Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 173 Online

[…Ter sido resgatada sem sequer um arranhão só pode ser chamado de milagre. Certamente foi a mão de Deus que protegeu a Arquiduquesa Erzet.]
O duque Farbellini, Assef, largou o jornal com uma expressão fria. Seu humor azedou com o lixo que La Verità havia espalhado com tanto entusiasmo em suas páginas.
Sob o templo desabado, Ornella havia ficado presa e gravemente ferida. Assim que resgatada, foi trazida para a propriedade ducal e examinada pelo médico da família, que alertou que ela poderia mancar pelo resto da vida.
Assef rugiu, exigindo saber se o homem ousava sugerir transformar a única filha da Casa Farbellini em uma aleijada. O médico jurou fazer o que fosse necessário para restaurá-la completamente.
Não eram apenas os ferimentos de Ornella que enfureciam Assef. Diferente dela, que havia saído machucada, a Arquiduquesa que estivera presa com ela saiu ilesa, como se Deus realmente a tivesse protegido.
Além disso, a própria Arquiduquesa havia prestado primeiros socorros à gravemente ferida Ornella. A Casa Erzet não perdeu a oportunidade de explorar esse fato, divulgando amplamente as habilidades médicas e a benevolência da Arquiduquesa. Artigos elogiando-a foram espalhados por toda parte, usando Ornella como suporte para elevar o prestígio da mulher.
Estreitando os olhos com descontentamento, Assef ergueu o olhar. Sua filha estava deitada na cama, lendo um jornal, assim como ele estivera.
Não apenas La Verità, mas também outros jornais e revistas, estavam celebrando o “milagre” do incidente no templo. A Arquiduquesa estava aproveitando toda a atenção. Conhecendo o temperamento de sua filha, Assef suspeitava que ela devia estar fervendo de raiva. Ele ofereceu algumas palavras de conforto.
— Não se preocupe. Vou garantir que não reste sequer uma cicatriz em seu corpo.
Mas Ornella não mostrou reação. Continuou lendo com o rosto inexpressivo. Normalmente, já teria jogado o jornal de lado e gritado indignada.
Seu silêncio incomum fez Assef observá-la atentamente. Sem tirar os olhos do jornal, Ornella falou:
— Pai.
Ainda encarando o artigo, perguntou:
— Eu me tornei uma filha para se orgulhar mais do que um filho?
— Claro, Ornella. Você será a Imperatriz do Império Traon.
Assef sorriu, pegando o charuto que havia deixado de lado:
— Com o tempo, até eu terei que prestar a devida reverência. O império inteiro estará sob seus pés.
Aquele era exatamente o momento que sua filha orgulhosa mais desejava, quando ninguém estaria acima dela. Mas seu sorriso desapareceu com as palavras seguintes dela.
— A data de lançamento do novo medicamento está próxima, não é? Adie.
Era a última coisa que ele esperava ouvir. Ornella havia enfrentado a Arquiduquesa diversas vezes.
Quando Aspiria estava prestes a ser lançada, ela se enfureceu, dizendo que esmagaria a pretensiosa tentativa da Arquiduquesa como farmacêutica. Assef a apoiou, providenciando para que a Casa Farbellini produzisse e distribuísse um medicamento similar.
Ela estava contando os dias para o lançamento, e agora estava mudando de ideia repentinamente. Por mais obstinada que fosse, nunca agira assim antes. Exalando lentamente a fumaça do charuto, Assef respondeu:
— Muito bem. Prosseguiremos quando você se recuperar.
Ainda assim, Ornella não parecia satisfeita. Apenas virou outra página, o papel fazendo um leve ruído amassado antes de perguntar em voz baixa:
— Se eu tivesse escrito poesia, eu teria sido uma filha a se envergonhar?
Assef largou o charuto.
— Ornella.
Finalmente, ela levantou os olhos do jornal e o encarou. Pai e filha se olharam em silêncio, quando um servo chegou apressado.
— Sua Majestade chegou.
Falando em voz baixa, o homem trouxe a notícia. Assef se levantou imediatamente.
— Você deve estar tendo pensamentos tolos por causa da sua doença. Conversaremos depois.
