Ler 7 Minutes of Heaven – Capítulo 09 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 9
Jeong-in passava o tempo distraidamente, batucando levemente a ponta do tênis de lona contra o chão de linóleo.
—Desculpa por ter te feito esperar tanto.
Depois de um tempo, Chase Prescott apareceu, exalando o aroma fresco de sabonete e desodorante. Seus cabelos loiros estavam meio úmidos, parecendo mais escuros nas pontas.
Ava Winslow, ainda ao telefone, olhou na direção deles com uma expressão que sugeria estar presenciando uma combinação estranha.
—Vamos.
O breve entusiasmo de Jeong-in já havia se acalmado.
Ao sair do prédio com Chase, Jeong-in de repente pensou em um problema prático. Chase logo entraria em seu Porsche e iria embora, e ele teria que correr desesperadamente atrás dele de bicicleta? Só de imaginar o quão ridículo aquilo pareceria fez sua mente disparar.
Sem conseguir dizer nada, Jeong-in chegou ao estacionamento com Chase. O Porsche prateado dele brilhava em dourado sob a luz do sol da tarde.
—Espere um momento.
Deixando Jeong-in atrás do carro, Chase foi até o lado do passageiro, abriu a porta e mexeu lá dentro. Em seguida, voltou com uma bolsa familiar nas mãos.
—Ah?
A alegria se espalhou pelo rosto de Jeong-in como a de alguém reencontrando um filho perdido há muito tempo. Como se estivesse hipnotizado, ele se aproximou de Chase e abraçou a bolsa que lhe era estendida.
—Minha mochila!
—Eu trouxe porque parecia pertencer a um aluno da nossa escola.
—Obrigado! Me desculpa! Sério, muito obrigado!
Várias palavras saíram de uma vez, tomadas pela empolgação. Jeong-in fez mais uma promessa a si mesmo. A partir de agora, evitaria causar qualquer incidente e viveria quieto, invisível, como sempre fez. Talvez fosse melhor selar aquele caderno vergonhoso assim que chegasse em casa ou conversar com Justin sobre se livrar dele.
—Eu sinto muito mesmo. As coisas que estavam escritas ali não eram sinceras. Foi só… inveja. É vergonhoso, mas…
Jeong-in confessou com a voz levemente trêmula. Ele percebeu que Chase provavelmente achou tudo aquilo estranho e incômodo, passar o dia inteiro envolvido com um nerd cuja existência ele sequer conhecia antes. Claramente, não deve ter sido uma experiência agradável.
—Isso não vai acontecer de novo. E você não vai mais precisar se envolver comigo. Então, o que eu quero dizer é… se cuida! Muito obrigado por trazer minha mochila.
Chase encarou fixamente Jeong-in, que se despedia com uma expressão aliviada, como se tivesse se livrado de um fardo antigo. Ele não respondeu, nem sequer esboçou um leve sorriso em seu rosto inexpressivo.
Jeong-in esfregou a nuca, constrangido.
—Obrigado de novo. Bem… eu vou indo! Se cuida!
Mais uma vez, Chase não respondeu. Jeong-in decidiu que não havia motivo para ficar ali por mais tempo e se virou. Seu passo acelerou com a sensação de que o olhar de Chase ainda o seguia.
O som alto do motor do Porsche ligando ecoou pelo estacionamento silencioso muito depois de Jeong-in desaparecer.
Jeong-in chegou em casa pedalando sua bicicleta, feliz. Palmeiras balançavam suavemente acima dele. Ele se pegou cantarolando diante da bela paisagem que não havia notado ao ir para a escola naquela manhã.
Sua fome havia voltado, então ele primeiro abriu a geladeira para procurar algo para comer. Havia carne marinada em molho vermelho em um recipiente de vidro que sua mãe havia preparado. Isso! Jeong-in comemorou.
Depois de fazer uma refeição satisfatória, Jeong-in subiu para o quarto e abriu o zíper da mochila. Ele queria se livrar daquele caderno vermelho amaldiçoado que tinha virado seu fim de semana e sua segunda-feira de cabeça para baixo.
No entanto, enquanto revirava a mochila, a expressão de Jeong-in gradualmente mudou para desespero. Todo o resto ainda estava lá, mas o caderno vermelho havia simplesmente desaparecido.
Não era possível que ele tivesse deixado cair em algum lugar.
Em pânico, Jeong-in pegou o celular com as mãos trêmulas. Ansioso demais para mandar mensagem, ligou diretamente.
—Alô.
Foi impressão dele? A voz de Chase parecia mais áspera do que o normal. Os ombros de Jeong-in se encolheram ainda mais.
—Ahm, oi, Prescott. Aqui é o Jay Lim…
—Eu sei.
—Ah? Certo. Então, sobre o caderno que estava na minha mochila…
—Ei, Jay Lim. Não é educado perguntar primeiro se a outra pessoa pode falar?
—A-ah, c-claro… Você tem um momento para conversar?
—Não. Não tenho.
Surpreendido pela resposta inesperada, Jeong-in ficou sem palavras.
—Ah… entendo. Você deve estar ocupado.
—Não, nem um pouco.
A essa altura, parecia que Chase estava sendo difícil de propósito.
—Então, por quê?
—Estou de mau humor.
—…Por quê?
—Não sei. É por isso que estou ainda mais irritado.
Jeong-in conseguia imaginá-lo inflando levemente as bochechas como uma criança. Até mesmo aquela expressão emburrada provavelmente seria fofa. Ainda assim, como tinha algo importante a resolver, decidiu tentar acalmá-lo rapidamente.
—Bem… todo mundo tem dias assim. Eu liguei por causa daquele caderno.
—Que caderno?
Embora estivesse se fazendo de desentendido, o tom relaxado em sua voz deixava claro que ele sabia exatamente o que tinha acontecido com o caderno.
—Não finja que não sabe.
—Ah, você quer dizer o Livro Escarlate?
Chase havia dado ao caderno o nome de “Escarlate”, referindo-se à sua cor vermelha proibida. Era um nome apropriado. Aquilo confirmou para Jeong-in que o caderno estava com ele.
—Você está com ele, não está? Me devolve.
—Vou devolver, em breve.
—Quando?
—Quando eu tiver vontade de devolver.
—O quê? —a voz de Jeong-in ficou mais afiada ao questionar.
—Já que cerca de metade dele é sobre mim, acho que tenho esse direito.
—…
Jeong-in ficou momentaneamente sem palavras. Havia uma lógica irrefutável no que ele disse.
—Como eu já falei antes… me desculpa. Eu não falei aquilo de verdade.
—Qual parte você não falou de verdade? A parte em que eu comprei minha posição de quarterback com dinheiro? Ou a parte em que eu já dormi com todas as garotas desta escola? Incluindo as funcionárias?
—…Você parece bem irritado.
—Não. Surpreendentemente, eu estou me divertindo muito com isso. Provavelmente é o mais divertido que tive ultimamente. Uma pena pra você.
Jeong-in não conseguia entender por que Chase estava tão hostil de repente. Não é como se ele não tivesse sido bastante amigável até pouco tempo atrás.
Enquanto Jeong-in murmurava, sem encontrar as palavras certas, Chase continuou:
—Você pode não gostar, mas vai ter que continuar envolvido comigo por mais um tempo. Aguente.
Com essas últimas palavras, Chase desligou friamente. A mão de Jeong-in, que segurava o telefone, caiu. Ele ficou ali, imóvel, afundando na frustração.
Ele achou que tudo estava se resolvendo fácil demais, mas parecia que, afinal, Chase pretendia atormentá-lo.
Uma das vantagens de viver como uma pessoa invisível é poder ouvir as conversas dos outros.
—Hmm… eu sairia com o Brian Cole, casaria com o Darius Thomson e mataria o Chase Prescott.
As garotas sentadas em um banco estavam jogando “Matar, Casar, Namorar”, discutindo quem elas matariam, com quem casariam e com quem sairiam. Embora Jeong-in não estivesse longe, elas continuaram a conversa sem hesitar, como se a presença dele fosse invisível.
Aquilo não era uma cena comum em dramas ou filmes? O personagem principal podia falar alto, mas os figurantes ao lado continuavam como se nada estivesse acontecendo. Por outro lado, as vozes dos figurantes conversando entre si nunca chegavam ao público.
Jeong-in sentiu como se tivesse se tornado um desses figurantes em um set de filmagem. Não só agora, mas sempre.
—Por quê?
—Porque se eu me casasse com o Brian Cole, ele estaria me traindo com a minha madrinha em cinco minutos. O Darius Thomson pode ser meio burro, mas pelo menos parece leal.
—Então por que matar o Chase Prescott?
—Porque não suporto a ideia de outra pessoa ter ele.
Risadas explodiram entre elas. Era compreensível o suficiente para que até Jeong-in sentisse vontade de concordar.
—Finge que isso aqui é o Chase Prescott e tenta acertar.
—Quer ver se eu consigo?
As garotas se levantaram do banco e caminharam até onde Jeong-in estava. Nas mãos, carregavam algodão-doce colorido, raspadinhas encharcadas de xarope e pipoca caramelizada.
O tema do festival Spring Fling era “Carnaval de Primavera”. Como esperado, barracas coloridas estavam espalhadas por toda parte. Aromas doces flutuavam suavemente vindos das barracas de pipoca e algodão-doce, e diversos estandes de jogos, como arremesso de balões, dardos e roletas, estavam cheios de gente. Também havia cabines de fotos e áreas para fotografias com longas filas.
Jeong-in, junto com Justin, havia sido designado para ajudar Jonah Kaplan, um membro do conselho estudantil e da Sociedade de Matemática, na barraca de tiro. Era um estande onde as pessoas podiam usar armas de brinquedo Nerf para derrubar prêmios e ficar com o que conseguissem acertar.
Uma festa dançante também estava programada para acontecer no auditório naquela noite, mas, é claro, Jeong-in não tinha nenhuma intenção de ir.
