Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 178 Online


Modo Claro

No momento em que Eileen ouviu as dançarinas conversando nos bastidores, um pensamento a atingiu.

“Já ouvi isso antes. Uma oferenda serve para invocar um deus, mas para ter seu desejo realizado, é preciso pagar um preço muito maior do que isso.”

“Nos mitos, qualquer mortal que pede algo a um deus sempre acaba infeliz.”

Com essas palavras, os antigos livros que ela havia lido passaram por sua mente.

Eram coleções de mitos, não apenas a lenda fundadora, mas muitos outros também. Eileen os havia lido todos, pensando que alguma pista neles poderia ser útil.

A maioria eram obscuros, semelhantes a velhos contos populares, mas seu conteúdo e seus finais eram muito diferentes das versões comuns que conhecia. Nos livros, mortais que faziam acordos com deuses sempre encontravam um fim trágico. A única exceção era o imperador fundador.

A razão de Eileen nunca ter encontrado tais mitos antes era simples: os nobres não aprendiam esse tipo de história.

Embora fosse filha de um barão, sob Cesare ela havia lido apenas os livros mais caros. É claro que nunca tinha se deparado com volumes que continham ideias tão “perigosas”.

Jamais procurara mitologia por conta própria, ao contrário de sua busca voraz por obras de botânica e farmacologia. Foi apenas ao encontrar aqueles tomos antigos que percebeu que os deuses não eram seres benevolentes com os mortais. Ao ouvir a conversa das dançarinas, a suspeita começou a crescer em sua mente.

Antes que pudesse desvendar essa curiosidade, os acontecimentos a levaram a encontrar Cesare. No momento em que percebeu que, apesar de todos os seus esforços desesperados, ela estivera na palma da mão dele o tempo todo, então uma questão mais profunda surgiu.

Que tipo de preço poderia ser tão alto que, mesmo depois dela implorar e fugir apenas para ser capturada, ele não lhe diria?

Cesare declarou categoricamente que suas tentativas de salvá-lo não tinham sentido. Ele disse isso com a certeza de alguém que já sabia o desfecho inevitável.

Os inúmeros fragmentos que Eileen vinha reunindo finalmente se encaixaram. Quando a última peça se encaixou, restou apenas um pensamento inaceitável, insuportável. Tinha medo até de dizê-lo em voz alta, mas, ainda assim, perguntou:

O preço que Cesare precisava pagar… era a própria vida?

Ela não queria que ele mentisse, mas desejava que dissesse não. Seu coração batia como o de um prisioneiro aguardando a sentença de morte, todo o seu ser focado na resposta dele.

— P-Por favor… me responda, Cesare.

Mesmo diante de sua súplica urgente, o homem permaneceu em silêncio por um longo tempo. As luzes do palco diminuíram, um intervalo entre atos. Na escuridão, apenas seus olhos carmesim eram visíveis.

Os olhos de Eileen se arregalaram. O olhar dele se curvara formando uma lua crescente.

— Escute com atenção, Eileen.

A escuridão dificultava ver, mas ela percebeu que ele estava sorrindo.

— Vou dizer isso apenas uma vez.

Não era o sorriso perfeito, quase divino, onipotente, que ela conhecia desde os dez anos. Era a expressão mais instável e frágil que já vira nele.

Cesare a puxou para seus braços. Ela tremia violentamente, mas ele não se importou, apertando-a ainda mais contra si. Seu toque era tão gentil como quando havia segurado a pequena Eileen no jardim de lírios. Uma mão pressionou sua nuca, e seus lábios roçaram sua orelha.

— Eu voltei no tempo por causa da sua morte. As oferendas que dei para invocar o deus foram os homens do Império Traon, aqueles que te prejudicaram.

Sua voz era calma, quase doce. Mas Eileen congelou, com os olhos arregalados. Cesare apertou ainda mais seu abraço enquanto continuava:

— Foi necessário muito sangue até que o deus pudesse ser invocado, mas finalmente fiz o acordo, assim como no seu sonho.

Sua mão deslizou do cabelo dela para envolver seu pescoço.

— Foi muito parecido com o mito fundador. As sete provações eram te matar, com minhas próprias mãos…

As palavras sussurradas carregavam um leve riso, como se ele ainda achasse aquilo absurdo. Para qualquer outra pessoa, poderia soar como uma piada mórbida. Mas Eileen sabia o peso daquilo, conhecia o Cesare que já havia colocado as mãos em seu pescoço.

— A sétima provação foi um pouco complicada, mas no final, eu superei todas. Só então prometi o preço e voltei no tempo. Sete anos na realidade… e na ilusão, um tempo muito maior, muito mais difícil. Mas eu—

— …consegui te salvar.

Cesare soltou um suspiro suave. A apresentação recomeçou, as luzes da taverna se acenderam. Eileen se forçou a levantar a cabeça.

A mão que a segurava relaxou, revelando a expressão que ele sempre mantivera oculta.

— Eu te amo, Eileen. 

Com as íris vermelhas despedaçadas, que faziam essas palavras não soarem nem um pouco como uma declaração de amor.

 — O suficiente para morrer por você.

O preço para salvar uma vida… era a morte de outra.

Cesare recordou de seu mergulho à loucura. As lembranças não eram claras; a maior parte do tempo era um borrão, talvez porque não houvesse nada que valesse a pena lembrar.

Depois que o Arquiduque Erzet massacrou a nobreza da capital em um único dia, o Império Traon, e, na verdade, todo o continente, mergulhou no caos. Muitos nobres tinham ligações no exterior; a guerra foi uma consequência natural.

Cesare a acolheu de bom grado. Não restava ninguém que lesse as notícias de seus feitos, então não havia necessidade de moderar sua mão. Ele esmagou nações inimigas com uma crueldade sem precedentes; onde quer que o exército imperial passasse, nenhuma vida permanecia.

Enquanto Cesare devastava fora do Império, Leone lutava como imperador para restaurar a ordem no mundo político destruído da noite para o dia. Ele convocou às pressas nobres provincianos para preencher os cargos vazios, elevando homens talentosos de origem humilde a posições elevadas.

Plebeus também foram recrutados para a administração imperial. Ironicamente, o Império se tornou mais forte do que antes. Mas nenhum nobre, e nem mesmo o Imperador, ousavam se opor ao Arquiduque Erzet. O poder militar nunca estivera tão absoluto.

Cesare, a causa de tudo aquilo, não se importava com nada disso. Quando a guerra terminou e ele retornou à capital, trancou-se na casa de tijolos em ruínas, em um pequeno quarto no andar de cima, lendo os diários de Eileen ou sentado à janela.

Era estranho. Ele pensou que, após matar todos os nobres da capital por causa daquela criança, após realizar o funeral coletivo deles, se sentiria melhor. Mas não se sentia. Nem um pouco.

Da janela da casa de tijolos, ele via a pequena Eileen, espalhando flores sobre ele enquanto jazia exausto pelas extrações de sangue exigidas por sua mãe. Ela sorriu para ele, envolta em flores.

“Quando eu me casar com Vossa Alteza, vou dizer todos os dias que te amo. E te darei flores assim.”

Sua voz tagarela se dissipou em seus ouvidos. Cesare apoiou a bochecha no batente da janela e olhou para o jardim.

Onde a laranjeira estivera, agora havia apenas um buraco e ervas daninhas. Ele a viu aos dezessete anos, chorando no chão como uma criança, após o funeral da Baronesa Elrod, quando ele a trouxe de volta para a casa de tijolos.

Seu corpo havia crescido, mas ela chorava do mesmo jeito que quando era pequena. Durante todo o funeral, ela havia contido às lágrimas, mas diante dele, elas fluíram como uma torneira aberta.

“Eu não sei como posso retribuir a gentileza de Vossa Graça. Eu… eu só recebo…”

Ela repetiu isso várias vezes entre soluços. O homem pensou que talvez a tivesse consolado ao abraçá-la, como fazia quando ela era criança. Ela se assustou no início, mas, naquela única vez, não se afastou, se agarrou a ele e chorou.

Os lábios de Cesare se curvaram levemente. Ela parecia tão vívida, podia vê-la, ouvir sua voz… e ainda assim, ela não existia.

Sorrindo, ele chamou seu nome:

“Eileen.”

Mas nenhuma resposta veio. Nenhum olhar arregalado voltado para ele, nem o sorriso brilhante, ou sua voz animada.

Dilacerado repetidas vezes pela realidade de sua ausência, Cesare pensou:

Que talvez estivesse enlouquecendo.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

Gostou de ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 178?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!