Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 04 Online


Modo Claro

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 04

O quarto de hospital, onde ele estava sozinho, permanecia em silêncio. Seo Gyu-ha passava os canais da TV com o controle remoto na mão direita, a única que estava boa, quando a porta se abriu de repente. Ele, que estava preguiçosamente encostado na cama semirreclinada, assustou-se e endireitou o corpo. A visitante inesperada era sua mãe.

— Como a senhora soube…?

No momento em que começou a falar, o rosto do Secretário Choi lhe veio à mente. Ele havia implorado para que mantivessem segredo em casa, mas parecia que o homem não tinha aguentado e aberto o bico. “A palavra de quem paga o salário vem primeiro, é isso?”, pensou.

A distância diminuiu com o som dos passos ritmados. Ao ver o braço engessado, Jung Eun-hee franziu levemente o canto dos olhos, mas, ao confirmar que o resto do corpo parecia intacto, sentou-se na cadeira de acompanhante.

— Você andou se metendo em briga de novo?

— Não. Eu estava indo para casa e alguém me atacou pelas costas, do nada.

— E você quer que eu acredite nisso?

Diante da pergunta muda estampada no rosto dela, Gyu-ha empertigou o pescoço e disse, como se protestasse:

— É verdade. Se não acredita, pode verificar as câmeras de segurança depois.

Um suspiro leve escapou dos lábios de Jung Eun-hee. “E eu que achei que ele estivesse sossegado ultimamente”. Pelo menos não parecia gravemente ferido, o que já era um alívio.

— E quem fez isso?

— Não sei. Estavam todos cobertos, não vi os rostos. O hyung Seong-yeol vai investigar e me avisar.

As lembranças da noite anterior voltaram. Ele havia revidado com fúria e pisoteado os agressores impiedosamente, mas, por ter ferido o braço, não conseguiu detê-los. Depois de ficarem apenas na defensiva, os dois acabaram fugindo.

Como usavam bonés e máscaras, não seria fácil pegá-los, mas o Secretário Choi devia estar trabalhando duro a essa hora. Como ele era um homem capaz e habilidoso, Gyu-ha confiava que traria resultados satisfatórios. Mesmo assim, a expressão da mãe não relaxava.

— Quando é que você vai criar juízo? Hein?

— Desta vez eu realmente não fiz nada de errado! Eu só fui atacado enquanto ia para casa. Você sabe, ultimamente eu tenho vivido de forma tão comportada que pareço até morto.

A frase “viver de forma comportada não tem nada a ver com ser uma boa pessoa” passou pela mente de Jung Eun-hee, mas ela apenas suspirou. De qualquer forma, as palavras do filho não estavam erradas. Comparado a alguns anos atrás, quando recebia ligações frequentes de todos os cantos, ultimamente ele estava tão calmo que chegava a pensar que ele havia se regenerado.

— Não suspeita de ninguém? Ou teve algum problema recentemente?

— Nenhum.

Pela resposta firme, parecia que ele realmente não tinha pistas. Jung Eun-hee olhou para o filho por um momento, soltou mais um suspiro e mudou de assunto. Afinal, como era o filho caçula que ela mesma deu à luz, não tinha como não se preocupar.

— Quer comer alguma coisa específica?

— Daqui a pouco vou pedir um frango frito ou pizza.

— Você tem juízo? Comida de entrega estando num hospital?

— Qual o problema? Minha boca está ótima.

— Ainda me responde com petulância depois de tudo?

— Ai! Dói.

Ele acabou levando um tapa nas costas. Mas, de repente, Jung Eun-hee parou. No pescoço do filho, visível acima da gola da roupa de hospital, havia algo que parecia uma mancha roxa.

“Aqueles loucos devem ter feito isso também”. Pensando novamente que era uma sorte ele não ter se ferido com gravidade, a Sra. Jung sentou-se com elegância mais uma vez.

— Já falou com o Dr. Park?

— Ele passou aqui mais cedo. Disse que foi uma fratura limpa, é só esperar colar.

— Ele não disse mais nada?

— Não.

Mesmo que tivesse dito, havia uma grande chance de ter entrado por um ouvido e saído pelo outro. Ela achou melhor falar com o médico pessoalmente antes de ir embora.

— Agora que notei, não vejo nenhum cuidador.

— Eu disse para não chamarem.

— Por quê? Você precisa trocar de roupa, lavar o cabelo… Com o braço assim, vai ser um transtorno.

— Eu consigo sozinho. Ou peço ajuda para o hyung Seong-yeol.

— Você acha que o Seong-yeol é alguém para ficar limpando a sua sujeira? Vou perguntar para a enfermeira na saída.

— Já disse que não precisa. É desconfortável ficar com um estranho o tempo todo.

Ele não sabia quanto tempo ficaria internado, mas a ideia de passar o dia inteiro com um desconhecido era sufocante. Poderia trocar de roupa devagar e, embora fosse incômodo, achava que conseguiria lavar o cabelo com uma mão só.

— Quer que a mamãe durma aqui, então?

— Não diga coisas que você não quer fazer de verdade.

— É assim que você fala com a sua mãe?

— Ah, ai! Dói! Dói!

Mesmo que ela não tivesse puxado com força, Jung Eun-hee suspirou novamente ao ver o filho fazendo todo aquele drama por causa da orelha.

Como mãe, era natural querer cuidar do filho doente, mas era óbvio que ele detestaria. Além disso, ela veio sem preparação nenhuma, achando que haveria um cuidador.

— Tem certeza de que vai ficar bem sozinho?

— Tenho. Se acontecer qualquer coisa, eu chamo a enfermeira, não se preocupe.

— Ai de você se chamá-la para assuntos pessoais.

— Por quem você me toma? Eu tenho o mínimo de bom senso.

— Se não soubesse falar tão bem…

Após conversarem mais um pouco, Jung Eun-hee saiu do quarto, recomendando que ele ligasse se precisasse de qualquer coisa.

Finalmente a paz retornou. Ele voltou a se deitar e a mudar os canais quando o celular, deixado sobre a mesa de cabeceira, vibrou.

[O que está fazendo?]

Era Lee Cha-young. Pelo visto, ele devia estar bem entediado para mandar mensagens em pleno domingo. Ou talvez não tivesse ninguém com quem sair.

Gyu-ha tentou responder imediatamente, mas digitar segurando o celular com uma mão só não era tão fácil quanto parecia. Acabou colocando o aparelho sobre a cama e usou o dedo bom para tocar no teclado.

[Vnd t vvv]

Ele digitou até ali, mas o dedo escorregou e a mensagem foi enviada. Gyu-ha franziu o cenho e mandou outra.

[Vendo tv]

A resposta veio na hora.

[Vendo o quê? Você está bem?]

Um riso escapou. “Não é como se estivesse mandando mensagem para um diretor de empresa…”. Lee Cha-young era a única pessoa que ele conhecia que enviava mensagens com espaçamento e ortografia tão perfeitos.

[No to bn to no hopital]

[hospital]

— Ah, que droga.

Enquanto se irritava com a própria dificuldade, a tela do celular mudou e o nome “Lee Cha-gae” apareceu em destaque. Gyu-ha atendeu e levou o aparelho ao ouvido.

— O quê?

— Alô? No hospital?

— É.

— Aconteceu algo grave? Ontem não parecia que você estava tão mal.

— Eu machuquei o braço.

Assim que falou, arrependeu-se, mas era tarde demais. Como esperado, Lee Cha-young perguntou o motivo do ferimento e prontificou-se a visitá-lo.

— Vou passar aí rapidinho. Qual é o hospital?

— Não precisa. Foi só uma fraturazinha.

— Mas se ouvi que você está no hospital, tenho que ir. Quer que eu leve algo para comer?

Nesse exato momento, um comercial de frango frito passou na TV. Como se tivesse esquecido a bronca da mãe, Gyu-ha deixou o desejo falar mais alto.

— Então traga um frango frito.

↫────☫────↬

Passou-se um bom tempo até que a porta do quarto se abrisse. Ao notar a presença de alguém, Gyu-ha ergueu o tronco rapidamente.

— Por que demorou tanto?

Ele não tinha comido nada direito o dia todo e, como havia recusado a janta do hospital, sentia o estômago colado nas costas. Ao contrário dele, que estava todo desgrenhado, Lee Cha-young exibia sua beleza impecável hoje também. Isso o deixou ainda mais irritado.

— Já chega me dando bronca?

— Estou com fome. Me dá logo isso aqui.

O olhar de Gyu-ha não desgrudava da caixa de frango. Lee Cha-young soltou um riso com o pensamento que lhe ocorreu. Quando ele treinava seu cachorro com petiscos, o olhar do animal seguia cada movimento da sua mão; Gyu-ha parecia exatamente assim agora. A diferença era que, ao contrário do cachorro paciente, o rapaz provavelmente soltaria um palavrão a qualquer momento.

Ao receber a caixa, Gyu-ha abriu-a todo animado. Pegou um pedaço de frango depressa, mas soltou-o imediatamente com um susto.

— Ai, tá quente!

Parecia que tinha acabado de sair da fritadeira. Vendo-o sacudir a mão no meio daquela confusão, Lee Cha-young calmamente separou um par de hashis e entregou-lhe. Sem recusar, Gyu-ha começou a devorar o frango como se estivesse há dias sem comer, repetindo que estava quente. Só então moveu os olhos para o lado.

— Quer?

— Não, obrigado. Só de te ver comer já fico satisfeito. Você come… com tanto gosto.

Parecia que ele tinha escolhido as palavras com cuidado. Gyu-ha desconfiou por um segundo, mas, em vez de questionar, voltou a atacar o frango. Tinha perguntado apenas por educação e estava secretamente tenso com a possibilidade de ele aceitar.

Sempre atencioso, Lee Cha-young enchia o copo de refrigerante toda vez que esvaziava. Em certo momento, o ritmo das mordidas diminuiu, e foi então que Cha-young falou:

— Como o seu braço ficou assim?

— Demorou para perguntar, hein.

— Você não gosta que falem com você enquanto come.

Era verdade. Principalmente quando estava com fome, ser importunado era um convite para uma briga. Enfim, como o frango estava delicioso e o outro não tentou roubar nenhum pedaço, Gyu-ha estava de bom humor e respondeu sinceramente. Ao terminar a explicação, Lee Cha-young endureceu a expressão, o que era raro.

— Existe cada tipo de gente…

— É o que eu digo. Se eu pegar esses desgraçados, vou acabar com a raça deles.

No momento em que Cha-young ia dizer algo, a porta se abriu novamente e o Secretário Choi entrou.

Ele pareceu surpreso ao ver que havia visita, mas logo cumprimentou com uma reverência educada. Cha-young também fez um aceno com a cabeça e levantou-se. Os dois trocaram um aperto de mão amigável.

— Veio visitar o doente?

— Sim. Peço desculpas pelo incômodo em pleno domingo, Secretário Choi.

Gyu-ha observou a cena, intrigado.

— Vocês dois se conhecem?

A resposta veio do Secretário Choi.

— Nos encontramos na empresa há pouco tempo. Além disso, vejo que o Sr. Cha-young trouxe frango frito.

O Secretário Choi também carregava uma sacola grande de frango na mão esquerda. Ele conhecia o gosto do jovem mestre que cuidava desde pequeno e trouxe por iniciativa própria.

— Eu deveria ter vindo de mãos vazias.

— Você pode comer o seu, hyung. Mas e aí, o que descobriu?

— Bem…

O homem, que sempre era direto e eficiente, hesitou. Ao olhar de soslaio, parecia incomodado com a presença de Lee Cha-young.