—Quanto custa para atirar nisso?
—Um dólar por dois tiros, dois dólares por cinco tiros.
A garota de cabelos castanhos no meio tirou duas notas de um dólar do bolso e entregou. Jeong-in pegou o dinheiro, colocou na caixa que servia como caixa registradora improvisada e ofereceu cinco balas macias em um prato de plástico.
Enquanto ela atirava, Jeong-in esticou o pescoço para olhar para fora. Justin, que havia dito que iria comprar pipoca, ainda não dava sinais de voltar. Muito provavelmente tinha fugido para o laboratório de informática, deixando o balcão sob responsabilidade de Jeong-in.
A barraca de tiro ficou vazia quando clientes desapontados, que não haviam conseguido ganhar nenhum prêmio, foram embora. Enquanto reorganizava os itens espalhados, Jeong-in pegou um bichinho de pelúcia branco. Não dava para saber se era um furão ou um vison, mas certamente parecia algum tipo de doninha.
Ao colocá-lo sobre o joelho, apreciando a maciez do pelo e sua aparência bastante fofa, Jeong-in de repente se lembrou do incidente de ontem com Chase Prescott.
Chase devia ter visto o conteúdo do caderno vergonhoso desde o início. Ainda assim, durante todo o dia, até mesmo ao devolver a mochila, manteve uma atitude agradável e amigável. Mas, durante a ligação, foi extremamente frio. Por que sua atitude havia mudado de repente? Será que Jeong-in o havia ofendido de alguma forma?
Jeong-in tentou se lembrar dos acontecimentos de ontem com o máximo de detalhes possível, mas não conseguiu pensar em nada que pudesse tê-lo irritado. Ele havia estado ansioso demais o tempo todo para perceber qualquer coisa.
—Aham.
Assustado pelo som de alguém limpando a garganta, Jeong-in se recompôs e endireitou as costas.
Falando no diabo — a primeira coisa que chamou sua atenção foi o cabelo dourado brilhando sob a luz do sol, como se exibisse sua própria presença. Logo abaixo, olhos azuis que pareciam capturar a cor do oceano encaravam Jeong-in fixamente.
Chase Prescott estava diante dele, vestido como de costume, com sua jaqueta do time, camiseta branca e jeans. Vivian Sinclair não estava por perto, e ele estava acompanhado por duas líderes de torcida. Surpreso, Jeong-in apenas o encarou, movendo os lábios sem conseguir falar. Chase foi o primeiro a falar.
—Tem cliente aqui e você nem cumprimenta?
—…Ah, oi.
As líderes de torcida ao lado dele lançaram olhares desconfiados, como se duvidassem que Chase pudesse conhecer alguém como Jeong-in, e perguntaram:
—Você conhece ele?
Chase, ainda mantendo os olhos fixos em Jeong-in, virou levemente a cabeça para responder.
—Sim. Eu conheço ele bem. Até o que ele pensa.
—…
O rosto de Jeong-in empalideceu. Seus ombros se encolheram involuntariamente diante da observação direta de Chase.
—Chase! Eu quero aquela bolsinha.
—Eu quero esse copo.
Chase olhou diretamente para Jeong-in e entregou duas notas de um dólar. Em seguida, apontou com o queixo para o bichinho branco de pelúcia que Jeong-in estava segurando.
—Por que você está segurando isso? Não é um prêmio também?
—Ah… sim.
Jeong-in rapidamente colocou o bichinho de volta no lugar e encheu um prato com cinco projéteis de isopor, colocando-o sobre o balcão. Chase carregou as balas e posicionou a arma de brinquedo em formato de rifle sobre o ombro. Mesmo segurando uma arma de brinquedo, ele parecia uma cena saída de um pôster de filme de ação.
Tac — o primeiro tiro errou. Mas, ajustando a mira após o disparo perdido, ele conseguiu derrubar a bolsinha e o copo plástico que as líderes de torcida queriam. Nos dois últimos tiros, ele mirou no bichinho branco de pelúcia que Jeong-in havia manuseado.
O primeiro tiro atingiu a cabeça, mas não o derrubou; o segundo acertou o peito, um golpe final que fez a pequena doninha cair com um baque. Jeong-in sentiu uma pontada próxima ao próprio peito, como se Chase estivesse mirando nele.
Jeong-in se abaixou para recolher os prêmios e os colocou um por um sobre o balcão. Chase entregou a bolsinha e o copo para as líderes de torcida, deixando apenas o bichinho de pelúcia branco para trás enquanto se virava para ir embora.
Jeong-in pegou o bichinho de pelúcia branco que havia ficado sozinho sobre a mesa.
—Ei, você não levou isso…
Chase se virou de volta, ainda com uma expressão emburrada, como se algum ressentimento permanecesse, e respondeu:
—Isso é pra você, Jayrin.
As costas de Chase se afastaram na distância. Jeong-in, segurando o bichinho de pelúcia de forma desajeitada, o puxou para mais perto do peito e murmurou:
—…É Jay Lim.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven