Ler My Perfect Omega (Novel) – Capítulo 03 Online


Modo Claro

ꕥ Capítulo 3 – Alguém um pouco estranho

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Ao acordar, o teto que viu não era o seu. Ele estava no quarto de hóspedes do terceiro andar que havia cedido a Nick, mas não precisou de explicações sobre o porquê de ter sido levado para lá.

Owen sentou-se lentamente.

Ele pensou que poderia acabar no hospital, mas, além de uma certa dor muscular, sentia-se surpreendentemente bem. Leve, até. Ele puxou as cobertas e viu que estava inclusive vestido com um pijama.

Não era alguém totalmente sem modos, então. Julgando pela noite passada, ele teria pensado que Nick não pararia mesmo que Owen estivesse morrendo.

Olhando para o lado, notou um leve afundamento no centro do travesseiro onde Nick presumivelmente dormira. A visão evocou uma sensação estranha.

Seu ciclo de cio parecia ter terminado rapidamente. Isso provavelmente contribuiu para sua sensação de leveza.

Bem, se não tivesse diminuído depois de tudo aquilo, seria mais preocupante.

Ele já estivera com Alfas durante seu ciclo de cio algumas vezes, quando o momento e o parceiro eram adequados. Mas nunca se sentira com a mente tão clara depois.

O sexo com um Alfa era mais eficaz do que supressores para aplacar o calor de seu ciclo, e Nick Stockton era significativamente melhor do que seus poucos parceiros anteriores.

Ainda assim, ele tomaria outro supressor, por precaução. A mudança repentina em seu ciclo o preocupava, então ele precisava ser examinado.

A estabilidade dos feromônios era crucial para Owen Rose. Ele não podia se dar ao luxo de flutuações repentinas ou vulnerabilidade a estímulos externos.

Ainda não existiam drogas que controlassem perfeitamente os feromônios. Owen dependia dos supressores existentes e de um rigoroso autocontrole. Um único incidente induzido por feromônios em sua juventude fora o suficiente.

Mentalmente adicionando itens à sua agenda, Owen balançou as pernas para fora da cama. Conseguia ficar de pé e andar sem problemas. A leveza em seu corpo elevou seu espírito.

— …!

Ao abrir a porta do quarto, Owen congelou. O aroma convidativo de café havia subido até o terceiro andar.

Esta era a primeira vez que isso acontecia desde que ele dispensara seus funcionários residentes. Antes de hoje, o cheiro de café não impregnava a casa até que ele apertasse o botão de sua máquina de café. O aroma que preenchia seus sentidos era rico e fresco. Atraído pelo cheiro, Owen desceu à cozinha de pijama.

A porta da geladeira estava aberta. Itens que pareciam ingredientes estavam sendo transferidos da geladeira para o balcão da cozinha. Era uma visão desconhecida.

Antes que a estranheza pudesse ser totalmente processada, ele viu as costas do homem com quem se tornara intimamente familiarizado. O movimento dos músculos sob seu suéter fino de malha era claramente definido. Isso trouxe de volta a memória da sensação daqueles músculos sob as mãos de Owen na noite passada.

“Ah…”

Owen inconscientemente colocou a mão no estômago. Sentiu um calor momentâneo, mas deve ter sido sua imaginação. Ele não deveria remoer a noite passada.

— Owen.

Nick Stockton estava com a cabeça enfiada no fundo da geladeira. Apesar dos sons de coisas mexendo, ele de alguma forma percebeu Owen e chamou seu nome.

Owen pensou que estava parado silenciosamente na soleira da porta…

— O café cheirava… bem, então eu desci.

Ele não costumava vagar pelo primeiro andar em tal estado desgrenhado. Sentiu a necessidade de se explicar.

— Eu queria lhe oferecer a xícara mais fresca, mas não queria acordá-lo. Eu ia apenas verificar os ingredientes e voltar para cima, mas vejo que cheguei um passo atrasado.

Nick parecia completamente à vontade na cozinha de Owen. Ele se virou e caminhou em direção a Owen, que estava parado junto à porta. A cozinha, que Owen sempre considerara espaçosa, de repente pareceu uma cozinha de estúdio apertada que ele vira uma vez, apequenada pela presença de Nick Stockton.

— Parece que seu ciclo de cio terminou.

— Sim, graças a você.

Nick envolveu a cintura de Owen com os braços e roçou o nariz em seu pescoço. Ele inclinou a cabeça levemente, como se esfregasse o nariz contra a pele de Owen. No entanto, tudo o que ele sentiria seria o cheiro de sabonete. Owen não se lembrava de ter tomado banho, mas claramente tomara.

— Você poderia apenas liberar seus feromônios por um momento?

Aparentemente não tendo encontrado o cheiro que procurava, Nick pediu uma liberação de feromônios, mas Owen não podia fazer isso. Eles já estavam próximos o suficiente para ser desconfortável.

— Não acho que seja uma boa ideia.

Uma risada travessa vibrou sob o queixo de Owen, seguida pelos lábios de Nick roçando sua bochecha.

— Você tem razão. Você tem que ir trabalhar. E eu tenho que alimentá-lo. Café, agora?

— Não… embora o cheiro esteja maravilhoso. Vou tomar banho e tomar um pouco mais tarde.

— Você consegue chegar ao segundo andar?

A pergunta, embora parecesse descontraída, foi acompanhada por uma mão que se moveu pela cintura de Owen, não de forma sugestiva, mas prática, verificando qualquer desconforto. Era o toque de alguém que sabia exatamente o que fizera na noite anterior.

— Não tenho problemas em subir as escadas. E esta casa tem elevador.

— Ah…! O elevador.

Como ele dissera, era perfeitamente capaz de andar, então pretendia usar as escadas. Mas a mão em sua cintura o guiou em direção ao elevador.

— Vou preparar o café da manhã. Do que você gosta?

Enquanto Owen dava um passo em direção ao elevador, Nick o segurou, seu braço impedindo-o de entrar. Embora não houvesse intenção sexual antes, agora havia uma relutância indisfarçável em deixá-lo ir. Nick não parecia o tipo de pessoa que remoia remorso por muito tempo.

— Não sou exigente. Vou comer o que quer que você esteja comendo.

Quando Owen deu outro passo, o braço em sua cintura afrouxou. Nick ficou parado junto ao elevador, com um sorriso saudoso no rosto, enquanto as portas se fechavam.

— Oh… os comprimidos.

Ele só se lembrou de seus supressores depois que as portas do elevador se fecharam.

Eles estavam na cozinha. Não eram medicamentos de emergência, mas algo que ele tomava regularmente, como vitaminas, então os guardava na cozinha para tomar com as refeições.

Ele colocou a mão no estômago novamente, que sentira um calor agitado um momento atrás. Preocupou-se brevemente que esquentaria de novo com o toque de Nick, mas, felizmente, não aconteceu. Seu ciclo de cio definitivamente acabara.

O elevador apitou, anunciando sua chegada ao segundo andar, e Owen tirou a mão do estômago. Seus passos eram leves, talvez porque seu coração também se sentisse leve.

Ele poderia tomar os supressores após o banho. O calor havia passado, e Owen era mestre em se controlar. E ele parecia ter um novo parceiro.

Ele era um pouco forçado, talvez. E uma escolha um tanto inesperada, mas Nick Stockton parecia mais masculino do que qualquer outro homem que Owen conhecia. Mais do que qualquer outro Alfa. …Ele imaginou que até o cabelo de Nick Stockton insistiria em sua masculinidade Alfa. E Owen não discordaria.

— …!

Suas reflexões particulares sobre a noite passada pararam abruptamente. Ele congelou ao entrar em seu quarto. Foi preciso mais coragem do que o normal para dar um passo para dentro.

Os feromônios que liberaram durante a noite haviam sido apagados sem deixar vestígios pelo purificador de ar de alto desempenho, mas os lençóis não tiveram a mesma sorte. E se a memória de Owen sobre a viscosidade pegajosa abaixo de sua cintura estivesse correta, o colchão sob aqueles lençóis também não estaria ileso.

— ….

A noite passada o fizera perceber, de uma forma que nunca sentira antes, que Owen Rose era um Ômega. Nick Stockton arriscara uma chance com ele, arriscando rejeição e humilhação. Owen estava grato por sua coragem.

Mas ele não queria ver o colchão manchado e endurecido por fluidos corporais. Queria queimar os lençóis que pareciam preservar a marca de seus corpos entrelaçados e apagar a memória de sua mente. Tentando ignorar a visão em sua cama, Owen dirigiu-se ao banheiro.

ꕥ ↫─⚝─↬ ꕥ

— Ted, diga ao Jimmy que chegarei uma hora mais tarde hoje.

Mesmo com a mensagem, Jimmy, seu motorista, provavelmente chegaria no horário habitual e esperaria em frente à casa. Mas Owen precisava deixá-lo saber que nada estava errado.

— Sim, senhor.

A voz de Ted veio de seu telefone, que estava em uma prateleira.

— E vou passar no laboratório primeiro. Limpe minha agenda por cerca de uma hora.

Isso deve ser tempo suficiente para um check-up rápido e avaliação do nível de feromônios.

— Vou entrar em contato com o Dr. O’Reilly.

Ele terminou seus breves ajustes de agenda e desligou a tela.

Um homem perfeitamente impecável estava diante do espelho. Ele estava 20 minutos atrasado em relação ao cronograma, mas planejara começar tarde hoje de qualquer maneira.

Atraído pelo aroma persistente, Owen desceu as escadas para a cozinha. Seu passo confiante hesitou na entrada.

Isso era… verdadeiramente…

— Impressionante.

Um banquete estava posto sobre a mesa. Ele já ouvira a expressão “comer no café da manhã como um rei”, mas até mesmo um rei teria desenvolvido problemas de saúde se comesse assim todas as manhãs.

Dois tipos de suco espremido na hora, frutas frescas e iogurte, três pratos diferentes de ovos, uma cesta transbordando de pães e uma pilha de panquecas, sobre as quais Nick Stockton estava despejando o que, julgando pela viscosidade, parecia ser xarope. Owen nem sabia que tinha xarope em casa.

— Sente-se. Não há nada com que se surpreender. Preparei uma variedade de pratos, já que ainda não conheço suas preferências.

Parecia que Owen era o convidado na cozinha de Nick.

— Prefiro um café da manhã leve.

— Suco?

Das duas jarras, a avermelhada cheirava mais fresca. Antes que Owen pudesse alcançá-la, Nick a pegou e serviu um copo para ele, depois encheu seu próprio copo menos da metade.

— Ugh. Eu espremi um pouco de toranja fresca, mas… está exatamente como me lembro.

Para avaliar a reação de Nick, Owen deu um grande gole.

— Está fresco. Obrigado.

— ….

Nick Stockton franziu a testa, seu rosto bonito vincado de preocupação.

— O que houve?

— Estou me perguntando se você está realmente gostando.

Toranja não era doce. Era levemente amarga. Se era com isso que Nick estava preocupado…

— É uma questão de preferência. Tenho um tempo livre esta manhã. Você deveria se sentar também. Mesmo que não tenha sido eu quem preparou.

A carranca de Nick desapareceu, substituída por um sorriso mais brilhante e fresco que o suco de toranja.

— …Por que você está me olhando assim?

— Você parece o lorde da mansão.

— Eu sou o atual proprietário desta mansão.

— Eu sei, não estava questionando isso. É só que… você parece um lorde medieval recebendo um convidado.

O que isso deveria significar?

— Quero dizer que você foi muito digno e elegante.

Como se tivesse ouvido a pergunta não dita de Owen, Nick acrescentou uma explicação. Ele ergueu seu copo de suco de toranja como se fosse vinho e tomou o último gole.

— Ugh.

Ele fez a mesma careta de antes, como se já tivesse esquecido o gosto.

Incapaz de rir do erro alheio, Owen olhou para baixo.

— Você pode rir, Owen. Eu acabei de fazer a mesma careta.

Em vez de riso, Owen sentiu uma onda de carinho e pegou sua xícara de café. Ele tomou um gole, observando o homem à sua frente.

Enquanto Owen comia lentamente um pedaço de pão, Nick consumia uma quantidade considerável de comida. Owen duvidava que alguém com o porte de Nick pudesse manter o físico com as porções habituais de Owen.

— Isso é notável.

A admiração de Owen era genuína. Nick pareceu entender, respondendo com um sorriso brilhante.

— Preparei muito porque não sabia do que você gostava, mas também preparei sabendo que comeria pelo menos a metade. Estou bastante esgotado.

Owen corou e olhou para o prato novamente.

A reação de Owen era cativante, mas o apetite voraz de Nick não se devia apenas às atividades da noite passada. Era mais provável que fosse devido ao gasto calórico dos eventos que se desenrolaram desde o heliporto.

O corpo de Nick era treinado para o seu tipo de trabalho. Se ele ficasse muito tempo sem reabastecer, seu corpo queimaria suas reservas de energia armazenadas. Ele tentava evitar chegar a esse limite hoje em dia, mas não era estranho a confiar na força de vontade quando suas reservas estavam esgotadas.

Ontem, ele chegara perto de seu limite. Ele rastreara uma área ampla por um longo tempo no heliporto, tentando sentir Owen. Depois, usara feromônios agressivos para afastar as pessoas nas docas e na delegacia. Embora não fosse fisicamente extenuante, era mentalmente desgastante, o que também esgotava sua energia. E então, ele vivenciara uma noite diferente de qualquer outra. Ele estava completamente exausto.

Havia uma razão primal, quase animal, pela qual ele se dirigira direto para a cozinha ao acordar, em vez de puxar Owen para perto para outro abraço.

— Você é um bom cozinheiro. Notei ontem à noite também, mas você parece muito à vontade na cozinha. Estou bastante surpreso.

— A necessidade é a mãe da invenção. Não havia restaurantes decentes por perto, voltar à civilização levaria mais seis meses e eu chegara aos limites do que podia coletar nas aldeias locais. E, além de tudo isso, meu paladar começou a se tornar mais refinado. Só havia uma solução.

— …Onde fica esse lugar de que você está falando?

A pergunta inocente de Owen fez Nick sorrir.

— Existem mais lugares assim do que você imagina. Claro, se estivermos falando de dentro deste país, seria difícil, a menos que você fosse largado no meio de um milharal.

— Você quer dizer no exterior.

— É geralmente onde os contratados de PMCs são implantados.

— …

— Claro, isso foi antes de eu ter minha própria empresa, quando minhas opções eram limitadas.

— Por contratado, você quer dizer mercenário?

— Isso está incluído. Operações de grande escala têm unidades de suprimento, e as pessoas que cuidam da cozinha também são contratadas, então também são contratados de PMCs.

— Ah…

— O problema é que é improvável que esses indivíduos fossem chefs executivos que subitamente decidiram que queriam trabalhar no exterior. E mesmo que houvesse um cozinheiro habilidoso, há a questão da preferência pessoal.

Owen assentiu em compreensão.

— Havia horários fixos para as refeições e o cardápio era sempre o mesmo. Mesmo quando a empresa contratante mudava ou mudávamos de local, os tipos de ingredientes disponíveis eram limitados. A certa altura, comecei a sentir que estava comendo ração animal. Foi uma tentativa de manter minha humanidade.

— …Acho que eu teria feito o mesmo.

O olhar de Owen, preenchido com uma nova compreensão, demorou-se no rosto de Nick.

— Eu sabia que safiras eram azuis, mas…

Owen considerara a frase “safira em chamas” como uma figura de linguagem, uma combinação cativante de palavras.

Quando viu a expressão pela primeira vez, ele zombou, pensando que o jornalista que a cunhou provavelmente nem entendia o que significava.

— Acho que até jornalistas de tabloides acertam às vezes.

— O quê?

Owen pareceu confuso com a mudança repentina de assunto.

— Parece que queima para dentro.

— …?

Ele inclinou a cabeça adoravelmente, com uma expressão intrigada no rosto.

— Seus olhos. Eles não têm apenas uma cor.

— Meus olhos são azuis.

Owen respondeu categoricamente, como se fosse uma verdade autoevidente. Ele endireitou a postura e olhou diretamente para Nick.

— Você não se olhou no espelho direito, Owen. Seus olhos… eles parecem se mover. Como chamas azuis queimando constantemente para dentro. É realmente hipnotizante.

Assim como uma joia real refletindo a luz, os olhos de Owen revelavam novas profundidades quanto mais tempo Nick olhava.

— …

— Você sabia que chamas azuis queimam com mais calor?

Nick não estava falando de ciência. Ele simplesmente se lembrou do calor que sentira dentro de Owen na noite passada.

— …!

Owen, que fingira não entender os elogios de Nick sobre seus olhos, finalmente corou. Não completamente, mas apenas o suficiente, um rubor delicado e bonito, como uma rosa florescendo em forma humana.

— Tenho certeza agora.

Os lábios de Nick curvaram-se em um sorriso diante desse aspecto recém-descoberto de Owen.

— Nick… sobre a noite… passada.

Um sinal de alerta piscou na mente de Nick, interrompendo sua admiração pelas chamas azuis. Seus sentidos animais detectaram uma ameaça. Ele não perdera o gesto de Owen colocando inconscientemente a mão no estômago.

— Eu fui um pouco rude e desajeitado. Sinto muito.

Nick se desculpou antes mesmo que Owen pudesse falar.

Ontem à noite, Owen pedira para ele parar brevemente, dizendo que se sentia estranho. Este não era o momento de trazer isso à tona.

— …

— Seria uma desculpa se eu dissesse que foi minha primeira vez fazendo o *knotting*?

Agora, Owen congelou, aparentemente avaliando a idade de Nick.

— Você me perdoaria apenas desta vez? Eu realmente nunca fiz o *knotting* antes nesta idade, então perdi os sinais. Você ficou muito desconfortável?

Nick confessou sua falta de experiência, algo que qualquer Alfa, qualquer homem, teria dificuldade em admitir por orgulho. Ele teria a chance de explicar a suspeita de Owen mais tarde. Muito… mais tarde.

— Não, não era sobre isso que eu queria falar.

Nick permaneceu em silêncio enquanto Owen tomava outro gole de café.

Owen pousou a xícara.

— Seus feromônios, Nick. Acho que você foi descuidado.

Nick também pousou sua xícara. Ele levantou a mão e tocou lentamente a têmpora duas vezes antes de baixá-la.

De repente, seu apetite desapareceu. Esta era uma complicação inesperada.

— Sinto muito, Owen. É melhor ser direto sobre isso. Meus feromônios foram desagradáveis para você?

— Não! Não, não era isso que eu queria dizer.

— Realmente?

— Sim, realmente. …Você não parecia tão inseguro quanto a eles.

A julgar pelo sorriso fraco de Owen, ele não parecia ter sido repelido pelos feromônios de Nick. Nick quase fora consumido por uma grande preocupação. Ele relaxou os ombros e inclinou-se um pouco para trás.

— Hmm… então não tenho certeza de onde fui descuidado.

— Liberar tantos feromônios pode, às vezes, levar a um vínculo unilateral. Eu queria lhe dizer para ter cuidado porque é perigoso.

— …

A verdade era que Nick derramara seus feromônios na noite passada como se não fossem nada. Ele estivera tão consumido pelo desejo de afogar Owen neles que não se dera ao trabalho de se controlar.

— Por que isso é perigoso?

— Os médicos alertam sobre os riscos do vínculo unilateral.

— Eventualmente estaremos vinculados de qualquer maneira.

— …

Owen abriu a boca, depois a fechou novamente, incapaz de falar. Observando-o, Nick tamborilou os dedos lentamente na mesa, tentando avaliar a situação. Seus dedos pararam de se mover.

— Owen, se houver um mal-entendido, vamos esclarecê-lo agora. Não estou me candidatando ao cargo de parceiro temporário para resfriar seu ciclo de cio.

— …!

Um olhar de perplexidade passou pelo rosto de Owen.

— O que eu quero com você é um relacionamento sério e de longo prazo. Na verdade, depois da noite passada, tornou-se mais do que isso… mas tudo bem. Vou esperar até que você tenha reunido informações suficientes sobre mim para se sentir confortável. Ou, você poderia me perguntar diretamente. Agora. Seria o caminho mais rápido.

Nick colocou as mãos cuidadosamente sobre a mesa, esperando que Owen perguntasse.

— …Realmente,

Ele se inclinou para frente um pouco, antecipando as próximas palavras de Owen.

Mas Owen fechou os lábios e balançou a cabeça levemente.

— Não tenho certeza de onde ou como começar.

— Da maneira que você se sentir confortável, Owen.

— …

Os lábios de Owen se abriram e fecharam algumas vezes antes de ele se levantar abruptamente. Pensando que ele estava prestes a sair, Nick começou a se levantar também, mas Owen caminhou em direção ao fundo da cozinha.

Ele andou ao longo de uma parede repleta de prateleiras e armários antes de parar em frente a uma parede coberta por painéis de vidro. Parecia que escondia um monitor grande ou era simplesmente decorativa.

Owen levantou uma mão e a colocou sobre um painel de vidro. Uma luz iluminou o que Nick presumira ser uma parede decorativa.

— …!

Era um scanner de impressão digital. O painel de varredura não teria sido ativado se Owen não tivesse colocado a mão exatamente no lugar certo. Um scanner de impressão digital na parede da cozinha? Intrigante. Nick observou o próximo passo de Owen como um espectador.

Um cofre escondido na cozinha? A mente dos ricos nunca deixava de surpreendê-lo.

Ele estava curioso sobre o conteúdo do cofre de Owen, mas não podia ser nada muito importante. Owen não estaria fazendo isso na frente de um estranho que acabara de conhecer. Ainda assim, a curiosidade de Nick foi aguçada. Ele prendeu a respiração, observando Owen.

O processo de reconhecimento de impressão digital foi silencioso. Não houve bipe de confirmação ou voz. A luz no painel de vidro simplesmente mudou de cor, e a borda do tamanho da palma da mão expandiu-se para o tamanho de um monitor.

A borda iluminada moveu-se então para cima, revelando um compartimento oculto. Owen estendeu a mão para dentro.

— …

Para surpresa de Nick, Owen puxou uma bandeja de plástico. Ele sabia que não seriam barras de ouro, títulos ou envelopes de documentos, mas isso estava ficando cada vez mais interessante.

Nick virou-se em seu assento, tomando um gole de café enquanto esperava pelo próximo ato.

Owen, aparentemente despreocupado em esconder o conteúdo do compartimento, colocou a bandeja sobre a mesa. Ele abriu os pequenos recipientes de plástico um por um, tirando o que pareciam ser comprimidos e colocando-os em um copo de vidro vazio e transparente. Parecia que o cofre era, na verdade, um armário de remédios.

— Você está doente?

— Oh, não. Sinto muito, eu o assustei?

Os comprimidos no copo totalizavam pelo menos meio punhado. Owen pareceu um pouco embaraçado, como se estivesse ciente da quantidade.

— Não estou doente. Estou apenas sendo cauteloso.

— Isso são suplementos de saúde?

Owen assentiu.

— Eu os tomo todos de uma vez porque dá muito trabalho tomar individualmente.

— …Então há uma razão para o seu pouco apetite. Você não está sobrevivendo de comprimidos em vez de comida, está?

Owen engoliu o conteúdo do copo com um gole de água e colocou a bandeja vazia de volta no compartimento atrás do painel de vidro. Não, não era um cofre. Parecia um, mas era um armário de remédios. Pelo menos, era assim que o dono da casa o usava.

Em vez de responder diretamente à pergunta de Nick, Owen voltou ao seu assento do outro lado da mesa.

— Eu tive problemas para controlar meus feromônios quando era mais jovem.

— Você parece perfeitamente sob controle agora.

— Eu tive muito treinamento.

“Treinamento?”

O compartimento oculto na cozinha e seu conteúdo inesperado haviam sido inicialmente uma fonte de diversão para Nick.

Mas enquanto Owen falava, algo começou a incomodá-lo. Ele não conseguia identificar o que era, mas algo parecia errado.

— Estou muito mais estável agora, quase completamente, mas cuido da minha saúde para evitar uma recorrência.

— …Entendo.

Os dedos de Nick foram à têmpora novamente. Ele não conseguia entender bem, mas isso parecia semelhante à sensação que tivera quando bisbilhotou o quarto de Owen na noite passada. Algo estava estranho. Algo o incomodava.

— Você está me deixando nervoso com esse olhar. Esses são apenas suplementos de saúde, como eu disse.

— …Entendo. Alguém acabou de entrar na casa.

— O quê?

Owen, momentaneamente confuso, ouviu então passos se aproximando da entrada.

— Ah, deve ser a Margie.

Owen verificou o relógio.

Os passos rápidos que se aproximavam da cozinha diminuíram e depois pararam na entrada. A voz de uma mulher de meia-idade chamou.

— Sr. Rose! Havia um carro lá fora, então pensei que o senhor pudesse estar em casa.

O olhar inicial de surpresa da governanta rapidamente se transformou em um sorriso acolhedor.

— Eu estava esperando por você, Margie. Tenho alguém para apresentar.

Nick levantou-se e caminhou em direção à governanta.

— Sou Nick Stockton.

— Olá… Sr. Stockton.

A mulher, que se apresentou como Margie, parecia estar no final dos 40 ou início dos 50 anos. Ela tinha um rosto gentil, mas perspicaz, e Nick não sentiu nenhuma malícia vindo dela.

— Margie, o Sr. Stockton ficará na Mansão Rose por um tempo. Por favor, certifique-se de que ele esteja confortável. Ele me ajudou, e nós estamos…

— Estamos saindo. Seriamente.

Os olhos de Margie se arregalaram, voltando-se para Owen Rose.

— …Isso mesmo. Vou deixá-lo aos seus cuidados, Margie.

— Sim, uh… sim, Sr. Rose.

Para ajudar a governanta gaguejante a se ajustar, Nick colocou o braço em volta da cintura de Owen. Owen caminhou docilmente com ele até a entrada.

— Vejo você esta noite.

— …

Owen olhou para Nick, como se tivesse algo a dizer ou estivesse simplesmente hesitando, então assentiu levemente antes de sair.

Um homem de meia-idade saiu do banco do motorista de um Rolls-Royce prateado e abriu a porta quando Owen se aproximou.

O homem bonito e impecavelmente vestido entrou no carro como um modelo e desapareceu lá dentro. Nick cruzou os braços e encostou-se na soleira da porta, observando até que o carro sumisse de vista antes de fechar a porta.

ꕥ ↫─⚝─↬ ꕥ

— Margie?

A governanta, ocupada limpando a cozinha, era uma Ômega. Ted, o assistente, era um Beta. Nick arquivou essas informações em sua mente.

— A cozinha está um pouco bagunçada, não está? Eu estava com bastante fome.

A resposta de Margie à admissão de Nick foi um sorriso.

— Vou ajudá-lo a limpar depois que eu terminar meu café. Gostaria de uma xícara, Margie?

Margie aceitou a oferta de Nick, pegando uma xícara e juntando-se a ele para o café.

— O Owen toma café da manhã, certo?

— Com certeza. Ele come regularmente, só não come muito.

Isso era um alívio, pelo menos.

Nick tomou um gole de seu café fresco e gesticulou para que Margie se sentasse.

— O que ele costuma comer? Preparei uma variedade de pratos, mas ele mal tocou neles. E, por favor, não me entenda mal; não estou tentando interferir no seu trabalho.

— Que mal-entendido? Cuidar do café da manhã é um dever de quem ama.

— Eu sabia que você seria compreensiva.

A tensão restante no rosto de Margie desapareceu com a troca de cortesias.

— Havia pão na caixa de pão. É você quem costuma preparar isso?

A primeira coisa que Nick fizera ao entrar na cozinha fora abrir a caixa de pão. Havia algumas fatias de pão lá dentro. Ninguém estivera na casa entre ontem à noite e esta manhã. Portanto, não importa quão fresco o pão estivesse, ele deve ter sido comprado e guardado ontem à tarde.

— Ah… sim. Isso mesmo. Eu costumo colocar lá. Eu gostaria de poder vir de manhã, mas meu turno começa às 9h.

Ela não podia vir mais cedo. Ela franziu o nariz, parecendo descontente com a situação.

— Eu compro alguns tipos de pão, coloco-os na caixa de pão, espremo um pouco de suco nas jarras e esse é o café da manhã dele. Ah, e às vezes algumas frutas.

— …

Nick vira as jarras de suco quando abrira a geladeira ontem à noite. Sabendo que tinha pelo menos um dia, ele espremera suco fresco esta manhã. Ficou satisfeito ao ver Owen escolher o suco de toranja fresco em vez do pré-preparado.

Se Owen preferia suco fresco, por que ele simplesmente não insistia nisso em vez de dispensar todos os seus funcionários residentes?

— Entendo. Então, do que exatamente o Owen gosta?

Nick estava perguntando sobre coisas como a maneira que Owen gostava dos ovos ou seus tipos favoritos de frutas.

— Hmm… é mais importante lembrar o que o Sr. Rose evita do que o que ele gosta. Ele não é exigente, mas não come nada que não seja saudável.

A variedade de suplementos que Owen tomara esta manhã veio à mente.

Muitos dos clientes de Nick pareciam sonhar em viver até os 200 anos com saúde perfeita. Eles marcavam check-ups médicos completos ao menor sinal de tosse e viviam de ainda mais suplementos e medicamentos do que Owen.

Seria seu Ômega um hipocondríaco? Enquanto os pensamentos de Nick se tornavam complicados, a voz de Margie o interrompeu.

— Na verdade, existe uma regra. Desde que seja feito com ingredientes reconhecíveis ou próximos de sua forma natural, ele não se importa muito com o sabor. Ele só quer comida saudável.

Hmm… então, minimizar alimentos processados e usar ingredientes frescos. Certo, entendi.

— Oh, pensando bem, há algumas coisas que ele gosta regularmente. Só um momento.

Os olhos de Margie brilharam enquanto ela se levantava, claramente gostando da conversa. Ela foi apressadamente até a geladeira e voltou com uma pequena caixa de papelão. Dentro, embrulhado em papel manteiga, havia um pedaço de manteiga de formato irregular.

Era a manteiga mais feia que Nick já vira. Margie pegou uma faca de manteiga, cortou um pedaço pequeno e ofereceu a ele.

— Experimente. Vejo que está faltando na mesa esta manhã.

Embora não estivesse particularmente entusiasmado, Nick aceitou o pedaço e o colocou na boca. Hmm… definitivamente tinha um gosto diferente. Ele pensara que era um pedaço um pouco grande para um teste de degustação, mas depois de provar, ele entendeu. A manteiga derreteu suavemente em sua boca, deixando um sabor limpo e genuíno.

— O Owen gosta desta manteiga, presumo?

— Ele sempre a come no café da manhã. Às vezes, ele até pula todo o resto e apenas come esta manteiga com o café.

Informação importante. Pensando que deveria tomar nota disso, Nick examinou a caixa, mas não havia nada nela — nenhum nome de marca, código de barras ou mesmo lista de ingredientes.

Owen Rose comia algo sem uma lista de ingredientes? Isso contradizia o que ele dissera antes.

Margie, observando o escrutínio de Nick sobre a caixa e sua testa franzida, sorriu com cumplicidade.

— É manteiga artesanal. Importada diretamente da França. Recebo um recipiente a cada duas semanas e armazeno aqui.

— A cada duas semanas?

Mesmo para uma pessoa rica, parecia excessivo ter manteiga enviada por avião com tanta frequência. Ela falava como se fosse entregue de uma fazenda próxima.

— O prazo de validade dela é de apenas um mês.

— …Prazo de validade?

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

Ler My Perfect Omega (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: — Quero te abraçar como um louco, meu ômega.
Pela primeira vez na vida, Nick Stockton, ex-mercenário e chefe de uma empresa de segurança, encontra um homem deslumbrante e involuntariamente sente um feromônio que o excita intensamente.
O dono daquele feromônio é Owen Rose, CEO da Rose Pharmaceuticals.
No momento em que seus olhos se cruzam, Nick, convencido de que Owen é seu ômega, salva Owen de um ataque terrorista bem a tempo.
Owen, que sempre se reprimiu, acreditando ser um ômega “monstro” por ter machucado seu primo alfa quando jovem, fica sem palavras diante de Nick.
Enquanto investiga o terrorista que atacou Owen, Nick descobre que os homens que ameaçam Owen não estão apenas contra a Rose Pharmaceuticals, mas têm como alvo o próprio Owen.

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