— Pode falar à vontade. O Cha-young já está sabendo.

O Secretário Choi pareceu aliviado e continuou.

— Conseguimos as imagens da câmera de bordo de um veículo estacionado no beco e identificamos os culpados. No entanto, como o senhor também agrediu os oponentes… o caso deve ser tratado como agressão mútua.

Gyu-ha imediatamente fechou a cara.

— O quê? Agressão mútua?

Aquilo era o cúmulo do absurdo.

— Se alguém te ataca do nada, existe alguém que fica parado feito um idiota? Deveriam considerar legítima defesa!

— O senhor tem razão. Mas, como já lhe disse antes, é muito difícil comprovar legítima defesa perante a lei.

— Argh.

Gyu-ha mordeu o lábio com força, incapaz de conter a raiva.

Ele realmente os espancou com vontade porque estava furioso. Mas ele também foi atingido, e aqueles sujeitos chegaram a usar armas. Se não tivesse agido rápido, poderia ter tido o crânio rachado no lugar do braço.

— E o que acontece agora?

— Se o outro lado entrar com uma contra-acusação, vai ser um transtorno… O mais limpo seria pagar uma multa e encerrar com um acordo.

Ouvir que era “agressão mútua” só porque revidou um ataque era algo que o irritava toda vez. Gyu-ha bagunçou o cabelo com frustração e olhou novamente para o secretário.

— E o que aqueles desgraçados disseram?

Conhecendo o temperamento do patrão, o Secretário Choi hesitou por um momento, mas acabou revelando a verdade.

— Quando souberam que o caso poderia ser registrado como agressão mútua, ficaram todos cheios de si.

— Cheios de si?

— Estão agindo com arrogância, achando que estão por cima.

Mais um palavrão escapou da boca de Gyu-ha.

— Esses caras não são criminosos habituais? Sabe, aqueles que praticam o tal do “assalto ao bêbado”?

Desta vez, o secretário perguntou de volta:

— “Assalto ao bêbado”?

— É, aquilo. Gente que bate em quem está bêbado ou rouba o dinheiro deles.

— Ah.

O Secretário Choi soltou um curto suspiro. Percebeu que ele se referia ao termo popular para o roubo de pedestres vulneráveis, mas preferiu ficar calado. Não era um termo importante e, como o amigo dele estava presente, não precisava corrigi-lo e deixá-lo sem jeito. Então, respondeu à pergunta do jovem mestre:

— Não foi isso. Parece que houve alguém que… ordenou que seguissem o senhor.

— Alguém mandou me seguirem?

A dúvida surgiu em seu rosto franzido.

Não era mentira; ultimamente, Gyu-ha estava vivendo de forma tão pacata que até ele estranhava. Se houvesse algo que pudesse causar problemas, seria apenas ir à boate, mas ele não tinha arrumado confusão bêbado nem dado calote.

Ele era educado com os acompanhantes e, recentemente, por causa de Lee Cha-young, fazia tempo que não tinha casos de uma noite só. Por mais que pensasse, não encontrava motivo… Não fazia ideia de quem e por que alguém mandaria segui-lo.

A resposta estava nas mãos do Secretário Choi.

— Quem foi, afinal?

— Foi aquela pessoa com quem o senhor teve um problema no café há alguns dias. Aquele que assediou a funcionária e negou tudo.

Assim que ouviu, ele se lembrou. O rosto daquele fracassado que mudou completamente e começou a rastejar assim que viu as imagens da prova.

— Ah, aquele merda…

Ele sentiu vontade de simplesmente vazar o vídeo da câmera e enterrar o sujeito de vez.

Mas, pensando na funcionária Kim Mi-seon, era impossível. Mesmo que borrasse o rosto dela, o fato de um vídeo daqueles circular já seria terrível para ela. E alguém ainda poderia reconhecê-la.

O Secretário Choi, que observava em silêncio, perguntou cautelosamente:

— Devemos prosseguir com o acordo?

— …Não tem jeito. Mas me consiga as informações daquele merda separadamente.

— Entendido. Precisa de mais alguma coisa?

— Não. Pode ir.

— Sim. Se precisar de algo, ligue imediatamente.

Com uma reverência formal como a da chegada, o Secretário Choi retirou-se. Lee Cha-young, que ouvira tudo em silêncio como se nem estivesse ali, finalmente falou:

— O que você vai fazer?

— Preciso pensar um pouco.

Gyu-ha bagunçou o cabelo com irritação novamente. Ele disse que ia pensar, mas se o Secretário Choi reportou daquela forma, significava que não havia outra saída fácil.

“Será que peço ajuda ao Byeong-cheol?”

O rosto do amigo veio à mente. Yun Byeong-cheol tinha um emprego decente, mas o pai e o irmão dele dirigiam uma financeira que servia de fachada para agiotagem e várias casas noturnas. Por isso, inevitavelmente, havia muitos “capangas” entre os funcionários. Graças a isso, na época da escola, até os veteranos que os professores já tinham desistido não ousavam mexer com o grupo deles.

— Ai, droga…

Junto com a irritação, veio um cansaço súbito. Após esfregar o rosto com uma das mãos, Gyu-ha olhou para o lado.

— Pode ir embora agora.

Apesar da ordem para sair, Lee Cha-young, em vez de se levantar, disse algo inesperado:

— Quer que eu te ajude a aliviar?

— O quê?

— Você parece bem estressado. Um alívio não ajudaria a relaxar?

Como se perguntasse se ele ainda não tinha entendido, o olhar que estava nos olhos dele desceu lentamente. O olhar de Lee Cha-young parou sobre a calça da roupa de hospital. Só então Gyu-ha entendeu o que ele queria “aliviar” e fechou a cara o máximo que pôde.

Mesmo sendo um quarto individual, as enfermeiras entravam e saíam a qualquer momento. Se fizessem aquela baixaria, seriam pegos na hora.

— Quer espalhar para todo mundo que nós dois estamos nos pegando aqui?

— É só fazer de um jeito que não nos peguem.

— Já chega, cara. Quando eu tiver alta…

No momento em que disse “eu te ligo”, a mão de Lee Cha-young entrou repentinamente por baixo da calça larga do hospital.

Em um piscar de olhos, ele invadiu a cueca e segurou seu membro. Diante do toque que apertava e movia sem hesitação, como se fosse dono daquilo, Gyu-ha empalideceu e gritou:

— Você enlouqueceu?!

— Fale baixo. Podem ouvir lá fora.

Assustado, ele ergueu a cabeça e, felizmente, a porta estava fechada. Mas a possibilidade de as enfermeiras entrarem a qualquer momento continuava, então Gyu-ha apressou-se em segurar o pulso do outro.

— Tira a mão.

Ele falou entre dentes, mas Lee Cha-young permanecia impassível. Mais uma vez, ele olhou para a porta. Gyu-ha estava extremamente ansioso com a ideia de que a porta pudesse abrir a qualquer segundo, mas o rosto do culpado estava calmo como sempre.

— Larga, seu merda.

— …

— Não ouviu eu dizer para largar…? Ai!

Um grito curto e forte escapou. Lee Cha-young apertou seu membro com tanta força que parecia que ia estourar e, aproveitando que Gyu-ha estava atordoado pela dor súbita, sentou-se calmamente na borda da cama. Então, abaixou o tronco e levou à boca a carne exposta fora da cueca.

— …!

Os ombros de Gyu-ha saltaram novamente. Ele estava tão chocado que as palavras não saíam. Alheio a isso, Lee Cha-young apenas focava em seu objetivo. Lambeu a glande algumas vezes como se estivesse saboreando e, em seguida, começou a mover a cabeça com o pênis na boca.

