Ler Mind The Gap (Novel) – Capítulo 16 Online


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❖ Capítulo 04 – Cross the Yellow Line, Parte 2

Ele não aumentou o tom de voz. A voz baixa apenas o incitava a dizer a verdade. No entanto, Jessica, incapaz de conter sua raiva, estava com o rosto vermelho e bufava. Chegava a parecer injustiçada.

— Que foto foi essa que você encontrou e como o Alex acreditou nisso.

O pressentimento era ruim.

— Diga tudo direito, o que o Alex confirmou.

“Muito ruim.”

— Não quero!

Jessica gritou. Nathan rebateu calmamente:

— Não quer?

— É, seu… seu…!

Jessica tremia enquanto o encarava. Nathan sorriu friamente.

— Tudo bem, então. Se você não fez nada de errado e não quer falar, eu mesmo vou investigar. Você disse que trabalhava em uma agência de modelos? Devo fazer com você o mesmo que você fez?

— Você enlouqueceu?

Jessica soltou um grito. Como o som foi alto, os olhares ao redor se voltaram para eles.

— Por que isso agora?

— O que você pretende fazer comigo?

— Eu vou descobrir a partir de agora. Por quê? Você não disse que não fez nada de errado? Então não há com o que se preocupar, não é? —

Aproximando gradualmente seu corpo, que estava inclinado, ainda mais dela, Nathan disse sem sequer piscar os olhos:

— Não é verdade?

O rosto de Jessica empalideceu. Jude e Tina, que se aproximaram sem que ele percebesse, olhavam para ele com preocupação. Houve quem dissesse que Nathan estava assustando Jessica, mas ele não se moveu. Mais precisamente, a expressão correta seria que nada mais entrava em seu campo de visão agora. Em meio à sensação de que seus nervos estavam pegando fogo, Nathan conteve-se.

Ao perceber os olhares das pessoas e as palavras de preocupação direcionadas a ela, Jessica mudou de atitude.

— Pare de me importunar e vá embora!

Os sussurros ao redor aumentaram. Alguém disse para ele parar. Nathan manteve sua postura.

Jessica começou a chorar de vez. O homem que se afastara por causa de Nathan voltou para o lado dela e o encarou. Retorcendo os lábios, Nathan observava Jessica em silêncio. Jude e Tina seguraram seu braço como se sugerissem ir embora. Foi então que alguém interveio.

— O Nathan não fez nada de errado.

Era a mulher de cabelo curto que ele encontrara no banheiro. Jessica virou a cabeça bruscamente.

— O Nathan ter mudado de escola foi por causa da foto que a Jessica mostrou.

— Kate, cala a boca!

Jessica se levantou como se fosse avançar sobre ela.

— Que foto era?

Nathan perguntou com paciência. A mulher assumiu uma expressão de vergonha. Após vestígios de uma luta interna aparecerem em seu rosto, Kate disse enquanto mordia os lábios com força:

— É uma… foto sua nu. Quer… quer dizer… era a foto de outra pessoa que se parecia com você. Nós também só soubemos depois. Nem sabíamos que o David Mack tinha mostrado aquilo para os Alfas. Só soubemos depois que o Alex veio e mandou apagar.

Um suspiro de choque veio de Jude. Um tipo diferente de burburinho se espalhou ruidosamente e todos os olhares se voltaram para Jessica.

No entanto, Nathan não conseguia processar nada disso. No momento em que o nome de Alex surgiu novamente, ele ficou sem fôlego.

Sua cabeça estava atordoada, como se tivesse sido golpeada do topo até o chão. Ele não conseguia entender bem o conteúdo do que ouvira, precisando repassar as frases mentalmente por vários segundos. “O Alex fez o quê?”

“O quê?”

— Jessica, tenha um pouco de consciência. Você ouviu tudo o que o David Mack disse. O que ele exigiu do Alex com aquela foto…

— E o que tem isso? O fato de ele ter namorado um Ômega bonito foi bom para ele, que é um Alfa, não foi?

— Você tem coragem de dizer uma coisa dessas?!

— Agora quer fingir que é boazinha, sua louca!

A briga logo se transformou em uma discussão entre as duas. O som barulhento do salão que se tornara um caos ecoava em seus ouvidos. Ele não conseguia pensar em nada. Exceto em repetir em sua mente o que acabara de ouvir.

Dizer que ele acabou namorando um Ômega, ou que o fez apagar a foto… a foto.

Foto nu?

Um sentimento como uma massa de sangue subiu subitamente. Seus dedos tremiam. As palavras que saíram da boca de Jessica ou Kate não estavam organizadas de forma precisa, mas a linha principal se encaixava. Jessica mostrou fotos de nudez que pareciam ser dele para os amigos. Aquilo caiu nas mãos de alguém chamado David, e Alex quis apagar aquilo.

“Em meu lugar.”

O que surgiu na mente de Nathan diante daquela história inimaginável foi isto:

“Por que você escondeu isso, Alex?”

A resposta veio imediatamente. Alex quis dar a explicação que pretendia. Quem não ouviu foi Nathan. O próprio Nathan White.

— Então, por favor, só uma vez… você não pode ouvir por que eu fiz aquilo?

O que ele disse para Alex, que o segurava com um rosto súplice? Ele dissera: “O que isso mudaria?”. Ele não quis ouvir o motivo. Porque era algo que já havia acontecido. Porque fora uma escolha de Alex e algo que Alex provocara. No dia em que deixou Alex entrar em sua casa pela primeira vez, Nathan chegou a dizer isto:

— Não me importa qual tenha sido o seu motivo.

Que não importava.

“Não importa o que você passou, eu não vou me importar.”

Ele dissera tais palavras.

Falando de forma puramente racional, o que ele passou já tinha acontecido. Conhecer o motivo não apaga o passado. Alex escolheu o método de afastá-lo causando-lhe dor.

Nathan pensou que aquele era o limite do coração de Alex. Esse foi o motivo pelo qual tentou esquecê-lo. Tinha medo de seu próprio coração, que tentava de todas as formas criar um motivo para gostar de Alex novamente. Ele odiava o fato de ser alguém em quem Alex depositava apenas aquele nível de confiança, odiava que os sentimentos não fossem mútuos. Como a reação à primeira confissão de sua vida foi diferente do esperado, pensou que o coração de Alex parava ali.

“Mas, em todos aqueles momentos, eu tentei entender o Alex alguma vez?”

“Por que você fez aquilo, por que teve aquela reação, será que tentei entender mais sobre o ambiente que te molda e os pensamentos que você tem?”

Apesar de achar que Alex Yeon era o mais importante, Nathan nunca tentou compreender Alex adequadamente. Ele sabia que o garoto era desajeitado, mas não sabia por que o desajeitado Alex agira daquela forma. Se não conseguia descobrir, deveria ter perguntado, e se ele não respondesse ao ser perguntado, deveria ter, pelo menos, se esforçado mais.

Porque ele nunca havia esquecido Alex.

Em todos os momentos em que tentava esquecer Alex, ele estava pensando em Alex. Seria impossível esquecer.

Desde o primeiro momento em que o viu, ele não conseguia deixar Alex sozinho. Como o leito de um rio onde toda a água secou e restaram apenas vestígios, a memória de Alex existia em algum lugar de seu peito. Nathan não queria que aquele rio voltasse a fluir e esperava que ele desaparecesse erodido pelo vento. Acreditava que, assim, a ferida deixada por Alex também desapareceria.

No entanto, Nathan reviveu aquele rio com apenas um pequeno fragmento de Alex. Em um piscar de olhos, o fluxo de água que reviveu tornou-se um tsunami transbordante que o cobria. Seu corpo não seguia a razão. Ele o segurou porque odiava vê-lo de costas. Segurou-o novamente porque aquele rosto que parecia estar sozinho o incomodava loucamente.

“Eu ainda te amo.”

Ele apenas cobrira a memória, mas não conseguira apagá-la. Sendo assim, como se sentia estranho por balançar toda vez que via Alex, tentou agir racionalmente como sempre fizera. Queria equilibrar as coisas dessa forma.

“De que adiantou isso?”

Se no fim não conseguiria esquecer, se gostava dele mais do que da ferida que recebeu, não deveria tê-lo tratado daquela forma. “Você nunca deixou de me colocar em primeiro lugar nem uma única vez.”

“Eu é que não sabia disso.”

“Eu, e ninguém mais.”

Seu interior foi completamente tingido de preto. Sua mente foi coberta de trevas e ele sentiu como se sua alma tivesse sido apunhalada. Lembrou-se dos lábios onde um sorriso tímido pairava ao vê-lo. As sobrancelhas bonitas que se curvavam docemente, ao contrário do olhar afiado, as orelhas redondas, a nuca e o rosto que ficavam vermelhos facilmente… Tudo eram coisas adoráveis ao extremo.

Ele não tinha nem ideia do que Alex suportara sem lhe contar. Seu coração parecia não apenas rasgado, mas reduzido a pó. No momento em que desenhou em sua mente até o rosto que sorria de alegria enquanto o chamava pelo apelido, Nathan desmoronou. Com uma sensação de que ia morrer, ele virou o corpo lentamente. Não queria estar naquele lugar. Precisava ver Alex. Alex…

Subitamente, Nathan recordou dolorosamente o fato de ter rejeitado sua confissão. Ele rejeitou Alex, que o segurava ansiosamente com o rosto prestes a chorar, mencionando confiança. Embora não fossem palavras erradas, Nathan não conseguia perdoar o que dissera. Se ele mesmo agia assim, como Alex poderia confiar nele?

O recinto virou um caos com a história do passado que veio à tona de repente. Como a história de David Mack, que fizera nome como jogador de futebol, foi adicionada, muitas pessoas pegaram seus celulares. Passando por Jude e Tina, que observavam o local com rostos muito surpresos e zangados, Nathan saiu dali como um fantasma.

Jude, que o observava sair, olhou para Jessica e Kate e abriu a boca.

— Vocês sabem que nenhuma de vocês pediu desculpas direito para o Nathan? Nem para o Alex, nem para o Nathan.

As duas que discutiam se calaram. Tina encerrou com um olhar gélido:

— Vocês certamente receberão de volta o que plantaram vivendo desse jeito. Vocês também, que transformaram a desgraça alheia em fofoca.

O silêncio se instalou. Assim que Jude e Tina também saíram, o salão onde ocorria a reunião logo ficou desorganizado e as pessoas foram embora uma a uma.

O ser humano não morre de solidão. Ou seja, isso não pode ser a causa direta da morte.

Portanto, Alex não morreu. Ele continuava respirando, comia, dormia e acordava para ir trabalhar. Ter muito o que fazer tornou-se o motivo de vida que movia Alex. Mas era inevitável sentir-se vazio, como se estivesse sozinho. Até sorrir era um esforço, então ele manteve o silêncio e mergulhou no trabalho.

Foi no quinto dia após o incidente com Nathan que o Sargento Hayden lhe recomendou aconselhamento. Diante dele, que continuava em plantões noturnos sucessivos sem descanso, o Sargento Hayden colocou uma folha de papel. Alex ergueu os olhos ao som do papel batendo na mesa.

— Marquei para hoje mesmo. Vá.

— O quê?

— Seu estado está deplorável. Não importa se aconteceu algo ou não, faça isso.

Alex piscou os olhos. O Sargento Hayden o observava segurando um cigarro apagado na mão. Tinha o rosto franzido, como se tudo no mundo fosse irritante. Ao desviar o olhar para verificar a hora, viu que era meio-dia. Manuseando o arquivo com todo tipo de informação organizada sobre Sarah Oates, Alex expressou sutilmente sua recusa.

— Não acho que eu terei tempo para isso.

— Claro que estamos ocupados. Temos que pegar esses bastardos. Mas, para você, isso vem primeiro.

No papel onde estava escrito o nome da conselheira, havia o horário. Katrina Bell. Dezesseis horas. Era quase hora de partir. Olhando alternadamente para o arquivo e para o Sargento Hayden, Alex perguntou apenas para confirmar uma coisa:

— Foi o Matthew, não foi?

— Disso eu não sei.

— Imaginei.

Certamente Matthew dera uma pista ao Sargento Hayden. Como Alex não o ouvia mesmo após ele insistir para que fizesse terapia, ele deve ter usado esse método. Como era uma ordem, não havia como recusar, então Alex pegou o papel com o rosto relutante.

— Entendido.

— Nós vamos falar com o juiz de paz com as evidências vindas do laboratório, então entre em contato quando terminar.

— Será que o mandado de busca sai?

— Isso depende do quão sólido é o que o Ilay e aquele médico descobriram. Acho que vai dar certo.

A situação se organizou ainda mais nos últimos dias. Primeiro, o suspeito que assassinou as vítimas foi definido como sendo o homem de terno ou Patrick Shore. O critério foi quem teve contato direto com a vítima.

Para descobrir a identidade do homem de terno, era preciso encontrar Patrick Shore, e Anna realizou uma investigação infiltrada pessoalmente em vários intercâmbios de idiomas para confirmar. Patrick Shore não apareceu nas reuniões desde o primeiro contato com as vítimas, mas felizmente conseguiram depoimentos úteis. Houve bastantes pessoas que se lembravam dele, pois sua aparência era marcante.

De acordo com a avaliação das pessoas próximas, as vítimas eram ingênuas e discretas, então surgiu a opinião de que Patrick provavelmente escolheu entre elas aquelas que precisavam de dinheiro. Ou seja, ele escolheu pessoas tão ingênuas e honestas que manteriam a cláusula de confidencialidade mesmo após participarem do experimento. Por isso a informação não vazou.

Em seguida, veio o mentor por trás desses dois suspeitos. Embora houvesse outros candidatos, a Macmillan Pharmaceutical, onde Amy Vinings fizera a entrevista, foi designada como o mentor.

O problema era sobre qual grupo interno tomara essa decisão. Para investigar isso, era necessário começar o contato com funcionários da empresa e investigar o laboratório, mas precisavam de provas. Porque tudo o que tinham até agora eram evidências circunstanciais.

Se encontrassem provas concretas de que a “Peryn” injetada na vítima veio do laboratório deles, essa parte seria resolvida até certo ponto.

Depois disso, restaria o motivo pelo qual Amy Vinings foi o alvo e a razão do desaparecimento de Sarah Oates. Esses dois certamente tinham um elo de ligação. Era essa a parte que Alex estava investigando.

— Sim.

— Então vá logo.

Ao ouvir para se apressar, Alex pegou suas coisas e se levantou.

Londres agora exibia as cores do inverno pleno. Devido ao Natal que chegaria em poucas semanas, os mercados transbordavam de mercadorias e alimentos relacionados à data. De perus embalados a roast beef saindo como prontos para comer, pequenas árvores e objetos fofos estavam em exposição.

Luzes foram instaladas em série nas estradas do centro de Londres. Os ônibus de dois andares passavam raspando por baixo delas e o mercado de Natal começava a abrir em South Bank. Ao passar por perto, o cheiro de vinho quente perfumava o nariz com doçura. Embora ainda faltasse algum tempo, Londres parecia estar inteiramente em clima de festa.

O sol agora começava a se pôr muito cedo, escurecendo a partir das quinze horas. Quando chegou ao consultório, já estava escuro lá fora. O cheiro de vento frio preso no casaco cutucava o interior de seu nariz com vazio. Seu coração doía por não conseguir se integrar ao clima de festa e apenas sentir a solidão. Era um tipo de solidão difícil de suportar.

A casa da Dra. Katrina Bell ficava na Great Smith Street. O consultório, sem placa ou sinalização, era voltado para a Polícia Metropolitana, e a Dra. Bell servia como conselheira especializada ali há muito tempo. Por estar a cerca de dez minutos a pé da sede da polícia, era conveniente não ter que caminhar muito.

O consultório, que visitava pela primeira vez, era elegante e calmo. O espaço, predominantemente de madeira com iluminação amarela suave, criava naturalmente uma atmosfera solene. Após confirmar sua identidade na recepção, ele entrou na sala de consulta. A Dra. Bell estava sentada em uma cadeira ao lado da janela alta. Com o cabelo loiro claro preso em uma trança, ela aparentava ter cerca de 50 anos.

— Entre, por favor. Eu sou Katrina Bell.

A Dra. Bell levantou-se e estendeu a mão para recebê-lo. Ao apertarem as mãos levemente, ela sorriu. O feromônio suave que exalava permitiu que ele soubesse que ela era uma Alfa.

— Olá. Sou Alex Yeon.

— Ótimo, muito bom. Ah, se não for indelicado, posso chamá-lo de Alex?

— Pode me chamar como preferir.

— Então, por favor, Alex também me chame de Katrina.

