corpo dele do que para o rosto, então poucos o reconheceriam ao passar por ele. Mesmo que reconhecessem, não importava.
Mas Owen, ainda inquieto apesar das garantias de Nick, permanecia visivelmente perturbado.
— Há algo mais te preocupando?
— …Eu me sinto culpado.
— Culpado pelo quê?
— Por tudo relacionado ao Locke. Sinto que joguei tudo em cima de você.
O artigo sobre a morte de Locke foi um pequeno aviso de obituário, nada mais. Isso surpreendeu Nick um pouco.
Ele esperava que Victor gastasse dinheiro em um elogio fúnebre elaborado, pintando Locke como um gênio interrompido cedo demais. Mas Victor nem sequer realizou um funeral adequado. De acordo com uma Catherine indignada, o funeral foi terceirizado, e nem Victor nem Sarah compareceram. A desculpa dada foi que Sarah havia colapsado pelo choque e precisava de cuidados.
— Mas não faz sentido que o tio Victor desistisse de suas ações. Ele não é esse tipo de pessoa. Nick, o que você fez? Não, se você não puder explicar, tudo bem. Mas… você está realmente bem?
— Talvez Victor tivesse algum resquício de orgulho. O que Locke fez provavelmente foi além do que até ele poderia tolerar. É como eu vejo.
Parecia que Victor não tinha a decência de realizar um funeral público apropriado. Essa era a interpretação de Nick.
— Nick, se surgir qualquer problema, você tem que me contar.
— Claro. Eu contarei. Mas tudo foi resolvido, sem problemas.
— …Para a tia Sarah, Locke não era apenas um filho.
— Se ela fosse vir atrás de nós com raiva, já teria feito. Ela provavelmente já sabia que havia algo de errado com o filho dela. Mesmo que não soubesse de tudo, ela suspeitava. Assim que processar o choque, ela aparecerá de novo. Deixe-a. Sobreviventes encontram maneiras de reivindicar vitórias mentais e seguir em frente.
— …De repente, estou preocupado se serei um bom pai.
Um suspiro escapou de Owen enquanto ele se dirigia ao closet.
A conversa estava tomando um rumo estranho. Nick rapidamente ergueu uma barreira.
— Eu serei aquele que vai criá-los de qualquer maneira, então com o que se preocupar? Tudo o que você precisa fazer durante a gravidez é focar em relaxar. Confie em mim. Sou até um dos melhores em educação. Pergunte a qualquer um dos funcionários da nossa empresa.
— …Acho que esse tipo de educação é diferente, mas vou confiar em você.
Felizmente, Owen virou-se com um sorriso.
— ….
— O quê?
Owen parou no meio do caminho para o closet, percebendo o silêncio repentino de Nick.
Ultimamente, olhar para o rosto de Owen parecia estranho. Às vezes, até parecia que o rosto dele tinha mudado, como o programa de TV alegara. Suas feições não haviam se alterado, mas… em termos de cor, era como se ele tivesse se tornado mais rico, mais vibrante.
— Vou comparecer à reunião do conselho hoje.
Nick tomou a decisão abrupta, encarando as costas de Owen enquanto ele tirava o roupão.
— …Tudo bem, mas você não mencionou nada sobre isso até ontem.
O roupão que Owen estava removendo parou na cintura. Suprimindo o desejo de trancá-lo no quarto, Nick aproximou-se.
— Claro, eu vou te apoiar, Owen. Não vou interferir, então não se preocupe.
— Eu não estava preocupado com isso.
— …!
Owen lançou outro sorriso vibrante.
Antes que Owen pudesse alcançar totalmente o guarda-roupa, Nick o virou. Impulsivamente, ele puxou Owen para perto e o beijou. Owen soltou um pequeno som de surpresa, mas logo retribuiu.
— Ultimamente, sinto como se o seu perfume estivesse emanando de cada parte de você. Eu não consigo aguentar.
Nick ofereceu uma desculpa por seu ato impulsivo enquanto seus lábios ainda estavam pressionados. Não era apenas o perfume.
Os lábios de Owen — aqueles lábios que deixavam as calças de Nick desconfortáveis toda vez que ele sorria. O alcance elegante das pontas de seus dedos, sua cintura ainda esguia. E… o perfume emanando de cada parte de Owen. Esse perfume perturbadoramente sensual!
Até na noite passada, Nick havia se ajoelhado entre as pernas de Owen, implorando para ser encharcado com apenas mais um pouco do seu perfume.
Ele não sabia por que um ômega grávido emitia um perfume que excitava um alfa, mas Owen havia se tornado irresistivelmente provocador ultimamente.
Incapaz de resistir, a mão de Nick já estava roçando o lado de Owen. Ele pensou que um toque bastaria, mas como sempre, nunca saía de acordo com o plano.
A noite anterior à passada foi a mesma coisa. A pele de Owen era mais macia que seda, e Nick havia levantado o pijama de seda de Owen, mergulhando em sua carne. Ele acariciou a pele lisa do estômago ao peito de Owen até que suas mãos parecessem gastas. Quando Nick se maravilhou com como aquilo era possível, Owen retrucou, um pouco magoado, que Nick estava apenas perdido nos delírios do amor. Owen era perfeito, mas às vezes dizia coisas tão dolorosas.
Como se para provar que não era uma ilusão sensorial, Nick traçou o perfume de Owen descendo por seu pescoço longo, movendo-se para baixo. No momento em que estava prestes a abocanhar um mamilo rosa saliente, Owen agarrou a cabeça de Nick.
— Posso me vestir agora? Já viu o suficiente, Nick?
A respiração de Owen estava irregular. Seu peito subia e descia rapidamente. Nick achou adorável que ele tentasse falar com calma apesar disso, então ignorou o puxão em seu cabelo e levou o mamilo à boca.
— Ha… ah.
Owen mordeu o lábio inferior. Nick, fixando os olhos nos de Owen, enrolou o mamilo agora inchado com a língua.
— Eu vou te vestir. Devemos praticar agora. Vai ficar mais difícil se vestir sozinho mais tarde.
O botão inchado, liberado de sua boca, brilhava com a umidade.
— A cor mudou.
— ….
Em vez de responder, Owen, com as bochechas coradas, esticou a mão para uma camisa.
— É melhor eu te acompanhar desde o trajeto hoje.
Nick pegou a camisa primeiro, deslizando-a nos braços de Owen.
— Não tenho ideia de como uma coisa se conecta à outra.
Embora Owen falasse com calma, ele manteve a cabeça baixa, ainda envergonhado. Nick ajudou as mãos desajeitadas de Owen, abotoando a camisa uma por uma. Ele a enfiou firmemente dentro das calças de Owen, garantindo que nenhum perfume pudesse escapar.
— Não há conexão. Seus mamilos são lindos e, como membro do conselho, vou comparecer à reunião.
O real motivo era mais primal, mas não havia necessidade de um ômega grávido saber que seu alfa às vezes sentia uma ansiedade irracional. Nick só precisava verificar se havia algum inseto farejando seu ômega. Graças à expressão bem escondida de Nick, apenas as bochechas de Owen coraram.
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Um homem com um porte físico semelhante ao de Nick moveu-se primeiro. Só depois que ele se afastou é que Nick aceitou que a estrutura atrás dele era uma entrada real.
Os dois painéis grossos de madeira, completos com maçanetas, eram claramente portas, mas também pareciam projetados para negar a entrada.
O homem que abria a porta estava de terno, mas seu peito protuberava de forma estranha. É assim que fica quando se usa um coldre por baixo. Ele não estava ali apenas para abrir e fechar portas.
Um porteiro. A entrada em estilo medieval era grandiosa, e o homem estacionado ali servia a um propósito similarmente arcaico.
O homem encarou o rosto de Nick com uma intensidade que sugeria que ele memorizaria todos que passassem por ali.
Inabalável pelo olhar afiado do homem, Nick deu um breve aceno de cabeça em saudação e passou por ele, entrando. Além das portas medievais, outra porta apareceu, esta com um design mais familiar.
— Sr. Stockton?
No momento em que Nick passou por uma porta moderna trancada, um funcionário se aproximou. O tom subiu no final, mas estava claro que o funcionário tinha certeza de que o recém-chegado era Stockton.
Nick assentiu mais uma vez.
— Estão esperando. Por aqui.
Seguindo o funcionário, Nick entrou em uma sala decorada para parecer um grande escritório. Várias mesas estavam bem espaçadas, com pessoas sentadas nelas sussurrando umas com as outras. Catherine estava sentada em um canto junto à parede.
— Sente-se. Sem problemas para entrar, espero?
— Então é um clube privado.
A entrada não tinha placa. A primeira porta e o porteiro só eram visíveis após descer ao subsolo. O funcionário chamando seu nome e as palavras de Catherine apontavam para uma única conclusão. Em vez de responder diretamente, Catherine ergueu sua xícara de café e deu de ombros.
— Um clube privado exclusivo para alfas e ômegas.
A julgar pela emoção em seu tom, Catherine não parecia gostar do lugar.
Nick já tinha ouvido falar de clubes exclusivos para alfas e ômegas.
A desculpa era plausível: uma instalação onde feromônios poderiam ser liberados livremente em caso de emergências. Mas isso era de uma época em que os inibidores eram menos eficazes. Hoje em dia, ir a um hospital em uma emergência era senso comum. Como resultado, o propósito original desapareceu, e os poucos clubes alfa-ômega restantes operavam como clubes sociais exclusivos.
— Achei que fossem relíquias perdidas na história, já que nunca tinha visto um. Mas vendo esta entrada, entendo por que não tinha visto.
A menos que você soubesse, nem perceberia que era uma entrada. E, a julgar pelo comportamento do porteiro, ele não parecia propenso a entreter turistas curiosos perguntando “o que é este lugar?” com um sorriso.
— Pessoas que vivem diligentemente não precisam saber de lugares assim. Vir a um mero clube no momento em que acorda?
— Se estão vindo logo de manhã, deve haver algo interessante aqui.
— Essa é a parte patética — metade do propósito deles é bisbilhotar algo interessante. Bebendo licor desde o meio-dia e fofocando.
Catherine suspirou enquanto falava. Parando para pensar, algumas pessoas estavam segurando taças de conhaque.
— Devo ser grata por não estarem acendendo charutos neste espaço fechado?
— Charutos?
Os clientes de Nick, embora não representassem todas as elites, compartilhavam traços. Eles eram obsessivamente neuróticos com a saúde. Fumar parecia um detalhe inesperado.
— É sobre parecer legal. Eles têm nostalgia da era em que os aristocratas eram reverenciados, quando a discriminação era tida como certa. Clubes masculinos devem ter parecido glamourosos. Alfas ricos e ociosos decidiram continuar com isso sob o nome de tradição, ou assim dizem. …As pessoas ficam assim quando a vida está chata. Você não precisa entender.
— Nem todos os alfas ricos são assim, são?
Nick, por exemplo, não fazia isso.
— Nosso conselho nem sempre foi assim também. Eles só começaram a frequentar este clube nos últimos anos.
— Fico curioso para saber o que aconteceu.
— Um fator foi Victor realizar algumas reuniões aqui, abrindo as comportas. Caso contrário, os jovens sequer saberiam deste lugar?
Nick assentiu, entendendo.
— Qual é o outro fator?
— Nos últimos anos, o conselho mudou para uma geração mais jovem. Eles começaram a se agrupar.
Nick tinha lido um artigo afirmando que a idade média dos executivos biofarmacêuticos havia caído, com a maioria agora na casa dos 30 anos desde o ano passado.
— Bem… sangue jovem, inovação, decisões rápidas. Tudo bom. Mas cave mais fundo, e é principalmente apenas eles herdando as posições de seus pais após a aposentadoria. Claro, eles passaram por etapas como diretor externo, executivo ou grande acionista, mas essas são apenas formalidades. Poucos realmente trabalham. Pense nisso. O status social deles sobe de repente. Eles têm dinheiro. Mas não têm trabalho real. Não querem dores de cabeça e não têm para onde ir. Eles se arrumam e acabam aqui. Na adolescência, eles se rastejavam para ficar nas boas graças de seus pais, mas uma vez que herdam, a maioria vira um completo inútil.
— …E quanto ao Victor?
— Ele aproveitou o desejo deles de um círculo interno. É como eu vejo. Muitos apenas fingiriam trabalhar, mas Victor agitou as coisas. Agora que ele está se aposentando, as coisas devem voltar ao normal.
Seu suspiro pesado sugeria uma perspectiva pessimista.
— É fácil cair em maus hábitos, difícil sair. Pelo bem do Owen, eu deveria ter ficado naquela sala de conselho. Faz tempo que não venho aqui. O ar parece ruim.
Ela parecia estar se referindo à pressão de feromônios que Owen suportava dos alfas.
— ….
Nick não podia dizer que entendia ou questionar por que ela não assumiu a frente, então ficou em silêncio.
— É enfurecedor. Se fossem adolescentes, eu daria um tapa na nuca deles para que tomassem juízo. Mas são todos adultos crescidos com cinturas largas, então o que se pode fazer?
Então Catherine subitamente se ocupou, pegando a bolsa ao lado dela.
— Você sabe o que é ruim em ter um senso de privilégio?
— Nem ideia.
Nick observou Catherine tirar um frasco de pílulas, respondendo vagamente.
— Você perde a vergonha. Não conhece o constrangimento.
Ela engoliu um inibidor.
— Tomando com antecedência. Para entorpecer meus sentidos.
Catherine tomou um gole de água, explicando sua ação incomum.
— ….
A leve mágoa de Owen por não se sentir especial não era justa; Catherine estava protegendo Owen do seu jeito. Era hora de mudar de assunto.
— Você não parece gostar deste lugar, então por que me pediu para vir?
— Para te introduzir.
— A este lugar, para mim?
— Sim, você. Aqui.
Catherine colocou a bolsa de volta no lugar. Enquanto ajustava suas roupas, Nick esperou silenciosamente pelas próximas palavras dela.
— Você recebeu ações do Victor, certo? Em breve será nomeado diretor. Owen não vem a lugares como este, e duvido que ele te traria aqui. Muitas fofocas acontecem antes das reuniões, então você precisa saber o que está acontecendo.
Foi um pouco tocante. Nick tinha se perguntado se ela o via apenas como um cara que dirigia uma pequena empresa de segurança que se tornou o consorte da Rose, até considerando mostrar sua lista de bens. Mas ela o chamara ali para evitar que ele fosse deixado de lado. O comentário de Owen sobre ser próximo da tia Catherine veio à mente, aquecendo seu coração.
— Obrigado.
— Se você é grato, não deveria ter me deixado descobrir sobre o casamento através de um artigo. Qual foi a pressa para pularem a cerimônia e apenas registrarem?
Antes que Nick pudesse saborear o momento, Catherine contra-atacou.
— Pareceu apenas que o funeral e o casamento estavam próximos demais, então adiamos um pouco.
O anúncio do casamento finalmente reduziu a atenção da mídia. Nenhum dos dois queria reacendê-la. Eles concordaram nisso, embora oficialmente citassem o funeral de Locke.
— Minha família, e é tão difícil vê-los. A agenda do Owen está lotada, então o que posso fazer? Vou me contentar em ver meu sobrinho por afinidade.
— Obrigado por me ligar. Eu estava justamente me perguntando o que fazer antes da reunião do conselho.
Havia um plano. Nick pretendia explorar a empresa onde Owen passava tanto tempo e ficar perto dele, mas como foi convocado, respondeu dessa forma.
— Você pode passar seu tempo respondendo às minhas perguntas. Como é que ultimamente todas as notícias sobre nossa família vêm através de artigos?
Ah, não. Isso poderia levar a perguntas desconfortáveis.
— Ele nem atende o telefone. Victor, quero dizer. Mal consegui falar com ele, e foi tão breve!
Felizmente, parecia estar indo na direção de um desabafo em vez de um interrogatório.
— Sarah ainda está fora de si, pelo visto, e vai para a Europa por um tempo. Mesmo assim, isso é demais. Como puderam realizar um funeral sem a família?
— Eles devem ter ficado em choque profundo.
Nick escolheu suas palavras com cuidado.
Dizer que Victor parecia chocado era apropriado e verdadeiro. Afinal, o obituário não saiu logo após o acidente, mas muito depois.
Como não havia nem um corpo para preparar, não havia pressa para realizar um funeral. Ainda assim, a maioria das pessoas se apressaria. A menos que houvesse um motivo para atrasar.
Victor provavelmente precisava de tempo. Uma vez que o obituário fosse publicado, ele enfrentaria uma enxurrada de atenção, condolências e curiosidade, exigindo reações apropriadas. Se ele não quisesse levantar boatos, precisaria agir como um familiar enlutado. A julgar pelo momento e pela forma do obituário, parecia que ele nunca esteve totalmente preparado.
— Você falou com o Victor?
— ….
Era um tópico delicado, difícil de dizer sim ou não. Nick levou a xícara de café à frente de seus lábios.
— Como diabos você o convenceu a transferir as ações? Ele não é esse tipo de pessoa.
Felizmente, Catherine não pareceu notar Nick esquivando-se da pergunta.
— Owen disse a mesma coisa. Mas, como diz o velho ditado, a família é quem menos sabe, não é? Espero que isso não soe ofensivo, Catherine. O que quero dizer é que Victor pode ter sido um pouco mais… voltado para a família do que a família pensava.
Os olhos de Catherine se estreitaram enquanto ela estudava o rosto de Nick. Era um olhar de suspeita.
— Não quero parecer uma velha rabugenta, mas não subestime a idade. Isso pode ter funcionado com o Owen, mas não comigo. Definitivamente tem algo acontecendo.
A expressão de Nick não vacilou. Uma mentira como aquela não era nada. Ele poderia lidar com um interrogatório mais pesado, mas nesse exato momento, alguém se aproximou de Catherine.
Um homem estava parado de forma relaxada com as mãos nos bolsos, claramente um alfa.
— Catherine, ouvi dizer que você estava aqui, mas não acreditei. Você está realmente aqui. Qual é a ocasião?
Apesar de sua postura, o homem agia de forma exageradamente encantada.
— Eu também sou diretora, então as pessoas não deveriam esquecer disso. Preciso dar as caras de vez em quando.
— Com certeza. É a nossa empresa. Você tem que mostrar interesse. Mas… poderia ser este o homem dos boatos?
Após a mais breve troca de cortesias, o homem imediatamente voltou seu olhar para Nick.
— Nick Stockton.
Nick não queria particularmente se envolver, mas levantou-se e se apresentou.
— É mesmo? Sr. Stockton. Eu sou Brown.
A mão do homem era desagradavelmente macia e úmida.
— Todos os nossos diretores estão reunidos ali. Por que não se junta a nós, Catherine?
O homem, apresentando-se como Brown, sugeriu a mudança e pediu a opinião de Catherine.
— Se deslocar fica cansativo com a idade. Nick, parece que eles estão curiosos com o seu rosto, não com o meu.
— Então eu vou mostrá-lo. Volto logo.
Catherine deu um aceno quase imperceptível e pegou sua xícara de chá novamente.
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Catherine estava certa. Seguindo Brown, Nick entrou em uma sala cheia de homens impecavelmente vestidos.
A sala, decorada como um escritório antigo, era ocupada apenas pelo que pareciam ser executivos da Rose Pharmaceuticals. As paredes eram revestidas com livros de capa dura para imitar uma biblioteca, mas, naturalmente, ninguém estava lendo — nem mesmo documentos eletrônicos. Cada um segurava uma taça de conhaque, conversando descontraidamente.
O murmúrio baixo da conversa caiu drasticamente no momento em que Nick entrou. Eles baixaram as vozes e lançaram olhares discretos.
Owen se arrumava todas as manhãs, mas esses homens levavam isso a outro nível. Da cabeça aos pés. Vestidos assim, deveriam estar em um local mais grandioso, mas ali estavam eles, em um clube subterrâneo.
Sentindo que o tempo de autocuidado deles foi desperdiçado, Nick passou pelas apresentações uma a uma, trocando saudações.
— Então você é o cara. O alfa que finalmente conquistou o Presidente Rose?
— Compartilhe o segredo. Que truque você usou? Estou morrendo de vontade de saber. Já que o artigo do casamento saiu, eu vou dizer, mas até nesta sala, alguns outros tentaram. Todos falharam, é claro.