A visita repentina do Imperador encheu Assef de um pressentimento. Ele frequentemente buscava audiência com Leone quando lhe convinha, mas o contrário era raro. Leone vir sem avisar só poderia significar algo grave.
No momento em que Assef entrou na sala de recepção e viu Leone de pé, soube que seu instinto estava correto.
— …Duque Farbellini.
Leone estava tão pálido que parecia doente. Começou a falar de forma desordenada.
— Cesare–Cesare descobriu tudo. O que devemos fazer? Ele nunca perdoa—
— Vossa Majestade.
Assef segurou os ombros de Leone com firmeza. O Imperador piscou e pareceu recobrar um pouco a compostura. Assef olhou diretamente em seus olhos.
Escolher Leone em vez de Cesare como seu parceiro no poder havia sido, em parte, deliberado. Cesare era incomparável em habilidade, mas não tinha desejo pelo trono; Leone, por outro lado, desejava ser o primeiro acima de tudo.
Mais importante ainda, Cesare não era alguém que Assef pudesse controlar — tentar usá-lo significaria ser devorado por ele. Então, Assef escolheu Leone, e, tendo embarcado no mesmo navio, pretendia levar essa decisão até o fim.
— O Arquiduque não é o Imperador.
— …
— Que nobre em todo o mundo está acima do Imperador?
A respiração de Leone diminuiu. Observando sua fraqueza, Assef suspirou internamente. Leone enxugou o suor do rosto e disse:
— Parece… que minha relação com o Arquiduque se rompeu.
Enquanto Leone parecia devastado, Assef permaneceu calmo. Era o momento que ele já havia parcialmente previsto.
Ele havia mantido sua última carta na manga, mas agora era a hora de usá-la. Lentamente, disse:
— Há rumores de que a Arquiduquesa está fabricando drogas a partir do ópio.
Os olhos de Leone se arregalaram. Encontrando aquele olhar abalado, Assef falou com gravidade deliberada:
— Mesmo entre irmãos, aquele que viola a lei deve ser acusado e julgado, não acha?
Mesmo depois de acordar, Eileen não conseguiu se livrar daquela sensação estranha por um bom tempo. A lembrança do toque da noite anterior continuava voltando, deixando-a inquieta de uma forma estranha, quase indecente.
Tinha sido um sonho, mas ela sentira as mãos de Cesare sobre ela novamente, ouvira-o dizer seu nome. Ela permaneceu no gosto residual do sonho por bastante tempo.
Para afastar aquilo, começou a se mover de propósito. Arregaçando as mangas, começou a arrumar o quarto, embora houvesse pouco a limpar naquele espaço pequeno. Recolhendo os papéis e livros espalhados sobre a mesa, começou a reler suas anotações.
Como acontece com a maioria dos mitos antigos, o mito de fundação existia em muitas variações. A versão impressa nos livros didáticos do Império Traon falava do Primeiro Imperador oferecendo um leão alado em sacrifício, passando por sete provações e revivendo a mulher que amava.
Mas nas versões apócrifas registradas como contos populares, o conteúdo era muito mais sombrio. Algumas afirmavam que o Primeiro Imperador havia sacrificado não apenas o leão alado, mas também os mortais amados pelos deuses — ou seja, os cidadãos do Império.
Era a versão mais semelhante ao seu sonho.
Essas versões folclóricas não eram oficialmente reconhecidas no Império e eram escassas em registros, por serem negativas e prejudiciais à imagem do governante fundador.
Mas a falta de fontes nem era a maior dificuldade para Eileen. O verdadeiro problema era que os mitos eram obscuros demais para ela.
Mitologia estava muito distante da pesquisa concreta e empírica na qual ela se destacava e que apreciava. Ela precisava ler essas histórias vagas e intangíveis com atenção para encontrar significados ocultos, o que tornava seu progresso dolorosamente lento.
Na verdade, ainda havia inúmeros pontos que ela não entendia, sobre voltar no tempo, corpos que não podiam morrer… Se tentasse estudar aquilo como farmacologia, talvez nunca aprendesse nada. Por enquanto, estava simplesmente enfiando o conteúdo em sua cabeça através de memorização mecânica.
‘Deve haver uma maneira mais rápida…’
(Elisa: Eu preciso me controlar muito para não xingar o idiota do Leone. Ele mesmo cavando a própria cova )
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui