Ler Deflower Me If You Can – Capítulo 79 Online


Modo Claro

. Capítulo 79

Seria bom se a conversa terminasse ali, mas o marquês não parou.
— Então quer dizer que você e aquela criança gostam um do outro, mas ainda não se confessaram. É isso? Qual seria o motivo? Você é o único herdeiro de um ducado e ainda por cima é diligente; não haveria ninguém que o rejeitaria. Quando as damas se reúnem, sempre falam de você. As mais velhas querem você como genro, e as mais jovens vivem competindo para ver quem ganhará seu coração. Vendo que alguém como você hesita e não tem coragem, aquela criança também não deve ser flor que se cheire, não é mesmo?
Cassian ficou sem palavras diante daquela enxurrada repentina de comentários, apenas abrindo e fechando a boca. No entanto, sem se importar com a reação dele, o marquês continuou a tagarelar.
— Por acaso é um problema entre as famílias? Se a linhagem dela estiver em decadência, pode me falar. Tenho um parente distante, um visconde, que não tem filhos. Ou, por sinal, não seria algo como a relação entre as famílias não ser boa? Diga-me primeiro, quem sabe eu não possa mediar? Se não for isso…
Ele parecia empolgado. Ao ver o marquês, sempre tão sóbrio e cavalheiro, despejando palavras com os olhos brilhando daquela forma, Cassian sentiu-se confuso, mas, de certa forma, compreendia.
Afinal, a vida dos nobres era previsível. Ou compareciam a reuniões repletas de formalidades vazias para elogiar uns aos outros com palavras insinceras, ou ostentavam o quão ricas e satisfatórias eram suas vidas, ou passavam o tempo observando pássaros enquanto percorriam seus feudos; e, se não fosse nada disso, passavam o dia embriagados com álcool ou drogas, falando asneiras da manhã à noite. Em suma, viviam dias em que um era igual ao outro.
Para alguém que viveu assim a vida inteira, deparar-se com um evento tão emocionante na velhice era algo que ele certamente não deixaria passar.
— Não vamos ficar só nisso, traga essa criança aqui uma vez. Eu descobrirei com certeza o que ela sente. Ora, você está tímido, não é? Eu entendo tudo, não precisa ter vergonha. Eu também tive minha juventude, eu sei como é. É uma época maravilhosa.
O marquês soltou uma risada calorosa e fez uma proposta excepcional. É claro que, se aquilo fosse verdade, ele teria ganhado um aliado imbatível, mas…
“Que absurdo.”
Cassian soltou um suspiro profundo internamente. Ele gostaria de preservar, se possível, esse raro entretenimento que o velho marquês encontrara, mas, infelizmente, para o próprio Cassian, isso era impossível. Como também não podia contrariar o humor do marquês, ele deu a resposta mais ambígua que pôde.
— Agradeço suas palavras, mas, como o senhor sabe, tenho uma idade considerável em comparação àquela criança, por isso pretendo ser o mais cauteloso possível. Acima de tudo, a vontade dela é o que mais importa. Tenho certeza de que o senhor, marquês, compreenderá.
Diante do complemento proposital, o marquês hesitou e acariciou a barba com uma expressão séria. Que situação lamentável: surgir um evento após tanto tempo e ele ter que apenas observar.
Contudo, as palavras de Cassian não estavam erradas e, apesar do desânimo, ele não teve escolha senão assentir.
— Entendo. Compreendo perfeitamente, com certeza.
— Obrigado, marquês.
Cassian pensou que a conversa terminaria ali, mas o marquês não era um adversário fácil.
— No entanto.
Ele inclinou o tronco sobre a mesa e encarou Cassian com os olhos semicerrados. Cassian ficou tenso, imaginando o que ele diria, até que o marquês acrescentou em voz baixa:
— Se surgir qualquer dificuldade entre vocês dois, peça-me ajuda sem falta. Entendido? Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance por vocês, então não se esqueça.
Diante da insistência, Cassian foi obrigado a concordar.
— Sim, entendi. Farei isso com certeza.
A resposta foi essa, mas seus sentimentos eram completamente diferentes. Como era algo que jamais aconteceria, ele poderia dizer qualquer coisa que o outro quisesse ouvir. Como previsto, o marquês pareceu satisfeito com a resposta e assentiu com um rosto contente.
— Certo, então está bem. Pode ir agora.
— Sim, obrigado.
Ao ouvir as palavras que tanto esperava, Cassian fez uma reverência educada e se preparou para sair da sala de visitas. No momento em que abriu a porta, seus olhos se encontraram com os do homem que estava no corredor. Enquanto ele hesitava por um instante, o marquês falou atrás dele:
— Edward, acompanhe o convidado até a entrada principal.
— Sim, vovô.
Edward respondeu imediatamente. Pelo visto, o que o marquês dissera antes ao neto não tinha sido apenas uma frase vazia. Após cumprimentar o marquês novamente, Cassian começou a caminhar pelo corredor seguindo o neto dele.
— Cof, cof.
Não demorou muito para que Edward soltasse uma tosse seca, como se tivesse algo a dizer. Os olhares furtivos que ele lançava a Cassian transformaram essa suspeita em certeza, mas ele não abria a boca, limitando-se a espiar Cassian repetidamente. Por fim, impaciente, Cassian falou primeiro:
— O que você quer dizer? Diga logo, pare de ficar me sondando.
— Ah, sim. Bem, é que…
Edward, que gaguejou momentaneamente surpreso, coçou a nuca e começou a falar hesitante.
— Er, bem. Sobre o que eu disse de ruim sobre você na festa… me desculpe.
As palavras saíram com dificuldade, mas a reação de Cassian foi de total indiferença.
— Você já se desculpou antes. Além disso, o que você quer falar?
Edward estremeceu com a atmosfera gélida e voltou a observar a reação de Cassian. O que ele estava tentando dizer? Quando Cassian começou a ficar irritado, Edward finalmente abriu a boca.
— Bem, é que… na verdade, já faz muito tempo que você não namora ninguém, não é? Por isso, nós pensamos que talvez você tivesse… alguma dificuldade naquela área.
— Você achou que eu era impotente?
Diante da pergunta direta, Edward ficou atônito sem saber o que fazer, mas logo assentiu com sinceridade.
— Ah, bem… sim, por aí.
Até aquele ponto, Cassian não sentiu nada de especial. Era verdade que ele não saía com ninguém há muito tempo, e também era verdade que ele não tinha o menor interesse nesse assunto.
No entanto, a frase seguinte foi o suficiente para irritá-lo.
— Olha, me desculpe. Eu não sabia que você gostava de homens. Sabe, eu… eu não tenho nenhum preconceito quanto a isso.
“Mas que porra de conversa é essa?”
Enquanto Cassian o olhava de cima com o rosto franzido, Edward, interpretando mal a reação novamente, disse algo que o deixou ainda mais indignado.
— Aquele garoto é bem fofo, então é compreensível que você tenha se apaixonado. Ah, desculpe. Você se sente mal quando eu falo assim, não é? Eu entendo, eu também me sentiria. Meu avô disse que é até um milagre você não o manter trancado a sete chaves…
Cassian estava tão perplexo que as palavras não saíam. Ele conseguia imaginar facilmente o marquês despejando delírios sobre a relação dos dois para o filho e o neto. Atordoado, ele acabou deixando escapar:
— Fofo? Aquele cara?
“Aquela capivara louca?”
Ele conseguiu engolir as últimas palavras no último instante, mas Edward continuou respondendo com total sinceridade e um rosto radiante.
— Sim. Quando ele crescer mais um pouco, vai ficar incrivelmente bonito. Ah, claro que ele já é bonito agora. Ma-mas eu não tenho segundas intenções, de jeito nenhum. Ele é a pessoa que você ama, eu nunca, jamais teria qualquer intenção maliciosa…
— Edward.
Ele, que balançava a cabeça e as mãos freneticamente, parou bruscamente, assustado com a voz gélida que o chamou. O rosto de Cassian, ao olhar para Edward, estava mais frio e rígido do que nunca. “Será que ele está duvidando da minha sinceridade?”, pensou Edward, ansioso. “Claro, deve ser isso. Se alguém ficasse falando que a pessoa de quem eu gosto é fofa ou bonita, qualquer um ficaria desagradado. Droga, estraguei tudo.”
No momento em que Edward empalideceu, Cassian falou:
— Não se engane. Ele é um marshmallow envenenado.
Após dizer isso, ele se virou bruscamente e saiu caminhando a passos largos. Edward, confuso com aquela frase repentina, apenas piscou os olhos antes de correr atrás dele, perguntando apressadamente:
— Espera, espera um pouco, Cassian! Espere, o que você quis dizer com isso? Cassi… não, Conde Heringer…!
Edward gritou desesperado enquanto corria, mas Cassian, em vez de parar, acelerou ainda mais o passo. E, bem diante do nariz de Edward, Cassian subiu no carro e partiu.
— Marshmallow envenenado…? O que diabos isso significa?
Deixado para trás, Edward apenas arquejava, inclinando a cabeça sem entender nada.

 

 

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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