— O que se dá de presente para conquistar o coração daquele presidente frio?
— Submissão, talvez?
— ….
Eles estavam zombando de Owen antes, e agora se voltavam para Nick. Percebendo que tinham ido longe demais, a atmosfera animada murchou como se tivesse sido banhada com água.
— Conhaque?
Um homem que se levantava para reabastecer sua taça perguntou a Nick se ele queria uma bebida.
— Eu não bebo antes do pôr do sol.
— Oh. Entendo.
O homem exagerou no tom, depositando condescendência em um único “oh”. Tendo feito a rodada de apresentações, o homem que trouxe Nick insistiu para que ele se sentasse.
— Owen Rose é algo à parte. Tão exigente, eu me perguntava se existia sequer um alfa ao gosto dele, mas ele realmente encontrou um.
Os movimentos do homem, colocando cubos de gelo em sua taça com uma pinça, eram agoniantemente lentos.
— Não importa o quão ansioso, eu não achei que haveria um alfa disposto a abrir mão de sua identidade.
Finalmente, a torturante missão de “encher a taça com gelo” terminou. O homem largou a pinça e bebericou sua bebida gelada.
— Realmente impressionante. Estou começando a respeitar nosso presidente.
Risadinhas baixas vieram de alguns pontos.
— Superficialmente… qual era o seu nome? Oh, Stockton. Você parece um alfa dominante.
Ele escaneou Nick abertamente de cima a baixo.
— Ficando de olho até nos seguranças da empresa dele, e então transformando um em Cinderela no momento exato para um anúncio de casamento e gravidez! Todos aqueles boatos intermináveis, encerrados com um só golpe. Com esse tipo de audácia, Owen Rose é praticamente um alfa.
O homem fazia comentários arriscados casualmente enquanto voltava para o seu lugar.
Ninguém acrescentou nada às suas palavras, mas alguns riram suavemente, sinalizando concordância. A julgar pelo comportamento confiante do homem e pelas risadas bajuladoras, ele era provavelmente a figura central daquele grupo inútil.
— Oh, isso te ofendeu, Sr. Stockton? Ouvi dizer que você é de uma empresa de segurança.
— Eu dirijo uma firma de segurança privada.
Nick não se deu ao trabalho de explicar que era um termo suavizado para uma empresa militar privada, mantendo sua resposta breve.
— Uma empresa de segurança? Tipo ficar de guarda?
— Não exatamente. Eu não conheço os detalhes, mas ouvi dizer que você faz… trabalho mercenário. Certo, Sr. Stockton?
O homem que parecia ser o mais velho na sala falou, fingindo ignorância apesar de claramente ter feito sua pesquisa.
— Bem, então você deve ter usado mesmo o seu corpo para conquistar nosso presidente. Você não o assustou para que ele ficasse grávido, assustou?
O homem que interveio com um tom de brincadeira tinha um sorriso sórdido.
Nick respondeu à série de perguntas zombeteiras apenas com um sorriso largo. Dois alfas astutos recuaram diante do sorriso dele, mas, infelizmente, os descarados costumavam ser alheios, falhando em entender o que o sorriso de Nick significava.
— Só por curiosidade, Sr. Stockton. Você realmente empunha uma faca e vê sangue? Já matou alguém? Como é tirar uma vida? Nós caçamos também… deve ser parecido, certo?
Se eles realmente acreditassem que Nick já tinha matado, não o provocariam assim. Infelizmente, seus sensores de perigo, entorpecidos por vidas confortáveis, pareciam completamente atrofiados.
— Ainda assim, com todos os olhares sobre você agora, não se exiba só porque você está grávido.
Ele provavelmente estava se referindo à foto agora infame. Risadas explodiram pela sala.
— Até os betas nos chamam de animais alfas, regressivos. É claro que é apenas inveja. Vocês acham que agimos de forma civilizada porque não queremos ostentar nossos traços alfa? Nós apenas não queremos ser chamados de animais selvagens, certo, pessoal?
Murmúrios suaves de concordância — sim, certo — ecoaram.
— Honestamente, todo homem tem uma fantasia sobre suar e construir músculos.
O orador usava um terno italiano sob medida. Com seu físico magro, ele provavelmente havia evitado deliberadamente construir músculos para se adequar ao estilo.
— A propósito, por que você está aqui hoje?
O homem presumido como o líder do grupo interveio com um tom provocativo.
— Você ouviu que há uma reunião do conselho? Certamente você não está visando um assento executivo? Eu entendo a vibração de Cinderela, mas… fala sério. Esta é a Rose Bio-Pharma. Líder da indústria.
— Não leve a mal, Sr. Stockton. Essa é a tendência agora. Até nomear um novo diretor exige alguém com experiência para passar na assembleia geral, ou você enfrenta resistência dos pequenos acionistas. É barulhento. Dirigir uma empresa de segurança… hmm, podemos chamar isso de profissão?
— Chega, chega. Nós o convidamos para nos conhecermos, então me deem um crédito.
Somente após deixar Nick ouvir toda a pauta deles é que Brown fingiu intervir.
— Não leve para o lado pessoal, Sr. Stockton. Podemos parecer ociosos agora, mas uma vez que estamos na sala do conselho, temos discussões ferozes. Isso é gestão corporativa.
Brown ofereceu um copo de água gelada, como se para acalmar as coisas. Nick o pegou sem comentar e o colocou na mesa próxima.
— Não sei o que o Victor estava pensando, fazendo isso sem discutir conosco. Pense bem, Sr. Stockton. Rose, eu admito, é bom no trabalho dele. Ótima reputação. Os preços das ações estão se mantendo bem, e isso está ok. Estamos todos satisfeitos. Mas ele é autoritário demais. Ele precisa nos ouvir.
— Exatamente.
Apesar do físico imponente de Nick, ele ouvia silenciosamente sem retrucar, encorajando os executivos. Eles pareciam achar que o haviam subjugado pelo número — uma reação típica, compreensível.
Nick confirmou que todos já tinham falado.
— Victor me pediu para passar uma mensagem.
Sem preâmbulos, sem limpar a garganta. Nick lançou a frase no meio deles. A voz baixa e vigorosa atraiu instantaneamente toda a atenção.
Nick levantou-se lentamente, o mesmo sorriso de antes ainda presente.
Durante os treinamentos intensivos na sede do Mississippi, Nick avalia as capacidades de sua equipe. Cooper uma vez disse a um recruta: “Quando o chefe sorri assim, não discuta, não hesite — apenas aja”.
— Ugh!
O executivo que parecia ser o mais velho agarrou a cabeça e caiu de joelhos. Logo, outros fizeram caretas, com as mãos na cabeça. Alguns poucos ainda não afetados olharam para eles e depois voltaram para Nick.
— Devo estar ficando velho. Ultimamente, fico pensando que os alfas de hoje não são alfas o suficiente. Tudo o que fazem é mirar em alguém mais fraco e suprimi-lo com feromônios. Se fizessem ao menos isso direito, eu lhes daria algum crédito…
Mais gemidos — ugh! — vieram de várias bocas. Alguns se curvaram, lutando para respirar.
Nick escaneou a sala de onde estava, focando no alfa que mais o irritara, aquele que lhe oferecera conhaque.
Percebendo que era o alvo, o rosto do homem ficou pálido. Nick caminhou até ele e agarrou sua garganta. Simultaneamente, ele retraiu os feromônios ameaçadores.
Os outros alfas, embora abalados, não faziam mais sons de dor. Em vez disso, recuaram, deixando Nick e o alfa sufocado sozinhos no centro, a sala se esvaziando como um palco.
— Na vida, às vezes você encontra pessoas que procuram briga. Você quer ignorá-las, mas algumas fazem de tudo para te incomodar.
Ainda apertando a garganta do homem, Nick dirigiu-se aos espectadores.
— Então você não tem escolha. Você mostra a eles claramente que não está aqui para lutar. Você os ajuda a desistir.
Poderia ser visto como um palco e plateia, ou um instrutor de treinamento e recrutas.
— Existem alguns métodos. Eu prefiro o que estou mostrando agora.
Nick apertou o aperto. O homem se debateu, com os braços estendidos, mas não conseguia alcançar Nick.
— Você pode ser levado pelo desejo de arrastá-los para o ringue e vencer, mas eu não recomendo. Trocar golpes faz com que pensem que você está disposto a lutar. Isso derrota o propósito, e alguns podem voltar querendo mais.
— ….
— ….
A sala mergulhou no silêncio, como se tivesse sido banhada com água gelada. Nick continuou sua lição, o mais gentilmente possível.
— Primeiro, você pressiona a garganta deles para acalmá-los, então olha diretamente nos olhos. Se necessário, você pode usar aquele feromônio alfa de que tanto se orgulham.
Nick encarou os olhos do homem, falando lentamente.
— Quando percebem que você não é um oponente, eles devem baixar o olhar. Encarar de volta faz com que pensem que é um desafio. Então eu não posso soltar. Eles precisam perceber rapidamente que não estou segurando a garganta deles para lutar. A garganta é apenas isso — a garganta. Se eu não soltar, eles param de respirar.
Ele disse isso, mas não deu ao homem chance de se render. À medida que o ar para o cérebro era cortado por mais tempo, os olhos do homem reviraram para cima, mostrando apenas o branco antes que ele começasse a desmoronar. Vendo-o desmaiar, Nick soltou sua garganta.
Murmúrios baixos de inquietação surgiram enquanto o homem escorregava inerte para o chão.
— Patético. Ele vai acordar logo.
Nick fingiu brevemente verificar o homem, então se virou sem hesitação. Ele se dirigiu a uma mesa junto à parede.
Enquanto Nick se aproximava, um homem deixou cair sua taça de conhaque, mas Nick não estava mirando nele.
Parando junto à mesa, Nick encarou um funcionário tenso que rapidamente entendeu o que o cliente queria, pegando uma pinça. O trabalhador uniformizado entregou a Nick uma toalha quente. Esse funcionário parecia o mais ousado da sala. Nick deu um aceno de respeito pelo seu profissionalismo e depois se virou.
— Onde eu estava? Ah, eu estava prestes a entregar a mensagem de Victor.
Nick limpou meticulosamente cada dedo que havia tocado a pele desagradável, ignorando as expressões nos rostos das pessoas.
— Victor disse para calarem a boca, beberem aqui e assistirem aos preços das ações subirem.
Victor nunca disse aquilo, mas como ele ajudou a reunir aquelas pessoas, Nick achou que deveria assumir a responsabilidade de encerrar o assunto.
— E para adicionar algumas palavras minhas.
Nick fez uma pausa, jogando a toalha sobre uma mesa vazia.
— Tudo bem se reunirem em um lugar onde o sol não bate, bebericando licor e matando o tempo. Morrer desse jeito é um tipo de sorte. Antes da próxima reunião extraordinária do conselho, pensem cuidadosamente se estão prestes a chutar essa sorte para longe.
— Ugh!
— Argh!!
Gemidos explodiram pela sala. Nick observou até que cada um deles estivesse de joelhos antes de falar novamente.
— Eu não entendo de negócios da empresa. Apoiarei Owen incondicionalmente, mas não vou forçar vocês. Expressem suas opiniões com base em suas ações, como é de seu direito. Mas na sala do conselho, usem meios civilizados — palavras.
— Pare… pare!
Um jovem, ainda capaz de falar, ergueu a testa com as veias saltadas, tentando deter Nick.
Nick tinha muita experiência de campo, contínua até agora. Ele sabia exatamente até onde levar os feromônios para intimidar sem matar, mesmo sem os apelos dramáticos do homem.
— Antes de liberarem feromônios desajeitadamente na frente de Owen novamente, eu pensaria longa e arduamente. Alguma pergunta?
Temendo que o tormento se prolongasse, a sala que parecia um escritório mergulhou no silêncio; nem mesmo gemidos restaram. Apenas um silêncio pesado perdurava.
— Bom. Então.
Nick retraiu rapidamente seus feromônios. Ele guardou as mãos limpas nos bolsos e dirigiu-se à porta. Seus passos rápidos pela sala pararam quando ele chutou uma taça de conhaque. Nick olhou para baixo e soltou um suspiro curto.
— Façam algum exercício. Não conseguem nem segurar uma taça e se chamam de alfas.
— Nick?
Após uma batida breve, a porta se abriu sem esperar. Todos na sala se viraram para olhar. Catherine apareceu na fresta da porta.
— Está na hora. Vocês não vão?
Catherine girou seu pulso esguio, fingindo verificar as horas.
— Não, acabamos de terminar a conversa. Vamos.
Nick caminhou até a porta, virando Catherine para sair.
Sem verificar se os outros o seguiam, ele fechou a porta atrás de si.
Seguindo o gerente que chamara seu nome, Nick passou pela porta moderna e pelo portão de estilo medieval com o porteiro de uma só vez.
Catherine caminhou silenciosamente à frente até que subiram os degraus para o nível da rua.
Era uma distância percorrível a pé do clube privado até a Rose Pharmaceuticals, e Catherine continuou guiando sem palavras.
— O que aconteceu lá dentro para que eles olhassem para mim como se eu fosse o salvador deles?
Depois de caminhar em silêncio por um tempo, Catherine falou, como se estivesse decidida.
— Não me recordo de ter olhado para você dessa maneira.
— Certo, todos menos você. Eles olharam para mim como para um salvador. Isso significa que você fez algo. O que foi?
— Bem, não sei o que você quer dizer. Eles estavam curiosos sobre o meu trabalho, então fiz uma demonstração.
— ….
Catherine parou e se virou. Seus olhos suspeitos se estreitaram em fendas.
— Eu ouvi algo quando entrei.
Ah, não. Ela deve ter pego a cena final.
— Não sou bom em dourar a pílula. Você sabe disso. Vendo-os derrubar uma taça e ter dificuldades, sugeri que se exercitassem… Foi uma implicância desnecessária.
Nick deu de ombros como se não fosse nada demais. Como ele relatou a verdade, sua expressão poderia até parecer inocente.
— Pfft.
— …!
Os passos de Nick pararam.
Um som inesperado veio de Catherine. Enquanto risadinhas completas se seguiam, as sobrancelhas de Nick se ergueram, apesar de sua tentativa de manter a pose.
— Catherine…?
— Legal. Eu gosto. Owen precisava de um alfa um pouco rude ao lado dele.
Então, como se nunca tivesse soltado uma risada tão leve, Catherine recompôs sua expressão e começou a caminhar novamente.
— ….
Nick não sabia quanto ela havia deduzido, mas como as conclusões deles se alinhavam, aquilo era o suficiente.
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— Catherine, você entra primeiro.
Na entrada da sala de reunião executiva, Nick deixou Catherine entrar à sua frente.
Não havia necessidade de aguçar seus sentidos. O que parou Nick em seu caminho foi um cheiro fétido. Era o odor de feromônio de algum alfa que havia grudado no corpo de Owen em uma noite.
Seguindo o rastro fraco deixado pelo odor, Nick virou pelo corredor.
A fonte do cheiro ofensivo, apropriadamente, era o banheiro.
— ….
Em vez de entrar imediatamente, Nick parou na entrada, analisando a situação lá dentro. Havia apenas uma pessoa presente.
Nick olhou de relance para o corredor de onde acabara de vir. Ninguém estava passando. Bem, aquele era o andar da sala de reunião executiva, então provavelmente não haveria muitas pessoas indo e vindo. Certo. A situação não era ruim, pensou Nick, enquanto dava um passo para dentro do banheiro.
O homem estava borrifando desodorizador vigorosamente. Sozinho no banheiro, focado em apagar rastros, era possível que ele tivesse acabado de causar problemas em outro lugar. Isso poderia explicar por que ele não estava no clube privado mais cedo. O homem, aparentemente de bom humor, começou até a cantarolar uma melodia.
Ele era um jovem diretor da família Montague. Por acaso, o hotel em que haviam se hospedado naquele dia era de propriedade dele. Nick não estava procurando por ele, mas você sempre acaba encontrando as pessoas que deve encontrar.
Nick verificou o tempo que restava antes do início da reunião. Não levaria muito tempo de qualquer maneira. Um ataque usando feromônios normalmente não deixava rastros. Além disso, como não existiam casos conhecidos de pressão de feromônio causando morte, ninguém suspeitaria.
Nick tinha certeza, já tendo testado isso em Locke. Como não restariam marcas de agressão física, provavelmente seria registrado como uma morte súbita devido a uma condição subjacente.
Nick revisou mentalmente as posições das câmeras de segurança ao longo de sua rota até aqui.
Mesmo que o silêncio de Catherine fosse tratado separadamente, a câmera de segurança na curva do corredor capturou claramente Nick indo em direção ao banheiro. Embora nenhuma evidência direta ligasse Nick à causa da morte de Montague, ele inevitavelmente se tornaria um suspeito pelo menos uma vez.
Nick franziu a testa brevemente e pegou o telefone.
— Nick, onde você está?
A voz de Owen estava alegre ao atender a chamada.
— Owen, vou garantir que nenhum rastro meu seja deixado.
— O quê?
— Se eu prometer que ninguém saberá e nem uma gota de sangue manchará o prédio da Rose, posso matar apenas uma pessoa agora mesmo?
— O quê? Nick, o que você acabou de dizer?!
Apesar da audição perfeita de Owen, ele exigiu que Nick se repetisse várias vezes.
— Há alguém com quem preciso acertar as contas e por acaso o encontrei no seu prédio, então estou pedindo permissão.
— Nick, onde você está agora?
O tom de Owen tornou-se sério.
— Não se exalte, Owen. Não esqueça que você está em um período sensível.
Uma risada breve e incrédula escapou dos lábios de Owen.
— Não faça nada. Estou indo. Onde você está?
— Eu vou para a reunião logo. Não precisa se dar ao trabalho. Mas, sério, não pode mesmo, Owen?
— Isso é sequer uma pergunta que eu precise responder?
A voz de Owen ficou mais severa.
— Não.
Sua resposta foi firme. E ele repetiu mais uma vez.
— Nick, não. E venha para a sala de reunião agora mesmo.
Ele nem deu a Nick a chance de responder. Owen desligou sem esperar por confirmação.
— ….
Nick ficou ali por um momento, encarando o telefone desligado. Então, balançando a cabeça, ele o guardou de volta no bolso. Seu plano foi frustrado, mas ele não se sentia mal. Parecia até que os cantos de sua boca estavam se curvando em um sorriso.
Estranhamente, quando Owen dava ordens naquele tom, Nick se sentia bem. Mesmo enquanto o som dos passos de Montague se aproximava, tendo terminado seu longo asseio no banheiro, Nick não se sentia particularmente zangado.
— Oh, você me assustou. Eu não sabia que havia alguém aqui.
Como Nick não se afastou, Montague parou logo antes de colidir com ele.
Com um sorriso radiante, em vez de contornar Nick, que bloqueava o caminho, Montague ficou ali, estudando o rosto de Nick. Nick pretendia deixar passar, mas aquele era o tipo de pessoa que apressa a própria queda.
— Não tem ninguém lá dentro. Você pode entrar, mas… Oh! Eu achei que te reconhecia.
Nick estava fulminando-o com o olhar, mas Montague, como se fosse alheio ao conceito de ler o ambiente, estendeu a mão para um aperto.
Deveria apenas agir e implorar por perdão depois?
Encarando a palma pálida, Nick considerou brevemente.
— Montague?
Ele ignorou a mão estendida. Para evitar pegar a pessoa errada, Nick decidiu confirmar sua identidade primeiro.
— Sim, bem, sou eu. Oh… há algum mal-entendido? Você está reagindo assim por causa daquele artigo sobre mim e o Presidente Owen? Aquilo foi um mal-entendido total.
Retirando a mão sem jeito, Montague deu uma risadinha. Mesmo sem informações prévias, Nick saberia que era ele. Instintivamente, ele não gostava dele.
Mas hoje, não era permitido. Asas foram concedidas, mas ele foi instruído a não voar hoje. Pelo seu ômega, o misericordioso presidente.
— Continue sorrindo, Sr. Montague. Você parece ter sorte o suficiente para se safar de qualquer coisa hoje.
— …Eu?
Confuso com o comentário, mas satisfeito com a menção de sorte, Montague riu de novo.