— Ha…

Um riso seco escapou sem querer. Mesmo vendo com os próprios olhos, parecia irreal. Não era como se ele fosse um fantasma faminto por sexo, mas fazer algo assim com um paciente num quarto de hospital…

Se ele fosse o tipo de cara tarado o tempo todo, ele até entenderia, mas Lee Cha-young não era assim. Como um jovem mestre que recebeu uma educação perfeita desde cedo, ele era sempre educado e cavalheiro. Quando estava de terno, exalava uma aura que ia além da sobriedade, chegando a ser quase ascética. É claro que, na hora do sexo, ele revelava sua natureza sem filtros e às vezes pegava pesado demais, mas Gyu-ha nunca imaginou que ele chuparia seu pau num hospital.

Embora estivesse pensando o que diabos era aquilo, a tensão da situação trazia um frio na barriga excitante.

— Hng…!

O corpo era honesto. Envolvido pela mucosa quente e úmida, seu membro endureceu e cresceu sem qualquer pudor. Sendo apertado pelos lábios e estimulado pela mão que massageava o escroto, era natural que ele ficasse ereto.

A cada sucção forte, as pontas dos seus pés se contraíam involuntariamente. Sua mente dizia que precisava afastá-lo, que aquilo era o certo, mas a ordem gerada pelo cérebro apenas circulava ali dentro, sem ser transmitida para o resto do corpo.

No momento em que baixou o olhar, seu pênis ficou ainda mais tenso. O cabelo castanho-escuro naturalmente arrumado e o rosto esculpido continuavam os mesmos de sempre. Ver um cara desses chupando o seu membro já era o suficiente para fazê-lo chegar ao limite.

“Ele não é… hng… o tipo de cara que… ah… recuaria se eu o empurrasse”.

À medida que o estímulo se intensificava, o peso da autorracionalização aumentava. Lee Cha-young também tinha talento para o sexo oral. Quando ele apertava e sugava, enquanto usava as mãos para mexer até lá dentro, era de enlouquecer.

— Ah… hng!

Por fim, seu corpo agiu por conta própria. Com as duas mãos enterradas no cabelo de Lee Cha-young, Gyu-ha começou a empurrar o quadril contra a boca dele.

Ele enfiava até o fundo da garganta, o que deveria fazê-lo recuar, mas, pelo contrário, sentia a pressão da sucção ainda mais forte. Ele sentiu a roupa de baixo ficar úmida. Percebendo tardiamente que algo fluía de dentro do seu corpo, tentou contrair o ânus, mas foi apenas por um momento. Com o estímulo intenso e contínuo na frente, seus quadris pressionados contra a cama balançavam por vontade própria.

Pouco depois, Lee Cha-young ergueu a cabeça, revelando o pênis completamente encharcado. Estava totalmente ereto e pulsava como um ser vivo, enquanto o líquido pré-ejaculatório escorria pelo orifício da glande.

Lee Cha-young envolveu o corpo do pênis com a palma da mão e voltou a masturbá-lo. Agora, Gyu-ha nem pensava mais em pará-lo. Agarrando o lençol com as duas mãos, ele se entregou totalmente ao prazer. O som úmido aumentava a obscenidade.

— Eu vou gozar…!

No momento em que as palavras escaparam entre seus dentes, o estímulo desapareceu subitamente, deixando uma sensação de vazio. Ao abrir os olhos que tinha fechado sem perceber, viu Lee Cha-young afastar a mão e olhar para a mesa de cabeceira.

Ele ficou furioso achando que ele ia parar ali, mas felizmente não foi o caso. Ele puxou vários lenços de papel, cobriu a glande e voltou a apertar e mover a mão rapidamente. Com a mão esquerda, ele subiu até o peito de Gyu-ha e começou a beliscar o mamilo por cima da roupa do hospital.

— Hng!

Era difícil conter os gemidos com os estímulos simultâneos. Momentos depois, Lee Cha-young afastou a mão e fez uma proposta tentadora:

— Se você levantar a blusa, eu chupo. Você gosta que eu chupe seus peitos.

“Porra, quem você acha que vai levantar?”.

Sua razão dizia exatamente isso. Era verdade que seus mamilos eram zonas erógenas, mas ele não tinha a menor intenção de buscar prazer levantando a própria roupa num lugar como aquele.

Mas, como sempre, o problema era que sua cabeça e seu corpo agiam de formas diferentes. Enquanto sua mente pensava em ignorá-lo e fingir que não ouviu, suas mãos começaram a se mover furtivamente, como se tivessem outro dono. A blusa do hospital subiu, revelando aos poucos o abdômen com músculos definidos.

— Levante mais. Não estou vendo.

Gyu-ha mordeu o lábio e depois soltou-o, puxando a roupa um pouco mais para cima. Finalmente, o mamilo direito ficou exposto. Olhando para a ponta marrom-clara que se projetava agudamente, como se denunciasse o abuso de pouco antes, Lee Cha-young fez mais uma exigência:

— Chegue mais perto. E continue segurando a roupa.

— …Você exige coisa pra caramba.

Mesmo resmungando, Gyu-ha fez o que Lee Cha-young pediu. Com o peito exposto, ele usou os pés e o quadril para descer um pouco na cama. Lee Cha-young abraçou sua cintura e abaixou o tronco novamente. Ao mesmo tempo, o mamilo direito foi sugado para dentro da boca quente.

*Chuup, chuuup—*

A cada som de sucção, parecia que uma corrente elétrica percorria seu corpo. Ele alternava entre girar a ponta da língua e morder a pele ao redor enquanto sugava e sua mão não parava de estimular o pênis.

— Hng, ah!

— Seu mamilo ficou totalmente duro. Eu ficaria decepcionado se você não tivesse dito nada.

— Cala a boca e… ah… continua logo.

Novamente, o fluido lubrificante começou a brotar de dentro do seu corpo. Se antes era apenas uma suspeita, agora ele sentia que não era apenas um fluxo, mas que sua roupa de baixo estava ficando levemente molhada.

Seu corpo se contorcia involuntariamente. Era impossível parar por vontade própria, e ele também não queria parar agora. O carinho continuou mesmo naquela situação ambígua. Em meio ao prazer crescente, chegou um momento em que ele não conseguiu mais suportar o limite.

— …!

Junto com uma sensação vertiginosa de queda, veio a libertação. Mesmo sabendo que Gyu-ha estava gozando, Lee Cha-young continuou a estimular o pênis dele e a morder levemente o mamilo.

Era um hábito novo dele. Certa vez, enquanto estava penetrado, Gyu-ha ejaculou e Cha-young continuou a masturbá-lo; o rapaz se contorceu todo e ficou em êxtase. As paredes internas dele também pulsaram e apertaram o pênis com força. Desde então, Lee Cha-young passou a estimular o pênis e morder o pescoço ou o mamilo de Gyu-ha até que ele terminasse de gozar completamente.

— Hng, ah! …Ah…

O corpo, que tremeu por um tempo, acalmou-se. Só então Lee Cha-young ergueu a cabeça e removeu lentamente os lenços que envolviam a glande para evitar que o sêmen escorresse.

— Ah…

Um longo suspiro escapou da boca de Gyu-ha. Quando sua respiração ofegante se acalmou um pouco, ele puxou a cueca e a calça de volta. Ele pretendia trocá-las depois que Lee Cha-young fosse embora.

— Vamos continuar?

— O quê?

Ao virar a cabeça, Gyu-ha percebeu o sentido da frase e rosnou:

— Ficou maluco? Acha que aqui é um hotel?

— Mas você levantou a blusa todo animado agora há pouco.

— …!

— E parece que você gozou por mais tempo do que o normal.

Seu rosto ficou vermelho como um pimentão com o comentário certeiro. Lee Cha-young mudou de assunto rapidamente, como se realmente não tivesse intenção de ir até o fim ali.

— Quer que eu te ajude a dar um jeito naquele cara?

— Do que você está falando?

— Você disse que houve alguém que mandou te seguirem. Com o seu temperamento, duvido que vá deixar isso passar.

Realmente, aquele problema ainda existia. Por um momento, Gyu-ha ficou tentado, mas logo descartou a ideia.

— Deixa pra lá, cara. Você acha que eu caio na mesma armadilha duas vezes?

Desta vez, foi Lee Cha-young quem perguntou:

— Quando foi que eu te enganei?

— Esqueceu que você me emprestou o cartão à força e depois cobrou até juros?

Só de lembrar, sentia um gosto amargo. Se ele soubesse que o valor do jantar daquela noite eram os juros, jamais teria pedido apenas os cortes de carne mais caros.

— Não foi à força. Você adorou quando eu disse que emprestaria o cartão.

— Você está vendo coisas.

Mesmo sendo provocado com desdém, Lee Cha-young não parou de sorrir.

— Desta vez vou te ajudar sem condições. Pelo que ouvi, o outro lado está errado, e seria injusto se tudo terminasse apenas num acordo.

— Com certeza.

Mais do que injustiçado, ele estava furioso. Ele se arrependia amargamente de não ter acabado com o sujeito de forma definitiva daquela vez.

— Então deixe comigo. Vou fazer isso sem pedir nada em troca, de verdade.

Gyu-ha olhou para o nada, fingindo estar pensativo. Mas, com a promessa de ajuda sem condições, ele já estava 80% convencido.

Num mundo onde contatos e dinheiro compram tudo, Lee Cha-young era alguém que tinha os dois de sobra. Então, ele certamente daria um jeito satisfatório no caso.

“Se ele insistir mais uma vez, eu aceito fingindo que estou cedendo”.

Mas Lee Cha-young nunca agia como ele esperava.

— Se você não quer, não tem jeito.

…Filho da mãe.

O tempo dele era tão perfeito que Gyu-ha chegava a suspeitar de que estava sendo manipulado. Ele rangeu os dentes e soltou as palavras com rispidez:

— Se você vier com conversinha depois, você está morto.

— Já disse que não vou. Confie um pouco na palavra dos outros.

Em seguida, Lee Cha-young estendeu o próprio celular.

— Me dê o número do Secretário Choi.

— Por que você quer o número do hyung Seong-yeol?

— Para compartilharmos informações.

Se fosse por esse motivo, era mais do que bem-vindo. Gyu-ha digitou os 11 dígitos sem hesitar. Ao ver isso, Lee Cha-young fez uma expressão de surpresa.

— Pelo visto você sabe o número de cor.

— É um número fácil.

Havia esse motivo e também o fato de que, na época em que ele vivia se metendo em confusão, o Secretário Choi era a pessoa com quem ele mais falava, mais até do que com os pais. Após receber o celular de volta e salvar o contato, Lee Cha-young levantou-se.

— Te aviso quando estiver resolvido.

— Tá bom.

— Vou indo, então. Cuide-se.

Após bagunçar de leve o cabelo de Gyu-ha, Lee Cha-young saiu do quarto.

Logo o silêncio retornou. Gyu-ha soltou um suspiro relaxado e encostou as costas na cama. Mas logo franziu o cenho e desceu da cama. Ele tinha esquecido por um momento, mas sua parte de baixo ainda estava molhada.

— Que transtorno.

Com apenas um braço, nem tirar a roupa era fácil. No momento em que baixou a cueca até os joelhos, sua expressão ficou ainda mais tensa. Como esperado, havia uma mancha redonda de umidade, como se tivesse escapado um pouco de urina.

Ao olhar para trás, felizmente o lençol estava limpo. Após trocar de roupa com certa dificuldade, ele enrolou a cueca molhada e jogou-a no lixo. Por mais desavergonhado que fosse, ele jamais pediria ao Secretário Choi para lavar sua roupa de baixo.

↫────☫────↬

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

Gostou de ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 04?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!