A Dra. Bell apontou para a cadeira à frente. Quando ele se sentou desajeitadamente no sofá de couro macio, ela entrelaçou as mãos e as colocou sobre o joelho. Seu humor melhorou um pouco ao ver o sorriso nos olhos dela.

— O que o trouxe aqui, Alex?

Alex disse a verdade.

— Recebi ordens para vir.

— Muitos começam assim. Que bom que veio.

— Mas eu não tenho nada para contar.

A Dra. Bell apenas sorriu. Ela se levantou, caminhou até onde estavam a chaleira e o chá, e perguntou a Alex:

— O que acha de um chá preto?

Alex, que ia recusar, acabou aceitando.

— Quantas colheres de açúcar devo colocar?

— Quatro colheres.

— Você gosta bem doce.

Aquelas palavras tocaram em algum lugar de seu coração. Sentindo que algo que subiu de repente estava prestes a transbordar, Alex mordeu o lábio com força.

Apesar de tanto tempo ter passado, Nathan sabia exatamente o seu gosto. Quando a lembrança de que o relacionamento, que estava sendo cada vez mais aceito por ele, fora arruinado por sua própria confissão o atingiu, a agonia explodiu. A ferida inflamada agora doía ao menor toque, tornando difícil até mesmo pensar no nome de Nathan.

— Você tem um rosto de quem está reprimindo muita coisa.

A Dra. Bell, que colocara a água para ferver, sentou-se à frente dele. Alex ergueu os olhos avermelhados. Desde que descobriu o paradeiro do pai e foi rejeitado por Nathan, não tivera uma conversa decente com ninguém.

Mesmo quando Matthew o procurou anteontem, Alex evitou o assunto. Matthew, que descobriu o horário em que a pasta fora aberta, parecia ter certeza de que Alex vira o conteúdo.

— Você viu, não viu?

— O quê?

— A foto do seu pai que eu encontrei. Verifiquei a pasta. Alex, droga, me desculpe.

Alex fez uma cara de quem não se importava diante do pedido de desculpas de Matthew. Soltando um “ah”, ele virou a cabeça e disse que estava tudo bem.

— Eu não tinha certeza se você ficaria bem ao ver aquilo. Por isso escondi. Sinto muito mesmo.

— Está tudo bem. Ele está vivo, então é bom. Eu sei que você fez isso pensando em mim.

— Não, você não está bem.

Matthew tinha um rosto zangado, como se estivesse no lugar de Alex. Com uma expressão de quem ia enlouquecer, ele passou a mão pelo cabelo. Sem se importar que seu rosto fosse visto do lado de fora, ele suspirou e disse:

— Ninguém pode ficar bem depois de ver algo assim.

Alex não respondeu. Não tinha confiança de que conseguiria se recompor se admitisse que não estava bem. Ele não tinha família, amante ou irmãos em quem se apoiar. Em uma situação em que mal conseguia aguentar o dia, era certo que a vida seria mais dolorosa se admitisse sua própria fraqueza. Fingindo esquecer o dia em que desmoronou momentaneamente, Alex encerrou a conversa com Matthew com um sorriso.

— Eu pareço assim para você?

De volta à realidade, Alex perguntou. A Dra. Bell respondeu com uma pergunta:

— Diga você, Alex. Qualquer história serve. Eu sou uma ouvinte. Às vezes, falar sobre si mesmo para alguém que não sabe nada a seu respeito traz muito consolo. Eu não sou alguém que vai te julgar.

A proposta para que ele falasse o deixou ainda mais sufocado. Não sabia o que dizer. Após pensar por vários minutos, Alex disse um sentimento que vinha sentindo recentemente, aliás, a vida toda.

— Sinto-me sozinho.

— Por que se sente sozinho, Alex?

— Porque eu… estou só.

A chaleira soltou um som estridente indicando que a água fervia. A Dra. Bell, com as mãos entrelaçadas, observou-o calmamente e perguntou:

— Não há ninguém ao redor do Alex? Família, colegas, amigos? Pela minha primeira impressão, o senhor Alex parece ser uma pessoa muito encantadora.

Alex ia dizer que não havia ninguém, mas lembrou-se de Matthew. De Anna, que sempre falava com ele de forma amigável, e… Nathan.

— Tenho colegas.

— São pessoas que gostam de você?

— Sim.

— Então por que se sente sozinho, Alex?

Era um problema no qual nunca havia pensado seriamente. Levou muito tempo para dar uma resposta.

— Porque as pessoas que gostam de mim não podem resolver os meus problemas.

— Que tipo de problemas?

— Apenas, coisas assim. Dinheiro ou…

— Claro, o que o Alex diz está correto. Isso é um problema que eles não podem resolver. Mas, Alex, é possível conversar sobre o problema. Pode-se receber conselhos de outras formas que não pensaria sozinho. Se isso não for possível, apenas desabafar sobre sentimentos difíceis e se apoiar um pouco não seria possível? Já que são amigos. —

Alex franziu os olhos ao ouvir a palavra “apoio”. Era uma palavra estranha, a ponto de causar repulsa.

— Você tem um rosto que não parece gostar da ideia.

A Dra. Bell disse sorrindo suavemente. Alex massageou a bochecha levemente e, com um suspiro, admitiu:

— Sim.

— O que o deixou desconfortável, Alex?

— A parte de se apoiar nas pessoas ao redor.

— E o que tem isso?

— Isso sobrecarrega a outra pessoa.

Não tinha memórias de ter se apoiado em alguém. Seus pais, as únicas pessoas em quem Alex poderia ter se apoiado, estavam sempre ocupados com seus respectivos trabalhos. Sua mãe não gostava dele e seu pai esperava muito dele. A pessoa em quem Alex podia se apoiar ali era apenas ele mesmo. Aquilo era o natural.

— Alex, você é dependente?

— Não.

— Já pensou desta forma? De que a outra pessoa pode se sentir triste porque o Alex não tenta se apoiar nela? —

— …Não.

Aquele era realmente um problema que ele nunca havia considerado. Alex lembrou-se das palavras de Nathan. Nathan dissera que ele não havia confiado nele. Era também a parte de que ele se arrependia continuamente. Pensou várias vezes que, se ao menos tivessem conversado e buscado uma solução juntos, não teriam chegado a esse resultado. Embora não pudesse nem sequer dar essa desculpa diante de Nathan.

— Não precisa ser com todos. Mas, se for alguém precioso em um relacionamento verdadeiro, essa pessoa não vai odiar que o Alex confie e se apoie nela. Isso é uma questão de confiança.

— Mas…

Alex ficou com o rosto confuso. As pessoas em quem Alex confiou e seguiu sempre o deixaram. Tanto o pai quanto a mãe.

— As pessoas em quem confiei… nunca permaneceram ao meu lado.

— Que tipo de pessoas eram?

A Dra. Bell perguntou calmamente. Alex abriu a boca com um sentimento miserável:

— Meus pais.

— Eles são pessoas más.

— O quê?

A Dra. Bell deu de ombros. Alex piscou os olhos.

— Meu comentário foi inadequado. Peço desculpas. Mas, Alex, eu acho que eles foram maus. O fato de Alex ter se apoiado neles não foi um erro. É algo natural.

Ninguém nunca lhe dissera tais palavras. Era porque aquela era uma história que Alex nunca havia contado para ninguém. Nem para Nathan.

— Você pode se apoiar em alguém que sinta que gosta de você. As opiniões variam entre os estudiosos, mas eu sou do lado que acredita que o ser humano é um animal social. Uma vida onde não se pode confiar em ninguém, quão solitária ela deve ser?

A Dra. Bell levantou-se. Caminhando lentamente até a chaleira, ela colocou o saquinho de chá, despejou um pouco de leite e adicionou quatro colheres de açúcar. Após mexer o chá preto com uma colher, a doutora voltou ao lugar. Uma xícara de porcelana foi colocada diante dele.

— Beba um pouco.

— Obrigado.

Alex estendeu a mão lentamente e segurou a xícara. Tomou um gole do chá que se tornara de um marrom suave. Estava doce. O suficiente para fazê-lo se sentir melhor.

— Está gostoso.

— Que bom.

A Dra. Bell sorriu. Então, ela também começou a beber o chá que trouxera para si. Dessa forma, os dois beberam o chá em silêncio.

↫─☫ Continua no volume 4…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki, Othello&Belladonna

Ler Mind The Gap (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:  Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”

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