Nick não teve paciência para se repetir e ficou parado com os braços cruzados.
— Ora, você é a Cinderela que se casou com o Presidente Owen. Isso é apenas modéstia. Acho que nos veremos com frequência, então espero por sua cooperação. Vá cuidar dos seus negócios.
Montague apontou em direção ao banheiro mais uma vez antes de seguir para a sala de reunião. Avistando alguém que conhecia, ele lançou outro sorriso largo e insincero na entrada antes de desaparecer.
Nick suspirou e pegou o telefone novamente.
— Sim, chefe. Quanto tempo faz? Você nos abandonou?
Nick não estava no clima para retribuir a saudação brincalhona. Ele foi direto ao ponto.
— Hotel Zenith.
— Você quer dizer aquele em que ficamos?
John, familiarizado com a rotina, mudou para o modo de trabalho imediatamente.
— É. Investigue a vida pessoal do proprietário.
Provavelmente seria algo sujo.
— Usando o talento da empresa para recados pessoais assim…
— Mande a conta para mim.
— Entendido. Sem problemas. Que tipo de informação você quer?
— Algo… profundamente vergonhoso. Do tipo tão constrangedor que até a família viraria as costas.
— Hmm… isso é difícil. Em um mundo onde até assassinos retornam depois de alguns anos, existe um escândalo que poderia arruinar alguém de uma só vez? Se existisse, já não teria vindo à tona?
— Tudo bem. Se eles voltarem, nós os mandamos embora de novo.
Melhor ainda. Talvez fosse mais eficaz deixar as pessoas esquecerem e, então, atingi-las com um novo escândalo a cada vez, acumulando-os.
— Aha. Entendido.
Provavelmente era a cara do John como um projeto paralelo. Sua voz já parecia alegre.
— Antes disso, registre uma queixa oficial no departamento de gestão de instalações da cidade sobre a má manutenção do hotel.
— Estava tão ruim assim? Nenhum dos outros funcionários mencionou nada.
— Owen ficou preso no elevador deles, lembra?
Pensar nisso deixou Nick zangado novamente.
— …Chefe, fomos nós que o travamos e cortamos a energia…
Nick sabia onde John queria chegar.
— Se a segurança do sistema deles fosse sólida, não teria sido hackeada tão facilmente.
— Chefe, este é o caso definitivo de culpar a vítima…
— Escolha os itens mais tediosos e demorados para denunciar. Mande a conta para mim por isso também.
Nick lembrou-se de um ex-cliente reclamando que, uma vez registrada uma queixa no departamento de gestão de instalações da cidade, que tinha flexibilidade zero, era melhor simplesmente vender o prédio. Ele achara que era exagero na época, mas agora descobriria o quão ruim realmente era.
— Está bem…
John, parecendo ter mais a dizer, deixou sua voz sumir ao desligar.
Nick sentira-se brevemente frustrado por não poder agir imediatamente, mas, pensando bem, encontrar maneiras criativas de atormentar alguém ao longo do tempo não parecia uma má ideia.
Seus passos em direção à sala de reunião pareceram mais leves.
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Nick sentou-se ao lado de Owen. Das quatorze pessoas ao redor da mesa de conferência, algumas eram familiares de mais cedo, enquanto outras eram novas. Estava meio a meio. Ele ouvira que eram dezoito no total, mas Victor havia se afastado e três estavam ausentes, incluindo Melissa. Pelos números, não parecia muito desfavorável para Owen. Enquanto observava as pessoas sem focar no conteúdo da reunião, uma conversa sobre Nick começou.
— Por que exatamente ele está aqui? Ele é apenas um grande acionista, não é executivo ainda, certo?
O homem que falou tirou um lenço para enxugar a testa. Ele não parecia bem.
— Exatamente. Ele não tem as qualificações para estar aqui.
O homem que interveio foi alguém que Nick conhecera no clube mais cedo. Seu rosto estava suado e brilhante também. Não eram apenas eles. Todos do clube estavam suando ou mostrando sinais de dor de cabeça.
— Lei do Bem-Estar Laboral, Artigo 12, Seção 3.
— ….
— ….
A interjeição calma de Nick trouxe um silêncio momentâneo à sala. As mãos ocupadas limpando o suor pararam.
— Estou respondendo à sua pergunta sobre a minha base para participar da reunião do conselho.
Após o silêncio, sussurros cruzaram a mesa enquanto perguntavam uns aos outros o que era o Artigo 12 da Lei do Bem-Estar Laboral.
— Para a estabilidade de uma pessoa grávida, seu parceiro ou cônjuge pode acompanhá-la ao trabalho pelo período necessário.
A voz de Nick silenciou o tumulto novamente.
Eles faziam barulho sobre gestão corporativa, mas careciam de conhecimento executivo básico. Nick já esperava por isso.
— Isso… isso significa, bem.
— Confio que todos tenham visto os artigos. Eles dizem que gravidezes tardias exigem cuidados extras.
Owen, sentado ao seu lado, ergueu uma sobrancelha com a menção de “gravidez tardia” e olhou para Nick.
— Eu quis dizer eu mesmo, Owen. Eu sou o velho. Um primeiro filho na minha idade.
— Já passou da hora, se quer saber.
Catherine, que apenas levantara a mão para votar durante a reunião, interveio. O tópico parecia diverti-la, sua voz estava animada.
— Eu sabia que você entenderia, Catherine. Eu simplesmente não podia deixá-lo vir sozinho. Planejo sentar-me calmamente ao lado dele em futuras reuniões do conselho também. É o mínimo que posso fazer, e é um direito garantido pela Lei do Bem-Estar Laboral.
Assim que Nick terminou, a fisionomia de vários diretores piorou visivelmente — especificamente, daqueles alfas que haviam cruzado o caminho de Nick no clube e no banheiro.
— Não estou visando particularmente um cargo executivo. Tenho minha própria empresa para gerir. Na Rose Pharmaceuticals, este assento é o suficiente para mim. Então, não precisam ficar tensos.
Não era tensão. Do meio da reunião em diante, a aparência de alguns diretores começara a se deteriorar.
Nick conseguia identificar quais eram, mas Owen não.
— Nick, o que quer que você esteja fazendo, pare agora mesmo.
Mas parecia que Owen estava começando a suspeitar do envolvimento de seu alfa.
— …Não sei o que você quer dizer.
Mesmo dizendo isso, Nick retraiu cuidadosamente os feromônios que estivera liberando sutilmente.
Ele não planejara ir longe demais de qualquer maneira. Inicialmente, ele os liberara para evitar que Owen, grávido e cercado por outros alfas, se sentisse inquieto. Mas ver os rostos dos alfas reagindo trouxe de volta velhas memórias.
— Parece que deveríamos pedir o adiamento. Brown?
Quando Catherine sugeriu isso a Brown, que estava mediando, vozes de concordância seguiram ansiosas.
Antes mesmo que o adiamento fosse declarado, alguns diretores correram para o banheiro, provavelmente para vomitar.
— Nick, você… sério.
Observando a cena, Owen virou-se totalmente para Nick. Nick antecipou-se.
— Está tudo bem, Owen. Eu os encontrei brevemente no clube antes da reunião, e eles estavam bebendo muito.
Os olhos de Owen mostravam zero de crença.
— E mesmo que não seja um mal-entendido, guarde suas próximas palavras. Você precisará delas para nossos futuros filhos.
— Por que você tem tanta certeza disso?
A suspeita brilhou nos olhos de Owen.
— Confie em mim. Se eles puxarem a mim, não conseguirão evitar.
— Eles poderiam puxar a mim.
A raiva pareceu desaparecer enquanto Owen se recostava na cadeira, respondendo em um tom relaxado, soando bastante confiante.
— Owen, você não deveria desejar isso. Um ser belo para eu proteger em nossa casa é o suficiente — você.
A mão de Nick buscou instintivamente a bochecha de Owen enquanto ele falava de desejos inocentes.
— E para viver confortavelmente neste mundo cruel, é melhor em muitos aspectos puxar a mim.
Desta vez, a expressão de Owen dizia que ele não podia concordar, mas também não conseguia pensar em uma refutação.
Aquele olhar era um que Nick vira com frequência. Alguns diretores que ainda permaneciam fizeram uma reverência a Owen antes de saírem da sala.
— Devem ter comido algo ruim em grupo.
— Parece que sim.
Um diretor beta apontou para o banheiro para onde os alfas haviam fugido, comentando. Nick respondeu apropriadamente. Ele trocou breves gentilezas com os diretores restantes, que pareciam perfeitamente bem.
Excluindo alguns alfas desonestos, o restante parecia decente.
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— Sr. Stockton?
Um entregador com um sorriso largo entregou um terminal. Assinando quase reflexivamente, Nick sentiu uma vaga sensação de desconforto, mas não havia causa clara para suspeita.
Algo estava errado.
Com esse pensamento, ele ficou do lado de fora da porta. Ele não podia simplesmente fechá-la e entrar sozinho. Uma sensação de ansiedade girava a seus pés. O desejo de perseguir a van de entrega que partia era forte, mas ele não conseguia precisar o motivo. A única certeza era que entrar sozinho parecia errado.
Nick manteve-se firme na entrada.
Depois de encarar a caixa que o entregador deixara por um longo tempo, ele finalmente percebeu o que estava errado.
Era pequena.
O que Nick vira era definitivamente maior. Isso significava que a entrega estava errada.
Nick olhou rapidamente para a estrada, mas a van de entrega já tinha ido longe. Com o maxilar tenso, ele levou o pacote para dentro. Fechou a porta. Parado no hall de entrada, ele bateu no console decorativo com os dedos. O som do mármore reverberando encheu a casa vazia por um tempo antes de parar abruptamente. Nick foi à cozinha pegar uma faca.
Era hora de verificar o conteúdo da caixa. Ele rasgou a embalagem agressivamente. Mesmo que fosse uma entrega errada, seu nome estava na etiqueta, então ele vasculhou sem hesitação.
— O que é isso?
Nick esvaziou o conteúdo no chão. Não importa como olhasse, não era o que ele pedira. Analisando rapidamente a situação, ele largou a faca e pegou o telefone.
— Sim, chefe.
Uma voz alegre cumprimentou Nick.
— Espere um pouco.
Pulando os cumprimentos, Nick confirmou que a chamada foi atendida e mudou para o modo de vídeo.
— O que é isso? Oh, você pediu um carrinho de bebê?
Notavelmente, Hugh reconheceu como um carrinho de bebê, apesar das peças espalhadas.
— Como você sabia que é um carrinho de bebê?
— Por que eu não saberia? Eu o recomendei.
Certo. Foi por isso que Nick o comprou. Quando ele se gabara para Owen que cuidaria de todos os preparativos do bebê, era porque tinha fontes confiáveis — Hugh e Frank, um casal alfa-ômega em meio à criação de filhos.
Eles ganhavam bem e eram meticulosos em obter apenas produtos de primeira linha para bebês, uma memória ainda viva. Foi a recomendação deles. Disseram que era uma das três melhores marcas.
Equipamento deve ser o melhor. Esse era um dos poucos princípios pelos quais Nick vivia. Economizar no equipamento significava compensar com o corpo. Na criação de filhos, não no trabalho de campo, esse corpo incluía não apenas o de Nick, mas o de Owen também. Sacrificar corpos preciosos não era uma opção, então Nick dissera a eles para não recomendarem nada menos que nível mundial.
Então ele fez o pedido.
— Então por que o meu carrinho de bebê está desmontado?
— Oh, é para ser montado, chefe.
A testa de Nick franziu-se ferozmente.
— Montado?
Ele não estava perguntando porque não conhecia a palavra. Ele repetiu em descrença, mas Hugh começou a explicar pacientemente e em detalhes, como se para um tolo.
— Mon-ta-gem. Você junta as peças e tem um carrinho de bebê. Existe um serviço para entrega montada, mas você deve ter deixado passar. Isso é opcional. Você provavelmente apenas pediu o produto sem selecionar as opções.
— ….
Eles cobraram aquele preço e apenas despejaram as peças?
Nick vira todo tipo de negociações obscuras em sua indústria, mas nunca encontrara uma ética de negócios tão deplorável.
Quando ele fazia pedidos, os representantes de vendas visitavam a empresa pessoalmente. Eles explicavam o uso e a operação minuciosamente, verificavam dúvidas várias vezes e até ofereciam períodos de teste gratuitos para consideração cuidadosa. A manutenção pós-compra poderia custar extra, mas eles garantiam que o produto inicial fosse impecável. Esse era o mundo em que Nick vivia.
— Você pegou a capa de chuva, chefe? Vai precisar dela para passeios com chuva ou frio.
— ….
Temendo que palavras mais duras escapassem, Nick desligou.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler My Perfect Omega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse: — Quero te abraçar como um louco, meu ômega.
Pela primeira vez na vida, Nick Stockton, ex-mercenário e chefe de uma empresa de segurança, encontra um homem deslumbrante e involuntariamente sente um feromônio que o excita intensamente.
O dono daquele feromônio é Owen Rose, CEO da Rose Pharmaceuticals.
No momento em que seus olhos se cruzam, Nick, convencido de que Owen é seu ômega, salva Owen de um ataque terrorista bem a tempo.
Owen, que sempre se reprimiu, acreditando ser um ômega “monstro” por ter machucado seu primo alfa quando jovem, fica sem palavras diante de Nick.
Enquanto investiga o terrorista que atacou Owen, Nick descobre que os homens que ameaçam Owen não estão apenas contra a Rose Pharmaceuticals, mas têm como alvo o próprio Owen.